Hamnet: a vida antes de Hamlet (Hamnet)
Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Emily Watson, Jacobi Jupe, Bodhi Rae Breathnach, Freya Hannan-Mills, Joe Alwyn, Noah Jupe, Olivia Lynes
Direção: Chloé Zhao
Gênero: Drama
Duração: 125 minutos
Ano: 2025
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Um dos mais importantes escritores do cânone ocidental, William Shakespeare vive uma tragédia ao lado de sua esposa Agnes quando o casal perde o filho de 11 anos para uma das várias pragas que assolaram o século XVI. Hamnet era o nome do menino. Explorando os temas da perda e da morte, o filme acompanha a rotina e o dia a dia de uma família, as alegrias e as tristezas de viver numa pequena vila na Inglaterra do passado e a história de amor poderosa que inspirou a criação da peça Hamlet.” Fonte: Filmow.
Comentários: Adaptado do livro de mesmo nome, Hamnet tem a morte do filho de William Shakespeare como pano de fundo, mas não é sobre isso. Essa história, minimamente inspirada em fatos reais, gira em torno da formação de sua família, a intimidade do grupo entre quatro paredes, o surgimento dessa carreira de muito sucesso e, claro, uma perda imensurável sofrida por todos os envolvidos. Agnes, como é chamada sua esposa aqui, é o grande centro da narrativa, com presença sensível e quase mística: uma jovem vista como “bruxa” pela sociedade ao seu redor, conectada à natureza e à sua força primitiva, se apaixona por esse contador de histórias que, no momento, é tutor de latim e filho do luveiro local cuja família está em decadência. Quem diria que do encontro de dois desacreditados surgiria um dos maiores dramas do mundo ocidental, não é mesmo?
A intensidade do filme é difícil de descrever sem parecer exagero, mas ele é, juro, um dos mais tristes que já vi. Desde o início, sabendo ou não o que vai acontecer, a fotografia apresenta uma baita melancolia que dita o tom do que aparenta ser o clímax: a perda do pequeno Hamnet. Essa cena, coroada pela reação de Agnes, é de uma dor palpável para o expectador, quase física, de forma que o silêncio dentro da sala cinema não poderia ser cortado nem com um machado, não se ouvia um fungado sequer, e olha que tinha MUITA gente chorando ali. Como se ninguém ousasse respirar alto demais! A perspectiva centrada na experiência feminina aborda muitas nuances carregadas de emoção, com a maternidade retratada com todas suas dores e louvores, o que faz bastante sentido uma vez que é dirigido por uma mulher.

Hamnet: imagem via The Guardian
Tantos elogios fazem mais sentido quando a gente analisa o elenco simplesmente impecável. Jessie Buckley carrega seu protagonismo de maneira magistral, não à toa venceu o BAFTA de Melhor Atriz neste fim de semana, já estou oficialmente torcendo por ela no Oscar… Que entrega é absurda! Forte sem exagero, feminina sem arquétipos, dramática sem caricatura. São duas horas querendo abraçar essa mulher o tempo todo. Também estou encantada por Jacobi Jupe no papel de Hamnet, tão pequeninho e já cheio de emoção, e sua presença complementada pelo irmão mais velho Noah Jupe, de Extraordinário (adaptação do meu livro favorito!), intérprete do próprio Hamlet. Paul Mescal, como sempre, está maravilhoso, o típico gênio esquisito da era elisabetana, dividido entre o que quer e o que pode ser. Em diversos momentos tive raiva dele, quis sacudi-lo, enquanto entendia que tinha um ser humano a ser compreendido por trás do mito. Perfeitos!
Um detalhe que adorei foi o quase apagamento do nome do Shakespeare ao longo do longa de maneira sutil… Ele só é realmente citado no final, e (a menos que você preste muita atenção nisso, como eu) sequer dá pra reparar, em uma dualidade incrível de não ser o foco até o momento em que acontece, mas saber que sua relevância torna essa menção até desnecessária. Eu sei que sou suspeita, já que Hamlet é meu texto favorito dele (eu gosto de um drama, né?), mas o filme me encantou profundamente, cheguei em casa com os olhos vermelhos, muita vontade de rever e super disposta a pesquisar sobre os poucos registros que existem do que aconteceu ali de verdade. Quer um conselho? Assista! É tudo o que eu digo…


Amanda
Eu tô muito afim de ver Hamnet! Amei os teus comentários <3 Achei interessante que disse "feminina sem arquétipos". É muito fácil colocar personagens femininas em uma caixa e espremer um único arquétipo até a última gota.
Amanda
https://amandamoresco.substack.com/
Igor Medeiros
Eu tinha tentado ler esse livro há alguns meses atrás, achei um pouco difícil porque há muitas mudanças de tempo e perspectivas de personagens. Mas, pelo que posso ver, o filme parece explorar bem o arco dos personagens e principalmente o luto que é a perda do Hamnet. Eu ainda tenho vontades de ler o livro, mas também quero muito ver o filme. Sinceramente? Não sei o que fazer…
Bruna Both
Vi vocês falando no Entreblogs sobre esse filme e fiquei MUITO curiosa. A trama, o fato histórico, quem escreveu… já são razões o suficiente pra assistir também. Ter o Paul Mescal já me dá vontade de chorar… ele em Normal People é quase um tópico sensível pra mim ahahaha.
Vou ter que dar um jeito de assistir também!
Abração
Valéria
Gosto muito de drama e filmes melancólicos, mas até então nem sabia que Shakespeare teve um filho e não sei porque esse filme ainda não me despertou vontade de assistir.
Mas darei uma chance em breve, já que estou tentando assistir os que estão indicados ao Oscar hehe 😉
https://www.heyimwiththeband.com.br/