Mary Poppins – P. L. Travers (Edição Cosac Naify + Ronaldo Fraga)

Mary Poppins

Mary Poppins (Edição Especial) *****
Mary Poppins Autora: P.L. Travers | Ilustrações: Ronaldo Fraga | Tradução: Joca Reiners Terron
Gênero: Fantasia
Ano: 1934
Número de páginas: 190p.
Editora: Cosac Naify
ISBN: 978.854.050.529-2
Sinopse: “Uma das histórias mais amadas por crianças e adultos do mundo todo, Mary Poppins ganha uma nova edição, com ilustrações do estilista Ronaldo Fraga, tradução do escritor Joca Reiners Terron e posfácio da professora de literatura inglesa da USP Sandra Vasconcelos. Depois de desenhadas por Fraga, como verdadeiros croquis de moda, os desenhos foram bordados à mão em tecido e fotografados em estúdio. O leitor vai, finalmente, descobrir a história de Mary Poppins, a babá mágica que chega inesperadamente para cuidar das crianças Banks e lhes abre os olhos para os mistérios e as maravilhas que nos cercam, todos os dias.” (fonte)

Comentários: Mais uma babá abandonou a casa da família Banks, deixando as outras empregadas da casa e a mãe das crianças desesperadas sem saber quem cuidaria de Jane, Michael e dos gêmeos, John e Bárbara. O sr. Banks, como de costume, deixou a cargo da esposa resolver isso e rumou em direção ao banco onde trabalha. Foi nesse contexto que o Vento Leste – literalmente – carregou Mary Poppins, uma babá nada convencional (e pra lá de encantada) para a porta do Número Dezessete da rua Cherry Tree Lane. Os dias seguintes dessa família foram, então, marcados pela presença da jovem, com sua personalidade forte e métodos fabulosos de resolver as coisas, deixando as crianças sem entender como tudo seria possível ser real.

Mary Poppins

A australiana P. L. Travers, autora dos seis livros da série Mary Poppins, dizia que não escrevia para crianças (1), mas essas obras que giram em torno de sua personagem mais famosa ficou marcada como um dos clássicos da literatura infantil a ponto de ser transformada em filme musical dos Estúdios Disney em 1964, tendo Julie Andrews no papel da protagonista e Emily Blunt na sequência de 2018. Muitos conhecem a história por causa dessa primeira adaptação, inclusive, e apesar de suas diversas diferenças o primeiro livro tem semelhanças pontuais, sendo também capaz de encantar pessoas de todas as idades.

Muitos podem julgar Mary Poppins pela sua grosseria, afinal na época da publicação era essencial que uma babá fosse dócil e submissa, e ela não é nada disso. Com respostas diretas, habilidades extraordinárias e conclusão para todas as questões, ela ensina sobre seu mundo não só a Jane e Michael, mas também a quem lê o livro. A escrita se refere ao início do século do passado, mas é fácil de ser entendida e flui MUITO BEM, com frases impactantes em diversos pontos. Demorei anos para enfim me render a ela porque tinha medo de quebrar todo o carinho que tenho em relação ao filme, mas a experiência foi tão maravilhosa que minha vontade mesmo é continuar lendo os outros volumes para conhecer mais aventuras mirabolantes assim. [SPOILER] Ver o Vento Oeste levá-la embora foi lindamente melancólico, mesmo já sabendo que isso aconteceria. [/SPOILER]

Mary Poppins

“(…) pode ser que comer e ser comido seja a mesma coisa, afinal. Minha sabedoria me diz que é muito provável que sim. Somos todos feitos da mesma matéria, lembre-se, nós da Selva, vocês da Cidade. A mesma substância nos compõe, a árvore logo acima, a pedra debaixo de nós, a feiura, a beleza. Somos um só, todos rumando para o mesmo final. Lembre-se disso, mesmo quando você não se lembrar mais de mim, minha criança.” (página 152)

Mary Poppins

É impossível ler Mary Poppins na edição especial da extinta Cosac Naify, que encerrou suas atividades em 2015, e focar só na história ao falar dela porque, sinceramente, é uma obra de arte à parte. Eles lançaram duas versões: uma com a capa rosa com pequenas ilustrações de barco de papel, nuvens e estrelas, e outra ainda mais rara conde a estampa rosa estava em uma luva em formato da maleta da Mary e, por dentro, uma capa exclusiva marrom, simulando a roupa dela. A lombada tem costura aparente, também visível por dentro, com o título do livro impresso direto nas páginas entre as linhas. Ele mede aproximadamente 28 x 18cm, tem 190 páginas e mesmo elas são em papel especial, com gramatura 100g/m². Hoje em dia é quase impossível achar exemplares à venda e, quando acha, o preço é exorbitante, mas vale MUITO o que custa, de verdade.

O mais lindo dessa edição, porém, são as ilustrações pelo estilista mineiro multipremiado Ronaldo Fraga. Após fazer as ilustrações, que conseguem ser lúdicas ainda que monocromáticas, elas foram bordadas pela (também) mineira Stella Guimarães e sua equipe, deixando propositalmente fios soltos que compõe o visual das cenas, dando ideia de movimento. Por fim, esses bordados foram digitalizados e adicionados à publicação. O resultado é MUITO único e especial, torna a leitura ainda mais prazerosa em ver a combinação de um cenário britânico com artes brasileiras. O livro conta também com tradução de Joca Reiners Terron e posfácio incrível de Sandra Guardini T. Vasconcelos, que sugere algumas leituras para conhecer mais a fundo sobre P. L. Travers. Im-pe-cá-vel!

Mary Poppins

Leia também: Walt nos Bastidores de Mary Poppins, resenha do filme com Emma Tompson e Tom Hanks baseado na época em que Walt Disney comprou os direitos para produzir o filme de Mary Poppins.

Esse livro foi a minha escolha para o mês de Maio no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é ler uma ficção científica ou fantasia. Leia também a resenha do título de Abril (autora independente), Os Textos Que Desisti de Enviar!

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Por Que Amamos Ler? – Brian Bristol

Por que amamos ler?

Por que amamos Ler? Grandes escritores tentam explicar nosso fascínio pela leitura (Why We Read?) *****
Por Que Amamos Ler? Autoria: Brian Bristol | Tradução: Thereza Christina Rocque da Motta
Gênero: Coletânea
Ano: 2008
Número de páginas: 104p.
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978.859.956.056-3
Sinopse: “Após herdar de sua avó inúmeras caixas com cadernos de anotações, coleção de frases, cópias de poemas e recortes que tinham vital importância para ela, o autor, ainda na infância, teve despertado o prazer pela leitura. E começou a colecionar citações específicas sobre livros por volta dos 16 anos, inspirado na famosa frase de Cícero ‘um quarto sem livros é como um corpo sem alma’.
O resultado dessa paixão pessoal é o livro Por que amamos ler?, que inclui textos escritos pelos maiores pensadores de todos os tempos. É simplesmente um compêndio de comentários sobre livros feitos por quem é ou foi um apaixonados pela leitura. Serve para nos lembrar do modo com que os livros nos humanizam, nos aproximam, faz aflorar o que temos de melhor; faz nos lembrar que livros causam impacto e que a leitura é importante.”
(fonte)

Comentários: Um presente que ganhei há alguns anos, comecei a ler e, com a correria que tomou conta da minha vida logo em seguida, nunca terminei (apesar de estar marcado como “Já Li” no Skoob)… Mas que casou perfeitamente com o agora quando, ao propor um desafio literário junto com uma amiga para “desencalhar” leituras que já temos em casa, precisei de um livro curto, como ele é. Por que Amamos Ler? é uma coletânea de citações sobre leitura por Brian Bristol, que conheceu o conceito ao herdar da avó sua coleção de recortes sobre Geraldine Ferrar, cantora de ópera. Algum tempo depois, aos 16 anos, aderiu ao conceito tendo a temática desse livro como foco, já que sua vida era completamente tomada pela leitura. A seleção vai desde publicações originais em pergaminhos até e-books Kindle, trazendo muita identificação ou não a quem consome.

Por que amamos ler?

“Alguns livros devem ser experimentados, outros, engolidos, e alguns mastigados e digeridos.” – Sir Francis Bacon (1561-1626)
Por que amamos ler?
Páginas 28 e 29
“Um grande livro livro nos lega inúmeras experiências e nos deixa totalmente exaustos no final. Viemos muitas vidas enquanto o lemos” – William Styron (1925-2006)

E essa é a graça de ler um livro assim: achar exatamente onde você se identifica e de quem discorda completamente. Não importa o quanto gostamos de ler, é impossível amar qualquer leitura, assim como é impossível se identificar com todos os leitores que existem, ainda que alguns deles sejam grandes pensadores. É o tipo de livro legal de ter em casa e deixar cheio de post its nas suas breves (pouco mais de) 100 páginas, pra sempre voltar às citações favoritas e que quer incorporar pra vida. Elas estão divididas em treze assuntos, ou “capítulos” para quem preferir chamar assim: Uso, Mau Uso, Clássicos, Leal Oposição, Ironia, Herança, Os Grandes, Amigos, Lúdico, Didático, Bibliotecas, Leitores e Escritores. Todas são creditadas, incluindo com ano de nascimento e morte da pessoa que a escreveu, e ao final existe um apêndice que explica, em ordem alfabética, quem era a pessoa em questão. De políticos norte americanos como Abraham Lincoln a romancistas brasileiras como Clarice Lispector.

Por que amamos ler?
Página 90
“Os livros são os portadores da civilização. Sem os livros, a história se cala, a literatura emburrece, o pensamento e a pesquisa se interrompem. Eles são as máquinas da mudança, as janelas do mundo, os faróis em meio ao mar do tempo. ” – Barbara Tuchman (1912-1989)

Por que amamos ler?

“O prazer da leitura dobra quando se vive com alguém que compartilha os mesmos livros.” – Katherine Mansfield (1888-1980)

Além de ser essa fonte gigante de boas citações, o livro é também visualmente ABSOLUTAMENTE LINDO! A capa é legal, mas nem um pouco digna da beleza que a gente encontra lá dentro… Todas as páginas são amareladas, com fundo imitando pergaminho e páginas antigas, com as bordas decoradas com arabescos e na maioria esmagadora delas existe a reprodução de grandes obras de arte que complementam visualmente os textos, é uma combinação perfeita estética e historicamente, provando como essas duas coisas caminham juntas. Bem no início, entre o Sumário e a Introdução, existe o crédito delas, pra quem quiser buscar mais a fundo e, apesar de serem de movimentos artísticos e terem temáticas diferentes, elas têm como ponto em comum a referência à leitura, nos mais variados lugares e apresentada das mais diversas formas… Bem como é a vida de quem lê, mesmo, no fim das contas.

Leia também: Nunca precisei de artista, uma reflexão sobre a importância de todas as artes na nossa vida.

Esse livro foi a minha escolha para o mês de Junho no Desafio Zera Estante, onde a proposta da vez é ler um livro curto. Participe do desafio também com livros que você tem em casa e estão “agarrados”, esperando para ser lidos, a duração desse ano é de junho a dezembro!

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Os Textos Que Desisti de Enviar

Os Textos Que Desisti de Enviar

Os Textos Que Desisti de Enviar *****
Os Textos Que Desisti de Enviar Autora: Vanessa Pérola
Gênero: Crônica
Ano: 2019
Número de páginas: 100p.
Editora: Publicação Independente (Amazon)
ISBN: B07VCCHKBJ
Sinopse: “No dia dos namorados meu namorado terminou comigo. E depois de tudo o que passamos, eu fiquei devastada. Não deu tempo de entregar as cartas que eu tinha escrito para comemorar quatro anos de namoro. Então resolvi arquivá-las. No lugar delas, comecei a escrever sobre o término e o que ele causou no meu coração. Encontrei o caminho da liberdade.

Este é um livro sobre relacionamentos, sobre como os términos machucam e a ausência sufoca. Mas também é um livro sobre como pensar no aconteceu sem sentir dor, entender que não tem volta e sobre rir novamente. É pra extravasar na felicidade e rabiscar papéis escrevendo aquilo que rasga a pele.Se você está enfrentando um término doloroso, faça desse livro seu amigo. Escreva a partir dessas histórias, as suas histórias. Porque mesmo que não tenha a intenção de expor, vai ter tirado um peso das suas costas, porque escrever é se libertar.

Em ‘Os textos que desisti de enviar’, Vanessa Pérola narra em 32 textos, entre crônicas e desabafos, histórias que relatam a dor da ausência, o poder do autoconhecimento e a beleza do ajustamento das emoções.” (fonte)

Comentários: É muito fácil eu me identificar quando encontro blogueiras nacionais que também autoras independentes porque, afinal de contas, sou uma delas. Por mais que seja alguém diferente no modo de se expressar, crenças e vivência, não tem jeito, nós temos aquele elo em comum que não consigo deixar de considerar. Por isso ler Os textos que desisti de enviar, da baiana Vanessa Pérola, foi uma experiência muito especial! Essa coletânea de contos publicada por ela, também nascida em 1990, está disponível como ebook na Amazon por R$5,99, ou de graça para assinantes Kindle Unlimited, que foi onde o li.

Os Textos Que Desisti de Enviar

Após um término de namoro traumático, bem ali no clima do Dia dos Namorados, Vanessa sentiu que todos os anos que passou com o (agora ex) namorado tinham sido irrelevantes pra ele. Tendo que jogar no esquecimento a carta que queria entrega-lo nessa data comemorativa ela decidiu, então, escrever novos textos narrando seus sentimentos diante dessa nova vida de solteira, que começam na negação até, com o passar do tempo, atingir a aceitação.

As 32 crônicas são divididas em três partes: Noite, Amanhecer e Dia. A primeira é triste, pesada, sobre sentimentos cheios de infelicidade e provavelmente difícil de ser lida por pessoas que passam por algo parecido. Não é fácil ver outra pessoa sofrer, ainda mais sabendo que é uma não-ficção. Mas o maravilhoso da vida é que tudo passa, né, gente? Nas duas partes seguintes vemos sua recuperação gradual até, enfim, dar uma aula de amor próprio como um modo de permitir que todos os outros amores venham. E é aí que você sente alívio enorme, como se fosse uma amiga passando pelo mesmo, aquela que você mal espera pela hora de ver sorrir com os olhos de novo. E ela sorri!

Os Textos Que Desisti de Enviar

O principal “problema” do livro coloco entre aspas porque acho bem justificável por ser uma publicação independente: as falhas de revisão. Nada muito grave, mas aqui e ali achamos uma repetição desnecessária de palavras e esse tipo de coisa que é muito difícil detectar e corrigir quando você já está revisando já completamente afundada na sua própria história e acostumada com ela. Se tivesse uma editora por trás eu reclamaria, mas julgo aceitável em casos assim. Se você não pensa como eu, porém, talvez se incomode em alguns momentos.

Também tenho, e confesso, certa dificuldade de me identificar com discursos muito religiosos com o da Vanessa, mas é mais pela diferença de realidade, mesmo. Hora nenhuma isso se transforma em defeito no texto, principalmente porque o livro é sobre a vida da autora, então precisa tê-la jogada dentro dele, perderia o sentido se ela cortasse a própria essência e religião é um aspecto importante da vida dela. Precisa estar lá e cabe a quem não tem a mesma crença aceitar.

“Porque não existe essa de amar o outro se não há uma gota de amor por nós mesmos. Como podemos doar aquilo que não temos? Esse é o clichê mais real que existe.”

Os Textos Que Desisti de Enviar

Por outro lado AMEI a diagramação, com ilustrações lindas de flores em cada uma das partes, e os trechos de música que precedem cada texto. Sempre serei a favor de sugestão de trilhas sonoras quando se trata de literatura, sendo as músicas sugeridas dentro da minha zona de conforto ou não. Ela tem até uma playlist do livro no Spotify que é ótima de ouvir durante a leitura. Foi mais um momento de identificação, já que eu coloquei um QR Code pra playlist de “Wish You Were Here” antes mesmo da dedicatória…

Leia também: Minha experiência na Amazon KDP, com dicas pra quem também quer publicar seu ebook de forma independente na loja Kindle, desde a edição digitaç até o pedido de cópias físicas do autor!

Vanessa Pérola tem 29 anos, estudou psicologia e mora na Bahia. Para ler outros textos da autora é só acessar o blog Vanessa Pérola, sobre amor, ser mulher e preta, auto ajuda e vários outros temas que dizem respeito à sua experiência pessoal. Vocês podem encontrá-la também no Twitter, Instagram e, nessa mesma rede, num perfil sobre cabelos cacheados que tem quase 60 mil seguidores, o Cacheadas in Love. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Abril no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é uma autora independente. Leia também a resenha do título de Março (poesia), A Princesa Salva a Si Mesma Nesse Livro!

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Just Listen: A garota que esconde um segredo

Just Listen: A garota que esconde um segredo

Just Listen: A garota que esconde um segredo (Just Listen) *****
Just Listen: A garota que esconde um segredo Autora: Sarah Dessen
Gênero: Jovem adulto, drama, romance
Ano: 2006
Número de páginas: 308p.
Editora: Farol Literário
ISBN: 978.853.680.900-7
Sinopse: “Depois de ter sido pega com o namorado da melhor amiga numa festa, Annabel Green começa o ano letivo sendo ignorada pelo resto da escola. Mas o que realmente aconteceu naquela noite ainda é segredo, que ela não se arrisca a contar para ninguém.
Os problemas de Annabel são explicitados pela recusa da família em admitir os próprios problemas: a fissura da mãe para que as filhas virem modelos famosas e Whitney, a irmã do meio, que sofre de anorexia. Uma amizade com Owen, o DJ da rádio comunitária, que tenta constantemente ampliar os gostos musicais de Annabel, fará a tímida jovem aprender a falar a verdade, doa em quem doer.
Ele tem uma missão quase impossível: fazer com que Annabel “Não pense nem julgue. Apenas ouça”.”
(fonte)

ATENÇÃO!ATENÇÃO: Esse livro contém conteúdo sensível e pode apresentar gatilho para alguns leitores (distúrbios alimentares, depressão, relacionamento abusivo e abuso sexual).

Comentários: Annabel Greene parecia ser “a garota que tem tudo”, assim como a personagem que interpretou no comercial que estreava junto com seu novo ano letivo. Sua melhor amiga, Sophie, havia a transformado há alguns anos em uma das garotas mais populares da escola e isso, somado à sua longa carreira de modelo, tornava o cotidiano das duas regado de festas, eventos bacanas e garotos bonitos. Mas no fundo, desde antes de sua vida desmoronar no início das férias de verão, ela estava longe de ser assim. Sua carreira já deixou de ser divertida há anos, porém parecer ainda ser fundamental para sua mãe, a melhor amiga tem comportamento discutível e abusivo, suas irmãs já não se falam desde que Kirsten, a mais velha, alertou a todos sobre os transtornos alimentarem de Whitney, a do meio, e ela prefere viver com tudo isso a enfrentar o verdadeiro pavor que possui de encarar conflitos. Agora, voltando para mais um ano de Ensino Médio tendo Sophie como inimiga e guardando o maior de seus segredos sobre a noite em que elas brigaram, ela está sozinha e acuada, lidando com problemas enquanto é taxada de “vadia”.

É quando Owen, um colega de escola alto e corpulento, com o qual pouca gente conversa por causa de seu comportamento agressivo, acaba se tornando sua única companhia em meio a esse novo cenário de isolamento. Ele, como parte de seu programa de gerenciamento de raiva, aprendeu a ser o oposto dela ao expor seus sentimentos e não guardar nada, sendo sempre sincero. O mais característico no garoto é, porém, a completa obsessão por música. Dono de um programa na rádio comunitária na cidade e um auto denominado “iluminado” no assunto, ele vê nessa inusitada amizade a possibilidade de vê-la se abrindo tanto no gosto musical quanto, principalmente, admitindo para todos o que realmente sente.

Conheci e me apaixonei por Annabel e Owen no final de 2014, quando ganhei Just Listen de presente de natal e o li pela primeira vez. Após passar esse tempo todo me questionando por que nunca sentei para escrever sobre eles decidi, enfim, reler o livro pela segunda vez (a primeira não lembro quando aconteceu) e, enfim, dar minha velha visão deles sob um novo olhar, ligeiramente mais maduro. Uma coisa não mudou: esse é um dos meus livros favoritos, por diversos motivos. Lendo a sinopse a história soa um tanto quanto clichê, quase um “A Bela e a Fera contemporâneo” pela descrição da aparência dos dois, mas é tão, tão longe disso que acho até injusto ter mencionado a possibilidade. Se essa foi a impressão que você teve, já aviso: a história, assim como a vida da nossa jovem modelo, é muito diferente do que parece.

Just Listen: A garota que esconde um segredo

Annabel é uma pessoa que evita tanto a raiva daqueles que vivem ao seu redor que chega a ser preocupante. Para que essas pessoas não se magoem (ou ainda: não a magoem) ela simplesmente não fala NADA da sua vida pra elas. Sua mãe teve depressão há alguns anos e o pai prefere simplesmente não se aprofundar em “questões femininas”, o que envolve basicamente tudo ao seu redor já que sua família é composta completamente por mulheres. Ela não consegue se livrar do trabalho como modelo porque acha que isso vai desestabilizar a casa, não critica Sophie mesmo discordando de suas atitudes por ter medo dela, não encara nada de frente. Ela é marcada por fugir de sentimentos a ponto de preferir simplesmente ver as pessoas saindo de sua vida no lugar de falar o que precisa ser dito a elas. E por mais que isso seja extremamente problemático, estar na sua cabeça e ver como são seus pensamentos torna muito fácil ter empatia por ela e querer ajuda-la. Porque ela claramente precisa de ajuda.

Owen, por sua vez, odeia mentiras e mais ainda o silêncio. Não é babaca a ponto de se jogar no “doa a quem doer” em seus discursos, mas jamais engana ninguém. Como consequência está sempre disposto a aceitar que as pessoas hajam assim com ele também: enquanto a amizade deles se desenvolve ele aceita a opinião de Annabel quando ela julga seu programa na rádio de maneira nem sempre positiva e a faz descobrir não só sobre novas músicas, mas também sobre si mesma. E novamente esse poderia ser o momento em que as pessoas viram os olhos por ver nesse cara o “salvador” da garota perdida, mas não é isso que acontece. Ele está ao seu lado e estende a ela sua mão, metafórica e literalmente, mas durante toda a trama cabe SEMPRE a Annabel rejeitar também seu silêncio e salvar a si mesma. A não pensar ou julgar: apenas escutar. E, claro, falar.

“Quando você realmente pensa sobre ela (…), a música é a grande unificadora. Uma força inacreditável. Algo que as pessoas que são diferentes em tudo podem ter em comum.”

As personagens secundárias também são muito bem trabalhadas, o que ajuda quem está lendo a se afeiçoar (ou não) a elas. Desde Sophie, que transforma a protagonista de aliada em “vagabunda” ao acreditar que ela ficou com seu namorado, passando pela extrema dupla de irmãs da garota que intensificam suas questões familiares ao expor e lidar com o peso dos transtornos alimentares até chegar em Mallory, irmã mais nova de Owen apaixonada por modelos que não só endeusa a nova amiga do irmão sem saber as dores de seu trabalho, mas também nos faz relembrar a complicada pré adolescência, onde tudo mais intenso e os ideais de vida tão irreais… Entre outros! A maioria merece muito cuidado e carinho, outros causam asco e arrepio, mas todos existem na nossa vida real por aí, não importando se para torna-la melhor ou terrivelmente pior.

Como se não bastasse isso tudo e o fato de que eu AMO um bom drama romântico jovem adulto, esse livro me apresentou minha música favorita do Led Zeppelin, que já gosto há tanto tempo que nem sei dizer quando comecei e está, inclusive, na trilha sonora do meu próprio livro. Em meio a artistas fictícios criados para a história e alguns da nossa vida real, “Thank You” é mencionada como a preferida de Owen da banda, conquistando consequentemente Annabel e a mim. Sugiro que você aí, caso decida ler esse livro, providencie para que ela esteja por perto para ser reproduzida nos momentos em que as personagens a escutam, a experiência vai ser ainda mais gostosa porque ela é, como ele mesmo diz, um pouco brega, mas também extremamente verdadeira. E, acrescento, linda!

Psiu! Pres’tenção! A Editora Seguinte também publicou o livro no Brasil em 2017, dessa vez sob o título de “Só Escute”. Como não tive acesso a essa edição, não sei se é semelhante ou não à da Farol Literário.

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5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical

5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical

No final desse mês, mais precisamente dia 31, vai fazer 9 meses que publiquei meu primeiro livro, Wish You Were Here: Um Romance Musical, como e-book. Depois teve o lançamento da versão física (sobre o qual ainda preciso falar aqui!) e desde então ele me trouxe MUITA COISA GOSTOSA nessa vida! Cada vez que alguém lê, gosta, avalia e comenta eu sinto como se tivesse realizando mais uma vez o mesmo sonho, de novo e de novo. Acho que nunca vou me acostumar com isso: vários dos meus blogs favoritos têm resenha do meu livro! Parecia que nunca ia acontecer até que simplesmente aconteceu. Resolvi, então, contar 5 curiosidades sobre ele, pra quem já leu entender alguns aspectos e quem não conhece ainda, quem sabe, se interessar em fazer isso agora.

1. A história, originalmente, se passaria na Inglaterra

Ah, a jovem Luly, no auge dos seus 19 anos e paixão por tudo o que é porcaria britânica que via na frente, acreditando que a Inglaterra era o centro de toda a boa cultura e civilidade da Terra. Eu sei, você riu aí dela, do outro lado da dela. Eu ri de cá, também. Eu comecei essa história há MUITOS anos, no início da faculdade, com um dos calcanhares ainda na adolescência, realmente acreditando que conseguiria fazer isso. Felizmente o tempo passou, amadureci e percebi que não só NÃO PODERIA fazer isso, já que nunca sequer pisei naquele país, como também não precisava. Boas vidas são vividas nesse lindo (e complicado) Brasil, e boas histórias podem se passar aqui também. Somos tão cultos e civilizados quanto, tem problema e lindeza daqui e de lá.

Trouxe o enredo pra Belo Horizonte, MINHA cidade, mas algumas coisas se mantiveram, é claro! O título, uma música do Pink Floyd, pedia por essa trilha sonora quase toda formada por ingleses (e minha playlist idem). A linha do tempo dele, com a Marie começando a faculdade em agosto (e não fevereiro/março) permaneceu, com a justificativa que ela tinha passado para o segundo semestre da UFMG. A capa, inclusive, tem no fundo um Sol em formato da bandeira do Reino Unido e suas cores, como uma homenagem da Mari (minha amiga, que fez ela pra mim) desse acontecimento que ficou pra trás. Os nomes das personagens foram todos abrasileirados, com exceção dos protagonistas, que foram justificados.

5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical
Wish You Were Here, o e-book

2. As personagens principais têm nomes de ícones da história do rock

E aqui está a justificativa! Eu não podia perder esse detalhe, gente, Marie e David se chamavam Marie e David, com pronúncia em francês e inglês, respectivamente, e se mudasse isso não ia sentir que eles eram os mesmos mais. Isso porque ambos os nomes foram tirados de pessoas que, direta ou indiretamente, participaram a história do rock. O de David não só é explícito como MENCIONADO na história, como o motivo pelo qual sua mãe o batizou assim: David Gilmour é um dos membros do Pink Floyd, autor da música-título da história (e favorita do personagem), “Wish You Were Here”. Olha a homenagem que seria perdida aí!

Mas e a Marie? O nome francês não é justificado pela sua ascendência? Bom, no texto, sim. Mas na verdade é muito mais do que isso. Ela vive a história ao lado não só de David, mas também de sua melhor amiga, Elisa, que todos chamam de Lisa. E se você pensou em Lisa Marie Presley, filha de Elvis, ex esposa de Michael Jackson e que também teve uma carreira musical, pensei certíssimo! É, não tinha como mudar isso. Minha solução foi uma nota de rodapé, explicando como são feitas as duas pronúncias, e mantendo essas justificativas que já faziam parte do original, de qualquer forma.

Na verdade TODOS os nomes têm significado, nenhum é de origem aleatória, sendo tirados de pessoas que conheço na vida real e personagens da minha série favorita, E.R., da qual também tirei informações pra segunda metade da história (mas, ei, é spoiler!). Só que se for explicar cada um individualmente vamos ficar aqui uma eternidade, então fica pra outra hora…

3. O subtítulo foi adicionado duas semanas antes do lançamento

Durante uma década o livro se chamou “Wish You Were Here”, apenas. E durante todo esse tempo busquei um outro título pra substituir, mas novamente não consegui. Apesar de as músicas não serem realmente cantadas eu queria que ele fosse mais ou menos um filme musical, mesmo, e eles nunca têm títulos traduzidos. Eu já sabia que era problemático, mas o problema se tornou ainda maior quando foi parar numa loja internacional, como a Amazon. Como deixar claro pros leitores brasileiros que era destinado a eles, e para os de língua inglesa que NÃO era pra eles? Muito bem, com um subtítulo em português! Coloquei mil ideias na mesa e meus amigos queridos, que me ajudaram em TUDO no processo, me guiaram a chegar em “Um Romance Musical”, o que não só resume como explica a essência da história. E é legal porque, mais uma vez, seguiu a linha dos filmes do estilo, porque muitos vêm pro Brasil nessa vibe também.

5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical
Wish You Were Here, livro físico

4. A capa é inspirada em uma foto minha

Em 2015, quando alguns amigos me convenceram que eu devia terminar essa história que eu tanto amava, mas tinha abandonado por não acreditar que seria lida um dia, aproveitei que tinha uma amiga de fora visitando BH e a levei ao zoológico em um dos dias de passeio (teve vlog aqui!). Um dos motivos era revisitar a área dos mamíferos africanos e relembrar EXATAMENTE como é a grade dos elefantes, cenário da minha cena favorita da história. Enquanto estava ali, parada, admirando esse animais que amo tanto (e a Marie mais ainda), outra amiga tirou uma foto minha com eles ao fundo. Meses se passaram, mais de um ano, e no meu aniversário de 2016 abri o presente da Mari e nele tinha, dentro de um porta retratos, um cartaz minimalista da história retratando essa cena, usando minha foto como base.

Ela foi contra, num primeiro momento, a usar esse presente como capa, porque não achava legal o suficiente para isso. Já eu simplesmente não conseguia enxergar de outro jeito mais! Usava até de wallpaper do celular, pra me lembrar todos os dias que um dia ainda ia conseguir publicar. E, de fato, publicamos, todos juntos! Ela refez o trabalho todo pra ficar mais bonito ainda quando estava pra sair, mas ainda existem registros da arte original no meu Instagram e da foto que a inspirou por lá também!

5. O livro foi publicado exatamente 10 anos após Marie e David se conhecerem

No final do Capítulo 1 – Julho, Marie e Lisa estão subindo as escadas do prédio para onde recém se mudaram e trombam com um par de vizinhos que, depois, se tornam seus namorados: David e Victor. É a última semana de férias delas, dia 31 de julho de 2009, uma sexta feira – sim, olhei o calendário para escreve-lo e os eventos belorizontinos descritos na obra de fato aconteceram. O que eu, Luly, estava fazendo esse dia? Não faço a mínima ideia, tem um post aqui no blog nessa data, então o escrevi em algum momento. Mas sei EXATAMENTE o que eu estava fazendo em 31 de julho de 2019, uma década depois: lançando oficialmente o e-book do meu primeiro livro! Lembro de receber o e-amil da Amazon avisando que ele estava disponível para ser lido no Kindle. Lembro de amigos me marcando em seus Stories pra comemorar que o receberam também. Lembro de saber que jamais esqueceria aquele dia em toda minha vida, e ainda sei jamais vou esquecer!

Outra curiosidade? O epílogo também se passa em um 31 de julho, só que esse de 2010. O que aconteceu nesse um ano na vida dela só vai saber quem ler! Wish You Were Here: Um Romance Musical está disponível como e-book na Amazon Kindle por R$5,99, de graça para assinantes Kindle Unlimited, e a edição física pode ser comprada na minha loja virtual por R$40,00 já com frete incluso pra qualquer lugar do Brasil. Vocês também têm a chance de ganha-lo num sorteio que tá acontecendo até dia 11/04 lá no Instagram @retipatia, onde a Re fez uma resenha incrível dele com as fotos mais maravilhosas do planeta, cuja leitura vale a pena!

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