7 mulheres do Pós-Impressionismo que precisamos conhecer!

7 mulheres do Pós-Impressionismo que você precisa conhecer: foto de Luly Lage sorrindo, vestindo uma camiseta preta, cercada de quatro obras criadas por mulheres pós-impressionistas, com o nome do movimento artístico escrito em baixo.

Quando pensamos em movimentos artísticos, normalmente vem em nossa mente conjuntos de obras que possuem características e meios de produção semelhantes, tentando se opor ao movimento anterior. Depois de uma quebra brusca nesse ciclo da história da arte ocidental através do Impressionismo, no fim do século XIX, artistas passaram a adotar cada vez mais posicionamento vanguardista, buscando estilo próprio condizente com suas necessidades ao se expressar. Com a última grande exposição impressionista em 1886, surgiu na França e espalhou-se pela Europa e outros países que a tinham como referência o Pós-Impressionismo, um conjunto de artistas que pintavam de formas diversas e ainda tinham pensamentos semelhantes ao movimento anterior, visando a quebra com a arte realista, romântica e clássica, sem limitar-se, porém, a retratar os efeitos da luz no momento que pretendiam retratar, passando até a usar contornos bem fortes e tornando-se cada vez mais mal vistos pela academia.

O contexto histórico no qual o pós-impressionismo estava inserido era o de uma sociedade bastante industrial. Um grande marco dessa época foi a Torre Eifell, que celebrava os 100 anos da Revolução Francesa em 1889 e consistia num monumento gigante feito de metal que demonstrava o quanto a estética preferida pelas pessoas vinha se transformando. Os principais artistas desse momento são Gaugin, Cézanne (dois grandes nomes do impressionismo) e Van Gogh, além do boêmio Henri de Toulouse-Lautrec, que com seus cartazes de cabarés foi um dos responsáveis pelo surgimento do design gráfico, dando à arte papel não apenas erudita e decorativo, mas também aplicado no cotidiano. Por mais que elas não estejam tão presentes em livros de história da arte quanto seus colegas, várias mulheres podem ser destacadas como fortes representantes do período, e eu selecionei 7 entre as mais notáveis para apresentar aqui hoje!

01) Suzanne Valadon:

Três obras de Suzanne Valadon, todas retratando figuras femininas em diferentes cenários, com sua foto em preto e branco abaixo seguida do nome e anos de nascimento (1865) e morte (1938).

Marie-Clémentine foi “rebatizada” como Suzanne Valadon por Toulouse-Lautrec, para quem modelou e com o qual viveu um romance. Foi modelo também de Renoir, inclusive em uma de suas principais obras, “Dança em Bougival”. Suzanne era filha de uma lavadeira em Montmartre, onde abandonou a escola para exercer vários trabalhos até juntar-se ao circo como acrobata. Lá conheceu artistas modernistas de grande nome na França, tornando-se modelo deles e, enfim, passando a desenhar e pintar observando-os fazendo o mesmo, recebendo muita influências do Simbolismo e do Pós-Impressionismo. Após casar-se em 1896, passou a viver como artista em tempo integral. Foi a primeira mulher na Sociedade Nacional de Belas Artes, sendo considerada uma grande transgressora e nome importante nos estudos de artes feministas. Morreu aos 72 anos e, como homenagem, teve seu nome dado a uma cratera no planeta Vênus, comumente ligado ao amor e à feminilidade.

Obras em destaque: Auto retrato (1898), O Quarto Azul (1923) e Nus (1919). Aprenda mais sobre a Suzanne!

02) Vanessa Bell:

exemplo de três obras de vanessa Bell, a primeira um retrato, a segunda uma pintura abstrata e o terceiro representando várias pessoas em tons sóbrios. Abaixo, sua foto (em preto e branco ) e nome, seguido dos anos 1879 e 1961, de nascimento e morte, respectivamente!

Irmã mais velha da escritora Virginia Woolf, Vanessa Bell sofreu, assim como ela, abusos dos meio-irmãos durante a juventude, que causou a fragilidade mental de Virginia e fez com que ela vendesse a casa onde viviam depois da morte dos pais, mudando para Bloombury, onde as duas fundaram, junto com seus maridos e outros amigos, o Grupo Bloomsbury de artistas e escritores que rejeitava os hábitos burgueses da sociedade vitoriana. Casou-se com Clive Bell, com quem tinha um relacionamento aberto, sendo o colega Duncan Grant seu principal namorado e companheiro de trabalho, com quem dividiu projetos notórios. Teve dois filhos com Clive e uma filha com Duncan, que foi criada pelo marido como se fosse dele. É responsável por alguns retratos mais conhecidos da irmã e do conjunto de cinquenta pratos intitulado “Serviço de Jantar das Mulheres Famosas”, onde ela e Duncan retrataram mulheres influentes em diversas áreas.

Obras em destaque: Auto-retrato (1915), Nu Com Papoulas (1916) e O Clube da Memória (1943). Aprenda mais sobre a Vanessa!

03) Anna Boch:

Trio de pinturas de tons suaves de Anna Boch, em tons pastéis que vão do sóbrio na primeira a cores frias na última). Sua foto está em tons de sépia e os anos correspondente ao nascimento e morte são 1848 e 1936.

Você já ouviu falar que Van Gogh vendeu apenas uma obra de arte em vida? “O Vinhedo Vermelho” foi comprado por Anna Boch, que era uma pintora e patrona de artes belga que migrava entre o impressionismo e pós-impressionismo, usando muito das técnicas de pontilhismo em suas obras. Mais do que suas pinturas, precisamos falar também do trabalho que fazia ao ajudar amigos modernistas da época, não só o mencionado anteriormente mas também Gaugin, para quem organizou um leilão beneficente. Anna abriu também uma casa onde artistas progressistas podiam produzir seus trabalhos e, em seu testamento, doou o dinheiro que tinha e o que foi arrecadado com a venda de seus quadros foi destinado à aposentadoria desses colegas, garantindo que não ficassem desamparados após não conseguir mais produzir. Seu desejo foi realizado quando morreu, aos 88 anos, mas teve algumas pinturas também doadas para museus.

Obras em destaque: Um Buquê de Cravos (cerca de 1910), Mulher lendo em um Aglomerado de Rododendros e Retorno da Missa Pelas Dunas. Aprenda mais sobre a Anna!

04) Emily Carr:

Obras de Emily Carr que possuem cores fortes e temas que vão da ícone indígena a um auto-retrato. Abaixo, sua foto em preto e branco é seguida do nome e dos anos de nascimento (1871) e morte (1945).

Nascida na costa do Pacífico canadense, Emily Carr é nome de diversas escolas e uma universidade de artes em seu país. Estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas manteve como temática principal os povos indígenas do Canadá, pintado-os e escrevendo livros sobre eles no fim de sua vida. O principal deles, Klee Wyck (“a Risonha”), tinha como título o nome adotado que recebeu nas vilas de tribos com as quais convivia. Durante a década de 1920 conheceu o Grupo dos Sete, artistas modernistas canadenses de maior relevância que, apesar de não integra-la ao grupo, considerava como parte deles, chamando-a de “A Mãe das Artes Modernas”. Após três ataques do coração e um derrame, abandonou definitivamente a pintura para dedicar-se à escrita e morreu de um quarto ataque, aos 73 anos. No mesmo ano, ganhou um doutorado honorário da Universidade de British Columbia, sua província natal.

Obras em destaque: Guyasdoms D’Sonoqua (cerca de 1930), Acima do Gravel Pit (1937) e Auto-Retrato (entre 1938 e 1939). Aprenda mais sobre a Emily!

Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

05) Gwen John:

Obras pertencentes ao pós-impressionismo de Gwen John, sendo elas uma freira, um gato e uma mulher carregando um gato, todas em tons leves. Abaixo, um auto retrato da artista com vestido de cor forte e os anos 1876 e 1939, quando nasceu e faleceu, em seguida ao seu nome.

Gwen John nasceu no País de Gales e se mudou para Londres em 1895, ao ingressar na Slade Schooll of Fine Arts, uma das poucas instituições de Belas Artes que aceitava mulheres no Reino Unido, junto com seu irmão Augustus, que teve direito de entrar antes dela, apesar de ser mais novo. Começou a expor oficialmente em 1900 e três anos depois foi para a França com sua amiga e modelo Dorelia McNeill. Lá, começou a modelar para Rodin, o principal artista francês da época, com quem teve um longo relacionamento. Bissexual, era conhecida por ser muito intensa em suas relações. Com o tempo, conseguiu um patrono que a permitiu viver apenas de suas pinturas. Apesar de conhecer muitos artistas influentes, era muito tímida, focando sua produção em temáticas católicas, tornando-se fervorosa na religião com o tempo. No fim da vida, viveu sozinha com seus gatos até morrer aos 63 anos.

Obras em destaque: Mère Poussepin (A Freira, 1915), Gato (entre 1904 e 1908) e Jovem Mulher Segurando Um Gato Preto (entre 1920 e 1925). Aprenda mais sobre a Gwen!

06) Nutzi Acontz

Representando o pós-impressionismo na Romênia, as obras exemplo de Nutzi Acontz t~em cores fortes e linhas bem definidas, representando duas paisagens nas extremidades da imagem e uma imagem de natureza morta no centro. Sua foto, abaixo, está em preto e branco, seguida do nome, ano de nascimento (1894) e de morte (1957).

Nutzi Acontz era romena, fruto de uma linhagem armênia da Moldávia, país da Europa oriental que faz fronteira com a Ucrânia e a Romênia, onde nasceu em novembro de 1891. Quando tinha por volta de vinte anos, estudou na Escola de Belas Artes de Iasi, trabalhando como professora de desenho em seguida à sua formatura. Só conseguiu se manter como artista, com suas pinturas, após se mudar para Bucareste, onde retratava paisagens e elementos da natureza com forte dualidade de estilos: em alguns momentos com linhas densas, bem definidas, e cores igualmente intensas; em outros de forma tão leve e sutil que as obras parecem quase não ter cores. Foi lá que faleceu, aos 63 anos, em 1957.

Obras em destaque: Rua Dojubran, Natureza Morta com Fruta e Café Mamute. Aprenda mais sobre a Nutzi!

07) Sylvia Pankhurst:

Exemplos de obras de Sylvia Pankhurst, sendo a primeira uma pintura retratando uma operária de fábrica, a segunda um broche do movimento Sufragista e a terceira um desenho de uma mulher com linhas leves). Na foto, abaixo, Sylvia aparece com o rosto apoiado nas mãos, em preto e branco, e ao lado dele está seu nome e os anos 1882 e 1960, de nascimento e morte respectivamente.

Um parágrafo só não é suficiente para definir Sylvia Pankhurst, que fica por último não por ser menos revelante, mas sim por ter tantas atividades que marcam sua história de forma mais forte que a arte que isso se torna só um adendo dela. Filha de Emmeline Pankhurst, uma das fundadoras do movimento sufragista britânico, Sylvia participou ativamente da causa da mãe, sendo responsável por cartazes pedindo o voto feminino, pinturas retratando as operárias de fábricas e o broche que era dado ás companheiras que eram presas, quando soltas. Em dado momento, rompeu com o grupo por ser contra os esforços da I Guerra Mundial, que elas apoiavam, criando sua própria organização e alinhando seu pensamento político cada vez mais à esquerda. Foi ativista política socialista e humanitária até o fim da vida, que aconteceu quando lutava pela libertação dos etíopes dominados pela Itália, na própria Etiópia.

Obras em destaque: Em Uma Fábrica de Algodão em Glasgow Cuidando de Um par de belas Armações (1907), Broche Holloway (após 1902) e Retrato de Uma Jovem Mulher (cerca de 1909). Aprenda mais sobre a Sylvia!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do pós-impressionismo?

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina na história da arte! A série sobre as mulheres do Pós-Impressionismo “terminou” no início desse ano, mas não definitivamente, já que continuará sendo alimentada sempre que possível ou pertinente. Para conhecer mais sobre o movimento e várias outras artistas que fizeram parte dele, inclusive de outros países, vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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#TBTCultural: Narrativas Femininas – Sou aquilo que não foi ainda

Narrativas Femininas

Hora de dar um “Hello, hello, pessoal” para mais um #TBTCultural, dessa vez MUITO especial! Durante quatro meses, e com fechamento no último Dia Internacional da Mulher, a Fundação Clóvis Salgado, carinhosamente conhecida como “Palácio das Artes”, exibiu nas suas galerias de entrada franca a mostra Narrativas Femininas – Sou aquilo que não foi ainda, a 5ª Edição do Programa ARTEMINAS, que tem como objetivo apresentar artistas de Minas Gerais com o divulgando seus trabalhos para o grande público, buscando representatividade ao fazê-lo. Nessa exposição os focos foram artistas mulheres de diversos tipos, quatro grupos divididos em cinco galerias, cada uma focando num modo de produzir.

Visitei a exposição na última semana que ficou em cartaz como parte do curso livre oferecido pelo Centro de Formação Artística e Tecnológica – CEFART, que funciona dentro do Palácio, chamado Conceitos e Materialidades: Narrativas Femininas. Nele visitamos e debatemos sobre o que as artistas ofereceram, sobre como o ser feminino foi apresentado de modo diferente por cada uma delas no primeiro dia, e produzindo nossa própria narrativa no segundo (no meu caso, uma colagem). E, claro, foi mais um caso em que registrei algumas coisas pensando em produzir conteúdo e acabei negligenciando, mas tudo bem porque isso tem sido incrível para matar as saudades de museus na quarentena através dessas retrospectivas.

EFÊMERA:

No pátio externo do Palácio, sem necessidade de entrar nas salas fechadas, está a Galeria Aberta Amilcar de Castro, onde são expostos grafites que, ao fim da exposição, são cobertos para que os próximos entrem no lugar. A arte urbana é Efêmera, e não podiam ter escolhido nome mais adequado para essa parte da mostra que esse. Ao invés de pensar com pena por saber que as obras “deixarão de existir” em breve o objetivo é aproveita-as ao máximo, apreciando como elas se compõe ao cenário local ao redor de portas, canos e lixeiras, por exemplo. Para alguns passa até batido, como se nem fosse parte de algo do tipo, mais são. Uma lição sobre reparar mais ao nosso redor e saber deixar ir, quando chegar a hora.

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: Artêmis Garrido, Isabel Saraiva, Maria Clara Cheib e Mona (Amanda Vilaça).

Psiu! Pres’tenção! Por estar participando de um curso durante minha vista, estava mais focada nas discussões que estavam acontecendo do que no que produziria com ela depois. Por isso, e já me desculpo, não anotei nome de nenhum obra e nem autoria, então passo aqui uma lista completa das artistas de cada categoria para você vocês possam conhecer todas!

HÍBRIDA:

Materiais, formatos e discursos diferentes passam uma mesma mensagem com sua mesma bagagem. Híbrida, exposta nas Galerias Genesco Murta e Alinda Corrêa Lima, é arte contemporânea, sim, com todo embasamento teórico erudita presente por trás. Elas mostram ali o feminino físico, seja por esteriótipos de gênero, todos bem trabalhos e pertinentes, ou mesmo pelo fator biológico, explorando largamente a vulva e outras parte do aparelho reprodutor de uma fêmea humana. É um misto do trabalhado com o simples, do visual arcaico com o cristalino. Talvez o momento onde o fato da produção ser feminina está mais explícito pelo seu apelo físico e escancarado do corpo da mulher.

ATENÇÃO! ATENÇÃO! As obras a seguir podem apresentar conteúdo sexual!

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: Carolina Botura, Giulia Puntel e Julia Panadés.

Assim, Como Acontece:

Por fim, do outro lado do pátio, que dá vista para o Parque Municipal, na Galeria Mari’Stella Tristão, o artesanato tomava conta das Narrativas Femininas em Assim, Como Acontece. Nessa parte grupos de bordadeiras e outras artistas trazem o aspecto cultural, nos mais diversos papéis que esperam de nós socialmente no local de onde cada uma delas vêm. É interessante pensar que, talvez, não seja tão óbvio que algumas daquelas obras são feitas por mulheres como na anterior, mas provavelmente para quem vive o mesmo contexto é, sim. E será que para essas pessoas, que têm um fazer artístico tão diferente e pessoal, as outras visões não deixam de ser óbvias também? Será que ser mulher não é diferente em todos os lugares, apesar de igualmente uma luta constante, como diz o poema de Teresinha Soares que dá o subtítulo “Sou aquilo que não foi ainda”?

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Narrativas Femininas

Artistas participantes: As Bordadeiras do Curtume, Coletivo de Bordadeiras e Vila Mariquinhas, Ana do Baú, Cássia Macieira, Dida, Enedina Gonçalves, Eva, Geralda Batista dos Santos, (Dona) Irene Gomes da Silva, Ivanete, (Dona) Izabel Mendes da Cunha, Maria de Lourdes, Maria Lira, Noemia Batista dos Santos, Rosana Pereira, Vicentina Julião, Zefa e Zezinha

Com curadoria de Uiara Azevedo e Marci Silva, a exposição estava presente também na Galeria Pedro Moraleida com o Acervo FCS: Mulheres, obras de grandes nomes femininos da arte mineira que que já pertencem à fundação, mas não cheguei a visita-la para mostrar o que havia por lá. De qualquer forma fica aqui e sempre o questionamento de o que é a arte feminina? Seria ela diferente da masculina, ou desvalorizada graças ao sexismo, somente? E, talvez por essa desvalorização, artistas mulheres, e pertencentes a outras minorias políticas, sintam tanta necessidade de mostrar através disso sua identidade, para que enfim seja valorizada e apreciada com equidade!

Veja também em vídeo:

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube que traz visibilidade feminina na história da arte! Sempre que pertinente, e fora do contexto de isolamento social, eu falo sobre as mulheres de exposições que frequento por lá, além dos vídeos apresentando movimentos artísticos e quem eram as artistas que faziam parte deles.

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10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

10 Mulheres Impressionistas

Você já se deparou, zapeando pela internet ou museus, com obras de arte onde a paisagem parece borrada, as formas são meio incertas e as tintas escolhidas pra representar parecem ser um monte de borrãozinhos coloridos que, por um mero acaso, foram uma imagem? Se sim tem uma grande chance de ter conhecido uma pintura impressionista! O impressionismo foi um movimento que marcou a história da arte, principalmente na França, no final do século XIX, caminhando para o início do XX, e tinha como objetivo a quebra do ciclo de estilos que tinha acontecido até então… Nele os artistas, em sua maioria com foco em ambientes externos, retratavam o momento exato que estavam vivendo ou criando, explorando luz e sombra para dar sensação de “agora” e apostando em formas não definidas pra dar a quem aprecia impressão de movimento, como se tudo aquilo pudesse se desmanchar em um segundo.

O “grupinho” dos principais impressionistas era composto de Manet, Monet, Renoir, Degas, Gaugin, Cézanne e Pissaro… Fica parecendo que realmente só homens faziam parte, né? E, se você analisar os principais livros de história da arte são eles que serão mencionados. Mas pipocando por Paris e depois, consequentemente, por diversos lugares do mundo, as mulheres do impressionismo estavam ali, firmes e fortes, lutando contra esse imenso sexismo que fazia (e ainda faz) parte das artes, produzindo obras tão incríveis quanto as deles. E essas mulheres PRECISAM ser conhecidas.

Quando comecei a estudar (in)visibilidade feminina nas artes as impressionistas foram “caindo no meu colo” muito rápido, antes mesmo que essa pesquisa tomasse forma de verdade. Não sei se por coincidência ou se pelo fato de que esse SEMPRE foi meu movimento artístico favorito, desde que estudei pela primeira vez ainda no colégio, quando nem pensava que um dia estudaria para me tornar professora no assunto também. De repente minha pesquisa acadêmica tinha essas pintoras (e uma escultora) como foco. Ainda pesquiso, produzo conteúdo e amo conhecer todas as outras, mas quem vai pro Lattes, de verdade, são elas. Então hoje apresento a vocês a seleção mais difícil que já tive que fazer na vida com 10 mulheres do impressionismo que merecem ser conhecidas e apreciadas.

01) Mary Cassatt:

10 Mulheres do Impressionismo: Mary Cassatt

Provavelmente a principal entre as “damas do impressionismo”, Mary Cassatt era americana, mas viveu a maior parte da sua carreira artística na França, o berço do movimento. Sua família era de classe média alta e a mãe valorizava muito a educação de meninas, o que deu a ela acesso a viagens e estudo desde novinha, mas não impediu seu pai de ser contra sua carreira. Após muita frustração por não se encaixar na arte clássica e se recusar terminantemente a ter um patrono, ela foi convidada por Degas, de quem era amiga, a conhecer os impressionistas e aderiu ao movimento focando trabalhos em mulheres e crianças, tendo 11 obras na Grande Exibição Impressionista de 1879. Continuou pintando por muito tempo, mesmo diagnosticada com reumatismo, diabetes, neuralgia e catarata, essa última responsável pela cegueira que, enfim, a forçou se aposentar. Morreu aos 83 anos em Le Mesnil-Théribus, França.

Obras em destaque: Auto retrato (1880), Chá das Cinco (1880) e Jovem Mãe Costurando (1900). Aprenda mais sobre a Mary!

02) Berthe Morisot:

10 Mulheres do Impressionismo: Berthe Morisot

O nome feminino mais comumente citado em livros de história da arte sobre impressionismo, Berthe Morisot nasceu em uma comuna francesa onde era comum que meninas estudassem arte. Uma vez que sua família se mudou para Paris, começou a trabalhar como copista até assumir essa função no Museu do Louvre. Tornou-se amiga de Manet e casou com seu irmão, Eugene, com quem teve uma filha chamada Julie, amizade essa que resultou em troca de influências, sendo responsável por introduzi-lo no Impressionismo e ressentindo fortemente as críticas e falas sexistas do mesmo. No Salão de Paris de 1873, que teve grande representação do movimento, foi considerada a autora dos melhores trabalhos pelo Le Figaro. Sua família foi a principal temática retratada por ela nos quadros que pintou até morrer, aos 54 anos de pneumonia, enquanto cuidava de Julie que havia contraído essa doença.

Obras em destaque: A Irmã da Artista na Janela (1869), A Mãe e a Irmã da Artista (entre 1869 e 1870) e Milharal (cerca de 1975). Aprenda mais sobre a Berthe!

03) Marie Bracquemond:

10 Mulheres do Impressionismo: Marie Bracquemond

Nascida de um casamento arranjado, Marie Quivoron teve aulas de pintura com o pintor e restaurador Vassort e aos 16 anos já tinha um quadro exposto no Salão de Paris. Trabalhou com Jean Auguste Ingres mas, frustrada com a simplicidades dos trabalhos que ele lhe passava, resolveu trabalhar com encomendas e chegou a ser copista do Louvre. Lá conheceu não só o movimento impressionista, do qual era parte e forte defensora, como também Félix Bracquemond, com quem se casou e teve um filho no ano seguinte. Trabalhavam juntos no ateliê onde ele era diretor, mas Félix não gostava de seu estilo, não aceitava suas sugestões e escondia seus trabalhos, fazendo com que ela abandonasse as obras autorais e passasse a trabalhar pontualmente com encomendas. Morreu aos 75 anos, em Paris, mas sua produção artística não é tão vasta quanto essa idade permitiria graças à falta de incentivo doméstica.

Obras em destaque: Mulher com uma Sombrinha (1880), Sob a Lâmpada (1877) e A Irmã e o Filho da Artista no Jardim em Sevres (1890). Aprenda mais sobre a Marie!

04) Eva Gonzalès:

Mulheres do Impressionismo: Eva Gonzalès

Eva Gonzalès nasceu em Paris, França, filha de um escritor espanhol, o que permitiu que convivesse com artitas desde nova. Começou a pintar aos 16 anos enquanto aluna de Charles Chaplin e aos 19 já era pupila de Manet, sendo também uma das responsáveis por apresenta-lo ao movimento impressionista, e assim como o mestre não tinha muito o costume de expor suas obras. Casou-se aos 30 anos com o impressor Henri Guérard e 4 anos depois, ao dar a luz ao primeiro e único filho do casal, faleceu muito jovem, uma semana após seu mestre, o que não permitiu que tivesse muita notoriedade em sua época. Ainda assim produziu uma quantidade enorme de obras, entre pinturas e desenhos. Sua irmã, Jeanne Guérard-Gonzalès, também pintora impressionista (porém menos ativa no trabalho), se casou com Guérard após sua morte e os dois criaram, juntos, o filho do casal.

Obras em destaque: Retrato de Jeanne Gonzalès (antes de 1883), Despertar da Manhã (1876) e O Coque (entre 1865 e 1870). Aprenda mais sobre a Eva!

Você sabia? O impressionismo não pregava tantas regras em relação a materiais e temáticas, mas ainda assim a maioria dos pintores adeptos ao movimento costumavam pintar paisagens. As mulheres, por sua vez, nem sempre conseguiam seguir essa tendência por não ter acesso ao ar livre como eles tinham, por isso vemos ambientes domésticos e familiares como tema das obras da maioria delas: era um retrato da realidade em que estavam inseridas.

05) Louise Abbéma:

10 Mulheres do Impressionismo: Louise Abbéma

Louise Abbéma, uma francesa cuja família sempre conviveu com a comunidade artística local de sua cidade natal. Mudou-se para Paris ao começar a pintar aos 20 anos, onde teve aula com professores particulares. Retratava artistas da Comédie Française e foi retratista oficial da atriz Sarah Bernhardt, com quem manteve anos de relacionamento romântico e amizade, sendo sua principal modelo. Adepta ao ideal da “Nova Mulher” e do movimento feminista que crescia na Europa, renegava o papel tradicional da mulher na sociedade de sua época, se vestindo de forma andrógena e retratando assim as mulheres em seus quadros. Além de pintora era escritora, contribuiu com artigos para o Diário de Belas Artes. Morreu em 10 de julho de 1927, aos 73 anos em Paris, e pintou até o final de sua vida.

Obras em destaque: Jeanne Samary (1879), Manhã de Abril (1894) e Sarah Bernhardt (antes de 1927). Aprenda mais sobre a Louise!

06) Camille Claudel:

10 Mulheres do Impressionismo: Camille Claudel

Um das histórias mais tristes da arte moderna, Camille Claudel era uma escultora francesa, estudante da Academia Colarossi. Foi aluna e amante de Rodin, a quem sua história é fortemente atrelada pelo relacionamento conturbado, acusações de roubo de obra e sabotagem por parte dela e que teve seu fim após um aborto espontâneo. Considerada a “Berthe Morisot da escultura”, produzia obras em tamanhos gigantes e materiais pesados, sendo chamada de “gênio” pelo compositor Debussy, com quem namorou. Após a morte do pai, sua família cortou seu patrocínio e ela não conseguia outros por ser mulher, foi diagnosticada com esquizofrenia, destruindo suas próprias obras ocasionalmente até, enfim, ser mandada para o hospício. Ficou lá por 30 anos, quase sem receber visitas, mesmo que os médicos tenham dado alta e a imprensa acusasse seu irmão, o poeta Paul Claudel, de ocultar um gênio. Produziu mesmo internada e ali morreu, aos 78 anos.

Obras em destaque: Perseu e a Górgona (1905), Mulher Agachada (entre 1884 e 85) e A Valsa (1883). Aprenda mais sobre a Camille!

07) Anna Ancher:

10 Mulheres do Impressionismo: Anna Ancker

Parte de um grupo chamado “Pintores de Skagen” composto por escandinavos que se reuniam na pousada de seus pais para pintar, Anna Brøndum estudou arte em Copenhague antes de voltar para sua cidade natal e casar com o também artista Michael Ancker. Juntos os dois produziam e consumiam muita arte, de diversos tipos, mantendo viagens de campo e visita a exposições fora da Dinamarca mesmo depois do nascimento de sua única filha. Sua região era muito procurada por impressionistas por se tratar de belas paisagens naturais, tornando o local atrativo também para realistas e naturalistas, que produziam todos juntos. A pousada foi transformada em museu e assim ficou por 20 anos, entre 1908 e 28. Anna morreu aos 75 anos e Helga, sua filha, converteu a casa onde viviam no Museu Michael e Anna Ancker, que hoje é uma fundação de mesmo nome.

Obras em destaque: Retrato da Mãe da Artista (1913), Ceifeiros (1905) e Interior com a Filha da Pintora Helga Costurando (cerca de 1890). Aprenda mais sobre a Anna!

08) Nadežda Petrovic:

10 Mulheres do Impressionismo: Nadezda Petrovic

Heroína de guerra nascida na Sérvia, filha de professores e educada em uma escola só para mulheres, Nadežda Petrovic ganhou uma bolsa de estudos do Ministério da Educação sérvio para estudar arte em Munique. Retornou ao seu país em 1900 onde consumiu arte, estudou línguas e realizou sua primeira exposição solo, além de ajudar a organizar 1ª Exposição de Arte Iugoslava. Também deu aula em uma instituição de curso superior exclusivamente feminina. Nos anos seguintes fundou uma organização humanitária de mulheres para ajudar sérvios controlados pelo Império Otomano, perdeu ambos os pais, passou a produzir pinturas também com referências fauvistas e se tornou enfermeira nas Guerras dos Balcãs, onde recebeu medalha. Morreu de febre tifoide em Vajevo, aos 41 anos, e mais tarde seu rosto ilustrou a nota de 200 dinares sérvios.

Obras em destaque: Auto retrato de Nadežda Petrovic (1907), Hospital de Vajevo (1915) e Ksenija Atanasijevic (1912). Aprenda mais sobre a Nadežda!

09) Amy Katherine Browning:

10 Mulheres do Impressionismo: Amy Katherine Browning

A britânica Amy Katherine Browning (ou “Brownie”) entrou na Royal College of Arts aos 18 anos e, mesmo demorando um pouco para terminar o curso por problemas familiares, conseguiu destaque relativamente gratificante nesse período. Ao se formar conheceu Sylvia Pankhust, filha da grande líder do movimento sufragista feminista na Inglaterra. As duas então passaram a organizar exibições em prol da União Social e Política das Mulheres, movimento que lutava pelo voto feminino, enquanto ela ensinava artes ainda que continuasse produzindo (chegando a ganhar medalha de prata em um Salão de Paris) e ilustrava para o jornal de cunho feminista da amiga. Juntas criaram uma campanha para arrecadar dinheiro e conseguir emprego para mulheres vítimas da I Guerra Mundial. Após seu casamento com Thomas Dugdale e o fim da guerra voltou a produzir, retratando bastante as mulheres proletárias, além de paisagens e até mesmo nus femininos. Morreu aos 96 anos.

Obras em destaque: Na Janela, Trabalhadoras da Fábrica de Chapéu e Sombra da Limeira (1913) Aprenda mais sobre a Amy!

Leia também: As Sufragistas, resenha do filme baseado em fatos da luta pelo voto feminino na Inglaterra, de forma romantizada.

10) Georgina de Albuquerque:

Mulheres do Impressionismo: Georgina de Albuquerque

Georgina de Albuquerque, brasileira nascida em Taubaté, aos 19 anos foi para o Rio estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Lá conheceu seu marido, Lucílio de Albuquerque, com quem passou 5 anos na França estudando arte na Escola Nacional Superior de Belas Artes. Ainda em solo francês foi apresentada ao movimento impressionista e teve seus dois filhos. De volta ao Brasil, foi pioneira em vários aspectos como artista mulher. Sua obra prima, Sessão do Conselho de Estado, foi a primeira pintura histórica feita por mulher no país, colocando a Imperatriz Leopoldina como figura principal de um quadro sobre a independência do Brasil, ensinou na ENBA e, mais tarde, foi a primeira diretora de lá. Também deu aula de desenho na UFDF e transformou sua casa no bairro Laranjeiras no Museu Lucílio de Albuquerque. Muitas de suas obras estão expostas no Rio, principalmente no Museu Nacional de Belas Artes.

Obras em destaque: Roceiras (1930 – Museu Nacional de Belas Artes/RJ), Sessão do Conselho de Estado (1922 Museu Histórico Nacional/RJ) e No Cafezal (1926 – Pinacoteca/SP) Aprenda mais sobre a Georgina!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do impressionismo?

Esse post faz parte do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube que visa a visibilidade feminina na história da arte! A série sobre as mulheres do Impressionismo foi a primeira e mais importante do canal, tendo “terminado” em maio mas também sem fim, já que continuará sendo alimentada sempre que possível. Para conhecer mais sobre o movimento e várias outras artistas que fizeram parte dele, inclusive de outros países e continentes, vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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#TBTCultural: Dreamworks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Já pensou em poder visitar os bastidores da produção de filmes de uma das maiores empresas de cinema de animação do mundo? No Centro Cultural Banco do Brasil BH isso foi possível através da Dreamworks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela, mostra espetacular que ficou em cartaz entre maio e julho de 2019 e que estou finalmente trazendo pra vocês em mais um #TBTCultural do Sweet Luly. Eu aposto que, se você gosta desse gênero, tem um queridinho entre eles (me conta nos comentários qual)! Até abril de 2020 foram 38 longas lançados no cinema e 1 exclusivo para vídeo, além de outros 9 em desenvolvimento, 11 especiais para TV, 34 séries e 22 curta metragens, premiados com 3 Oscars e 1 Globo de Ouro na categoria Melhor Filme de Animação.

O conjunto de obras e informações era muito variado e riquíssimo, mas não registrei tanto quanto podia porque fui focada em descobrir as mulheres que o compunham para produzir um vídeo pro Vênus em Arte, meu canal sobre (in)visibilidade feminina na história da arte. Dessa forma pequei um pouco em captar tipos diferentes de mídias representando todas as franquias, mas até que o montante final do material deu para passar a mensagem direitinho… Por isso resolvi fazer esse post de forma um pouco diferente do que estou acostumada, separando em tópicos que passam (e ilustram) a maior parte possível da magia que era estar ali.

A entrada:

A divulgação da mostra destacou bastante as estátuas de gesso, algumas em “tamanho natural”, das personagens, principalmente de Madagascar, e eram elas que estavam bem ali, na primeira sala. A montagem desse ambiente era incrível, com as caixas de transporte dos animais endereçadas a Belo Horizonte, uma delas até com código de barra, e o girafa Melman com a cabeça para fora, pronto para te recepcionar. No chão pegadas de pinguins te guiam ao ambiente seguinte, cheio de vídeos de processo de produção de desenho, e à próxima, onde as obras enfim começam.

Esse início é cheio de maquetes de personagens, pequenas esculturas sem acabamento em pintura da anatomia deles, em vários filmes. É MUITO legal ver mas dificílimo de fotografar, então ficarei devendo… A iluminação das salas era bem leve, para não danificar os objetos expostos, e essas mini esculturas especificamente não têm muito contraste em imagem, o que dificulta ainda mais. Uma coisa lindíssima que aparece logo de cara, por outro lado, são máscaras das personagens de Madagascar, um dos grandes destaques da mostra ao lado de Como Treinar Seu Dragão, Kung Fu Panda e, em menor escala, Shrek, feitas pela artista Shannon Jeffries, penduradas bem no alto de uma parede. Fiquei apaixonada por elas.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Melman GIGANTE, de Madagascar, na entrada da exposição.
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Pinguins de Madagascar.
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Máscara da Glória, de Madagascar.

Artes conceituais enquadradas:

Além de telas com vídeos de animadores, diretores e outros profissionais envolvidos nas produções, as paredes eram tomadas por quadros de artes conceituais dos filmes. Algumas lisas, dando maior destaque para as obras, outras estampadas de forma a compor um visual temático, mas agradando fãs não só dos mais populares, mas também de menor destaque como O Caminho para El Dorado e A História de Uma Abelha. Nessa categoria senti muita falta de uma quantidade maior de arte de Formiguinhaz, “filho” primogênito da empresa que deu o pontapé para toda a tecnologia usada por eles desde a década de 90 até hoje… Mas acho que sou saudosista, mesmo!

Mais uma vez Madagascar DOMINOU a cena, com uma parede linda cheia de pôsteres de circo com os animais protagonistas, mas tinha, sim, pintura e desenho para fãs de TODAS as obras. Minha favoritas estavam em um mostruário diagonal, quase deitado, onde trabalhos da Priscilla Wong de Trolls estavam agrupados… Eles têm várias camadas, dando sensação de “filme 3D”, compostos de diversos materiais como algodão, pedrinhas e outros tipos de textura que combinam perfeitamente com a vibe do filme. Se você ainda não assistiu vale muito a pena, vi no cinema e fiz uma resenha dele aqui no blog, é maravilhoso e me espantei por ter pouquíssimo destaque, já que suas cores vibrantes e estreia recente têm potencial pra render mais conteúdo, além da trilha sonora impecável que é um dos pontos fortes da Dreamworks.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Artes de Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais.
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Artes de Fuga das Galinhas.
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Arte com textura de Trolls.
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Artes de Bee Movie – A História de uma Abelha.
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Parede de posteres do circo, de Madagascar (foi onde tirei minha foto de look da exposição!)

Maquetes:

Voltando às maquetes, não só as personagens estavam presentes com sua “mini versões”, mas também cenários, ambientes e até mesmo cenas do filme, foi minha parte favorita pois eram MARAVILHOSOS! A franquia que mais gosto da produtora é Shrek, acompanho desde o primeiro, então ver a Casa do Pântano, Castelo e Vila de Tão, Tão Distante em milhões de detalhes bem na minha frente me deu vontade de poder trazer pra casa (a louca das miniaturas chegou). O nível de perfeição também envolve texturas e materiais diferentes, além de pintura primorosa, fiel de verdade ao que se vê na tela. Obras de arte em todos os sentidos da expressão!

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Maquete de Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais.
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Maquete da Casa no Pântano de Shrek.

Leia também: Shrek: Para Sempre, resenha (bem pobrinha e meia boca) do filme.

Animação:

Um dos objetivos de “Uma Jornada do Esboço à Tela” era a imersão de quem visitava aos bastidores do cinema de animação, o que inclui transformar todo mundo em “projetos” de animadores, também. Através de computadores espalhados pelas salas as pessoas podiam testar efeitos de água, expressões faciais em personagens e até decidir os tons e quantidade de alguns elementos em cenas selecionadas. No hall do CCBB, bem na primeira sala à esquerda, o “mergulho” era ainda maior com telas em branco para criar a sua desenhando e animando de verdade, usando recursos básicos. Os educadores ao redor auxiliavam quem tivesse dificuldade e controlavam o tempo de cada grupo, para não acumular gente na porta nos dias de maior público. Confesso que não entendi muito bem como funcionava, mas brinquei mesmo assim porque não ia deixar passar, né?

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Brincando de animadora: Daninha se divertindo com Soluço, de Como Treinar Seu Dragão.
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Brincando de animadora: cena dos fogos de artifício de Os Croods.

Ambiente:

Paredes em cores vibrantes ou tomadas por estampas e artes, fones de ouvido com trilhas sonoras tocando, citações acompanhadas de informação em diversos tipos de impressão e até mesmo a projeção de uma grande mesa de trabalho da criação de storyboards quando você menos espera… Essa não era uma exposição “tradicional”, onde se vê apenas obra rotulada, e sim um presente para quem gosta de animação e até mesmo quer trabalhar na área! O local ficou lindíssimo e conseguiu dar a um prédio histórico visual contemporâneo desse tipo de arte ultra tecnológica.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Citação de Shrek (1) impressa na parede.
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Simulação de mesa de trabalho dos animadores.
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Diferença da quantidade de Storyboards de um filme pro outro, da esquerda pra direita: As Aventuras de Peabody & Sherman (2014), Os Sem-Floresta (2006), Como Treinar Seu Dragão (2010), Kung Fu Panda (2008) e Shrek (2001).
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Uma restauradora/educadora de artes exibindo orgulhosamente mais um guia de exposição pra sua coleção em frente a uma parede bonita com iluminação BEM duvidosa (inclusive joguei vários desses guias fora porque não dava, era muita porcaria acumulada).

Pátio do museu:

Por fim, pra quem ia ao Pátio do CCBB – e quem tá acostumado a frequentá-lo SEMPRE vai, porque as exposições continuam ali -, tinha mais lindezas esperando. Sobrevoando o ambiente estava o próprio Banguela, que era possível ser visto de dois ângulos: de frente/cima logo na entrada lateral, onde eram retirados os ingressos (gratuitos) e por baixo, sobre as cabeças de quem visitava. Se isso não fosse suficiente era possível também ficar EM CIMA DELE num simulador 180° de como é o vôo nas costas do Fúria da Noite, raça de dragão da qual esse queridinho faz parte. Essa atração era muito maravilhosa porque o vôo começava numa página em branco e ia evoluindo, desde os rascunhos até chegar no resultado final da animação. Difícil até saber pra que lado olhar.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Banguela sobrevoando o pátio: vista de cima
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Banguela sobrevoando o pátio: vista de baixo
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Alguns personagens de Madasgacar e Shrek, em qualidade bem inferior, recebendo a clientela na porta de um dos cafés do museu.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Mais pinguins de Madagascar, dessa vez na entrada principal do CCBB BH

As mulheres da Dreamworks:

Como já dito, meu registro dessa exposição foi focado principalmente nas artistas mulheres que a compõe, inclusive com uma quantidade de vídeos gravados por lá bem significativa. Esse material virou conteúdo para o Vênus em Arte enquanto a mostra ainda estava em cartaz, não só falando um pouco da trajetória de cada artista e as relacionando com as obras que vi, mas também chamando as pessoas para visita-la. Se você ficou com mais vontade ainda de curtir isso tudo (e ainda não cansou do meu blá-blá-blá), o vídeo está aí em baixo, onde é possível ter uma breve visão do simulador de voo, já que fotos não eram suficiente para explica-lo:

DreamWorks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela foi recorde de público do Centro Cultural Banco do Brasil em Belo Horizonte: meio milhão de visitas em dois meses de duração! Nos primeiros fins de semana a fila para retirar ingresso dava volta no quarteirão onde o prédio se encontra, parte do Circuito Cultural Praça da Liberdade, e recebia tanto grupos com crianças quanto apenas adultos apaixonados pelos filmes (oi!). A curadoria foi feita pelo Australian Centre for the Moving Image em colaboração com a própria empresa, e já passou também pelos CCBBs de outras capitais brasileiras. Uma daquelas mostras que você se orgulha muito de ter ido porque foi, de fato, imperdível.

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5 aplicativos pra quem adora História da Arte

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

Desde que comecei minha pós em Ensino de Artes venho refletido muito sobre como ser uma educadora da história da arte e produtora de conteúdo para internet precisam, para mim, caminhar juntos, atuando em sala de aula ou não. É um desperdício não aproveitar minha voz para unir as duas coisas, seja num canal sobre mulheres artistas, o Vênus em Arte, nas redes sociais ou principalmente aqui, nesse blog, que quero que tenha isso como tema há muitos anos e, até pouco tempo, não consegui realmente colocar em prática. Antes tarde do que nunca, né? E como a vida é deveras corrida, nem todo mundo tem tempo realmente pra se dedicar ao assunto – apesar de MUITA gente querer de verdade – vamos começar de maneira fácil e acessível na telinha do celular? Fiquem aí com a indicação de 5 aplicativos para baixar se você adora História da Arte ou, quem sabe, tem vontade de adorar e não teve a chance até hoje, com funções variadas para cada um curtir do seu jeito!

Google Arts & Culture

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

O maior aplicativo relativo ao assunto bombou alguns anos atrás com a “art selfie”, onde te mostrava com que obra você se parece a partir de uma foto tirada na hora, mas na verdade ele é muito, muito mais que isso. O Google Arts & Culture contém informações sobre artistas e obras, todos bem completos, versão virtual de museus do mundo todo, fotos das obras em alta qualidade e artigos em constante atualização. Eu uso muito para minha pesquisa inicial das artistas sobre as quais falo no Vênus em Arte, antes da pesquisa aprofundada, e pra escolher algumas das obras delas que irei usar para ilustrar os vídeos. O acesso é pela Conta Google, que todo mundo tem (né?), então todos dados ficarão ali, salvos, pra voltar a acessar sempre que quiser. Se é um leigo querendo começar a aprofundar no assunto ou profissional já atuante, não importa, uma opção indispensável!

Baixe agora: Google Play | App Store

Daily Art

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Se você quer incorporar arte no seu dia a dia o Daily Art é uma excelente opção! Todos os dias, num horário definido por você, ele envia uma notificação com uma obra de arte aleatória sobre um artistas variados. Do clássico ao contemporâneo, te manda a imagem, autoria e até mesmo informações sobre a mesma. É possível também favoritar as que mais gostar, marcar como “Não visto” para olhar com mais calma depois e até compartilhar com os amigos. Ele é gratuito, mas possui também a versão paga que dá acesso ao acervo completo.

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Smartify

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Conhecido como o “Shazam das artes visuais”, o smARTfy faz com obras o mesmo que esse similar faz com músicas: detecta seu título e autoria quando posicionadas em frente à câmera. Tá andando por aí, viu uma pintura X que adora e deu branco pra saber de quem se trata? É só abrir o app e escanear que te responde! Ele tem um banco de dados bem completo de grandes nomes e é possível também ver o acervo de cada artista, além das informações mais relevantes sobre eles. Você também pode conectar sua conta e ir favoritando os que mais gostar, pra ficar de fácil acesso sempre que precisar!

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Arte Quiz

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

Hora de testar todos os conhecimentos que você adquiriu até agora, aprender com os possíveis erros que serão cometidos e, de quebra, se divertir no processo! O Arte Quiz em Português é exatamente o que o nome diz: um joguinho de perguntas e respostas, alguns múltipla escolha e outros de “forme a palavra”, sobre a história da arte de um modo geral. São questões sobre as obras, artistas e movimentos mais conhecidos do mundo onde seu objetivo é conseguir 150 pontos para “graduar-se” nele. O legal é que após responder cada uma, seja sua resposta a certa ou não, eles te dão uma curiosidade sobre o que foi visto, pra transmitir um conhecimento básico, mesmo, em meio ao desafio.

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ArtistA

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De todos os apps citados esse é o único que não ensina nada realmente, é meramente para entretenimento. O ArtistA é um editor basicão de fotos que aplica sobre elas efeitos que remetem a algumas técnicas de materiais específicos e períodos da história da arte. Infelizmente ele segue a linha do Instagram de dar nomes de cidades para os efeitos, ao invés de realmente apostar nos movimentos aos quais cada um se refere, mas dependendo da foto é possível conseguir resultados BEM bacanas para deixar suas publicações diferentes aqui e ali, de vez em quando.

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Ei! Você reparou que alguns prints dos apps desse post são referentes à artistas Laura Knight e Mary Cassatt? Elas são duas das mulheres impressionistas que aderiram a esse movimentos artístico mesmo ele sendo tão dominado por homens na viradas dos séculos XIX e XX! O impressionismo é meu movimento favorito e, por isso, a série de vídeos mais importante do Vênus em Arte até hoje. Quer aprender mais sobre suas características e algumas das várias mulheres que fizeram parte? É só acessar a playlist referente a ele no canal e se maravilhar com tantas histórias incríveis!

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