Amor Garantido

Imagem do filme Amor Garantido retratando uma cena de reunião onde a advogada Susan está sentada à esquerda de seu cliente, Nick.

Amor Garantido (Love, Guaranteed) *****
Amor Garantido Elenco: Rachael Leigh Cook, Damon Wayans Jr., Sean Amsing, Lisa Anne Durupt, Heather Graham, Caitlin Howden, Brendan Taylor, Jed Rees
Direção: Mark Steven Johnson
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 90 min
Ano: 2020
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Para salvar seu pequeno escritório de advocacia, Susan decide aceitar o caso de Nick, um novo cliente querendo processar um site de namoro que garante o amor. Mas, conforme o caso esquenta, a relação entre eles também segue o mesmo rumo.” Fonte: Filmow.

Comentários: Susan é uma advogada que mantém um pequeno escritório, contando apenas com dois funcionários. Ela é competente e tenta ser correta ao ajudar as pessoas com seu trabalho, o que nesse mundo louco em que vivemos significa que está com muita dificuldade de manter a si mesma e seu negócio financeiramente. Em meio a todo esse desespero uma grande chance surge em sua vida quando Nick aparece querendo processar o site de relacionamentos “Amor Garantido”, que GARANTE aos clientes que ali encontrarão sua “alma gêmea” em menos de 1000 encontros. Ele, porém, já está quase atingindo essa marca e ainda não conseguiu achar alguém interessante, então a contrata para conseguir uma boa indenização em dinheiro, uma vez que a criadora do site é uma empresária famosa por ser super “good vibes” e riquíssima. Ela, então, entra também nesse universo, como parte da pesquisa de campo para ganhar o caso.

Com a mensagem bem superficial de que não há garantias no amor e casal de protagonistas com excelente química, o filme lançou na Netflix no último 3 de setembro, quinta feira, como uma comédia romântica que explora os tão contemporâneos sites e aplicativos de relacionamento, que dividem opiniões dos usuários ao redor do mundo. Ao mesmo tempo que a relação dos personagens se desenvolve, a advogada Susan vai descobrindo esse novo mundo. Ela vivencia vários tipos de encontro enquanto tenta entender como esse estilo de vida funciona, a maioria deles resultando em esteriótipos negativos, mas engraçadinhos, da prática. Os positivos, por sua vez, aparecem para ela ao entrevistar as mulheres com quem o cliente saiu anteriormente, fazendo-a questionar como ele não conseguiu encontrar alguém que gosta e descobrir uma pessoa interessante por trás da imagem de “garanhão” que criou dele em sua mente.

Imagem do filme Amor Garantido retratando uma cena de júri onde a advogada Susan está sentada à direita de seu cliente, Nick.
Amor Garantido: Imagem via Webbies World

Uma coisa que achei meio deslocada na história foi o núcleo da família da irmã da Susan, grávida de um novo bebê e moradora na casa ao lado com marido e filho. A princípio achei que iam explorar o clichê “minha irmã que encontrou o amor e se dedica à família é mais feliz que eu enquanto só penso no trabalho” e já fiquei pé atrás porque DETESTO esse ponto de vista, acho super sexista firmando aquela ideia de que mulheres que não se casam e/ou reproduzem são incompletas, mas felizmente isso não aconteceu, o que ao mesmo tempo deixou esse grupo de pessoas meio “solto”. Talvez tenha sido para servir de voz conselheira dela, uma vez que o Nick tem essa figura em outro personagem, ou para não parecer que ela é uma pessoa isenta de conexões pessoais, mas de modo geral esperei por algum desenvolvimento, e não aconteceu.

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Já que falei em clichê, o filme é isso do início ao fim. Não tem NADA nele que surpreende, assim que você assiste ao trailer já sabe como vai ser começo, meio e fim. Quando chegou no clímax até pensei que talvez teria uma surpresinha para o expectador, que seria o “esperado” para as personagens, mas foi o contrário, mesmo. Se isso é bom ou ruim, cabe a quem está assistindo decidir. Ao mesmo tempo que pode ser um entretenimento leve, aquele filme que você assiste enquanto prepara os ingredientes pro almoço ou faz um trabalho manual que é bom ter alguma mídia de “som ambiente” ao fundo, não é realmente algo revolucionário que entra pra lista de filmes que trazem grandes ensinamentos na vida de quem assiste. A trilha sonora, por fim, é a parte mais gostosa, contribui pra dar o tom tanto nos momentos fofos quanto nos engraçados, cruciais para a construção de qualquer comédia romântica.

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Quase Uma Rockstar

Cena do filme "Quase Uma Rockstar", da Netflix, que retrata a personagem principal, Amber, em frente aos escaninhos do colégio onde estuda conversando com seu colega e amigo, Ty.

Quase Uma Rockstar (All Together Now) *****
Quase Uma Rockstar Elenco: Auli’i Cravalho, Carol Burnett, Fred Armisen, Justina Machado, Judy Reyes, Rhenzy Feliz, Taylor Richardson
Direção: Brett Haley
Gênero: Drama
Duração: 92 min
Ano: 2020
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Amber Appleton (Auli’i Cravalho) é, por natureza, uma otimista incorrigível, embora sua vida seja mais complicada do que aparenta. Aluna do ensino médio com grande talento para a música, Amber tenta conciliar o trabalho, a vida e alguns difíceis segredos sempre com um sorriso no rosto, na esperança de conseguir estudar na Carnegie Mellon. Mas quando novos obstáculos ameaçam seus sonhos, Amber precisa aprender a contar com a família que ela escolheu e seguir em frente.” Fonte: Filmow.

Comentários: Amber é aquele tipo de pessoa que está sempre com um sorriso no rosto, disposta a fazer de tudo para que as pessoas ao seu redor tenham um vida melhor. Para ajudar a mãe financeiramente trabalha em uma loja de donuts, ensina inglês a um grupo de coreanas sempre de forma descontraída e faz companhia a idosos moradores de um casa de repouso local, além de incentivar seus amigos e colegas a mostrar seu talento, seja ele qual for. Ela também tem e mostra o próprio talento: uma voz incrível que pretende soltar oficialmente como aluna da Carnegie Mellon, onde conseguiu vaga para uma entrevista. Porém sua vida é carregada de problemas, e ela esconde de todos a triste realidade de que vive no ônibus escolar dirigido por sua mãe junto com ela e seu melhor amigo, o cachorro Bobby.

Adaptado de um livro de Matthew Quick, autor de “o Lado Bom da Vida”, Quase Uma Rockstar é um longa metragem lançado pela Netflix na última sexta feira , dia 28, voltado principalmente para o público adolescente e jovem adulto. Se pelo título você imaginou um musical alegre e divertido, porém, já fica o alerta de que ele não só não é exatamente um musical, como trata de alguns assuntos pesados como luto, violência doméstica e alcoolismo, ainda que superficialmente. Por outro lado carrega uma mensagem bem bonita de companheirismo e superação de obstáculos, que são os pontos chaves da história. Por ela almejar ser cantora achei que teria mais músicas nesses momentos da trama, o que eu gosto bastante, mas me enganei… Ainda assim a trilha sonora é super leve e bonitinha.

Cena do filme "Quase Uma Rockstar", da Netflix, que retrata a personagem principal, Amber, em frente aos escaninhos do colégio onde estuda conversando com seu colega e amigo, Ty.
Quase Uma Rockstar: Imagem via Exitoína

Eu achei a primeira metade do filme um pouco lenta, até que bem no meio teve um acontecimento que realmente não esperava e me deixou chocada, uma surpresa interessante para o enredo que não está no trailer. Depois disso, porém, me irritei bastante com a Amber em diversos momentos, de tão orgulhosa que ela é! No início era uma coisa boba ou outra, que poderia ser justificada com timidez ou algo do tipo, mas depois da mudança no rumo da história chega a ser arrogante o modo como ela trata as pessoas que se preocupam com seu bem estar… Ao mesmo tempo que é uma pena, por ser uma personagem com tanto potencial de passar pro expectador uma mensagem de positivismo e ajuda ao próximo de forma saudável, é legal aprender através dela o quão danoso pode ser assumir esse tipo de atitude, principalmente em momentos em que mais precisamos.

Assim como em Dançarina Imperfeita, outro lançamento recente da mesma plataforma, senti que faltou aprofundamento maior na personalidade das personagens secundárias, em especial os amigos da protagonista, que aparentam ter muito potencial mas acabam ficando bem apagadinhos. Lendo as opiniões de pessoas que leram o livro tive a impressão de que foi uma “falha” da adaptação, mesmo, que deixou algumas questões do livro bem rasas. Ao mesmo tempo que é compreensível, porque é sempre necessário fazer cortes pra encaixar o mais importante no filme, fico me perguntando se não era possível adicionar uns minutos a mais com esse objetivo, já que ele tem apenas uma hora e meia, é bem curtinho… De um modo geral é uma opção legal para quem gosta de tramas adolescentes levinhas para passar o tempo, mesmo sendo um drama não mexe tanto com o emocional, é uma história bem tranquila!

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Dançarina Imperfeita

Dançarina Imperfeita

Dançarina Imperfeita (Work It) *****
Dançarina Imperfeita Elenco: Sabrina Carpenter, Jordan Fisher, Liza Koshy, Keiynan Lonsdale, Drew Ray Tanner, Michelle Buteau
Direção: Laura Terruso
Gênero: Comédia
Duração: 93 min
Ano: 2020
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Ao perceber que sua melhor chance de entrar na faculdade de seus sonhos é através de uma competição de dança, Quinn Ackerman (Sabrina Carpenter) recruta um grupo de dançarinos desajustados para derrubar o maior grupo da escola… agora ela só precisa aprender a dançar.” Fonte: Filmow.

Comentários: Para entrar na Universidade Duke, onde seu pai estudou e sempre sonhou ingressar, Quinn passou a vida mantendo as notas altas, se jogando nas tarefas extracurriculares e cuidando do currículo exemplar… Mas isso não foi suficiente! Quando sua entrevistadora pede por algo diferente ela acaba mentindo que está no grupo de dança da escola, onde sua melhor amiga é parte integrante, e tem a ideia de montar o próprio grupo para sustentar a mentira. Após encontrar a equipe perfeita, e muito inusitada, só falta achar o coreógrafo ideal, que é a parte mais difícil, já que ela está determinada a conseguir a ajuda de Jake, um dançarino que abriu mão da carreira após se machucar e teme que isso o impeça de ter sucesso ao voltar pros palcos… Sua missão é, antes mesmo de entrar para o concurso que a avaliadora indicou, conseguir convencê-lo a enfrentar o desafio!

Filmes e séries de dança estão super em alta na Netflix, que vem lançando um atrás do outros nos últimos meses… Mas se existe persistência na frequência do tema é porque tem dado ibope, né? Pelo menos imagino que sim. Apostando em rostos conhecidos de suas outras produções como Sabrina Carpenter (Crush à Altura) e Jordan Fisher (Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você) nos papéis principais, a produção traz uma comédia romântica adolescente com tudo o que o gênero pede: um casal cheio de química, reviravoltas facilmente solucionáveis (mas que você morre de medo da solução não chegar!) e coadjuvantes extremamente divertidos, cuja personalidade nos cativa de cara e queremos ser amigos de infância de todos, mesmo com a diferença de idade. Tudo isso somado a cenas de dança incríveis e até copiáveis, que dão vontade de reproduzir enquanto o enredo se desenrola.

Dançarina Imperfeita
Dançarina Imperfeita: Imagem via Elite Daily

A princípio tive receio de comparar esse filme com Feel The Beat, que saiu recentemente na mesma plataforma de streaming, por ter temática similar, mas as personagens e mensagem principal são bem diferentes, não tem MESMO como um interferir na opinião do outro: o primeiro tem cenas sentimentais fortes, esse foca bem mais no humor, fazendo com que os pontos que deveriam tocar o expectador, como os motivos pelos quais Quinn quer tanto ir pra Duke, fiquem explicados apenas superficialmente, você não se conecta profundamente com as razões dela. Outra coisa que queria ver mais a fundo é sobre os colegas de equipe, que têm potencial pra se mostrar muito mais, mas ficam sem espaço devida à curta duração do longa. Essas particularidades, porém, são importantes na construção da coreografia do clímax, então temos um gostinho delas, pelo menos.

Apesar do casal protagonista ser bem legal o grande destaque mesmo é a Liza Koshy, que interpreta a melhor amiga bailarina. Quem assiste torce pelo sucesso da equipe muito por causa dela, que precisa realmente dessa atividade para chamar atenção das universidades, e os “vilõezinhos” da escola, que têm pouquíssimo carisma, entram em choque sempre com ela em especial, não com a mocinha. Além disso ela dança LINDAMENTE, até a postura nos momentos mais corriqueiros são típicas de quem pratica o esporte. É muito legal analisar o contraste entre esse “trio” de maior importância, porque ela e Jake impressionam pela perfeição na mesma intensidade que Quinn cativa por ser, de fato, uma Dançarina Imperfeita, e todos os eles conseguem ser bem sucedidos em seu estilo pessoal (além de serem visualmente lindos demais, não dá pra discordar)!

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Solteiramente

Solteiramentte

Solteiramente (Seriously Single) *****
Solteiramente Elenco: Fulu Mugovhani, Tumi Morake, Bohang Moeko, Tiffany Barbuzano, Yonda Thomas
Direção: Katleho Ramaphakela, Rethabile Ramaphakela
Gênero: Comédia
Duração: 106 min
Ano: 2020
Classificação: Livre
Sinopse: “Dineo é a definição de monogamista serial. Ela namora para se apaixonar; ela se apaixona para se casar. Mas ela nunca se casa. Ela sempre acaba sendo descartada. Quando conhece Lunga Sibiya, ele parece ser o homem pelo qual ela esperou a vida inteira, um homem que compartilha seus valores quando se trata de amor e relacionamentos. Ou ao menos ela acha – até que descobre acidentalmente que o homem com quem ela estava ocupada planejando-a para sempre, planejara o para sempre dele com outra pessoa. Depois de um rompimento bagunçado com Lunga, sua melhor amiga Noni, com fobia de compromissos, ajuda Dineo a enfrentar o que mais teme: a vida como uma mulher solteira.” Fonte: Filmow.

Comentários: A social media Dineo emenda uma relacionamento no outro desde a adolescência, acreditando que cada um desses namorados é o “escolhido” com quem vai se casar e passar toda a vida… Porém faz isso de forma nada saudável! Ela se muda para a casa deles sem aviso prévio, deixa que os problemas a dois interfiram no trabalho e quando, enfim, a relação termina lida da pior maneira possível: procurando desesperadamente pela sua próxima alma gêmea. As atitudes têm total desaprovação de Noni, sua melhor amiga com quem divide apartamento nos intervalos de namoro e, ao contrário dela, uma solteirona convicta que foge de relacionamentos amorosos. Após mais um final trágico e cansada de ver a amiga sofrer, Noni decide que vai ajuda-la a mudar de vida para aprender a viver… Solteiramente!

Lançado na última sexta feira, dia 31, pela Netflix, o filme é uma comédia sul-africana, e o país de origem já traz características culturais interessante, especialmente pra quem está mais acostumado a assistir produções norte americanas ou, no máximo, britânicas. O sotaque no inglês dos atores torna a versão de áudio original incomum e alguns aspectos do cotidiano deles podem ser, para nós, um pouco diferentes. Em dado momento Noni se choca com o fato de que Dineo nunca fez um safári sozinha e eu por um segundo pensei “Como assim, safári mesmo?” até lembrar que, para elas, é provavelmente um entretenimento mais acessível. Além disso temos o fato de que todas as personagens femininas usam perucas no seu dia a dia, aparecendo com os cabelos naturais apenas em momentos da intimidade, quase sempre coberto, pequenas coisas que surpreendem num primeiro momento, por não fazer parte da realidade do nosso país, mas para eles é bastante banal.

Solteiramentte
Solteiramente: Imagem via Zkhiphani

Saindo desse contexto de se passar em um “país diferente”, o plot do filme em si é bastante clichê no que diz respeito ao gênero: uma moça desesperada por casamento, com uma melhor amiga que age de forma contrário em relação ao assunto, segue vivendo romances que não a satisfazem e precisa perceber por si mesma a ser feliz sozinha (ou não). Essa premissa não muito original, somada ao fato de que o ritmo muitas vezes cai em um vai-e-vem não muito legal, pode deixar a história lenta e pouco envolvente para algumas pessoas. Em uma cena específica achei que estava no final e, por julgar aquele um péssimo modo de terminar a história, fui olhar se estava acabando mesmo, descobrindo então que ainda tinha 40 minutos pela frente. Apesar de divertido, não é um passatempo desses que faz o tempo voar sem a gente perceber.

Apesar desses problemas, ele é sim um entretenimento legal para quem está atrás de algo leve e sem grandes expectativas para assistir! As personagens principais, formadas por dois casais, por assim dizer, são bem trabalhadas, principalmente a dupla de amigas, que à medida que vamos conhecendo nos mostram que muitas vezes nossas neuras e loucuras do cotidiano têm razões muito mais profundas do que aparentam… As atitudes malucas de Dineo começam a fazer cada vez mais sentido quando breves vislumbres do ambiente familiar dela são apresentados e fica aquela torcidinha interna para vê-la bem, seja lá o que isso significa. Achei o desfecho da história belíssimo e valeu a pena, sim, dar uma chance, ainda que despretensiosa, a Solteiramente!

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Feel The Beat

Feel The Beat

Feel The Beat *****
Feel The Beat Elenco: Sofia Carson, Wolfgang Novogratz, Donna Lynne Champlin, Rex Lee, Brandon Kyle, Lidya Jewett, Shaylee Mansfield, Shiloh Nelson, Carina Battrick, Eva Hauge, Dennis Andres, Marissa Jaret Winokur, Enrico Colantoni
Direção: Elissa Down
Gênero: Comédia, Família
Duração: 107 min
Ano: 2020
Classificação: Livre
Sinopse: “Depois que April não consegue sucesso na Broadway retorna para sua pequena cidade natal, e é relutantemente recrutada para treinar um grupo de jovens dançarinos para uma grande competição.” Fonte: Filmow.

Comentários: A última vez que assisti a um lançamento Netflix em busca de pauta pro blog, “Um Amor, Mil Casamentos”, o resultado foi absolutamente desastroso, então imaginem o quanto estava pé atrás com a comédia familiar Feel The Beat, disponível desde ontem, sexta feira, no serviço de streaming. Me preparei psicologicamente para cruzar os braços, não dar uma risada e absolutamente odiar, mas não foi o que aconteceu. Uma mistura clichê de humor leve, lições de vida e romancinho jovem, tudo necessário para fazer dessa história um típico passa tempo pros momentos em que a gente até evita pensar… E essa é EXATAMENTE a proposta do filme, que a cumpre super bem, causando até lágrimas aqui e ali.

Nele vemos o decair da carreira da dançarina April, que aprendeu da pior forma possível como a falta de gentileza pode leva-la direto dos palcos da Broadway à volta para a casa do pai em sua cidadezinha natal. E como qualquer interior que se preze essa volta é marcada por reencontros com as mesmas pessoas de sempre, alguns constrangedores e outros… Mais constrangedores ainda! De um lado o núcleo do ex namorado com quem viveu um fim de relacionamento não tão feliz, do outro a antiga professora de dança da infância que insiste que ela compartilhe seus conhecimentos e sucesso com as atuais alunas… E é nesse contexto, ao receber uma proposta de ajuda-las a vencer um concurso cuja mera participação do grupo é completamente improvável, que ela vê uma nova luz no fim do túnel, se apoiando nas jovens para retomar o sucesso de onde parou.

Feel The Beat
Feel The Beat: Imagem via Decider.

Uma das queridinhas recentes das produções Disney Channel, Sofia Carson funcionou LINDAMENTE no papel de April. Ela tem uma cara meio “antipática à primeira vista” que bate perfeitamente com a personalidade não muito modesta da dançarina, mas sabe suavizar a expressão e tornar-se tangível quando necessário. O conjunto de pré adolescentes que compõe suas alunas também é perfeito, é um roteiro que tomou cuidado ao criar personagens variadas e inclusivas, sem precisar forçar essas presenças em nenhum momento, todas rodeadas de suas famílias e vidas particulares que estão presentes na história, mas não só “jogadas” no ar, elas fazem parte do enredo e se complementam. É incrível ver um filme sobre dança quebrando tantos padrões, onde meninos são bem vindos no palco sem preconceito e a força e intensidade dessa modalidade esportiva é apontada e valorizada.

Coincidência ou não, tenho percebido que os filmes, ou mesmo episódios de séries, que mais me sensibilizam de verdade são dirigidos por mulheres, e esse foi um dos casos. Sim, se trata de uma comédia, mas passei mais da metade dele chorando bastante. Essa premissa do “ensinar ao ser ensinada” é usada quase sempre em produções do gênero, e nele usada sabiamente. Desde dificuldades do início de carreira até corações partidos por um primeiro amor juvenil, os momentos de lágrimas e consolo não são dominados por frases de impacto estereotipadas, mas sim gestos de carinho genuíno. Apesar das novas possibilidades e conquistas que se abrem ao longo do filme, ele não tem um final fantasioso que normalmente torna a coisa uma completa idiotice para tender à romantização. É lindo, feliz, gostoso e, por que não(?), pé no chão!

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