O Morro dos Ventos Uivantes (2026)

O Morro dos Ventos Uivantes (2026)

O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights)
Pôster do filme Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes), dirigido por Emerald Fennell, com Margot Robbie e Jacob Elordi. O casal aparece em um close romântico: ele segura o rosto dela enquanto inclina-se para beijá-la. O fundo é neutro e claro, destacando o contraste entre os figurinos de época e a atmosfera dramática. O título surge em tipografia vermelha estilizada na parte superior do cartaz. Elenco: Jacob Elordi, Margot Robbie, Shazad Latif, Alison Oliver, Hong Chau, Martin Clunes, Charlotte Mellington, Owen Cooper
Direção: Emerald Fennell
Gênero: Drama
Duração: 136 minutos
Ano: 2026
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Uma história de amor apaixonada e tumultuada que tem como pano de fundo os pântanos de Yorkshire, explorando o relacionamento intenso e destrutivo entre Heathcliff e Catherine Earnshaw.” Fonte: Filmow.

Comentários: Baseado no clássico de Emily Brontë, publicado em 1847, O Morro dos Ventos Uivantes acompanha a relação entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, cuja conexão nasce na infância e se transforma em uma relação cada vez mais destrutiva à medida que crescem. Embora frequentemente vendido como “uma das maiores histórias de amor da literatura”, esse rótulo é uma distorção grosseiríssima; o que Brontë construiu foi um estudo da obsessão e da imposição de poder sobre o outro. Ainda assim, a divulgação desta nova versão insiste em reforçar justamente essa leitura romantizada desde o trailer, tendo como resultado o apagamento das tensões centrais que tornam a história tão perturbadora. O mais irônico é que o próprio filme não consegue sustentar essa promessa de romance ou mesmo de ser uma adaptação em si, o que, por incrível que pareça, é apenas o menor dos seus problemas.

O que ele faz com “O Morro dos Ventos Uivantes” é próximo do que “Cinquenta Tons de Cinza” fez com “Crepúsculo“, sem assumir a honestidade de se desvincular da obra original para construir outra coisa. Aqui, mantêm-se nomes, título, prestígio e peso cultural do romance original, substituindo o drama psicológico por uma sucessão de cenas que usam o sexo como eixo central sem sensualidade e menos ainda aproximar-se do soft porn… Falta senso palpável de tensão e intimidade, o sexo parece ser o instrumento de dominação e linguagem de violência, sem elaboração crítica ou consequência emocional. Veja bem, PARA MIM o problema não está em alterar a história, nem em adotar uma abordagem mais explícita. Me incomoda a irresponsabilidade com que esses elementos são tratados, misturando prqzer, sofrimento psicológico e sinais claros de transtornos mentais sem cuidado, transformando vulnerabilidade em fetiche.

Cena do filme onde Catherine sentada em um sofá azul, vestindo um vestido branco de mangas bufantes e óculos de lentes vermelhas, enquanto toma uma bebida azul em taça. Ao seu lado, um homem elegante com cartola também segura um drink azul. O cenário inclui cortinas de pérolas e iluminação em tons azulados, criando uma atmosfera visualmente luxuosa e excêntrica.

O Morro dos Ventos Uivantes: imagem via CinemaBlend

A sexualização da Cathy, em especial, chega a níveis perturbadores, envolvendo até a presença de corpos de animais mortos, por exemplo. Vergonhoso, gente! A carga dramática da obra original deixa de existir totalmente, substituída por uma sucessão de jogos sexuais que parecem estar tentando chocar o espectador. Para reforçar ainda mais, em sua primeira parte a história insiste em associar esses momentos a uma ideia de insalubridade fetichizada, destacando a falta de acesso sanitário da época como algo carnal, quase afrodisíaco. Algumas cenas chegam a ser nojentas, desnecessárias, mesmo. Eu esperava uma gama de personagens zoados da cabeça, é claro, mas o nível que chegou foi demais, e isso associado a umas atuações que também não engoli. O Heathcliff de Jacob Elordi é, além de branco(!), mal construído, com direito a uma voz forçada insuportável de aguentar.

Para ser justa, existem dois aspectos que merecem ser muito elogiados, e até destoam desse show de horrores. Primeiro temos Alison Oliver como Isabella Lindon em uma performance impressionante! Ela encarnou essa versão distorcida da personagem com muita convicção, o que não suaviza as escolhas narrativas ruins, claro, mas se torna, paradoxalmente, a melhor delas justamente no pior aspecto da história. Mais impressionante ainda é a fotografia deslumbrante, que joga com cores e texturas lindamente até em momentos de escuridão. A direção de arte merece destaque ao utilizar, na segunda parte, recursos semelhantes aos da Sofia Coppola em “Marie Antoinette”, o incorporar de materiais e objetos que não pertencem ao período retratado, aproximando o espectador do contexto. O resultado é visualmente belíssimo, divino, o que torna a experiência ainda mais frustrante… Tamanho primor estético dedicado a um desastre completo, um dos piores filmes que já vi…

Trailer:

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  • Dulce Nicolle

    eu já esperava que o filme fosse um fracasso desde a primeira vez que o trailer lançou. mas vi pela internet, pessoas não familiarizadas com a história, também detestaram. fiquei refletindo que se nem essas pessoas gostaram, é porque realmente esse filme não tem futuro mesmo. o que me deixa mais chateada e brava é o tamanho desrespeito com o material original, e ainda por cima ser chamado de “releitura”. eu acho que a diretora não entende o verdadeiro significado do que é uma releitura, e as entrevistas dela e da Margot Robbie não ajudaram nem um pouco a promoção desse filme – pelo contrario, deixaram o povo ainda mais revoltado com tamanho despeito. embora, todo o cenário, roupas etc seja realmente muito bonito, e se fosse uma história original seria outra coisa. mas foram mexer logo com um vespeiro. vimos na nossa frente a distorção de um material que fala sobre conflitos de classe, racismo, obsessão, vingança, traumas geracionais se transformar num objeto “kinky” da diretora que viu em tudo isso “uma coisa erótica entre Heath e Cathy” quando era mais nova… realmente, não tinha muito o que esperar!

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