Um dos maiores privilégios que vivi ano passado, quando fui a São Paulo para uma feira de arte em junho, foi poder visitar a lendária exposição A Ecologia de Monet, que ficou aberta durante quatro meses no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e foi recorde de público por lá. (Inclusive, se alguém aí quiser me dar o catálogo dela de presente, eu aceito!) Com 32 obras do provável maior nome do movimento impressionista, produzidas ao longo de cinco décadas, e curadoria de Adriano Pedrosa, a visão do artista dos cenários ao seu redor, desde a já industrial Paris até seus icônicos jardins de Giverny, se mostra sua musa inspiradora, e foi dividida em cinco eixos temáticos extremamente pertinentes: O Sena como Ecossistema, Os barcos de Monet, Neblina e Fumaça, O Pintor como Caçador e, claro, Giverny: Natureza Controlada.



Se você não me conhece, precisa saber algo essencial sobre mim: sou completamente obcecada pelo movimento impressionista. As mulheres que fizeram parte dele são meu maior objeto de estudo! No que diz respeito ao homens, estamos falando aqui do que acho o mais característico deles, logo, meu favorito. Tenho até uma tatuagem em homenagem às suas Nenúfares, sabe? O único motivo que me impediu de ajoelhar diante das obras em um gesto de genuflexão foi o fato de que a galeria estava MUITO CHEIA de visitantes, mesmo, ao contrário, por exemplo, da exposição de acervo do museu, que (re)visitei no dia e estava vazia. Foi muito lindo presenciar as paisagens dele sendo adoradas daquela forma! Enquanto as pessoas se afastavam, para entender o efeito do todo, eu fazia questão de chegar mais perto possível para ver as pinceladas, os borrões, a confusão visual que tanto venero.
Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer, post onde explico melhor sobre o movimento e apresento alguns de seus nomes femininos.



A exposição apresentou obras do acervo do MASP, mas a maioria delas eram inéditas no hemisfério Sul, o que torna a oportunidade de vê-las mais especial. É lindo entender as pinturas do Monet como um registro histórico. Seu ato de retratar o momento exato que estava vivendo, muitas vezes repetindo cenários ao longo dos anos, nos mostra as modificações que a Revolução Industrial causou nas paisagens urbanas francesas, com o aumento da fumaça vinda das fábricas escurecendo o céu, por exemplo. Pessoalmente, gosto bastante de sua representação de água, tanto a visão do rio Sena saindo um pouco desse lugar de “ponto turístico” até, é claro, os lagos belíssimos de Giverny, onde ela se mistura com a flora local. Que uso SENSACIONAL do verde do azul esse homem tinha! Tá pra nascer algo que me fascine mais, juro pra vocês…



O frenesi causado por essa experiência, e como consequência seu espaço expositivo sempre lotado, é muito justificável. A Ecologia de Monet é uma aula de história da arte e da humanidade associada a um dos macrotemas das artes visuais em 2025, que foi nossa relação com o meio ambiente. Gosto de acreditar que a seleção de imagens que fiz pra esse post fala por mim porque, sinceramente, mesmo tantos meses depois, continuo sem palavras para dizer o quão especial foi. Só sei que de todas as mil vidas que um dia posso vir a viver, espero que sejam vividas no mundo que um dia recebeu as pinceladas de Claude Monet…
Sobre Claude Monet
Oscar-Claude Monet nasceu em Paris, França, em 1940 e se interessou pela pintura ainda quando criança, entrando na escola secundária de artes aos 10 anos. Em 1872 foi o autor de Impressão, nascer do sol, obra que representa um marco na história da arte moderna por ser considerada a fundadora do movimento impressionista e pioneira no modernismo de vanguarda. Na década seguinte, mudou-se para Giverny, cuja vegetação é largamente retratada em seu trabalho. A série “Nenúfares” retrata o lago e a ponte japonesa dos jardins da própria casa, tendo destaque na sua produção e tornando-se um ícone da arte europeia. Foi ali que morreu, aos 86 anos, sem nunca parar de pintar, mesmo com a visão já afetada pela catarata. Hoje é um dos maiores nomes da pintura francesa, com peças em leilões que atingem o valores de centenas de milhões de reais.

Esse post faz parte da blogagem coletiva EntreBlogs, cujo tema #010, para fevereiro de 2026, é Museu.


Willian Ernani
Luly, que registros maravilhosos! Todas as pinturas, nao consigo escolher qual gostei mais, que experiência incrível deve ter sido, hein?