Ai, que trem bom que é ser moderno! Eu sei disso muito bem, porque sou completamente apaixonada pelo modernismo de vanguarda, a ponto de fazer dela minha pesquisa pessoal sobre mulheres artistas… E quando a gente fala de mulher artista modernista, ah, o mundo INTEIRO pensa nela na mesma hora: Tarsila do Amaral, considerada hoje o maior nome das artes visuais brasileiras. Por isso, quando vi o anúncio da turnê de Tarsila, a brasileira, peça produzida e protagonizada pela Cláudia Raia, corri para garantir lugar em uma das apresentações de Beagá, que aconteceram no Grande Teatro do Palácio das Artes entre os dias 20 e 23 de agosto (no caso, hoje). Que valeu a pena eu nem preciso dizer, né?
A história do espetáculo parte do fim da Semana de Arte Moderna de 1922, logo após a volta de Tarsila para o Brasil, vinda de Paris. Foi quando, através de sua amiga Anita Malfatti, ela conheceu Oswald de Andrade, interpretado por Jarbas Homem de Melo e com quem viveu um longo romance, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia, formando o Grupo dos Cinco e, a partir daí, ajudando a trazer uma identidade realmente nacional para nossas artes visuais. O primeiro ato transcorre focado no relacionamento dela com Oswald e na grande alavancada que sua carreira deu nesse momento, terminando na criação do icônico Abaporu, que hoje está no Museo Balba em Buenos Aires.


Depois do intervalo, a história segue falando sobre separações, desilusões, queda da Bolsa de Valores de Nova York em 29, a fase social onde Tarsila entrou para o Partido Comunista, o envelhecimento até, enfim, seu recorde em leilão de obra de arte. A peça discute o peso do dinheiro em ocasiões assim, a valorização da arte brasileira, enfim, diversos aspectos muito mais profundos do que a biografia de uma pessoa só. De modo geral, gostei bastante, é uma mega produção que emprega mais de 200 pessoas, direta e indiretamente, em formato musical que adoro! O roteiro foi bem sincero ao abordar o dinheiro e os privilégios que a ajudaram a chegar onde chegou, sem desvaloriza-la.
É claro que nem tudo é perfeito, né? A maneira como trataram a Anita em alguns momentos me incomodou bastante, não vejo sentido em criar uma comparação entre as duas, ainda mais se tratando de alguém que foi o pontapé do início da Semana de Arte Moderna, e parte do final foi meio forçado, mas são detalhes por conhecer a fundo sobre o assunto, sei que a maioria ali saiu com os olhos brilhando: o figurino é belíssimo, os cenários impressionantes, as músicas gostosinhas e atuações, claro, excelentes. E como tudo o que envolve o nome dela vira show, a experiência do expectador ainda contava com cenários para tirar foto e até lojinha oficial na saída. Pacote completo!


Agora o musical volta para o Rio de Janeiro, onde começou a turnê, e em seguida parte para Recife, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e São Paulo, terminando em dezembro. As datas, locais e links para comprar ingresso estão no site oficial de Tarsila, a brasileira, e recomendo muito a experiência a quem puder ir, é uma linda oportunidade para prestigiar nossas artes, dessa vez em diferentes formatos dentro de um só!
Conheça mais sobre Tarsila do Amaral
Esse post faz parte do BEDA 2026 como integrante do projeto D&B – Os Guardiões da Blogosfera no EntreBlogs. O lulylage.com, sob o codinome Lady Elowen, está participando da categoria Jornada do Herói como Cronista.
Esse post faz parte do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast onde ensino história da arte através de mulheres artistas!


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