Os 7 de Chicago

Os 7 de Chicago

Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7) *****
Os 7 de Chicago: Elenco: Eddie Redmayne, Alex Sharp, Sacha Baron Cohen, Jeremy Strong, John Carroll Lynch, Danny Flaherty, Noah Robbins, Yahya Abdul-Mateen, Mark Rylance, Ben Shenkman, Joseph Gordon-Levitt, Kelvin Harrison Jr., Frank Langella, J.C. MacKenzie, Michael Keaton, Kevin O’Donnell, Tiffany Denise, Alice Kremelberg Bernadine
Direção: Aaron Sorkin
Gênero: Drama histórico
Duração: 129 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Baseado em uma história real, os 7 de Chicago acompanha a manifestação anti-guerra do Vietnã, que interrompeu o congresso do partido Democrata em 1968. Ocorreram diversos confrontos entre a polícia e os participantes. Dezesseis pessoas foram indiciadas pelo ato.” Fonte: Filmow.

Comentários: Indicado às categorias Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Sacha Baron Cohen), Melhor Roteiro Original, Melhor Canção Original, Melhor Fotografia e Melhor Edição do Oscar 2021, que acontece hoje à noite, Os 7 de Chicago é um filme original Netflix baseado no caso jurídico real de mesmo nome, ocorrido nos Estados Unidos durante a década de 1960, e essa temática é a primeira coisa que deve ser destacada pois dita bastante o ritmo do longa. Superficialmente é o que podemos dizer sobre ele, o fato de que é um filme de tribunal, o que para pessoas que não têm nenhum interesse no assunto pode ser massante… Por outro lado, ele tem tantos aspectos positivos dentro e fora do cenário principal, em especial no que diz respeito à mensagem, que antes mesmo de prosseguir a dica é simplesmente que ASSISTAM!

Mas antes… Senta que lá vem história! Os Sete de Chicago eram um grupo de ativistas de diversas organizações de esquerda, sendo eles Tom Hayden, Rennie Davis, Abbie Hoffman, Jerry Rubin, David Dellinger, John Froines e Lee Weiner, acusados pelo governo dos Estados Unidos de conspiração por estar engajados nos protestos contra a Guerra do Vietnã em Chicago no ano de 1968. Inicialmente eram oito réus, os “Conspiracy Eight”, mas Bobby Seale, líder dos Pantera Negras, teve seu julgamento interrompido durante o processo.

De cara o elenco monstro é um atrativo pesadíssimo para o público de modo geral. Apesar de Sacha Baron Cohen como Abbie Hoffman e Joseph Gordon-Levitt no papel do procurador Richard Schultz serem os reais destaques, cada um representando fortemente um “lado” do processo, eu tenho um “trem” com o Eddie Redmayne (para não dizer “crush, hahaha) que me fez voltar todos os olhares para ele enquanto interpretava Tom Hayden, uma figura bastante conhecida seja pela carreira política ou pelo longo casamento com a atriz Jane Fonda. Está, como sempre, muito maravilhoso, mas não seria certo dizer que se destoa por isso porque é um show atrás do outro, de verdade. A maneira como os personagens são apresentados, mostrando seus métodos e intenções, em como todos foram parar “no mesmo barco” é muito bem montada, os cortes são pertinentes e isso se estende em toda sua duração.

Os 7 de Chicago
Os 7 de Chicago: Imagem via Veja, num artigo que expõe o que é real no filme ou não.

É claro que a maior parte da história se passa dentro do tribunal, mas isso de forma alguma o torna entediante. Os diálogos misturam mensagens relevantes (falaremos disso a seguir), etapas do processo e… HUMOR! As piadas de Abbie Hoffman, que aconteceram de verdade, cortam o clima pesado sem deixar a coisa boba, as sacadas são pertinentes e inteligentes demais. Fora isso existem as cenas externas, colocadas durante o enredo para explicar como as coisas chegaram no ponto da trama central, e possuem essas mesmas características de falar do sério e do divertido, mas jamais do irrelevante. O vai-e-vei não é confuso, muito pelo contrário, esclarece nossa mente, denuncia hipocrisias, conecta quem assiste com quem está na tela. O slogan dos protestos era “O mundo inteiro está assistindo”, e agora eles voltam pra nossa vida como forma de entretenimento, numa plataforma global, para reforçar essa ideia.

Leia também: Resenha do filme A Voz Suprema do Blues, também indicado a diversas categorias no Oscar.

Não por acaso, o lançamento do filme aconteceu logo antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos, justamente para lembrar que o que já aconteceu segue acontecendo e determinando o presente – não só por lá, mas aqui também. A parcialidade escancarada de Julius Hoffman, completamente inadequada no seu papel de juiz, a fragilidade do estado democrático ao não aceitar a oposição, a violência policial transformada em algo cotidiano e até que ponto as pessoas se sentem confortáveis ao lutar contra isso, na teoria e na prática. É incrível ver como o (suposto) radicalismo de alguns se complementa com academicismo de outros, tornando ideais, juntos, bem mais fortes. Como qualquer produção estadunidense, a necessidade de mostrar “heroísmo” naquelas figuras históricas acaba criando um desfecho muito mais dramático e emocionante que a realidade, mas o recado foi dado, e não tem como ser deletado mais agora!

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A Voz Suprema do Blues

A Voz Suprema do Blues: cena do filme em que Viola Davis, interpretando a cantora Ma Rainey, se encontra ao centro, com uma mão levantada e a outra na cintura, usando um vestido típico da década de 20 em tom neutro de aspecto elegante está posicionada em frente a um microfone, cantando. No canto esquerdo da imagem o ator Chadwick Boseman interpreta Leve, tocando um instrumento de sopro enquanto veste terno de risca de giz. Ao fundo estão outros músicos da banda do filme, todos homens negros. O grupo está dentro de uma sala de cores neutras, apagadas, com grandes cortinas cobrindo as janelas.

A Voz Suprema do Blues (Ma Rainey’s Black Bottom) *****
A Voz Suprema do Blues: Poster do filme em que o título em inglês (Ma Rainey's Black Bottom) está no topo e os créditos na parte inferior. Como imagens principais estão os astros Chadwick Boseman e Viola Davis, ele tocando um instrumento e ela posando, ambos vestindo trajes da cor azul marinho típicos da década de 1920 e com ar de luxo. Elenco: Chadwick Boseman, Viola Davis, Colman Domingo, Glynn Turman, Michael Potts, Taylour Paige, Dusan Brown, Jeremy Shamos
Direção: George C. Wolfe
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 94 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Ma Rainey (Viola Davis) é a ‘Rainha do Blues’. Ela faz um disco em um estúdio em Chicago, em 1927, mas as tensões fervem entre ela, seu agente, o produtor e seus colegas de banda.” Fonte: Filmow.

Comentários: Adaptado na peça de 1984 “Ma Rainey’s Black Bottom”, seu título em inglês, A Voz Suprema do Blues é um drama centrado na gravação de um dos álbuns da cantora de blues norte-americana Ma Rainey, quando o trompetista Levee demonstra grande ambição de entrar na indústria da música de forma mais ativa, através de suas próprias composições, provocando o resto da banda composta por homens negros de diferentes idades. A duração do filme é relativamente curta para um longa metragem e tem cenário bem limitado, se passando quase todo em apenas um dia, mas o primor da produção, atuações excelentes e temáticas relevantes rendeu cinco indicações à premiação do Oscar que acontece nesse domingo, dia 25, sendo elas Melhor Ator (Chadwick Boseman, em indicação póstuma), Melhor Atriz (Viola Davis), Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Figurino. (Atualizado: foi VENCEDOR das duas últimas!)

Mas antes… Senta que lá vem história! Gertrude “Ma” Rainey era conhecida como “A Mãe do Blues” por ser uma das principais cantoras de blues afro-americanas na década de 1920, uma das primeira mulheres a gravar álbuns do gênero. Sua carreira começou na Georgia, onde alegava ter nascido e faleceu, mas migrou para o norte, quando gravou diversos álbuns com a Paramount, em Chicago. Foi casada com Will “Pa” Rainey, também artista, o que deu origem ao seu nome de palco, e era conhecida não só pelo pioneirismo na área em relação ao seu gênero e cor e grande dinamismo performático, mas também estilo de vida controverso sexualmente, com seus casos com pessoas de ambos os sexos, e socialmente, ao se vestir com roupas tradicionalmente masculinas, atitudes consideradas radicais à época.

Apesar de falar da gravação de um álbum real por uma artista real, a trama que gira em torno de Levee, último papel de Boseman, é fictícia. Ele por si só é uma figura BEM interessante, um daqueles personagens profundos que te fazem sentir um pouco de incômodo pelas atitudes, mas tendo isso justificado logo em seguida ao conhecer um pouco mais de sua vida dramática carregada de cicatrizes, físicas e psicológicas. Um jovem que acredita no próprio trabalho em uma época onde negros sequer tinham direitos civis nos Estados Unidos, e apesar de ter estilo diferente da chefe na arte que eles compartilham é clara sua admiração por ela, que consegue ditar ordem até para os homens brancos com os quais trabalha. Essa dupla de protagonistas, lado a lado com um pequeno grupo de coadjuvantes tão incríveis quanto, é, de todos os pontos positivos, o mais admirável. Todos im-pe-cá-veis!

A Voz suprema do Blues: cena do filme em que Chadwick Boseman se encontra em primeiro plano, deitado sobre um banco com a cabeça apoiada em uma melta, e os outros membros da banda do filme estão ao fundo, olhando pra ele, ao lado de seus instrumentos. O quarteto se encontra em uma sala de parede de tijolos expostos e piso de paralelepípedos, com apenas uma pequena janela ao fundo de onde vem a iluminação e toda o ambiente tem tons neutros evidentes, dando detaque para o dourado dos instrumentos de sopro e o amarelo do sapato do protagonista.
A Voz Suprema do Blues: Imagem via Poltrona Nerd.

O roteiro é super forte, levanta muitas questões ativistas relevantes até hoje, complementado parte técnica que não deixa a desejar com sonoplastia excelente, fotografia belíssima e um figurinos característico da década de 1920 bem trabalhado. O visual do filme tem tons sóbrios, até mesmo o céu de verão em Chicago é pálido, quase branco, o que torna os ambientes fechados onde a história se desenvolve abafados, meio claustrofóbicos, mostrando o lado não tão glamouroso da indústria da música na prática. Uma vez que se trata de teatro adaptado para filme, as falas são rebuscadas e longas, combinadas ao sotaque sulista das personagens que intensifica essa característica. Para algumas pessoas imagino que isso seja um incômodo, principalmente nos pontos onde beira o musicado, tornando a pouca duração levemente arrastada. Não me atrapalha, achei que os desfechos surpreendentes fizeram valer a pena, mas entendo quem não gosta muito desse aspecto.

Leia também: 5 artistas (negras) do Renascimento do Harlem que você precisa conhecer!

Pessoalmente esse filme tinha grande apelo para mim porque gira em torno de um assunto que estudo desde o ano passado, o Renascimento do Harlem, conhecido como Novo Movimento Negro, que aconteceu bem nesse período. Apesar de a história não se passar nesse bairro Nova York, o “centro” do movimento, toda a discussão da emancipação cultural e intelectual afro-americana que girava em torno dele era a mesma no país inteiro, e a Ma Rainey era um das suas vozes, no sentido literal e figurado. Acho muito importante continuar falando sobre ele sempre para que a história dessas pessoas não se perca. Além disso, assisti depois e recomendo demais os dois documentários da própria Netflix sobre, Chadwick Boseman: Para Sempre, uma homenagem bem bonita ao ator, e A Voz Suprema do Blues: Bastidores, com mais informações a respeito do que aconteceu de verdade e sa produção em si, valem a pena!

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Radioactive

Radioactive: cena do filme em que Marie Curie, interpretada pela atriz Rosamund Pike, aparece no laboratório onde trabalhada usando um vestido longo, característico da virada do século XIX para o XX, e claro, com os cabelos presos no alto da cabeça. Ela se curva olhando para um frasco que contém um líquido de cor viva e quente, provavelmente um dos elementos químicos que estudava e/ou descobriu.

Radioactive *****
Radioactive: poster do filme onde Rosamund Pike, interpretando Marie Curie, olha para a frente segurando um pequeno frasco contendo Rádio, elemento químico descoberto pela cientista, que emite luminosidade radioativa. Elenco: Rosamund Pike, Sam Riley, Anya Taylor-Joy, Aneurin Barnard, Indica Watson, Cara Bossom, Simon Russell Beale, Mirjam Novak, Corey Johnson, Demetri Goritsas, Tim Woodward
Direção: Marjane Satrapi
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 103 min
Ano: 2019
Classificação: 14 anos
Sinopse: “A história das paixões científicas e românticas de Marie (Rosamund Pike) e Pierre Curie (Sam Riley), assim como as reverberações de suas descobertas no século 20.” Fonte: Filmow.

Comentários: Imagina só ser uma cientista na virada dos séculos XIX e XX, sempre dependendo da boa vontade dos homens, que dominam a academia, para provar que seu trabalho tem potencial e deve ser levado a sério… Em meio a esse sexismo extremo, um dos instrutores da universidade te estende a mão, se tornando seu companheiro de trabalho e vida, após vocês se casarem, e te dando o nome pelo qual você seria eternamente conhecida como uma das principais físicas e químicas do mundo… Pois esse é só o início da história de Radioactive, que acabou de ser lançado na Netflix Brasil (apesar de ser um filme de 2019) e tem a maravilhosa Rosamund Pike no papel de igualmente maravilhosa Marie Curie, nos apresentando sua trajetória de forma belíssima e, em alguns momentos, até um pouco lúdica, não só como cientista, mas também mãe, esposa, imigrante, gente… Mulher!

Mas antes… Senta que lá vem história! Nascida Maria Salomea SkŁodowska em 1867, na Polônia, Marie Curie se mudou para Paris em 1891, seguindo a irmã, onde conseguiu enfim um diploma de ensino superior. Quatro anos mais tarde casou-se com Pierre Curie, também cientista e seu instrutor na universidade, que permitiu a ela um lugar em seu laboratório para conduzir suas pesquisas. A partir disso, eles publicaram a descoberta de dois elementos químicos, polônio (que leva esse nome em homenagem à sua terra natal) e rádio, da palavra “raio”, uma vez que descobriram também que esse elemento emitia uma espécie de luz e energia batizada por ela de radioatividade. Os dois ganharam o Nobel de Física em 1903 pela descoberta da radiação, sendo a primeira mulher vencedora do prêmio, e ela ganhou o de Química em 1911 pela descoberta dos dois elementos.

Pensando no filme como uma biografia, ele não deixou a desejar. O foco está, é claro, nas principais descobertas científicas da Marie e em como isso impactou sua vida, mas é possível perceber também sua relação com a família e colegas, visão religiosa e demais aspectos humanos por trás da personalidade que acabou se tornando. É claro que ter uma atriz incrível no papel ajuda, e o resto do elenco ao redor idem. Sam Riley, que eu só conhecia do filme “Malévola”, em um personagem bem menor, está esplêndido também, a própria imagem de companheirismo que qualquer pessoa pode querer ao seu lado, dá vontade de dividir o laboratório com um marido da mesma área e descobrir o mundo ao lado dela, também… Outro destaque é Anya Taylor-Joy, que aparece mais no final do filme como Irene, filha mais velha do casal, já adulta, atuando de forma igualmente espetacular.

Radioactive: Rosamund Pike e Sam Riley, interpretando o casal Curie, parados vestindo roupas escuras lado a lado, ela levemente na frente, se olhando.
Radioactive: Imagem via HebergementWeb.

Pesquisando sobre o longa, antes mesmo de assisti-lo, vi muitas reclamações sobre como a história foi conduzida, e discordo bastante. Não achei nem um pouco corrida, na verdade fiquei até surpresa com a quantidade de informações bem passadas em menos de duas horas, com direito a cenas de impacto, momentos levemente arrastados e drama quando pertinente. Adorei que eles intercalam o “presente” da cientista com o “futuro” da humanidade, dando exemplos práticos de como seu trabalho foi aproveitado no futuro de forma positiva, como o uso de radioterapias no tratamento contra o câncer, e negativa, através da aplicação bélica na bomba atômica que explodiu Hiroshima, além do famosíssimo acidente nuclear de Chernobil, em 1986. Momentos da história do nosso planeta, que estudamos ao longo da vida e acabamos citando em tantos outros, e tiveram seu “dedo” lá atrás, mesmo sem ela e nem a gente mesmo saber.

Leia também: Mulheres Incríveis, resenha de um livro onde Marie e Irene Curie são apresentadas graças aos seus feitos científicos, sendo a única dupla de mãe e filha a ganhar o Prêmio Nobel até hoje.

É um filme interessante para quem gosta de física e química, e pra quem não gosta porque fica tudo muito explicadinho em tela. Mais do que isso, é fascinante para conhecer mais sobre a história das mulheres na ciência, ao falar não só de uma pioneira, mas duas, já que Marie e Irene trabalharam lado a lado na criação do raio x portátil durante a I Guerra Mundial, apelidado de “Petite Curie”, salvando milhares de soldados, e esse período também é mostrado. Em alguns momentos, ao ver a luzinha verde do rádio na sua mão, dá desespero pelo contato tão próximo com algo que hoje sabemos que pode nos fazer mal (e, de fato, ocasionou na sua morte), mas é bom perceber que evoluímos tanto enquanto ciência, apesar de infelizmente continuarmos tão arcaicos socialmente, como nas cenas em que ela sofre misoginia e xenofobia e vemos até hoje…

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A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Suzanne Collins

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: Instrumento de cordas pequeno e marrom à esquerda da imagem, ao lado do livro resenhado. Ao fundo, uma camiseta preta com o símbolo da saga Jogos Vorazes, um pedaço de papel arco-íris em um canto e um marador de livro da saga Jogos Vorazes ao lado.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Uma história da série Jogos Vorazes (The Ballad of Songbirds and Snakes)*****
A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: capa do livro verde escura com um alvo alternando entre a cor do fundo e um tom mais claro. Ao centro, um tordo dourado olha pra cima montado em um galho onde há uma cobra da mesma cor. O título encontra-se em cima da imagem e abaixo o nome da autora. Autor: Suzanne Collins
Gênero: Distopia
Ano: 2020
Número de páginas: 576p.
Editora: Rocco Jovens Leitores
ISBN: 9786556670058
Sinopse: “É a manhã do dia da colheita que iniciará a décima edição dos Jogos Vorazes. Na Capital, o jovem de dezoito anos Coriolanus Snow se prepara para sua oportunidade de glória como um mentor dos Jogos. A outrora importante casa Snow passa por tempos difíceis e o destino dela depende da pequena chance de Coriolanus ser capaz de encantar, enganar e manipular seus colegas estudantes para conseguir mentorar o tributo vencedor. A sorte não está a favor dele. A ele foi dada a tarefa humilhante de mentorar a garota tributo do Distrito 12, o pior dos piores. Os destinos dos dois estão agora interligados – toda escolha que Coriolanus fizer pode significar sucesso ou fracasso, triunfo ou ruína. Na arena, a batalha será mortal. Fora da arena, Coriolanus começa a se apegar à já condenada garota tributo… E deverá pesar a necessidade de seguir as regras e o desejo de sobreviver custe o que custar.” (fonte)

Comentários: Para os fãs da trilogia Jogos Vorazes, Coriolanius Snow é o déspota presidente de Panem, uma nação distópica localizada onde hoje é a América do Norte, que condena anualmente duas crianças de cada um dos seus doze distritos a esse reality show onde elas devem se matar para que reste apenas um vencedor. Na 74ª edição dos Jogos uma heroína surgiu ameaçando sua soberania, mas e se voltarmos várias décadas no tempo, na 10ª edição… Quem era Coriolanius então? Aos 18 anos, ele já apresentava sinais de ser tão venenoso quanto sabemos ser capaz ou foi apenas corrompido pelo tempo? Como chegou na sua busca violenta ao poder apresentada em “A Esperança”? Em A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, publicado dez anos depois do lançamento da saga no Brasil, Suzanne Collins traz muitas respostas e tantas outras perguntas através de um incrível romance prólogo!

Instrumento de cordas pequeno e marrom à esquerda da imagem, ao lado do livro resenhado. Ao fundo, uma camiseta preta com o símbolo da saga Jogos Vorazes, um pedaço de papel arco-íris em um canto e um marador de livro da saga Jogos Vorazes ao lado.

Apesar de me considerar fã da trilogia original e de ficar empolgada com o lançamento desse livro ano passado, eu não tinha nenhuma expectativa real para ele. A premissa já sabia: nessa história o jovem Snow é mentor do tributo feminino do Distrito 12, o mais miserável deles e casa da nossa Katniss Everdeen, sendo até foi mencionada superficialmente pela própria no primeiro livro. Não sabemos, porém, mais nada sobre Lucy Gray ou até mesmo sobre ele nesse momento da vida. É uma Panem diferente, com problemas diferentes, personagens diferentes e até mesmo um protagonista diferente do antagonista que ele foi depois. Ainda assim, sabendo do teor da trama, do título super curioso e até do fato de que a publicação é um calhamaço de mais de 500 páginas, me joguei nela com total neutralidade. Talvez por isso achei tão MARAVILHOSO, ou pelo simples fato de que é, mesmo.

“As pessoas tinham memória curta. Elas precisavam andar em volta dos destroços, pegar cupons de racionamento de alimentação e assistir aos Jogos Vorazes para que a guerra permanecesse viva na mente.”

A construção do Snow (que não consigo chamar pelo primeiro nome de jeito nenhum) é, pra mim, o ponto mais positivo de todos. Entre dois clichês que não gosto muito, o “ditador mirim” que sempre foi assim e o rapaz completamente inocente que é corrompido de supetão, o caminho escolhido foi um terceiro e ideal. Um adolescente já ambicioso, disposto a tudo para chegar onde quer e superar a decadência na qual sua família foi jogada, mas longe de um assassino frio e cruel. A essência está lá, em pensamentos eugenistas e sentimento de superioridade, mas existe, ainda, algum grau de humanidade dentro dele também, capaz de sentir carinho, empatia e até amor por algumas pessoas. Ele me soou real, como qualquer pessoa que conhecemos quando nova e encontramos anos depois, alguém que mudou com o tempo, mas tinha pedacinhos do que se tornou lá atrás.

Página inicial da primeira parte do livro, onde se lê 'Parte 1 - O Mentor', como elementor quadrados ao redor dando sensação de pixels. O Instrumento está levemente em cima do canto superior da página.

Outro aspecto maravilhoso, que já era uma característica dos outros livros (e destaquei no desafio sobre eles respondido muitos anos atrás) é o fato que a escrita da Suzanne é muito, muito, muuuuuuuuuito envolvente. Nesse ela criou uma versão ainda mais cruel dos Jogos, sem todo o glamour que passou a ter com o tempo, o que significa ver os tributos tratados com uma desumanidade tão grande que chega a dar enjoo, fora todo o cenário de guerra ainda recente em diversos elementos. Entretanto, mesmo nos momentos mais indigestos, é IMPOSSÍVEL conseguir parar de ler até acabar! Eu o peguei justamente por ser longo, estava sem saber o que ler e escolhi algo que achei que duraria mais tempo pra poder pensar no que engatar em seguida, mas em menos de dois dias já tinha acabado. Ela é genial, a gente até esquece de respirar, às vezes!

“Vocês não têm o direito de fazer pessoas passarem fome, de puni-las sem motivo. Não têm direito de tirar a vida e a liberdade delas. Essas são coisas com as quais todo mundo nasce e não são suas para serem tiradas assim. Vencer uma guerra não lhes dá esse direito.”

A história é dividida em três partes: O Mentor, O Prêmio e O Pacificador, narrados na terceiro pessoa do passado. É interessante porque os Jogos Vorazes são mostrados de fora pela primeira vez, já que o protagonista não está na arena, e ocupam o “meio” da história, de forma que o clímax não acontece ali dentro. Somos apresentados a novidades que essa edição tem em relação às anteriores, que nos levam ao formato que já conhecemos, e novas personagens muito bem trabalhadas, principalmente Sejanus Plinth, que traz mensagens maravilhosas e é uma voz de esperança em meio a tanto horror, e a própria Lucy, tão complexa e cheia de camadas que fica difícil ser lida do começo ao fim, ainda mais tendo a visão deturpada do Snow sobre tudo – e ela principalmente – para te enganar. A gente passa o livro tentando ver além do que ele vê.

Visão lateral do livro, com o instrumento ao fundo e o marcador em baixo.

No quesito “fan service”, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes também é um prato cheio. Logo de cara reencontramos uma coadjuvante super querida, que surpreende por ter uma proximidade familiar com o protagonista e explica muito do que demonstra sentir por ele anos depois, além de alguns nomes que soam como de antepassados de outros conhecidos. A jornada pela cultura do Distrito 12, então, é muito gostosa, relembrando as principais músicas que emocionam por terem sido importantes pra Katniss e surpreendendo ao entender definitivamente sua origem. Aliás, falando em Katniss, ela não ficou esquecida, não! Sessenta anos antes do seu nascimento nossa Garota Em Chamas é homenageada lindamente sem nenhuma forçação de barra. Realmente, um grande prólogo à altura do enredo principal, não vejo a hora de assistir ao filme também!

“Rosas são vermelhas, violetas, como o mar.
Os pássaros sabem que sempre vou te amar.
Sabem que vou te amar, ah, sempre vou te amar.
Os pássaros sabem que sempre vou te amar.”

Se eu tiver realmente que destacar um lado negativo, e novamente falando de forma muito pessoal, acho que eu queria um final um pouquinho mais fechado em alguns pontos. [INÍCIO DA ÁREA DE SPOILER] Entendo que uma não finalização da trajetória da Lucy Gray é pura poesia, faz apologia à música dela, mas continuo querendo saber o que aconteceu. Fora isso, o final é impecável, muito louco presenciar o primeiro envenenamento direto desse grande vilão sabendo que tantos outros estavam por vir. [/FIM DA ÁREA DE SPOILER] Tirando esse detalhezinho, não tenho do que reclamar. Mais uma vez você se engana em alguns pontos, quase acreditando ler uma história de amor (e quaaase torcendo por ela), mas no fundo está cara a cara com uma trama política complexa e aterrorizantemente próxima da nossa realidade.

Citação da música 'A Árvore Forca' presente no livro, com o marcador comemorativo dos 10 anos de Jogos Vorazes em baixo.

Suzanne Collins tem 58 anos e nasceu em Hartford, Estados Unidos. Depois de se formar em Teatro e Telecomunicações em Indiana, trabalhou como roteirista em programas infantis da Nickelodeon, até lançar “Jogos Vorazes” em 2008, seguido de “Em Chamas” em 2009 e “A Esperança” em 2010, que foram adaptados para o cinema entre 2012 e 2015 com jennifer Lawrence no papel de Katniss e Donald Sutherland interpretando Snow. Ela chegou a publicar outros livros não relacionados à saga nesse meio tempo, alguns deles disponíveis no Brasil, até retomar a esse universo tão premiado e aclamado agora, em 2020, em “A Cantigas dos Pássaros e das Serpentes”. É possível conhecer sua obra mais afundo no site oficial, suzannecollinsbooks.com (em inglês).

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7 mulheres do Pós-Impressionismo que precisamos conhecer!

7 mulheres do Pós-Impressionismo que você precisa conhecer: foto de Luly Lage sorrindo, vestindo uma camiseta preta, cercada de quatro obras criadas por mulheres pós-impressionistas, com o nome do movimento artístico escrito em baixo.

Quando pensamos em movimentos artísticos, normalmente vem em nossa mente conjuntos de obras que possuem características e meios de produção semelhantes, tentando se opor ao movimento anterior. Depois de uma quebra brusca nesse ciclo da história da arte ocidental através do Impressionismo, no fim do século XIX, artistas passaram a adotar cada vez mais posicionamento vanguardista, buscando estilo próprio condizente com suas necessidades ao se expressar. Com a última grande exposição impressionista em 1886, surgiu na França e espalhou-se pela Europa e outros países que a tinham como referência o Pós-Impressionismo, um conjunto de artistas que pintavam de formas diversas e ainda tinham pensamentos semelhantes ao movimento anterior, visando a quebra com a arte realista, romântica e clássica, sem limitar-se, porém, a retratar os efeitos da luz no momento que pretendiam retratar, passando até a usar contornos bem fortes e tornando-se cada vez mais mal vistos pela academia.

O contexto histórico no qual o pós-impressionismo estava inserido era o de uma sociedade bastante industrial. Um grande marco dessa época foi a Torre Eifell, que celebrava os 100 anos da Revolução Francesa em 1889 e consistia num monumento gigante feito de metal que demonstrava o quanto a estética preferida pelas pessoas vinha se transformando. Os principais artistas desse momento são Gaugin, Cézanne (dois grandes nomes do impressionismo) e Van Gogh, além do boêmio Henri de Toulouse-Lautrec, que com seus cartazes de cabarés foi um dos responsáveis pelo surgimento do design gráfico, dando à arte papel não apenas erudita e decorativo, mas também aplicado no cotidiano. Por mais que elas não estejam tão presentes em livros de história da arte quanto seus colegas, várias mulheres podem ser destacadas como fortes representantes do período, e eu selecionei 7 entre as mais notáveis para apresentar aqui hoje!

01) Suzanne Valadon:

Três obras de Suzanne Valadon, todas retratando figuras femininas em diferentes cenários, com sua foto em preto e branco abaixo seguida do nome e anos de nascimento (1865) e morte (1938).

Marie-Clémentine foi “rebatizada” como Suzanne Valadon por Toulouse-Lautrec, para quem modelou e com o qual viveu um romance. Foi modelo também de Renoir, inclusive em uma de suas principais obras, “Dança em Bougival”. Suzanne era filha de uma lavadeira em Montmartre, onde abandonou a escola para exercer vários trabalhos até juntar-se ao circo como acrobata. Lá conheceu artistas modernistas de grande nome na França, tornando-se modelo deles e, enfim, passando a desenhar e pintar observando-os fazendo o mesmo, recebendo muita influências do Simbolismo e do Pós-Impressionismo. Após casar-se em 1896, passou a viver como artista em tempo integral. Foi a primeira mulher na Sociedade Nacional de Belas Artes, sendo considerada uma grande transgressora e nome importante nos estudos de artes feministas. Morreu aos 72 anos e, como homenagem, teve seu nome dado a uma cratera no planeta Vênus, comumente ligado ao amor e à feminilidade.

Obras em destaque: Auto retrato (1898), O Quarto Azul (1923) e Nus (1919). Aprenda mais sobre a Suzanne!

02) Vanessa Bell:

exemplo de três obras de vanessa Bell, a primeira um retrato, a segunda uma pintura abstrata e o terceiro representando várias pessoas em tons sóbrios. Abaixo, sua foto (em preto e branco ) e nome, seguido dos anos 1879 e 1961, de nascimento e morte, respectivamente!

Irmã mais velha da escritora Virginia Woolf, Vanessa Bell sofreu, assim como ela, abusos dos meio-irmãos durante a juventude, que causou a fragilidade mental de Virginia e fez com que ela vendesse a casa onde viviam depois da morte dos pais, mudando para Bloombury, onde as duas fundaram, junto com seus maridos e outros amigos, o Grupo Bloomsbury de artistas e escritores que rejeitava os hábitos burgueses da sociedade vitoriana. Casou-se com Clive Bell, com quem tinha um relacionamento aberto, sendo o colega Duncan Grant seu principal namorado e companheiro de trabalho, com quem dividiu projetos notórios. Teve dois filhos com Clive e uma filha com Duncan, que foi criada pelo marido como se fosse dele. É responsável por alguns retratos mais conhecidos da irmã e do conjunto de cinquenta pratos intitulado “Serviço de Jantar das Mulheres Famosas”, onde ela e Duncan retrataram mulheres influentes em diversas áreas.

Obras em destaque: Auto-retrato (1915), Nu Com Papoulas (1916) e O Clube da Memória (1943). Aprenda mais sobre a Vanessa!

03) Anna Boch:

Trio de pinturas de tons suaves de Anna Boch, em tons pastéis que vão do sóbrio na primeira a cores frias na última). Sua foto está em tons de sépia e os anos correspondente ao nascimento e morte são 1848 e 1936.

Você já ouviu falar que Van Gogh vendeu apenas uma obra de arte em vida? “O Vinhedo Vermelho” foi comprado por Anna Boch, que era uma pintora e patrona de artes belga que migrava entre o impressionismo e pós-impressionismo, usando muito das técnicas de pontilhismo em suas obras. Mais do que suas pinturas, precisamos falar também do trabalho que fazia ao ajudar amigos modernistas da época, não só o mencionado anteriormente mas também Gaugin, para quem organizou um leilão beneficente. Anna abriu também uma casa onde artistas progressistas podiam produzir seus trabalhos e, em seu testamento, doou o dinheiro que tinha e o que foi arrecadado com a venda de seus quadros foi destinado à aposentadoria desses colegas, garantindo que não ficassem desamparados após não conseguir mais produzir. Seu desejo foi realizado quando morreu, aos 88 anos, mas teve algumas pinturas também doadas para museus.

Obras em destaque: Um Buquê de Cravos (cerca de 1910), Mulher lendo em um Aglomerado de Rododendros e Retorno da Missa Pelas Dunas. Aprenda mais sobre a Anna!

04) Emily Carr:

Obras de Emily Carr que possuem cores fortes e temas que vão da ícone indígena a um auto-retrato. Abaixo, sua foto em preto e branco é seguida do nome e dos anos de nascimento (1871) e morte (1945).

Nascida na costa do Pacífico canadense, Emily Carr é nome de diversas escolas e uma universidade de artes em seu país. Estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas manteve como temática principal os povos indígenas do Canadá, pintado-os e escrevendo livros sobre eles no fim de sua vida. O principal deles, Klee Wyck (“a Risonha”), tinha como título o nome adotado que recebeu nas vilas de tribos com as quais convivia. Durante a década de 1920 conheceu o Grupo dos Sete, artistas modernistas canadenses de maior relevância que, apesar de não integra-la ao grupo, considerava como parte deles, chamando-a de “A Mãe das Artes Modernas”. Após três ataques do coração e um derrame, abandonou definitivamente a pintura para dedicar-se à escrita e morreu de um quarto ataque, aos 73 anos. No mesmo ano, ganhou um doutorado honorário da Universidade de British Columbia, sua província natal.

Obras em destaque: Guyasdoms D’Sonoqua (cerca de 1930), Acima do Gravel Pit (1937) e Auto-Retrato (entre 1938 e 1939). Aprenda mais sobre a Emily!

Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

05) Gwen John:

Obras pertencentes ao pós-impressionismo de Gwen John, sendo elas uma freira, um gato e uma mulher carregando um gato, todas em tons leves. Abaixo, um auto retrato da artista com vestido de cor forte e os anos 1876 e 1939, quando nasceu e faleceu, em seguida ao seu nome.

Gwen John nasceu no País de Gales e se mudou para Londres em 1895, ao ingressar na Slade Schooll of Fine Arts, uma das poucas instituições de Belas Artes que aceitava mulheres no Reino Unido, junto com seu irmão Augustus, que teve direito de entrar antes dela, apesar de ser mais novo. Começou a expor oficialmente em 1900 e três anos depois foi para a França com sua amiga e modelo Dorelia McNeill. Lá, começou a modelar para Rodin, o principal artista francês da época, com quem teve um longo relacionamento. Bissexual, era conhecida por ser muito intensa em suas relações. Com o tempo, conseguiu um patrono que a permitiu viver apenas de suas pinturas. Apesar de conhecer muitos artistas influentes, era muito tímida, focando sua produção em temáticas católicas, tornando-se fervorosa na religião com o tempo. No fim da vida, viveu sozinha com seus gatos até morrer aos 63 anos.

Obras em destaque: Mère Poussepin (A Freira, 1915), Gato (entre 1904 e 1908) e Jovem Mulher Segurando Um Gato Preto (entre 1920 e 1925). Aprenda mais sobre a Gwen!

06) Nutzi Acontz

Representando o pós-impressionismo na Romênia, as obras exemplo de Nutzi Acontz t~em cores fortes e linhas bem definidas, representando duas paisagens nas extremidades da imagem e uma imagem de natureza morta no centro. Sua foto, abaixo, está em preto e branco, seguida do nome, ano de nascimento (1894) e de morte (1957).

Nutzi Acontz era romena, fruto de uma linhagem armênia da Moldávia, país da Europa oriental que faz fronteira com a Ucrânia e a Romênia, onde nasceu em novembro de 1891. Quando tinha por volta de vinte anos, estudou na Escola de Belas Artes de Iasi, trabalhando como professora de desenho em seguida à sua formatura. Só conseguiu se manter como artista, com suas pinturas, após se mudar para Bucareste, onde retratava paisagens e elementos da natureza com forte dualidade de estilos: em alguns momentos com linhas densas, bem definidas, e cores igualmente intensas; em outros de forma tão leve e sutil que as obras parecem quase não ter cores. Foi lá que faleceu, aos 63 anos, em 1957.

Obras em destaque: Rua Dojubran, Natureza Morta com Fruta e Café Mamute. Aprenda mais sobre a Nutzi!

07) Sylvia Pankhurst:

Exemplos de obras de Sylvia Pankhurst, sendo a primeira uma pintura retratando uma operária de fábrica, a segunda um broche do movimento Sufragista e a terceira um desenho de uma mulher com linhas leves). Na foto, abaixo, Sylvia aparece com o rosto apoiado nas mãos, em preto e branco, e ao lado dele está seu nome e os anos 1882 e 1960, de nascimento e morte respectivamente.

Um parágrafo só não é suficiente para definir Sylvia Pankhurst, que fica por último não por ser menos revelante, mas sim por ter tantas atividades que marcam sua história de forma mais forte que a arte que isso se torna só um adendo dela. Filha de Emmeline Pankhurst, uma das fundadoras do movimento sufragista britânico, Sylvia participou ativamente da causa da mãe, sendo responsável por cartazes pedindo o voto feminino, pinturas retratando as operárias de fábricas e o broche que era dado ás companheiras que eram presas, quando soltas. Em dado momento, rompeu com o grupo por ser contra os esforços da I Guerra Mundial, que elas apoiavam, criando sua própria organização e alinhando seu pensamento político cada vez mais à esquerda. Foi ativista política socialista e humanitária até o fim da vida, que aconteceu quando lutava pela libertação dos etíopes dominados pela Itália, na própria Etiópia.

Obras em destaque: Em Uma Fábrica de Algodão em Glasgow Cuidando de Um par de belas Armações (1907), Broche Holloway (após 1902) e Retrato de Uma Jovem Mulher (cerca de 1909). Aprenda mais sobre a Sylvia!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do pós-impressionismo?

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina na história da arte! A série sobre as mulheres do Pós-Impressionismo “terminou” no início desse ano, mas não definitivamente, já que continuará sendo alimentada sempre que possível ou pertinente. Para conhecer mais sobre o movimento e várias outras artistas que fizeram parte dele, inclusive de outros países, vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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