Bem-Vindo ao Clã Nicolau – Renata Borges

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Bem Ben-Vindo ao Clã Nicolau *****
Bem-Vindo ao Clã Nicolau: capa do livro cuja ilustração personagem principal feminina em destaque, de olhos fechados e cabelos para cima, formando um céu estrelado onde se lê o título. Em suas mãos está um globo de neve que contém uma pequena cidade invernal e um jovem casal tentando segurar as mãos um do outro na frente. Em baixo da ilustra consta o nome da autora. Autora: Renata Borges
Gênero: Romance
Ano: 2020
Número de páginas: 158p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08PC9S1WY
Sinopse: “Quanto tempo um amor pode esperar? Um ano, dois… ou quem sabe nove?
Claire sabe que conheceu o amor de sua vida. Não interessa que todos falem que ela é jovem demais ou que as longas cartas que ela troca há nove anos com Ben, não são mais que um passatempo.”
(fonte)

Comentários: Claire e Ben se conheceram no natal de 2008 e, como todo romance avassalador adolescente, se apaixonaram à primeira vista. Ela tão nova já ajudando no trabalho da família, a Pousada do Clã Nicolau, ele ainda sem saber NADA sobre como lidar com os sentimentos que estão nascendo ali. Nove anos se passaram e a história sobreviveu através de cartas e mais cartas de amor até que na mesma época em 2017 ela, agora a mais velha de 9 irmãs e formada em Administração, responsável oficialmente pela gerência do local, recebe uma carta um tanto quanto animadora depois de um longo tempo de silêncio. É aí que os dois nos levam por uma jornada entre passado e presente para conhecer essa história de amorzinho digna de filme gostoso e levinho de natal, daqueles que a gente gosta SIM e não esconde!

“Esse é aquele momento que nos beijamos e quase nos esquecemos que nossas irmãs histéricas estão no mesmo ambiente que nós dois. A cada beijo, eu quero permanecer mais tempo colado a ela e não preciso nem mencionar todos os efeitos que ela tem em meu corpo em combustão de hormônio adolescente.”

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Situado em ambientação própria da autora, a ilha de Porto Novo, em clima clássico de Natal característico do frio Distrito Leste, daqueles em que a paisagem é fria, a natureza toma conta de boa parte de seu território e o calor humano reina… “Bem Ben-vindo ao Clã Nicolau” é literalmente um comitê de entrada no universo literário da blogueira, escritora, autora das fotos literárias mais lindas do mundo e amiga Re(nata) Borges, a Retipatia. Como toda oferta de boas vindas ao aconchego, ela te deixa confortável, “em casa”, com a presença das personagens e ambiente que criou. Se você conseguir terminar as páginas da noveleta sem desejar uma boa caneca de chocolate quente, sinceramente, não curtiu da maneira que devia. Dá muita vontade de passar as festas de fim de ano na pousada do clã Nicolau e curtir um dos chalés que eles oferecem por lá.

“(…) há nove anos, quando eu o conheci, existiam poltronas vermelhas com tapetes esverdeados que davam a ideia de que era Natal o ano todo. Bem, na verdade, no clã Nicolau é quase isso mesmo, Natal o ano todo.”

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Talvez seja por toda essa magia do “visual” da história, talvez porque conheço a autora há muitos anos por causa do amor em comum por bonecas, mas foi assim que imaginei todo mundo ali: Pullips animadas em stop motion me apresentando a esse romance que aquece o coração da mesma forma que a bebida favorita da protagonista aquece seu corpo. Ao mesmo tempo vira e mexe rola aquele “solavanco” de realidade em lembrar que tudo se passa num lugar fictício, sim, mas que faz parte do nosso mundo real! Dessa forma podemos ouvir as músicas que eles escutam, conhecer os filmes dos quais eles falam e saber mais ou menos como estava nossa própria vida nos momentos que são ali vividos. É super o tipo de livro para ler com o Spotify do lado para pesquisar e curtir a trilha sonora enquanto ela acontece!

Leia também: O Espírito Natalino, resenha desse breve e emocionante conto de natal de Júlia Cancian.

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

“Acho que as músicas são assim, nos afetam conforme nosso estado de espírito.”

Falando de forma bem pessoal, a Rê é a pessoa mais exigente que conheço, com tudo, mas em especial com o próprio trabalho (capricorniana, né mores?). A história do clã Nicolau não é diferente, muito bem escrita e fluída, usa frases bem estruturadas e, ainda assim, sem rodeios desnecessários: você entende as coisas, absorve, visualiza, sente. Consegui me identificar TANTO com a Claire que sorri, tremi e chorei junto com ela sempre que pertinente, dava vontade de pegar na sua mão, seja como adolescente ou adulta, e viver seus altos e baixos lado a lado. É tão gostoso ver uma mulher bacana assim num livro de romance, né? Que sabe oscilar entre a força e a fragilidade nos momentos em que precisa delas, como a gente tem que ser na vida real, mesmo, 50% princesa da neve de conto de fada, 50% heroína com as rédeas da própria vida!

Renata Borges é brasileira, mora em Belo Horizonte, graduada em Direito pela PUC Minas. Hoje ela trabalha como escritora, escrevendo sobre livros nas redes sociais e no blog Retipatia e suas próprias histórias de ficção, como essa que está disponível como ebook Kindle na Amazon por R$1,99 e aluguel de graça para usuários Unlimited. Para conhece-la melhor vocês podem seguir o @retipatia Twitter e Instagram, onde ela cria MUITO conteúdo literário e tem também o projeto @gentilezaliteraria, além de organizar também oficinas para quem quer manter um bookstagram de qualidade e mais gentil. Agora ela tá também caminhando com seu canal do Youtube, cuja qualidade é à altura de todo o resto que produz.

Espero que todos tenham vivido um Feliz Natal nesse 2020 tão estranho, com leituras de aquecer o coração pra quem é dos livros, filmes e séries cheios de “ha-ha-ha” para quem é dos audiovisuais, pessoas queridas por perto ainda que distantes e com a mesa farta daquilo o que gosta. Que o próximo Natal seja mais leve e, literalmente, vacinado!M/p>

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Amor Garantido

Imagem do filme Amor Garantido retratando uma cena de reunião onde a advogada Susan está sentada à esquerda de seu cliente, Nick.

Amor Garantido (Love, Guaranteed) *****
Amor Garantido Elenco: Rachael Leigh Cook, Damon Wayans Jr., Sean Amsing, Lisa Anne Durupt, Heather Graham, Caitlin Howden, Brendan Taylor, Jed Rees
Direção: Mark Steven Johnson
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 90 min
Ano: 2020
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Para salvar seu pequeno escritório de advocacia, Susan decide aceitar o caso de Nick, um novo cliente querendo processar um site de namoro que garante o amor. Mas, conforme o caso esquenta, a relação entre eles também segue o mesmo rumo.” Fonte: Filmow.

Comentários: Susan é uma advogada que mantém um pequeno escritório, contando apenas com dois funcionários. Ela é competente e tenta ser correta ao ajudar as pessoas com seu trabalho, o que nesse mundo louco em que vivemos significa que está com muita dificuldade de manter a si mesma e seu negócio financeiramente. Em meio a todo esse desespero uma grande chance surge em sua vida quando Nick aparece querendo processar o site de relacionamentos “Amor Garantido”, que GARANTE aos clientes que ali encontrarão sua “alma gêmea” em menos de 1000 encontros. Ele, porém, já está quase atingindo essa marca e ainda não conseguiu achar alguém interessante, então a contrata para conseguir uma boa indenização em dinheiro, uma vez que a criadora do site é uma empresária famosa por ser super “good vibes” e riquíssima. Ela, então, entra também nesse universo, como parte da pesquisa de campo para ganhar o caso.

Com a mensagem bem superficial de que não há garantias no amor e casal de protagonistas com excelente química, o filme lançou na Netflix no último 3 de setembro, quinta feira, como uma comédia romântica que explora os tão contemporâneos sites e aplicativos de relacionamento, que dividem opiniões dos usuários ao redor do mundo. Ao mesmo tempo que a relação dos personagens se desenvolve, a advogada Susan vai descobrindo esse novo mundo. Ela vivencia vários tipos de encontro enquanto tenta entender como esse estilo de vida funciona, a maioria deles resultando em esteriótipos negativos, mas engraçadinhos, da prática. Os positivos, por sua vez, aparecem para ela ao entrevistar as mulheres com quem o cliente saiu anteriormente, fazendo-a questionar como ele não conseguiu encontrar alguém que gosta e descobrir uma pessoa interessante por trás da imagem de “garanhão” que criou dele em sua mente.

Imagem do filme Amor Garantido retratando uma cena de júri onde a advogada Susan está sentada à direita de seu cliente, Nick.
Amor Garantido: Imagem via Webbies World

Uma coisa que achei meio deslocada na história foi o núcleo da família da irmã da Susan, grávida de um novo bebê e moradora na casa ao lado com marido e filho. A princípio achei que iam explorar o clichê “minha irmã que encontrou o amor e se dedica à família é mais feliz que eu enquanto só penso no trabalho” e já fiquei pé atrás porque DETESTO esse ponto de vista, acho super sexista firmando aquela ideia de que mulheres que não se casam e/ou reproduzem são incompletas, mas felizmente isso não aconteceu, o que ao mesmo tempo deixou esse grupo de pessoas meio “solto”. Talvez tenha sido para servir de voz conselheira dela, uma vez que o Nick tem essa figura em outro personagem, ou para não parecer que ela é uma pessoa isenta de conexões pessoais, mas de modo geral esperei por algum desenvolvimento, e não aconteceu.

Leia também: Quase Uma Rockstar

Já que falei em clichê, o filme é isso do início ao fim. Não tem NADA nele que surpreende, assim que você assiste ao trailer já sabe como vai ser começo, meio e fim. Quando chegou no clímax até pensei que talvez teria uma surpresinha para o expectador, que seria o “esperado” para as personagens, mas foi o contrário, mesmo. Se isso é bom ou ruim, cabe a quem está assistindo decidir. Ao mesmo tempo que pode ser um entretenimento leve, aquele filme que você assiste enquanto prepara os ingredientes pro almoço ou faz um trabalho manual que é bom ter alguma mídia de “som ambiente” ao fundo, não é realmente algo revolucionário que entra pra lista de filmes que trazem grandes ensinamentos na vida de quem assiste. A trilha sonora, por fim, é a parte mais gostosa, contribui pra dar o tom tanto nos momentos fofos quanto nos engraçados, cruciais para a construção de qualquer comédia romântica.

Trailer:

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Quase Uma Rockstar

Cena do filme "Quase Uma Rockstar", da Netflix, que retrata a personagem principal, Amber, em frente aos escaninhos do colégio onde estuda conversando com seu colega e amigo, Ty.

Quase Uma Rockstar (All Together Now) *****
Quase Uma Rockstar Elenco: Auli’i Cravalho, Carol Burnett, Fred Armisen, Justina Machado, Judy Reyes, Rhenzy Feliz, Taylor Richardson
Direção: Brett Haley
Gênero: Drama
Duração: 92 min
Ano: 2020
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Amber Appleton (Auli’i Cravalho) é, por natureza, uma otimista incorrigível, embora sua vida seja mais complicada do que aparenta. Aluna do ensino médio com grande talento para a música, Amber tenta conciliar o trabalho, a vida e alguns difíceis segredos sempre com um sorriso no rosto, na esperança de conseguir estudar na Carnegie Mellon. Mas quando novos obstáculos ameaçam seus sonhos, Amber precisa aprender a contar com a família que ela escolheu e seguir em frente.” Fonte: Filmow.

Comentários: Amber é aquele tipo de pessoa que está sempre com um sorriso no rosto, disposta a fazer de tudo para que as pessoas ao seu redor tenham um vida melhor. Para ajudar a mãe financeiramente trabalha em uma loja de donuts, ensina inglês a um grupo de coreanas sempre de forma descontraída e faz companhia a idosos moradores de um casa de repouso local, além de incentivar seus amigos e colegas a mostrar seu talento, seja ele qual for. Ela também tem e mostra o próprio talento: uma voz incrível que pretende soltar oficialmente como aluna da Carnegie Mellon, onde conseguiu vaga para uma entrevista. Porém sua vida é carregada de problemas, e ela esconde de todos a triste realidade de que vive no ônibus escolar dirigido por sua mãe junto com ela e seu melhor amigo, o cachorro Bobby.

Adaptado de um livro de Matthew Quick, autor de “o Lado Bom da Vida”, Quase Uma Rockstar é um longa metragem lançado pela Netflix na última sexta feira , dia 28, voltado principalmente para o público adolescente e jovem adulto. Se pelo título você imaginou um musical alegre e divertido, porém, já fica o alerta de que ele não só não é exatamente um musical, como trata de alguns assuntos pesados como luto, violência doméstica e alcoolismo, ainda que superficialmente. Por outro lado carrega uma mensagem bem bonita de companheirismo e superação de obstáculos, que são os pontos chaves da história. Por ela almejar ser cantora achei que teria mais músicas nesses momentos da trama, o que eu gosto bastante, mas me enganei… Ainda assim a trilha sonora é super leve e bonitinha.

Cena do filme "Quase Uma Rockstar", da Netflix, que retrata a personagem principal, Amber, em frente aos escaninhos do colégio onde estuda conversando com seu colega e amigo, Ty.
Quase Uma Rockstar: Imagem via Exitoína

Eu achei a primeira metade do filme um pouco lenta, até que bem no meio teve um acontecimento que realmente não esperava e me deixou chocada, uma surpresa interessante para o enredo que não está no trailer. Depois disso, porém, me irritei bastante com a Amber em diversos momentos, de tão orgulhosa que ela é! No início era uma coisa boba ou outra, que poderia ser justificada com timidez ou algo do tipo, mas depois da mudança no rumo da história chega a ser arrogante o modo como ela trata as pessoas que se preocupam com seu bem estar… Ao mesmo tempo que é uma pena, por ser uma personagem com tanto potencial de passar pro expectador uma mensagem de positivismo e ajuda ao próximo de forma saudável, é legal aprender através dela o quão danoso pode ser assumir esse tipo de atitude, principalmente em momentos em que mais precisamos.

Assim como em Dançarina Imperfeita, outro lançamento recente da mesma plataforma, senti que faltou aprofundamento maior na personalidade das personagens secundárias, em especial os amigos da protagonista, que aparentam ter muito potencial mas acabam ficando bem apagadinhos. Lendo as opiniões de pessoas que leram o livro tive a impressão de que foi uma “falha” da adaptação, mesmo, que deixou algumas questões do livro bem rasas. Ao mesmo tempo que é compreensível, porque é sempre necessário fazer cortes pra encaixar o mais importante no filme, fico me perguntando se não era possível adicionar uns minutos a mais com esse objetivo, já que ele tem apenas uma hora e meia, é bem curtinho… De um modo geral é uma opção legal para quem gosta de tramas adolescentes levinhas para passar o tempo, mesmo sendo um drama não mexe tanto com o emocional, é uma história bem tranquila!

Trailer:

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Dançarina Imperfeita

Dançarina Imperfeita

Dançarina Imperfeita (Work It) *****
Dançarina Imperfeita Elenco: Sabrina Carpenter, Jordan Fisher, Liza Koshy, Keiynan Lonsdale, Drew Ray Tanner, Michelle Buteau
Direção: Laura Terruso
Gênero: Comédia
Duração: 93 min
Ano: 2020
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Ao perceber que sua melhor chance de entrar na faculdade de seus sonhos é através de uma competição de dança, Quinn Ackerman (Sabrina Carpenter) recruta um grupo de dançarinos desajustados para derrubar o maior grupo da escola… agora ela só precisa aprender a dançar.” Fonte: Filmow.

Comentários: Para entrar na Universidade Duke, onde seu pai estudou e sempre sonhou ingressar, Quinn passou a vida mantendo as notas altas, se jogando nas tarefas extracurriculares e cuidando do currículo exemplar… Mas isso não foi suficiente! Quando sua entrevistadora pede por algo diferente ela acaba mentindo que está no grupo de dança da escola, onde sua melhor amiga é parte integrante, e tem a ideia de montar o próprio grupo para sustentar a mentira. Após encontrar a equipe perfeita, e muito inusitada, só falta achar o coreógrafo ideal, que é a parte mais difícil, já que ela está determinada a conseguir a ajuda de Jake, um dançarino que abriu mão da carreira após se machucar e teme que isso o impeça de ter sucesso ao voltar pros palcos… Sua missão é, antes mesmo de entrar para o concurso que a avaliadora indicou, conseguir convencê-lo a enfrentar o desafio!

Filmes e séries de dança estão super em alta na Netflix, que vem lançando um atrás do outros nos últimos meses… Mas se existe persistência na frequência do tema é porque tem dado ibope, né? Pelo menos imagino que sim. Apostando em rostos conhecidos de suas outras produções como Sabrina Carpenter (Crush à Altura) e Jordan Fisher (Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você) nos papéis principais, a produção traz uma comédia romântica adolescente com tudo o que o gênero pede: um casal cheio de química, reviravoltas facilmente solucionáveis (mas que você morre de medo da solução não chegar!) e coadjuvantes extremamente divertidos, cuja personalidade nos cativa de cara e queremos ser amigos de infância de todos, mesmo com a diferença de idade. Tudo isso somado a cenas de dança incríveis e até copiáveis, que dão vontade de reproduzir enquanto o enredo se desenrola.

Dançarina Imperfeita
Dançarina Imperfeita: Imagem via Elite Daily

A princípio tive receio de comparar esse filme com Feel The Beat, que saiu recentemente na mesma plataforma de streaming, por ter temática similar, mas as personagens e mensagem principal são bem diferentes, não tem MESMO como um interferir na opinião do outro: o primeiro tem cenas sentimentais fortes, esse foca bem mais no humor, fazendo com que os pontos que deveriam tocar o expectador, como os motivos pelos quais Quinn quer tanto ir pra Duke, fiquem explicados apenas superficialmente, você não se conecta profundamente com as razões dela. Outra coisa que queria ver mais a fundo é sobre os colegas de equipe, que têm potencial pra se mostrar muito mais, mas ficam sem espaço devida à curta duração do longa. Essas particularidades, porém, são importantes na construção da coreografia do clímax, então temos um gostinho delas, pelo menos.

Apesar do casal protagonista ser bem legal o grande destaque mesmo é a Liza Koshy, que interpreta a melhor amiga bailarina. Quem assiste torce pelo sucesso da equipe muito por causa dela, que precisa realmente dessa atividade para chamar atenção das universidades, e os “vilõezinhos” da escola, que têm pouquíssimo carisma, entram em choque sempre com ela em especial, não com a mocinha. Além disso ela dança LINDAMENTE, até a postura nos momentos mais corriqueiros são típicas de quem pratica o esporte. É muito legal analisar o contraste entre esse “trio” de maior importância, porque ela e Jake impressionam pela perfeição na mesma intensidade que Quinn cativa por ser, de fato, uma Dançarina Imperfeita, e todos os eles conseguem ser bem sucedidos em seu estilo pessoal (além de serem visualmente lindos demais, não dá pra discordar)!

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Solteiramente

Solteiramentte

Solteiramente (Seriously Single) *****
Solteiramente Elenco: Fulu Mugovhani, Tumi Morake, Bohang Moeko, Tiffany Barbuzano, Yonda Thomas
Direção: Katleho Ramaphakela, Rethabile Ramaphakela
Gênero: Comédia
Duração: 106 min
Ano: 2020
Classificação: Livre
Sinopse: “Dineo é a definição de monogamista serial. Ela namora para se apaixonar; ela se apaixona para se casar. Mas ela nunca se casa. Ela sempre acaba sendo descartada. Quando conhece Lunga Sibiya, ele parece ser o homem pelo qual ela esperou a vida inteira, um homem que compartilha seus valores quando se trata de amor e relacionamentos. Ou ao menos ela acha – até que descobre acidentalmente que o homem com quem ela estava ocupada planejando-a para sempre, planejara o para sempre dele com outra pessoa. Depois de um rompimento bagunçado com Lunga, sua melhor amiga Noni, com fobia de compromissos, ajuda Dineo a enfrentar o que mais teme: a vida como uma mulher solteira.” Fonte: Filmow.

Comentários: A social media Dineo emenda uma relacionamento no outro desde a adolescência, acreditando que cada um desses namorados é o “escolhido” com quem vai se casar e passar toda a vida… Porém faz isso de forma nada saudável! Ela se muda para a casa deles sem aviso prévio, deixa que os problemas a dois interfiram no trabalho e quando, enfim, a relação termina lida da pior maneira possível: procurando desesperadamente pela sua próxima alma gêmea. As atitudes têm total desaprovação de Noni, sua melhor amiga com quem divide apartamento nos intervalos de namoro e, ao contrário dela, uma solteirona convicta que foge de relacionamentos amorosos. Após mais um final trágico e cansada de ver a amiga sofrer, Noni decide que vai ajuda-la a mudar de vida para aprender a viver… Solteiramente!

Lançado na última sexta feira, dia 31, pela Netflix, o filme é uma comédia sul-africana, e o país de origem já traz características culturais interessante, especialmente pra quem está mais acostumado a assistir produções norte americanas ou, no máximo, britânicas. O sotaque no inglês dos atores torna a versão de áudio original incomum e alguns aspectos do cotidiano deles podem ser, para nós, um pouco diferentes. Em dado momento Noni se choca com o fato de que Dineo nunca fez um safári sozinha e eu por um segundo pensei “Como assim, safári mesmo?” até lembrar que, para elas, é provavelmente um entretenimento mais acessível. Além disso temos o fato de que todas as personagens femininas usam perucas no seu dia a dia, aparecendo com os cabelos naturais apenas em momentos da intimidade, quase sempre coberto, pequenas coisas que surpreendem num primeiro momento, por não fazer parte da realidade do nosso país, mas para eles é bastante banal.

Solteiramentte
Solteiramente: Imagem via Zkhiphani

Saindo desse contexto de se passar em um “país diferente”, o plot do filme em si é bastante clichê no que diz respeito ao gênero: uma moça desesperada por casamento, com uma melhor amiga que age de forma contrário em relação ao assunto, segue vivendo romances que não a satisfazem e precisa perceber por si mesma a ser feliz sozinha (ou não). Essa premissa não muito original, somada ao fato de que o ritmo muitas vezes cai em um vai-e-vem não muito legal, pode deixar a história lenta e pouco envolvente para algumas pessoas. Em uma cena específica achei que estava no final e, por julgar aquele um péssimo modo de terminar a história, fui olhar se estava acabando mesmo, descobrindo então que ainda tinha 40 minutos pela frente. Apesar de divertido, não é um passatempo desses que faz o tempo voar sem a gente perceber.

Apesar desses problemas, ele é sim um entretenimento legal para quem está atrás de algo leve e sem grandes expectativas para assistir! As personagens principais, formadas por dois casais, por assim dizer, são bem trabalhadas, principalmente a dupla de amigas, que à medida que vamos conhecendo nos mostram que muitas vezes nossas neuras e loucuras do cotidiano têm razões muito mais profundas do que aparentam… As atitudes malucas de Dineo começam a fazer cada vez mais sentido quando breves vislumbres do ambiente familiar dela são apresentados e fica aquela torcidinha interna para vê-la bem, seja lá o que isso significa. Achei o desfecho da história belíssimo e valeu a pena, sim, dar uma chance, ainda que despretensiosa, a Solteiramente!

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