o que eu penso antes de dormir – Augusto Alvarenga

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolate em frente a aparelho Kindle com a folha de rosto do livro na tela, constituída de várias palavras e rabiscos desconexos. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

o que eu penso antes de dormir *****
o que eu penso antes de dormir: capa do livro, lisa, em tom neutro, com o título ao centro alinhado à esquerda e nome do autor na lateral inferior esquerda. Autor: Augusto Alvarenga
Gênero: Poesia, coletânea, jovem adulto
Ano: 2020
Número de páginas: 81p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08R991FCD
Sinopse: “‘você não pode amar uma porta – use-a para ir embora’. ‘o que eu penso antes de dormir’ é um compilado de textos: poemas, crônicas, frases e pensamentos de um processo de cura e amadurecimento no último ano. retrata a crueza das emoções, das relações e da jornada por dias melhores.” (fonte)

Comentários: Não é fácil ver alguém que a gente gosta doendo… Nessa breve coletânea de poemas e desabafos, Augusto Alvarenga conta o que vem pensando antes de dormir no último ano, conta o que EU penso toda hora nessa cabeça preocupada que martela sem fim, provavelmente conta o que você andou pensando por aí também. Ele fala de começo que lembra fim e fim que lembra recomeço, sincero e sensível e rápido, mas profundo e fundo. Os primeiros versos são sofridos, magoam, te fazem remoer, bate aquela pena, muita tristeza, dor, mesmo. Não, não é fácil ver ninguém doendo e nem lembrar que a gente dói também. Já os últimos versos lembram bem os primeiros, mas com vontade de dar passos pra frente sem esquecer nem por um minuto as marcas que você deixou quando deu os que ficaram para trás. E eu amei!

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando um aparelho Kindle com a capa do livro na tela, lisa, em tom neutro, com o título ao centro alinhado à esquerda e nome do autor na lateral inferior esquerda. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral e caneca contendo bebida achocolatada.

“quem vai ser o próximo e como ele vai me
deixar
em pe
____da
_____ços”

o que eu penso antes de dormir é uma narrativa de não-ficção contínua dividida em poemas, reflexões, mini contos e pensamentos jogados, às vezes em versos tradicionais, outras em diagramação personalizada para passar sua mensagem pessoal e muito íntima. Nele o autor conversa com alguém, um alguém específico claramente, mas sem ignorar a presença de quem lê, deixando que a gente entre no que não é da nossa conta pra tornar parte da nossa vida. A leitura é MUITO rápida, mesmo, você finaliza em questão de 10 minutos, contados pelo próprio Kindle, mas que demora muito mais do isso para ser digerida, pensada, sentida. Ele usa as palavras lindamente, mostrando cada vez mais o amadurecimento da sua escrita em todos os sentidos, principalmente no que diz respeito à temática e estrutura. Apesar de curto, ele entrega um livrão.

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolatada atrás de um aparelho Kindle com uma página do livro na tela, o primeiro verso do poema está em destaque, marcado pela leitora no próprio aparelho. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

“eu quero estar presente.
e quero ser marcado.
quero saber das lembranças como elas aconteceram
não quando você as inventa até elas só serem histórias,
sabe?”

Por fim, é impossível falar dos livros do Guto (vou abandonar as formalidade aqui) sem falar do visual e diagramação impecáveis, principalmente se tratando de uma publicação independente. Ele tem uma equipe por trás que faz um trabalho TÃO primoroso que você estende o tempo de leitura parando para admirar. Páginas inteiras em que o visual complementa uma simples frase, transformando poucas palavras em arte, ilustrações jogadinhas aqui e ali, até o perfil de autor do final é delicado, simples demais, e ainda assim você sente a preocupação em deixar condinzente com o resto. É óbvio que o livro não é feito SÓ disso, mas no caso dele as duas coisas se complementam com tanta força que deixar de apontar uma delas desvaloriza sua existência. Lindo, de ler e de ver.

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolatada atrás de um aparelho Kindle com uma página do livro na tela, contendo o código Spotify da playlist do mesmo. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

Leia também: fica por aqui: Uma história de Vento Ventania, resenha do livro publicado pelo Augusto como e-book e em versão física como parte da conscientização do Setembro Amarelo.

Augusto Alvarenga é mineiro de João Monlevade, mora em Belo Horizonte, graduado em Cinema e Audiovisual e publicou seu primeiro livro, “Um Amor, Um Café e Nova York”, em 2014. Hoje tem vários volumes publicados, incluindo participações em antologias, que vocês podem conhecer no Instagram @instaguto, Twitter @tuiteguto e perfil de autor Skoob. o que eu penso antes de dormir está disponível como e-book na loja Kindle da Amazon por R$6,00 e aluguel de graça para usuários Kindle Unlimited. A playlist do livro pode ser acessada no Spotify.

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A Princesa salva a si mesma neste livro

A Princesa salva a si mesma neste livro

A Princesa salva a si mesma neste livro As mulheres têm uma espécie de magia # 1 (The Princess saves herself in this one) *****
A Princesa salva a si mesma neste livro Autora: Amanda Lovelace
Gênero: Poesia
Ano: 2017
Número de páginas: 208p.
Editora: LeYa Brasil
ISBN: 978.854.410.659-4
Sinopse: Amor e empoderamento em versos que levam os contos de fada à realidade feminina do século XXI ‘A princesa salva a si mesma neste livro’, de Amanda Lovelace, é comparado ao fenômeno editorial ‘Outros jeitos de usar a boca’, de Rupi Kaur, com o qual compartilha a linguagem direta, em forma de poesia, e a temática contemporânea. É um livro sobre resiliência e, sobretudo, sobre a possibilidade de escrevermos nossos próprios finais felizes. Não à toa ‘A princesa salva a si mesma neste livro’ ganhou o prêmio Goodreads Choice Award, de melhor leitura do ano, escolha do público. Esta é uma obra sobre amor, perda, sofrimento, redenção, empoderamento e inspiração. Dividido em quatro partes (“A princesa”, “A donzela”, “A rainha” e “Você”), o livro combina o imaginário dos contos de fada à realidade feminina do século XXI com delicadeza, emoção e contundência. Amanda, aclamada como uma das principais vozes de sua geração, constrói uma narrativa poética de tons íntimos e cotidianos que acolhe o leitor a cada verso, tornando-o cúmplice e participante do que está sendo dito.” (fonte)

Comentários: Eu não sou a maior fã do mundo de poesias, confesso. Tenho meus sonetos favoritos, todos muito antigos, mas de um modo geral é um estilo que não amo ler, e escrever menos ainda, sou péssima nele! Ainda assim o título de A Princesa salva a si mesma neste livro sempre me deixou tão curiosa que resolvi que ele merecia uma chance. Na verdade, e no fundo, todo mundo merece, não é mesmo? Parecia o tipo de coisa pela qual eu morro de amores com sua proposta de falar sobre ser mulher, sobre empoderar-se, sobre uma princesa contemporânea que é sua própria heroína. Pois bem, li, terminei e ainda não sei muito bem como avalia-lo. Acho que a grande questão de coletâneas é que elas nunca são uma coisa só, né? Então dá pra adorar algumas coisas e até odiar outras. Não cheguei nesse ponto extremo negativo, felizmente, mas em alguns momentos senti que estava só olhando para um monte de palavras jogadas de linha em linha, sabe? Em outros, porém, o impacto veio, menina, bem do jeito que tinha que vir!

A Princesa salva a si mesma neste livro

O livro é dividido em quatro partes que, ao seu modo, narram a vida da autora desde criança até a vida adulta e contemporânea. O início, “A Princesa” foi, pra mim, o mais sofrido de todos, por sentir uma coletividade imensa nas situações tristes que ela relatava. Ali estava sua infância e pré-adolescência, a primeira menstruação que ela não queria ver chegar, relatos de uma vida ao lado da irmã mais velha querida e da mãe, não tão querida assim. Fala de bullying, gordofobia e relacionamento abusivo não-romântico, que pode acontecer (e acontece todos os dias) dentro de casa, de quem você devia te fazer sentir mais segura. Algumas coisas já vivi, outras felizmente não, mas é o resultado das incertezas da imaturidade e de como nelas as coisa têm um peso muito maior.

Logo em seguida começa “A Donzela”, trecho mais pesado com a adolescência e início da vida adulta marcados por romances falhos (os “dragões”) e perdas familiares, uma vez que Amanda a irmã e mãe morrendo em sequência. Foi quando vi um número maior de falas simples, típicas do que vemos em Tumblrs da vida, organizadas de uma forma que soem como versos. Uma coisa MUITO bacana da escrita dela é que o título vem ao final dos textos, não no início, então sua interpretação não é muito direcionada: primeiro vem a leitura, depois o real significado dela. Nem todas as poesias têm isso, mas a maioria sim e é um fator estilístico diferente, bastante positivo.

A Princesa salva a si mesma neste livro

O momento de alento do livro fica na terceira parte, “A Rainha”. Aqui ela enfim parece se aceitar, ver o lado positivo em si mesma e na vida, principalmente no que diz respeito ao amor. Os textos românticos me causaram muita identificação, aquela sensação de “finalmente ela é feliz”, sabe? Foi onde tudo ficou mais poético, também, e talvez menos clichê porque o amor é sempre clichê, então tá permitido. Minha parte favorita, sem sombra de dúvidas, que deixou até um desejo de “quero mais” no ar quando acabou.

“(…)
preciso dos seus
momentos tarde da noite
confortavelmente calmos

preciso
de tudo
isso

– você é um poema de verdade, querido

A Princesa salva a si mesma neste livro

Por fim “Você” não se refere a uma pessoa específica, mas sim à leitora do livro. Ela retoma todas as temáticas anteriores e perdas, danos, dragões e neuras e joga junto com questões sociais, como a cultura do estupro e LGBTQfobia. Deixa de ser princesa indefesa, donzela em sofrimento e até mesmo rainha dona de si, que era seu papel nos outros momentos: sua metamorfose é tal que vira SEREIA ao falar de si mesma. É um momento que mistura auto-ajuda tanto para quem consome quanto para quem produz. Talvez seja exatamente o que alguém precisa ler, talvez seja o que esse alguém já leu mil vezes por aí…

A série “As mulheres têm uma espécie de magia”, da mesma autora, tem outros dois livros de poesia publicados no Brasil pela LeYa: “A Bruxa não vai para a fogueira neste livro” e “A voz da sereia volta neste livro”, disponível como ebook e também livro físico. Para acompanhar mais trabalhos de Amanda Lovelace é só segui-la pelo @ladybookmad no Twitter, Instagram e Tumblr. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Março no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é poesia. Leia também a resenha do título de Fevereiro (não-ficção), Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher!

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Sarau Perfopoético

Centro Cultural da UFMG, na Av. Santos Dumont, 174, Centro. Belo Horizonte/MG
+ http://www.ufmg.br/centrocultural/

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O Dia Dos Namorados

“O dia dos Namorados
para mim é todo dia.
Não tenho dias marcados
para te amar noite e dia.

O dia 12 de junho,
como qualquer outro diz
(e disso dou testemunho)
que contigo sou feliz.

DiaDosNamorados

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