Exposição Coletiva MascarArte, do Libertas Coletivo de Arte

Exemplar de obra do movimento MascarArte, uma máscara de proteção facial branca, com uma ilustração do Mapa Mundi onde os países são representadas por bolas coloridas de tamanhos diferentes conectadas por uma rede de linha. A máscara está sobre uma superfície de ladrilhos cor de terra.

Se existe uma coisa que se tornou símbolo dos últimos 16 meses é a máscara de proteção. Algumas pessoas tiveram pesadelos em que chegaram em lugares e descobriram que estavam sem, outras se recusaram prontamente (e irresponsavelmente) a adotar e, no fim das contas, estranho pra mim vai ser quando chegar a hora de sair sem elas… Usei as cirúrgicas, passei pra de pano com tripla camada e agora tenho minhas PFF2 cor-de-rosa das quais não abro mão. Acho até engraçado quem vai bater foto fora de casa e tira a máscara pra isso – quéde o registro de momento, gente? Faz parte da nossa vida agora, ‘bora deixar a mensagem pra posterioridade! E foi pensando mais ou menos nisso que o Libertas Coletivo de Artes se juntou à Exposição Coletiva MascarArte, dando novo significado a algo que, assim como a arte, é extremamente necessário, ainda que incômodo em alguns momentos.

Foto de uma máscara de proteção, parte do Movimento MascarArte completamente pintada com um pulmão sob a terra, alimentando uma árvore que sai dela.
E não desejei mais minhas máscaras, por Gisele Moura

Composta de obras feitas por 43 artistas do Coletivo, todas usando máscaras brancas como suporte para passar sua mensagem de cuidado, atenção e esperança. A ideia é justamente usar arte como registro histórico da humanidade, tentando levar à vida de artistas e expectadores força para se manter com coragem e resiliência quando mais parecem faltar. As intervenções foram feitas respeitando o estilo de cada participante, desde algumas propositalmente deixando o tecido branco à mostra até as que criaram todo um novo objeto através dele. O sucesso foi tamanho que agora ela conta também com mais 20 artistas independentes, todos seguindo o mesmo conceito.

Máscara de proteção pintada em tom escuro de azul representando uma galáxia com vários planetas redondos coloridos em sua superfície, com várias estrelas feitas de pontinhos brancos.
Espaço vibracional d’après Kandinsky, por Letícia Pinto

Como toda ação do tipo, o movimento MascarArte só foi possível graças ao time de colaboradores, responsáveis pelas máscaras, molduras, espaço para exposição, registro fotográfico e em vídeo. A expografia ficou por conta dos artistas Marcos Esteves (criador do projeto) e Paulo Apgáua, que junto com Rafael Abreu fizeram também a curadoria das obras. Trabalho em equipe em todos os detalhes! Uma coisa que observei também, uma vez que produzo conteúdo ensinando história da arte através das mulheres artistas lá no Vênus em Arte, é que existe equidade de gênero excelente no projeto, inclusive com uma leve maioria de trabalhos femininos. Isso não é tão comum quanto deveria, mas aos poucos as minorias políticas estão ganhando o espeço que devem ter, ainda bem!

Máscara de proteção individual com duas árvores curvas representadas, a primeira de cabeça pra cima com folhas verdes em fundo preto, a outra de cabeça pra baixo com fundo marrom com folhas coloridas.
Árvore da Vida, por Cristina Haibara

A exposição MascarArte nasceu no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte, conhecido pela boemia e manifestações artísticas, passou pela cidade de Nova Lima, na Grande BH, e foi também para o Ponteio Lar Shopping na capital, focado principalmente em lojas de casa e decoração. Atualmente as obras estão expostas na vitrine da Mobília Soluções, que fica na Av. do Contorno, 6241. Assim que sair de lá irá para um novo destino, que provavelmente será o último, mas pode ser visitada também virtualmente no movimentomascararte.com/ , de onde as imagens que ilustram esse post foram tiradas. Lá é possível saber mais sobre a participação de cada um dos colaboradores e ver a autoria de todas as obras. O Libertas Coletivo de Artes está também no Facebook, Instagram e YouTube.

Foto de uma máscara de proteção pintadas com uma galáxia em tons frios, de predominância azul. Em um dos lados há o rosto de um felino, como se tivesse se projetando do céu.
Esperança, por Flávia Barsanulfo

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7 Comments

  1. Nossa!
    Que máximo isso!!
    As máscaras estão lindas, nem parece que é equipamento de EPI.
    Realmente, a arte tem um poder transformador, tanto na matéria quanto em quem observa né?!

  2. Eu fui uma dessas pessoas que tiveram pesadelo!!! Essa semana mesmo fui na padaria e ao chegar lá onde estava a máscara, voltei para casa morta de vergonha..
    As máscara estão lindas!!! As minhas eu mesmo confeccionei…E na hora de tirar foto vale tirar a máscara sim!!!
    Abraços

  3. Achei muito interessante a forma que eles usaram de se expressar nesse momento e bem provocante. Levanta vários questionamentos, o primeiro que eu tive foi: precisava ser feito em máscara mesmo? Porque mesmo que seja algo que representa o momento atual, tem muita gente que precisa. Mas claro que eu sei que as máscaras foram feitas para a exposição em específico, porém foi algo que fiquei pensando.

    Adorei as pinturas, principalmente a última que você colocou no post!

    Ah, e que legal saber que tivemos uma equidade de gênero aí 🙂

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