Lookbook: Vênus em Arte

Lookbook: Vênus em Arte

Olha, eu vou confessar que não sou exatamente uma referência quando o assunto é atualizar meu perfil do Lookbook, não… Muito pelo contrário, sempre protelo a hora de tirar foto e acabo nem tirando, e é triste porque eu queria ter esse registro, sabe? Acho legal pra rever e lembrar o que gosto ou não. Quando estourou a pandemia, porém, tive certeza absoluta que esse ano não teria mais look NENHUM, porque sempre tive os pés bem no chão sobre quanto tempo isso tudo ia durar. Acabou que rolou um logo depois do meu aniversário, data especial, né, e cá estou, com mais um, me provando errada de novo. Ainda bem!

Nesse caso não foi nem ocasião especial, nem nada, e sim um jeito bonitinho de estrear minha nova blusa da Renner que é TÃO a minha cara que foi indicação da Re, que me mandou foto quando a viu em uma loja. Veja bem, ela 01) retrata uma obra de arte super famosa, 02) adapta pra um perfil de redes sociais que é uma temática super inserida no meu dia a dia, 03) é divertida por fazer essa junção, e 04) não é uma obra qualquer, e sim a minha DEUSA FAVORITA, Vênus (Afrodite, pros gregos), em sua versão mais icônica do Botticelli. Se tudo isso não for motivo suficiente vamos lembrando aqui que eu tenho um canal e podcast chamado Vênus em Arte, onde falo sobre mulheres artistas, sabe? Sim, nascemos uma pra outra!

Lookbook: Vênus em Arte (trio de fotos fazendo pose)
Óculos: Carmim | Blusa: Renner | Calça: Miller Deluxe | Tênis: Converse All Star

Logo que a blusa chegou tirei uma nova foto de perfil pro Vênus em Arte com ela que ficou um xuxu, mas tava muuuuito calor e assim que fiquei satisfeita com alguma coisa troquei de roupa rapidinho e nem aproveitei toda a produção. Uns dias depois, porém, tava me sentindo bonita e achei que merecia ficar arrumadinha só pra trabalhar dentro de casa, mesmo. O calor persistia? Sim, com força! Mas se eu for parar de usar minhas roupas pretas por causa disso, gente, não vou vestir mais nada, então eu simplesmente aguento. Preto é lindo, eu gosto, fazer o que, né?

Percebi nos últimos 2 anos, mais ou menos, que a vida acadêmica traz All Stars de volta pro meu coração. Logo que entrei na faculdade, mais de 12 anos atrás, passei algum tempo “acumulando” vários deles, mas perto da formatura eles foram sendo cada vez mais substituídos pelas sapatilhas, que ainda gosto bastante. O tempo foi passando, achei que isso não faria mais parte do meu cotidiano, até que decidi voltar a estudar com pós (que acaba esse mês!), mestrado (que ainda não entrei) e outros cursos… Pronto, virei aloka da Converse de novo! Somei isso à calça jeans de lavagem escura e cintura alta, já que FINALMENTE tô conseguindo limpar meu guarda roupas da maldita cintura baixa que sempre odiei… Precisa de algo mais? Essa combinação é 100% eu!

Lookbook: Vênus em Arte (foto sentada)

Porém, mesmo sendo tão condizente com meu estilo, não achei que ia gostar TANTO das fotos quanto gostei. Até as que a cara saiu meio de antipática, pela correria de improvisar pose antes do tempo do timer acabar, achei que ficaram legais e quis colocar em tudo quanto é rede social (que nem essa aí em baixo). É tão raro a gente ficar satisfeita assim quando o assunto é auto imagem, né? Eu sou super dessas que precisa de 50 fotos pra gostar de uma, é raro tirar poucas e amar várias. Acho que o cabelo rosa, que tava retocadinho nesse dia, tem me ajudado muito nisso, mesmo estando há quase 3 meses assim ainda acordo às vezes olhando pros fios como se eles fossem a coisa mais linda do mundo, capazes de trazer cor pra mim não só por fora, mas principalmente por dentro!

Logo antes de tirar essas dessas fotos rolou pela primeira vez no meu Instagram um desses “challenge” de maquiagem, uma coisa que até acho legal de ver mas num sou muito de aderir… Não é meu foco pra produzir, acho MUITO difícil gostar das alternativas de transição, então sinceramente nem faço. Nessa manhã, porém, acordei com a abertura d’As Meninas Super Poderosas na cabeça e fiquei tentando pensar em como fazer uma maquiagem só com 4 produtos pra usar cada um deles como os ingredientes usados na criação delas, mas não consegui DE JEITO NENHUM escolher entre meus 5 “essenciais”. Usei então dois deles como solução pro “Elemento X”, editei o áudio do jeito que queria e AMEI! Sério, assisti em loop que nem uma idiota, hahahaha! Acho que se for assim, pra misturar com cultura pop e outras artes posso pensar em mais, sim!

Lookbook: Vênus em Arte (detalhe da cintura pra cima)
Base At Play Mary Kay cor Very Light | Contorno Hoola da Benefit | Paleta Sugar Peach da Too Faced (usada para blush, sombra e iluminador) | Máscara de cílios I (love) Extreme da Essence (usada também nas sobrancelhas) | Batom líquido matte Bruna da Linha Bruna Tavares (usado também como delineador).
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5 artistas (negras) do Renascimento do Harlem que você precisa conhecer!

Mulheres do Renascimento do Harlem

Na primeira terça feira de junho as redes sociais foram tomadas pela #blackouttuesday, que tinha como objetivo principal mostrar solidariedade à causa anti racista deixando de publicar trabalhos por um dia, dando espaço às produções de pessoas negras. Muita gente apenas postou quadrados pretos como forma de manifestar apoio, mas eu, pessoalmente, não consegui enxergar bem como aquilo poderia mostrar realmente contribuir pras discussões. Não renegando quem o fez, claro, acho o posicionamento importante, mas vi a opinião de quem realmente importava sobre o que estava acontecendo e muitos de fato afirmavam o que apenas assumi. Decidi, então, contribuir do meu jeito, como educadora de artes no Vênus em Arte, produzindo vídeos sobre artistas plásticas pretas, já que até então não tinha falado sobre nenhuma por lá. E foi pesquisando sobre elas, tentando achar um foco para essa produção ficar bem bacana, que descobri o Renascimento do Harlem!

O Renascimento do Harlem, também conhecido como “Novo Movimento Negro” entre as décadas de 1920 e 30, aconteceu no bairro de mesmo nome, em Nova York, onde ao migrar para o Norte dos EUA a população afro-americana se instalou e começou a manifestar de forma artística e intelectual. O movimento era progressista, socialista e visava a integração dos negros no país, primordial para sua luta por direitos civis que só foram conquistados em 1966. É muito característico dele a valorização dos traços e cultura dessa sociedade tão marginalizada à época (e, cá entre nós, ainda hoje), usando suas características físicas como ideal de belo, cores vibrantes para integrar obras e ativismo político nas temáticas das produções, que passavam também por música, teatro, dança, sociologia, filosofia e outros tipos de manifestações culturais e acadêmicas.

Eu me vi ali completamente apaixonada por algo que NUNCA tinha estudado antes. O Harlem era para mim, até então, o bairro do Luke Cage, herói da Marvel, e nada mais. Em quatro anos de estudo formal de história da arte, dois na escola e os outros já na faculdade, uma pós graduação em Ensino de Artes e mais de um ano produzindo conteúdo sobre eu nunca tinha sequer ouvido falar ou lido por alto sobre! Uma coisa incrível sobre o movimento é que, por já se tratar de uma minoria política, as pessoas ali envolvidas eram menos sexistas que o tradicional, então uma característica forte dele é a valorização da mulher preta, mesmo. Conheci e estudei cinco delas (mais um patrona de artes, A’Lelia Walker), e espero que vocês gostem de descobri-las agora tanto quanto amei à época, e sigo amando!

01) Laura Wheeler Waring:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Laura Wheeler Waring

Laura Wheeler Waring, nascida no estado de Connecticut, dava aula de artes e música desde os 19 anos, enquanto estudava na Academia de Belas Artes da Pensilvânia. Após se formar passou um período pré I Guerra Mundial estudando no Louvre, conheceu e se inspirou nos principais pintores Impressionistas lá expostos. De volta ao seu país natal se tornou a cabeça das cadeiras que já lecionava, tornando-se responsável por elas por 30 anos. Casou-se com Walter E. Waring em 1927 e, no mesmo ano, participou da 1° Exibição de Arte Afro-Americana, onde recebeu uma encomenda da fundação responsável de retratos de pessoas negras, escolhendo representar seu colegas integrantes do Renascimento do Harlem, mesmo que não vivesse perto deles em Nova York. Morreu aos 60 anos após uma longa doença. Em 1997, 110 anos após seu nascimento, entrou para o Hall da Fama de Mulheres de Connecticut.

Obras em destaque: Mulher Com Buquê (1940), Retrato de Jessie Redmon Fauset (1945) e Anna Washington Derry (1927). Aprenda mais sobre a Laura!

Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

02) Augusta Savage:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Augusta Savage

Nasceu em 1892, na Flórida e desde criança brincava de modelar com argila, para horror do pai que considerava a atividade pecaminosa. Começou a dar aula na escola em que estudava na adolescência, indo estudar arte em Nova York aos 29 anos, após casar-se duas vezes (ficou viúva do primeiro) e ter sua filha, Irene. Despertava comoção nas pessoas por não conseguir arcar com seus estudos mesmo com tanta habilidade, o que resultou em movimentações para ajuda-la a custear sua estadia na cidade, principalmente após fazer bustos de membros do Renascimento do Harlem. Passou 2 anos estudando em Paris, sendo a primeira negra a entrar para a Associação Nacional de Mulheres Pintoras e Escultoras após voltar. Sua obra “A Harpa” foi o grande destaque na Feira Mundial de Nova York em 1939. Por não conseguir se manter como artista, mudou-se para fazenda e morreu aos 70 anos, em NY.

Obras em destaque: Cabeça de John Henry (1940), A Harpa (1939) e Garoto Com Coelho (1928). Aprenda mais sobre a Augusta!

03) Meta Vaux Warrick Fuller:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Meta Vaux Warrick Fuller

Natural da Filadélfia em junho de 1877, filha de um casal de posição social relativamente privilegiada para afro-americanos da época. Começou a esculpir no Museu e Escola de Arte Industrial da Pensilvânia, produzindo fora do estereótipo esperado de uma mulher com temáticas de horror e mais dramáticas. Foi estudar em Paris, se tornando protegida de Auguste Rodin e conseguiu um patrocínio que a permitiu participar do Salão de Paris, até voltar para os Estados Unidos. Casou-se com um dos primeiros psiquiatras pretos do país, dando aulas nos fundos da casa dos dois. Na década de 1920 participou da America’s Making Exibition, representando imigrantes da Etiópia. Morreu em 1968 aos 90 anos, produzindo até a mesma década.

Obras em destaque: Mary Turner (1919), Os Miseráveis (1902) e O Despertar da Etiópia (1910). Aprenda mais sobre a Meta!

04) Elizabeth Catlett:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Elizabeth Catlett

Neta de escravos libertos dos dois lados, Elizabeth Catlett estudou arte na escola, graduou-se com louvor na Howard University, onde foi aluna de Lois Mailou Jones. Foi a 1ª mulher afro-americana a fazer mestrado na Universidade de Iowa, ensinando em vários lugares dos Estados Unidos. Sua primeira ida ao México em 1946, lugar com o qual teve forte identificação por casar com o teor ativista de seu trabalho. Fazia impressões para causas de esquerda em prol da educação para o Partido Comunista, do qual seu 2º marido, Francisco Mora, fazia parte, renunciando à cidadania americana para passar a viver lá em tempo integral. Deu aula na Escuela Nacional de Belas Artes até se aposentar, recebeu inúmeros prêmios nos dois países e foi considerada a principal artista negra de sua geração. Morreu em 2012, 10 anos depois de Mora, com quem teve três filhos.

Obras em destaque: Mãe e Criança (1939), Estudantes Aspiram (1977) e Meeiro (1952/1970). Aprenda mais sobre a Elizabeth!

05) Lois Mailou Jones:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Lois Mailou Jones

Lois Mailou Jones, filha do 1º afro-americano advogado da Suffolk Law School, que junto com sua mãe a incentivava bastante. Após alguns anos de estudo formal em nível superior sua carreira começou oficialmente em 1930 e seu estilo mudou bastante ao longo dos anos, muito por causa do fato de que nunca parou de estudar e mesmo ensinar em múltiplas áreas: foi responsável pelo departamento de arte de uma escola preparatória tradicional para negros na Carolina do Norte e sua mentoria apoiou a arte afro-americana do Harlem, onde também recebeu muita influência, inclusive para sua obra prima “A Ascensão da Etiópia”. Estudou também em Paris, onde foi muito aceita, casou com o haitiano Louis Pierre Noel e seguiu incentivando a arte feita por negros não só nesses três países, mas também outros pontos da África, tendo obras na Casa Branca, compradas pelos Clinton. Morreu aos 92 anos, em 1998.

Obras em destaque: Juventude Negra (1929), Ascensão da Etiópia (1932) e Jennie (1943). Aprenda mais sobre a Lois!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do Renascimento do Harlem?

Esse post faz parte do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina pra história da arte! A série sobre as mulheres do Renascimento do Harlem foi um especial em homenagem ao #BlackLivesMatter (Vidas Negras Importam), cumprindo o objetivo de abrir nosso espaço para expor o trabalho de pessoas pretas que merecem mais visibilidade e nem sempre a conquistam por causa do racismo estrutural da nossa sociedade. Para conhecer mais sobre o movimento e seu contexto vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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#TBTCultural: Narrativas Femininas – Sou aquilo que não foi ainda

Narrativas Femininas

Hora de dar um “Hello, hello, pessoal” para mais um #TBTCultural, dessa vez MUITO especial! Durante quatro meses, e com fechamento no último Dia Internacional da Mulher, a Fundação Clóvis Salgado, carinhosamente conhecida como “Palácio das Artes”, exibiu nas suas galerias de entrada franca a mostra Narrativas Femininas – Sou aquilo que não foi ainda, a 5ª Edição do Programa ARTEMINAS, que tem como objetivo apresentar artistas de Minas Gerais com o divulgando seus trabalhos para o grande público, buscando representatividade ao fazê-lo. Nessa exposição os focos foram artistas mulheres de diversos tipos, quatro grupos divididos em cinco galerias, cada uma focando num modo de produzir.

Visitei a exposição na última semana que ficou em cartaz como parte do curso livre oferecido pelo Centro de Formação Artística e Tecnológica – CEFART, que funciona dentro do Palácio, chamado Conceitos e Materialidades: Narrativas Femininas. Nele visitamos e debatemos sobre o que as artistas ofereceram, sobre como o ser feminino foi apresentado de modo diferente por cada uma delas no primeiro dia, e produzindo nossa própria narrativa no segundo (no meu caso, uma colagem). E, claro, foi mais um caso em que registrei algumas coisas pensando em produzir conteúdo e acabei negligenciando, mas tudo bem porque isso tem sido incrível para matar as saudades de museus na quarentena através dessas retrospectivas.

EFÊMERA:

No pátio externo do Palácio, sem necessidade de entrar nas salas fechadas, está a Galeria Aberta Amilcar de Castro, onde são expostos grafites que, ao fim da exposição, são cobertos para que os próximos entrem no lugar. A arte urbana é Efêmera, e não podiam ter escolhido nome mais adequado para essa parte da mostra que esse. Ao invés de pensar com pena por saber que as obras “deixarão de existir” em breve o objetivo é aproveita-as ao máximo, apreciando como elas se compõe ao cenário local ao redor de portas, canos e lixeiras, por exemplo. Para alguns passa até batido, como se nem fosse parte de algo do tipo, mais são. Uma lição sobre reparar mais ao nosso redor e saber deixar ir, quando chegar a hora.

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: Artêmis Garrido, Isabel Saraiva, Maria Clara Cheib e Mona (Amanda Vilaça).

Psiu! Pres’tenção! Por estar participando de um curso durante minha vista, estava mais focada nas discussões que estavam acontecendo do que no que produziria com ela depois. Por isso, e já me desculpo, não anotei nome de nenhum obra e nem autoria, então passo aqui uma lista completa das artistas de cada categoria para você vocês possam conhecer todas!

HÍBRIDA:

Materiais, formatos e discursos diferentes passam uma mesma mensagem com sua mesma bagagem. Híbrida, exposta nas Galerias Genesco Murta e Alinda Corrêa Lima, é arte contemporânea, sim, com todo embasamento teórico erudita presente por trás. Elas mostram ali o feminino físico, seja por esteriótipos de gênero, todos bem trabalhos e pertinentes, ou mesmo pelo fator biológico, explorando largamente a vulva e outras parte do aparelho reprodutor de uma fêmea humana. É um misto do trabalhado com o simples, do visual arcaico com o cristalino. Talvez o momento onde o fato da produção ser feminina está mais explícito pelo seu apelo físico e escancarado do corpo da mulher.

ATENÇÃO! ATENÇÃO! As obras a seguir podem apresentar conteúdo sexual!

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: Carolina Botura, Giulia Puntel e Julia Panadés.

Assim, Como Acontece:

Por fim, do outro lado do pátio, que dá vista para o Parque Municipal, na Galeria Mari’Stella Tristão, o artesanato tomava conta das Narrativas Femininas em Assim, Como Acontece. Nessa parte grupos de bordadeiras e outras artistas trazem o aspecto cultural, nos mais diversos papéis que esperam de nós socialmente no local de onde cada uma delas vêm. É interessante pensar que, talvez, não seja tão óbvio que algumas daquelas obras são feitas por mulheres como na anterior, mas provavelmente para quem vive o mesmo contexto é, sim. E será que para essas pessoas, que têm um fazer artístico tão diferente e pessoal, as outras visões não deixam de ser óbvias também? Será que ser mulher não é diferente em todos os lugares, apesar de igualmente uma luta constante, como diz o poema de Teresinha Soares que dá o subtítulo “Sou aquilo que não foi ainda”?

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: As Bordadeiras do Curtume, Coletivo de Bordadeiras e Vila Mariquinhas, Ana do Baú, Cássia Macieira, Dida, Enedina Gonçalves, Eva, Geralda Batista dos Santos, (Dona) Irene Gomes da Silva, Ivanete, (Dona) Izabel Mendes da Cunha, Maria de Lourdes, Maria Lira, Noemia Batista dos Santos, Rosana Pereira, Vicentina Julião, Zefa e Zezinha

Com curadoria de Uiara Azevedo e Marci Silva, a exposição estava presente também na Galeria Pedro Moraleida com o Acervo FCS: Mulheres, obras de grandes nomes femininos da arte mineira que que já pertencem à fundação, mas não cheguei a visita-la para mostrar o que havia por lá. De qualquer forma fica aqui e sempre o questionamento de o que é a arte feminina? Seria ela diferente da masculina, ou desvalorizada graças ao sexismo, somente? E, talvez por essa desvalorização, artistas mulheres, e pertencentes a outras minorias políticas, sintam tanta necessidade de mostrar através disso sua identidade, para que enfim seja valorizada e apreciada com equidade!

Veja também em vídeo:

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube que traz visibilidade feminina na história da arte! Sempre que pertinente, e fora do contexto de isolamento social, eu falo sobre as mulheres de exposições que frequento por lá, além dos vídeos apresentando movimentos artísticos e quem eram as artistas que faziam parte deles.

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10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

10 Mulheres Impressionistas

Você já se deparou, zapeando pela internet ou museus, com obras de arte onde a paisagem parece borrada, as formas são meio incertas e as tintas escolhidas pra representar parecem ser um monte de borrãozinhos coloridos que, por um mero acaso, foram uma imagem? Se sim tem uma grande chance de ter conhecido uma pintura impressionista! O impressionismo foi um movimento que marcou a história da arte, principalmente na França, no final do século XIX, caminhando para o início do XX, e tinha como objetivo a quebra do ciclo de estilos que tinha acontecido até então… Nele os artistas, em sua maioria com foco em ambientes externos, retratavam o momento exato que estavam vivendo ou criando, explorando luz e sombra para dar sensação de “agora” e apostando em formas não definidas pra dar a quem aprecia impressão de movimento, como se tudo aquilo pudesse se desmanchar em um segundo.

O “grupinho” dos principais impressionistas era composto de Manet, Monet, Renoir, Degas, Gaugin, Cézanne e Pissaro… Fica parecendo que realmente só homens faziam parte, né? E, se você analisar os principais livros de história da arte são eles que serão mencionados. Mas pipocando por Paris e depois, consequentemente, por diversos lugares do mundo, as mulheres do impressionismo estavam ali, firmes e fortes, lutando contra esse imenso sexismo que fazia (e ainda faz) parte das artes, produzindo obras tão incríveis quanto as deles. E essas mulheres PRECISAM ser conhecidas.

Quando comecei a estudar (in)visibilidade feminina nas artes as impressionistas foram “caindo no meu colo” muito rápido, antes mesmo que essa pesquisa tomasse forma de verdade. Não sei se por coincidência ou se pelo fato de que esse SEMPRE foi meu movimento artístico favorito, desde que estudei pela primeira vez ainda no colégio, quando nem pensava que um dia estudaria para me tornar professora no assunto também. De repente minha pesquisa acadêmica tinha essas pintoras (e uma escultora) como foco. Ainda pesquiso, produzo conteúdo e amo conhecer todas as outras, mas quem vai pro Lattes, de verdade, são elas. Então hoje apresento a vocês a seleção mais difícil que já tive que fazer na vida com 10 mulheres do impressionismo que merecem ser conhecidas e apreciadas.

01) Mary Cassatt:

10 Mulheres do Impressionismo: Mary Cassatt

Provavelmente a principal entre as “damas do impressionismo”, Mary Cassatt era americana, mas viveu a maior parte da sua carreira artística na França, o berço do movimento. Sua família era de classe média alta e a mãe valorizava muito a educação de meninas, o que deu a ela acesso a viagens e estudo desde novinha, mas não impediu seu pai de ser contra sua carreira. Após muita frustração por não se encaixar na arte clássica e se recusar terminantemente a ter um patrono, ela foi convidada por Degas, de quem era amiga, a conhecer os impressionistas e aderiu ao movimento focando trabalhos em mulheres e crianças, tendo 11 obras na Grande Exibição Impressionista de 1879. Continuou pintando por muito tempo, mesmo diagnosticada com reumatismo, diabetes, neuralgia e catarata, essa última responsável pela cegueira que, enfim, a forçou se aposentar. Morreu aos 83 anos em Le Mesnil-Théribus, França.

Obras em destaque: Auto retrato (1880), Chá das Cinco (1880) e Jovem Mãe Costurando (1900). Aprenda mais sobre a Mary!

02) Berthe Morisot:

10 Mulheres do Impressionismo: Berthe Morisot

O nome feminino mais comumente citado em livros de história da arte sobre impressionismo, Berthe Morisot nasceu em uma comuna francesa onde era comum que meninas estudassem arte. Uma vez que sua família se mudou para Paris, começou a trabalhar como copista até assumir essa função no Museu do Louvre. Tornou-se amiga de Manet e casou com seu irmão, Eugene, com quem teve uma filha chamada Julie, amizade essa que resultou em troca de influências, sendo responsável por introduzi-lo no Impressionismo e ressentindo fortemente as críticas e falas sexistas do mesmo. No Salão de Paris de 1873, que teve grande representação do movimento, foi considerada a autora dos melhores trabalhos pelo Le Figaro. Sua família foi a principal temática retratada por ela nos quadros que pintou até morrer, aos 54 anos de pneumonia, enquanto cuidava de Julie que havia contraído essa doença.

Obras em destaque: A Irmã da Artista na Janela (1869), A Mãe e a Irmã da Artista (entre 1869 e 1870) e Milharal (cerca de 1975). Aprenda mais sobre a Berthe!

03) Marie Bracquemond:

10 Mulheres do Impressionismo: Marie Bracquemond

Nascida de um casamento arranjado, Marie Quivoron teve aulas de pintura com o pintor e restaurador Vassort e aos 16 anos já tinha um quadro exposto no Salão de Paris. Trabalhou com Jean Auguste Ingres mas, frustrada com a simplicidades dos trabalhos que ele lhe passava, resolveu trabalhar com encomendas e chegou a ser copista do Louvre. Lá conheceu não só o movimento impressionista, do qual era parte e forte defensora, como também Félix Bracquemond, com quem se casou e teve um filho no ano seguinte. Trabalhavam juntos no ateliê onde ele era diretor, mas Félix não gostava de seu estilo, não aceitava suas sugestões e escondia seus trabalhos, fazendo com que ela abandonasse as obras autorais e passasse a trabalhar pontualmente com encomendas. Morreu aos 75 anos, em Paris, mas sua produção artística não é tão vasta quanto essa idade permitiria graças à falta de incentivo doméstica.

Obras em destaque: Mulher com uma Sombrinha (1880), Sob a Lâmpada (1877) e A Irmã e o Filho da Artista no Jardim em Sevres (1890). Aprenda mais sobre a Marie!

04) Eva Gonzalès:

Mulheres do Impressionismo: Eva Gonzalès

Eva Gonzalès nasceu em Paris, França, filha de um escritor espanhol, o que permitiu que convivesse com artitas desde nova. Começou a pintar aos 16 anos enquanto aluna de Charles Chaplin e aos 19 já era pupila de Manet, sendo também uma das responsáveis por apresenta-lo ao movimento impressionista, e assim como o mestre não tinha muito o costume de expor suas obras. Casou-se aos 30 anos com o impressor Henri Guérard e 4 anos depois, ao dar a luz ao primeiro e único filho do casal, faleceu muito jovem, uma semana após seu mestre, o que não permitiu que tivesse muita notoriedade em sua época. Ainda assim produziu uma quantidade enorme de obras, entre pinturas e desenhos. Sua irmã, Jeanne Guérard-Gonzalès, também pintora impressionista (porém menos ativa no trabalho), se casou com Guérard após sua morte e os dois criaram, juntos, o filho do casal.

Obras em destaque: Retrato de Jeanne Gonzalès (antes de 1883), Despertar da Manhã (1876) e O Coque (entre 1865 e 1870). Aprenda mais sobre a Eva!

Você sabia? O impressionismo não pregava tantas regras em relação a materiais e temáticas, mas ainda assim a maioria dos pintores adeptos ao movimento costumavam pintar paisagens. As mulheres, por sua vez, nem sempre conseguiam seguir essa tendência por não ter acesso ao ar livre como eles tinham, por isso vemos ambientes domésticos e familiares como tema das obras da maioria delas: era um retrato da realidade em que estavam inseridas.

05) Louise Abbéma:

10 Mulheres do Impressionismo: Louise Abbéma

Louise Abbéma, uma francesa cuja família sempre conviveu com a comunidade artística local de sua cidade natal. Mudou-se para Paris ao começar a pintar aos 20 anos, onde teve aula com professores particulares. Retratava artistas da Comédie Française e foi retratista oficial da atriz Sarah Bernhardt, com quem manteve anos de relacionamento romântico e amizade, sendo sua principal modelo. Adepta ao ideal da “Nova Mulher” e do movimento feminista que crescia na Europa, renegava o papel tradicional da mulher na sociedade de sua época, se vestindo de forma andrógena e retratando assim as mulheres em seus quadros. Além de pintora era escritora, contribuiu com artigos para o Diário de Belas Artes. Morreu em 10 de julho de 1927, aos 73 anos em Paris, e pintou até o final de sua vida.

Obras em destaque: Jeanne Samary (1879), Manhã de Abril (1894) e Sarah Bernhardt (antes de 1927). Aprenda mais sobre a Louise!

06) Camille Claudel:

10 Mulheres do Impressionismo: Camille Claudel

Um das histórias mais tristes da arte moderna, Camille Claudel era uma escultora francesa, estudante da Academia Colarossi. Foi aluna e amante de Rodin, a quem sua história é fortemente atrelada pelo relacionamento conturbado, acusações de roubo de obra e sabotagem por parte dela e que teve seu fim após um aborto espontâneo. Considerada a “Berthe Morisot da escultura”, produzia obras em tamanhos gigantes e materiais pesados, sendo chamada de “gênio” pelo compositor Debussy, com quem namorou. Após a morte do pai, sua família cortou seu patrocínio e ela não conseguia outros por ser mulher, foi diagnosticada com esquizofrenia, destruindo suas próprias obras ocasionalmente até, enfim, ser mandada para o hospício. Ficou lá por 30 anos, quase sem receber visitas, mesmo que os médicos tenham dado alta e a imprensa acusasse seu irmão, o poeta Paul Claudel, de ocultar um gênio. Produziu mesmo internada e ali morreu, aos 78 anos.

Obras em destaque: Perseu e a Górgona (1905), Mulher Agachada (entre 1884 e 85) e A Valsa (1883). Aprenda mais sobre a Camille!

07) Anna Ancher:

10 Mulheres do Impressionismo: Anna Ancker

Parte de um grupo chamado “Pintores de Skagen” composto por escandinavos que se reuniam na pousada de seus pais para pintar, Anna Brøndum estudou arte em Copenhague antes de voltar para sua cidade natal e casar com o também artista Michael Ancker. Juntos os dois produziam e consumiam muita arte, de diversos tipos, mantendo viagens de campo e visita a exposições fora da Dinamarca mesmo depois do nascimento de sua única filha. Sua região era muito procurada por impressionistas por se tratar de belas paisagens naturais, tornando o local atrativo também para realistas e naturalistas, que produziam todos juntos. A pousada foi transformada em museu e assim ficou por 20 anos, entre 1908 e 28. Anna morreu aos 75 anos e Helga, sua filha, converteu a casa onde viviam no Museu Michael e Anna Ancker, que hoje é uma fundação de mesmo nome.

Obras em destaque: Retrato da Mãe da Artista (1913), Ceifeiros (1905) e Interior com a Filha da Pintora Helga Costurando (cerca de 1890). Aprenda mais sobre a Anna!

08) Nadežda Petrovic:

10 Mulheres do Impressionismo: Nadezda Petrovic

Heroína de guerra nascida na Sérvia, filha de professores e educada em uma escola só para mulheres, Nadežda Petrovic ganhou uma bolsa de estudos do Ministério da Educação sérvio para estudar arte em Munique. Retornou ao seu país em 1900 onde consumiu arte, estudou línguas e realizou sua primeira exposição solo, além de ajudar a organizar 1ª Exposição de Arte Iugoslava. Também deu aula em uma instituição de curso superior exclusivamente feminina. Nos anos seguintes fundou uma organização humanitária de mulheres para ajudar sérvios controlados pelo Império Otomano, perdeu ambos os pais, passou a produzir pinturas também com referências fauvistas e se tornou enfermeira nas Guerras dos Balcãs, onde recebeu medalha. Morreu de febre tifoide em Vajevo, aos 41 anos, e mais tarde seu rosto ilustrou a nota de 200 dinares sérvios.

Obras em destaque: Auto retrato de Nadežda Petrovic (1907), Hospital de Vajevo (1915) e Ksenija Atanasijevic (1912). Aprenda mais sobre a Nadežda!

09) Amy Katherine Browning:

10 Mulheres do Impressionismo: Amy Katherine Browning

A britânica Amy Katherine Browning (ou “Brownie”) entrou na Royal College of Arts aos 18 anos e, mesmo demorando um pouco para terminar o curso por problemas familiares, conseguiu destaque relativamente gratificante nesse período. Ao se formar conheceu Sylvia Pankhust, filha da grande líder do movimento sufragista feminista na Inglaterra. As duas então passaram a organizar exibições em prol da União Social e Política das Mulheres, movimento que lutava pelo voto feminino, enquanto ela ensinava artes ainda que continuasse produzindo (chegando a ganhar medalha de prata em um Salão de Paris) e ilustrava para o jornal de cunho feminista da amiga. Juntas criaram uma campanha para arrecadar dinheiro e conseguir emprego para mulheres vítimas da I Guerra Mundial. Após seu casamento com Thomas Dugdale e o fim da guerra voltou a produzir, retratando bastante as mulheres proletárias, além de paisagens e até mesmo nus femininos. Morreu aos 96 anos.

Obras em destaque: Na Janela, Trabalhadoras da Fábrica de Chapéu e Sombra da Limeira (1913) Aprenda mais sobre a Amy!

Leia também: As Sufragistas, resenha do filme baseado em fatos da luta pelo voto feminino na Inglaterra, de forma romantizada.

10) Georgina de Albuquerque:

Mulheres do Impressionismo: Georgina de Albuquerque

Georgina de Albuquerque, brasileira nascida em Taubaté, aos 19 anos foi para o Rio estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Lá conheceu seu marido, Lucílio de Albuquerque, com quem passou 5 anos na França estudando arte na Escola Nacional Superior de Belas Artes. Ainda em solo francês foi apresentada ao movimento impressionista e teve seus dois filhos. De volta ao Brasil, foi pioneira em vários aspectos como artista mulher. Sua obra prima, Sessão do Conselho de Estado, foi a primeira pintura histórica feita por mulher no país, colocando a Imperatriz Leopoldina como figura principal de um quadro sobre a independência do Brasil, ensinou na ENBA e, mais tarde, foi a primeira diretora de lá. Também deu aula de desenho na UFDF e transformou sua casa no bairro Laranjeiras no Museu Lucílio de Albuquerque. Muitas de suas obras estão expostas no Rio, principalmente no Museu Nacional de Belas Artes.

Obras em destaque: Roceiras (1930 – Museu Nacional de Belas Artes/RJ), Sessão do Conselho de Estado (1922 Museu Histórico Nacional/RJ) e No Cafezal (1926 – Pinacoteca/SP) Aprenda mais sobre a Georgina!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do impressionismo?

Esse post faz parte do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube que visa a visibilidade feminina na história da arte! A série sobre as mulheres do Impressionismo foi a primeira e mais importante do canal, tendo “terminado” em maio mas também sem fim, já que continuará sendo alimentada sempre que possível. Para conhecer mais sobre o movimento e várias outras artistas que fizeram parte dele, inclusive de outros países e continentes, vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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