Sim, eu sou PTista! E confesso que por muito tempo não queria que as pessoas me chamassem assim porque, normalmente, existe uma imagem específica no imaginário delas sobre o que é ser PTista, mais ou menos algo como “não conseguir enxergar nada além do que um único líder do partido diz sem qualquer crítica a todos eles”, mas é aquele negócio… A gente vai ficar se deixando definir pela visão do outro, ainda mais um outro que não entende nada de nada? Não, né? Então tá bom, eu sou e sei o que isso significa para mim.
Meu destino com o Partido dos Trabalhadores foi traçado lá atrás, ANTES da maternidade.
(Agora eu vou contar uma história que já foi contada no Instagram vez ou outra, então talvez você aí até já saiba. Mas preciso contar mesmo assim.)
No final de 1989, quando o Lula estava em campanha para se eleger no 2º turno contra o Collor, ele estava em um caminhão lá na cidade de Timóteo, Minas Gerais, onde eu nasci. Minha mãe tinha descoberto há pouco tempo que estava grávida e, quando viu o homem tão de perto, saiu correndo, subiu no caminhão (louca, louquinha) e pediu pra ele um abraço. Depois que eles se soltaram, contou que tinha subido ali não pra isso, realmente, mas pra contar que ‘tava vindo em breve no mundo mais um PTistinha, apontando pra barriga. Meses mais tarde o Collor confiscou a poupança que eles tinham feito pro meu nascimento, foi um desespero, provando que o voto dela era a melhor escolha, afinal.
O Lula foi uma das primeiras pessoas no mundo a saber da minha existência. Como é que as pessoas queriam que eu não votasse nele, né?
Meus pais se conheceram enquanto faziam faculdade de Odontologia na Universidade Federal de Minas Gerais durante o regime militar. Eles frequentavam manifestações políticas, sempre tiveram posicionamento de esquerda, e o ambiente contribuiu muito pra isso ficar mais forte. Ele, escorpiano, é mais “na sua”, eu sabia que tinha sido bem comunistinha, mas não falava muito em quem ia votar quando eu era criança… Já ela, geminiana até a alma, hablava sobre pra todo lado, e como filiada ao PT que já foi um dia seus candidatos eram, na sua maioria, do partido.
Foi assim que eu e minha irmã crescemos, mesmo em um meio que podia ser MUITO elitista às vezes, com uma consciência de classe danada. De um lado eles tinham amigos dentistas e médicos, uma galera com muito mais dinheiro que a gente, que vive de apertos nessa área, mas do outro nunca se limitaram a isso e faziam também amizade com todos os tipos de trabalhadores possíveis de se imaginar. Nas comemorações lá em casa ia todo mundo, e eu sabia que aquelas pessoas não se misturariam eu outros ambientes, principalmente no interior onde tudo é tão mais babaca, mas a falta de preconceito dos meus pais levava a isso, quase um mundo ideal dentro das nossas quatro paredes.
Depois que mudamos pra Belo Horizonte, nada mudou. Era o primeiro ano do primeiro governo Lula, após as eleições mais marcantes da minha vida porque a mamãe deixou eu e Daninha entrarmos na cabine com ela pra digitar o número dele no segundo turno (naquela época podia), e a cidade maior me fez enxergar ainda mais a discrepância enorme que existe quanto à qualidade de vida das pessoas. Cada vez mais fui me tornando a pessoa política que sempre fui.
Nessa época minha mãe não era mais filiada ao PT. Fui entendendo devagar o que ser filiada a um partido político realmente significava. Quando tirei meu título, na adolescência, sabia em quem teria votado nas últimas eleições se já o tivesse, acima de tudo em que votaria nas que estavam por vir. Nunca votei no PT exclusivamente, mas é claro que, pela força que ele tem como representação da esquerda, acaba sendo constantemente minha opção.
E aí, há quatro anos, decidi que tinha passado da hora de ir além disso!
Não vou mentir, a ideia da Luly vereadora foi uma das causa dessa decisão, porém foi uma possibilidade muito remota que abandonei, talvez de vez, porque achei meu lugar no mundo de maneira bem gostosa, ou pelo menos acho que sim. Independente disso, ia acontecer de qualquer jeito. Faltando tão pouco para votar no Lula pela primeira vez em 2022 e elege-lo em um terceiro mandato, recebi o e-mail que oficializava minha filiação ao PT, o Partido dos Trabalhadores. Imprimi minha carteirinha, escolhi meus setoriais (Cultura e Educação, obviamente, além de Mulheres no qual eles já tinham me colocado) e realizei uma vontade antiga, o que me fez MUITO feliz!
A princípio eu não queria que as pessoas soubessem, por isso esse texto foi publicado originalmente à época em outro veículo que não o blog, mas talvez seja a hora de “sair do armário” de vez nesse aspecto. Talvez eu até coloque a carteirinha no bolso no dia 25, só pra saber que ela vai estar comigo nesse momento tão crucial… Uma certeza, porém, é que seguirei PTista enquanto me fizer sentido. Esse segundo turno vai ser difícil, peço que se protejam, tomem cuidado e tentem não ficar muito ansiosos. Acho que a virada vai vir, demora mas vem, e quem sabe poderemos viver sem medo de ser feliz novamente.
Um beijo, até breve!
Lulynha (com y, mas tão cheia de amor quanto aquele que escreve com i!)

Esse post foi originalmente publicado na minha newsletter Hello, Hello, pessoal!, que não está mais ativa, em outubro de 2022. Ele foi publicado aqui agora, em data diferente à da época, porque me parece pertinente ao momento em que vivemos, após ter estrutura e informações adaptadas.

