Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos *****
Autoria: Carol Borges e Filipe Remedios
Gênero: História em Quadrinhos, Romance
Ano: 2019
Número de páginas: 144p.
Editora: Independente
ISBN: 978.659.019.290-5
Sinopse: “A Batatinha Fantasma é um projeto de histórias em quadrinhos criado pelo casal de cartunistas Carol Borges e Filipe Remedios que retratam através de tirinhas as aventuras cotidianas da vida a dois! O livro tem 144 páginas com TODAS AS TIRINHAS DO PRIMEIRO ANO + TIRINHAS EXTRAS feitas exclusivamente para o livro!” (fonte)

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

No dia 27 de maio de 2018, na cama da amiga-cupida Fernanda, Carol e Remedios começaram oficialmente a namorar… E em 9 de julho do mesmo ano (véspera do meu aniversário!) fizeram a primeira publicação no Instagram Batatinha Fantasma, projeto onde contam de forma divertida, fofinha e bem mente aberta sobre seu cotidiano como casal, que lá no fundo pode ter um pouquinho de qualquer casal legal por aí… São narrações em quatro quadrinhos cada, tendo os dois como personagens principais em formato bem semelhante a o de uma batata, mesmo, mas ainda assim preservando lindamente suas características físicas.

O público foi crescendo (hoje com quase 100 mil seguidores), o projeto até fez aniversário, e no segundo semestre de 2019 eles lançaram uma campanha de financiamento coletivo no Catarse para seu primeiro livro! Nele constam todas as tirinhas do primeiro ano juntos e algumas exclusivas da publicação, coloridas em altíssima qualidade. Sendo bem sincera, não sei como ou quando comecei a acompanha-los, mas a campanha caiu na mesma época em que estava rolando a minha para publicar Wish You Were Here: Um Romance Musical, então eu estava cheia de amor no coração causado pelas contribuições que estavam chegando… Não aguentei, participei da deles como forma de devolver o carinho que vinha recebendo, ao mesmo tempo em que apoiava artistas nacionais que adoro nesse momento tão triste de pouquíssimo incentivo político na área.

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos
Folha de rosto autografada

Como planejado e anunciado por eles, o pacotinho chegou agora, na segunda quinzena de janeiro. O livro é LINDO, quadrado tamanho 20x20cm, capa em tom de amarelo mega vibrante (afinal são batatinhas, né?) e o miolo em papel pólen bold 90g/m², tem o toque super gostoso ao folear. A leitura é super rápida, principalmente pra mim que já tinha lido praticamente todas, mas causa risadas e aquele “quentinho” no coração ao ver os dois vivendo juntos de forma absolutamente normal, porque a normalidade merece mesmo ser enaltecida. Aqui e ali rolam também alguns textos mais sérios, como na época do “Ditadura Nunca Mais” e na Carol apreensiva esperando a confirmação de uma amiga que ainda não chegou em casa (abaixo), e isso faz com que eu goste do conteúdo ainda mais.

A campanha no Catarse deu muito certo, e ainda bem! Eles arrecadaram 160% da meta proposta, o que permitiu adicionar “extras” para os compradores de algumas recompensas selecionadas. Eu tinha escolhido o plano Batata Frita, onde além do livro físico autografado ainda receberei a versão digital em PDF e um kit de figurinhas para Whatsapp, mas quando acabou já tinham juntado grana o suficiente para mandar também adesivo e um print de arte exclusiva. Veio tudo embaladinho, com o maior cuidado e carinho do mundo… O tipo de coisa que vale a pena ter na parte mais bonita da estante (e, no caso do print, na parede, porque é CLARO que vou emoldurar)!

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos
Página 25
Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos
Página 101

A melhor parte de todas, porém, foi que o livro chegou aqui na hora certa. Eu tava super animada em participar do Desafio Leia Mulheres 2020, mas quando vi que logo pra janeiro a sugestão era uma HQ supus que não conseguiria desde o início… Acredita que HORA NENHUMA eu pensei nesse, que já estava comprado há meses, pronto pra chegar em casa e casando direitinho com a ocasião? Tô bem feliz com o início dessa “meta de ano novo” inesperada e tentarei fazer resenha de todos ao longo desses 12 meses. Vai ser ótimo principalmente porque nos últimos anos não li quase nada, então nesse pelo menos um por mês sei que vai rolar, e já abrindo com chave de ouro!

Para conhecer mais do trabalho dos dois vocês podem segui-los no Instagram não só no perfil @batatinhafantasma,que vai ganhar uma lojinha em breve onde todos poderão comprar o livro, mas também em @carolborgesart pra ver as ilustras da Carol, @caixadoremedios e @desenhosdoremedios onde o Remedios publica seus quadrinhos e desenhos, respectivamente.

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos
Batatinha no “andar” das artes da minha estante!
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Minha experiência na Amazon KDP (publicação, e-book e cópias físicas)

Amazon KDP: minha experiência

Comecei a escrever meu romance em 2009 e, de lá pra cá, foram 10 anos até enfim publicá-lo. É óbvio que eu, como todo autor – ou a maioria, pelo menos -, queria que isso acontecesse nas mãos de uma editora, com sessão de autógrafos numa livraria pra depois vê-lo em vitrines físicas e virtuais por todo o país, mas isso não aconteceu e cansei de esperar. É óbvio que sempre temos a opção de PAGAR para alguma realizar esse desejo, também, mas nem em um milhão de anos eu teria condições para isso, então num impulso que misturava a força de vontade com a necessidade de ver esse ciclo encerrado em julho decidi, definitivamente, entregar Wish You Were Here: Um Romance Musical (que, até então, nem esse subtítulo tinha) para o mundo através da Kindle Direct Publishing, a ferramenta de publicação de e-books independentes da Amazon.

Leia também: Wish You Were Here: Um Romance Musical, post com a toda a nossa história juntos, minha e do meu livro!

Comecei pedindo opinião para o querido Guto, aka Augusto Alvarenga, que tinha publicado seu “fica por aqui” dessa forma, também. Ele me deu algumas dicas e fui atrás de outras mais. Descobri no próprio site do KDP que poderia, depois, pedir cópias físicas deles mais barato para ter também nessa tão sonhada versão, que tinham tipos diferentes de monetização, entre outras coisas que me fizeram ir atrás de mais informação, dessa vez vinda de outros autores e o que encontrei foi um grande nada. Pois é, sem depoimentos reais para me orientar sobre o que esperar. Ainda assim persisti, fui na cara e na coragem e hoje venho com esse post publicar o que queria ter lido desde o começo, pra (quem sabe?) servir de referência pras pessoas que desejam fazer o mesmo que eu e tantos antes de mim. Eis um relato em três partes da minha experiência com a Amazon KDP: publicação, e-book e cópias do autor!

Amazon KDP: minha experiência
Wish You Were Here: Um Romance Musical como ebook

Publicando seu livro:

“Luly, quero publicar meu livro na Amazon, e agora?” Agora, minha gente, você só precisa dele pronto, porque o processo em si é MUITO simples, eu diria até arcaico. Sério mesmo, fiquei surpresa com o layout meio “década de 2000”, esperava um sistema muito mais tecnológico e complexo, sendo que na verdade não é nada disso. Mas não é por ser fácil de usar que não tenho dicas para dar…

Uma vez que o Kindle oferece opções de modelos e tamanhos de fonte, além de seleção de textos até para salvar seus trechos favoritos, o arquivo enviado deve ser o seu texto EDITÁVEL, ou seja, nada de PDF! Entre os formatos aceitos estão arquivos de Word (.doc, .docx) e de página para internet (.html). A paginação do e-book depende das preferências de quem lê, então ela não estará visível no resultado final, mas outros elementos sim, tornando pertinente apostar em quebras de página e títulos selecionados para delimitar capítulos e notas de rodapé, quando necessário, eles estarão presentes tanto no aparelho quanto nos aplicativos para celular e computador.

Por outro lado não serão consideradas fontes diferentes, então atenção nisso! Meus inícios de capítulo contém um elefante e as pausas notas musicais, ambos vindos de fontes diferentes, e eu tive que converter isso em imagem, uma vez que o KDP transformou tudo em uma letra normal. Aliás, falando em imagem, elas funcionam normalmente, viu? Em preto e branco, claro, mas com qualidade e nitidez. Os caracteres especiais inseridos ao longo do texto, como formas e símbolos por exemplo, também funcionam, quanto a isso tudo tranquilo.

Essa ferramente é dividida em três páginas no site. A primeira com informações sobre o livro, para colocar título, subtítulo (uma vez que meu título é em inglês escolhi um em português, por se tratar de uma loja internacional), sinopse, nome do autor, palavras chaves, categorias, entre outros. Preencha todos os campos que achar adequado com muita atenção, pois são eles que tornarão sua história uma busca certeira ao leitor quando for procurar por ela! A segunda página é para o conteúdo, onde é feito upload do arquivo de texto e da capa, que também pode ser feita na hora a partir de um “Criador de capas”, que não usei porque já tinha a minha, feita pela Mari, minha amiga. No final, após o fim do processamento, você pode pré-visualizar seu e-book para ver como vai ficar e até fazer download do arquivo .mobi para ler no seu ou outros aparelhos.

Vendendo o e-book:

E a terceira tela? Bom é nela que será definido o preço do e-book na loja Kindle! Eles te fornecem várias opções para que você opte pelo melhor: ONDE será comercializado (pode ser globalmente ou em territórios selecionados), quanto irá receber de royalties, o valor cobrado que deseja cobrar na moeda de sua preferência (e o próprio sistema gera conversão das outras baseado nisso!), se deseja permitir empréstimos entre usuários. Leia com bastante atenção essa parte e faça a venda com sabedoria! Não adianta querer cobrar muito por um conto curtinho e não faz sentido pechinchar numa produção didática, por exemplo, né? Se você não tiver noção alguma disso, como eu mesma não tinha, procure o valor de títulos semelhantes para se basear.

Depois existem duas opções: já publicar o e-book ou colocá-lo em pré-venda! Se optar pela segunda, a cobrança no cartão do leitor só chega no dia que ele é lançado e você ainda pode editar seu conteúdo até 72h antes da data escolhida. Aliás, minha dica pessoal aqui é ficar de olho no fuso horário do envio limite! Eu confundi e o pessoal que comprou antes recebeu uma versão que não era a final, com alguns erros bem chatos que até hoje não consegui enviar para eles a atualização, mesmo já tendo reenviado o livro corrigido. Essas pequenas coisas pegam a gente, às vezes, mas é errando (e chorando muito!) que se aprende, mesmo.

Amazon KDP: minha experiência
Versão impressa: livro com capa comum pedida como cópia do autor

Livro físico e cópias do autor:

Tá, o e-book é legal, mas se você REALMENTE quer ter seu livro físico nas mãos a Amazon também tem uma solução para isso: o livro de capa comum, que é impresso sob demanda do comprador. É uma edição BEM SIMPLES, com capa sem orelhas ou firulas do tipo, mas também possível de personalizar de algumas formas. Mais uma vez é enviado o arquivo editável, mas nesse caso ele vai ficar IGUALZINHO o que você criou, com paginação, elementos de topo de página e todas as coisas que já existiam na versão digital. Ele também tem um criador de capas, com opção de baixar o gabarito para montar manualmente em algum editor de imagem levando em consideração todas as medidas finais, como eu fiz, e ali mesmo é possível gerar ISBN e código de barras do seu volume. De fato é ter seu livro em mãos, com tudo o que tem direito, até opção de capa fosca ou brilhante, páginas brancas ou creme…

… mas nem tudo na vida é perfeito, né? A Amazon Brasil ainda não vende os livros de capa comum como esse, ou seja, para o usuário pedir um é preciso fazer isso em alguma loja internacional que fornece o serviço, o que com a conversão de moedas e frete pode sair bem caro… Por isso eles têm uma facilidade incrível chamada CÓPIAS DO AUTOR, onde você, que escreveu o livro, pode pedi-lo a preço de custo para fazer o que quiser, distribuir ou comercializar. E foi dessa forma que conseguimos ter meu “Wish You Were Here” à venda nesse formato!

É claro que, uma vez que permanece sendo um pedido fora do país, não é tããããão baratinho quanto pra quem já mora na gringa. Eu pessoalmente recomendo a Amazon Americana, que tem frete em conta e é pago em dólar, que além de mais barato que o euro é um valor que sempre temos uma noção de como está por ser muito divulgado. Eles te permitem encomendar até 999 unidades por pedido, e quanto maior o volume mais barato fica, uma vez que é cobrado taxa de frete fixo além do individual. Para conseguir realizar o pedido eu fiz uma campanha de financiamento coletivo que arrecadou, dentro e fora da plataforma escolhida, o suficiente para pedir 200 unidades, me permitindo fazer uma manhã de autógrafos (postarei sobre ela depois!) e ter um estoque aqui em casa pra continuar vendendo meu “filhotinho” ao vivo e pela internet.

Psiu! Prestenção! Não se esqueça que essa é uma compra internacional, hein? Leve sempre em consideração a conversão do valor da moeda na qual fará o pedido no dia em que for feito e, principalmente, o IOF cobrado pelo seu cartão de crédito. A Receita Federal do Brasil NÃO COBRA IMPOSTO SOBRE IMPRESSOS, mas a taxa do cartão vai chegar na sua fatura, sim!

Após enviar seu arquivo, aprovar a pré visualização e realizar o pedido, existe uma grande possibilidade de ele chegar um pouco antes do prazo de entrega e quase nunca chega depois. Mesmo para exportações a Amazon leva isso bem a sério! Realizei a compra dia 4 de setembro e ela foi enviada entre os dias 14 e 16, demorou por volta de 10 dias para impressão, embalagem, etc. O envio foi divido em 5 caixas, 2 delas chagaram no dia 19, quinta feira, e o restante dia 23, segunda. A previsão era que chegasse até dia 2 de outubro, ou seja, duas semanas antes disso eles já estavam aqui comigo, o que foi super importante uma vez que o lançamento estava marcado para o dia 5. Dos 200 exemplares, 2 vieram com a capa levemente amassada, então preferi não vender e fiquei com eles, mas todo o restante está perfeito.

No fim das contas, valeu a pena? Valeu e muito! Eu queria um livro publicado e foi isso que tive, com muuuuuita ajuda e um pouquinho de esforço. Se você tem grande ambições quanto à comercialização e até mesmo o resultado final das cópias físicas é preciso analisar com carinho pra ver se não será decepcionante, mas se o objetivo é ser lido, tanto no digital quanto no impresso, a Amazon tem essa possibilidade incrível e bem acessível para transformar o sonho em realidade!

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Mulheres Incríveis

Mulheres Incríveis

Mulheres Incríveis (Rad Women Worldwide) *****
Mulheres Incríveis Autoria: Kate Schatz | Perfis brasileiros por Jules de Faria, ilustrações de Miriam Klein Stahl e tradução Regiane Winarki
Gênero: Biografia
Ano: 2017
Número de páginas: 138p.
Editora: Astral Cultural
ISBN: 978.858.246.548-6
Sinopse: Feche seus olhos e pense numa pirata. Agora imagine uma espiã. Ou uma presidenta. Pense numa guerreira em ação. Uma grande pintora ou na maior jogadora de futebol de sua época. Estas são apenas algumas das mulheres incríveis que você encontrará neste livro. São 44 perfis de mulheres extraordinárias, numa coleção de histórias que começa em 430 antes de Cristo e alcança os dias de hoje. Da Mesopotâmia até a Antarctica, “Mulheres Incríveis” conta a história de vida de jovens e adultas transgressoras, que subverteram leis, lutaram por menos desigualdade entre gêneros e ajudaram a construir um futuro melhor para todos nós.” (fonte – capa e sinopse)

“Escolher escrever é rejeitar o silêncio.” – Chimamanda Ngozi Adichie

Comentários: Já faz dois anos que ganhei esse livro do meu querido Gil, num amigo oculto de natal que participamos juntos, e só agora parei pra recomendá-lo aqui, mas é uma recomendação “daquelas”! “Mulheres Incríveis” é um livro que se vocês puder ler e ter, leia e tenha! São 40 mulheres (44 na versão brasileira) de 30 países diferentes, listadas por se destacarem seja qual for sua área de atuação, ativismo e luta antes mesmo da existência da expressão “feminista”. Atletas, cientistas, artistas, realeza, pesquisadoras, mães com esperança de um dia encontrarem seus filhos perdidos… Todas ganham um pouquinho de notoriedade nessas páginas encabeçadas por um citação provenientes das mesmas e diagramadas de forma LINDA, colorida e especial, com direito a capa dura e falso cabeceado, tudo pensado para te impressionar e, claro, emocionar demais! Eu, manteiga derretida como sou, cheguei ao final de absolutamente TODAS as histórias cheia de lágrimas no rosto, mesmo naquelas (poucas, confesso) que já conhecia.

Mulheres Incríveis
Foto feita dois anos atrás, para um look de natal!

Como educadora, os livros da Kate focam bastante no empoderamento de meninas, para que as próximas gerações de mulheres tenham em quem se inspirar para chegar onde quiserem. Por esse motivo a leitura é muito fácil, fluída e até didática, o que a torna bastante inclusiva. A pesquisa é acadêmica, mas o público alvo vai desde crianças e sem limite de idade, porque ser simples não a torna medíocre de forma alguma! Os dados e informações estão presentes, só não são expostos de maneira rebuscada, sabe? Pro público adulto isso é bem legal também, porque o número de culturas apresentadas é bem variado e você é apresentada a elas a todo momento, absorvendo conhecimento sem sentir o “peso” dele (como muitas vezes acontece em artigos acadêmicos, por exemplo).

O livro é também COMPLETAMENTE ilustrado: todas as personalidades têm uma caricatura minimalista formada de luz e sombra, feitas pela artista Miriam Klein Stahl que, assim como a autora, é educadora e ativista feminista. É muito legal porque mesmo com poucos traços, nada delicados, é fácil visualizar direitinho a aparência da pessoa retratada e, em alguns casos, até o ambiente onde ela estava inserida. Uma parceira bacana demais, já que ela também ilustrou outros livros da autora que seguem a mesma temática… Aquela história de incentivo da parceria entre mulheres colocado na prática, além de discursos, bonito e necessário.

Mulheres Incríveis

Leia Também: Tina: Respeito, resenha da HQ da Fefe Torquato para o selo Grapihc MSP que tem como tema principal assédio no trabalho.

Pra mim, pessoalmente, foi uma boa fonte de nomes de artistas para o Vênus em Arte, meu canal sobre visibilidade feminina na história das artes plásticas. Ele tá parado? Tá. Mas uma hora vai ter que voltar? Vai! Descobri mais sobre as Guerrilla Girls dos Estados Unidos, grupo contemporâneo que busca igualdade de gênero nos museus americanos, conheci a Bastardilla, uma pintora de rua colombiana anônima e, claro, revi a história de Frida Kahlo que já sei de cor… Frida é, inclusive, quem está em maior destaque na capa. Apesar de eu problematizar essa atual super exposição dela (isso rendeu um vídeo, gente), pra mim é o tipo de lugar onde faz total sentido vê-la estampando.

“Eu acho que a mulher do fim do mundo é aquela que busca, é aquela que grita, que reivindica, que sempre fica de pé. No fim, eu sou essa mulher.” – Elza Soares
Mulheres Incríveis
Chimamanda Nogozi Adichie (Nigéria), páginas 42 e 43

A edição “original” norte americana de Mulheres Incríveis já conta com uma brasileira, a artilheira Marta, mas nossa tradução tem outros quatro perfis adicionais escritos por Jules de Faria, fundadora da ONG Think Olga. A escrita dela é um pouco diferente do da autora, um pouco menos didática e mais jornalística, mas de forma alguma isso é um ponto negativo. Mesmo com a diferença ficou tudo bem integrado, como um conjunto: Elza Soares (cantora), Débora Diniz (antropóloga, professora e pesquisadora), Maria da Penha (farmacêutica) e Sônia Guajajara (líder indígena), todas com o nome de Jules sinalizado e um asterisco em baixo, informando onde o texto foi publicado originalmente.

No final do livro, após os artigos, tem uma listagem com outros 250 nomes, 4 deles também do Brasil, de mais mulheres que merecem ser conhecidas ao redor do mundo, também variadas no que diz respeito à época e ocupação. Entre elas estão, por exemplo, Winnie Mandela, Princesa Isabel e Lili Elbe, organizadas em ordem alfabética primeiro por país e depois pelo primeiro nome. Como existe uma breve descrição em baixo, apenas pontuando as atividades de cada, é também uma fonte interessante de referências para quem tem foco ou vontade de estudar trabalhos femininos em áreas específicas.

Mulheres Incríveis
Maria da Penha (Brasil), por Jules de Faria, páginas 56 e 57

Conheça mais da Kate Schatz, ativista feminista americana e educadora, no site da autora, Twitter e Facebook. Ela tem também um site para o projeto Rad Women, que além desse, com mulheres do mundo todo, tem livros específicos sobre americanas, meninas mais novas e afins, nele constam informações não só das publicações mas também visitas em escolas e outros eventos.

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Tina: Respeito | Graphic MSP 24

Tina: Respeito

Tina: Respeito (Graphic MSP #24) *****
Tina: Respeito Autora/Ilustradora: Fefê Torquato
Gênero: História em Quadrinhos, Jovem Adulto
Ano: 2019
Número de páginas: 98p.
Editora: Panini
ISBN: 978.854.262.326-0
Sinopse: Jornalista recém-formada, Tina finalmente realiza o sonho de trabalhar em uma redação. Ela só não esperava que seu maior desafio fosse ser pessoal, e não profissional. Em ‘Respeito’, Fefê Torquato usa a clássica personagem de Mauricio de Sousa para expor um problema que mulheres enfrentam dia a dia, e precisa acabar: o assédio.” (fonte – capa e sinopse)

“Mas meu sonho sempre foi trabalhar no centro nervoso da informação, numa redação de verdade, não no meu sofá usando pijama…”

Comentários: A 24ª graphic novel lançada pelo selo Grapich MSP da Maurício de Sousa Produções, que faz releituras autorais sempre muito sensíveis das mais diversas personagens da Turma da Mônica, foi lançada oficialmente na última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, entre o fim de agosto e início de setembro desse ano, e já gerou burburinhos desde início por causa da sua temática principal: assédio no trabalho! Enquanto parte das pessoas considera esse tipo de problema “mimimi” ou acha que falar disso é prova de que “o mundo tá chato”, muito vêem a importância absurda de um assunto desses sendo retratado em uma mídia de visibilidade tão grande como essa, já que as história da Maurício de Sousa fazem parte da cultura brasileira há muitas décadas. Eu, logicamente, faço parte do segundo grupo e fiquei muito feliz em ver minha personagem favorita desse universo encarregada dessa missão.

Autora de uma newsletter com quase 100 mil assinantes e recém formada em Jornalismo, “Cristina Lima e Sousa”, mais conhecida como Tina, está começando seu primeiro emprego de verdade em uma redação no Jornal Mundo Hoje como repórter. Aos 22 anos, ela enfrenta os desafios de ser uma jovem adulta tendo que se manter sozinha após sair da casa dos pais, seja pra pagar as contas em dia ou superar os medos diários com os quais convivemos ao ser mulher. Ela tenta de todo modo se sair bem nessa nova oportunidade de trabalho e se enturmar com os colegas, tudo parece estar indo bem até que uma reunião privada a leva direto para as estatísticas de mulheres que sofrem assédio em ambiente de trabalho…

A leveza ímpar da aquarela contrastou brusca e lindamente com todos os temas pesados abordados nessa história roteirizada e ilustrada por Fefê Torquato. Assédio é só a base de uma pirâmide de tristes realidades onde a vida imita diariamente essa arte: machismo, racismo, homofobia, gordofobia, todos apresentados de forma tão natural quanto, infelizmente, acontecem na real. Como uma pessoa que cresceu lendo as revistinhas que originaram esse livro é bom demais ver esse mundo lidando com questões importantes, se atualizando de verdade, mesmo que lentamente, pro mundo contemporâneo. O famoso “tapa de luva de pelica” nos que dizem que tradições não podem ser mudadas, que algo é velho demais para se modernizar… Taí a prova de que sempre dá pra melhorar!

Detalhes: Páginas 24 e 25
“Cara, medo cê não perde nunca, só se acostuma com ele, fazer o quê? Ser mulher é querer estudar, trabalhar, pô, viver a vida! É ser obrigada a encarar esse medo.”

Tina como personagem está mais forte do que nunca, e ainda assim não destoa da boa e velha menina da nossa infância. Afinal ela SEMPRE foi uma garota de atitude, né? Se vestia da maneira que gostava, saía com os caras que a atraíam, mantinha uma amizade com nenhum interesse a mais com Rolo, que nessa apareceu já como professor, dando aulas para adolescentes e fazendo “bicos” de fotografia. Além dele temos a melhor amiga e “fiel escudeira” Pipa, agora dona de sua própria loja virtual de moda plus size! Sabe aquele fan service BEM FEITO, adequado, condizente, apaixonante? “Respeito” ganha nota máxima nisso também!

Leia Também: Turma da Mônica: Laços, resenha do live action adaptado na 2ª e mais famosa edição do selo Graphic MSP, de mesmo título.

Tina: Respeito
Detalhes: Processo de produção

Além da história, o livro conta também com detalhes do processo de produção, desde uma planta do apartamento da protagonista até fotos da mesa de trabalho da autora, além de uma descrição de como foi todo esse trajeto. Depois, a sessão “A Tina de Maurício de Sousa” mostra como a personagem nasceu na década de 70 e mudou bruscamente de lá pra cá, sempre mantendo uma essência aqui e outra ali. Existe, inclusive, uma homenagem à sua primeira versão hippie em um dos quadrinhos, em que ela aparece como um retrato de sua mãe quando jovem. Essas informações são tão ricas e gostosas de ler quanto a história em si, principalmente se você já é fã da personagem como eu.

Um jeito lindo de falar de algo tão feio, discussões sobre o fato de que a culpa nunca é da vítima, exemplo de posicionamento e uma dica na folha de guarda traseira que nos faz ter esperança de uma continuação (eu quero!!!) tornam essa uma obra completa, belíssima no visual e extremamente pertinente no conteúdo. Tina: Respeito está disponível na versão brochura pros que precisam economizar e também em capa dura para quem não se importa em (ou pode) gastar um pouco mais e ter uma edição ainda mais bonita na estante. Seja qual a opção escolhida, não importa, vale a pena ter esse trabalho sobre e feito por mulheres incríveis, como muitas que temos por aí.

Tina: Respeito
Achei a Lulynha, minha Barbie “mini me”, a cara dessa publicação, então ficou de “participação especial” nas fotos!

Conheça mais da Fefê Torquato, que tem 35 anos e mora em Curitiba, no Instagram, Twitter e Youtube. Ela também é autora do quadrinho Gata Garota, publicado pela Editora Nemo, parte do Grupo Editorial Autêntica.

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fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania *****
fica por aqui: Uma história de Vento Ventania Autor: Augusto Alvarenga
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto
Ano: 2018
Número de páginas: 98p.
Editora: P.S.: Edições
ISBN: 978.658.077.703-7
Sinopse: “O fim do caminho às vezes é um recomeço. É assim que a vida surpreende Murilo. Prestes a abrir mão de si mesmo, ele se sente desamparado e lidando com problemas que parecem pesados demais para continuar carregando. No topo de uma ponte, ele está no ponto emocional mais baixo que poderia alcançar, quando a rotina de Leandro resolve desviar o rumo e colocar os dois no mesmo trilho. Percebendo a importância de ser presente, Leandro resolve mostrar caminhos alternativos para qualquer destino, tentando despertar em Murilo a esperança de dias melhores, possibilidades e a certeza de uma ajuda brilhante em qualquer céu nublado.” (fonte – capa e sinopse)

“Talvez eu me sinta quase sempre assim, cercado por coisas demais e sem conseguir chegar a um lugar onde eu me sinta bem.”

Comentários: Cinco anos atrás, na véspera do segunda turno das eleições presidenciais, Augusto Alvarenga lançou seu primeiro livro, “Um Amor, Um Café e Nova York”. Foi nesse dia que eu conquistei o coração da “mamãe Alvarenga” por ter chorado HORRORES da hora que vi a foto dele na orelha do livro até o abraço compartilhado após o autógrafo recebido (tem foto aqui!). No ano seguinte, lançamento da continuação, mais lágrimas. Mas, sabe, é difícil não chorar quando você tem o sonho de publicar um livro – agora enfim realizado – e vê um amigo com o mesmo sonho conseguindo isso, principalmente uma completa manteiga derretida como eu!

Um spin off do próximo lançamento do autor, previsto para o ano que vem, fica por aqui se passa na ilha fictícia de Vento Ventania, onde Murilo vive. Aluno da UFVV – Universidade Federal de Vento Ventania, o rapaz sofre de depressão há muitos anos e está prestes a desistir da própria vida quando Leandro, aluno de outro curso na mesma faculdade que sequer conhece, cruza seu caminho, o impedindo de fazer isso sem nem saber o quão certeiro foi o momento em que a vida os colocou no mesmo local, na mesma hora. Os dois iniciam então, meio sem perceber, uma breve jornada rumo ao entendimento da luta contra suicídio através da descoberta do Setembro Amarelo.

De acordo com o Guto, a ideia veio no final de agosto de 2018, quando uma notícia de suicídio ocorrido no Viaduto Santa Tereza, aqui em Belo Horizonte, parou a cidade, literalmente, uma vez que tanto o trânsito da região central quanto a linha de metrô foram comprometidos. Ele ficou pensando, então, sobre o assunto e, vendo o mês de prevenção contra a prática se aproximar, resolveu reescrever aquela história do seu jeito, com outras pessoas, mas dando a ela o final não trágico que merecia ter. O conto foi publicado como ebook na Amazon no mês seguinte, propositalmente, e agora ganhou sua versão física, levemente estendida, mais uma vez como parte desse alerta. O título não se refere apenas a Murilo, e sim a toda pessoa que, por causa de transtornos mentais, cogita ou já cogitou desistir.

Como alguém que o acompanha desde o começo, ou mesmo antes disso, é IMPOSSÍVEL deixar de destacar o quanto sua escrita amadureceu. É claro, meia década se passou desde o primeiro romance publicado, o amadurecimento é esperado, mas nesse caso foi positivamente gritante. A ´trama não é nada leve, mas flui de maneira gostosa, tem seus momentos que soam como poesia, mas sempre de fácil entendimento. É crível, pode estar acontecendo agora mesmo. Apesar da narrativa curta, em 90 páginas, as personagens têm personalidade e falam sobre seus gostos e costume casualmente, como em uma conversa qualquer que temos no nosso cotidiano, mesmo.

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Como aspecto “negativo”, se podemos dizer assim, tem fato de que o enredo é tão rápido que a gente sente falta de um desfecho mais elaborado. Ele termina causando MUITA curiosidade no que aconteceu dali pra frente, mas isso na verdade não importa, porque a mensagem principal é passada: você não está sozinho, você pode conseguir apoio. Ele não romantiza hora nenhuma a depressão, mas aponta, através dessa dupla fictícia, onde é possível ao leitor ter ajuda contra esse e outros transtornos mentais na vida real, seja para si próprio ou para alguém próximo que precisa.

“Eu não sei quando começou. É muito difícil saber… Ela vem devagar. Ela vai te anulando aos poucos.”

Um aspecto maravilhoso e maior diferencial de todos os livros do autor é, definitivamente, a diagramação. O livro é todo lindo, desde a arte da capa até páginas de troca de mensagem, informações nas bordas e um detalhe pequeno, mas que deixa ainda mais tocante: a diferenciação das duas narrações através de ícones de nuvem, nublado para Murilo e com o Sol saindo para Leandro. Faz todo sentido dentro do contexto! Ele também tem uma playlist no Spotify fácil de achar, só buscar pelo título, com todas as músicas que fazer parte do percurso, direta ou indiretamente. Os detalhes são todos em preto e amarelo, pra destacar bem o fato de ser uma publicação focada numa campanha que tem essa última como cor característica, apenas com um roxo aqui e outro ali criando contraste lindo típico da união de tons complementares…

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Conheça mais do Augusto no Instagram @instaguto, Twitter @tuiteguto e perfil de autor Skoob. Você pode adquirir o “fica por aqui” como eBook na Amazon Kindle e na versão física direto com o autor. Ele também já publicou, além da trilogia “Um Amor, Um Café e Nova York”, os romances “1 + 1: A Matemática do Amor” junto com Vinicius Grossos, “As Luzes Mais Brilhantes”, e participou de duas antologias com outros escritores. Que venha o próximo!

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