7 mulheres do Pós-Impressionismo que precisamos conhecer!

7 mulheres do Pós-Impressionismo que você precisa conhecer: foto de Luly Lage sorrindo, vestindo uma camiseta preta, cercada de quatro obras criadas por mulheres pós-impressionistas, com o nome do movimento artístico escrito em baixo.

Quando pensamos em movimentos artísticos, normalmente vem em nossa mente conjuntos de obras que possuem características e meios de produção semelhantes, tentando se opor ao movimento anterior. Depois de uma quebra brusca nesse ciclo da história da arte ocidental através do Impressionismo, no fim do século XIX, artistas passaram a adotar cada vez mais posicionamento vanguardista, buscando estilo próprio condizente com suas necessidades ao se expressar. Com a última grande exposição impressionista em 1886, surgiu na França e espalhou-se pela Europa e outros países que a tinham como referência o Pós-Impressionismo, um conjunto de artistas que pintavam de formas diversas e ainda tinham pensamentos semelhantes ao movimento anterior, visando a quebra com a arte realista, romântica e clássica, sem limitar-se, porém, a retratar os efeitos da luz no momento que pretendiam retratar, passando até a usar contornos bem fortes e tornando-se cada vez mais mal vistos pela academia.

O contexto histórico no qual o pós-impressionismo estava inserido era o de uma sociedade bastante industrial. Um grande marco dessa época foi a Torre Eifell, que celebrava os 100 anos da Revolução Francesa em 1889 e consistia num monumento gigante feito de metal que demonstrava o quanto a estética preferida pelas pessoas vinha se transformando. Os principais artistas desse momento são Gaugin, Cézanne (dois grandes nomes do impressionismo) e Van Gogh, além do boêmio Henri de Toulouse-Lautrec, que com seus cartazes de cabarés foi um dos responsáveis pelo surgimento do design gráfico, dando à arte papel não apenas erudita e decorativo, mas também aplicado no cotidiano. Por mais que elas não estejam tão presentes em livros de história da arte quanto seus colegas, várias mulheres podem ser destacadas como fortes representantes do período, e eu selecionei 7 entre as mais notáveis para apresentar aqui hoje!

01) Suzanne Valadon:

Três obras de Suzanne Valadon, todas retratando figuras femininas em diferentes cenários, com sua foto em preto e branco abaixo seguida do nome e anos de nascimento (1865) e morte (1938).

Marie-Clémentine foi “rebatizada” como Suzanne Valadon por Toulouse-Lautrec, para quem modelou e com o qual viveu um romance. Foi modelo também de Renoir, inclusive em uma de suas principais obras, “Dança em Bougival”. Suzanne era filha de uma lavadeira em Montmartre, onde abandonou a escola para exercer vários trabalhos até juntar-se ao circo como acrobata. Lá conheceu artistas modernistas de grande nome na França, tornando-se modelo deles e, enfim, passando a desenhar e pintar observando-os fazendo o mesmo, recebendo muita influências do Simbolismo e do Pós-Impressionismo. Após casar-se em 1896, passou a viver como artista em tempo integral. Foi a primeira mulher na Sociedade Nacional de Belas Artes, sendo considerada uma grande transgressora e nome importante nos estudos de artes feministas. Morreu aos 72 anos e, como homenagem, teve seu nome dado a uma cratera no planeta Vênus, comumente ligado ao amor e à feminilidade.

Obras em destaque: Auto retrato (1898), O Quarto Azul (1923) e Nus (1919). Aprenda mais sobre a Suzanne!

02) Vanessa Bell:

exemplo de três obras de vanessa Bell, a primeira um retrato, a segunda uma pintura abstrata e o terceiro representando várias pessoas em tons sóbrios. Abaixo, sua foto (em preto e branco ) e nome, seguido dos anos 1879 e 1961, de nascimento e morte, respectivamente!

Irmã mais velha da escritora Virginia Woolf, Vanessa Bell sofreu, assim como ela, abusos dos meio-irmãos durante a juventude, que causou a fragilidade mental de Virginia e fez com que ela vendesse a casa onde viviam depois da morte dos pais, mudando para Bloombury, onde as duas fundaram, junto com seus maridos e outros amigos, o Grupo Bloomsbury de artistas e escritores que rejeitava os hábitos burgueses da sociedade vitoriana. Casou-se com Clive Bell, com quem tinha um relacionamento aberto, sendo o colega Duncan Grant seu principal namorado e companheiro de trabalho, com quem dividiu projetos notórios. Teve dois filhos com Clive e uma filha com Duncan, que foi criada pelo marido como se fosse dele. É responsável por alguns retratos mais conhecidos da irmã e do conjunto de cinquenta pratos intitulado “Serviço de Jantar das Mulheres Famosas”, onde ela e Duncan retrataram mulheres influentes em diversas áreas.

Obras em destaque: Auto-retrato (1915), Nu Com Papoulas (1916) e O Clube da Memória (1943). Aprenda mais sobre a Vanessa!

03) Anna Boch:

Trio de pinturas de tons suaves de Anna Boch, em tons pastéis que vão do sóbrio na primeira a cores frias na última). Sua foto está em tons de sépia e os anos correspondente ao nascimento e morte são 1848 e 1936.

Você já ouviu falar que Van Gogh vendeu apenas uma obra de arte em vida? “O Vinhedo Vermelho” foi comprado por Anna Boch, que era uma pintora e patrona de artes belga que migrava entre o impressionismo e pós-impressionismo, usando muito das técnicas de pontilhismo em suas obras. Mais do que suas pinturas, precisamos falar também do trabalho que fazia ao ajudar amigos modernistas da época, não só o mencionado anteriormente mas também Gaugin, para quem organizou um leilão beneficente. Anna abriu também uma casa onde artistas progressistas podiam produzir seus trabalhos e, em seu testamento, doou o dinheiro que tinha e o que foi arrecadado com a venda de seus quadros foi destinado à aposentadoria desses colegas, garantindo que não ficassem desamparados após não conseguir mais produzir. Seu desejo foi realizado quando morreu, aos 88 anos, mas teve algumas pinturas também doadas para museus.

Obras em destaque: Um Buquê de Cravos (cerca de 1910), Mulher lendo em um Aglomerado de Rododendros e Retorno da Missa Pelas Dunas. Aprenda mais sobre a Anna!

04) Emily Carr:

Obras de Emily Carr que possuem cores fortes e temas que vão da ícone indígena a um auto-retrato. Abaixo, sua foto em preto e branco é seguida do nome e dos anos de nascimento (1871) e morte (1945).

Nascida na costa do Pacífico canadense, Emily Carr é nome de diversas escolas e uma universidade de artes em seu país. Estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas manteve como temática principal os povos indígenas do Canadá, pintado-os e escrevendo livros sobre eles no fim de sua vida. O principal deles, Klee Wyck (“a Risonha”), tinha como título o nome adotado que recebeu nas vilas de tribos com as quais convivia. Durante a década de 1920 conheceu o Grupo dos Sete, artistas modernistas canadenses de maior relevância que, apesar de não integra-la ao grupo, considerava como parte deles, chamando-a de “A Mãe das Artes Modernas”. Após três ataques do coração e um derrame, abandonou definitivamente a pintura para dedicar-se à escrita e morreu de um quarto ataque, aos 73 anos. No mesmo ano, ganhou um doutorado honorário da Universidade de British Columbia, sua província natal.

Obras em destaque: Guyasdoms D’Sonoqua (cerca de 1930), Acima do Gravel Pit (1937) e Auto-Retrato (entre 1938 e 1939). Aprenda mais sobre a Emily!

Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

05) Gwen John:

Obras pertencentes ao pós-impressionismo de Gwen John, sendo elas uma freira, um gato e uma mulher carregando um gato, todas em tons leves. Abaixo, um auto retrato da artista com vestido de cor forte e os anos 1876 e 1939, quando nasceu e faleceu, em seguida ao seu nome.

Gwen John nasceu no País de Gales e se mudou para Londres em 1895, ao ingressar na Slade Schooll of Fine Arts, uma das poucas instituições de Belas Artes que aceitava mulheres no Reino Unido, junto com seu irmão Augustus, que teve direito de entrar antes dela, apesar de ser mais novo. Começou a expor oficialmente em 1900 e três anos depois foi para a França com sua amiga e modelo Dorelia McNeill. Lá, começou a modelar para Rodin, o principal artista francês da época, com quem teve um longo relacionamento. Bissexual, era conhecida por ser muito intensa em suas relações. Com o tempo, conseguiu um patrono que a permitiu viver apenas de suas pinturas. Apesar de conhecer muitos artistas influentes, era muito tímida, focando sua produção em temáticas católicas, tornando-se fervorosa na religião com o tempo. No fim da vida, viveu sozinha com seus gatos até morrer aos 63 anos.

Obras em destaque: Mère Poussepin (A Freira, 1915), Gato (entre 1904 e 1908) e Jovem Mulher Segurando Um Gato Preto (entre 1920 e 1925). Aprenda mais sobre a Gwen!

06) Nutzi Acontz

Representando o pós-impressionismo na Romênia, as obras exemplo de Nutzi Acontz t~em cores fortes e linhas bem definidas, representando duas paisagens nas extremidades da imagem e uma imagem de natureza morta no centro. Sua foto, abaixo, está em preto e branco, seguida do nome, ano de nascimento (1894) e de morte (1957).

Nutzi Acontz era romena, fruto de uma linhagem armênia da Moldávia, país da Europa oriental que faz fronteira com a Ucrânia e a Romênia, onde nasceu em novembro de 1891. Quando tinha por volta de vinte anos, estudou na Escola de Belas Artes de Iasi, trabalhando como professora de desenho em seguida à sua formatura. Só conseguiu se manter como artista, com suas pinturas, após se mudar para Bucareste, onde retratava paisagens e elementos da natureza com forte dualidade de estilos: em alguns momentos com linhas densas, bem definidas, e cores igualmente intensas; em outros de forma tão leve e sutil que as obras parecem quase não ter cores. Foi lá que faleceu, aos 63 anos, em 1957.

Obras em destaque: Rua Dojubran, Natureza Morta com Fruta e Café Mamute. Aprenda mais sobre a Nutzi!

07) Sylvia Pankhurst:

Exemplos de obras de Sylvia Pankhurst, sendo a primeira uma pintura retratando uma operária de fábrica, a segunda um broche do movimento Sufragista e a terceira um desenho de uma mulher com linhas leves). Na foto, abaixo, Sylvia aparece com o rosto apoiado nas mãos, em preto e branco, e ao lado dele está seu nome e os anos 1882 e 1960, de nascimento e morte respectivamente.

Um parágrafo só não é suficiente para definir Sylvia Pankhurst, que fica por último não por ser menos revelante, mas sim por ter tantas atividades que marcam sua história de forma mais forte que a arte que isso se torna só um adendo dela. Filha de Emmeline Pankhurst, uma das fundadoras do movimento sufragista britânico, Sylvia participou ativamente da causa da mãe, sendo responsável por cartazes pedindo o voto feminino, pinturas retratando as operárias de fábricas e o broche que era dado ás companheiras que eram presas, quando soltas. Em dado momento, rompeu com o grupo por ser contra os esforços da I Guerra Mundial, que elas apoiavam, criando sua própria organização e alinhando seu pensamento político cada vez mais à esquerda. Foi ativista política socialista e humanitária até o fim da vida, que aconteceu quando lutava pela libertação dos etíopes dominados pela Itália, na própria Etiópia.

Obras em destaque: Em Uma Fábrica de Algodão em Glasgow Cuidando de Um par de belas Armações (1907), Broche Holloway (após 1902) e Retrato de Uma Jovem Mulher (cerca de 1909). Aprenda mais sobre a Sylvia!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do pós-impressionismo?

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina na história da arte! A série sobre as mulheres do Pós-Impressionismo “terminou” no início desse ano, mas não definitivamente, já que continuará sendo alimentada sempre que possível ou pertinente. Para conhecer mais sobre o movimento e várias outras artistas que fizeram parte dele, inclusive de outros países, vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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Exposição Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira

Exposição Yara Tupynambá - 70 Anos de Carreira: foto de Luly Lage, uma mulher de pele clara e cabelos pintados de rosa com a raiz escura, usando óculos de grau e máscara protetora, em frente a um quadro da artista de temática botânica, com folhas verdes, galhos finos de árvores e fundo azul.

Eu realmente considero um privilégio viver na mesma época que Yara Tupynambá, por diversos motivos. A importância dela na história da arte brasileira, em especial na arte mineira, é medida não só pela produção de obras em diversos suportes, mas também formação de outros artistas, uma vez que foi professora em importantes cursos de nível superior em Artes Visuais. Quando fiquei sabendo da exposição Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira, que chegou ao CCBB BH no dia 24 de fevereiro, peguei ingresso para o primeiro horário do primeiro dia, precisava conferir e produzir conteúdo sobre. Foi a única vez que fui a uma instituição cultural durante a pandemia e não me arrependo: são 74 obras, entre quadros, gravuras e painéis, representando flora e cultura de Minas Gerais, celebrando não só a vida e o trabalho dela, mas também do lugar onde nasceu e ainda vive.

Veja pedacinhos dessa exposição também no vídeo publicado no Instagram Reels!

Eu tenho uma relação muito pessoal e afetiva com a Yara, vai além da admiração como artista. Em 2012, quando eu fazia meu TCC, onde restaurarei uma gravura do Padre Viegas (provavelmente a primeira gravação feita no Brasil!), descobri que ela tinha feito a reimpressão que estava restaurando quando era professora da EBA UFMG enquanto pesquisava a história da obra. Mandei então alguns e-mails até, enfim, chegar no endereço pessoal dela, que me respondeu muito solícita sobre o trabalho e me ajudou a detectar muitas das causas de degradação que tinham levado a essa necessidade da restauração. Quando terminei, ela foi adicionada aos meus agradecimentos porque foi super importante no processo e me tornei bem fã. Com razão, né? Pra quem tem interesse nesse tipo de trabalho, ou mesmo curiosidade, o arquivo em PDF do TCC completo está disponível no meu perfil do Academia.

Sala 01:

Essa exposição está dividida em quatro salas, sendo as três primeiras no térreo do prédio, logo à direita da entrada principal. A sala de abertura já apresenta, de cara, um dos painéis da artista, obra de grande porte e cores fortes, entre verde, marrom e pitadas de pontos claros nos detalhes. Essas cores estão presentes em todo esse ambiente inicial, retratando matas, árvores e águas das margens do Rio Doce. É um conjunto bem uniforme, parece uma grande série de quadros, mas suas datas variam muito entre os últimos dez anos, mais ou menos, então a produção em si parece ter sido relativamente espaçada. Confesso que, de todas, foi a que “menos amei” (porque amei tudo, na verdade), mas causa um primeiro impacto muito belo, de verdade.

Psiu! Pres’tenção! Todos os exemplos de pinturas mostrados nesse post possuem a mesma técnica e suporte: acrílica sobre tela. Os anos de criação, porém, são variados e foram descritos nas legendas das imagens, ao lado dos títulos.

Quadro de Yara Tupynambá em primeiro plano, com painel da artista quase inteiramente visto ao fundo, ambos retratando matas com árvores finas de madeira clara e muito verde em volta.
Árvores Brancas (2012) e Floresta do Vale do Rio Doce (2014).
Três quadros da artista, um dois primeiro plano com lagoas em destaque na paisagem e outro ao fundo, bem semelhante à foto anterior.
Lagoa com Nenúfares (2019), Lagoa do Rio Doce (2017) e Floresta do Vale do Rio Doce (2017).

Sala 02:

A sala seguinte tem cores suaves retratando ambientes abertos que passam a ideia de serem mais leves. Acho que, de todas, foi a minha favorita! Achei interessante porque nem todas elas são cenários em si, algumas tinham flores e outros tipos de plantas meio “jogados” formando a composição, e ainda assim passam a mensagem de retratar algo real e visível. O grande destaque dessas representações é a Serra do Cipó, um destino turístico natural localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte conhecido por suas cachoeiras, que estão presentes lado a lado da vegetação também característica. Ao contrário do espaço anterior, e assim como os seguintes, elas são diferentes entre si, mas é possível detectar alguns conjuntos que representam pequenas unidades particulares, a expografia arrasou em organizar a disposição para que isso ficasse muito perceptível ao público visitante.

Quadro retratando árvores de galhos secos em meio a pedras claroas e algumas flores secas caídas ao redor.
Velócias Gigante (2013).
Dois quadros de yara Tupynambá d emédio porte, o primeiro, ao fundo, com cenário da flora  em tons verdes e vivos à margem de uma cachoeira com uma faixa no centro mostrando o que parece ser o mesmo local em período de seca; e o segundo retratando três flores em ambiente fechado com fundo escuro.
Perto da Cachoeira (2015) e Três Flores na Serra do Cipó (2004).
Quadros em fundo de cor clara retratando diversos tipos de flores coloridas espalhadas na tela.
Flores na Serra do Cipó III (2011) e Flores na Serra do Cipó (2011).

Sala 03:

O último cômodo do andar térreo também retrata pontos relevantes de Belo Horizonte e região, como parque municipais e o Inhotim, museu de arte contemporânea em Brumadinho que tem paisagismo assinado por Burle Marx. Em um meio termo do que foi visto anteriormente, os quadros têm tons e características semelhantes, mas não retratam uma unidade propriamente dita. Como moradora da capital mineira foi o lugar onde mais me senti em casa, por mais que eu já tenha estado nos cenários anteriores esses são os mais próximos, onde estive várias vezes. Isso me mostra muito a força de vistar mostras e exposições que trazem paisagens locais, valorizando realmente o nosso lar e o fazer artístico dele, mesmo. Muito incrível poder ver isso, seja presencial ou virtual, que é o mais acessível nesse momento.

Quadros retratando cenários variados, sendo o primeiro um conjunto de árvores de galhos finos e folhas escuras, o seguno uma planta imponente nascendo em frente a um muro antigo de azulejos e o terceiro uma lagos em um parque, com vegetação ao seu redor e barcos estacionados à beira da água.
Árvores à Luz do Dia (2018), A Velha Parede Esquecida (2018) e Parcos no Parque (2020).
Duas pinturas com cores semelhantes (verde em diversos tons, terrosas e vermelho), a primeira retratando um cenário vegetal urbano onde á uma lagoa com barco, pessoas caminhando ao fundo e um possível coreto de praça; e o segundo em local parecido, com uma menina vestindo vestindo roupa de cor quente em destaque na frente segurando dois balões coloridos.
Árvores e Barcos (2017) e A Menina dos Balões (2017).

Sala 04:

A última sala fica localizada no 2º andar do CCBB, contendo obras da coleção particular da artista que o público não tem acesso. Ali contém desde homenagens a Monet, ao pintar seus jardins na França há mais de trinta anos, à vista da sua janela durante a pandemia, com trabalhos de 2020 e até 2021! Em entrevistas ela já disse que sua rotina em isolamento social não mudou muito, passa basicamente o tempo todo no ateliê produzindo, e aí está o resultado dessa produção, que ocupa 70 anos dos (quase) 90 que tem de vida a serem completados ano que vem. Escondidinho, num dos cantos de obras voltadas pra parede, existe um quarteto que não são pinturas e tenho a impressão que eram desenhos, mas agora não tenho certeza e já peço desculpas por essa gafe. O importante é que é belíssimo, como todo o resto.

Três quadros, dois em destaque em cores claras retratando flores brancas e roxas variadas e um ao fundo, entre eles, que tem como imagem principal uma casa cercada de diversos tipos de plantas, árvores e flores, ao seu redor.
O Jardim Secreto I (2015), A Casa de Monet (1989) e Íris e Spatifilus do Jardim (2020).
Quatro obras da sala da coleção particular de Yara Tupynambá em ângulos onde não é possível ver muitos detalhes, todas com temática principal de flores e folhas, e uma em destaque, retratando a casa (descrita na foto anterior).
Spatifilus no Fim da Tarde (2010), Strelitzia no Jardim (2020), A Casa de Monet (1898) e A Janela do Atelier (2021).
Quadro com moldura em primeiro plano, com um grande vaso onde estão folhas e flores e um menor na frente, que parece conter frutas redondas. Ao fundo, um quadro em cores complementares aparece pela metade, retratando várias folhas coloridas em fundo verde.
Vaso de Flores em Pote Chinês (2000) e Sol Poente e Folhas Vermelhas (2020).

Leia também: Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura, sobre a mostra que também está aberta no CCBB BH.

Sobre a artista:

Yara Tupynambá nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 2 de abril de 1932. É artista plástica, tendo estudado com o próprio Guignard, e atuou como professora e diretora da Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG e professora da Escola Guignard da UEMG. Ao longo de sua vida profissional, participou de diversas Bienais e Salões de Arte Moderna, ganhou prêmios de vários tipos de materiais do seu trabalho multiartístico, uma vez que é não somente pintora mas também muralista, gravadora e desenhista. Em 1987, criou o Instituto Yara Tupynambá, ainda na ativa, promovendo atividades de incentivo cultural, incluindo a conservação-restauração de bens, e de educação artística e em outras áreas, como gastronomia, moda, turismo e meio ambiente. Vocês podem segui-la no Instagram nos perfis @yaratupynambaoficial e @instituto.yaratupynamba.

Dados gerais e vídeo:

Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte, supostamente, até 20 de maio de 2021. O CCBB, porém, se encontra fechado como medida de proteção ao COVID-19, sem previsão de reabertura, conforme definido pela Prefeitura de BH. Enquanto estava aberto, a bilheteria da instituição não estava funcionando e os ingressos gratuitos eram retirados pela internet, com obrigatoriedade do uso de máscara de proteção dentro das dependências, medição de temperatura na entrada, distância entre visitantes determinada por sinalização presente no chão e dispensadores de álcool em gel em todos os andares do prédio. É possível fazer o tour virtual pela exposição no site do Instituto Yara Tupynambá em yaratupynamba.org.br/ccbb (e tem uma prévia dele lá nos Reels do meu Instagram!).

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina na história da arte! Sempre que pertinente, falo sobre as mulheres de exposições que frequento por lá, além do conteúdo principal ensinando sobre movimentos artísticos através das artistas que faziam parte deles. Abaixo, um vídeo falando sobre a experiência com pequenas tomadas dentro das galerias.

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Lookbook: Vênus em Arte

Lookbook: Vênus em Arte

Olha, eu vou confessar que não sou exatamente uma referência quando o assunto é atualizar meu perfil do Lookbook, não… Muito pelo contrário, sempre protelo a hora de tirar foto e acabo nem tirando, e é triste porque eu queria ter esse registro, sabe? Acho legal pra rever e lembrar o que gosto ou não. Quando estourou a pandemia, porém, tive certeza absoluta que esse ano não teria mais look NENHUM, porque sempre tive os pés bem no chão sobre quanto tempo isso tudo ia durar. Acabou que rolou um logo depois do meu aniversário, data especial, né, e cá estou, com mais um, me provando errada de novo. Ainda bem!

Nesse caso não foi nem ocasião especial, nem nada, e sim um jeito bonitinho de estrear minha nova blusa da Renner que é TÃO a minha cara que foi indicação da Re, que me mandou foto quando a viu em uma loja. Veja bem, ela 01) retrata uma obra de arte super famosa, 02) adapta pra um perfil de redes sociais que é uma temática super inserida no meu dia a dia, 03) é divertida por fazer essa junção, e 04) não é uma obra qualquer, e sim a minha DEUSA FAVORITA, Vênus (Afrodite, pros gregos), em sua versão mais icônica do Botticelli. Se tudo isso não for motivo suficiente vamos lembrando aqui que eu tenho um canal e podcast chamado Vênus em Arte, onde falo sobre mulheres artistas, sabe? Sim, nascemos uma pra outra!

Lookbook: Vênus em Arte (trio de fotos fazendo pose)
Óculos: Carmim | Blusa: Renner | Calça: Miller Deluxe | Tênis: Converse All Star

Logo que a blusa chegou tirei uma nova foto de perfil pro Vênus em Arte com ela que ficou um xuxu, mas tava muuuuito calor e assim que fiquei satisfeita com alguma coisa troquei de roupa rapidinho e nem aproveitei toda a produção. Uns dias depois, porém, tava me sentindo bonita e achei que merecia ficar arrumadinha só pra trabalhar dentro de casa, mesmo. O calor persistia? Sim, com força! Mas se eu for parar de usar minhas roupas pretas por causa disso, gente, não vou vestir mais nada, então eu simplesmente aguento. Preto é lindo, eu gosto, fazer o que, né?

Percebi nos últimos 2 anos, mais ou menos, que a vida acadêmica traz duas coisas de volta ao meu coração: cupons de desconto para comprar online e All Stars. Logo que entrei na faculdade, mais de 12 anos atrás, passei algum tempo “acumulando” vários deles, mas perto da formatura foram sendo cada vez mais substituídos pelas sapatilhas, que ainda gosto bastante. O tempo foi passando, achei que isso não faria mais parte do meu cotidiano, até que decidi voltar a estudar com pós (que acaba esse mês!), mestrado (que ainda não entrei) e outros cursos… Pronto, virei aloka da Converse de novo! Somei isso à calça jeans de lavagem escura e cintura alta, já que FINALMENTE tô conseguindo limpar meu guarda roupas da maldita cintura baixa que sempre odiei… Precisa de algo mais? Essa combinação é 100% eu!

Lookbook: Vênus em Arte (foto sentada)

Porém, mesmo sendo tão condizente com meu estilo, não achei que ia gostar TANTO das fotos quanto gostei. Até as que a cara saiu meio de antipática, pela correria de improvisar pose antes do tempo do timer acabar, achei que ficaram legais e quis colocar em tudo quanto é rede social (que nem essa aí em baixo). É tão raro a gente ficar satisfeita assim quando o assunto é auto imagem, né? Eu sou super dessas que precisa de 50 fotos pra gostar de uma, é raro tirar poucas e amar várias. Acho que o cabelo rosa, que tava retocadinho nesse dia, tem me ajudado muito nisso, mesmo estando há quase 3 meses assim ainda acordo às vezes olhando pros fios como se eles fossem a coisa mais linda do mundo, capazes de trazer cor pra mim não só por fora, mas principalmente por dentro!

Logo antes de tirar essas dessas fotos rolou pela primeira vez no meu Instagram um desses “challenge” de maquiagem, uma coisa que até acho legal de ver mas num sou muito de aderir… Não é meu foco pra produzir, acho MUITO difícil gostar das alternativas de transição, então sinceramente nem faço. Nessa manhã, porém, acordei com a abertura d’As Meninas Super Poderosas na cabeça e fiquei tentando pensar em como fazer uma maquiagem só com 4 produtos pra usar cada um deles como os ingredientes usados na criação delas, mas não consegui DE JEITO NENHUM escolher entre meus 5 “essenciais”. Usei então dois deles como solução pro “Elemento X”, editei o áudio do jeito que queria e AMEI! Sério, assisti em loop que nem uma idiota, hahahaha! Acho que se for assim, pra misturar com cultura pop e outras artes posso pensar em mais, sim!

Lookbook: Vênus em Arte (detalhe da cintura pra cima)
Base At Play Mary Kay cor Very Light | Contorno Hoola da Benefit | Paleta Sugar Peach da Too Faced (usada para blush, sombra e iluminador) | Máscara de cílios I (love) Extreme da Essence (usada também nas sobrancelhas) | Batom líquido matte Bruna da Linha Bruna Tavares (usado também como delineador).
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5 artistas (negras) do Renascimento do Harlem que você precisa conhecer!

Mulheres do Renascimento do Harlem

Na primeira terça feira de junho as redes sociais foram tomadas pela #blackouttuesday, que tinha como objetivo principal mostrar solidariedade à causa anti racista deixando de publicar trabalhos por um dia, dando espaço às produções de pessoas negras. Muita gente apenas postou quadrados pretos como forma de manifestar apoio, mas eu, pessoalmente, não consegui enxergar bem como aquilo poderia mostrar realmente contribuir pras discussões. Não renegando quem o fez, claro, acho o posicionamento importante, mas vi a opinião de quem realmente importava sobre o que estava acontecendo e muitos de fato afirmavam o que apenas assumi. Decidi, então, contribuir do meu jeito, como educadora de artes no Vênus em Arte, produzindo vídeos sobre artistas plásticas pretas, já que até então não tinha falado sobre nenhuma por lá. E foi pesquisando sobre elas, tentando achar um foco para essa produção ficar bem bacana, que descobri o Renascimento do Harlem!

O Renascimento do Harlem, também conhecido como “Novo Movimento Negro” entre as décadas de 1920 e 30, aconteceu no bairro de mesmo nome, em Nova York, onde ao migrar para o Norte dos EUA a população afro-americana se instalou e começou a manifestar de forma artística e intelectual. O movimento era progressista, socialista e visava a integração dos negros no país, primordial para sua luta por direitos civis que só foram conquistados em 1966. É muito característico dele a valorização dos traços e cultura dessa sociedade tão marginalizada à época (e, cá entre nós, ainda hoje), usando suas características físicas como ideal de belo, cores vibrantes para integrar obras e ativismo político nas temáticas das produções, que passavam também por música, teatro, dança, sociologia, filosofia e outros tipos de manifestações culturais e acadêmicas.

Eu me vi ali completamente apaixonada por algo que NUNCA tinha estudado antes. O Harlem era para mim, até então, o bairro do Luke Cage, herói da Marvel, e nada mais. Em quatro anos de estudo formal de história da arte, dois na escola e os outros já na faculdade, uma pós graduação em Ensino de Artes e mais de um ano produzindo conteúdo sobre eu nunca tinha sequer ouvido falar ou lido por alto sobre! Uma coisa incrível sobre o movimento é que, por já se tratar de uma minoria política, as pessoas ali envolvidas eram menos sexistas que o tradicional, então uma característica forte dele é a valorização da mulher preta, mesmo. Conheci e estudei cinco delas (mais um patrona de artes, A’Lelia Walker), e espero que vocês gostem de descobri-las agora tanto quanto amei à época, e sigo amando!

01) Laura Wheeler Waring:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Laura Wheeler Waring

Laura Wheeler Waring, nascida no estado de Connecticut, dava aula de artes e música desde os 19 anos, enquanto estudava na Academia de Belas Artes da Pensilvânia. Após se formar passou um período pré I Guerra Mundial estudando no Louvre, conheceu e se inspirou nos principais pintores Impressionistas lá expostos. De volta ao seu país natal se tornou a cabeça das cadeiras que já lecionava, tornando-se responsável por elas por 30 anos. Casou-se com Walter E. Waring em 1927 e, no mesmo ano, participou da 1° Exibição de Arte Afro-Americana, onde recebeu uma encomenda da fundação responsável de retratos de pessoas negras, escolhendo representar seu colegas integrantes do Renascimento do Harlem, mesmo que não vivesse perto deles em Nova York. Morreu aos 60 anos após uma longa doença. Em 1997, 110 anos após seu nascimento, entrou para o Hall da Fama de Mulheres de Connecticut.

Obras em destaque: Mulher Com Buquê (1940), Retrato de Jessie Redmon Fauset (1945) e Anna Washington Derry (1927). Aprenda mais sobre a Laura!

Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

02) Augusta Savage:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Augusta Savage

Nasceu em 1892, na Flórida e desde criança brincava de modelar com argila, para horror do pai que considerava a atividade pecaminosa. Começou a dar aula na escola em que estudava na adolescência, indo estudar arte em Nova York aos 29 anos, após casar-se duas vezes (ficou viúva do primeiro) e ter sua filha, Irene. Despertava comoção nas pessoas por não conseguir arcar com seus estudos mesmo com tanta habilidade, o que resultou em movimentações para ajuda-la a custear sua estadia na cidade, principalmente após fazer bustos de membros do Renascimento do Harlem. Passou 2 anos estudando em Paris, sendo a primeira negra a entrar para a Associação Nacional de Mulheres Pintoras e Escultoras após voltar. Sua obra “A Harpa” foi o grande destaque na Feira Mundial de Nova York em 1939. Por não conseguir se manter como artista, mudou-se para fazenda e morreu aos 70 anos, em NY.

Obras em destaque: Cabeça de John Henry (1940), A Harpa (1939) e Garoto Com Coelho (1928). Aprenda mais sobre a Augusta!

03) Meta Vaux Warrick Fuller:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Meta Vaux Warrick Fuller

Natural da Filadélfia em junho de 1877, filha de um casal de posição social relativamente privilegiada para afro-americanos da época. Começou a esculpir no Museu e Escola de Arte Industrial da Pensilvânia, produzindo fora do estereótipo esperado de uma mulher com temáticas de horror e mais dramáticas. Foi estudar em Paris, se tornando protegida de Auguste Rodin e conseguiu um patrocínio que a permitiu participar do Salão de Paris, até voltar para os Estados Unidos. Casou-se com um dos primeiros psiquiatras pretos do país, dando aulas nos fundos da casa dos dois. Na década de 1920 participou da America’s Making Exibition, representando imigrantes da Etiópia. Morreu em 1968 aos 90 anos, produzindo até a mesma década.

Obras em destaque: Mary Turner (1919), Os Miseráveis (1902) e O Despertar da Etiópia (1910). Aprenda mais sobre a Meta!

04) Elizabeth Catlett:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Elizabeth Catlett

Neta de escravos libertos dos dois lados, Elizabeth Catlett estudou arte na escola, graduou-se com louvor na Howard University, onde foi aluna de Lois Mailou Jones. Foi a 1ª mulher afro-americana a fazer mestrado na Universidade de Iowa, ensinando em vários lugares dos Estados Unidos. Sua primeira ida ao México em 1946, lugar com o qual teve forte identificação por casar com o teor ativista de seu trabalho. Fazia impressões para causas de esquerda em prol da educação para o Partido Comunista, do qual seu 2º marido, Francisco Mora, fazia parte, renunciando à cidadania americana para passar a viver lá em tempo integral. Deu aula na Escuela Nacional de Belas Artes até se aposentar, recebeu inúmeros prêmios nos dois países e foi considerada a principal artista negra de sua geração. Morreu em 2012, 10 anos depois de Mora, com quem teve três filhos.

Obras em destaque: Mãe e Criança (1939), Estudantes Aspiram (1977) e Meeiro (1952/1970). Aprenda mais sobre a Elizabeth!

05) Lois Mailou Jones:

Mulheres do Renascimento do Harlem: Lois Mailou Jones

Lois Mailou Jones, filha do 1º afro-americano advogado da Suffolk Law School, que junto com sua mãe a incentivava bastante. Após alguns anos de estudo formal em nível superior sua carreira começou oficialmente em 1930 e seu estilo mudou bastante ao longo dos anos, muito por causa do fato de que nunca parou de estudar e mesmo ensinar em múltiplas áreas: foi responsável pelo departamento de arte de uma escola preparatória tradicional para negros na Carolina do Norte e sua mentoria apoiou a arte afro-americana do Harlem, onde também recebeu muita influência, inclusive para sua obra prima “A Ascensão da Etiópia”. Estudou também em Paris, onde foi muito aceita, casou com o haitiano Louis Pierre Noel e seguiu incentivando a arte feita por negros não só nesses três países, mas também outros pontos da África, tendo obras na Casa Branca, compradas pelos Clinton. Morreu aos 92 anos, em 1998.

Obras em destaque: Juventude Negra (1929), Ascensão da Etiópia (1932) e Jennie (1943). Aprenda mais sobre a Lois!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do Renascimento do Harlem?

Esse post faz parte do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina pra história da arte! A série sobre as mulheres do Renascimento do Harlem foi um especial em homenagem ao #BlackLivesMatter (Vidas Negras Importam), cumprindo o objetivo de abrir nosso espaço para expor o trabalho de pessoas pretas que merecem mais visibilidade e nem sempre a conquistam por causa do racismo estrutural da nossa sociedade. Para conhecer mais sobre o movimento e seu contexto vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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#TBTCultural: Narrativas Femininas – Sou aquilo que não foi ainda

Narrativas Femininas

Hora de dar um “Hello, hello, pessoal” para mais um #TBTCultural, dessa vez MUITO especial! Durante quatro meses, e com fechamento no último Dia Internacional da Mulher, a Fundação Clóvis Salgado, carinhosamente conhecida como “Palácio das Artes”, exibiu nas suas galerias de entrada franca a mostra Narrativas Femininas – Sou aquilo que não foi ainda, a 5ª Edição do Programa ARTEMINAS, que tem como objetivo apresentar artistas de Minas Gerais com o divulgando seus trabalhos para o grande público, buscando representatividade ao fazê-lo. Nessa exposição os focos foram artistas mulheres de diversos tipos, quatro grupos divididos em cinco galerias, cada uma focando num modo de produzir.

Visitei a exposição na última semana que ficou em cartaz como parte do curso livre oferecido pelo Centro de Formação Artística e Tecnológica – CEFART, que funciona dentro do Palácio, chamado Conceitos e Materialidades: Narrativas Femininas. Nele visitamos e debatemos sobre o que as artistas ofereceram, sobre como o ser feminino foi apresentado de modo diferente por cada uma delas no primeiro dia, e produzindo nossa própria narrativa no segundo (no meu caso, uma colagem). E, claro, foi mais um caso em que registrei algumas coisas pensando em produzir conteúdo e acabei negligenciando, mas tudo bem porque isso tem sido incrível para matar as saudades de museus na quarentena através dessas retrospectivas.

EFÊMERA:

No pátio externo do Palácio, sem necessidade de entrar nas salas fechadas, está a Galeria Aberta Amilcar de Castro, onde são expostos grafites que, ao fim da exposição, são cobertos para que os próximos entrem no lugar. A arte urbana é Efêmera, e não podiam ter escolhido nome mais adequado para essa parte da mostra que esse. Ao invés de pensar com pena por saber que as obras “deixarão de existir” em breve o objetivo é aproveita-as ao máximo, apreciando como elas se compõe ao cenário local ao redor de portas, canos e lixeiras, por exemplo. Para alguns passa até batido, como se nem fosse parte de algo do tipo, mais são. Uma lição sobre reparar mais ao nosso redor e saber deixar ir, quando chegar a hora.

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: Artêmis Garrido, Isabel Saraiva, Maria Clara Cheib e Mona (Amanda Vilaça).

Psiu! Pres’tenção! Por estar participando de um curso durante minha vista, estava mais focada nas discussões que estavam acontecendo do que no que produziria com ela depois. Por isso, e já me desculpo, não anotei nome de nenhum obra e nem autoria, então passo aqui uma lista completa das artistas de cada categoria para você vocês possam conhecer todas!

HÍBRIDA:

Materiais, formatos e discursos diferentes passam uma mesma mensagem com sua mesma bagagem. Híbrida, exposta nas Galerias Genesco Murta e Alinda Corrêa Lima, é arte contemporânea, sim, com todo embasamento teórico erudita presente por trás. Elas mostram ali o feminino físico, seja por esteriótipos de gênero, todos bem trabalhos e pertinentes, ou mesmo pelo fator biológico, explorando largamente a vulva e outras parte do aparelho reprodutor de uma fêmea humana. É um misto do trabalhado com o simples, do visual arcaico com o cristalino. Talvez o momento onde o fato da produção ser feminina está mais explícito pelo seu apelo físico e escancarado do corpo da mulher.

ATENÇÃO! ATENÇÃO! As obras a seguir podem apresentar conteúdo sexual!

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: Carolina Botura, Giulia Puntel e Julia Panadés.

Assim, Como Acontece:

Por fim, do outro lado do pátio, que dá vista para o Parque Municipal, na Galeria Mari’Stella Tristão, o artesanato tomava conta das Narrativas Femininas em Assim, Como Acontece. Nessa parte grupos de bordadeiras e outras artistas trazem o aspecto cultural, nos mais diversos papéis que esperam de nós socialmente no local de onde cada uma delas vêm. É interessante pensar que, talvez, não seja tão óbvio que algumas daquelas obras são feitas por mulheres como na anterior, mas provavelmente para quem vive o mesmo contexto é, sim. E será que para essas pessoas, que têm um fazer artístico tão diferente e pessoal, as outras visões não deixam de ser óbvias também? Será que ser mulher não é diferente em todos os lugares, apesar de igualmente uma luta constante, como diz o poema de Teresinha Soares que dá o subtítulo “Sou aquilo que não foi ainda”?

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: As Bordadeiras do Curtume, Coletivo de Bordadeiras e Vila Mariquinhas, Ana do Baú, Cássia Macieira, Dida, Enedina Gonçalves, Eva, Geralda Batista dos Santos, (Dona) Irene Gomes da Silva, Ivanete, (Dona) Izabel Mendes da Cunha, Maria de Lourdes, Maria Lira, Noemia Batista dos Santos, Rosana Pereira, Vicentina Julião, Zefa e Zezinha

Com curadoria de Uiara Azevedo e Marci Silva, a exposição estava presente também na Galeria Pedro Moraleida com o Acervo FCS: Mulheres, obras de grandes nomes femininos da arte mineira que que já pertencem à fundação, mas não cheguei a visita-la para mostrar o que havia por lá. De qualquer forma fica aqui e sempre o questionamento de o que é a arte feminina? Seria ela diferente da masculina, ou desvalorizada graças ao sexismo, somente? E, talvez por essa desvalorização, artistas mulheres, e pertencentes a outras minorias políticas, sintam tanta necessidade de mostrar através disso sua identidade, para que enfim seja valorizada e apreciada com equidade!

Veja também em vídeo:

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube que traz visibilidade feminina na história da arte! Sempre que pertinente, e fora do contexto de isolamento social, eu falo sobre as mulheres de exposições que frequento por lá, além dos vídeos apresentando movimentos artísticos e quem eram as artistas que faziam parte deles.

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