Tem coisas que são grandes lá de longe, como uma arquitetura belíssima, outras que ficam grandes ao chegar perto, como obras de arte que ocupam boa parte de uma parede. Pra mim, o que é SEMPRE grande é uma exposição que me faz brilhar os olhos e enxergar além dela mesma…No início de setembro eu estava em São Paulo para a Bienal do Livro já com o tema do 6 on 6 desse mês, Grande, em mãos, pensando nas diferentes dimensões que tal palavra pode significar, quando visitei a exposição Marlene Barros: tecitura do feminino no CCBB SP, abrangente de todo significado possível!
As dimensões de algumas obras, o prédio em si, as texturas e a presença marcante do trabalho da Marlene Barros criaram em mim essa sensação de escala, de que há coisas que não cabem sequer na fotografia, precisam ser experimentadas no espaço, principalmente levando em consideração que estou cada vez mais interessada no bordado e no uso das tramas na produção de Artes Visuais… Vocês gostaram quando usei uma exposição para ilustrar o 6 on 6 de agosto, então repito trazendo um pouquinho dessa visita com fotos tiradas tanto para meu acervo pessoal quanto com essa possibilidade de propósito, em um momento político onde a arte é a maior das fontes de sanidade!



Essa exposição, que tem curadoria de Betânia Pinheiro, esteve no CCBB em Belo Horizonte esse ano, passei na porta diversas vezes pensando “preciso visitar” e acabei perdendo. Fiquei feliz em ter essa segunda chance, principalmente porque ela aconteceu em um espaço que não conhecia. De modo geral, e isso é coisa 100% minha, tenho pé atrás com retratar o feminino baseado na biologia, mas entendo, abraço e, especialmente nesse caso, acho pertinente. Mesmo com foco tão forte nos corpos de mulheres, o grande destaque da Marlene é sua narrativa de destacar a opressão através do uso das linhas em esculturas, instalações e outros tipos de objetos de arte.
“Embora a mulher não tenha escolhido ser a sustentação, o pedestal, o seu corpo torna-se estrutura, suporte. Mesmo dobrada e vulnerável é sobre ela que o outro se acomoda, existe ali na inversão apenas aparente, o pequeno domina não pela força, mas pela dependência naturalizada.”



Não sei se cheguei a falar isso no blog especificamente, eu falo muito sobre muitas coisas em muitos lugares (hahaha), mas ano passado eu estava catalogando minha (micro) coleção de obras de arte e percebi que tinha uma presença forte do uso do bordado e das tramas de modo geral nela, sem querer. Meu inconsciente fez essa micro curadoria e, a partir daí, a busca pelo assunto se tornou proposital. Já até fiz um curso sobre, antes da pandemia para vocês terem ideia, e resgatei o material da época, outras coisas que tinha aqui, enfim, virou um estudo paralelo meu, mesmo, que ainda não virou nada concreto, mas quem sabe num chego lá?
Para a galera de São Paulo, ou que tiver pelos arredores nesse meio tempo, a GRANDIOSA “Tecitura do Feminino” fica aberta de quarta a segunda-feira, das 9 às 20h, até 25 de janeiro de 2027. Agora não deixem de conhecer os outros participantes do 6 on 6: Adriel, Aline, Camila e Fernanda!
Sobre Marlene Barros
Marlene Barros é natural de Bacurituba, no Maranhão, bacharel em Desenho Industrial pela UFMA, especialista em Artes Visuais e mestre em Arte Contemporânea. Artista visual, pesquisadora e produtora cultural, conta com quarenta anos de trajetória, desenvolve trabalhos em escultura, crochê, pintura, performance, instalação e intervenção artística, além de coordenar o Ateliê Marlene Barros e o Ponto de Cultura Coletivo ZBM, que promovem formação artística e fortalecimento da produção cultural maranhense. Vocês podem acompanhar seu trabalho pelo Instagram @marlenebarrosarte ou pelo site marlenebarros.art.br.
Esse post faz parte do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast onde ensino história da arte através de mulheres artistas!

