#TBT Exposição A Ecologia de Monet, no MASP

#TBT Exposição A Ecologia de Monet, no MASP

Um dos maiores privilégios que vivi ano passado, quando fui a São Paulo para uma feira de arte em junho, foi poder visitar a lendária exposição A Ecologia de Monet, que ficou aberta durante quatro meses no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e foi recorde de público por lá. (Inclusive, se alguém aí quiser me dar o catálogo dela de presente, eu aceito!) Com 32 obras do provável maior nome do movimento impressionista, produzidas ao longo de cinco décadas, e curadoria de Adriano Pedrosa, a visão do artista dos cenários ao seu redor, desde a já industrial Paris até seus icônicos jardins de Giverny, se mostra sua musa inspiradora, e foi dividida em cinco eixos temáticos extremamente pertinentes: O Sena como Ecossistema, Os barcos de Monet, Neblina e Fumaça, O Pintor como Caçador e, claro, Giverny: Natureza Controlada.

Pintura mostrando duas figuras humanas à beira de um rio, com vegetação verde em primeiro plano e uma ponte ao fundo. A cena é iluminada por luz natural suave, com pinceladas rápidas e cores claras, típica da produção de Monet na década de 1870–1880. A pintura está em uma moldura dourada trabalhada.

Pintura de Claude Monet retratando uma paisagem costeira com falésias rochosas em tons rosados e o mar azul-esverdeado em movimento. A superfície da água é construída com pinceladas densas e vibrantes. A obra, em moldura dourada ornamentada, possivelmente na região da Normandia.

Detalhe ampliado da obra anterior, focando na textura espessa da tinta e nas pinceladas sobrepostas em tons de verde, azul, amarelo e rosa. O close evidencia o empaste, a materialidade da pintura a óleo, destacando a construção da paisagem marinha presente na obra mostrada na imagem anterior, e a assinatura do artista.

Se você não me conhece, precisa saber algo essencial sobre mim: sou completamente obcecada pelo movimento impressionista. As mulheres que fizeram parte dele são meu maior objeto de estudo! No que diz respeito ao homens, estamos falando aqui do que acho o mais característico deles, logo, meu favorito. Tenho até uma tatuagem em homenagem às suas Nenúfares, sabe? O único motivo que me impediu de ajoelhar diante das obras em um gesto de genuflexão foi o fato de que a galeria estava MUITO CHEIA de visitantes, mesmo, ao contrário, por exemplo, da exposição de acervo do museu, que (re)visitei no dia e estava vazia. Foi muito lindo presenciar as paisagens dele sendo adoradas daquela forma! Enquanto as pessoas se afastavam, para entender o efeito do todo, eu fazia questão de chegar mais perto possível para ver as pinceladas, os borrões, a confusão visual que tanto venero.

Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer, post onde explico melhor sobre o movimento e apresento alguns de seus nomes femininos.

Pintura de Claude Monet representando um curso d’água raso em paisagem aberta, com vegetação baixa e árvores esguias ao fundo, algumas ainda sem folhas. A água reflete tons de verde, cinza e rosado do céu, criando uma atmosfera fria e silenciosa. A obra está em moldura dourada ricamente entalhada, exposta em parede azul-clara no MASP. Assinatura do artista é visível no canto inferior direito.

Obra da série das Ninfeias, mostrando a superfície de um lago coberta por folhas verdes e flores rosadas de vitória-régia. A composição é horizontal, com pinceladas soltas e sobrepostas que criam profundidade e reflexos escuros da água. A obra está em moldura simples de madeira clara, exposta em parede verde-escura.

Detalhe da pintura anterior, evidenciando as pinceladas espessas e texturizadas na superfície da água. As folhas verdes e as flores rosadas aparecem parcialmente dissolvidas em camadas de tinta, com reflexos escuros e nuances de verde, roxo e marrom.

A exposição apresentou obras do acervo do MASP, mas a maioria delas eram inéditas no hemisfério Sul, o que torna a oportunidade de vê-las mais especial. É lindo entender as pinturas do Monet como um registro histórico. Seu ato de retratar o momento exato que estava vivendo, muitas vezes repetindo cenários ao longo dos anos, nos mostra as modificações que a Revolução Industrial causou nas paisagens urbanas francesas, com o aumento da fumaça vinda das fábricas escurecendo o céu, por exemplo. Pessoalmente, gosto bastante de sua representação de água, tanto a visão do rio Sena saindo um pouco desse lugar de “ponto turístico” até, é claro, os lagos belíssimos de Giverny, onde ela se mistura com a flora local. Que uso SENSACIONAL do verde do azul esse homem tinha! Tá pra nascer algo que me fascine mais, juro pra vocês…

Pintura impressionista de Claude Monet representando um curso d’água raso com vegetação aquática e arbustos nas margens. A água reflete tons esverdeados e rosados do céu ao entardecer, enquanto árvores sem folhas surgem ao fundo, criando uma atmosfera silenciosa e úmida. A obra está emoldurada por uma moldura dourada ornamentada, exposta em parede azul.

Obra mostrando um caminho de terra ladeado por vegetação densa e árvores, com uma figura humana caminhando ao fundo. A cena é composta por pinceladas soltas em tons verdes, ocres e azulados, sugerindo um dia nublado no campo. A obra está emoldurada em uma moldura dourada ricamente esculpida.

Detalhe de mostrando a superfície de um lago com reflexos difusos e pinceladas horizontais em tons de verde, azul acinzentado e lilás. Pequenos toques de rosa indicam flores de nenúfares sobre a água, enquanto a textura espessa da tinta evidencia o gesto pictórico característico do artista.

O frenesi causado por essa experiência, e como consequência seu espaço expositivo sempre lotado, é muito justificável. A Ecologia de Monet é uma aula de história da arte e da humanidade associada a um dos macrotemas das artes visuais em 2025, que foi nossa relação com o meio ambiente. Gosto de acreditar que a seleção de imagens que fiz pra esse post fala por mim porque, sinceramente, mesmo tantos meses depois, continuo sem palavras para dizer o quão especial foi. Só sei que de todas as mil vidas que um dia posso vir a viver, espero que sejam vividas no mundo que um dia recebeu as pinceladas de Claude Monet

Sobre Claude Monet

Oscar-Claude Monet nasceu em Paris, França, em 1940 e se interessou pela pintura ainda quando criança, entrando na escola secundária de artes aos 10 anos. Em 1872 foi o autor de Impressão, nascer do sol, obra que representa um marco na história da arte moderna por ser considerada a fundadora do movimento impressionista e pioneira no modernismo de vanguarda. Na década seguinte, mudou-se para Giverny, cuja vegetação é largamente retratada em seu trabalho. A série “Nenúfares” retrata o lago e a ponte japonesa dos jardins da própria casa, tendo destaque na sua produção e tornando-se um ícone da arte europeia. Foi ali que morreu, aos 86 anos, sem nunca parar de pintar, mesmo com a visão já afetada pela catarata. Hoje é um dos maiores nomes da pintura francesa, com peças em leilões que atingem o valores de centenas de milhões de reais.

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Esse post faz parte da blogagem coletiva EntreBlogs, cujo tema #010, para fevereiro de 2026, é Museu.

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  • Willian Ernani

    Luly, que registros maravilhosos! Todas as pinturas, nao consigo escolher qual gostei mais, que experiência incrível deve ter sido, hein?

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