Barbie Yara Shahidi

Barbie Yara Shahidi

Nos últimos anos a Mattel tem se esforçado em criar bonecas Barbie cada vez mais inclusivas, não só no visual, mas também na mensagem que pretendem passar para as a nova geração que irá interagir com elas. Mesmo no que diz respeito aos lançamentos destinados a coleção, que não são realmente apropriados para ser vistos como brinquedo, essa ideia vem sendo muito explorada pelos criadores e designers da marca. Uma das novidades mais recentes, anunciada ainda esse mês como parte da campanha que incentiva o voto nos Estados Unidos, que não é obrigatório, é a Barbie da atriz, modelo e ativista Yara Shahidi, que vem lutando bastante para passar essa mensagem à população jovem estadunidense.

“Yara Shahidi está usando sua voz poderosa para inspirar mudanças. Inteligente e motivada, Yara é uma força imparável para a próxima geração. Ela é exatamente o tipo de pessoa que temos o prazer de homenagear como modelo para as meninas ao redor do mundo, e para comemorar com uma boneca Barbie® ‘Shero’! Apaixonada por capacitar seus colegas, Yara usou sua plataforma como atriz, modelo e agente de mudança para lançar ‘We Vote Next’, que se esforça para ajudar novos eleitores a aprender sobre o impacto de usar sua voz e seu voto para moldar o futuro.
(…)
Meninas precisam de mais modelos como Yara, porque imaginar que podem ser qualquer coisa é apenas o começo – ver que podem fazer toda a diferença. Então, pergunte-se: quem você pode inspirar hoje com o presente de uma boneca como essa?”
(Traduzido do blog oficial da Barbie.)

Barbie Yara Shahidi: imagem comparativa da boneca, que usa blusa branca escrito VOTE, conjunto de blazer e carrega uma cédula de votação na mão esquerda, ao lado da atriz na qual é inspirada, que segura um megafone.

Yara Shahidi ficou bastante conhecida ao interpretar Zoey na série Black-ish, mas sua carreira como atriz e modelo já tinha alguns papeis de destaque antes disso, e teve outros depois. Como ativista ela é co-fundadora da Eighteen x 18, uma plataforma para incentivar pessoas da sua faixa etária a votarem pela primeira vez nas próximas eleições presidenciais, que vão acontecer agora dia 3 de novembro. Também atua na erradicação da pobreza através da educação com mentorias on line e já foi notada por grandes nomes femininas da política do país, como Michelle Obama, que escreveu sua carta de recomendação em Harvard, e Hillary Clinton, que entrevistou em 2017 pra Teen Vogue. Nesse momento tão crucial e perigoso da política não só nos Estados Unidos, mas também em diversos lugares do mundo, é MARAVILHOSO ter vozes como a dela elevando a voz de quem muitas vezes não tem espaço pra isso.

Leia também: O Sol Também é uma Estrela, resenha do filme de 2019 protagonizado pela Yara!

A boneca é LINDA, LINDA, LINDA como ela, mesmo. O rosto bastante parecido, sorridente com traços bem fiéis, a pele negra, cabelos cacheados super definidos, tem até cachinhos de “baby hair” pintados no alto da testa, um detalhe bem fofura que é mais perceptível quando você vê fotos de pertinho. Ela veste blusa branca escrito “VOTE”, a logo da campanha, conjunto social cinza mesclado, belíssimo, e um par de tênis brancos. A parte interna da caixa é toda decorada para parecer um cenário de entrevista com os dizeres “Levante Sua Voz” em inglês, e vem também com uma mochila preta com botton “I Voted” (“Eu votei”, em português), mini cédula de votação, que é o método ainda usado nos Estados Unidos, além de estande para mantê-la em pé na estante… Ai, ai, ai *suspiros de desejo*…

Barbie Yara Shahidi: duplas de imagens da boneca, a primeira em close mostrando seu rosto de pele negra, cabelos cacheados e e um pedaço da blusa com a dizer VOTE, a segunda na caixa que vem com seu nome impresso e tem fundo amarelo, onde ela se encontra de corpo inteiro segurando uma mochila.

Esse lançamento faz parte do grupo de bonecas inspiradas nas “shero” da Barbie, que brinca com a palavra “hero” (herói) trocando “he” (ele) por “she” (ela), um neologismo para criar a versão deles da nossa palavra “heroína”, já que lá a expressão não tem gênero especificado. A Mattel usa seu próprio jeito de mostrar que essas mulheres, que fazem parte do que é tão considerado como “sexo frágil”, são na verdade poderosíssimas e usam isso para mudar a vida de pessoas aqui, na realidade, tornando-as ainda mais importantes que heroínas da ficção. Quando a gente analisa o perfil da Yara fica impossível não classifica-la assim, né? Fora o aspecto visual de ser uma garota negra de cabelo bem cheio e cacheado, que foi tão negligenciado por bonecas por muito tempo e agora estão aí, sendo cada vez mais produzidas, para trazer identificação a um número maior de crianças!

A Barbie Yara Shahidi “Shero” já está em pré venda na loja oficial da Mattel por U$29,99, o que é um preço OK considerando que ela é uma boneca Barbie Signature, ou seja, colecionável e destinada a pessoas adultas. Fiz uma simulação por lá para ver quanto ficaria o frete para Belo Horizonte, porém, e deu SESSENTA DÓLARES (assim, por extenso, pra vocês sentirem o impacto), que é mais que o dobro do produto em si. Não tem como saber se, quando e por quanto ela vem pro Brasil, então o ideal seria comprar na gringa, mesmo, num dia futuro e incerto em que viajar voltará a ser parte da realidade de alguns… É isso ou realmente passar vontade, que vai ser minha opção por aqui, como sempre, hahahaha, porque achei realmente bela e adoraria tê-la!

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O Sol Também é uma Estrela

O Sol Também É Uma Estrela

O Sol Também é Uma Estrela (The Sun Is Also A Star) *****
O Sol Também é Uma Estrela Elenco: Yara Shahidi, Charles Melton, Cathy Shim, Faith Logan, Gbenga Akinnagbe, Jake Choi
Direção: Ry Russo-Young
Gênero: Romance, Drama
Duração: 120 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: “A caminho da faculdade, o romântico Daniel Bae e a pragmática jamaicana Natasha Kingsley se conhecem — e se apaixonam — em um dia mágico, em meio à correria da cidade de Nova York. Imediatamente começam a voar fagulhas entre esses dois desconhecidos, que jamais se encontrariam se o destino não tivesse dado um empurrãozinho. Mas será o destino suficiente para levar esses jovens do azar à sorte no amor? Com algumas horas sobrando no que deve ser o último dia dela nos EUA, Natasha luta contra a deportação de sua família com a mesma força com que luta contra seus crescentes sentimentos por Daniel, que faz tudo o que pode para convencê-la de que estão destinados a ficar juntos.” Fonte: Filmow.

Comentários: Natasha Kingsley é jamaicana, mas mora com sua família nos Estados Unidos há 9 anos. Nova York é sua casa e ela faz de tudo para reverter a situação que sua família vive atualmente: estão prestes a ser deportados. Na véspera desse dia tão temido uma nova esperança aparece através da indicação de um advogado especializado no assunto, mas no meio do caminho em direção ao escritório ela conhece Daniel Bae. De família também imigrante, no seu caso de coreanos, ele está se preparando para sua entrevista em Darthmount, onde seus pais esperam que curse medicina. Daniel, por sua vez, adora poesia e música, e agradece às coincidências da vida que o levaram até aquela garota por quem ele se apaixonou quase de cara… Ela, por outro lado, não acredita em nada disso, mas se deixa levar, completamente descrente, quando ele promete que vai convencê-la do contrário fazendo com que seja recíproca ao sentimento dele apenas durante as horas que lhe restam ali…

Adaptado no livro homônimo da também jamaicana Nicola Yoon, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, O Sol Também é uma Estrela é um típico romance/drama adolescente daqueles que você assiste pra passar seu tempo com uma história leve e até chorar algumas lagriminhas. Não li o livro, portanto não sei dizer o quão fiel é o filme, mas o diferencial que ele tem de cara em relação aos outros do gênero que vemos em Hollywood é justamente o fato de os protagonistas serem dois imigrantes: ela negra, de origem caribenha, ele oriental. Por esse motivo apresenta não só detalhes desse dia que eles passam juntos, mas também pequenos flashes da cultura de cada um aqui e ali. Eles também fogem um pouco do padrão com o qual fomos acostumados por muitos anos nesse tipo de produção, são dois jovens bem bonitos, mas não 100% do modo “tradicional”, cada um ao seu modo e que combinam bastante juntos.

O Sol Também É Uma Estrela
O Sol Também É Uma Estrela: imagem via Blogbusthers

A coisa que mais me encantou no longa, porém, foi a direção. Apesar de ter cenas em que a câmera girava bem rápido, o que não é confortável para qualquer pessoa, algumas tomadas me fizeram pensar de cara “Essa diretora é mulher” – e é mesmo! Não sei exatamente o motivo, mas acho que existem alguns detalhes na sensibilidade visual dele que me causaram essa impressão, algo que venho observado muito em produções que têm essa característica. A fotografia também é bem bonita, mostrando essa versão utópica que filmes de romance normalmente mostra de Nova York, sempre limpa e com o céu vistoso. A gente sabe que não corresponde à realidade, claro, mas é bonito de se ver mesmo assim. Gostei em especial do final, mas sobre esse aspecto é impossível falar sem estraga-lo, é preciso ver pra entender (ou discordar).

Leia também: A Cinco Passos de Você, resenha de outro romance teen adaptado para o cinema!

Por outro lado é difícil hoje, já adulta, me identificar tanto com toda a intensidade excessiva que romances adolescentes têm. É tudo muito extremo e imediato: o amor à primeira vista por causa de uma única coincidência, o aceitar de desafio mesmo com tantos problemas pra resolver, os acontecimentos guiados pelo destino e, principalmente, o abrir mão de certas coisas em nome do amor verdadeiro que nem 24h de duração tem. Algumas causam risadas, outras surpresa, mas a maioria te dá vontade de “sacudir” a personagem. Também senti falta de uma visão um pouco mais aprofundada da questão que inicialmente é a principal da história, o deportar de imigrantes. Em tempos de governo Trump, onde o protecionismo e xenofobia são ainda mais fortes que o normal nos Estados Unidos, é uma pauta importante que perdeu completamente o destaque… Resta saber se é uma característica do livro em si ou se foi uma falha na adaptação, já que é sempre difícil passar todos os aspectos da página para a tela…

Trailer:

O Sol Também é Uma Estrela - 16 de maio nos cinemas

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