Desde que publiquei meu primeiro livro, em 2019, sou convidada a conversar com estudantes da Escola Estadual Barão de Macaúbas na semana da literatura, que acontece por lá em datas variadas desde muito antes. Esse ano, minha presença aconteceu hoje, pela manhã e à tarde, e mais ainda do que as outras fiquei pensando na história do Barão como instituição e, acima de tudo, na minha vida, onde ele é fortíssimo mesmo que eu nunca tenha estudado lá. Hoje, meus livros estão na sua biblioteca, seus ex alunos me seguem no Instagram e já tive a chance de compartilhar minha trajetória lendo e escrevendo com vários 9º anos, além de ouvir suas histórias também. Não tenho dúvidas ao afirmar que essa troca é o momento anual em que mais amo ser escritora, mais até que nos meus tão memoráveis e amados lançamentos.

“Nesse templo onde impera alegria
Ambiente de paz e unção
Aprendemos ser grandes um dia
Pelo bem que nos dá a instrução”
A diferença desse ano foi ter ido também no turno da tarde, onde falei com três turmas de 6º ano pela primeira vez, e eles me surpreenderam de uma maneira linda demais. Normalmente, conto um pouco sobre mim e, aos poucos, vou chamando os alunos para ir na frente também, indicando livros que amam para seus colegas, e eles demoram um pouquinho pra topar. Com pré-adolescentes, mais novos que os do 9º ano, é bem diferente: eu mal tinha começado quando o primeiro levantou a mão. Rapidinho eu já sabia quem tinha lido um livro de 700 páginas, quem gostava de ler só sobre alguns temas e nem precisei fazer o convite, tinha MUITA gente querendo falar! Eu costumo sentar na borda do palco, ao invés de ficar em cima dele, assim ficamos lado a lado, acho que eles super gostam dessa proximidade, sabe?


Mais do que a materialidade dos livros, os temas abordados neles são o ponto chave da nossa troca. Racismo e bullying, por exemplo, estão sendo debatidos nas leituras feitas em aula, e isso nos trouxe desabafos de experiências pessoais e uma troca extremamente sensível. Depois, na hora do recreio, continuo por lá para bater papo com as alunas, pois quem me procura sempre são as meninas, então pude saber mais a fundo sobre suas histórias… Nesse momento sempre descubro quem escreve, quer escrever e cria outras artes, incentivo todas elas. Saio de lá pensando como vai ser o ano seguinte, torcendo pros diretores da escola, que foram professores da minha irmã no Ensino Fundamental, continuarem me dando essa chance.
“Salve fontes de amor e pureza
Que ao saber nossa ideia conduz
Salve a Escola Barão de Macaúbas
Espelhando torrentes de luz”
Daninha estudou no Barão de Macaúbas de 2003, quando mudamos para Belo Horizonte, a 2009, passei dos 12 aos 19 anos frequentando feiras da nações, festas juninas, semanas literárias, formaturas e outros eventos. Minha adolescência inteira teve o pátio como cenário, seus amigos como personagens e mestres como conhecidos. Antes dela, eu sonhava em estudar lá, mas morava em outra cidade, quando nos mudamos não tinha mais idade para isso, inicialmente só tinha turmas até a antiga quarta série, tive que ir para outro lugar. A turma da minha irmãzinha, inclusive, foi a primeira de quinta série, agora sexto ano. Antes dela, minha mãe também foi aluna, quando a escola completou 50 anos, e meu fascínio começou daí, de passar por essas escadarias belíssimas e pensar que, de certa forma, pertencem a elas, e a tantas pessoas apaixonadas pelo Barão, e agora, graças aos meus livros, a mim também!

Os trechos destacados nesse post fazem parte do hino da Escola Estadual Barão de Macaúbas e as fotos que o ilustram retratam minha participação na Semana Literária dos anos de 2026, 2025 e 2019. O mosaico contém fotos tiradas nos anos 2000, quando minha irmã fazia parte do corpo discente da mesma instituição.


Maria Valéria
Pois é! Essa escola foi minha primeira experiência de aprendizado, meu primeiro é maravilhoso lar escolar! Tive a sorte de poder me destacar e até hastear a bandeira de Minas Gerais no palácio da Liberdade! Fui muito feliz, amada e acolhida. É minha filhinha compartilhou também dessa alegria e satisfação…. Esse templo que realmente impera a alegria é muito amor a todos que passam por lá.
Muito orgulhosa da minha filha ser sempre convidada a participar das palestras e dos eventos que envolvem a literatura, riqueza máxima da nossa cultura!
???????
Jhon Teotonio
que demais deve ser receber esse convite para falar com estudantes. tenho total certeza de que esse bate-papo impacta muito positivamente na formação, e até mesmo na vida, dessas crianças. que incrível saber que iniciativas como essas acontecem!
Luminita
Fico muito feliz que você receba esses convites porque, além de ser uma forma de reconhecimento do seu trabalho como escritora, é um baita incentivo para todas essas crianças. Quem já lê, se sente motivado a continuar. Quem não tem esse hábito, pode começar a se animar com a leitura.
E sua vivência com a escola é descrita de uma forma muito sensível, me deixa até um pouco emocionada.
Clayci
Aiii Lulu! Essa parte das meninas te procurando depois me pegou muito ? imagino o quanto deve ser importante pra elas se verem em você e poderem compartilhar o que sentem e criam. que troca mais necessária
Bruna Both
Fiquei tão feliz por você agora, Luly!
Me lembro muito da época da escola, quando vinham pessoas falando de suas profissões mais criativas e que envolvem literatura e eu sonhava demais com a escrita. Era lindo sentir essa sementinha de vontade crescer em mim e não consigo nem imaginar como deve ser maravilhoso poder falar sobre leitura e as experiências desse meio com crianças!!! Deu muita vontade de te parabenizar por esse trabalho lindo, sério!
Tem coisas que o dinheiro não paga e eu imagino que ver essas meninas te chamando pra conversar deve ser uma dessas delas.
Abração!
Vitória Bruscato
Que fofura, Luly! Achei muito legal essa iniciativa da escola, os alunos devem amar ter uma experiência diferente, com alguém diferente. Espero que essa tradição da sua ida à semana de literatura perdure por muitos anos!