Fake

Fake

Fake *****
Autor: Felipe Barenco
Gênero: Jovem adulto
Ano: 2014
Número de páginas: 264p.
Editora: UMÔ
Sinopse: “‘Fake’ é um YA nacional com temática gay. Conta a história de Téo, que está prestes a completar vinte anos e acabou de passar para o curso de Direito. Não bastasse a euforia em começar a faculdade, ele se apaixona por Davi, um garoto que chegou ao Rio de Janeiro para ser ator.” (fonte)

Comentários: Durante a leitura desse livro eu estabeleci uma forte relação de amor e ódio com o autor em que muitas vezes o amor foi mais forte, mas em algumas outras, confesso, o ódio venceu. Ainda assim gostei MUITO e fiquei feliz que minha primeira leitura do ano tenha sido tão positiva.
Fake conta a história de Téo, um rapaz carioca que enfrenta vários dos dilemas que um jovem adulto se vê enfrentando normalmente: a nova vida universitária, os problemas familiares, questões financeiras, a vontade de estar em um relacionamento e seu maior questionamento de todos: quando, como e SE contar à família sobre o fato de ele ser gay.
E é nesse turbilhão de pensamentos e sentimentos que ele conhece Davi, que acabou de chegar ao Rio para tentar carreira de ator. Ele se encanta imediatamente e os dois começam o que parece se um super romance, marcado por beijos no banheiro do shopping e uma vontade incontrolável de correr atrás!

Acho que preciso começar a falar dos pontos positivos, porque encontrei vários. Vamos começar com o fato de que estou numa vibe muito forte de ler dramas e romances atuais, desses que eu posso até achar que está acontecendo ao mesmo tempo em que estou lendo, então quanto mais real for a história e as personagens melhor, e é o caso. Ultimamente não estou com paciência para “histórias dos sonhos” onde tudo magicamente dá certo sem que o protagonista nem ao menos tente: eu gosto do final feliz, mas quero que ele seja possível de se acreditar, que seja pé no chão, que possa ser comigo ou com um amigo meu, quem sabe! E isso o livro tem de sobra, é coerente quando se trata de datas, locais e experiências, coisa que já vi faltando em alguns autores nacionais e são mais detectáveis nesse caso porque é uma realidade próxima da nossa, fácil de checar se é real ou fantasiosa. Além disso a maneira como o autor escreve é ÓTIMA, ele é poético mesmo com um linguajar direto e informal, usa até emoticons que deixam algumas cenas ainda mais engraçadas, sem contar algumas citações que dá pra levar pra vida!
Outra coisa muito positiva é que você se apega facilmente às personagens certas e já antipatiza com as erradas mesmo que o protagonista, que está narrando a história, não faça o mesmo, porque ele mesmo admite quando está errado e até que persiste em seus erros. Sabe quando a gente sabe que está fazendo “papel de trouxa” e comenta com os amigos, mas continua nessa mesmo assim? Isso acontece várias vezes no livro, mas ele é um ser humano como qualquer um e não sabe ser unicamente racional ou emocional em todos os momentos, é um balanço dos dois, sempre. Dá muita vontade de ser amiga dele, de verdade… Mas minha personagem favorita na história foi a avó do Téo, ela é a coisa mais fofa e dá muita vontade de abraçar, além de causar as principais lágrimas da história!
Existe um outro fator que é umas das temáticas principais do livro, está presente o tempo todo e que eu NÃO POSSO FALAR QUAL porque é revelar muito sobre o enredo, mas que acho importante que existam livros atuais abordando. Quem leu obviamente sabe do que estou falar e quem quiser saber pode procurar o livro porque está praticamente em todas as páginas dele.

O que achei de negativo foram alguns discursos durante a história e que fazem parte desse “realismo” todo, porque já vi os mesmo argumentos sendo usados por alguns amigos e conhecidos, e me incomoda que sejam perpetuados assim. Acho que um livro como esse, que aborda a temática de um jovem gay tentando superar os desafios que a sociedade põe na sua sexualidade, não devia perpetuar outros preconceitos semelhantes. Sei que todo mundo tem preconceitos, eu também tenho, e sei também que aquele pode ser o pensamento da personagem e não do autor propriamente dito (apesar de que não é o que ficou parecendo), mas argumentos como “não existe bissexual” e alguns discursos machistas do tipo “eu era a menininha da relação” me incomodaram MUITO. Sério, não posso fingir que não me irritou, foi tanto que até mandei mensagens indignadas para os amigos que sabiam que eu estava lendo o livro.

A capa é LINDA e absolutamente significativa, é só uma das coisas que te fazem chegar ao final do livro com a certeza de que aquilo é um relato real! No geral gostei bastante, li todo em uma tarde só por ser super rápido e também porque estava doida para saber o final, muito bacana ver um livro brasileiro de temática jovem alcançando um público tão grande e melhor, saber que existe uma interação bacana entre o autor e os leitores. Para saber mais sobre ele ou entrar em contato é só entrar no site: http://livrofake.com.br/

Fake

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19 Comments

  1. Só li um livro com temática gay até hoje, li quando era bem nova. Acho que agora livros assim são mais comuns.
    Gosto de histórias com enredos próximos do real. Me sinto mais próxima dos personagens e entro na história.
    Triste é ver que ainda são inseridas frases prontas e preconceituosas na ficção. Sabemos que existe, mas mostrar este lado negativo parece que reforça a ideia.
    Sua resenha ficou muito boa, cumadi.
    Parabéns.
    Bjuxxxxx

  2. Oi, flor! Achei a sua resenha incrível, sério, uma das melhores que já li até hoje. Foi direta e falou sobre os pontos positivos e negativos sem contar nadinha de spoiler. Além do mais, adorei a história do livro e saber que ele é bem realista. Confesso que nunca tinha visto um livro com romance gay, devo estar bem desatualizada, rs. Enfim, adorei. Parabéns 😀

    Beijos!

  3. relação de amor e ódio em um livro: quem nunca? hahaha e sobre acabar um livro em uma tarde: identificação total. se o enredo me prender, não tem nada que me desgrude dele até acabar hahahaha

  4. Que capa linda! Fiquei apaixonada e, pelo o que você escreveu, tem tudo a ver com a trama do livro. E que legal encontrar um autor nacional abordando um tema como esse. Se você quiser um livro parecido, enquanto você contava a história desse me lembrei de “Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo”. O livro é uma graça e a história é atual, do jeito que você tem gostado. Fica a dica! =D
    Beijo!

  5. Não conhecia o livro, nunca li algo que abordasse esse tema e fiquei curiosa. Gosto de conhecer autores nacionais novos, vou procurar esse livro pra ler.
    Beijos

  6. Ei Luly!
    Não conhecia o livro e sua resenha me deixou bem curioso! Sério, sua resenha está incrível! Acho que nunca li nenhum livro com romance gay, mas acho que essa seria uma leitura bem diferente e divertida! Achei bem legal você ter colocado o que gostou e o que não gostou do livro, poucos fazem isso hoje em dia…. Vou procurar saber mais sobre Fake e espero gostar da leitura!
    Abraços!

  7. Nossa, Luly, esse post veio a calhar: esses dias mesmo estava pensando em procurar YA com temática gay pra ler.
    Apesar de não ser atual, com Eleanor & Park, meu último livro resenho, tive essa sensação de que a história poderia estar acontecendo “agora”, em um lugar não muito longe de mim e com personagens que poderiam ser eu (uns 15 anos mais nova, mas ok).
    Faz tempo que não leio nenhum autor nacional, sinto falta dessa coisa de me conectar com os fatos, lugares, cultura…
    Sua opinião sobre os discursos preconceituosos me fez repensar a decisão de ler o livro, me irritaria também.
    Gosto de resenhas assim como a sua. Pontos positivos, negativos e uma opinião sincera.
    Um beijo!

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