Um Amor, Mil Casamentos

Um Amor, Mil Casamentos

Um Amor, Mil Casamentos (Love, Wedding, Repeat) *****
Um Amor, Mil Casamentos Elenco: Sam Claflin, Olivia Munn,, Eleanor Tomlinson, Freida Pinto, Joel Fry, Aisling Bea, Allan Mustafa, Jack Farthing, Tim Key
Direção: Dean Craig
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 100 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Jack, um homem que ajuda sua irmã no casamento dos sonhos. Ao mesmo tempo, ele inesperadamente se reúne com Dina (Olivia Munn), a mulher por quem se apaixonou e perdeu há dois anos atrás, iniciando uma série de eventos desastrosos e hilários.” Fonte: Filmow.

Jack conheceu Dina por intermédio de sua irmã, com quem fez faculdade. Depois de dias muito agradáveis juntos em Roma, perto da hora de se despedir, ele é interrompido no momento em que pretende se declarar para a moça, jornalista de guerra prestes a embarcar para um trabalho. Dois anos se passam e eles se reencontram na Itália para o casamento da mesma irmã/amiga que os apresentou, o que parece ser a oportunidade perfeita para compensar esse tempo perdido e, enfim, tentar engatar um romance que nunca teve a oportunidade de começar. Porém, a presença de um penetra que pretende estragar a cerimônia e as atitudes travessas de crianças que brincam de trocar os lugares nas mesas podem levar tudo a perder…

Um remake do francês “Plan de Table”, de 2012, Um Amor, Mil Casamentos é uma produção Netflix lançada na Sexta Feira da Paixão como promessa de entretenimento para o feriado de Páscoa. Apostando em um dos queridinhos do momento no gênero, Sam Claflin (eternizado como o Finnick da série Jogos Vorazes), o filme é um longa metragem divididos em dois atos, ambos em torno dos mesmos eventos: o desejo dele em conquistar Dina e o plano do casal de irmãos de dopar um ex colega da noiva que pretende arruinar seu grande dia por estar apaixonado por ela. E é lógico, como mostrado no próprio trailer, que essa ideia dá errado, ocasionando nas confusões que prometem causar risadas e emoção em quem assiste, como uma boa comédia romântica deve fazer.

Um Amor, Mil Casamentos
Um Amor, Mil Casamentos: Imagem via Cinema Blend.

Ironicamente o filme não cumpre nenhum desses requisitos. Como comédia é extremamente fraco, com piadas sem graça, acontecimentos previsíveis e atuações bastante forçadas. A quebra dos atos corta completamente o clímax quando ele finalmente promete se desenrolar, e a chegada da segunda metade da história é ainda mais massante e decepcionante que a primeira. Pessoalmente eu confesso que só terminei de assisti-lo porque REALMENTE estava precisando de uma pauta para o blog e foi uma grande decepção, uma vez que divulgação da Netflix foi fortíssima a ponto de eu adicionar à Minha Lista antes mesmo do lançamento.

A emoção, normalmente vinculada à parte romântica do gênero, também não acontece. A trama tem vários casais, alguns que já estão juntos, outros que já estiveram e, claro, os que pretendem ser formados. NENHUM DELES, em nenhum momento, cativa o expectador. Não fica aquela tensão no ar, onde a gente espera pelos eventos torcendo por eles, nem mesmo os noivos ou os protagonistas da história causam isso. A verdade é que as personagens são mal apresentadas e ainda mais mal desenvolvidas, não permitindo a afeição por elas individualmente, quiçá em conjunto. Sendo bem sincera estou até surpresa em saber que sua duração é de pouco mais de uma hora e meia porque, pra mim, pareciam várias horas. A parte positiva da minha avaliação foi por causa do elenco bacana, cenário LINDÍSSIMO e os cinco minutos finais que, ainda que clichê, conseguiram ser bonitinhos. Fora isso, uma perda de tempo…

Trailer:

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Just Listen: A garota que esconde um segredo

Just Listen: A garota que esconde um segredo

Just Listen: A garota que esconde um segredo (Just Listen) *****
Just Listen: A garota que esconde um segredo Autora: Sarah Dessen
Gênero: Jovem adulto, drama, romance
Ano: 2006
Número de páginas: 308p.
Editora: Farol Literário
ISBN: 978.853.680.900-7
Sinopse: “Depois de ter sido pega com o namorado da melhor amiga numa festa, Annabel Green começa o ano letivo sendo ignorada pelo resto da escola. Mas o que realmente aconteceu naquela noite ainda é segredo, que ela não se arrisca a contar para ninguém.
Os problemas de Annabel são explicitados pela recusa da família em admitir os próprios problemas: a fissura da mãe para que as filhas virem modelos famosas e Whitney, a irmã do meio, que sofre de anorexia. Uma amizade com Owen, o DJ da rádio comunitária, que tenta constantemente ampliar os gostos musicais de Annabel, fará a tímida jovem aprender a falar a verdade, doa em quem doer.
Ele tem uma missão quase impossível: fazer com que Annabel “Não pense nem julgue. Apenas ouça”.”
(fonte)

ATENÇÃO!ATENÇÃO: Esse livro contém conteúdo sensível e pode apresentar gatilho para alguns leitores (distúrbios alimentares, depressão, relacionamento abusivo e abuso sexual).

Comentários: Annabel Greene parecia ser “a garota que tem tudo”, assim como a personagem que interpretou no comercial que estreava junto com seu novo ano letivo. Sua melhor amiga, Sophie, havia a transformado há alguns anos em uma das garotas mais populares da escola e isso, somado à sua longa carreira de modelo, tornava o cotidiano das duas regado de festas, eventos bacanas e garotos bonitos. Mas no fundo, desde antes de sua vida desmoronar no início das férias de verão, ela estava longe de ser assim. Sua carreira já deixou de ser divertida há anos, porém parecer ainda ser fundamental para sua mãe, a melhor amiga tem comportamento discutível e abusivo, suas irmãs já não se falam desde que Kirsten, a mais velha, alertou a todos sobre os transtornos alimentarem de Whitney, a do meio, e ela prefere viver com tudo isso a enfrentar o verdadeiro pavor que possui de encarar conflitos. Agora, voltando para mais um ano de Ensino Médio tendo Sophie como inimiga e guardando o maior de seus segredos sobre a noite em que elas brigaram, ela está sozinha e acuada, lidando com problemas enquanto é taxada de “vadia”.

É quando Owen, um colega de escola alto e corpulento, com o qual pouca gente conversa por causa de seu comportamento agressivo, acaba se tornando sua única companhia em meio a esse novo cenário de isolamento. Ele, como parte de seu programa de gerenciamento de raiva, aprendeu a ser o oposto dela ao expor seus sentimentos e não guardar nada, sendo sempre sincero. O mais característico no garoto é, porém, a completa obsessão por música. Dono de um programa na rádio comunitária na cidade e um auto denominado “iluminado” no assunto, ele vê nessa inusitada amizade a possibilidade de vê-la se abrindo tanto no gosto musical quanto, principalmente, admitindo para todos o que realmente sente.

Conheci e me apaixonei por Annabel e Owen no final de 2014, quando ganhei Just Listen de presente de natal e o li pela primeira vez. Após passar esse tempo todo me questionando por que nunca sentei para escrever sobre eles decidi, enfim, reler o livro pela segunda vez (a primeira não lembro quando aconteceu) e, enfim, dar minha velha visão deles sob um novo olhar, ligeiramente mais maduro. Uma coisa não mudou: esse é um dos meus livros favoritos, por diversos motivos. Lendo a sinopse a história soa um tanto quanto clichê, quase um “A Bela e a Fera contemporâneo” pela descrição da aparência dos dois, mas é tão, tão longe disso que acho até injusto ter mencionado a possibilidade. Se essa foi a impressão que você teve, já aviso: a história, assim como a vida da nossa jovem modelo, é muito diferente do que parece.

Just Listen: A garota que esconde um segredo

Annabel é uma pessoa que evita tanto a raiva daqueles que vivem ao seu redor que chega a ser preocupante. Para que essas pessoas não se magoem (ou ainda: não a magoem) ela simplesmente não fala NADA da sua vida pra elas. Sua mãe teve depressão há alguns anos e o pai prefere simplesmente não se aprofundar em “questões femininas”, o que envolve basicamente tudo ao seu redor já que sua família é composta completamente por mulheres. Ela não consegue se livrar do trabalho como modelo porque acha que isso vai desestabilizar a casa, não critica Sophie mesmo discordando de suas atitudes por ter medo dela, não encara nada de frente. Ela é marcada por fugir de sentimentos a ponto de preferir simplesmente ver as pessoas saindo de sua vida no lugar de falar o que precisa ser dito a elas. E por mais que isso seja extremamente problemático, estar na sua cabeça e ver como são seus pensamentos torna muito fácil ter empatia por ela e querer ajuda-la. Porque ela claramente precisa de ajuda.

Owen, por sua vez, odeia mentiras e mais ainda o silêncio. Não é babaca a ponto de se jogar no “doa a quem doer” em seus discursos, mas jamais engana ninguém. Como consequência está sempre disposto a aceitar que as pessoas hajam assim com ele também: enquanto a amizade deles se desenvolve ele aceita a opinião de Annabel quando ela julga seu programa na rádio de maneira nem sempre positiva e a faz descobrir não só sobre novas músicas, mas também sobre si mesma. E novamente esse poderia ser o momento em que as pessoas viram os olhos por ver nesse cara o “salvador” da garota perdida, mas não é isso que acontece. Ele está ao seu lado e estende a ela sua mão, metafórica e literalmente, mas durante toda a trama cabe SEMPRE a Annabel rejeitar também seu silêncio e salvar a si mesma. A não pensar ou julgar: apenas escutar. E, claro, falar.

“Quando você realmente pensa sobre ela (…), a música é a grande unificadora. Uma força inacreditável. Algo que as pessoas que são diferentes em tudo podem ter em comum.”

As personagens secundárias também são muito bem trabalhadas, o que ajuda quem está lendo a se afeiçoar (ou não) a elas. Desde Sophie, que transforma a protagonista de aliada em “vagabunda” ao acreditar que ela ficou com seu namorado, passando pela extrema dupla de irmãs da garota que intensificam suas questões familiares ao expor e lidar com o peso dos transtornos alimentares até chegar em Mallory, irmã mais nova de Owen apaixonada por modelos que não só endeusa a nova amiga do irmão sem saber as dores de seu trabalho, mas também nos faz relembrar a complicada pré adolescência, onde tudo mais intenso e os ideais de vida tão irreais… Entre outros! A maioria merece muito cuidado e carinho, outros causam asco e arrepio, mas todos existem na nossa vida real por aí, não importando se para torna-la melhor ou terrivelmente pior.

Como se não bastasse isso tudo e o fato de que eu AMO um bom drama romântico jovem adulto, esse livro me apresentou minha música favorita do Led Zeppelin, que já gosto há tanto tempo que nem sei dizer quando comecei e está, inclusive, na trilha sonora do meu próprio livro. Em meio a artistas fictícios criados para a história e alguns da nossa vida real, “Thank You” é mencionada como a preferida de Owen da banda, conquistando consequentemente Annabel e a mim. Sugiro que você aí, caso decida ler esse livro, providencie para que ela esteja por perto para ser reproduzida nos momentos em que as personagens a escutam, a experiência vai ser ainda mais gostosa porque ela é, como ele mesmo diz, um pouco brega, mas também extremamente verdadeira. E, acrescento, linda!

Psiu! Pres’tenção! A Editora Seguinte também publicou o livro no Brasil em 2017, dessa vez sob o título de “Só Escute”. Como não tive acesso a essa edição, não sei se é semelhante ou não à da Farol Literário.

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