A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Suzanne Collins

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: Instrumento de cordas pequeno e marrom à esquerda da imagem, ao lado do livro resenhado. Ao fundo, uma camiseta preta com o símbolo da saga Jogos Vorazes, um pedaço de papel arco-íris em um canto e um marador de livro da saga Jogos Vorazes ao lado.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Uma história da série Jogos Vorazes (The Ballad of Songbirds and Snakes)*****
A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: capa do livro verde escura com um alvo alternando entre a cor do fundo e um tom mais claro. Ao centro, um tordo dourado olha pra cima montado em um galho onde há uma cobra da mesma cor. O título encontra-se em cima da imagem e abaixo o nome da autora. Autor: Suzanne Collins
Gênero: Distopia
Ano: 2020
Número de páginas: 576p.
Editora: Rocco Jovens Leitores
ISBN: 9786556670058
Sinopse: “É a manhã do dia da colheita que iniciará a décima edição dos Jogos Vorazes. Na Capital, o jovem de dezoito anos Coriolanus Snow se prepara para sua oportunidade de glória como um mentor dos Jogos. A outrora importante casa Snow passa por tempos difíceis e o destino dela depende da pequena chance de Coriolanus ser capaz de encantar, enganar e manipular seus colegas estudantes para conseguir mentorar o tributo vencedor. A sorte não está a favor dele. A ele foi dada a tarefa humilhante de mentorar a garota tributo do Distrito 12, o pior dos piores. Os destinos dos dois estão agora interligados – toda escolha que Coriolanus fizer pode significar sucesso ou fracasso, triunfo ou ruína. Na arena, a batalha será mortal. Fora da arena, Coriolanus começa a se apegar à já condenada garota tributo… E deverá pesar a necessidade de seguir as regras e o desejo de sobreviver custe o que custar.” (fonte)

Comentários: Para os fãs da trilogia Jogos Vorazes, Coriolanius Snow é o déspota presidente de Panem, uma nação distópica localizada onde hoje é a América do Norte, que condena anualmente duas crianças de cada um dos seus doze distritos a esse reality show onde elas devem se matar para que reste apenas um vencedor. Na 74ª edição dos Jogos uma heroína surgiu ameaçando sua soberania, mas e se voltarmos várias décadas no tempo, na 10ª edição… Quem era Coriolanius então? Aos 18 anos, ele já apresentava sinais de ser tão venenoso quanto sabemos ser capaz ou foi apenas corrompido pelo tempo? Como chegou na sua busca violenta ao poder apresentada em “A Esperança”? Em A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, publicado dez anos depois do lançamento da saga no Brasil, Suzanne Collins traz muitas respostas e tantas outras perguntas através de um incrível romance prólogo!

Instrumento de cordas pequeno e marrom à esquerda da imagem, ao lado do livro resenhado. Ao fundo, uma camiseta preta com o símbolo da saga Jogos Vorazes, um pedaço de papel arco-íris em um canto e um marador de livro da saga Jogos Vorazes ao lado.

Apesar de me considerar fã da trilogia original e de ficar empolgada com o lançamento desse livro ano passado, eu não tinha nenhuma expectativa real para ele. A premissa já sabia: nessa história o jovem Snow é mentor do tributo feminino do Distrito 12, o mais miserável deles e casa da nossa Katniss Everdeen, sendo até foi mencionada superficialmente pela própria no primeiro livro. Não sabemos, porém, mais nada sobre Lucy Gray ou até mesmo sobre ele nesse momento da vida. É uma Panem diferente, com problemas diferentes, personagens diferentes e até mesmo um protagonista diferente do antagonista que ele foi depois. Ainda assim, sabendo do teor da trama, do título super curioso e até do fato de que a publicação é um calhamaço de mais de 500 páginas, me joguei nela com total neutralidade. Talvez por isso achei tão MARAVILHOSO, ou pelo simples fato de que é, mesmo.

“As pessoas tinham memória curta. Elas precisavam andar em volta dos destroços, pegar cupons de racionamento de alimentação e assistir aos Jogos Vorazes para que a guerra permanecesse viva na mente.”

A construção do Snow (que não consigo chamar pelo primeiro nome de jeito nenhum) é, pra mim, o ponto mais positivo de todos. Entre dois clichês que não gosto muito, o “ditador mirim” que sempre foi assim e o rapaz completamente inocente que é corrompido de supetão, o caminho escolhido foi um terceiro e ideal. Um adolescente já ambicioso, disposto a tudo para chegar onde quer e superar a decadência na qual sua família foi jogada, mas longe de um assassino frio e cruel. A essência está lá, em pensamentos eugenistas e sentimento de superioridade, mas existe, ainda, algum grau de humanidade dentro dele também, capaz de sentir carinho, empatia e até amor por algumas pessoas. Ele me soou real, como qualquer pessoa que conhecemos quando nova e encontramos anos depois, alguém que mudou com o tempo, mas tinha pedacinhos do que se tornou lá atrás.

Página inicial da primeira parte do livro, onde se lê 'Parte 1 - O Mentor', como elementor quadrados ao redor dando sensação de pixels. O Instrumento está levemente em cima do canto superior da página.

Outro aspecto maravilhoso, que já era uma característica dos outros livros (e destaquei no desafio sobre eles respondido muitos anos atrás) é o fato que a escrita da Suzanne é muito, muito, muuuuuuuuuito envolvente. Nesse ela criou uma versão ainda mais cruel dos Jogos, sem todo o glamour que passou a ter com o tempo, o que significa ver os tributos tratados com uma desumanidade tão grande que chega a dar enjoo, fora todo o cenário de guerra ainda recente em diversos elementos. Entretanto, mesmo nos momentos mais indigestos, é IMPOSSÍVEL conseguir parar de ler até acabar! Eu o peguei justamente por ser longo, estava sem saber o que ler e escolhi algo que achei que duraria mais tempo pra poder pensar no que engatar em seguida, mas em menos de dois dias já tinha acabado. Ela é genial, a gente até esquece de respirar, às vezes!

“Vocês não têm o direito de fazer pessoas passarem fome, de puni-las sem motivo. Não têm direito de tirar a vida e a liberdade delas. Essas são coisas com as quais todo mundo nasce e não são suas para serem tiradas assim. Vencer uma guerra não lhes dá esse direito.”

A história é dividida em três partes: O Mentor, O Prêmio e O Pacificador, narrados na terceiro pessoa do passado. É interessante porque os Jogos Vorazes são mostrados de fora pela primeira vez, já que o protagonista não está na arena, e ocupam o “meio” da história, de forma que o clímax não acontece ali dentro. Somos apresentados a novidades que essa edição tem em relação às anteriores, que nos levam ao formato que já conhecemos, e novas personagens muito bem trabalhadas, principalmente Sejanus Plinth, que traz mensagens maravilhosas e é uma voz de esperança em meio a tanto horror, e a própria Lucy, tão complexa e cheia de camadas que fica difícil ser lida do começo ao fim, ainda mais tendo a visão deturpada do Snow sobre tudo – e ela principalmente – para te enganar. A gente passa o livro tentando ver além do que ele vê.

Visão lateral do livro, com o instrumento ao fundo e o marcador em baixo.

No quesito “fan service”, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes também é um prato cheio. Logo de cara reencontramos uma coadjuvante super querida, que surpreende por ter uma proximidade familiar com o protagonista e explica muito do que demonstra sentir por ele anos depois, além de alguns nomes que soam como de antepassados de outros conhecidos. A jornada pela cultura do Distrito 12, então, é muito gostosa, relembrando as principais músicas que emocionam por terem sido importantes pra Katniss e surpreendendo ao entender definitivamente sua origem. Aliás, falando em Katniss, ela não ficou esquecida, não! Sessenta anos antes do seu nascimento nossa Garota Em Chamas é homenageada lindamente sem nenhuma forçação de barra. Realmente, um grande prólogo à altura do enredo principal, não vejo a hora de assistir ao filme também!

“Rosas são vermelhas, violetas, como o mar.
Os pássaros sabem que sempre vou te amar.
Sabem que vou te amar, ah, sempre vou te amar.
Os pássaros sabem que sempre vou te amar.”

Se eu tiver realmente que destacar um lado negativo, e novamente falando de forma muito pessoal, acho que eu queria um final um pouquinho mais fechado em alguns pontos. [INÍCIO DA ÁREA DE SPOILER] Entendo que uma não finalização da trajetória da Lucy Gray é pura poesia, faz apologia à música dela, mas continuo querendo saber o que aconteceu. Fora isso, o final é impecável, muito louco presenciar o primeiro envenenamento direto desse grande vilão sabendo que tantos outros estavam por vir. [/FIM DA ÁREA DE SPOILER] Tirando esse detalhezinho, não tenho do que reclamar. Mais uma vez você se engana em alguns pontos, quase acreditando ler uma história de amor (e quaaase torcendo por ela), mas no fundo está cara a cara com uma trama política complexa e aterrorizantemente próxima da nossa realidade.

Citação da música 'A Árvore Forca' presente no livro, com o marcador comemorativo dos 10 anos de Jogos Vorazes em baixo.

Suzanne Collins tem 58 anos e nasceu em Hartford, Estados Unidos. Depois de se formar em Teatro e Telecomunicações em Indiana, trabalhou como roteirista em programas infantis da Nickelodeon, até lançar “Jogos Vorazes” em 2008, seguido de “Em Chamas” em 2009 e “A Esperança” em 2010, que foram adaptados para o cinema entre 2012 e 2015 com jennifer Lawrence no papel de Katniss e Donald Sutherland interpretando Snow. Ela chegou a publicar outros livros não relacionados à saga nesse meio tempo, alguns deles disponíveis no Brasil, até retomar a esse universo tão premiado e aclamado agora, em 2020, em “A Cantigas dos Pássaros e das Serpentes”. É possível conhecer sua obra mais afundo no site oficial, suzannecollinsbooks.com (em inglês).

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Inferno Astral – Vitor diCastro

Inferno Astral: foto do livro sobre papéis de cores variadas de estampas diferentes (estrelas, corações e listras). Embaixo dele, ainda sobre o papel, há um conjunto de flags para marcar livros de várias cores e um ímã de geladeira com uma ilustração remetente ao signo de Câncer, onda a menina tem as pontas das tranças em forma de pinças de caranguejo e qualidades do signo escritas ao seu redor.

Inferno Astral – Os signos estão de deboche comigo! *****
Inferno Astral: capa do livro que tem a bandeira do orgulho LGBTQIA+ no topo com o nome do autor, um círculo no centro com o título, o símbolo dos 12 signos e uma ilustração do casal protagonista, e chamas em baixo com os três animais de estimação dos mesmos acima da logo da editora. Autor: Vitor diCastro
Gênero: Romance
Ano: 2020
Número de páginas: 224p.
Editora: Outro Planeta
ISBN: 9786555351576
Sinopse: “Lucas é ariano. Bom, isso já diz muita coisa, né? Mas vamos lá, um pouco mais de informação. Lucas é apresentador de um programa de TV de muito sucesso. Nele, recebe convidados e adora falar de assuntos polêmicos. O público enlouquece quando ele começa a debochar dos entrevistados (que nem sempre ficam muito felizes com isso…). Em um dos programas, Lucas resolve debochar de uma astróloga, Dandara. Acontece que ela não é uma astróloga comum e, como punição, joga uma maldição no apresentador: pelos próximos doze dias, daquele até o dia do aniversário de Lucas, ele despertará com as piores características de cada um dos signos. Se não conseguir se tornar uma pessoa empática até lá, o ciclo da maldição se repetirá para sempre. Como se não bastasse, Lucas é um cara superconsumista e agora tem uma dívida milionária pra pagar a um agiota misterioso. O prazo máximo para o pagamento, adivinhem: dali a doze dias.” (fonte)

Comentários: Lucas é uma pessoa absolutamente intragável. Apresentador do programa de televisão Dazonze, ele trata seus convidados diários de maneira pior ainda que as pessoas próximas com quem convive diariamente, se é que isso é possível, e sequer coloca culpa no seu temido signo, Áries, uma vez que não acredita “nessa coisa” de signos. Durante seu inferno astral, faltando 12 dias para completar 30 anos e com um agiota anônimo na sua cola o ameaçando caso não pague sua dívida milionária após um empréstimo muito mal planejado, ele recebe a astróloga Dandara para uma entrevista, lidando com ela com o deboche e descaso de sempre. Ela, porém, não deixa a situação por isso mesmo e, com um peteleco em seu piercing no nariz, o amaldiçoa a passar os próximos dias sentindo na pele os 12 signos do zodíaco, como uma punição por sua extrema falta de empatia.

Inferno Astral: foto do livro sobre papéis de cores variadas de estampas diferentes (estrelas, corações e listras). Embaixo dele, ainda sobre o papel, há um conjunto de flags para marcar livros de várias cores e um ímã de geladeira com uma ilustração remetente ao signo de Câncer, onda a menina tem as pontas das tranças em forma de pinças de caranguejo e qualidades do signo escritas ao seu redor.

“Só queria te dizer que, se vocês não acreditam em signos, é melhor fechar esse livro agora mesmo. Eu não acreditava também, até que tive que viver na pele cada um dos doze signos, aí vi que eles são bem reais.”

Inferno Astral é o primeiro livro do YouTuber Vitor diCastro, do canal Deboche Astral que conta, hoje, com mais de um 1,5 milhões de inscritos, além de outros trabalhos para veículos na internet e canais de televisão. Eu gosto bastante do conteúdo dele porque sinto que é um jeito divertido de rir de si mesmo, sempre me identifico, mas não considero a maioria dos vídeos como sendo sobre ASTROLOGIA, que é uma forma de crença e autoconhecimento, e sim sobre SIGNOS, lidando os com estereótipos de cada um. São coisas diferentes, e tudo bem! O livro tem essa mesma vibe, você escuta a voz dele o tempo todo enquanto lê como se estivesse assistindo, a história é interessante para quem gosta do assunto ou não, mas teve execução realmente falha…Se fosse uma publicação independente eu poderia relevar, mas tendo uma equipe de edição por trás é impossível desconsiderar.

Inferno Astral: livro aberto na capa do capítulo 6, do Signo de Câncer, onde as páginas são pretas e a impressão branca, com a constelação do signo em baixo do título. Ao fundo, papéis coloridos e estampas variadas e, na frente, um ímã de geladeira do signo com uma ilustração de menina e características positivas do mesmo escritas ao seu redor.

Como pontos positivos temos a história, um jeito criativo de falar dos estereótipos de cada signo, com momentos engraçados e sem essa coisa de “signo bom ou ruim”. Fiquei meio pé atrás porque o autor é muito abertamente averso aos signos de Capricórnio e Aquário (que, coincidentemente, são meu Ascendente e Lua!), mas essa antipatia não está na narrativa, muito pelo contrário, os únicos momentos da história em que consegui gostar do Lucas foi quando estava “encarnado” neles. Ele em si é muito mala, mesmo, mas não considero isso um defeito porque é o objetivo: vê-lo melhorar pelo menos um pouquinho, com uma carga de defeitos que faz com que a gente ame odiá-lo. Além disso, traz muita representatividade em praticamente todas as personagens de maneira super natural, levantando questões pessoais de fazer parte de uma minoria mas sem tornar aquilo a única característica das pessoas em questão.

“Isso de se colocar no lugar do outro me fez pensar que eu passei tempo demais querendo ser o centro de tudo, sabe? Talvez agora eu queira focar em coisas mais importantes que ter roupas de marca e festas de arromba, entende?”

A linguagem é leve, claramente voltada para o público jovem LGBTQIA+, o que é incrível, mas na maior parte do tempo pesa tanto nesse uso de memes que fica cansativo, deixa de ser nossa forma natural de usa-los e se transforma num tsunami, a todo momento, às vezes mais de um na mesma sentença… Perdeu a graça rapidinho, passei vários capítulos sem conseguir rir e só melhorou nos que citei acima, justamente por serem signos mais “sérios” onde ficou mais espaçado. A parte do “suspense” também não se sustenta, o vilão misterioso fica bem claro desde a metade da história e o clímax, onde os “mocinhos” vão enfrenta-lo, é bem sem noção e forçado. Além disso, percebi em alguns erros, como uma personagem que está na cena e some, chega mas não consta na lista de quem “vai embora”. Até reli essa parte pra garantir que não me enganei.

Inferno Astral: capa traseira, com foto do autor usando um casaco da bandeira do orgulho LGBTQIA+ em fundo listrado, com pequena sinopse abaixo. Os outros elementos decorativos e fundo das fotos anteriores se repetem ao redor do livro.

Mas o pior de tudo pra mim, de verdade, foi o fato de que o ANIVERSÁRIO DO PROTAGONISTA NÃO É DENTRO DO SOL EM ÁRIES! O signo dele está errado! Cheguei a fazer uma simulação de mapa astral de dezessete de março levando em consideração alguns anos diferentes ao redor de 1990, trinta anos antes do livro ser publicado, usando o meio dia como horário de referência, mas realmente, em todos o Sol consta em Peixes. Não entendo como isso foi possível em um livro sobre o assunto, sinceramente. O projeto gráfico é todo belíssimo, a é capa alegre e divertida como uma comédia pede, o início de cada capítulo tem pegada mística com as constelações e fundo preto, além dos símbolos de cada signo nos intervalos da narrativa, que adoro, mas não sei se compensa os tropeços…

Vitor diCastro tem 31 anos e mora em São Paulo/SP. Se tornou popular na internet principalmente ao abordar temas relacionados a homofobia nos perfis do Quebrando o Tabu, onde enfim se mostra confortável com sua sexualidade após ter passado até por sessões na psicóloga na infância em uma tentativa de ser “mais menino”. Ele pode ser encontrado não só no canal e perfil do Instagram do Deboche Astral, mas também seus perfis pessoais @vitordicastro no Instagram e Twitter. Como um bom representante do Sol em Câncer fica muito claro o uso de inspiração de sua própria vida no núcleo familiar do protagonista de Inferno Astral, o que ajuda bastante a quem o acompanha a ter empatia pelo mesmo até quando está no seu pior (e fez derreter meu coração igualmente canceriano)!

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Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei – Adriel Christian

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto na capa do livro onde se lê o título sobre formas geométricas que formam um envelope através do contraste de tons de cinza. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei *****
Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei: capa do livro, dividida geometricamente nas cores azul, amarelo e branco, de forma que lembre uma carta, onde consta o título, saindo de um envelope, que tem o nome do autor escrito na parte de baixo. Autor: Adriel Christian
Gênero: LGBTQIA+
Ano: 2021
Número de páginas: 41p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08RZ9B484
Sinopse: “Amores: quantos você já teve? Dois, três… Dezenas? Independente da quantidade, cada pessoa que passa por nossa vida deixa marcas. Algumas são bem dolorosas, outras nos trazem sorrisos. Infelizmente, não tenho sorte na hora de escolher por quem me apaixonar. Na verdade, nem escolho! A porta do coração fica aberta para qualquer um entrar (e me machucar). ‘Para todos os crushes que um dia odiei’ é um grito a mim mesmo de que, apesar da decepção, há males que vêm para o bem.” (fonte)

Comentários: Todo mundo já se apaixonou um dia, né? Seja aquele amorzinho platônico que vai ser sempre saudade gostosa, amorzão avassalador que vem com saudade doída ou mesmo amores que não dão saudade nenhuma, o fim da paixão é um desafio generalizado. Nesse Livro, Adriel Christian fala sobre cada um dos seus “crushes” que um dia amou e depois odiou, mas aprendeu a superar, um por um, à medida que os anos foram passando. São 8 cartas destinadas a 8 caras diferentes, além de uma que é quase para ele mesmo, onde fala sobre o que aprendeu na montanha russa de emoções de viveu entre 2012 e 2019.

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto na capa do livro onde se lê o título sobre formas geométricas que formam um envelope através do contraste de tons de cinza. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

“O amor não pede licença para entrar, não bate os pés no tapete da porta, tampouco pergunta se tem alguém em casa. Ele só aparece e dane-se a gente.”

Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei passa por todas as fases possíveis do pós-romance, como tristeza, amargura, raiva, revolta, acusação, reflexão, alívio, aceitação. Ele conta como os conheceu, se envolveu, percebeu que estava apaixonado, acabou se afundando em ilusões até, enfim, se ver livre de cada um deles. É, como ele mesmo diz, um grito para provar a si mesmo que tudo aquilo é passado, que ele consegue pesar quem teve sua parcela de culpa no presente e, por que não(?), que existe um longo futuro pela frente. Se ele vai ser promissor só dá pra saber vivendo, mas uma coisa é sempre líquida e certa: todo romance chega ao fim! Em vida ou não, experiências e sensações uma hora acabam, e não é justo com nós mesmos não aceitar essa realidade e nos sentir fracassados quando acontece, porque não somos.

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto em página do livro onde se lê o título 'Ah, o amor' e uma introdução do autor sobre a proposta do mesmo. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

“Ninguém entrou na minha vida de forma obrigada. Todos tiveram espaço para entrar, sentar no sofá e desfrutar dos meus sentimentos e fragilidades.”

É muito revigorante ver como seu “tom de voz” muda à medida que as histórias avançam, permitindo a si mesmo abrir mão da parcela de sentimentos que o fizeram mal. Além disso o livro tem, no início de cada capítulo-carta, uma indicação do que ouvir, te permitindo embarcar ainda mais no interior do autor ao ouvir as músicas que ele relaciona aos crushes não mais odiados. Cá entre nós, livro com trilha sonora é sempre bom demais, né? Essa é cheia de pops e da sensação de que não tem desilusão amorosa que não seja curada por uma boa dose de tempo (e, vamos ser sinceras aqui, novas doses de amor)!

Leia também: o que eu penso antes de dormir – Augusto Alvarenga, resenha do livro mais recente do autor Augusto Alvarenga.

Adriel Christian mora em Araguaína, no Tocantins, trabalha com mídias sociais e tem três contos publicados de forma Independente na Amazon, além de duas participações em antologias, que vocês podem conhecer no Instagram, Twitter e no blog Não me Venha Com Desculpa. Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei está disponível como e-book na loja Kindle da Amazon por R$5,99 e aluguel de graça para usuários Kindle Unlimited. Ele é também autor de um dos depoimentos que contam na quarta capa da versão impressa de “Wish You Were Here: um romance musical”, meu livro, mas isso não tá no currículo, não, só mesmo aqui dentro do coração!

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o que eu penso antes de dormir – Augusto Alvarenga

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolate em frente a aparelho Kindle com a folha de rosto do livro na tela, constituída de várias palavras e rabiscos desconexos. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

o que eu penso antes de dormir *****
o que eu penso antes de dormir: capa do livro, lisa, em tom neutro, com o título ao centro alinhado à esquerda e nome do autor na lateral inferior esquerda. Autor: Augusto Alvarenga
Gênero: Poesia, coletânea, jovem adulto
Ano: 2020
Número de páginas: 81p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08R991FCD
Sinopse: “‘você não pode amar uma porta – use-a para ir embora’. ‘o que eu penso antes de dormir’ é um compilado de textos: poemas, crônicas, frases e pensamentos de um processo de cura e amadurecimento no último ano. retrata a crueza das emoções, das relações e da jornada por dias melhores.” (fonte)

Comentários: Não é fácil ver alguém que a gente gosta doendo… Nessa breve coletânea de poemas e desabafos, Augusto Alvarenga conta o que vem pensando antes de dormir no último ano, conta o que EU penso toda hora nessa cabeça preocupada que martela sem fim, provavelmente conta o que você andou pensando por aí também. Ele fala de começo que lembra fim e fim que lembra recomeço, sincero e sensível e rápido, mas profundo e fundo. Os primeiros versos são sofridos, magoam, te fazem remoer, bate aquela pena, muita tristeza, dor, mesmo. Não, não é fácil ver ninguém doendo e nem lembrar que a gente dói também. Já os últimos versos lembram bem os primeiros, mas com vontade de dar passos pra frente sem esquecer nem por um minuto as marcas que você deixou quando deu os que ficaram para trás. E eu amei!

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando um aparelho Kindle com a capa do livro na tela, lisa, em tom neutro, com o título ao centro alinhado à esquerda e nome do autor na lateral inferior esquerda. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral e caneca contendo bebida achocolatada.

“quem vai ser o próximo e como ele vai me
deixar
em pe
____da
_____ços”

o que eu penso antes de dormir é uma narrativa de não-ficção contínua dividida em poemas, reflexões, mini contos e pensamentos jogados, às vezes em versos tradicionais, outras em diagramação personalizada para passar sua mensagem pessoal e muito íntima. Nele o autor conversa com alguém, um alguém específico claramente, mas sem ignorar a presença de quem lê, deixando que a gente entre no que não é da nossa conta pra tornar parte da nossa vida. A leitura é MUITO rápida, mesmo, você finaliza em questão de 10 minutos, contados pelo próprio Kindle, mas que demora muito mais do isso para ser digerida, pensada, sentida. Ele usa as palavras lindamente, mostrando cada vez mais o amadurecimento da sua escrita em todos os sentidos, principalmente no que diz respeito à temática e estrutura. Apesar de curto, ele entrega um livrão.

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolatada atrás de um aparelho Kindle com uma página do livro na tela, o primeiro verso do poema está em destaque, marcado pela leitora no próprio aparelho. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

“eu quero estar presente.
e quero ser marcado.
quero saber das lembranças como elas aconteceram
não quando você as inventa até elas só serem histórias,
sabe?”

Por fim, é impossível falar dos livros do Guto (vou abandonar as formalidade aqui) sem falar do visual e diagramação impecáveis, principalmente se tratando de uma publicação independente. Ele tem uma equipe por trás que faz um trabalho TÃO primoroso que você estende o tempo de leitura parando para admirar. Páginas inteiras em que o visual complementa uma simples frase, transformando poucas palavras em arte, ilustrações jogadinhas aqui e ali, até o perfil de autor do final é delicado, simples demais, e ainda assim você sente a preocupação em deixar condinzente com o resto. É óbvio que o livro não é feito SÓ disso, mas no caso dele as duas coisas se complementam com tanta força que deixar de apontar uma delas desvaloriza sua existência. Lindo, de ler e de ver.

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolatada atrás de um aparelho Kindle com uma página do livro na tela, contendo o código Spotify da playlist do mesmo. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

Leia também: fica por aqui: Uma história de Vento Ventania, resenha do livro publicado pelo Augusto como e-book e em versão física como parte da conscientização do Setembro Amarelo.

Augusto Alvarenga é mineiro de João Monlevade, mora em Belo Horizonte, graduado em Cinema e Audiovisual e publicou seu primeiro livro, “Um Amor, Um Café e Nova York”, em 2014. Hoje tem vários volumes publicados, incluindo participações em antologias, que vocês podem conhecer no Instagram @instaguto, Twitter @tuiteguto e perfil de autor Skoob. o que eu penso antes de dormir está disponível como e-book na loja Kindle da Amazon por R$6,00 e aluguel de graça para usuários Kindle Unlimited. A playlist do livro pode ser acessada no Spotify.

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Bem-Vindo ao Clã Nicolau – Renata Borges

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Bem Ben-Vindo ao Clã Nicolau *****
Bem-Vindo ao Clã Nicolau: capa do livro cuja ilustração personagem principal feminina em destaque, de olhos fechados e cabelos para cima, formando um céu estrelado onde se lê o título. Em suas mãos está um globo de neve que contém uma pequena cidade invernal e um jovem casal tentando segurar as mãos um do outro na frente. Em baixo da ilustra consta o nome da autora. Autora: Renata Borges
Gênero: Romance
Ano: 2020
Número de páginas: 158p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08PC9S1WY
Sinopse: “Quanto tempo um amor pode esperar? Um ano, dois… ou quem sabe nove?
Claire sabe que conheceu o amor de sua vida. Não interessa que todos falem que ela é jovem demais ou que as longas cartas que ela troca há nove anos com Ben, não são mais que um passatempo.”
(fonte)

Comentários: Claire e Ben se conheceram no natal de 2008 e, como todo romance avassalador adolescente, se apaixonaram à primeira vista. Ela tão nova já ajudando no trabalho da família, a Pousada do Clã Nicolau, ele ainda sem saber NADA sobre como lidar com os sentimentos que estão nascendo ali. Nove anos se passaram e a história sobreviveu através de cartas e mais cartas de amor até que na mesma época em 2017 ela, agora a mais velha de 9 irmãs e formada em Administração, responsável oficialmente pela gerência do local, recebe uma carta um tanto quanto animadora depois de um longo tempo de silêncio. É aí que os dois nos levam por uma jornada entre passado e presente para conhecer essa história de amorzinho digna de filme gostoso e levinho de natal, daqueles que a gente gosta SIM e não esconde!

“Esse é aquele momento que nos beijamos e quase nos esquecemos que nossas irmãs histéricas estão no mesmo ambiente que nós dois. A cada beijo, eu quero permanecer mais tempo colado a ela e não preciso nem mencionar todos os efeitos que ela tem em meu corpo em combustão de hormônio adolescente.”

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Situado em ambientação própria da autora, a ilha de Porto Novo, em clima clássico de Natal característico do frio Distrito Leste, daqueles em que a paisagem é fria, a natureza toma conta de boa parte de seu território e o calor humano reina… “Bem Ben-vindo ao Clã Nicolau” é literalmente um comitê de entrada no universo literário da blogueira, escritora, autora das fotos literárias mais lindas do mundo e amiga Re(nata) Borges, a Retipatia. Como toda oferta de boas vindas ao aconchego, ela te deixa confortável, “em casa”, com a presença das personagens e ambiente que criou. Se você conseguir terminar as páginas da noveleta sem desejar uma boa caneca de chocolate quente, sinceramente, não curtiu da maneira que devia. Dá muita vontade de passar as festas de fim de ano na pousada do clã Nicolau e curtir um dos chalés que eles oferecem por lá.

“(…) há nove anos, quando eu o conheci, existiam poltronas vermelhas com tapetes esverdeados que davam a ideia de que era Natal o ano todo. Bem, na verdade, no clã Nicolau é quase isso mesmo, Natal o ano todo.”

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Talvez seja por toda essa magia do “visual” da história, talvez porque conheço a autora há muitos anos por causa do amor em comum por bonecas, mas foi assim que imaginei todo mundo ali: Pullips animadas em stop motion me apresentando a esse romance que aquece o coração da mesma forma que a bebida favorita da protagonista aquece seu corpo. Ao mesmo tempo vira e mexe rola aquele “solavanco” de realidade em lembrar que tudo se passa num lugar fictício, sim, mas que faz parte do nosso mundo real! Dessa forma podemos ouvir as músicas que eles escutam, conhecer os filmes dos quais eles falam e saber mais ou menos como estava nossa própria vida nos momentos que são ali vividos. É super o tipo de livro para ler com o Spotify do lado para pesquisar e curtir a trilha sonora enquanto ela acontece!

Leia também: O Espírito Natalino, resenha desse breve e emocionante conto de natal de Júlia Cancian.

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

“Acho que as músicas são assim, nos afetam conforme nosso estado de espírito.”

Falando de forma bem pessoal, a Rê é a pessoa mais exigente que conheço, com tudo, mas em especial com o próprio trabalho (capricorniana, né mores?). A história do clã Nicolau não é diferente, muito bem escrita e fluída, usa frases bem estruturadas e, ainda assim, sem rodeios desnecessários: você entende as coisas, absorve, visualiza, sente. Consegui me identificar TANTO com a Claire que sorri, tremi e chorei junto com ela sempre que pertinente, dava vontade de pegar na sua mão, seja como adolescente ou adulta, e viver seus altos e baixos lado a lado. É tão gostoso ver uma mulher bacana assim num livro de romance, né? Que sabe oscilar entre a força e a fragilidade nos momentos em que precisa delas, como a gente tem que ser na vida real, mesmo, 50% princesa da neve de conto de fada, 50% heroína com as rédeas da própria vida!

Renata Borges é brasileira, mora em Belo Horizonte, graduada em Direito pela PUC Minas. Hoje ela trabalha como escritora, escrevendo sobre livros nas redes sociais e no blog Retipatia e suas próprias histórias de ficção, como essa que está disponível como ebook Kindle na Amazon por R$1,99 e aluguel de graça para usuários Unlimited. Para conhece-la melhor vocês podem seguir o @retipatia Twitter e Instagram, onde ela cria MUITO conteúdo literário e tem também o projeto @gentilezaliteraria, além de organizar também oficinas para quem quer manter um bookstagram de qualidade e mais gentil. Agora ela tá também caminhando com seu canal do Youtube, cuja qualidade é à altura de todo o resto que produz.

Espero que todos tenham vivido um Feliz Natal nesse 2020 tão estranho, com leituras de aquecer o coração pra quem é dos livros, filmes e séries cheios de “ha-ha-ha” para quem é dos audiovisuais, pessoas queridas por perto ainda que distantes e com a mesa farta daquilo o que gosta. Que o próximo Natal seja mais leve e, literalmente, vacinado!

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