Uma semana de SP-Arte comigo

Uma semana de SP-Arte comigo

Agora que já fui profissionalzinha e mostrei meus destaques da SP-Arte 2026, chegou a hora de ser pessoalzona e contar a MONTANHA RUSSA que foi participar do evento esse ano… Tudo começou quando os meninos da Manoel Macedo Arte, com a qual já dividi estande em uma feira quando trabalhava em ooooutra galeria, entraram em contato em meados de março convidando para ir com eles para auxiliar nas vendas. Como sou muito topetuda, já fui pensando em criar PDF, na comunicação, pedi uma prévia das obras pra ir estudando, e foi ótimo porque eles me deram abertura e até pediram um help em algumas dessas coisas. Fiquei MUITO empolgada em voltar ao mercado de arte por uns dias, pois é a área na qual mais gosto de trabalhar, e com a ideia de matar saudades dos lookinhos de galerina…

Visão de cima das pernas de uma pessoa sentada, usando meias rosas e sapatilhas claras com laço. Um cobertor macio em tons de rosa e lilás cobre o colo, criando uma cena aconchegante dentro de um ambiente interno.

Mas é como diz o poeta, né, quem vê close não vê corre… Cheguei em São Paulo na manhã da quarta-feira, dia 8, de moletom, meia da Barbie e cabelo enroscado no alto da cabeça pra não estragar a escova que tinha feito. A ida em si foi um xuxu, num desses ônibus leito-cama tão confortáveis que nem desci nas paradas pois estava a mimir, mas a abertura começava pela manhã e o check-in do meu Airbnb só acontecia às 15h… Felizmente consegui deixar minha mala onde eles estavam hospedados e me arrumar bonitinha após a gente tomar café da manhã conversando sobre alguns últimos detalhes… Fui a primeira a chegar no estande, gosto de ir mais cedo, sentir o clima da feira, entender onde estamos, essas coisas (mó CDF chatona, pó falar)…

Canto de um estande da SP-Arte com duas cadeiras de metal preto em frente a obras de parede. Uma das obras traz um código de barras estilizado e outra, em fundo cinza, exibe a frase ABRACE SEU FRACASSO em destaque.

Pra 2026, Manoel Macedo ousou lindamente fazendo um solo da Marta Neves, ao invés de apresentar todo o programa da galeria, e ficou MARAVILHOSO… Iluminado, brilhante, chamativo, sabe? Algumas das melhores obras foram fechadas nesse primeiro dia, o que nos deixou bem feliz. Fiquei um cadinho decepcionada porque o lugar onde almoçava lá tava (ainda mais) caro e ruim? Sim. Mas fazer o que? Enfim, 12 horas de feira na abertura, o saltinho da gata pedindo arrego, quando acabou clamamos de alívio, busquei minha mala e dentro do Uber, a caminho do Airbnb, já pedi uma PIZZA com REFRIGERANTE 2 LITROS, algo que chegava rápido e custava relativamente pouco pois poderia comer por uns três dias. A identificação facial pra entrar no prédio funcionou perfeita, yey, hora de subir pro apartamento e aí… Começou…

Fiquei presa pra fora do apartamento, gente!

A fechadura eletrônica de lá era MUITO RUIM. Eu digitava a senha e ela não avisava se ‘tava apertando os números, errei três vezes seguidas, deu um barulhinho imitando a polícia e apagou de vez. Entrei em pânico, né? Liguei pros meninos, pois eles que fecharam a locação, e desci pra guarita da entrada pra ver se alguém ali me dava um help. Felizmente o proprietário viu a mensagem deles, mesmo já sendo quase 11 horas da noite, e a moça que conversei disse que assim que mudassem a senha subiria comigo pra me ensinar o macete de entrar. Nesse meio tempo a comida chegou e subi levando mala, mochila, bolsa, pizza e guaraná, tudo isso em meus pequenos braços, pois aparentemente em São Paulo as pessoas são contra ajudar umas às outras. De volta à porta, ela digitou a senha e deu o que? SENHA INCORRETA!

Faixa de luz formando um arco-íris projetado no chão de concreto ao lado de uma parede branca, criando um efeito colorido e delicado em contraste com o ambiente neutro.

Juro, por um segundo fanfiquei que dormiria na porta, fiquei analisando onde podia me enroscar de maneira discreta e segura no fim do corredor até o proprietário ir me auxiliar no dia seguinte ou algo assim. Felizmente não foi necessário, respiramos fundo, ela digitou de novo (certo dessa vez), entrei, eba! O apartamento era excelente, o chuveiro, no qual entrei quase de roupa em tudo, delicioso e comi três fatias de pizza com os pés pra cima, me recuperando e rezando para não passar por mais nenhum problema (eu conto ou vocês contam?). Dormi rapidinho, cansadíssima, e pela manhã percebi que tinha um arco-íris particular no chão enquanto tomava o café da manhã que fui ao supermercado comprar, conseguindo entrar de primeira, dessa vez.

Selfie de uma mulher sorrindo em ambiente interno de galeria. Ela tem cabelos pretos e rosas, usa óculos de armação grande, batom vermelho e blusa sem mangas também vermelha, com crachá da SP-Arte no pescoço. Ao fundo, parede branca e piso de concreto.

Estava hospedada super perto do Ibirapuera, onde a SP-Arte acontece, mas como fui cedo nesse segundo dia para acompanhar nossa nova montagem peguei um trânsito pavoroso e paguei caro pela mini viagem. Mas deu tudo certo, tive tempo de fazer meu primeiro round de caminhada pelos outros estandes antes de abrir no meu caminho até o banheiro, onde fui me maquiar bem bela. A credencial esse ano era vermelha com azul, combinou com as roupinhas que levei, a natureza estava oficialmente em cura. Me dá até raiva do quanto eu me sinto bem sendo galerina, caras, escravíssima do sistema, argh!

Adesivo de gato preto com olhos vermelhos, expressão brincalhona, colocado em parte traseira de um notebook preto, com fundo de ambiente de escritório com arte colorida na parede.

Foi uma feira estranha…. Os dias que normalmente enchem, principalmente sábado, foram tranquilos, enquanto os mais paradinhos, que são quinta e domingo, foram movimentados. Acho que foi-se o tempo onde essas regras existiam, o mercado está mudando muito, e ainda bem. No mais, as obras foram super fotografadas, enviamos MUITOS PDFs, tanto para potenciais clientes quanto interessados na artista de modo geral., recebemos a queridíssima Elaine, do My Artsy Crush, um perfil que vale a pena seguir, e até um grupinho de estudantes da (minha) Escola de Belas Artes da UFMG. Rolou também uma entrevista pro Estado de Minas com algumas das galerias de BH que estavam lá, legal demais ver o Marcos participando! Trabalhamos bastante, eu, eles e meu computador (na foto), que foi nosso quartel-general de tudo o que surgia de última hora, um querido!

Parede de galeria com uma grade organizada de pequenas obras emolduradas, cada uma contendo capas de livros ou composições gráficas. As peças estão dispostas em linhas simétricas sobre fundo branco, criando um efeito visual de coleção.

No outro post, com meus highlights da SP-Arte, abri com essa obra, mas vou colocá-la aqui também porque cada vez que passava por ela, uma paredona de livros, tema que estava MEGA em alta por lá, meu fascínio crescia… Em dado momento finalmente me aproximei para ver de quem era e fiquei encantada em saber que a artista é Valeska Soares, que AMO DE PAIXÃO desde 2009, quando estudei arte contemporânea brasileira no 4º período da faculdade e a escolhi para ser tema do meu trabalho de fim de semestre. Imagine só um par de olhos brilhantes saindo de uma mulher de um metro e meio de altura em meio ao pavilhão da Bienal, pois é, foi o que rolou.

Foto no espelho de elevador: uma mulher posa sorrindo, usando blusa branca com mangas bufantes e gola de laço, calça preta de cintura alta e bolsa preta no ombro. Ela segura um celular rosa e usa um crachá da SP-Arte pendurado no pescoço.

E aí que parece estar tudo muito bom, tudo muito bem, o passado a Deus pertence e só delícias daqui pra frente, né? Aham, tá. Acordei no sábado cedo animada, pois era o dia em que usaria o look favorito da viagem, arrumei minha bolsa, computador, catálogo, credencial, necessaire e carteira… UEPA! Cadê minha carteira? Revirei o apartamento, mala, banheiro, mochila, coberta, não achei em lugar nenhum. Respirei fundo, fundíssimo, saí disfarçando minha cara de pânico pois estava bonita demais para chorar, tirei até foto enquanto esperava o carro para me convencer de que tudo ia ficar bem e que não seria um problema perder minha carteira na véspera de voltar pra casa. Misericórdia! No caminho cancelei a aproximação do cartão de banco e fiz um B.O. para justificar o embarque sem a identidade, caso desse algum problema por só ter o PDF oficial em mãos.

Obra de Marta Neves emoldurada com fundo claro e textura de miçangas, seu material, mostrando a silhueta de uma figura em queda. Abaixo da imagem, lê-se a frase seja literal seja herói 2025 em letras pretas.

Passei no lugar onde estava almoçando, nada. Corri no achados e perdidos, nada. Mandei no grupo de WhatsApp dos funcionários de galerias que participo, nada também. Lembrei que dentro dela tinha um dinheirinho, o ingresso do primeiro show do Elton John que fui há 17 anos e carrego comigo desde então, uma foto de Instax com minhas irmãs no casamento de uma delas que jamais veria se não encontrasse. Droga! Vivi o dia tentando não surtar, afinal tinha tomado todas as providências pra não sair no real prejuízo e pra suprir a perda da identidade, né? Tentei através do app da Uber conversar com o motorista que tinha me levado pro apartamento na noite anterior, não funcionava, já estava aceitando a derrota quando abri meu e-mail e tinha uma mensagem da plataforma pedindo que entrasse em contato no número pessoal dele, pois um objeto tinha sido encontrado no carro.

Carteira aberta mostrando documentos e cartões, enquanto uma mão segura uma foto instantânea (tipo polaroid) de três mulheres sorrindo juntas. A carteira tem estampa com um gatinho preto e detalhes pessoais visíveis.

Wesley, meu querido, se um dia estiver lendo isso, saiba que irei eternamente abençoá-lo por esse episódio. Ele achou! Até pediu desculpas por ter aberto pra ver se tinha uma foto, como pode, determinado a levar no prédio onde eu estava hospedada mesmo sem saber o número do apartamento. Um homem iluminado! Combinamos que devolveria à noite, pois estava na região metropolitana (e eu trabalhando, né), perguntei como faria pra pagar a taxa da plataforma e ele sequer aceitou, afe, gentil demais! Consegui terminar meu dia voltando a ser bonita, queria jantar algo saudável pra compensar a pizza dos últimos dias mas achei que merecia um sanduba com batatinha e, assim que desci pra buscar, recebi mensagem avisando que ‘tava na porta com minha carteira amada. Rainha do drama, sim, mas da resolução de todos eles também!

Bancada de banheiro com diversos itens de maquiagem e cuidados pessoais espalhados: pincéis, batons, base, lenços umedecidos e frascos de skincare. Ao fundo, um nécessaire rosa com bolinhas e um espelho refletem os objetos, criando sensação de rotina de beleza.

Podendo dormir na santa paz da consciência limpa, e tentando não me culpar por esse episódio, já que normalmente sou cabreira com minhas coisas e presto muita atenção em tudo, acordei na manhã de domingo misturando o me vestir com o arrumar das malas, pois já iria direto da feira pro embarque do ônibus. Desfiz minha bancada de maquiagens no banheiro, que por sinal sei que não é certo, tá, mas o espaço era muito bom então ignorei isso, conferi se estava tudo comigo, a carteira principalmente, e fui pro último dia de mais uma SP-Arte. Como todos os anos, rolou uma corrida no Ibirapuera na data, então parei no Portão 5, como recomendado, e fui caminhando debaixo do solão até o pavilhão. Deixei as coisas no depósito onde ficam as obras que não estão expostas e ‘bora.

Pintura de Tarsila do Amaral retratando um cenário com uma pessoa deitada no chão e um cacto, em cores suaves.

Depois de quatro almoços caros e ruins, enfim recebi a indicação de um lugar melhor pra comer, pedi até uma sobremesinha pois não tinha comido uma única unidade de doce em toda a viagem – estou revoltada até agora que no mercadinho do prédio do Airbnb o KitKat custava NOVE REAIS! Comi e dei uma passada no primeiro andar da feira, onde ficam as galerias mais tradicionais de mercado secundário, para ver a obra da Tarsila do Amaral que estava à venda por quase 20 milhões de reais. Tinha até fila pra tirar foto da bichinha, e de fato, surreal demais estar em sua presença…

Gata preta com olhos amarelos relaxado em ambiente interno, destaque para sua pelagem brilhante e cabelos bem cuidados.

Domingo é o dia em que a SP-Arte começa mais tarde e termina mais cedo, por causa da corrida e da desmontagem. Assim que acabou, enquanto não podia buscar as obras, subi pra pegar a mala, ajudei a preencher o formulário de saída e já deu meu horário de ir para o embarque do Buser, também um leito onde só acordei para comer o pão de queijo caríssimo na estrada. Cheguei em casa cedão, encontrei Arwen PUTA DA VIDA comigo por ter sido “abandonada” seis noites seguidas, mas querendo ficar pertinho fazendo companhia nesse pedacinho da manhã que usei para prolongar a soneca e descansar um tiquinho. Ô trem exaustivo, esse de ser simpática e carismática, viu? Muito útil, sim, mas nessas situações suga um pouco da minha alma, confesso.

Estante de livros rosa com duas prateleiras cheia de livros coloridos, uma máquina de escrever antiga também rosa na parte inferior, ao lado de uma parede decorada com obras de arte em papel.

Após o almoço, fui à agência dos Correios buscar minha nova estante, que tentaram entregar com muitos dias de antecedência enquanto estava viajando, cheguei em casa pegando as ferramentas para montá-la. Desde que a parte prática da minha graduação começou e decidi ser restauradora de bens em papel, sonho com uma estante de metal para chamar de minha. Montei, ficou péssima, no dia seguinte desmontei tudo e agora está muito perfeita, é uma delícia acordar olhando pra ela, pros meus livros e pras decoraçõezinhas que escolhi para compor o visual. E foi isso, Uma semana de SP-Arte doida, gostosa, cansativa, empolgante e cheia de outros adjetivos… Na torcida para viver um repeteco ano que vem, de preferência sem as breves desventuras em série, é claro!

Banner com layout de interface de computador em tons claros. Na parte superior, aparece um cabeçalho cinza com o título 'blogagem_coletiva_file' e, logo abaixo, o subtítulo 'ENTREBLOGS'. Abaixo do cabeçalho, há três pastas digitais ilustradas, lado a lado: uma pasta rosa com o nome “post_participante”, uma pasta azul com o nome “grupo_ideias” e uma pasta amarela com o nome “regras_ou não”. Um cursor grande, em formato de seta, está posicionado sobre a pasta rosa.

Esse post faz parte da blogagem coletiva EntreBlogs, cujo tema #011, para março de 2026, é Uma semana comigo.

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  • Igor

    Nossa, que semana cheia! Ainda bem que o ingresso de 17 anos ficará por mais alguns, eu fiquei com uma dor, mas acabou que deu tudo cerrrrrrrrrto!

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  • Taís

    Ai, Luly, eu ri, mas com respeito dos seus perrengues, mas fiquei muito aliviada também que tudo foi resolvido. Procurar a carteira ou algo valioso e não achar é foda, a alma sai do corpo haha
    Você fica linda demais na sua versão galeria, amei os lookinhos! <3
    Agora fiquei com vontade de uma pizza com guaraná, socorro!

    https://nyrtais.blogspot.com/

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  • Fernanda Rodrigues

    Amiga, eu poderia dizer muitas coisas, mas vou focar no EU AMEI A SUA ESTANTE AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Ficou muito lindo! <3
    Amei mto!

    Um beijo,

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