Há alguns anos acompanho o trabalho da Efe Godoy, mais ou menos desde que comecei o Vênus em Arte, meu projeto que ensina história da arte moderna através das mulheres artistas… No início ele não tinha esse foco no modernismo de vanguarda, então saí desbravando as contemporâneas e me vi de frente ao trabalho dela, que é encantador. A narrativa da Efe é fofa na medida certa, usa cores alegres no tom ideal e carrega uma potência IMENSA ao tratar de todos os aspectos políticos da vida dela. Quando fiquei sabendo que Reflorestar – quando permito florescer estava abrindo na Casa Fiat de Cultura, fiquei atentíssima, querendo ir na abertura!


Não consegui estar presente nesse primeiro dia, mas fui assim que deu. A exposição estava na Piccola Galleria, um espaço que, como o nome diz, é bem menorzinho e está localizado logo no andar térreo da Casa Fiat. O genial dessa galeria é que anualmente sai um edital para que artistas visuais possam expor ali, dando total liberdade de pensar expografia, indicar alguém para o texto curatorial, por aí vai. O valor do orçamento não é láááááá grandes coisas, não, mas a galera faz o que pode e o resultado é sempre maravilhoso, de verdade!


Por ser uma mulher trans, a Efe aborda muito temas ligados à transformação, metamorfose e seres híbridos em seu trabalho, com estética que remete ao que associamos à feminilidade e cheia de flores. Ela tinha uma série onde perguntava o animal e a planta favoritos de pessoas próximas, e criava esse novo ser em aquarela. Agora, resgatando memória e ancestralidade, ela vem usando colagens com fotos antigas nos processos, criando pessoas-plantas à partir delas, também através da pintura, coisa mais linda… Os tons de verde que usa para criar vegetações, associados à uma presença forte do rosa, que nem preciso dizer que amo, é maravilhoso!


É claro que as obras por si só “seguram” o olhar, o fascínio e o encantamento, mas devo dizer que a apresentação do espaço estava igualmente grandiosa. Além das paredes escuras, que ironicamente sinto que ajudam a ampliar espaços expositivos pequenos, havia pinturas na mesma estética das obras retratando árvores e folhagens, além de folhas secas espalhadas em um cantinho do chão. Bem na entrada, uma caixa com mais fotos recortadas, prontas para serem transformadas em obras, já definiam o tom do que estava para começar. Pra completar, a própria Efe escreveu o título no vidro, ao invés de mandar fazer um adesivo, detalhes que tornam tudo ainda mais especial e íntimo, remetendo mais uma vez à temática ali presente.
Sobre Efe Godoy
Efe Godoy é uma artista visual míope e transfeminina, que atua de maneira multilinguística ao usar pintura, colagem, escultura, performance, desenho e poesia na sua pesquisa que gira em torno do hibridismo. Natural de Sete Lagoas/MG, hoje vive e trabalha em Belo Horizonte, onde é representada pela Albuquerque Contemporânea. Efe estudou na Escola Guignard de UEMG e segue em constante movimento de estudo através de residências dentro e fora do Brasil. Vocês podem acompanhá-la no perfil do Instagram @efegodoy.
Esse post faz parte do BEDA 2026 como integrante do projeto D&B – Os Guardiões da Blogosfera no EntreBlogs. O lulylage.com, sob o codinome Lady Elowen, está participando da categoria Jornada do Herói como Cronista.
Esse post faz parte do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast onde ensino história da arte através de mulheres artistas!


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K.
que exposição linda! essa casa fiat fica em bh, né? estive aí esse ano e passei pela praça da liberdade, mas acabei não entrando nesse espaço. acho muito legal seu trabalho sobre mulheres na arte <3