Trabalhe com o que amas e não amarás mais nada

Trabalhe com o que amas e não amarás mais nada

Qual trabalho você faria de graça?

Quando vi essa sugestão de post para 5 de abril no app do Jetpack, fiquei impactadíssima, mesmo. Eu olho os prompts lá todos os dias e os respondo mentalmente, então era inevitável não pensar em que respostaria daria, sabe? Pois bem, nessa de pensar, percebi que eu faria e faço meu trabalho em todas as profissões que tenho de graça!

Isso me fez declamar, na mesma hora, minha máxima: TRABALHE COM O QUE AMAS E NÃO AMARÁS MAIS NADA. A teoria é linda, né, amar seu trabalho a ponto de ser capaz de ser feliz o fazendo por prazer. Mas é aí que tá o pulo do gato, caras, porque essas duas coisas precisam ser diferentes! A partir do momento que você transforma paixão em ganha pão, o que antes era pura alegria se torna cobrança, dor de cabeça, estresse, peso. E aí, na hora de relaxar, o que antes era escape é agora justamente a coisa da qual você tá tentando fugir. A gente precisa separar e admitir que essa separação é necessária. Falemos a verdade, pô, se trabalho fosse bom, o nome dele seria férias!

“Tá bom, Lulê, mas o que isso tudo tem a ver com trabalhar de graça?” Tem a ver que quando você gosta, quando se importa, quando coloca aquilo como parte relevante da sua vida, quiçá a parte MAIS relevante, ou seja, vive para trabalhar ao invés de trabalhar para viver, acaba ficando extremamente propensa a fazer sem ser devidamente remunerada, mesmo em ambientes onde não está fazendo como hobbie. Uma hora extra não contada, um desvio de função frequente, uma exceção que vira regra, um aceite em LITERALMENTE não cobrar pela coisa porque ela vai melhorar seu currículo e pode, quem sabe, num futuro imaginário que dificilmente chega, trazer uma oportunidade ali depois. Que nem eu faço o tempo todo. Que nem um monte de gente faz e é encorajada a fazer!

GIF de Emily Charlton em O Diabo Veste Prada repetindo para si mesma EU AMO MEU TRABALHO enquanto demonstra cansaço e frustração. A personagem tenta se convencer de que gosta do emprego, criando uma cena cômica que retrata a exaustão da rotina profissional.

Uns poucos anos aí pra trás, eu tinha umas amigas de trabalho que vira e mexe falavam “sai do Diabo Veste Prada, Luly!”. Tenho isso de ser a primeira a chegar e última a sair, estar presente o tempo todo para que os outros pudessem estar ausente e atingi meu extremo ao ter uma crise de ansiedade ao configurar meu aviso de férias no e-mail, sentindo uma FOMO danada. O que era pra ser uma comemoração de momento super esperado virou um problema, topei participar de reunião presencial em meio a esse período e até acessava o e-mail dia sim, dia não da minha casa, senão me dava angústia de verdade de não saber o que estava chegando nele. Eu RESPONDI alguns, sabe? Elas ficaram preocupadas e me mandaram, por favor, parar com isso, porque naquele mês milagroso e especial eu estava recebendo para descansar, não me estressar. Era e sou Emily Charlton diante de seu computador, exausta, tendo que se convencer de que está ali porque ama e, sendo assim, aguentando tudo (até a própria loucura).

E aí, já que tocamos nesse assunto específico, tô aqui pensando em alguns dias atrás, quando assisti a “O Diabo Veste Prada 2” e, em determinada cena, nossa chefona Miranda faz um discurso sobre como a relação dela com a Runway tem um preço e que, apesar disso, ela ama trabalhar. Sim, eu chorei. Chorei doído, quase de soluçar, o cara do meu lado até olhou, provavelmente sem entender, porque não era de fato tão emocionante assim. Mas pra mim foi. Foi principalmente porque eu já vivi o ápice do amar meu trabalho e não vivo mais, porque de todas as minhas várias profissões a que me é mais importante é a única que não exerço no momento e isso dói. Eu não sei o que é chegar “ao topo”, como a Miranda, e nem preciso saber, sendo sincera, mas não adianta, tô disposta a continuar sacrificando coisas, destruindo paixões em nome da obrigação, trabalhando de graça mesmo quando tô sendo paga.

Ainda bem que, vira e mexe, a gente pode culpar os astros pelos problemas da nossa vida… Maldito Ascendente em Capricórnio!

Leia também: O mundo se move bem o bastante sem minha arte e Uma semana de SP-Arte comigo, onde minha relação de amor e ódio com meu(s) trabalho(s) já foi explorada – e sim, estou aqui indicando outros posts em meio dos desabafos, de novo, tratando essa paixão aqui como trabalho!
Lady Elowen – Ato II

Lady Elowen – Ato II

ler artigo
O Cavaleiro de Paus

O Cavaleiro de Paus

ler artigo
Freelancer é um título horrível!

Freelancer é um título horrível!

ler artigo

Comente este post!

  • Taís

    Hahaha eu dei uma risada aqui “se trabalho fosse bom, o nome dele seria férias!”. É bem isso mesmo, né? Eu trabalho com duas coisas que amo, mas mesmo amando, tenho meus momentos de odiar e querer sair correndo. Ou de também, mesmo em dia off, ficar olhando e-mail ou os chats do trabalho, socorro!

    https://nyrtais.blogspot.com/

    responder
  • Barbara Moretti

    suspeito que os deuses não nos enfiaram na área da saúde, em prontos atendimentos e emergências, porque sabe que a gente não ia arredar o pé de lá nunca ? tão bom ser maluca ?

    responder
  • Bruna Both

    Eu levo essa sua frase do título pra vida também… dia após dia ela vai cada vez mais fazendo sentido. Quando eu era criança, me pediam o que eu queria ser no futuro… lembro de sempre falar que queria ser aposentada que nem meus avós, que assistiam TV, passeavam nos amigos e jogavam carta. Se não tivesse motivos e nem boletos, dificilmente eu estaria num escritório a semana inteira hahahahaha

    responder