Trinta e Um

Foto de um bolo de cobertura rosa claro, com algumas pipocas doce da mesma cor formando uma meia lua no canto superior esquerdo, com três velas pequenas rosa choque e uma em forma de um batom vermelho, todas as quatro apagadas.

Hoje me peguei pensando sobre rituais de aniversário de modo geral… Sei lá, de repente me bateu um *click* do quanto é bizarro a gente soprar em cima de um bolo que várias pessoas queridas vão comer, sem se importar com a possibilidade de transmitir qualquer doença pra todas elas. Até vi uma cena num filme onde isso entra em pauta uma vez, mas precisei de uma ameaça mundial para me tocar desse absurdo. Coloquei algumas sobre meu bolo, três cor-de-rosa simplezinhas e uma em forma de batom para representar trinta e um ao meu modo, mas só pra tirar fotos, não as soprei e agora tô me questionando se voltarei a fazer isso em algum momento da vida… Assim como vários outros costumes banais que, de repente, me deixam extremamente chocada em lembrar que não foram repensados por várias pessoas mesmo durante a pandemia, quiçá fora dela.

É meu segundo aniversário na pandemia, mas o do ano passado foi beeeem diferente desse. Cheio de alegria, com animação o suficiente da minha parte pra marcar a meia noite com trilha sonora temática, sessão de fotos comemorativa, live convidando os amigos para participar junto e uma variedade representativa de sabores de pizza porque, sabe, dia 10 de julho é o dia dela também. Recebi mais empolgação ainda em troca, foi MARAVILHOSO, mas hoje… Sei lá, a introspecção que marcou o aniversário de dezessete anos do blog sobreviveu às últimas duas semanas e me atingiu em cheio em forma de melancolia. Algumas pessoas vieram me falar que é Inferno Astral, normal, acontece mesmo nas vésperas d’a gente completar um ano novo, mas isso é tão estranho pra mim, não gosto, me causa incômodo! Tentei forçar a extroversão que é meu natural, não tive sucesso.

Porque melhor mesmo é abraçar a antítese que sou. Tímida porém extrovertida, sonhadora ainda que com tendências fortes ao soturno, preciso respeitar tudo isso. Nem sei por que tô falando disso agora, é meio que meu modo de marcar esse dia que tá uma mistura de cansaço com o sentimentalismo de sempre, de quem não sabe realmente o que escrever, mas não consegue deixar de fazê-lo porque é apegada demais à prática, em especial num momento que gosta tanto quanto o ato de “ficar mais velha”. Parece que tô na vibe 100% pra baixo, mas teve muita gostosura também, me provando mais uma vez que (mesmo de longe) sou querida PRA CARAMBA por gente que amo DEMAIS! Presente em envelope deixado na porta, café da manhã enviado de surpresa, “alôs” rapidinhos do outro lado do portão…. Mensagens, ligações, comentários, mil e um abraços virtuais tão calorosos quanto os reais.

Na verdade, no fim, foi bom, sabe? A pizza veio em um sabor só, as velas tiradas do bolo – delicioso, feito pelo meu amigo Nick – pra não precisar abrir mão dos desejos ao soprar, o lookinho rosa e preto de paetês foi vestido mesmo que pra ninguém ver, muita Coca Cola foi consumida e eu completei, às 17 horas e 41 minutos, trinta e um anos de vida. Nesse momento estava na minha cadeira, recostada, assistindo um dos live actions da Disney que amo com minha mãe, irmã, gata e cachorra, como se fosse um sábado qualquer, mas sabendo que não era. Dias melhores virão e dias piores idem, mas esse é MEU dia, então vou fingir que nada disso importa e desejar, aqui e tendo vocês aí de testemunha, feliz aniversário pra mim!

Foto do mesmo bolo presente na primeira imagem sobre o pequeno pedestal porta bolo de vidro. À sua frente um prato branco de bordas rosa contendo um pedaço de pizza de calabresa com alho poró e, à direita, entre os dois elementos, um copo de vidro cheio de Coca-Cola. Todos estão sobre uma mesa coberta por uma toalha branca.

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8 Comments

  1. Eu confesso que nunca gostei da idéia de soprar velas. A primeira vez que tentaram me convencer disso, achei horrível. Fechei a cara e disse não sopro. E não quis comer o bolo porque todo mundo soprou as malditas velas. Minha mãe achou graça. Depois, achava estranha que se acendesse vela para os santos nas igrejas e deixassem queimar. E não podia apagá-las. Mas na hora de comemorar o meu ano novo, apagava-se a vela e ainda fazia um pedido. Não… me recusei. Acendo a vela e deixo queimar. Não sou santa e nem pretendo, mas comparo a chama da vela a da minha vida, logo, quero que arda e não se apague enquanto vier o que queimar.

    Bem, meu abraço a você e que seu ano novo seja repleto de coisas boas.
    bacio

  2. Ooooh, que bolo precioso. Adorei a ideia da vela de 31. O batom ficou tudo!
    Eu já não sopro a vela sobre o bolo faz alguns anos. Na hora de soprar eu tiro do bolo para soprar. Todos os anos eu faço festa. Adoro festa de aniversário. Neste ano foi só com a família e ano passado também.
    Mas gosto mesmo é de reunir a turma toda. 😀

    FELIZ ANIVERSÁRIO ATRASADO. 31 é uma idade ótima. Já estamos mais maduras, sabemos melhor do que gostamos e não gostamos, já realizamos alguns sonhos e estamos mais conscientes sobre o que precisa ser feito para realizar os próximos.

    Paula

  3. Parabéns Luly!! Eu fico super introspectiva quando meu aniversário se aproxima e ano após ano, tento fazer com que a data se torne um pouquinho mais leve (internamente).
    Muito fofinho o seu bolo cor-de-rosa!
    Eu comecei a questionar o costume de soprar as velinhas desde quando fiz um curso técnico em análises clínicas (nem eu sei pq fui cursá-lo já que tenho zero talento pra coisa haha), mas é fato que fiquei bem paranoica com – possíveis contaminações – e demorou pra passar. Agora com a pandemia cá estamos nós outra vez, mas pelo menos tenho um pouco mais de tranquilidade mental agora que tomei a primeira dose da vacina ?

    Tudo de melhor pra você Luly, muitas felicidades!
    Beijos

  4. Achei engraçado que assim como você eu tive 2 aniversários durante a pandemia, mas comigo foi o contrário: no primeiro eu estava desanimada e no segundo queria fazer “festa”.

    Sobre soprar as velas do bolo… é muito estranho pensar nisso mesmo e em como não questionamos isso antes?

    Feliz 31 anos! Que os próximos aniversários tenham muita pizza, looks cor de rosa e amor!

  5. Antes de mais nada, o início de sua Bio terá que ser modificada: “31, mineira de Belo Horizonte”… Afora isso, também terei o meu segundo aniversário dentro da Pandemia, em Outubro, à espera que não haja um terceiro (na Pandemia). Com a chegada dos anos trinta, por mais joviais que sejamos, chega também uma cada vez maior introspeção e reavaliações quanto aos nossos objetivos. Ser canceriana, como a minha mãe, traz também o desejo de compartilhamento e amorosidade. E isso não mudará. Feliz nova idade, Luly!

  6. As felicitações mesmo que atrasadas, são sinceras: tudo de bom a partir de agora. Mesmo vivendo nessa loucura que estamos inseridos, ame a vida e absorva dela, o que há de melhor. Adorei seu bolo! Bjs

  7. Bem vinda ao clube 1990: onde chegamos aos 30 e nem sentimos. Onde refletimos coisas que outras pessoas não separam um tempinho porque a vida está acontecendo de forma diferente para eles.

    Desde 2016 comemoro meu aniversário praticamente sozinha, vida de expatriada… Mas ainda assim comemoro por causa da nostalgia e memórias de todos os anos anteriores que minha mãe fez pelo menos um bolinho. Então sigo a tradição.

    E quero mostrar esse lado da nossa cultura pro meu nenê, já que aqui celebrações só acontecem se for motivo de muito alcool. Sempre banhado de muito alcool. Não tem nem o significado por trás…

    Beijão,
    Bela
    A Bela, não a FeraBookinstagram Instagram pessoal

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