O Espírito Natalino – Júlia Cancian

O Espírito Natalino: foto do aparelho Kindle com a tela ligada em que a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, galhos de uma árvora de natal branca com enfeites rosa choque variados.

O Espírito Natalino *****
O Espírito Natalino: Capa do livro de fundo liso, pequenos enfeites de natal no topo, seguida do título da obra. Ao centro, dois suéters de temática natalina estão lado a lado, como um casal, e na parte inferior consta o nome da autora. Autora: Júlia Cancian
Gênero: Conto, fantasia
Ano: 2020
Número de páginas: 32p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08P61G158
Sinopse: “Énastros e Berenice se conheceram em uma noite de natal, no vigésimo segundo aniversário dele. No entanto, naquele minúsculo apartamento também vivia um outro alguém. Berenice só não contava que esse amigo fosse um tanto quanto… Incomum. Um conto em que o personagem principal não é humano e tem que lidar com uma grande perda.” (fonte)

Comentários: Você já imaginou como é a vida de um Espírito Natalino? Visualize só a ideia de ser querido por todos, esperado o ano inteiro, trazer sensações maravilhosas a tantos amantes dessa data especial e não poder curtir realmente isso com nenhuma dessas pessoas… Essa é a vida do protagonista desse conto de fim de ano de Júlia Cancian: ele não pode ser visto, ouvido ou mesmo verdadeiramente sentido pelos humanos com quem convive todos os dias. Fica apenas vagando pelo planeta, fazendo parte dele como pode até, enfim, conhecer e começar a estabelecer um certo contato com Énastros, um jovem escritor também nascido no natal de história triste e igualmente solitário. Quando Berenice, uma moça pela qual o rapaz se apaixona quase instantaneamente, aparece na vida dos dois, a história tem tudo para ter o mais feliz dos finais.

O Espírito Natalino: foto do aparelho Kindle com a tela ligada em que a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, galhos de uma árvore de natal branca com enfeites rosa choque variados.

Um conto carregado de sentimento e, ainda assim, com a leveza que esse fim de ano tão tenso que estamos vivendo pede, O Espírito Natalino nos faz desejar muito poder sentir a presença de “Lino”, narrador personagem que, na história, é o responsável por nos fazer amar tanto essa época do ano. Ao longo das páginas, vemos sua ligação com Énastros crescendo, e também a dos dois com Berenice e seu pudim delicioso. Uma história simples, e ainda assim bem trabalhada em detalhes bonitos, como a escolha dos nomes e enaltecimento do estado natal da autora, que aproveita a deixa para falar um pouco da cultura do mesmo ao narrar as viagens desse ser especial. Juro, fiquei imaginando como seria fazer um curta metragem de animação dele, daqueles em que as personagens não falam, mas te fazem chorar (e muito!) tanto ao longo do enredo quanto no final melancólico.

“O amor não é sobre religião, caso você esteja pensando nisso neste momento (…). O amor é sobre pessoas, é sobre o outro, é sobre o que eu posso fazer para diminuir a dor do meu próximo.”

Aliás, falando em final, ele me pegou 100% de surpresa! Eu imaginava que os acontecimentos que estavam sendo narrados se desencadeariam em situações completamente diferentes, rotineiras, até que de repente veio um grande impacto que me deixou paralisada por um segundo antes de continuar. Como alguém que escreve (e adora um bom draminha), fiquei imaginando como foi para a autora chegar ali, se ela pensou em outros caminhos, mas ao mesmo tempo que o coração fica pequenininho, dá pra entender a direção pela qual optou. Meio “a vida é assim”, sabe? Mas sendo em bons ou maus momentos, “Lino” segue como alguém que dá vontade de abraçar e ajudar a seguir com sua vida imortal (já que, como ele mesmo disse várias vezes, ser um Espírito não o torna um fantasma). Livro totalmente recomendado para aquela leiturinha rápida antes do dormir que vai te ajudar a sonhar em paz!

Leia também: O Conto de Natal, uma pequena história natalina publicada aqui no blog!

Júlia Cancian é brasileira nascida e moradora do Espírito Santo, graduanda em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Espírito Santo. Aos 18 anos (quaaase 19), ela já tem dois contos publicados na Amazon Kindle, disponíveis para compra ou de graça para assinantes Kindle Unlimited: O Espírito Natalino e Todas as Luas de Júpter, que conta em primeira pessoa a história de uma mulher transtorno dissociativo de identidade (TDI). Para conhece-la melhor vocês podem seguir no Instagram @juliahcancian ou Twitter @itsazriel.

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Mary Poppins – P. L. Travers (Edição Cosac Naify + Ronaldo Fraga)

Mary Poppins: Foto do livro Mary Poppins, publicado pela editora Cosac Naify, aberto na folha de rosto, onde se lê o título e o nome da autora e uma ilustração de bolsa na página ao lado. O livro está parcialmente dentro de sua luva, que simula a maleta da personagem. Na parte de cima da imagem se vê a ponta de duas botas marrons e em baixo um guarda-chuvas da mesma cor.

Mary Poppins (Edição Especial) *****
Mary Poppins: Imagem da capa do livro Mary Poppins, publicado pela editora Cosac Naify, que simula a roupa da parte superior do corpo da personagem, ou seja, uma camisa de com estampa de bolinhas com um casaco listrado por cima. Autora: P.L. Travers | Ilustrações: Ronaldo Fraga | Tradução: Joca Reiners Terron
Gênero: Fantasia
Ano: 1934
Número de páginas: 190p.
Editora: Cosac Naify
ISBN: 978.854.050.529-2
Sinopse: “Uma das histórias mais amadas por crianças e adultos do mundo todo, Mary Poppins ganha uma nova edição, com ilustrações do estilista Ronaldo Fraga, tradução do escritor Joca Reiners Terron e posfácio da professora de literatura inglesa da USP Sandra Vasconcelos. Depois de desenhadas por Fraga, como verdadeiros croquis de moda, os desenhos foram bordados à mão em tecido e fotografados em estúdio. O leitor vai, finalmente, descobrir a história de Mary Poppins, a babá mágica que chega inesperadamente para cuidar das crianças Banks e lhes abre os olhos para os mistérios e as maravilhas que nos cercam, todos os dias.” (fonte)

Comentários: Mais uma babá abandonou a casa da família Banks, deixando as outras empregadas da casa e a mãe das crianças desesperadas sem saber quem cuidaria de Jane, Michael e dos gêmeos, John e Bárbara. O sr. Banks, como de costume, deixou a cargo da esposa resolver isso e rumou em direção ao banco onde trabalha. Foi nesse contexto que o Vento Leste – literalmente – carregou Mary Poppins, uma babá nada convencional (e pra lá de encantada) para a porta do Número Dezessete da rua Cherry Tree Lane. Os dias seguintes dessa família foram, então, marcados pela presença da jovem, com sua personalidade forte e métodos fabulosos de resolver as coisas, deixando as crianças sem entender como tudo seria possível ser real.

Mary Poppins: Foto do livro Mary Poppins, publicado pela editora Cosac Naify, cuja capa simula a roupa da parte superior do corpo da personagem, ou seja, uma camisa de com estampa de bolinhas com um casaco listrado por cima. O livro está parcialmente inserido dentro de sua luva, que simula a maleta usada pela personagem. Abaixo há um pé de bota de cor escura e acima um guarda chuvas fechado.

A australiana P. L. Travers, autora dos seis livros da série Mary Poppins, dizia que não escrevia para crianças (1), mas essas obras que giram em torno de sua personagem mais famosa ficou marcada como um dos clássicos da literatura infantil a ponto de ser transformada em filme musical dos Estúdios Disney em 1964, tendo Julie Andrews no papel da protagonista e Emily Blunt na sequência de 2018. Muitos conhecem a história por causa dessa primeira adaptação, inclusive, e apesar de suas diversas diferenças o primeiro livro tem semelhanças pontuais, sendo também capaz de encantar pessoas de todas as idades.

Muitos podem julgar Mary Poppins pela sua grosseria, afinal na época da publicação era essencial que uma babá fosse dócil e submissa, e ela não é nada disso. Com respostas diretas, habilidades extraordinárias e conclusão para todas as questões, ela ensina sobre seu mundo não só a Jane e Michael, mas também a quem lê o livro. A escrita se refere ao início do século do passado, mas é fácil de ser entendida e flui MUITO BEM, com frases impactantes em diversos pontos. Demorei anos para enfim me render a ela porque tinha medo de quebrar todo o carinho que tenho em relação ao filme, mas a experiência foi tão maravilhosa que minha vontade mesmo é continuar lendo os outros volumes para conhecer mais aventuras mirabolantes assim. [SPOILER] Ver o Vento Oeste levá-la embora foi lindamente melancólico, mesmo já sabendo que isso aconteceria. [/SPOILER]

Mary Poppins: Foto do livro Mary Poppins, publicado pela editora Cosac Naify, cuja capa simula a roupa da parte superior do corpo da personagem, ou seja, uma camisa de com estampa de bolinhas com um casaco listrado por cima, e lombada branca onde se lê o título da obra em letras grandes e escrito na vertical. O livro está sobre sua luva, que simula a maleta usada pela personagem. Ao lado há um par de botas de cor escura.

“(…) pode ser que comer e ser comido seja a mesma coisa, afinal. Minha sabedoria me diz que é muito provável que sim. Somos todos feitos da mesma matéria, lembre-se, nós da Selva, vocês da Cidade. A mesma substância nos compõe, a árvore logo acima, a pedra debaixo de nós, a feiura, a beleza. Somos um só, todos rumando para o mesmo final. Lembre-se disso, mesmo quando você não se lembrar mais de mim, minha criança.” (página 152)

É impossível ler Mary Poppins na edição especial da extinta Cosac Naify, que encerrou suas atividades em 2015, e focar só na história ao falar dela porque, sinceramente, é uma obra de arte à parte. Eles lançaram duas versões: uma com a capa rosa com pequenas ilustrações de barco de papel, nuvens e estrelas, e outra ainda mais rara conde a estampa rosa estava em uma luva em formato da maleta da Mary e, por dentro, uma capa exclusiva marrom, simulando a roupa dela. A lombada tem costura aparente, também visível por dentro, com o título do livro impresso direto nas páginas entre as linhas. Ele mede aproximadamente 28 x 18cm, tem 190 páginas e mesmo elas são em papel especial, com gramatura 100g/m². Hoje em dia é quase impossível achar exemplares à venda e, quando acha, o preço é exorbitante, mas vale MUITO o que custa, de verdade.

Mary Poppins: Foto do livro Mary Poppins, publicado pela editora Cosac Naify, aaberta em uma página onde se vê uma ilustração da personagem protagonista se olhando no espelho. O livro está sobre sua luva, que simula a maleta usada pela personagem. Abaixo há um guarda chuvas fechado.

O mais lindo dessa edição, porém, são as ilustrações pelo estilista mineiro multipremiado Ronaldo Fraga. Após fazer as ilustrações, que conseguem ser lúdicas ainda que monocromáticas, elas foram bordadas pela (também) mineira Stella Guimarães e sua equipe, deixando propositalmente fios soltos que compõe o visual das cenas, dando ideia de movimento. Por fim, esses bordados foram digitalizados e adicionados à publicação. O resultado é MUITO único e especial, torna a leitura ainda mais prazerosa em ver a combinação de um cenário britânico com artes brasileiras. O livro conta também com tradução de Joca Reiners Terron e posfácio incrível de Sandra Guardini T. Vasconcelos, que sugere algumas leituras para conhecer mais a fundo sobre P. L. Travers. Im-pe-cá-vel!

Leia também: Walt nos Bastidores de Mary Poppins, resenha do filme com Emma Tompson e Tom Hanks baseado na época em que Walt Disney comprou os direitos para produzir o filme de Mary Poppins.

Esse livro foi a minha escolha para o mês de Maio no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é ler uma ficção científica ou fantasia. Leia também a resenha do título de Abril (autora independente), Os Textos Que Desisti de Enviar!

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Por Que Amamos Ler? – Brian Bristol

Por que amamos ler?

Por que amamos Ler? Grandes escritores tentam explicar nosso fascínio pela leitura (Why We Read?) *****
Por Que Amamos Ler? Autoria: Brian Bristol | Tradução: Thereza Christina Rocque da Motta
Gênero: Coletânea
Ano: 2008
Número de páginas: 104p.
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978.859.956.056-3
Sinopse: “Após herdar de sua avó inúmeras caixas com cadernos de anotações, coleção de frases, cópias de poemas e recortes que tinham vital importância para ela, o autor, ainda na infância, teve despertado o prazer pela leitura. E começou a colecionar citações específicas sobre livros por volta dos 16 anos, inspirado na famosa frase de Cícero ‘um quarto sem livros é como um corpo sem alma’.
O resultado dessa paixão pessoal é o livro Por que amamos ler?, que inclui textos escritos pelos maiores pensadores de todos os tempos. É simplesmente um compêndio de comentários sobre livros feitos por quem é ou foi um apaixonados pela leitura. Serve para nos lembrar do modo com que os livros nos humanizam, nos aproximam, faz aflorar o que temos de melhor; faz nos lembrar que livros causam impacto e que a leitura é importante.”
(fonte)

Comentários: Um presente que ganhei há alguns anos, comecei a ler e, com a correria que tomou conta da minha vida logo em seguida, nunca terminei (apesar de estar marcado como “Já Li” no Skoob)… Mas que casou perfeitamente com o agora quando, ao propor um desafio literário junto com uma amiga para “desencalhar” leituras que já temos em casa, precisei de um livro curto, como ele é. Por que Amamos Ler? é uma coletânea de citações sobre leitura por Brian Bristol, que conheceu o conceito ao herdar da avó sua coleção de recortes sobre Geraldine Ferrar, cantora de ópera. Algum tempo depois, aos 16 anos, aderiu ao conceito tendo a temática desse livro como foco, já que sua vida era completamente tomada pela leitura. A seleção vai desde publicações originais em pergaminhos até e-books Kindle, trazendo muita identificação ou não a quem consome.

Por que amamos ler?

“Alguns livros devem ser experimentados, outros, engolidos, e alguns mastigados e digeridos.” – Sir Francis Bacon (1561-1626)
Por que amamos ler?
Páginas 28 e 29
“Um grande livro livro nos lega inúmeras experiências e nos deixa totalmente exaustos no final. Viemos muitas vidas enquanto o lemos” – William Styron (1925-2006)

E essa é a graça de ler um livro assim: achar exatamente onde você se identifica e de quem discorda completamente. Não importa o quanto gostamos de ler, é impossível amar qualquer leitura, assim como é impossível se identificar com todos os leitores que existem, ainda que alguns deles sejam grandes pensadores. É o tipo de livro legal de ter em casa e deixar cheio de post its nas suas breves (pouco mais de) 100 páginas, pra sempre voltar às citações favoritas e que quer incorporar pra vida. Elas estão divididas em treze assuntos, ou “capítulos” para quem preferir chamar assim: Uso, Mau Uso, Clássicos, Leal Oposição, Ironia, Herança, Os Grandes, Amigos, Lúdico, Didático, Bibliotecas, Leitores e Escritores. Todas são creditadas, incluindo com ano de nascimento e morte da pessoa que a escreveu, e ao final existe um apêndice que explica, em ordem alfabética, quem era a pessoa em questão. De políticos norte americanos como Abraham Lincoln a romancistas brasileiras como Clarice Lispector.

Por que amamos ler?
Página 90
“Os livros são os portadores da civilização. Sem os livros, a história se cala, a literatura emburrece, o pensamento e a pesquisa se interrompem. Eles são as máquinas da mudança, as janelas do mundo, os faróis em meio ao mar do tempo. ” – Barbara Tuchman (1912-1989)

Por que amamos ler?

“O prazer da leitura dobra quando se vive com alguém que compartilha os mesmos livros.” – Katherine Mansfield (1888-1980)

Além de ser essa fonte gigante de boas citações, o livro é também visualmente ABSOLUTAMENTE LINDO! A capa é legal, mas nem um pouco digna da beleza que a gente encontra lá dentro… Todas as páginas são amareladas, com fundo imitando pergaminho e páginas antigas, com as bordas decoradas com arabescos e na maioria esmagadora delas existe a reprodução de grandes obras de arte que complementam visualmente os textos, é uma combinação perfeita estética e historicamente, provando como essas duas coisas caminham juntas. Bem no início, entre o Sumário e a Introdução, existe o crédito delas, pra quem quiser buscar mais a fundo e, apesar de serem de movimentos artísticos e terem temáticas diferentes, elas têm como ponto em comum a referência à leitura, nos mais variados lugares e apresentada das mais diversas formas… Bem como é a vida de quem lê, mesmo, no fim das contas.

Leia também: Nunca precisei de artista, uma reflexão sobre a importância de todas as artes na nossa vida.

Esse livro foi a minha escolha para o mês de Junho no Desafio Zera Estante, onde a proposta da vez é ler um livro curto. Participe do desafio também com livros que você tem em casa e estão “agarrados”, esperando para ser lidos, a duração desse ano é de junho a dezembro!

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Os Textos Que Desisti de Enviar

Os Textos Que Desisti de Enviar

Os Textos Que Desisti de Enviar *****
Os Textos Que Desisti de Enviar Autora: Vanessa Pérola
Gênero: Crônica
Ano: 2019
Número de páginas: 100p.
Editora: Publicação Independente (Amazon)
ISBN: B07VCCHKBJ
Sinopse: “No dia dos namorados meu namorado terminou comigo. E depois de tudo o que passamos, eu fiquei devastada. Não deu tempo de entregar as cartas que eu tinha escrito para comemorar quatro anos de namoro. Então resolvi arquivá-las. No lugar delas, comecei a escrever sobre o término e o que ele causou no meu coração. Encontrei o caminho da liberdade.

Este é um livro sobre relacionamentos, sobre como os términos machucam e a ausência sufoca. Mas também é um livro sobre como pensar no aconteceu sem sentir dor, entender que não tem volta e sobre rir novamente. É pra extravasar na felicidade e rabiscar papéis escrevendo aquilo que rasga a pele.Se você está enfrentando um término doloroso, faça desse livro seu amigo. Escreva a partir dessas histórias, as suas histórias. Porque mesmo que não tenha a intenção de expor, vai ter tirado um peso das suas costas, porque escrever é se libertar.

Em ‘Os textos que desisti de enviar’, Vanessa Pérola narra em 32 textos, entre crônicas e desabafos, histórias que relatam a dor da ausência, o poder do autoconhecimento e a beleza do ajustamento das emoções.” (fonte)

Comentários: É muito fácil eu me identificar quando encontro blogueiras nacionais que também autoras independentes porque, afinal de contas, sou uma delas. Por mais que seja alguém diferente no modo de se expressar, crenças e vivência, não tem jeito, nós temos aquele elo em comum que não consigo deixar de considerar. Por isso ler Os textos que desisti de enviar, da baiana Vanessa Pérola, foi uma experiência muito especial! Essa coletânea de contos publicada por ela, também nascida em 1990, está disponível como ebook na Amazon por R$5,99, ou de graça para assinantes Kindle Unlimited, que foi onde o li.

Os Textos Que Desisti de Enviar

Após um término de namoro traumático, bem ali no clima do Dia dos Namorados, Vanessa sentiu que todos os anos que passou com o (agora ex) namorado tinham sido irrelevantes pra ele. Tendo que jogar no esquecimento a carta que queria entrega-lo nessa data comemorativa ela decidiu, então, escrever novos textos narrando seus sentimentos diante dessa nova vida de solteira, que começam na negação até, com o passar do tempo, atingir a aceitação.

As 32 crônicas são divididas em três partes: Noite, Amanhecer e Dia. A primeira é triste, pesada, sobre sentimentos cheios de infelicidade e provavelmente difícil de ser lida por pessoas que passam por algo parecido. Não é fácil ver outra pessoa sofrer, ainda mais sabendo que é uma não-ficção. Mas o maravilhoso da vida é que tudo passa, né, gente? Nas duas partes seguintes vemos sua recuperação gradual até, enfim, dar uma aula de amor próprio como um modo de permitir que todos os outros amores venham. E é aí que você sente alívio enorme, como se fosse uma amiga passando pelo mesmo, aquela que você mal espera pela hora de ver sorrir com os olhos de novo. E ela sorri!

Os Textos Que Desisti de Enviar

O principal “problema” do livro coloco entre aspas porque acho bem justificável por ser uma publicação independente: as falhas de revisão. Nada muito grave, mas aqui e ali achamos uma repetição desnecessária de palavras e esse tipo de coisa que é muito difícil detectar e corrigir quando você já está revisando já completamente afundada na sua própria história e acostumada com ela. Se tivesse uma editora por trás eu reclamaria, mas julgo aceitável em casos assim. Se você não pensa como eu, porém, talvez se incomode em alguns momentos.

Também tenho, e confesso, certa dificuldade de me identificar com discursos muito religiosos com o da Vanessa, mas é mais pela diferença de realidade, mesmo. Hora nenhuma isso se transforma em defeito no texto, principalmente porque o livro é sobre a vida da autora, então precisa tê-la jogada dentro dele, perderia o sentido se ela cortasse a própria essência e religião é um aspecto importante da vida dela. Precisa estar lá e cabe a quem não tem a mesma crença aceitar.

“Porque não existe essa de amar o outro se não há uma gota de amor por nós mesmos. Como podemos doar aquilo que não temos? Esse é o clichê mais real que existe.”

Os Textos Que Desisti de Enviar

Por outro lado AMEI a diagramação, com ilustrações lindas de flores em cada uma das partes, e os trechos de música que precedem cada texto. Sempre serei a favor de sugestão de trilhas sonoras quando se trata de literatura, sendo as músicas sugeridas dentro da minha zona de conforto ou não. Ela tem até uma playlist do livro no Spotify que é ótima de ouvir durante a leitura. Foi mais um momento de identificação, já que eu coloquei um QR Code pra playlist de “Wish You Were Here” antes mesmo da dedicatória…

Leia também: Minha experiência na Amazon KDP, com dicas pra quem também quer publicar seu ebook de forma independente na loja Kindle, desde a edição digitaç até o pedido de cópias físicas do autor!

Vanessa Pérola tem 29 anos, estudou psicologia e mora na Bahia. Para ler outros textos da autora é só acessar o blog Vanessa Pérola, sobre amor, ser mulher e preta, auto ajuda e vários outros temas que dizem respeito à sua experiência pessoal. Vocês podem encontrá-la também no Twitter, Instagram e, nessa mesma rede, num perfil sobre cabelos cacheados que tem quase 60 mil seguidores, o Cacheadas in Love. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Abril no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é uma autora independente. Leia também a resenha do título de Março (poesia), A Princesa Salva a Si Mesma Nesse Livro!

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Just Listen: A garota que esconde um segredo

Just Listen: A garota que esconde um segredo

Just Listen: A garota que esconde um segredo (Just Listen) *****
Just Listen: A garota que esconde um segredo Autora: Sarah Dessen
Gênero: Jovem adulto, drama, romance
Ano: 2006
Número de páginas: 308p.
Editora: Farol Literário
ISBN: 978.853.680.900-7
Sinopse: “Depois de ter sido pega com o namorado da melhor amiga numa festa, Annabel Green começa o ano letivo sendo ignorada pelo resto da escola. Mas o que realmente aconteceu naquela noite ainda é segredo, que ela não se arrisca a contar para ninguém.
Os problemas de Annabel são explicitados pela recusa da família em admitir os próprios problemas: a fissura da mãe para que as filhas virem modelos famosas e Whitney, a irmã do meio, que sofre de anorexia. Uma amizade com Owen, o DJ da rádio comunitária, que tenta constantemente ampliar os gostos musicais de Annabel, fará a tímida jovem aprender a falar a verdade, doa em quem doer.
Ele tem uma missão quase impossível: fazer com que Annabel “Não pense nem julgue. Apenas ouça”.”
(fonte)

ATENÇÃO!ATENÇÃO: Esse livro contém conteúdo sensível e pode apresentar gatilho para alguns leitores (distúrbios alimentares, depressão, relacionamento abusivo e abuso sexual).

Comentários: Annabel Greene parecia ser “a garota que tem tudo”, assim como a personagem que interpretou no comercial que estreava junto com seu novo ano letivo. Sua melhor amiga, Sophie, havia a transformado há alguns anos em uma das garotas mais populares da escola e isso, somado à sua longa carreira de modelo, tornava o cotidiano das duas regado de festas, eventos bacanas e garotos bonitos. Mas no fundo, desde antes de sua vida desmoronar no início das férias de verão, ela estava longe de ser assim. Sua carreira já deixou de ser divertida há anos, porém parecer ainda ser fundamental para sua mãe, a melhor amiga tem comportamento discutível e abusivo, suas irmãs já não se falam desde que Kirsten, a mais velha, alertou a todos sobre os transtornos alimentarem de Whitney, a do meio, e ela prefere viver com tudo isso a enfrentar o verdadeiro pavor que possui de encarar conflitos. Agora, voltando para mais um ano de Ensino Médio tendo Sophie como inimiga e guardando o maior de seus segredos sobre a noite em que elas brigaram, ela está sozinha e acuada, lidando com problemas enquanto é taxada de “vadia”.

É quando Owen, um colega de escola alto e corpulento, com o qual pouca gente conversa por causa de seu comportamento agressivo, acaba se tornando sua única companhia em meio a esse novo cenário de isolamento. Ele, como parte de seu programa de gerenciamento de raiva, aprendeu a ser o oposto dela ao expor seus sentimentos e não guardar nada, sendo sempre sincero. O mais característico no garoto é, porém, a completa obsessão por música. Dono de um programa na rádio comunitária na cidade e um auto denominado “iluminado” no assunto, ele vê nessa inusitada amizade a possibilidade de vê-la se abrindo tanto no gosto musical quanto, principalmente, admitindo para todos o que realmente sente.

Conheci e me apaixonei por Annabel e Owen no final de 2014, quando ganhei Just Listen de presente de natal e o li pela primeira vez. Após passar esse tempo todo me questionando por que nunca sentei para escrever sobre eles decidi, enfim, reler o livro pela segunda vez (a primeira não lembro quando aconteceu) e, enfim, dar minha velha visão deles sob um novo olhar, ligeiramente mais maduro. Uma coisa não mudou: esse é um dos meus livros favoritos, por diversos motivos. Lendo a sinopse a história soa um tanto quanto clichê, quase um “A Bela e a Fera contemporâneo” pela descrição da aparência dos dois, mas é tão, tão longe disso que acho até injusto ter mencionado a possibilidade. Se essa foi a impressão que você teve, já aviso: a história, assim como a vida da nossa jovem modelo, é muito diferente do que parece.

Just Listen: A garota que esconde um segredo

Annabel é uma pessoa que evita tanto a raiva daqueles que vivem ao seu redor que chega a ser preocupante. Para que essas pessoas não se magoem (ou ainda: não a magoem) ela simplesmente não fala NADA da sua vida pra elas. Sua mãe teve depressão há alguns anos e o pai prefere simplesmente não se aprofundar em “questões femininas”, o que envolve basicamente tudo ao seu redor já que sua família é composta completamente por mulheres. Ela não consegue se livrar do trabalho como modelo porque acha que isso vai desestabilizar a casa, não critica Sophie mesmo discordando de suas atitudes por ter medo dela, não encara nada de frente. Ela é marcada por fugir de sentimentos a ponto de preferir simplesmente ver as pessoas saindo de sua vida no lugar de falar o que precisa ser dito a elas. E por mais que isso seja extremamente problemático, estar na sua cabeça e ver como são seus pensamentos torna muito fácil ter empatia por ela e querer ajuda-la. Porque ela claramente precisa de ajuda.

Owen, por sua vez, odeia mentiras e mais ainda o silêncio. Não é babaca a ponto de se jogar no “doa a quem doer” em seus discursos, mas jamais engana ninguém. Como consequência está sempre disposto a aceitar que as pessoas hajam assim com ele também: enquanto a amizade deles se desenvolve ele aceita a opinião de Annabel quando ela julga seu programa na rádio de maneira nem sempre positiva e a faz descobrir não só sobre novas músicas, mas também sobre si mesma. E novamente esse poderia ser o momento em que as pessoas viram os olhos por ver nesse cara o “salvador” da garota perdida, mas não é isso que acontece. Ele está ao seu lado e estende a ela sua mão, metafórica e literalmente, mas durante toda a trama cabe SEMPRE a Annabel rejeitar também seu silêncio e salvar a si mesma. A não pensar ou julgar: apenas escutar. E, claro, falar.

“Quando você realmente pensa sobre ela (…), a música é a grande unificadora. Uma força inacreditável. Algo que as pessoas que são diferentes em tudo podem ter em comum.”

As personagens secundárias também são muito bem trabalhadas, o que ajuda quem está lendo a se afeiçoar (ou não) a elas. Desde Sophie, que transforma a protagonista de aliada em “vagabunda” ao acreditar que ela ficou com seu namorado, passando pela extrema dupla de irmãs da garota que intensificam suas questões familiares ao expor e lidar com o peso dos transtornos alimentares até chegar em Mallory, irmã mais nova de Owen apaixonada por modelos que não só endeusa a nova amiga do irmão sem saber as dores de seu trabalho, mas também nos faz relembrar a complicada pré adolescência, onde tudo mais intenso e os ideais de vida tão irreais… Entre outros! A maioria merece muito cuidado e carinho, outros causam asco e arrepio, mas todos existem na nossa vida real por aí, não importando se para torna-la melhor ou terrivelmente pior.

Como se não bastasse isso tudo e o fato de que eu AMO um bom drama romântico jovem adulto, esse livro me apresentou minha música favorita do Led Zeppelin, que já gosto há tanto tempo que nem sei dizer quando comecei e está, inclusive, na trilha sonora do meu próprio livro. Em meio a artistas fictícios criados para a história e alguns da nossa vida real, “Thank You” é mencionada como a preferida de Owen da banda, conquistando consequentemente Annabel e a mim. Sugiro que você aí, caso decida ler esse livro, providencie para que ela esteja por perto para ser reproduzida nos momentos em que as personagens a escutam, a experiência vai ser ainda mais gostosa porque ela é, como ele mesmo diz, um pouco brega, mas também extremamente verdadeira. E, acrescento, linda!

Psiu! Pres’tenção! A Editora Seguinte também publicou o livro no Brasil em 2017, dessa vez sob o título de “Só Escute”. Como não tive acesso a essa edição, não sei se é semelhante ou não à da Farol Literário.

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