“Parda, num mundo de brancos. Mulher, num mundo de homens.” Assim era Chica da Silva, uma figura extremamente marcante da história brasileira em diversos aspectos, tema de novela, literatura e músicas… Escravizada, conquistou a liberdade ao ter um relacionamento em união estável com caráter religioso com seu segundo “senhor” João Fernandes de Oliveira no século XVIII, período do ciclo dos diamantes em Minas Gerais, do qual ele fazia parte. Entre a personagem histórica e o mito que foi sendo construído ao longo dos séculos, sua narrativa ganhou uma ópera inédita produzida pelo Palácio das Artes com três apresentações no Grande Teatro nos dias 19, 21 e 23 e setembro, às 19h no primeiro e às 20h nos outros dois.


Ontem tive o privilégio de assistir à pré-estreia e último ensaio geral da Ópera Chica da Silva, que beleza presenciar um momento desses! A montagem reúne os três corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado (Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia. de Dança Palácio das Artes), além de solistas convidados, entre eles a soprano Marly Montoni no papel principal. No palco, acompanhamos sua história, principalmente focada na relação amorosa entre Chica e João Fernandes, mas também nos debruçando sobre ela enquanto parte desse triste legado da escravidão brasileira, ressaltando como assumiu o lugar de poder pelo qual era antes subjulgada, tentando olhar para a pessoa que existiu por trás das características lendárias.



Pessoalmente, tenho uma relação dúbia com ópera. Admiro super a arte, convenhamos que juntar teatro, canto, cenografia, figurino, coreografia e orquestra é doido de lindo, e nesse caso todas essas características estavam impecáveis, mas acho um pouquinho massante, também. Muita repetição, duração lenta, algo que quando pontual ajuda no entendimento, mas que se demais não agrada a todos, né? Essa, por exemplo, é dividida em quatro quadros, dois antes e dois depois do intervalo, e senti que a segunda parte fica bem mais dinâmica, com a dança ganhando força e o ritmo bem mais envolvente que na primeira. Não esquecendo o tipo de espetáculo apresentado, acho que vale cada segundo da experiência de assistir Chica da Silva!


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