Desde que publiquei meu primeiro livro e decidi que enfim era a hora de me admitir escritora publicamente, realizei várias coisas que nem imaginei antes ser possíveis, inclusive participar de alguns eventos literários, como feiras e bienais do livro. Tudo isso é uma baita conquista que carrego comigo cheia de orgulho, mas o maior dos sonhos nesse aspecto para mim, e sei que para muitos escritores e leitores brasileiros também, era a FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, nessa cidade história litorânea do Rio de Janeiro. No último fim de semana aconteceu a 24ª edição do evento e posso dar mais um “check” de realizações dessa categoria, pois sim, vivi minha primeira FLIP, e já de cara como profissional!
A possibilidade de me ter na FLIP vinha rondando os planos da Mona Editorial há um bom tempo, mas foi após o evento de lançamento de Borboletas de Outono que batemos o martelo que sim, eu estaria lá e levaria esse livro comigo. Ele tem TUDO A VER com o ambiente por se passar em uma cidade de interior cujo comércio e turismo esperam anualmente por um grande evento que movimenta tanto seus moradores quanto quem vem de fora. Simplesmente perfeito, né? Saí daqui em direção ao Rio na sexta de manhã e no sábado cedo seguimos para Paraty cheias de animação, com frio na barriga já pelo que ainda nem tínhamos vivido por lá…
Mesa de autógrafos Casa Gueto
Assim que conseguimos estacionar, descemos com as malas de livros direto para a Casa Gueto, onde minha primeira sessão de autógrafos aconteceu no Gramado Eunice Arruda, ao mesmo tempo em que finalizava a programação da III Festa Escritoras Brasileiras, com algumas declamações de mulheres ao microfone. Fez bastante calor e pegamos uma mesa bem na ponta do semicírculo de autores, o que nos permitiu estar perto da porta da casa e ainda curtir melhor a circulação de ar. A editora providenciou para mim a decoração MAIS LINDA DO MUNDO com flores artificiais, caixa de palha, mini banner do livro e brindes fofos, tudo bem cor-de-rosa, então nosso espaço estava BRILHANTE e super receptivo ao público!
Psiu! Prest’enção! Você pode adquirir seu exemplar de Borboletas de Outono na loja Quimera com os mesmos brindes do evento e garantindo 10% de desconto na sua primeira compra cupom #SEJAQUIMERER!
Assim que terminou meu horário, usamos a mesma mesa para a sessão de autógrafos da editora que veio em seguida, O Jogo da Meia Noite, do Paulo Pera com participação do Coletivo 404. Paulo Já estava na FLIP desde a véspera, dando spoilers pra gente de tudo o que estava rolando, e para ele mudamos a decoração, é claro, de modo que entrasse no clima de thriller psicológico da história, tendo os brindes a predominância do preto e do vermelho. Foi engraçado ver a mudança brutal pela qual o mesmo espaço passou em questão de segundos, mas o clima, que é o mais importante, continuou o mesmo: a gente não parava de rir, fazer piada, falar bastante e misturar trabalho com diversão na medida certa!



Mesa de autógrafos Casa Escreva, Garota!
Às 15h juntamos nossa bagagem rumo à Casa Escreva, Garota!, organizada pelo coletivo de mesmo nome fundado pela Lella Malta que atua no desenvolvimento criativo, profissional e estratégico de mulheres escritoras oferecendo formação contínua, rede de apoio e oportunidades, como essas mesas de autógrafos na FLIP e em outros eventos. Eu não faço parte do grupo, mas dona Mona Editorial conseguiu um horário grande, até as 18h, para que eu tivesse minha mesinha risa por lá também. Foi um momento onde acabe ficando “desacompanhada”, por causa do espaço limitado, mas isso permitiu que o resto do grupo pudesse circular por outras casas do Centro Histórico e que eu tivesse meus momentos de interação com as meninas que estavam lá vendendo e divulgando seus livros.?
Quem estava bem ao meu lado era a Katia Sentinaro, que escreve livros infantis FOFOS, cheios de aprendizados pertinentes e com ilustrações lindas (feitas por artistas de verdade), trouxe “Lupe” para meus sobrinhos e “Jogo Complexo” para mim mesma, hahaha, e ela levou Borboletas de Outono também. O tempo ali foi tão gostoso e produtivo que VOOU, eu pisquei e já era hora de embalar tudo, chamar o carro e partir de volta pra casa da Mari (Roman), onde fiquei hospedada. Voltei pra BH na manhã seguinte com uma novidade avassaladora no meu currículo literário, me sentindo realizada mesmo, por poder ter vivido algo que tanto desejei e que é tão grande no mercado brasileiro…



Considerações sobre a FLIP
Antes de terminar esse post, queria fazer algumas considerações sobre o evento, porque não vejo as pessoas falando muito sobre isso e chegou a hora. Sou muito grata à Quimera Produções Literárias, na pessoa da Marianna Roman, por ter tornado possível essa experiência, que espero que a gente ainda repita muitas vezes juntas… Paraty é maravilhosa e a ideia de um evento literário aberto e gratuito no seu Centro Histórico é riquíssima, espero que a FLIP siga acontecendo por muitos anos, de forma cada vez mais acessível, porque isso é algo que ela, infelizmente, não é. Não digo só pelo alto custo que é estar na cidade, mas acima de tudo pela estrutura que, já que estamos falando de um lugar e população que vivem de turismo de forma tão relevante, precisa ser revista.
Eu sou restauradora, minha formação se baseia em preservar patrimônio histórico, mas a partir do momento que se faz um evento em uma cidade de pedra onde cadeiras de rodas e carrinhos de bebê, por exemplo, não vão conseguir passar, fora a dificuldade de mobilidade para idosos, PCDs, crianças, grávidas, por aí vai, é preciso replanejar como tornar essa preservação aliada ao consumo do ambiente. A parte histórica não tem infraestrutura pra isso! Em um dia faltou luz, em outro faltou água (não tinha como usar os banheiros!), o sinal de internet péssimo e a gente dependendo dele para se localizar, já que a sinalização é quase inexistente, tanto para pedestres quanto para carros ao redor do evento, onde nenhum auxiliar sabia te informar como proceder para ajudar…
Essas e outras questões, como a busca pelas editoras grandes que deixa as menores e seus nomes promissores em total apagamento, associadas ao alto custo já mencionado, levantam à velha discussão de para quem está sendo feito, e de como não sairemos do lugar se continuar proferindo os mesmos discursos para as mesmas pessoas que já o conhecem de cor, sem pensar em quem mais pode usufruir dele. A FLIP tem um mundo a oferecer, mas só permite que uma parcela ínfima de pessoas consiga aproveitá-lo… É, realmente, uma pena, porque podia ser bem linda, sim, como foi para mim!




Renata Carvalho
Aaahh que tudooo sua primeira FLIP como autora, parabéns por essa conquista! Já fui umas duas vezes pra Paraty e adorei, ainda quero voltar mais vezes, mas realmente o calçamento de pedras irregulares acaba não sendo muito acessível, apesar de lindo e histórico.
Que bom que vc não guardou para si, fale mesmo sobre as coisas que podem ser melhoradas, só assim quem sabe gere alguma mudança.
Beijos,
Livro de Memórias
Bruna
Que lindaaaa, Luly!!! Parabéns pela FLIP, e que venham muitos outros eventos incríveis nessa jornada de escritora!!!
Jeniffer Geraldine
Participar da FLIP é realmente um acontecimento maravilhoso! Arrasou!
Concordo com tudo que você falou. Já tive a oportunidade de ir duas vezes. E já tem tempo, mas as questões citadas prevalecem.
Um abraço!
Laura
Que demaaais, Luly! Feliz pela sua conquista <3
Ainda quero muito ir pra uma FLIP também, mas só como leitora mesmo hahah… e lembro da minha orientadora do TCC na faculdade comentando sobre essas dificuldades em infraestrutura e acessibilidade, é triste que ainda não tenham melhorado (apesar de achar que no quesito financeiro, não tenho muitas esperanças)
Abraços!