Hoje não é esse dia…

Hoje não é esse dia...

Vai chegar o dia em que toda essa historia vai ser só uma lembrança gostosa, que é exatamente o que merece ser. Vai chegar a hora em que não vou temer quais serão as notícias que sempre quero receber de você. Que eu vou conseguir ler seu nome, onde quer que seja, e não sentir essa falta louca de quem, mesmo tentando esquecer, lembra, sente, deseja.

Eu acho, sim, que em algum dia vou me deitar sem pensar em você. Sem repassar pela minha cabeça sempre a mil por hora, repetidamente, como é fazer isso ao seu lado, com entrelaço e abraço, sentindo de perto seu cheiro. Acho que vou acabar esquecendo o som exato da sua risada, o movimento de todo o seu rosto quando ela é dada, e até todos os outros involuntários que saem daí nas mais variadas ocasiões. Ou vou lembrar disso tudo, mas de forma natural e fluida, nem alento, nem tormento, só um mero – porém delicioso – acontecimento.

“Delicioso” porque é assim que te defino em todos os aspectos. Corpo e mente, tudo aquilo que você cozinha, que diz, que você sente. Acho delicioso seu jeito de se aproximar nessa seriedade sorridente, que sabe exatamente o que dizer sem precisar forçar um “Jogo do Contente”, a cabeça encostada silenciosa pedindo carinho, como se fosse um cachorrinho carente, mas que sei que não chega perto, nem pertinho disso. Talvez seja mesmo leão, que ataca quando precisa e ronrona quando quer, convicto do que acredita e que, coincidentemente ou não, é o que acredito também, e a gente compartilha isso enquanto puder…

É, acho que um dia vou parar de experienciar, inclusive, saudades desse conjunto todo, ir perdendo amorzinho especial por cada pedacinho individual do seu ser até aprender a gozar do saber existência da sua companhia à distância, tá tudo ok, é isso mesmo que a gente pode ter. Porque é melhor mesmo existir do que imaginar, então se Valeu a Pena (ê-ê!)¹ que assim seja, que o sentimento adormeça e se torne a linda história que pude habitar pra nunca precisar escrever. Será o dia em que vou enfim parar de me questionar, mesmo sabendo que o primeiro deles é o melhor cenário, o que seria melhor: aprender a gostar desse seu jeito leve, alegre e equilibrado como gosta de mim, ou te ver sentir toda essa loucura intensa que eu sinto por você.

Mas hoje não é esse dia…

Hoje não é esse dia...

¹ O Rappa. Pescador de Ilusões. Rappa Mundi. Rio de Janeiro: Estúdio Nas Nuvens, 1996. Faixa 6.

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Plurais

Plurais

Hoje é um daqueles vários dias em que, mesmo que não haja busca, topamos com ressignificados nessa enorme andança chamada vida. E eis que eles, que não passam de flexões gramaticais de número, passaram a ter um novo sentido pra mim: dessa vez os plurais me derrubaram pra valer.

Ressignificar é importante, vira quase intrínseco a quem assume papel de metamorfose ambulante. Quer um conselho pra sua vida? Ressignifique! Mas, de preferência, o faça ao transformar maus verbetes do dicionário em bons, não o contrário. Em meio a tantas expressões ruins por aí, veja bem, eu tava bem focada em olhá-las com mais brilho nos olhos, juro, juradinho. Só que nem sempre é possível, às vezes vezes vem sorrateiro, de onde se menos espera, como um chute no peito que dói e faz nascer um ato físico representando essa dor, lágrimas e gritos, e por dentro o sentimento de ter perdido. Pior é partir de velhos aliados, que é como a Língua Portuguesa caminha ao meu lado. Hoje não, hoje ela virou inimiga com suas conjugações em múltiplos, e se uma grande amiga assim pisa na bola fica difícil perdoar!

Eu sei, eu sei, é muita revolta contra algo que costuma ser legal. Ele transforma vitória em vitórias, um assunto em horas, átomo em todos aqueles prótons positivos. Ser plural é tão bom que usei do próprio para a ele me referir, abraçando todos os plurais. Irei fazer o “advogado do diabo” aqui e admitir que sim, amo as grandes quantidades que vêm com qualidade… Em embalagens de batatas fritas, livros vendidos, piadas bem feitas, shows assistidos, gotas de chuva. Em nomes ou pronomes, sujeitos ou predicados. Em verbos. Veremos, teremos, queremos, fazemos, agradecemos, sorrimos, somos, vivemos, trabalhamos, aproveitamos, choramos, lutamos, conquistamos, fugimos, chegamos.

Mas me permita renegá-los, dessa vez. Foi inevitável.

Talvez flexões gramaticais de um modo geral sejam inevitáveis também, mesmo quando indigestas, e com elas a gente tem que aprender a viver. E se agora os plurais incomodam a solução pode ser, enfim, abraçar o singular com toda força, e nele (pelo menos tentar) florescer.

Plurais

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Inclusive, saudades (III)

Inclusive, saudades...

Inclusive, saudades...

Eu não esperava que houvesse o amor. Em tempos de flerte via Redes Sociais eu só queria um “Amei”. Também não esperava romance, mas foi tudo tão romântico que a ideia inicial de deixar passar, de num apegar, foi por água abaixo antes que desse tempo de a gente se tocar.

Nem sei ao certo em que ponto dessa história realmente me apaixonei por você. Se foi quando a vontade de te mandar mensagens pra dizer que tava com saudades começou a incomodar, causar tremedeira, aquele frio na barriga que me dá vontade de vomitar. Ou na manhã em que você soltou “Oi” de surpresa, quebrando um gelo cuja existência é quase inacreditável depois de tanta troca de calor humano. Talvez no dia em que percebi que quem antes me causava tanto interesse tinha parado de trazer emoção, não acelerava mais o coração. Quiçá no momento em que chorei achando que estávamos nos despedindo pela última vez, ainda que já desejasse as vezes seguintes que tivemos, ou as poderíamos ter tido…

Não… Não foi em nenhuma dessas. Eu me apaixonei uns dias mais cedo, no instante em que outras lágrimas teimaram em cair dos meus olhos, tamanha era minha alegria em te ter comigo. Cheguei a virar o rosto pra escondê-las, para que você não as percebesse e interpretasse mal. Não por dor, tristeza, de forma nenhuma: era um dos maiores estados de euforia que já experimentei na vida. Na verdade nesse momento meus sentimentos criaram raízes, porque eles foram plantados ainda antes, no primeiro sorrisão que você soltou ao me ver, seguido de um abraço que não parecia pertencer a recém conhecidos, mas velhos amigos. Ou até velhos amores… Abraço esse que ficou tão, tão marcado em mim que despertou essa vontade maluca de deixar o “E se?” pra trás e transformar num “Sim!” que é tão difícil de se ouvir vindo de mim. Só que dessa vez, ai, fiz questão de dizer, e foi gostoso como um doce de leite (que a gente tanto adora)!

É meio engraçado em como sou repetitiva ao falar do seu olhar mutante, e não tinha parado pra pensar em como nossa história mudou o meu. Em como passei um período de risos vazios, dados apenas com um movimento de lábios, e sua presença tão breve me devolveu o real sorrir. Aquele que surge não somente com a boca, mas principalmente com o brilho radiante nos olhos. Com pupilas chegando ao seu ponto mais dilatado, extasiado. Existem tantas coisas que se transformaram por aqui desde então que não posso, não quero e não dá pra voltar atrás e ser quem era antes. Apesar de ter quebrado várias vezes, por diversas razões, os pedaços partidos conseguem ser mais completos do que naquela época em que eu era inteira.

Acho que eu devia te agradecer por isso. Entre tantas outras coisas.

E, sabe… O romance foi maravilhoso, ainda mais pra quem claramente lutou pra não sentir e ainda assim se apaixonou. Porém agora, na linha de chegada do meu trem de sensações desgovernadas, é hora de admitir (até pra mim, mesmo) que um pedacinho aqui dentro queria além do Amei, o amor.

Inclusive, saudades… Sempre, saudades!
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Inclusive, saudades (II)

Inclusive, saudades

Inclusive, saudades

Essa manhã acordei cheia de lembranças. Tem dias que são assim, elas me invadem de um jeito que dá pra sentir o tudo bem tátil na minha frente, a tensão tão carregada que nem um machado conseguiria quebrar. Às vezes o peito aperta tanto que dá vontade de chorar, como se o que quer que seja que está ali dentro pudesse transbordar pelos olhos. Hoje não, hoje as saudades foram gostosas de sentir, sabe? Aquelas que te faz ficar parada olhando pro nada meio boba até chega no ápice do recordar em que o coração acelera de excitação, como se estivesse correndo uma maratona… Causa arrepios, dos bons!

Lembrei que te conhecer foi como despertar de um pesadelo. Acho que todo mundo já passou por isso, o segundo exato em que a gente abre os olhos e percebe que nada daquele horror aconteceu ou vai acontecer… Um pesadelo longo, desses que ficam tempos nos atormentando mas chegam ao fim, é só questão de tempo até esquecer. Pois é, foi assim estar com você no primeiro instante. As borboletas da minha barriga se agitaram loucas como sempre, mas esse abrir de asas não embrulhou o estômago, mas fez abrir também sorrisos. O que se intensificava quando o SEU sorriso vinha, só de lembrar já sinto tanta falta. Ah, esse sorriso que causa mutações no olhar… Ele é fácil de amar!

Sentir você pela primeira vez, por outro lado, foi como entrar em um sonho. Quando os acontecimentos fogem do nosso controle e a gente vai deixando rolar apenas curtindo esse momento, seja lá como ele acontece. Isso vai contra tudo o que eu faço na vida! Estou sempre ensaiando, pensando mais do que devia. Mas do seu lado não funciona assim, funciona sem hesitar ou ter medo do que está por vir. E acaba sendo melhor do que foi criado nessa cabecinha preocupada, seja imaginando conscientemente ou na inconsciência do sono à noite. Eu, que já tinha colocado no papel todas as ideias de como tudo deveria ser, descobri que programar esse tipo de coisa está limitado ao que nós somos sozinhos. Mas na vida real as conexões só são ideais quando a gente faz junto…

Eu acordei do meu pesadelo de angústias, mas não precisei fazer o mesmo com o sonho saudoso. No fim das contas o ruim era só impressão e o bom é que rolou pra valer. Acho que por isso ainda estou “presa” nele, ainda que completamente livre para o que quer que venha a seguir, em qualquer aspecto. Existem mil coisas que eu gostaria de dizer, algumas jogadas em textos que julgo secretos e acabam não sendo, outras que acho que vou ter que guardar aqui no meu coração… Ou quem sabe soltar devagarzinho, naquelas horas que sua voz se transforma num ronronar no meu ouvido. Não importa! Sentir é mais importante que dizer, e não importa o que eu diga: já valeu, vale a pena (sempre!) poder te sentir e lembrar de você.

Inclusive, saudades!
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Inclusive, saudades (I)

Inclusive, saudades!

Inclusive, saudades!

É como se um trem viesse em alta velocidade e você precisasse pular nele ainda em movimento. São meses se preparando para aquilo, para embarcar naquela viagem mais empolgante impossível, planejando tudo e só o que se consegue pensar é nos momentos maravilhosos que estão por vir, dos quais morre de saudades. Até que, finalmente, se encontra na beirada dos trilhos, correndo com os cabelo ao vento, enquanto ele vem em sua direção de portas abertas. Você estica os braços, agarra a barra de apoio e se joga por inteira lá dentro, o coração batendo descontroladamente e as borboletas na barriga fora de si. Sim, está acontecendo. Chegou a hora.

Você entra e é tão maravilhoso quanto esperava. Sem roteiro, sabe? Apenas acontece, não tem espaço pra nada negativo, só risadas e sorrisos. Mas todo embarque tem seu desembarque e chega a hora de saltar dali de novo, e é isso que você faz, naquele mesmo ponto de onde tomou o impulso que te levou a viver essa experiência. E por mais que saiba que foi real, que se lembre de cada segundo, não consegue assimilar. Podem ter sido dias, mas parece que foram horas, ou minutos, ou só um sonho que a gente nunca sabe quanto tempo durou, parece que você sequer saiu da borda da entrada, ou mesmo do ponto de onde pulou. O aperto é tanto que fica difícil pensar no quão maravilhoso foi, é quase impossível achar palavras que descrevam o que domina a mente e o coração, e tudo o que você quer é digerir, acreditar nesse algo lindo que assim merece ser lembrado.

Eu achei que esse trem não passaria mais nos trilhos da minha vida, assumi que não precisaria escrever essa história, mas não teve como fugir uma vez que ela resolveu se estender e tomar conta dos meus sentimentos, se escrevendo sozinha enquanto o tempo passava. Sempre tive muita dificuldade de aceitar que o “Fim” tinha chegado mesmo quando sabia que era até melhor assim, mas por algum motivo cismei em colocar pontos finais em cada nova fase do nosso trajeto, e felizmente fui conseguindo apagar todos eles para substituir pelas vírgulas mais bem vindas de todas, ou até transformar em reticências. Ainda que essas as reticências deixem de ser três pontinhos para se tornar um só de novo, o que realmente importa é que existiram, bem desenhadas e carregadas de significados.

A verdade é que quanto mais ela se escreve, mais vontade eu tenho de pegar a caneta e me jogar nela. Eu me apaixonei pelo embarque nesse trem desgovernado que vem e vai sem eu saber a direção… Por olha-lo de costas como se admirasse meu próprio céu estrelado, pelo seu sorriso que aparece de repente e ilumina todo o rosto, cada pedacinho dele. Me apaixonei pelas suas mãos que só de encostar em mim me arrepiam por fora e por dentro, por aquele ar sério que de início me intimidava tanto, pela cor daquele olhar que está sempre diferente, pelo som da respiração que muda a cada situação. Estou apaixonada por cada embarque nele e por ele inteiro!

Inclusive, saudades!
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