Radioactive

Radioactive: cena do filme em que Marie Curie, interpretada pela atriz Rosamund Pike, aparece no laboratório onde trabalhada usando um vestido longo, característico da virada do século XIX para o XX, e claro, com os cabelos presos no alto da cabeça. Ela se curva olhando para um frasco que contém um líquido de cor viva e quente, provavelmente um dos elementos químicos que estudava e/ou descobriu.

Radioactive *****
Radioactive: poster do filme onde Rosamund Pike, interpretando Marie Curie, olha para a frente segurando um pequeno frasco contendo Rádio, elemento químico descoberto pela cientista, que emite luminosidade radioativa. Elenco: Rosamund Pike, Sam Riley, Anya Taylor-Joy, Aneurin Barnard, Indica Watson, Cara Bossom, Simon Russell Beale, Mirjam Novak, Corey Johnson, Demetri Goritsas, Tim Woodward
Direção: Marjane Satrapi
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 103 min
Ano: 2019
Classificação: 14 anos
Sinopse: “A história das paixões científicas e românticas de Marie (Rosamund Pike) e Pierre Curie (Sam Riley), assim como as reverberações de suas descobertas no século 20.” Fonte: Filmow.

Comentários: Imagina só ser uma cientista na virada dos séculos XIX e XX, sempre dependendo da boa vontade dos homens, que dominam a academia, para provar que seu trabalho tem potencial e deve ser levado a sério… Em meio a esse sexismo extremo, um dos instrutores da universidade te estende a mão, se tornando seu companheiro de trabalho e vida, após vocês se casarem, e te dando o nome pelo qual você seria eternamente conhecida como uma das principais físicas e químicas do mundo… Pois esse é só o início da história de Radioactive, que acabou de ser lançado na Netflix Brasil (apesar de ser um filme de 2019) e tem a maravilhosa Rosamund Pike no papel de igualmente maravilhosa Marie Curie, nos apresentando sua trajetória de forma belíssima e, em alguns momentos, até um pouco lúdica, não só como cientista, mas também mãe, esposa, imigrante, gente… Mulher!

Mas antes… Senta que lá vem história! Nascida Maria Salomea SkŁodowska em 1867, na Polônia, Marie Curie se mudou para Paris em 1891, seguindo a irmã, onde conseguiu enfim um diploma de ensino superior. Quatro anos mais tarde casou-se com Pierre Curie, também cientista e seu instrutor na universidade, que permitiu a ela um lugar em seu laboratório para conduzir suas pesquisas. A partir disso, eles publicaram a descoberta de dois elementos químicos, polônio (que leva esse nome em homenagem à sua terra natal) e rádio, da palavra “raio”, uma vez que descobriram também que esse elemento emitia uma espécie de luz e energia batizada por ela de radioatividade. Os dois ganharam o Nobel de Física em 1903 pela descoberta da radiação, sendo a primeira mulher vencedora do prêmio, e ela ganhou o de Química em 1911 pela descoberta dos dois elementos.

Pensando no filme como uma biografia, ele não deixou a desejar. O foco está, é claro, nas principais descobertas científicas da Marie e em como isso impactou sua vida, mas é possível perceber também sua relação com a família e colegas, visão religiosa e demais aspectos humanos por trás da personalidade que acabou se tornando. É claro que ter uma atriz incrível no papel ajuda, e o resto do elenco ao redor idem. Sam Riley, que eu só conhecia do filme “Malévola”, em um personagem bem menor, está esplêndido também, a própria imagem de companheirismo que qualquer pessoa pode querer ao seu lado, dá vontade de dividir o laboratório com um marido da mesma área e descobrir o mundo ao lado dela, também… Outro destaque é Anya Taylor-Joy, que aparece mais no final do filme como Irene, filha mais velha do casal, já adulta, atuando de forma igualmente espetacular.

Radioactive: Rosamund Pike e Sam Riley, interpretando o casal Curie, parados vestindo roupas escuras lado a lado, ela levemente na frente, se olhando.
Radioactive: Imagem via HebergementWeb.

Pesquisando sobre o longa, antes mesmo de assisti-lo, vi muitas reclamações sobre como a história foi conduzida, e discordo bastante. Não achei nem um pouco corrida, na verdade fiquei até surpresa com a quantidade de informações bem passadas em menos de duas horas, com direito a cenas de impacto, momentos levemente arrastados e drama quando pertinente. Adorei que eles intercalam o “presente” da cientista com o “futuro” da humanidade, dando exemplos práticos de como seu trabalho foi aproveitado no futuro de forma positiva, como o uso de radioterapias no tratamento contra o câncer, e negativa, através da aplicação bélica na bomba atômica que explodiu Hiroshima, além do famosíssimo acidente nuclear de Chernobil, em 1986. Momentos da história do nosso planeta, que estudamos ao longo da vida e acabamos citando em tantos outros, e tiveram seu “dedo” lá atrás, mesmo sem ela e nem a gente mesmo saber.

Leia também: Mulheres Incríveis, resenha de um livro onde Marie e Irene Curie são apresentadas graças aos seus feitos científicos, sendo a única dupla de mãe e filha a ganhar o Prêmio Nobel até hoje.

É um filme interessante para quem gosta de física e química, e pra quem não gosta porque fica tudo muito explicadinho em tela. Mais do que isso, é fascinante para conhecer mais sobre a história das mulheres na ciência, ao falar não só de uma pioneira, mas duas, já que Marie e Irene trabalharam lado a lado na criação do raio x portátil durante a I Guerra Mundial, apelidado de “Petite Curie”, salvando milhares de soldados, e esse período também é mostrado. Em alguns momentos, ao ver a luzinha verde do rádio na sua mão, dá desespero pelo contato tão próximo com algo que hoje sabemos que pode nos fazer mal (e, de fato, ocasionou na sua morte), mas é bom perceber que evoluímos tanto enquanto ciência, apesar de infelizmente continuarmos tão arcaicos socialmente, como nas cenas em que ela sofre misoginia e xenofobia e vemos até hoje…

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Dia do Sim

Dia do Sim: cena do filme onde a família protagonista aparece andando lado a lado em meio a uma multidão, animados, num parque de diversões.

Dia do Sim (Yes Day) *****
Dia do Sim: poster do filme onde se l~e o nome dos atores principais no alto, foto da família celebrando segurando balões d'água nas mãos e título em baixo. Elenco: Jennifer Garner, Edgar Ramirez, Jenna Ortega, Julian Lerner, Everly Carganilla, Hayden Szeto, H.E.R.
Direção: Miguel Arteta
Gênero: Comédia
Duração: 89 min
Ano: 2021
Classificação: Livre
Sinopse: “Acostumados a sempre dizer NÃO em casa, Allison e Carlos decidem dizer SIM aos seus três filhos durante 24 horas – por um dia inteiro, são as crianças quem ditam as regras! Eles nunca imaginaram que terminariam envolvidos em um turbilhão de aventuras por Los Angeles, Estados Unidos, nem que a família estaria mais unida do que nunca.” Fonte: Filmow.

Comentários: Allison costumava ser a mulher mais divertida de todas, sempre disposta a dizer “Sim” para as oportunidades da vida, inclusive Carlos, com quem se casou após perceberem enorme compatibilidade nesse aspecto. Com o passar dos anos, porém, o “Casal Sim” percebe que para criar seus três filhos, Katie, Nando e Ellie, passariam a dizer muito mais “Nãos” do que imaginavam. Após se ver retratada como uma ditadora em trabalhos da escola das crianças, Allison decide resgatar um pouco da pessoa que era antes e, seguindo uma sugestão do treinador da escola, eles instituam dentro de casa o “Dia do Sim”, vinte e quatro horas onde as crianças estão no controle e os país precisam atender a todas suas demandas, com algumas regras básicas para não existir excessos. Caso falhem, ela precisa pagar uma promessa para a primogênita em relação a algo que é completamente contra.

Comédia familiar levinha, despretensiosa e com a maravilhosa Jennifer Garner no papel principal, o que mais a gente poderia querer, né? Dia do Sim estreou na Netflix dia 13 de março e, por causa de uma péssima experiência anterior com comédias originais da plataforma, fiquei me questionando se valia a pena encarar essa em nome da produção de conteúdo. Sendo sincera, foi a atriz, muito mais que o plot, que me fez “apertar o play”, mas a partir do momento que isso aconteceu achei a narrativa tão gostosa, o humor tão inocente e a família tão carismática que foi fácil demais chegar ao fim com algumas risadas no pacote, lagriminhas penduradas nos olhos e, principalmente, sensação de que tinha conseguido desanuviar a cabeça com um entretenimento bobo, sim, mas exatamente o que a gente precisa de vez em quando em meio ao caos.

Dia do Sim: foto da família protagonita do filme, onde a mãe e os filhos mais novos se encontram em pé em cima da cama do casal, olhando para o pai que está ajoelhado no chão, com a filha mais velha em pé ao seu lado observando a cena.
Dia do Sim: Imagem via Hello Magazine

É claro que, como toda, comédia, existe o exagero forçado aqui e ali, mas no fim das contas, à medida que o dia onde se passa a história ia se desenvolvendo, senti que tanto as atitudes dos adultos quanto as das crianças foram extremamente pertinentes em relação à realidade. O filme aborda, em alguns pontos, questões super enraizadas da nossa sociedade, como o pai que tenta inconscientemente compensar suas frustrações no trabalho na criação dos filhos, a mãe que abriu mão da vida profissional para se dedicar à família, se tornando a imagem de autoridade na casa que leva toda a fama de malvada e como isso, na verdade, é tão comum no dia a dia que passa despercebido, mas que pode ser trabalhado para evitar que seja um problema. Apesar de acha-la dura em alguns momentos bem pontuais, entendi o lado da Allison em toda a trama.

Leia também: Na tag Netflix é possível ler todas as resenhas aqui do blog sobre produções originais do serviço de streaming!

Claro, a atriz é bem conhecida e interpreta a personagem central da história, mas o elenco é todo bacana, ela não precisa segurar as pontas sozinha, de forma alguma. O Carlos de Edgar Ramirez é uma pessoa bem real, com falhas e acertos que precisam ser repensados e enaltecidos, respectivamente. As crianças também são ótimas e os cinco, juntos, soam de forma bem gostosa como uma família comum. É um pouquinho mais difícil entender o lado da adolescente, que tem dilemas tão específicos da idade que acabam se tornando “chatos” na nossa cabeça que já esqueceu como as coisas funcionam? Sim. Mas faz parte da realidade dela, mesmo, e medindo todos os pontos de vista da narrativa até aquele com o qual a gente mais se identificou teve algo a aprender no “final feliz” de contos de fada da vida real que esse gênero sempre carrega!

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Malcolm & Marie

Malcolm & Marie: imagem em preto e branco do casal protagonista do filme em que Marie se deita sobre Malcolm, que está recostado em um sofá, com os rostos próximos e olhos quase fechados, como se estivessem prestes a se beijar.

Malcolm & Marie *****
Malcolm & Marie: poster do filme em preto e branco onde há uma imagem do casal protagonista recortada, com foco em seus rostos que olham um para o outro, e o título na frente. Em baixo se lê a chamada INSANO AMOR, a logo da Netflix e créditos do filme, em cima os nomes dos atores que interpretam as personagens. Elenco: John David Washington, Zendaya
Direção: Sam Levinson
Gênero: Drama
Duração: 106 min
Ano: 2021
Classificação: 16 anos
Sinopse: “O cineasta Malcolm (Washington) e sua namorada Marie (Zendaya) voltam para casa, após a festa de lançamento de um filme, para aguardar o iminente sucesso de crítica e financeiro. A noite de repente toma outro rumo quando revelações sobre o relacionamento começam a surgir, testando a força do amor do casal.” Fonte: Filmow.

Comentários: Após o lançamento do seu mais recente filme, Malcolm e sua namorada Marie voltam para casa com climas completamente diferentes, uma vez que ele está claramente animado celebrando a grande vitória da noite e ela apresenta olhar e comportamento que demonstram estado de espírito oposto ao dele. Enquanto vão conversando, às vezes em diálogos, outras em monólogos, sobre os acontecimentos do evento, uma série de mágoas e ressentimentos vão sendo colocados para fora em meio às pontuais declarações positivas e trocas de carinho madrugada afora, permitindo que quem os assiste entre profundamente na suas frustrações sem tomar partido na discussão, uma vez que ambos parecem fazer igualmente mal um ao outro, apesar dos sentimento genuíno que compartilham.

Lançado hoje pela Netflix com direção de Sam Levinson e elenco que se resume a apenas o casal protagonista, interpretado por John David Washington e Zendaya, Malcolm & Marie é um filme em preto e branco de temática contemporânea que se passa em apenas uma noite dentro da casa do casal, que é toda de vidro, no permitindo observa-los tanto quando a câmera nos coloca do lado de dentre dentro quanto quando permanece ao seu redor. A fotografia é belíssima, mesmo que seja uma casa de gente rica comum, sem muitos detalhes, como se fosse possível estar presente na vida deles intimamente e, ao mesmo tempo, ir descobrindo que existem cicatrizes tão profundas naquela relação que ninguém conseguiria vê-las de fora, uma vez que nem os dois parecem saber que aquilo tudo está ali até, enfim, verbalizar.

Malcolm & Marie: imagem em preto e branco do casal protagonista do filme onde ambos estão em um ambiente aberto, sentados em cadeiras de jardim com uma mesa entre eles. Marie veste apenas calcinha e uma camiseta e está soprando a fumaça do cigarro que está em sua mão, fora do enquadramento da imagem, enquanto Malcolm olho para suas mãos, que está juntas e levantadas em frente ao seu peito.
Malcolm & Marie: Imagem via Geek Tyrant

É impossível negar que os dois se amam, mas isso não torna o relacionamento saudável. Ambos precisam trabalhar questões fortes, tanto de si mesmos quanto a dois, e machucar o outro é uma ferramenta poderosa muito utilizada, mas que sempre sai pela culatra porque faz mal pra todos os lados. Achei a oscilação entre o ataque e o carinho MUITO real, completamente possível de acontecer em qualquer convívio próximo de qualquer família, mas não consegui tomar partidos porque, realmente, o fator tóxico ali, que corrói a convivência apesar do desejo de estar junto, é mútuo. Em alguns momentos em que destila seu machismo você tem vontade de mandar o Malcolm calar a boca, em outros de fazer o mesmo com a Marie, e eles mesmo não conseguem expor isso sempre se rendendo ao mesmo ciclo de escapes pessoais, como música, bebida, cigarro e tentativas de realizar tarefas corriqueiras, cada um ao seu modo.

Leia também: Na tag Netflix é possível ler todas as resenhas aqui do blog sobre produções originais do serviço de streaming!

O ponto mais alto de todos, depois das atuações absoluta e inquestionavelmente impecáveis, é a trilha sonora, que não serve somente para dar às cenas o tom que o diretor deseja passar, mas também fala pelas personagens tudo aquilo que elas não conseguem dizer. Em cenário de amargura tão profunda, que podia ser corrigida com palavras simples como “obrigado” e “desculpa”, mas que só chegam quando já é tarde demais, a relação é pesada e apesar do filme não ser muito longo, com pouco mais de uma hora e meia de duração, você chega ao final exausto, como se tivesse vivido a noite junto com os dois, mas o cansaço é puramente mental pela dificuldade de ver a insistência em se machucar tão explícita em tela.

Particularmente acho que tem potencial para não ser tão amado por quem não sabe o que esperar, graças aos textos muito compridos e convívio saturado das poucas pessoas que vemos em tela, sempre no mesmo ambiente bicromático, mas me afetou de forma que acho ser exatamente o objetivo do longa, que foi cumprido. Por fim, fica aqui a curiosidade de que não é só o elenco que é pequeno, mas toda a produção foi reduzida para que fosse iniciado e lançado nesse último ano, durante a quarentena, sendo inteiramente gravado em apenas duas semanas no início da pandemia, quando as medidas de proteção estavam no auge. Podia ter dado bem errado, mas felizmente foi o contrário e o resultado é impactante!

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Pai em Dobro

Pai em Dobro: foto da personagem Vincenza ao centro, sorrindo, cercada dos seus dois possíveis pais na história, também com ar feliz. Os três estão abraçados, aparentemente em um bloco de carnaval com papéis coloridos voando ao seu redor.

Pai em Dobro *****
Elenco: Maísa, Eduardo Moscovis, Marcelo Médici, Fafá de Belém, Laila Zaid, Pedro Ottoni, Thaynara OG
Direção: Cris D’amato
Gênero: Comédia
Duração: 105 min
Ano: 2021
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Depois de passar a vida toda numa comunidade hippie, uma garota de 18 anos aproveita a chance de sair para o mundo real e decide procurar o pai.” Fonte: Filmow.

Comentários: Vicenza vive com sua mãe, Raion, em uma comunidade “hippie” onde tem todo o tipo de conexão com a natureza, mas quase nenhum contato com a vida contemporânea da cidade. No dia de seu aniversário de 18 anos, Raion informa a ela que precisa passar um tempo fora, o que dá à garota a oportunidade de buscar por conta própria uma resposta que nunca conseguiu para a maior de suas perguntas: quem é seu pai? Através de fotos do carnaval de 2002, quando foi concebida, ela descobre que pode ser filha de Paco ou Giovanne, dois velhos amigos que vivem de formas bem diferentes na cidade do Rio de Janeiro. Ela precisa, então, tentar descobrir a verdade sem que um saiba da possibilidade de ser o outro para não magoa-los enquanto cria, com os dois, o laço que sempre fez falta em sua vida.

Uma versão brasileira do maravilhoso Mamma Mia!, sem as músicas do ABBA mas com a presença da queridinha do país, Maísa, Pai em Dobro foi lançado hoje pela Netflix, adaptado no livro de mesmo nome da autora Thalita Rebouças. Com clima bem descontraído, piadas inteligentes e elenco PESADÍSSIMO, o longa é uma comédia levinha para toda a família, salpicado de momentos emocionantes que são quase um carinho no coração nesse quadro histórico atual onde, às vezes, tudo o que a gente precisa é esquecer um pouco nossa realidade. A inocência da Vicenza, protagonista da história, é natural e cativante, sem forçar situações nas quais é difícil acreditar. Em alguns momentos ela simplesmente faz coisas sem pensar nas consequências, como conviver com homens adultos desconhecidos (que para qualquer garota da cidade “apita” o alerta mental de perigo), mas quando você coloca no contexto ofertado pela história faz sentido, então tudo bem.

Pai em Dobro: foto da personagem Vincenza à direita, com olhos fechado e mãos em posição de oração, com sua mãe ao lado, segurando uma vela apagada. o cenário e suas roupas têm estilo naturalista, como em uma comunidade hippie.
Pai em Dobro: Imagem via Entreter-se

O núcleo adulto da história também é super carismático e ver Laila Zaid, a Raion, interpretando uma mãe hippie, remete automaticamente ao seu visual como Bel, papel de estreia que teve em Malhação em que se vestia de forma bem parecida, foi super nostálgico para mim, que era adolescente nessas temporadas da novela. Os dois possíveis pais são caras MUITO incríveis e é uma daquelas situações em que você não consegue “torcer” pra ninguém, fica a vontade de ver ambos “dividindo” a paternidade sem nunca descobrir a verdade. Até a trama de a Vicenza não abrir o jogo e ter que equilibrar a situação de esconder deles a dúvida faz sentido, não é um daqueles plots de filme onde a gente fica com raiva pela personagem não ter aberto o jogo… Ela está vivendo um momento muito sensível, esperar outra atitude de alguém tão jovem ali é inviável.

Leia também: Cinderela Pop, resenha do filme adaptado de um livro de Paula Pimenta, também protagonizado por Maísa.

Pensando sempre no fato de que se trata de uma comédia familiar adaptada de um livro juvenil, o filme cumpre 100% seu papel dentro do público ao qual se destina. A trilha sonora é gostosa, as participações especiais pertinentes e os minutos passam sem que a gente se canse da história, com direito a uma cena visualmente LINDA de bloquinho de carnaval carioca onde acontece o grande clímax e bate aquela saudade desse feriado lindo. Por fim, preciso dizer, eu ADORO cena clássica que esse tipo de filme tem onde a autora do livro aparece como coadjuvante, sempre espero por ela e nunca me decepciono. A Thalita tá tão fofa em sua aparição dessa vez que desperta um sorrisinho até vindo de quem não sabe que a “atriz” em questão é, na verdade, a criadora de tudo aquilo… Adorável!

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Amor Garantido

Imagem do filme Amor Garantido retratando uma cena de reunião onde a advogada Susan está sentada à esquerda de seu cliente, Nick.

Amor Garantido (Love, Guaranteed) *****
Amor Garantido Elenco: Rachael Leigh Cook, Damon Wayans Jr., Sean Amsing, Lisa Anne Durupt, Heather Graham, Caitlin Howden, Brendan Taylor, Jed Rees
Direção: Mark Steven Johnson
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 90 min
Ano: 2020
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Para salvar seu pequeno escritório de advocacia, Susan decide aceitar o caso de Nick, um novo cliente querendo processar um site de namoro que garante o amor. Mas, conforme o caso esquenta, a relação entre eles também segue o mesmo rumo.” Fonte: Filmow.

Comentários: Susan é uma advogada que mantém um pequeno escritório, contando apenas com dois funcionários. Ela é competente e tenta ser correta ao ajudar as pessoas com seu trabalho, o que nesse mundo louco em que vivemos significa que está com muita dificuldade de manter a si mesma e seu negócio financeiramente. Em meio a todo esse desespero uma grande chance surge em sua vida quando Nick aparece querendo processar o site de relacionamentos “Amor Garantido”, que GARANTE aos clientes que ali encontrarão sua “alma gêmea” em menos de 1000 encontros. Ele, porém, já está quase atingindo essa marca e ainda não conseguiu achar alguém interessante, então a contrata para conseguir uma boa indenização em dinheiro, uma vez que a criadora do site é uma empresária famosa por ser super “good vibes” e riquíssima. Ela, então, entra também nesse universo, como parte da pesquisa de campo para ganhar o caso.

Com a mensagem bem superficial de que não há garantias no amor e casal de protagonistas com excelente química, o filme lançou na Netflix no último 3 de setembro, quinta feira, como uma comédia romântica que explora os tão contemporâneos sites e aplicativos de relacionamento, que dividem opiniões dos usuários ao redor do mundo. Ao mesmo tempo que a relação dos personagens se desenvolve, a advogada Susan vai descobrindo esse novo mundo. Ela vivencia vários tipos de encontro enquanto tenta entender como esse estilo de vida funciona, a maioria deles resultando em esteriótipos negativos, mas engraçadinhos, da prática. Os positivos, por sua vez, aparecem para ela ao entrevistar as mulheres com quem o cliente saiu anteriormente, fazendo-a questionar como ele não conseguiu encontrar alguém que gosta e descobrir uma pessoa interessante por trás da imagem de “garanhão” que criou dele em sua mente.

Imagem do filme Amor Garantido retratando uma cena de júri onde a advogada Susan está sentada à direita de seu cliente, Nick.
Amor Garantido: Imagem via Webbies World

Uma coisa que achei meio deslocada na história foi o núcleo da família da irmã da Susan, grávida de um novo bebê e moradora na casa ao lado com marido e filho. A princípio achei que iam explorar o clichê “minha irmã que encontrou o amor e se dedica à família é mais feliz que eu enquanto só penso no trabalho” e já fiquei pé atrás porque DETESTO esse ponto de vista, acho super sexista firmando aquela ideia de que mulheres que não se casam e/ou reproduzem são incompletas, mas felizmente isso não aconteceu, o que ao mesmo tempo deixou esse grupo de pessoas meio “solto”. Talvez tenha sido para servir de voz conselheira dela, uma vez que o Nick tem essa figura em outro personagem, ou para não parecer que ela é uma pessoa isenta de conexões pessoais, mas de modo geral esperei por algum desenvolvimento, e não aconteceu.

Leia também: Quase Uma Rockstar

Já que falei em clichê, o filme é isso do início ao fim. Não tem NADA nele que surpreende, assim que você assiste ao trailer já sabe como vai ser começo, meio e fim. Quando chegou no clímax até pensei que talvez teria uma surpresinha para o expectador, que seria o “esperado” para as personagens, mas foi o contrário, mesmo. Se isso é bom ou ruim, cabe a quem está assistindo decidir. Ao mesmo tempo que pode ser um entretenimento leve, aquele filme que você assiste enquanto prepara os ingredientes pro almoço ou faz um trabalho manual que é bom ter alguma mídia de “som ambiente” ao fundo, não é realmente algo revolucionário que entra pra lista de filmes que trazem grandes ensinamentos na vida de quem assiste. A trilha sonora, por fim, é a parte mais gostosa, contribui pra dar o tom tanto nos momentos fofos quanto nos engraçados, cruciais para a construção de qualquer comédia romântica.

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