Dia do Sim

Dia do Sim: cena do filme onde a família protagonista aparece andando lado a lado em meio a uma multidão, animados, num parque de diversões.

Dia do Sim (Yes Day) *****
Dia do Sim: poster do filme onde se l~e o nome dos atores principais no alto, foto da família celebrando segurando balões d'água nas mãos e título em baixo. Elenco: Jennifer Garner, Edgar Ramirez, Jenna Ortega, Julian Lerner, Everly Carganilla, Hayden Szeto, H.E.R.
Direção: Miguel Arteta
Gênero: Comédia
Duração: 89 min
Ano: 2021
Classificação: Livre
Sinopse: “Acostumados a sempre dizer NÃO em casa, Allison e Carlos decidem dizer SIM aos seus três filhos durante 24 horas – por um dia inteiro, são as crianças quem ditam as regras! Eles nunca imaginaram que terminariam envolvidos em um turbilhão de aventuras por Los Angeles, Estados Unidos, nem que a família estaria mais unida do que nunca.” Fonte: Filmow.

Comentários: Allison costumava ser a mulher mais divertida de todas, sempre disposta a dizer “Sim” para as oportunidades da vida, inclusive Carlos, com quem se casou após perceberem enorme compatibilidade nesse aspecto. Com o passar dos anos, porém, o “Casal Sim” percebe que para criar seus três filhos, Katie, Nando e Ellie, passariam a dizer muito mais “Nãos” do que imaginavam. Após se ver retratada como uma ditadora em trabalhos da escola das crianças, Allison decide resgatar um pouco da pessoa que era antes e, seguindo uma sugestão do treinador da escola, eles instituam dentro de casa o “Dia do Sim”, vinte e quatro horas onde as crianças estão no controle e os país precisam atender a todas suas demandas, com algumas regras básicas para não existir excessos. Caso falhem, ela precisa pagar uma promessa para a primogênita em relação a algo que é completamente contra.

Comédia familiar levinha, despretensiosa e com a maravilhosa Jennifer Garner no papel principal, o que mais a gente poderia querer, né? Dia do Sim estreou na Netflix dia 13 de março e, por causa de uma péssima experiência anterior com comédias originais da plataforma, fiquei me questionando se valia a pena encarar essa em nome da produção de conteúdo. Sendo sincera, foi a atriz, muito mais que o plot, que me fez “apertar o play”, mas a partir do momento que isso aconteceu achei a narrativa tão gostosa, o humor tão inocente e a família tão carismática que foi fácil demais chegar ao fim com algumas risadas no pacote, lagriminhas penduradas nos olhos e, principalmente, sensação de que tinha conseguido desanuviar a cabeça com um entretenimento bobo, sim, mas exatamente o que a gente precisa de vez em quando em meio ao caos.

Dia do Sim: foto da família protagonita do filme, onde a mãe e os filhos mais novos se encontram em pé em cima da cama do casal, olhando para o pai que está ajoelhado no chão, com a filha mais velha em pé ao seu lado observando a cena.
Dia do Sim: Imagem via Hello Magazine

É claro que, como toda, comédia, existe o exagero forçado aqui e ali, mas no fim das contas, à medida que o dia onde se passa a história ia se desenvolvendo, senti que tanto as atitudes dos adultos quanto as das crianças foram extremamente pertinentes em relação à realidade. O filme aborda, em alguns pontos, questões super enraizadas da nossa sociedade, como o pai que tenta inconscientemente compensar suas frustrações no trabalho na criação dos filhos, a mãe que abriu mão da vida profissional para se dedicar à família, se tornando a imagem de autoridade na casa que leva toda a fama de malvada e como isso, na verdade, é tão comum no dia a dia que passa despercebido, mas que pode ser trabalhado para evitar que seja um problema. Apesar de acha-la dura em alguns momentos bem pontuais, entendi o lado da Allison em toda a trama.

Leia também: Na tag Netflix é possível ler todas as resenhas aqui do blog sobre produções originais do serviço de streaming!

Claro, a atriz é bem conhecida e interpreta a personagem central da história, mas o elenco é todo bacana, ela não precisa segurar as pontas sozinha, de forma alguma. O Carlos de Edgar Ramirez é uma pessoa bem real, com falhas e acertos que precisam ser repensados e enaltecidos, respectivamente. As crianças também são ótimas e os cinco, juntos, soam de forma bem gostosa como uma família comum. É um pouquinho mais difícil entender o lado da adolescente, que tem dilemas tão específicos da idade que acabam se tornando “chatos” na nossa cabeça que já esqueceu como as coisas funcionam? Sim. Mas faz parte da realidade dela, mesmo, e medindo todos os pontos de vista da narrativa até aquele com o qual a gente mais se identificou teve algo a aprender no “final feliz” de contos de fada da vida real que esse gênero sempre carrega!

Trailer:

Continue Reading

Exposição Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira

Exposição Yara Tupynambá - 70 Anos de Carreira: foto de Luly Lage, uma mulher de pele clara e cabelos pintados de rosa com a raiz escura, usando óculos de grau e máscara protetora, em frente a um quadro da artista de temática botânica, com folhas verdes, galhos finos de árvores e fundo azul.

Eu realmente considero um privilégio viver na mesma época que Yara Tupynambá, por diversos motivos. A importância dela na história da arte brasileira, em especial na arte mineira, é medida não só pela produção de obras em diversos suportes, mas também formação de outros artistas, uma vez que foi professora em importantes cursos de nível superior em Artes Visuais. Quando fiquei sabendo da exposição Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira, que chegou ao CCBB BH no dia 24 de fevereiro, peguei ingresso para o primeiro horário do primeiro dia, precisava conferir e produzir conteúdo sobre. Foi a única vez que fui a uma instituição cultural durante a pandemia e não me arrependo: são 74 obras, entre quadros, gravuras e painéis, representando flora e cultura de Minas Gerais, celebrando não só a vida e o trabalho dela, mas também do lugar onde nasceu e ainda vive.

Veja pedacinhos dessa exposição também no vídeo publicado no Instagram Reels!

Eu tenho uma relação muito pessoal e afetiva com a Yara, vai além da admiração como artista. Em 2012, quando eu fazia meu TCC, onde restaurarei uma gravura do Padre Viegas (provavelmente a primeira gravação feita no Brasil!), descobri que ela tinha feito a reimpressão que estava restaurando quando era professora da EBA UFMG enquanto pesquisava a história da obra. Mandei então alguns e-mails até, enfim, chegar no endereço pessoal dela, que me respondeu muito solícita sobre o trabalho e me ajudou a detectar muitas das causas de degradação que tinham levado a essa necessidade da restauração. Quando terminei, ela foi adicionada aos meus agradecimentos porque foi super importante no processo e me tornei bem fã. Com razão, né? Pra quem tem interesse nesse tipo de trabalho, ou mesmo curiosidade, o arquivo em PDF do TCC completo está disponível no meu perfil do Academia.

Sala 01:

Essa exposição está dividida em quatro salas, sendo as três primeiras no térreo do prédio, logo à direita da entrada principal. A sala de abertura já apresenta, de cara, um dos painéis da artista, obra de grande porte e cores fortes, entre verde, marrom e pitadas de pontos claros nos detalhes. Essas cores estão presentes em todo esse ambiente inicial, retratando matas, árvores e águas das margens do Rio Doce. É um conjunto bem uniforme, parece uma grande série de quadros, mas suas datas variam muito entre os últimos dez anos, mais ou menos, então a produção em si parece ter sido relativamente espaçada. Confesso que, de todas, foi a que “menos amei” (porque amei tudo, na verdade), mas causa um primeiro impacto muito belo, de verdade.

Psiu! Pres’tenção! Todos os exemplos de pinturas mostrados nesse post possuem a mesma técnica e suporte: acrílica sobre tela. Os anos de criação, porém, são variados e foram descritos nas legendas das imagens, ao lado dos títulos.

Quadro de Yara Tupynambá em primeiro plano, com painel da artista quase inteiramente visto ao fundo, ambos retratando matas com árvores finas de madeira clara e muito verde em volta.
Árvores Brancas (2012) e Floresta do Vale do Rio Doce (2014).
Três quadros da artista, um dois primeiro plano com lagoas em destaque na paisagem e outro ao fundo, bem semelhante à foto anterior.
Lagoa com Nenúfares (2019), Lagoa do Rio Doce (2017) e Floresta do Vale do Rio Doce (2017).

Sala 02:

A sala seguinte tem cores suaves retratando ambientes abertos que passam a ideia de serem mais leves. Acho que, de todas, foi a minha favorita! Achei interessante porque nem todas elas são cenários em si, algumas tinham flores e outros tipos de plantas meio “jogados” formando a composição, e ainda assim passam a mensagem de retratar algo real e visível. O grande destaque dessas representações é a Serra do Cipó, um destino turístico natural localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte conhecido por suas cachoeiras, que estão presentes lado a lado da vegetação também característica. Ao contrário do espaço anterior, e assim como os seguintes, elas são diferentes entre si, mas é possível detectar alguns conjuntos que representam pequenas unidades particulares, a expografia arrasou em organizar a disposição para que isso ficasse muito perceptível ao público visitante.

Quadro retratando árvores de galhos secos em meio a pedras claroas e algumas flores secas caídas ao redor.
Velócias Gigante (2013).
Dois quadros de yara Tupynambá d emédio porte, o primeiro, ao fundo, com cenário da flora  em tons verdes e vivos à margem de uma cachoeira com uma faixa no centro mostrando o que parece ser o mesmo local em período de seca; e o segundo retratando três flores em ambiente fechado com fundo escuro.
Perto da Cachoeira (2015) e Três Flores na Serra do Cipó (2004).
Quadros em fundo de cor clara retratando diversos tipos de flores coloridas espalhadas na tela.
Flores na Serra do Cipó III (2011) e Flores na Serra do Cipó (2011).

Sala 03:

O último cômodo do andar térreo também retrata pontos relevantes de Belo Horizonte e região, como parque municipais e o Inhotim, museu de arte contemporânea em Brumadinho que tem paisagismo assinado por Burle Marx. Em um meio termo do que foi visto anteriormente, os quadros têm tons e características semelhantes, mas não retratam uma unidade propriamente dita. Como moradora da capital mineira foi o lugar onde mais me senti em casa, por mais que eu já tenha estado nos cenários anteriores esses são os mais próximos, onde estive várias vezes. Isso me mostra muito a força de vistar mostras e exposições que trazem paisagens locais, valorizando realmente o nosso lar e o fazer artístico dele, mesmo. Muito incrível poder ver isso, seja presencial ou virtual, que é o mais acessível nesse momento.

Quadros retratando cenários variados, sendo o primeiro um conjunto de árvores de galhos finos e folhas escuras, o seguno uma planta imponente nascendo em frente a um muro antigo de azulejos e o terceiro uma lagos em um parque, com vegetação ao seu redor e barcos estacionados à beira da água.
Árvores à Luz do Dia (2018), A Velha Parede Esquecida (2018) e Parcos no Parque (2020).
Duas pinturas com cores semelhantes (verde em diversos tons, terrosas e vermelho), a primeira retratando um cenário vegetal urbano onde á uma lagoa com barco, pessoas caminhando ao fundo e um possível coreto de praça; e o segundo em local parecido, com uma menina vestindo vestindo roupa de cor quente em destaque na frente segurando dois balões coloridos.
Árvores e Barcos (2017) e A Menina dos Balões (2017).

Sala 04:

A última sala fica localizada no 2º andar do CCBB, contendo obras da coleção particular da artista que o público não tem acesso. Ali contém desde homenagens a Monet, ao pintar seus jardins na França há mais de trinta anos, à vista da sua janela durante a pandemia, com trabalhos de 2020 e até 2021! Em entrevistas ela já disse que sua rotina em isolamento social não mudou muito, passa basicamente o tempo todo no ateliê produzindo, e aí está o resultado dessa produção, que ocupa 70 anos dos (quase) 90 que tem de vida a serem completados ano que vem. Escondidinho, num dos cantos de obras voltadas pra parede, existe um quarteto que não são pinturas e tenho a impressão que eram desenhos, mas agora não tenho certeza e já peço desculpas por essa gafe. O importante é que é belíssimo, como todo o resto.

Três quadros, dois em destaque em cores claras retratando flores brancas e roxas variadas e um ao fundo, entre eles, que tem como imagem principal uma casa cercada de diversos tipos de plantas, árvores e flores, ao seu redor.
O Jardim Secreto I (2015), A Casa de Monet (1989) e Íris e Spatifilus do Jardim (2020).
Quatro obras da sala da coleção particular de Yara Tupynambá em ângulos onde não é possível ver muitos detalhes, todas com temática principal de flores e folhas, e uma em destaque, retratando a casa (descrita na foto anterior).
Spatifilus no Fim da Tarde (2010), Strelitzia no Jardim (2020), A Casa de Monet (1898) e A Janela do Atelier (2021).
Quadro com moldura em primeiro plano, com um grande vaso onde estão folhas e flores e um menor na frente, que parece conter frutas redondas. Ao fundo, um quadro em cores complementares aparece pela metade, retratando várias folhas coloridas em fundo verde.
Vaso de Flores em Pote Chinês (2000) e Sol Poente e Folhas Vermelhas (2020).

Leia também: Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura, sobre a mostra que também está aberta no CCBB BH.

Sobre a artista:

Yara Tupynambá nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 2 de abril de 1932. É artista plástica, tendo estudado com o próprio Guignard, e atuou como professora e diretora da Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG e professora da Escola Guignard da UEMG. Ao longo de sua vida profissional, participou de diversas Bienais e Salões de Arte Moderna, ganhou prêmios de vários tipos de materiais do seu trabalho multiartístico, uma vez que é não somente pintora mas também muralista, gravadora e desenhista. Em 1987, criou o Instituto Yara Tupynambá, ainda na ativa, promovendo atividades de incentivo cultural, incluindo a conservação-restauração de bens, e de educação artística e em outras áreas, como gastronomia, moda, turismo e meio ambiente. Vocês podem segui-la no Instagram nos perfis @yaratupynambaoficial e @instituto.yaratupynamba.

Dados gerais e vídeo:

Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte, supostamente, até 20 de maio de 2021. O CCBB, porém, se encontra fechado como medida de proteção ao COVID-19, sem previsão de reabertura, conforme definido pela Prefeitura de BH. Enquanto estava aberto, a bilheteria da instituição não estava funcionando e os ingressos gratuitos eram retirados pela internet, com obrigatoriedade do uso de máscara de proteção dentro das dependências, medição de temperatura na entrada, distância entre visitantes determinada por sinalização presente no chão e dispensadores de álcool em gel em todos os andares do prédio. É possível fazer o tour virtual pela exposição no site do Instituto Yara Tupynambá em yaratupynamba.org.br/ccbb (e tem uma prévia dele lá nos Reels do meu Instagram!).

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina na história da arte! Sempre que pertinente, falo sobre as mulheres de exposições que frequento por lá, além do conteúdo principal ensinando sobre movimentos artísticos através das artistas que faziam parte deles. Abaixo, um vídeo falando sobre a experiência com pequenas tomadas dentro das galerias.

Continue Reading

Inferno Astral – Vitor diCastro

Inferno Astral: foto do livro sobre papéis de cores variadas de estampas diferentes (estrelas, corações e listras). Embaixo dele, ainda sobre o papel, há um conjunto de flags para marcar livros de várias cores e um ímã de geladeira com uma ilustração remetente ao signo de Câncer, onda a menina tem as pontas das tranças em forma de pinças de caranguejo e qualidades do signo escritas ao seu redor.

Inferno Astral – Os signos estão de deboche comigo! *****
Inferno Astral: capa do livro que tem a bandeira do orgulho LGBTQIA+ no topo com o nome do autor, um círculo no centro com o título, o símbolo dos 12 signos e uma ilustração do casal protagonista, e chamas em baixo com os três animais de estimação dos mesmos acima da logo da editora. Autor: Vitor diCastro
Gênero: Romance
Ano: 2020
Número de páginas: 224p.
Editora: Outro Planeta
ISBN: 9786555351576
Sinopse: “Lucas é ariano. Bom, isso já diz muita coisa, né? Mas vamos lá, um pouco mais de informação. Lucas é apresentador de um programa de TV de muito sucesso. Nele, recebe convidados e adora falar de assuntos polêmicos. O público enlouquece quando ele começa a debochar dos entrevistados (que nem sempre ficam muito felizes com isso…). Em um dos programas, Lucas resolve debochar de uma astróloga, Dandara. Acontece que ela não é uma astróloga comum e, como punição, joga uma maldição no apresentador: pelos próximos doze dias, daquele até o dia do aniversário de Lucas, ele despertará com as piores características de cada um dos signos. Se não conseguir se tornar uma pessoa empática até lá, o ciclo da maldição se repetirá para sempre. Como se não bastasse, Lucas é um cara superconsumista e agora tem uma dívida milionária pra pagar a um agiota misterioso. O prazo máximo para o pagamento, adivinhem: dali a doze dias.” (fonte)

Comentários: Lucas é uma pessoa absolutamente intragável. Apresentador do programa de televisão Dazonze, ele trata seus convidados diários de maneira pior ainda que as pessoas próximas com quem convive diariamente, se é que isso é possível, e sequer coloca culpa no seu temido signo, Áries, uma vez que não acredita “nessa coisa” de signos. Durante seu inferno astral, faltando 12 dias para completar 30 anos e com um agiota anônimo na sua cola o ameaçando caso não pague sua dívida milionária após um empréstimo muito mal planejado, ele recebe a astróloga Dandara para uma entrevista, lidando com ela com o deboche e descaso de sempre. Ela, porém, não deixa a situação por isso mesmo e, com um peteleco em seu piercing no nariz, o amaldiçoa a passar os próximos dias sentindo na pele os 12 signos do zodíaco, como uma punição por sua extrema falta de empatia.

Inferno Astral: foto do livro sobre papéis de cores variadas de estampas diferentes (estrelas, corações e listras). Embaixo dele, ainda sobre o papel, há um conjunto de flags para marcar livros de várias cores e um ímã de geladeira com uma ilustração remetente ao signo de Câncer, onda a menina tem as pontas das tranças em forma de pinças de caranguejo e qualidades do signo escritas ao seu redor.

“Só queria te dizer que, se vocês não acreditam em signos, é melhor fechar esse livro agora mesmo. Eu não acreditava também, até que tive que viver na pele cada um dos doze signos, aí vi que eles são bem reais.”

Inferno Astral é o primeiro livro do YouTuber Vitor diCastro, do canal Deboche Astral que conta, hoje, com mais de um 1,5 milhões de inscritos, além de outros trabalhos para veículos na internet e canais de televisão. Eu gosto bastante do conteúdo dele porque sinto que é um jeito divertido de rir de si mesmo, sempre me identifico, mas não considero a maioria dos vídeos como sendo sobre ASTROLOGIA, que é uma forma de crença e autoconhecimento, e sim sobre SIGNOS, lidando os com estereótipos de cada um. São coisas diferentes, e tudo bem! O livro tem essa mesma vibe, você escuta a voz dele o tempo todo enquanto lê como se estivesse assistindo, a história é interessante para quem gosta do assunto ou não, mas teve execução realmente falha…Se fosse uma publicação independente eu poderia relevar, mas tendo uma equipe de edição por trás é impossível desconsiderar.

Inferno Astral: livro aberto na capa do capítulo 6, do Signo de Câncer, onde as páginas são pretas e a impressão branca, com a constelação do signo em baixo do título. Ao fundo, papéis coloridos e estampas variadas e, na frente, um ímã de geladeira do signo com uma ilustração de menina e características positivas do mesmo escritas ao seu redor.

Como pontos positivos temos a história, um jeito criativo de falar dos estereótipos de cada signo, com momentos engraçados e sem essa coisa de “signo bom ou ruim”. Fiquei meio pé atrás porque o autor é muito abertamente averso aos signos de Capricórnio e Aquário (que, coincidentemente, são meu Ascendente e Lua!), mas essa antipatia não está na narrativa, muito pelo contrário, os únicos momentos da história em que consegui gostar do Lucas foi quando estava “encarnado” neles. Ele em si é muito mala, mesmo, mas não considero isso um defeito porque é o objetivo: vê-lo melhorar pelo menos um pouquinho, com uma carga de defeitos que faz com que a gente ame odiá-lo. Além disso, traz muita representatividade em praticamente todas as personagens de maneira super natural, levantando questões pessoais de fazer parte de uma minoria mas sem tornar aquilo a única característica das pessoas em questão.

“Isso de se colocar no lugar do outro me fez pensar que eu passei tempo demais querendo ser o centro de tudo, sabe? Talvez agora eu queira focar em coisas mais importantes que ter roupas de marca e festas de arromba, entende?”

A linguagem é leve, claramente voltada para o público jovem LGBTQIA+, o que é incrível, mas na maior parte do tempo pesa tanto nesse uso de memes que fica cansativo, deixa de ser nossa forma natural de usa-los e se transforma num tsunami, a todo momento, às vezes mais de um na mesma sentença… Perdeu a graça rapidinho, passei vários capítulos sem conseguir rir e só melhorou nos que citei acima, justamente por serem signos mais “sérios” onde ficou mais espaçado. A parte do “suspense” também não se sustenta, o vilão misterioso fica bem claro desde a metade da história e o clímax, onde os “mocinhos” vão enfrenta-lo, é bem sem noção e forçado. Além disso, percebi em alguns erros, como uma personagem que está na cena e some, chega mas não consta na lista de quem “vai embora”. Até reli essa parte pra garantir que não me enganei.

Inferno Astral: capa traseira, com foto do autor usando um casaco da bandeira do orgulho LGBTQIA+ em fundo listrado, com pequena sinopse abaixo. Os outros elementos decorativos e fundo das fotos anteriores se repetem ao redor do livro.

Mas o pior de tudo pra mim, de verdade, foi o fato de que o ANIVERSÁRIO DO PROTAGONISTA NÃO É DENTRO DO SOL EM ÁRIES! O signo dele está errado! Cheguei a fazer uma simulação de mapa astral de dezessete de março levando em consideração alguns anos diferentes ao redor de 1990, trinta anos antes do livro ser publicado, usando o meio dia como horário de referência, mas realmente, em todos o Sol consta em Peixes. Não entendo como isso foi possível em um livro sobre o assunto, sinceramente. O projeto gráfico é todo belíssimo, a é capa alegre e divertida como uma comédia pede, o início de cada capítulo tem pegada mística com as constelações e fundo preto, além dos símbolos de cada signo nos intervalos da narrativa, que adoro, mas não sei se compensa os tropeços…

Vitor diCastro tem 31 anos e mora em São Paulo/SP. Se tornou popular na internet principalmente ao abordar temas relacionados a homofobia nos perfis do Quebrando o Tabu, onde enfim se mostra confortável com sua sexualidade após ter passado até por sessões na psicóloga na infância em uma tentativa de ser “mais menino”. Ele pode ser encontrado não só no canal e perfil do Instagram do Deboche Astral, mas também seus perfis pessoais @vitordicastro no Instagram e Twitter. Como um bom representante do Sol em Câncer fica muito claro o uso de inspiração de sua própria vida no núcleo familiar do protagonista de Inferno Astral, o que ajuda bastante a quem o acompanha a ter empatia pelo mesmo até quando está no seu pior (e fez derreter meu coração igualmente canceriano)!

Continue Reading

Wishlist 3×3: Roupas esportivas estilosas da Wayrates

Roupas esportivas estilosas da Wayrates: exemplos de roupas esportivas com temática voltada para elementos do rock, quatro T-shirts e uma camiseta longa.

Eu tenho visto um volume muito grande de pessoas começando a se exercitar de alguma forma em casa depois que começou a pandemia. Acho que é porque, sem sair de casa, a gente começou a se movimentar menos e PRECISA dessa forçadinha para não acabar caindo no sedentarismo, independente de ter esse costume antes ou não. Fora que, vamos falar a verdade aqui, um pouquinho de endorfina para amenizar essa tristeza toda que é inevitável sentir não faz mal nenhum, né? E como exercício físico pede roupas apropriadas, estou aqui com mais uma wishlist, dessa vez de peças da Wayrates, que tem roupas esportivas de todos os tipos, desde coisas básicas, de ginástica, até roupas táticas que são mais resistentes e destinadas a práticas pesadas, incluindo opções estilozinhas e bonitinhas que permitem o corpo respirar durante a atividade.

I’ve been seeing a larger number of people beginning to do some kind of exercise at home after the pandemic began. I think it’s because, without leaving home, we started to move less and NEED this to avoid falling into sedentary lifestyle, regardless of having this habit before or not. Besides, let’s talk the truth here, a little bit of endorphins to ease this sadness that is inevitable to feel doesn’t hurt, right? And as physical exercise calls for appropriate outfit, here I am with another wish list, this time from Wayrates, which have sports clothes of all kinds, from basic gymnastics stuff to tactical clothing that are more resistant and intended for intense practices, including stilish and cute options that allow the body to breathe during activity.

Roupas esportivas estilosas da Wayrates: exemplos de roupas esportivas casuais com temática de rock e caveiras, quatro T-shirts e uma camiseta larga com outra justa por baixo.
Camiseta feminina com estampa de flores com caveira | T-shirt de manga curta com estampa retro moda feminina | Camiseta feminina casual estampada de duas peças | Camiseta feminina AC/DC impressa de manga curta | Camiseta feminina com estampa Metallica

Uma vibe que eu gosto super em roupas pra tudo na vida é essa coisa meio rockeirinha, seja puxando pras bandas que escuto ou elementos clássicos que combinem, como caveiras, é claro. E lá tem MUITAS nesse estilo! Acho bem legal isso porque acho super tenso isso de sustentar o look “gótica suave” no calor, com um monte de roupa preta no armário, mas como essas são destinadas a evitar o suor provavelmente ajudam bastante no processo… Dá pra usar não só como roupa de ginástica, mas também no dia a dia do nosso calor tropical. Amo porque tem as opções rock-fofinho também, com elementos coloridos e florais aqui e ali, é basicamente ver minhas duas personalidades juntas em uma peça só!

A vibe that I really like to wear in everything in my life is this rocker thing, whether with the bands I listen to or classic elements who match, like skulls, of course. And there are MANY options in this style there! I think it’s really cool because it’s hard to support the “soft gothic” look in the heat, with a lot of black clothes in the closet, but as these are meant to prevent sweat they probably help a lot in the process… You can use them as gym clothes, but also in our tropical heat’s day by day. I love it ’cause has “sweet rock” options too, with colorful and floral elements here and there, it’s basically seeing my two personalities together in one piece!

Roupas esportivas estilosas da Wayrates: uma camiseta, duas t-shirts e uma camisa de botões de temáticas variadas apropriadas para exercícios físicos.
Top longo feminino casual estampado | Camiseta feminina com estampa de gato respirável | Camiseta feminina tática de cor sólida | T-shirt tática de secagem rápida para senhora

Ainda pensando em elementos que acho legais, outros grandes queridinhos dos meus looks: cores escuras, gatinhos preto (em homenagem à Arwen) e um toque cor-de-rosa que é minha cor favorita! Também adoro camisetas com esse detalhe de amarrar na frente, lembro que quando criança era meu sonho ter uma e demorei anos até isso acontecer! Na Wayrates tem muita roupa com modelagens e destalhes fora do que se espera do estilo, então dá pra expressar bastante sua personalidade além delas. E, é claro, coloquei exemplos femininos na minha wish list, mas eles também vendem camisetas masculinas e outros tipos de peças de roupa, como calças e até acessórios. De verdade, essa listagem aqui é toda com opções que eu amaria vestir em diversos contextos, são muito lindas!

Still thinking about elements that I think are cool to put on my looks: dark colors, black kittens (because of Arwen!) and a pink touch, it’s my favourite colour! I also love t-shirts with this tying on the front detail, I remember that as a child it was my dream to have one and it took me years until that happened! At Wayrates there are lots of clothing with modeling outside of what is expected from the style, so you can express your personality a lot with them. And, of course, I put women’s examples on my wish list, but they also sell shirts for men and other types of clothing, such as pants and even accessories. Really, this list is full with options that I would love to wear in different contexts, they are very beautiful!

Psiu! Prest’enção! Esse post é uma publicidade da Wayrates e todas as imagens de produtos aqui presentes foram tiradas do site da loja em março de 2021.

Continue Reading

Mas isso é arte? Ah, até eu faço!

Mas isso é arte? Ah, até eu faço! Imagem ilustrativa com exemplos de obras de alguns artistas cujo trabalho foi relativizado por seguidores do meu Instagram em fevereiro de 2021.

Em situações normais, fora desse contexto da pandemia, eu sou super a amiga de ir ao museu. Posso ser a de balada (bem pouquinho), a de cinema, de ficar á toa, de várias coisas, mas a de museu acho que é um papel que desempenho melhor. Eu AMO ir a museus, gosto de ver arte, produzo conteúdo sobre… Chego lá com informações sobre o teor da exposição, observando como cada obra foi colocada, faço meus registros em foto e vídeo sem deixar de apreciar o que tô vendo. Fora que, no que diz respeito ao conhecimento formal, entendo do assunto, então posso ser fonte de informação, mas sem ser a chatona que transforma o rolê em palestra, sei brincar e sei falar sério, simultaneamente. Cara, que saudades de PODER receber um convite desses…

Estudar determinado assunto não te isenta de desgostar de algo dentro dele, claro, mas ajuda bastante a enxergar com olhar menos tendencioso. Eu sei que qualquer coisa que tem a intenção (ou às vezes nem isso!) de ser uma manifestação artística tem seu valor, sabe? É LÓGICO que existe algo aqui ou ali que pessoalmente acho “feio” (cofcofRomeroBrittocof), mas é muito raro, de verdade, porque o que existe por trás daquela peça tem uma carga tão maior pra mim, em mil sentidos, que não consigo deixar de ver beleza, esteticamente falando, mesmo, nela. E, no meu papel de companhia de quem não compartilha dessa visão, acabo ouvindo coisas que vão além da preferência estética e não dá pra deixar de rebater: o questionar se algumas coisas são arte de fato ou a afirmação de que aquilo é tão insignificante que qualquer pessoa poderia ter feito.

E assim, rebato!

“Mas… Isso é arte?”

Sim, isso é arte! Você gostando ou não, é arte. Na verdade, dependendo de quem é você e de qual é a arte, ela foi feita pra você não gostar. E ainda assim é arte.

O conceito de arte por si só é variável e muda constantemente conforme muda a sociedade, sendo um reflexo da mesma. Pode ser expressão e decoração, quando se pensa nela de forma imediata, mas também emoção, ciência, registro histórico, percepção e até manifestação acidental. Um utensílio de cozinha, algo que foi corriqueiro na vida de sociedade X o Y, de repente pode estar no museu sendo exaltado dessa forma. E, ao mesmo tempo, existem as manifestações artísticas propositais que não seguem o que se muitas pessoas entendem como “arte”, baseando-se num modelo clássico e padrões de beleza que estão há muito obsoletos e ignoram a subjetividade da própria ideia da beleza. A humanidade mudou desde Botticelli, o ideal do belo vem se tornando cada vez mais amplo e o modo de produzir todos os tipos de artes se transformam também. Ainda bem!

Por exemplo, a pintura-retrato que expressa o que o artista vê (ou uma versão idealizada disso) era a maneira encontrada de deixar sua marca fisicamente para gerações posteriores e mais tarde, com a popularização da fotografia, passamos a ter outro jeito de fazer isso. É natural que o conceito venha se sobressaindo ao visual e, principalmente, ao que soa como “real” na nossa mente. Além disso, esses conceitos e questionamentos sempre estiveram presentes na arte, não só na contemporânea como muitos acreditam. Ao estudar sua história percebemos que um movimento artístico contesta o que estava em alta antes dele, trazendo novas reflexões àqueles que se expressavam através dela e, com sorte, aos que consumiam. Apesar de existir uma quebra maior à medida que o final da era moderna foi se aproximando, sempre esteve presente e sempre incomodava aqueles que se recusavam a evoluir.

Não é como esses que queremos ser, né?

“Ah, isso aí até eu faço!”

Bom… Então faz! Se é assim vai lá e faz!

Veja bem, é claro que na vida o conhecimento e as oportunidades dependem de DIVERSOS fatores que precisam ser levados em conta… A infinidade de privilégios que podem determinar o destino de alguém não pode ser ignorada, né? Mas, ainda assim, uma coisa que não deixa de ser verdade é que a produção artística de alguém NUNCA depende apenas de “talento”. Na verdade o que as pessoas chamam de talento é resultado de muito estudo, esforço, investimento, horas e horas se dedicando à atividade em questão. Aptidões mais voltadas para uma área que pra outra? É, temos. Mas não em definitivo. Habilidade e criatividade são coisas que podem ser ensinadas e aprendidas. Acima de tudo elas podem ser treinadas diariamente, de hora em hora, sem parar, resultando, é claro, num produto cada vez mais satisfatório. Ou, pelo menos, assim a gente espera.

Sendo assim, é claro que QUALQUER produção artística poderia, de fato, ser feita por QUALQUER um de nós. Eu acredito nisso. Porém elas são feitas pelas pessoas que, seja por aptidão, oportunidade e/ou esforço absurdo, fizeram. Então não é nada legal menosprezar o trabalho de alguém falando que você, um leigo no assunto, dá conta de fazer igual. Você não fez e, mesmo se fizer, NÃO VAI SER IGUAL! A história que vai existir por trás de um ou de outro vai ser diferente, simples assim. Qualquer um poderia ter pintado O Grito de Edvard Munch ou conduzir as pesquisas sobre radioatividade de Marie Curie, mas não foi esse “qualquer um” que o fez. Foram eles, e você tem direito TOTAL de gostar ou discordar da qualidade desses trabalhos. Mas o trabalho é deles, e fim!

Leia também: Nunca precisei de artista.

Por fim, vou fechar com a fala de uma das personagens que mais gosto na vida, a professora Katherine Watson de “O Sorriso de Mona Lisa”, que foi muito importante nessa minha trajetória como arte-educadora nos últimos anos (e sobre a qual quero escrever um post inteirinho, ainda). Em determinada cena em que suas alunas desdenham de Jackson Pollock ela diz: “Façam-me um favor. Façam um favor a vocês mesmas. Parem de falar e olhem. Vocês não precisam escrever um artigo. Vocês nem precisam gostar. Vocês PRECISAM, porém, considera-la.” Recomendo que apliquem em todo o tipo de arte visual que forem consumir, cada vez mais!

Mas isso é arte? Ah, até eu faço! Imagem ilustrativa com exemplos de obras de alguns artistas cujo trabalho foi relativizado por seguidores do meu Instagram em fevereiro de 2021.
Obras presentes na imagem: A New Day, de Romero Britto; Sem Título (1984), de Jean-Michel Basquiat; Número 17A (1948), de Jackson Pollock; Roda de Bicicleta (1913), de Marcel Duchamp e Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral.
Continue Reading