O dia em que publiquei um livro

Mesa de madeira localizada em um ambiente bem iluminado com parede de tijolos marrons. Em cima dela esxistem vários exemplares de Wish You Were Here: um romance musical, romance de Luly Lage, cuja capa tem representada uma menina segurando uma carta olhando para um elefante que está ao longe.

Acho muito doido ter 17 anos da minha vida registrado num ambiente e, de repente, perceber que não registrei um dos acontecimentos mais marcantes de todos… Eu sei, eu sei, “antes tarde do que nunca”, mas tendo passado quase dois anos nunca vou conseguir reproduzir exatamente o sentimento daquele dia, tudo bem, trago a visão do agora de 5 de outubro de 2019, o dia do lançamento do meu primeiro livro. É, verdade seja dita, não foi o lançamento reeealmente propriamente dito e sim o evento que fizemos para isso, mas de todos os marcos que aquela época trouxe, de ver Wish You Were Here: um romance musical nascer depois de tanta espera, esse foi o principal. Talvez melhor também, mas isso nunca vou me sentir oficialmente pronta pra julgar.

Leia também: Minha experiência na Amazon KDP (publicação, e-book e cópias físicas)

Em julho daquele ano olhei pro arquivo Word do livro, que tinha começado a escrever quase 10 anos antes e terminado há pelo menos uns 3, e percebi que ele não era nada. Um monte de palavras que quase ninguém tinha lido, não causava impacto assim, pros outros e pra mim. Decidi que não teria mais sonho, só realidade: entre no site da KDP, ferramenta de auto publicação da Amazon, e li sobre o processo de transforma-lo num e-book Kindle. Descobri que poderia até imprimir cópias físicas se quisesse e li sobre isso também, porque mesmo decidida a me conformar com o formato digital a ordem maior era “farei o que der”, ali estava a prova de que dava. Pedi ajuda pra amiga que fez a capa de presente pra montar a parte de trás e no dia 10, meu aniversário de 29 anos, anunciei: vou publicar um livro!

Foto de uma mulher de pele branca e cabelos escuro curvada sobre um livro enquanto o autografa usando uma caneta rosa. Ao seu redor, na mesa, várias edições do mesmo livro, Wish You Were Here: um romance musical, que tem capa da mesma cor da roupa que ela veste com uma menina segurando uma carta enquanto olha para um elefante ao fundo.
Minha foto favorita do dia, num dos raros momentos em que estava autografando sem ninguém do lado, tirada pela minha amiga mais antiga, a Nana.

A ordem dos fatores foi capa refeita, pré-venda do e-book no ar, anúncio da campanha de financiamento coletivo para a versão física, descobrir mais uma vez que sou amada por um bando de gente foda que ficou tão feliz quanto eu com o que estava acontecendo, lançamento do e-book, fim da campanha, encomendar os físicos, fazer uma mini versão deles pras minhas bonecas, ver os livros sendo enviados lá dos Estados Unidos, marcar o lançamento, ‘pera… Marcar o lançamento! As datas estavam apertadas, tinha que ser no primeiro sábado de outubro de qualquer jeito, as semanas passando na velocidade da luz e eu não achava um lugar. Tinha um café bem no Centro de BH, o Benzadeus, que eu amava, seria mais um sonho realizado, mas será que as coisas dão tão certo assim? Não é possível! Mas era. Liguei perguntando, aceitaram e tava agendado. O frio na barriga triplicou.

Leia também: Wish You Were Here: um romance musical, um post todinho sobre o livro!

As primeiras caixas chegaram na mesma época que minha amiga-irmã me mandou um macaquinho lindo pra usar no dia, das mesmas cores da capa. Teve gente achando bobo, mas sonhei com aquilo demais, queria usar uma roupa bonitinha, um valor sentimental embutido favoreceu ainda mais o cenário. Naquele dia acordei cedo pra me arrumar com o carinho e dedicação que gosto, um momento comigo que sempre me ajuda a acalmar. Preciso admitir agora que tinha MUITA coisa errada passando pela minha cabeça naquela manhã… Medo de não vender livros o suficiente pra pagar pelo nosso IOF que tinha ficado caríssimo, de não valer a pena pro café que tinha me aberto a porta com tanto carinho, da data de uma prova importante que tava chegando e de várias outras coisas pessoais que não consegui abstrair. Mas fui me livrando de todas elas e sorrindo, cada vez mais.

Mesa de madeira com alguns exemplares do livro, marcadores, caneca com reprodução da capa, um elefante de pelúcia rosa grande, uma sacola de presente azul, um buquê e um vaso de flores.
Mesa no final do lançamento, com alguns livros remanescentes, marcadores e as flores e presentes que ganhei no dia.

Faz sentido se eu falar que, apesar de difícil, foi absolutamente maravilhoso? Porque foi! Quando cheguei já tava tudo lindamente arrumado e tinha até uma pequena fila esperando por mim. Gente que acordou cedo, saiu de longe, marcou na agenda, ajudou a preparar as coisas, registrou o processo desde antes de sair de casa, se dispôs a ser não só convidado ali, mas também ajudante na organização a troco de nada… Gente que queria comemorar comigo que eu era, oficialmente, escritora. Porque sim, o livro já tinha sido publicado há mais de 2 meses, mas o sentimento real, oficial me bateu quando sentei na cadeira, peguei a caneta cor de rosa que comprei especialmente para isso e autografei meu nome na primeira página de dedicatória que colocaram na minha frente. Nesse exato segundo Marie e David deixaram de ser só meus e se tornaram do mundo!

Veja também: Todas as fotos do lançamento no álbum do Facebbok.

Não consigo escolher o momento favorito. Penso na hora que não consegui mais segurar as lágrimas e deixei rolar, não surpreendendo ninguém, de cada chegada que matou de alegria, dos presentes pensados com todo carinho. Lembro da conversa que tive com as pessoas nos breves minutos que pude ficar com elas ao lado, me esforçando nas dedicatórias da melhor forma possível. A manhã acabou, almocei ali mesmo na companhia dos últimos chegantes enquanto me despedia dos primeiros que já iam. Chorei, sorri, o importante é que emoções eu vivi! Prometi pra mim mesma que escreveria esse mesmo post que estou escrevendo, nessa parte falhei, mas consegui segurar tudo na mente pra soltar a parte que consigo tornar pública agora. O tempo passou, o Benzadeus infelizmente fechou, o livro continua à venda e o dia que publiquei um livro ficou na memória, como meta de “repeteco” e vitória.

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o décimo sexto, referente a 2019.

O dia em que publiquei um livro | Dia 16 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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Antologia Beijo

Aparelho Kindle ligado na capa do livro Beijo, de vários autores. A capa é toda branca, com o sombreado de duas bocas se beijando e o título em letra refinada em cima. Acima está o nome da organizadora e abaixo a logo da editora. A foto também contém um batom vermelho de embalagem branca à direita e um copo deitado com balas de gelatina compridas também vermelhas dentro. O fundo é composto de papéis de três texturas diferentes: vermelha com corações brancos, listrado de preto e branco e branco com bolinhas pretas e marcas de bocas vermelhas.

Beijo (Antologia) *****
Capa do livro Beijo, de vários autores. A capa é toda branca, com o sombreado de duas bocas se beijando e o título em letra refinada em cima. Acima está o nome da organizadora e abaixo a logo da editora. Organização: Marianna Roman | Autores: Dielson Luz, Felipe Sanches, Kaline Bogard, Luly Lage, Nina Guerra, N S Fittz e Vanessa Oliveira.
Gênero: Romance, Crônica, Poesia
Ano: 2021
Número de páginas: 105p.
Editora: Grupo Editorial Quimera
Sinopse: “BEIJO
Beijo soprado
Beijo molhado
Beijo roubado
Beijo apaixonado

Beijo com medo
Beijo bem cedo
Beijo em segredo
Beijo de arremedo

Beijo comprido
Beijo bandido
Beijo fingido
Beijo escondido

Beijo de engodo
Beijo com remodo
Beijo que explodo
Beijo num todo

Beijo de veludo
Beijo sortudo
Beijo com conteúdo
Beijo… Sobretudo!”
(fonte)

Comentários: De 1781 a 2020, entre casais hétero e homo afetivos, nas suas relações que duram anos e as que nem sabemos quanto tempo vão durar, vividas por personagens com nomes repetidos e sem nome nenhum, que têm seus momentos contadas por meio de crônicas e poemas… A Antologia Beijo foi um dos lançamentos de Dia dos Namorados do Grupo Editorial Quimera, a primeira do selo exclusivamente digital nelas. Com organização de Marianna Roman e textos não só seus, mas também de outros sete escritores, esse livro fala da manifestação de carinho mais gostosa que existe no mundo, ele, o beijo! Alguns bastante planejados, outros quase inesperados, de amor e paixão e desejo e até curiosidade. Beijos pedidos, roubados e que acontecem tão naturalmente que nem dá pra saber de quem partiu primeiro. Muitos beijos e beijos bons!

“Uma suave inclinada para frente e lá estava o precioso e inacreditável beijo cinematográfico. Ou ao menos foi assim que pareceu tanto na mente dos dois, quanto da ansiosa plateia.”

Aparelho Kindle ligado na capa do livro Beijo, de vários autores. A capa é toda branca, com o sombreado de duas bocas se beijando e o título em letra refinada em cima. Acima está o nome da organizadora e abaixo a logo da editora. A foto também contém um batom vermelho de embalagem branca abaixo e um copo deitado com balas de gelatina compridas também vermelhas dentro à direita. O fundo é composto de papéis de três texturas diferentes: vermelha com corações brancos, listrado de preto e branco e branco com bolinhas pretas e marcas de bocas vermelhas.
Capa

As histórias são todas diferentes, vindas desde adolescentes descobrindo o que estão fazendo até monstros que se sentem amaldiçoados por ser quem são, se passando em diferentes épocas e lugares, mostrando o ponto de vista de pessoas também heterogêneas que se propuseram a celebrar o amor. De verdade, não consigo escolher minha favorita entre elas. O sorriso de expectativa pelo que estava para acontecer ficou no meu rosto quase o tempo todo enquanto a leitura rolava e quando acabou, ao abrir a página final de agradecimento, levei um susto, fluiu tão bem que dava pra continuar lendo muitas outras. E sabe o mais louco dessa história? Eu nem saberia que esse livro LINDO existe se não tivesse trombado com o edital de envio de textos dele e decidido participar! Conheci outros trabalhos que tinham o mesmo ponto de partida, mas que seguiram para estações diferentes, igualmente envolventes.

Os dois caíram na gargalhada, e estavam a soluçar de tanto rir. Sentados lado a lado na cama quando (…) estufou o peito como quem busca coragem para algo muito importante e o beijou.

O trabalho gráfico da editora está belíssimo, seria injusto falar do e-book sem menciona-lo. Eu nunca tinha visto uma antologia digital autografada e tiveram até esse cuidado, digitalizando as assinaturas e colocando numa página dedicada a isso. É tão especial, né, saber que foi pensado com tanto carinho quanto o que está presente nas narrativas, é como se fosse um beijinho deles em quem lê. Também existem páginas de respiro cheias de marcas de beijos vermelhos (a louca do batom vermelho pira com isso!) e, em cada história, um código do Spotify para acessar sua trilha sonora, que contribui pro clima que elas propõe. O livro em si tem uma playlist geral de músicas beijoqueiras, pra quem quer continuar na vibe mesmo depois de acabar – ou até apertar o play na hora que for fazer como as personagens e beijar bastante, por que não? Hahahaha!

Aparelho Kindle ligado na página de autógrafos do livro, que conta com assinatura dos autores das oito crônicas poesias da publicação.. O aparelho está inserido no mesmo cenário das outras fotos.
Página com autógrafo de todos os autores.

Falando agora como autora, e não leitora, preciso enaltecer minha “Maresia”, que saiu de supetão e carrega um monte de lembranças boas na sua criação. Quando vi o edital ela veio direto na minha cabeça, pronta, tão fácil que parecia até errado, mas era sinal de que tava tudo certo. Ela é mais ou menos baseada em fatos reais, não vou mentir, mas ainda assim grande parte do enredo é composto de ficção. Quando já tinha começado, quase acabando, decidi que queria deixar a coisa mais aberta do que estava: mantive o gênero da narradora explícito, mas dei um jeito de, em momento algum, deixar claro o da pessoa com quem ela se relaciona. Sendo assim os beijos dos quais me referi podem ter sido com quem os leitores quiserem, na cidade litorânea que desejarem, enquanto eu, daqui, sei exatamente com quem e onde foram – ou quase…

“Meus braços agarraram seu corpo com força e o movimento foi recíproco, senti uma mão entrelaçada nos meus cabelos enquanto as minhas buscavam segurar seu pescoço, encontrando encaixes cada vez melhores onde parecia não ter como melhorar.”

Aparelho Kindle ligado na página 57 do livro, primeira da crônica Maresia, de Luly Lage. Abaixo do título e do nome da autora há um código para ouvir a música tema no aplicativo Spotify e, em seguida, a história começa. O aparelho está inserido no mesmo cenário das outras fotos.
Primeiro página da minha crônica.

Para conhecer o trabalho do Grupo Editorial Quimera vocês podem acessar o site da editora, Instagram, Twitter e Facebook. O e-book pode ser comprado diretamente na loja deles, com instruções de como enviar para o Kindle na página do produto. Se quiser conhecer sobre o trabalho de cada autor individualmente, é só segui-los também nos perfis @mariannaromanoficial), @autor_dielson.luz), @felipe.sanches.397, @kalinebogard, @lulylage, @ninaguerraa e @nsfittz.

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o décimo terceiro, referente a 2016, o ano de onde veio minha inspiração para “Maresia”.

Antologia Beijo | Dia 13 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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De Volta aos Quinze – Bruna Vieira

Livro De Volta aos Quinze, da autora Bruna Vieira, com a capa voltada para cima, com um desenho de uma mulher sentada num banco escuro, de costas para o espectador com os cabelos ruivos esvoaçantes. Ela parece estar em uma praça arborizada, e a ilustração tem tons leves. Acima, o nome da autora seguido do título. O livro está sobre uma coberta de cor escura, próxima à cor usada no título, e ao seu lado há um balde de pipocas doces coloridas, derramadas levemente sobre a capa.

De Volta aos Quinze (Meu Primeiro Blog # 1) *****
Capa do livro De Volta aos Quinze, da autora Bruna Vieira, com um desenho de uma mulher sentada num banco escuro, de costas para o espectador, os cabelos ruivos esvoaçantes. Ela parece estar em uma praça arborizada, e a ilustração tem tons leves. Acima, o nome da autora seguido do título. Autor: Bruna Vieira
Gênero: Juvenil, Romance
Ano: 2013
Número de páginas: 224p.
Editora: Editora Gutenberg
ISBN: 9788582350799
Sinopse: “O que você faria se pudesse voltar no tempo? Será que, ao fazer escolhas diferentes, você conseguiria mudar sua vida para melhor?
Anita tem 30 anos, e sua vida é muito diferente do que ela sonhou para si. Um dia, ao reencontrar seu primeiro blog, escrito quando tinha 15 anos, algo inusitado acontece, e tudo ao seu redor se transforma de repente. Com cabeça de adulto e corpo de adolescente, ela se vê novamente vivendo as aventuras de uma das épocas mais intensas da vida de qualquer pessoa: o ensino médio. Ao procurar modificar acontecimentos, ela começa a perceber que as consequências de suas atitudes nem sempre são como ela imagina, o que pode ser bem complicado. Em meio a amores impossíveis, amizades desfeitas e atritos familiares, Anita tentará escrever seu próprio final feliz em uma página misteriosa na internet.”
(fonte)

Comentários: Em outubro de 2013, fui ao lançamento de De Volta aos Quinze, primeiro romance da blogueira Bruna Vieira, para conhecer a autora, participar de um bate papo com ela e, claro, pegar o autógrafo. Esse livro foi o presente de natal que uma amiga me deu naquele ano, e assim que me entregou oficialmente dois meses depois do evento tentei ler pela primeira vez, mas não consegui. Achei que as coisas que estavam me incomodando eram implicância da minha parte, então deixei de lado pra terminar depois. Agora, muitos anos depois, resolvi recomeçar como parte do Desafio Zera Estante que eu e outra amiga, a Nana, criamos juntas ano passado, já que uma das propostas era ler algo escrito por uma mulher. A conclusão final é que a Luly de 23 anos, mesmo tão mais nova que a de hoje, já tinha razão.

“Quando você escolhe seu futuro, o presente inevitavelmente vira o passado. Boa escolha.”

De Volta aos Quinze conta a história da Anita, uma mulher de 30 anos que tem a vida muito distante do que imaginou pra si mesma: seu emprego a deixa cada dia mais desmotivada, a vida amorosa é inexistente, não tem uma relação lá muito boa com a família e nem se sente satisfeita com a própria aparência. A única coisa que realmente deu certo pra ela foi o fato de que mora na cidade dos seus sonhos, São Paulo, depois de sair do interior de Minas, onde nasceu e cresceu. Em meio a uma grande confusão no casamento da sua irmã, onde todos acham que ela enlouqueceu de vez e só seu melhor amigo, Henrique, fica do seu lado, ela recebe por e-mail o link do primeiro blog que teve quando adolescente e se vê magicamente transportada para aquela época, uma enorme surpresa.

Balde de pipocas doces doloridas à esquerda, ao lado do livro De Volta aos Quinze fechado com a capa frontal virada para cima. Em baixo, parcialmente sobre o livro, há um fona de ouvido no modelo headphone rosa, e todos os elementos estão sobre uma coberta propositalmente levemente bagunçada rosa também.

Numa vibe meio “De Repente 30” ao contrário, esse livro tem uma premissa interessante juntando o mundo dos blogs, no qual a Bruna está inserida desde nova, com a viagem no tempo, tendo como diferencial o fato de que a protagonista vai e volta mais de uma vez, então sua jornada pelo passado é dividida em partes, cada uma com sua consequência no futuro/presente. A execução, porém, não deu certo. Sei que a ideia era fazer dessa história um reflexo da dela, com a ida do interior para a capital, gatinha preta de companhia, itens favoritos da personagem e outros detalhes que não posso falar, mas não foi escrita na época mais adequada da sua vida. Ela tinha 19 anos quando o livro foi lançado e tentou criar uma mulher muito mais velha, que acabou tendo essa mentalidade quase adolescente e, com isso, se tornou uma completa idiota!

“Acho que quando duas pessoas se relacionam por tanto tempo, uma acaba deixando muito de si na outra, principalmente quando elas estão apaixonadas. O amor é a único coisa que consegue atingir nossa alma plenamente.”

Sério, em vários momentos me incomodei com defeitos da Anita, como egoísmo, falta de personalidade definida, ideal de “vida boa” fora da realidade, obsessão repentina por algo que ela nem percebia até então e total inconsequência em relação aos seus atos, mas percebi que tudo isso pode ser resumido na imaturidade. Ela não é uma mulher de 30 fracassada por não ter conquistado o que queria, cá entre nós isso é extremamente comum e estou nesse contexto de vida, mas porque tem mentalidade 20, e olhe lá! Eu ficaria até pé atrás em resenhar esse livro, acho meio chato falar mal assim, mas como ouvi a própria autora se criticando num podcast meses atrás, acho que posso me dar ao direito de concordar. Fica difícil engolir e até persistir na história, senti isso na primeira tentativa e dez vezes mais nessa segunda.

Livro De Volta Aos Quinze aberto na folha de rosto, onde está impresso seu título. Abaixo, à mão, há uma dedicatória com autógrafo da autora que diz 'Para Luly com amor e carinho de Bruna Vieira'. Existem alguma pipocas coloridas jgadas sobre essa página, com o balde cheio delas ao lado aparecendo parcialmente no topo da foto, e os headphones cor de rosa também estão ali, sobre a folha e a capa aberta do livro.

Foi engraçado, em dado momento ela diz que Personagem X é maduro “até demais”, sendo que ela que é o contrário, sabe? Até ri nessa parte. Além disso achei algumas contradições pontuais, como uma caixa que era considerada leve e na página seguinte é descrita como pesada, coisas que numa publicação independente sempre deixo passar, mas em livros como esse, publicados por editora grande, não acho aceitável. A leitura, porém, é bem fluída, ótima para o público adolescente para o qual é destinada, e o final em aberto causa uma vontade ENORME de ler a continuação, apesar dos pontos negativos. Estou doida pra sair a série adaptada nele na Netflix, além de ser uma produção nacional com elenco de peso sinto que tem potencial para “corrigir” essas questões, muito justificadas pelo contexto em que foi publicado, e dar a essa história o potencial que tem de entretenimento gostoso.

“Quando você descobre que alguém te ama, tudo o que essa pessoa faz parece ser para chamar sua atenção. Quando você descobre que alguém te amou, tudo o que você faz é para chamar a atenção dessa pessoa.”

Tirando esse romance em específico, que considero ter sido lançado numa fase ainda crua da autora, costumo gostar bastante da escrita da Bruna Vieira. Hoje ela tem 27 anos e 10 livros publicados, entre coletâneas, quadrinhos e mais um romance, o segundo da série Meu Primeiro Blog (o terceiro, que fecha a trilogia, ainda não saiu). Ela explodiu na internet com o blog Depois dos Quinze, que criou para desabafar sobre uma desilusão amorosa, e ainda faz bastante sucesso não parando por aí, postando seu conteúdo não só no blog e nas plataformas de mídias sociais dele, como Instagram, Twitter, podcast e canal no YouTube, mas também no Instagram e Twitter pessoais. Além disso, participa do podcast Perdidas no Recreio, em parceria com Nath Araújo e Giovanna Grigio, já foi colunista da Revista Capricho e segue pela internet, contando histórias enquanto escreve a dela, nas palavras da própria!

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o décimo, referente a 2013. O livro foi a minha escolha para o mês de Outubro no Desafio Zera Estante 2020.

De Volta aos Quinze | Dia 10 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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Livros amarelados: Por que isso acontece? Como evitar? Dá pra reverter?

Livros amarelados: por que isso acontece? O que fazer para evitar? Tem como reverter? Textos sobre um quadrado branco, ao fundo, em preto e branco, uma pilha de livros não identificados um sobre o outro.

Depois de muita revolta com informações equivocadas sobre cuidados com livros que vi rodando pela internet, principalmente entre pessoas que produzem conteúdo literário no Instagram, Youtube e Twitter, resolvi que era hora de falar sobre isso eu mesma, porém com o embasamento científico de quem é realmente conservadora-restauradora com formação focada em bens em papel. Eu sei que as pessoas não têm má intenção ao compartilhar suas experiências no assunto, às vezes até pesquisam sobre e só visam ajudar os outros, mas quando alguém faz isso usando expressões como “conservação” e “restauração” acabam propagando que esses processos se resumem a isso, o que não é verdade porque várias dessas práticas podem, a curto ou longo prazo, até mesmo piorar a situação a acelerar o processo de deterioração deles.

E começando pelo que sinto que mais incomoda as pessoas, principalmente por acontecer com maior frequência com publicações de algumas editoras específicas, vamos falar hoje sobre livros que vão ficando amarelos com o tempo. Vou confessar que eu, pessoalmente, sou uma leitora e restauradora discípula, de forma bem leve, de John Ruskin que vê o processo de deterioração como algo natural que faz parte da história e materialidade das coisas, mas a partir do momento que a função fica comprometida por isso começa a ser realmente um problema pra mim… O amarelado em si impede um livro de exercer seu papel? Não! Mas pra outras pessoas que se importam com o visual sim, então vamos entender por que isso acontece, aprender como evitar ao máximo e conversar sobre o que pode ou não ser feito para reverter.

Por que meus livros ficam amarelados com o tempo?

Não podemos esquecer que o papel é feito de celulose, ou seja, é matéria orgânica! Assim como acontece a gente, a celulose sofre oxidação com o passar do tempo pelo simples fato de estar em contato com o oxigênio. E o componente associado à celulose que faz parte da parede celular dela e causa esse amarelamento com o tempo é uma macromolécula chamada lignina. É ela que dá o tom amarronzado da madeira e também que a torna forte e resistente, mantendo árvores fortes e em pé por anos e anos. À medida que vai oxidando, a lignina do papel vai apresentando esses tons mais escuros que tendem para o amarelo ou mesmo marrom. Sendo assim, quanto mais lignina tem um papel, mais rápido fica amarelo. Ela é o problema, mas muito necessária!

Psiu! Pres’tenção! Apesar da oxidação ser natural e não apresentar realmente danos à nossa saúde, alterações de cor de aspecto mais duvidoso, associadas a manchas de umidade, em relevo ou com tons que tendem para o esverdeado podem ser, na verdade, sinal de fungo ou outros micro-organismos! Tome cuidado ao maneja-los porque aí sim trazer problemas!

Existem outras formas de tonar um papel resistente sem isso, mas são processos que encarecem o produto final, é claro. É por isso que materiais como papel jornal, que precisa ter baixo custo e ainda assim boa resistência, ficam amarelos tão rápido! Não tem nada a ver com a editora, o fato de ser matéria prima nacional ou má qualidade, é só um processo químico natural como qualquer outro! Inclusive, abaixo, fica a prova de que livros importados também ficam amarelos: nela estão minhas duas edições do livro “O Amor é a Cura”, do Elton John, que chegaram aqui mais ou menos da mesma época. A britânica (Love Is The Cure) ganhei da Elton John AIDS Foundation no fim de 2012 está com o corte todo amarelo, enquanto a brasileira da Amarilys, ganhada na mesma época em um amigo oculto, segue branquinha como se estivesse nova.

Foto vista de cima dos livros, onde Love Is The Cure apresenta corte oxidado e O Amor É A Cura ainda está branco.

Como evitar ou reverter essa situação?

A melhor maneira de evitar que seus livros fiquem com as páginas amarelas com o tempo é a prevenção. Claro, não tem como você evitar que ele entre em contato com o oxigênio em si, mas alguns agravantes podem ser destacados, a maioria deles de ação irreversível. A luz e o calor são os piores, por isso mantenha seus livros sempre longe do Sol, em local arejado, onde eles possam “respirar”. Se você não tiver onde armazena-los longe de janelas é interessante colocar pelo menos algum pano cobrindo essa luz nos horários onde é mais forte, o Sol realmente é um grande inimigo da preservação de livros. Até a maneira de organizar a estante é importante, tentando deixar um espaço mínimo entre eles e de distância do fundo, para que o ar circule ali.

Ao contrário do que muita gente pensa, guardar os livros em sacos ou filme plástico não é legal, porque abafa e aumenta o calor e pode causar microclima do jeitinho que fungos e bactérias gostam, principalmente em locais muito úmidos. Também torna mais difícil ver se tem algo de errado acontecendo, ataques de traças e afins. Para manter os livros longe da poeira, que pode contribuir pra oxidação, o ideal é limpa-los com pano seco, pincel e/ou trincha macia, sem produtos molhados ou com cheiro. O mesmo vale pra estante, principalmente se for de madeira! Se tiver alguma sujeira mais resistente é legal ralar um pouquinho de borracha branca e passar no lugar, mas cuidado com as regiões de tinta porque pode acabar apagando junto. Por fim, se possível, é bom não deixa-los onde tem muita umidade, mesmo sendo algo mais difícil de controlar.

Posso lixar ou pintar o corte dos livros?

E agora vamos pra parte mais sensível do post, que é onde surgiu toda minha revolta com o compartilhamento de informações equivocadas sobre o assunto… Virou um costume forte lixar os cortes de livros que ficam amarelados com o objetivo de mantê-los com aparência renovada e limpa, mas chamar isso de conservação ou mesmo restauração é um erro muito grande, porque pode fazer muito mal! Com a lixa acaba acontecendo quebra na fibra do papel, nesse caso em todo o corte, fazendo com que seja mais fácil acontecer acidentes ao folear, deixar cair e afins, aumentando a possibilidade de rasgos. Além disso não impede que a oxidação continue acontecendo, então o problema vira uma reação em cadeia. Alguns restauradores o fazem, sim, mas com muito mais técnica e experiência que um leigo. Eu, particularmente, não gosto e não uso a lixa pra esse fim.

Pintar os cortes também é problemático, uma vez que apenas tampa o lugar e sequer tira a parte oxidada! Dependendo da composição da tinta que você usa pode acontecer reação química e estragar o papel, com o mesmo problema citado anteriormente da quebra da fibra, e ainda atrair mais sujeira, sendo mais difícil de limpar. Melhor não, né? E mesmo se for feito é importante saber dos riscos que você está assumindo e, claro, não chamar das expressões citadas antes, que se referem a processos que devem ser feitos com conhecimento científico prévio. Acima de tudo é importante aceitar que eu, vocês e os livros, todos oxidamos! Faz parte do lindo processo de envelhecer e o conteúdo que existe ali dentro – tanto pra eles quanto pra pessoas – é o que realmente importa, mais que a carcaça!

Conteúdo em vídeo

Para mais conteúdos sobre esse assunto vocês podem acessar a categoria Conservação-Restauração aqui no blog ou a playlist Preservação de Livros no meu canal do YouTube. Em ambos os lugares vocês encontram mais relatos sobre o curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG!

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o quinto, referente a 2008, ano em que entrei na faculdade!

Livros amarelados | Dia 04 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Suzanne Collins

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: Instrumento de cordas pequeno e marrom à esquerda da imagem, ao lado do livro resenhado. Ao fundo, uma camiseta preta com o símbolo da saga Jogos Vorazes, um pedaço de papel arco-íris em um canto e um marador de livro da saga Jogos Vorazes ao lado.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Uma história da série Jogos Vorazes (The Ballad of Songbirds and Snakes)*****
A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: capa do livro verde escura com um alvo alternando entre a cor do fundo e um tom mais claro. Ao centro, um tordo dourado olha pra cima montado em um galho onde há uma cobra da mesma cor. O título encontra-se em cima da imagem e abaixo o nome da autora. Autor: Suzanne Collins
Gênero: Distopia
Ano: 2020
Número de páginas: 576p.
Editora: Rocco Jovens Leitores
ISBN: 9786556670058
Sinopse: “É a manhã do dia da colheita que iniciará a décima edição dos Jogos Vorazes. Na Capital, o jovem de dezoito anos Coriolanus Snow se prepara para sua oportunidade de glória como um mentor dos Jogos. A outrora importante casa Snow passa por tempos difíceis e o destino dela depende da pequena chance de Coriolanus ser capaz de encantar, enganar e manipular seus colegas estudantes para conseguir mentorar o tributo vencedor. A sorte não está a favor dele. A ele foi dada a tarefa humilhante de mentorar a garota tributo do Distrito 12, o pior dos piores. Os destinos dos dois estão agora interligados – toda escolha que Coriolanus fizer pode significar sucesso ou fracasso, triunfo ou ruína. Na arena, a batalha será mortal. Fora da arena, Coriolanus começa a se apegar à já condenada garota tributo… E deverá pesar a necessidade de seguir as regras e o desejo de sobreviver custe o que custar.” (fonte)

Comentários: Para os fãs da trilogia Jogos Vorazes, Coriolanius Snow é o déspota presidente de Panem, uma nação distópica localizada onde hoje é a América do Norte, que condena anualmente duas crianças de cada um dos seus doze distritos a esse reality show onde elas devem se matar para que reste apenas um vencedor. Na 74ª edição dos Jogos uma heroína surgiu ameaçando sua soberania, mas e se voltarmos várias décadas no tempo, na 10ª edição… Quem era Coriolanius então? Aos 18 anos, ele já apresentava sinais de ser tão venenoso quanto sabemos ser capaz ou foi apenas corrompido pelo tempo? Como chegou na sua busca violenta ao poder apresentada em “A Esperança”? Em A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, publicado dez anos depois do lançamento da saga no Brasil, Suzanne Collins traz muitas respostas e tantas outras perguntas através de um incrível romance prólogo!

Instrumento de cordas pequeno e marrom à esquerda da imagem, ao lado do livro resenhado. Ao fundo, uma camiseta preta com o símbolo da saga Jogos Vorazes, um pedaço de papel arco-íris em um canto e um marador de livro da saga Jogos Vorazes ao lado.

Apesar de me considerar fã da trilogia original e de ficar empolgada com o lançamento desse livro ano passado, eu não tinha nenhuma expectativa real para ele. A premissa já sabia: nessa história o jovem Snow é mentor do tributo feminino do Distrito 12, o mais miserável deles e casa da nossa Katniss Everdeen, sendo até foi mencionada superficialmente pela própria no primeiro livro. Não sabemos, porém, mais nada sobre Lucy Gray ou até mesmo sobre ele nesse momento da vida. É uma Panem diferente, com problemas diferentes, personagens diferentes e até mesmo um protagonista diferente do antagonista que ele foi depois. Ainda assim, sabendo do teor da trama, do título super curioso e até do fato de que a publicação é um calhamaço de mais de 500 páginas, me joguei nela com total neutralidade. Talvez por isso achei tão MARAVILHOSO, ou pelo simples fato de que é, mesmo.

“As pessoas tinham memória curta. Elas precisavam andar em volta dos destroços, pegar cupons de racionamento de alimentação e assistir aos Jogos Vorazes para que a guerra permanecesse viva na mente.”

A construção do Snow (que não consigo chamar pelo primeiro nome de jeito nenhum) é, pra mim, o ponto mais positivo de todos. Entre dois clichês que não gosto muito, o “ditador mirim” que sempre foi assim e o rapaz completamente inocente que é corrompido de supetão, o caminho escolhido foi um terceiro e ideal. Um adolescente já ambicioso, disposto a tudo para chegar onde quer e superar a decadência na qual sua família foi jogada, mas longe de um assassino frio e cruel. A essência está lá, em pensamentos eugenistas e sentimento de superioridade, mas existe, ainda, algum grau de humanidade dentro dele também, capaz de sentir carinho, empatia e até amor por algumas pessoas. Ele me soou real, como qualquer pessoa que conhecemos quando nova e encontramos anos depois, alguém que mudou com o tempo, mas tinha pedacinhos do que se tornou lá atrás.

Página inicial da primeira parte do livro, onde se lê 'Parte 1 - O Mentor', como elementor quadrados ao redor dando sensação de pixels. O Instrumento está levemente em cima do canto superior da página.

Outro aspecto maravilhoso, que já era uma característica dos outros livros (e destaquei no desafio sobre eles respondido muitos anos atrás) é o fato que a escrita da Suzanne é muito, muito, muuuuuuuuuito envolvente. Nesse ela criou uma versão ainda mais cruel dos Jogos, sem todo o glamour que passou a ter com o tempo, o que significa ver os tributos tratados com uma desumanidade tão grande que chega a dar enjoo, fora todo o cenário de guerra ainda recente em diversos elementos. Entretanto, mesmo nos momentos mais indigestos, é IMPOSSÍVEL conseguir parar de ler até acabar! Eu o peguei justamente por ser longo, estava sem saber o que ler e escolhi algo que achei que duraria mais tempo pra poder pensar no que engatar em seguida, mas em menos de dois dias já tinha acabado. Ela é genial, a gente até esquece de respirar, às vezes!

“Vocês não têm o direito de fazer pessoas passarem fome, de puni-las sem motivo. Não têm direito de tirar a vida e a liberdade delas. Essas são coisas com as quais todo mundo nasce e não são suas para serem tiradas assim. Vencer uma guerra não lhes dá esse direito.”

A história é dividida em três partes: O Mentor, O Prêmio e O Pacificador, narrados na terceiro pessoa do passado. É interessante porque os Jogos Vorazes são mostrados de fora pela primeira vez, já que o protagonista não está na arena, e ocupam o “meio” da história, de forma que o clímax não acontece ali dentro. Somos apresentados a novidades que essa edição tem em relação às anteriores, que nos levam ao formato que já conhecemos, e novas personagens muito bem trabalhadas, principalmente Sejanus Plinth, que traz mensagens maravilhosas e é uma voz de esperança em meio a tanto horror, e a própria Lucy, tão complexa e cheia de camadas que fica difícil ser lida do começo ao fim, ainda mais tendo a visão deturpada do Snow sobre tudo – e ela principalmente – para te enganar. A gente passa o livro tentando ver além do que ele vê.

Visão lateral do livro, com o instrumento ao fundo e o marcador em baixo.

No quesito “fan service”, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes também é um prato cheio. Logo de cara reencontramos uma coadjuvante super querida, que surpreende por ter uma proximidade familiar com o protagonista e explica muito do que demonstra sentir por ele anos depois, além de alguns nomes que soam como de antepassados de outros conhecidos. A jornada pela cultura do Distrito 12, então, é muito gostosa, relembrando as principais músicas que emocionam por terem sido importantes pra Katniss e surpreendendo ao entender definitivamente sua origem. Aliás, falando em Katniss, ela não ficou esquecida, não! Sessenta anos antes do seu nascimento nossa Garota Em Chamas é homenageada lindamente sem nenhuma forçação de barra. Realmente, um grande prólogo à altura do enredo principal, não vejo a hora de assistir ao filme também!

“Rosas são vermelhas, violetas, como o mar.
Os pássaros sabem que sempre vou te amar.
Sabem que vou te amar, ah, sempre vou te amar.
Os pássaros sabem que sempre vou te amar.”

Se eu tiver realmente que destacar um lado negativo, e novamente falando de forma muito pessoal, acho que eu queria um final um pouquinho mais fechado em alguns pontos. [INÍCIO DA ÁREA DE SPOILER] Entendo que uma não finalização da trajetória da Lucy Gray é pura poesia, faz apologia à música dela, mas continuo querendo saber o que aconteceu. Fora isso, o final é impecável, muito louco presenciar o primeiro envenenamento direto desse grande vilão sabendo que tantos outros estavam por vir. [/FIM DA ÁREA DE SPOILER] Tirando esse detalhezinho, não tenho do que reclamar. Mais uma vez você se engana em alguns pontos, quase acreditando ler uma história de amor (e quaaase torcendo por ela), mas no fundo está cara a cara com uma trama política complexa e aterrorizantemente próxima da nossa realidade.

Citação da música 'A Árvore Forca' presente no livro, com o marcador comemorativo dos 10 anos de Jogos Vorazes em baixo.

Suzanne Collins tem 58 anos e nasceu em Hartford, Estados Unidos. Depois de se formar em Teatro e Telecomunicações em Indiana, trabalhou como roteirista em programas infantis da Nickelodeon, até lançar “Jogos Vorazes” em 2008, seguido de “Em Chamas” em 2009 e “A Esperança” em 2010, que foram adaptados para o cinema entre 2012 e 2015 com jennifer Lawrence no papel de Katniss e Donald Sutherland interpretando Snow. Ela chegou a publicar outros livros não relacionados à saga nesse meio tempo, alguns deles disponíveis no Brasil, até retomar a esse universo tão premiado e aclamado agora, em 2020, em “A Cantigas dos Pássaros e das Serpentes”. É possível conhecer sua obra mais afundo no site oficial, suzannecollinsbooks.com (em inglês).

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