Qual foi o primeiro livro que você terminou de ler e lembra até hoje?
Flicts
Autor: Ziraldo
Gênero: Infantil, Livro Ilustrado
Ano: 1969
Número de páginas: 48 p.
Editora: Primor
ISBN: 978-8524690310
Sinopse: “Livro de estreia do cartunista e escritor Ziraldo na literatura infantil, ‘Flicts’ é a história de uma cor rara, do tipo ‘cor-de-burro-quando-foge’, buscando desesperadamente alguém que a aceite e acolha.”
Comentários: Durante ali a década de 1990, nas mesinhas do Núcleo Pedagógico Coqueirinho, as professoras espalhavam livros do Ziraldo para as turmas de pré-escola recém alfabetizadas lerem, claro que a maioria escolhia O Menino Maluquinho. Cá entre nós, é mesmo o mais icônico e divertido. Outro grande queridinho era O Bichinho da Maçã, do qual não me lembro muito bem o enredo agora, fiquei até com vontade de relembrar aqui. Eu, porém, sempre corria para pegar Flicts. Não tô querendo pagar de “diferentona” aqui, não, sei que muitas outras crianças gostavam dele também, mas falemos a verdade, é meio triste, né? Ler sobre uma cor solitária excluída por todas as outras, em busca de um propósito que não chega, transbordando frustração… Mas não adianta, na obra desse saudoso cartunista, e todos os livros infantis brasileiros, é meu favorito!
“Mas não existe no mundo nada que seja Flicts — nem a sua solidão — Flicts nunca teve par, nunca teve um lugarzinho num espaço bicolor (e tricolor muito menos — pois três sempre foi demais). Não. Não existe no mundo nada que seja Flicts. Nada que seja Flicts.”
Talvez fosse o fato de ser uma história sobre cor, um sinal lá atrás de que eu trabalharia com arte um dia. Ou quem sabe podemos culpar o Sol em Câncer, dramática desde criança, com propensão a buscar pela melancolia inconscientemente. Pode ser também porque descobri logo ali que Neil Armstrong tinha, de fato, dito a frase que encerra a história, provando que aquela fantasia óbvia fosse baseada em fatos reais. Não sei bem o motivo desse amor. E será que precisa de motivo? Ele é maravilhoso! Já é justificativa suficiente pra causar amor que persiste há mais de 30 anos, sem data para acabar. Eu tenho uma memória bem boa, até de coisas distantes assim, mas não lembro de NENHUM outro sentimento em relação a NENHUMA outra leitura. Só ele!
“Mas ninguém sabe a verdade (a não se os astronautas), que de perto de pertinho a Lua é Flicts”
Enquanto eu buscava aqui pela ficha técnica para começar esse post, descobri que foi o primeiro dos livros infantis ilustrados do Ziraldo e que, após receber a encomenda, ele teve apenas três dias para criá-lo. Como é possível que esse nível de primor artístico tenha nascido de uma solicitação tão urgente, sabe? Como pode esse homem ter se inspirado, escrito, ilustrado, finalizado e arrasado em apenas 72 horas? Parece mentira, mas um período tão curto de trabalho teve potência suficiente para marcar gerações, várias, e sobreviver cinco décadas, sem data para essa vida útil e linda acabar, ainda bem. Flicts é forte, belo, atemporal e, acredito eu, eterno!


Bruna Both
Semana passada vi seu post e dias depois, passando na frente de um sebo, vi uma edição desse livro. Na hora só me veio você na lembrança: “olha ali o livro da Luly” <3
É incrível como alguns livros nos marcam pra vida, né? O meu foi 'A fada que tinha ideias', de Fernanda Lopes de Almeida. Eu só tenho lembranças positivas lendo ele.