Mary Poppins – P. L. Travers (Edição Cosac Naify + Ronaldo Fraga)

Mary Poppins

Mary Poppins (Edição Especial) *****
Mary Poppins Autora: P.L. Travers | Ilustrações: Ronaldo Fraga | Tradução: Joca Reiners Terron
Gênero: Fantasia
Ano: 1934
Número de páginas: 190p.
Editora: Cosac Naify
ISBN: 978.854.050.529-2
Sinopse: “Uma das histórias mais amadas por crianças e adultos do mundo todo, Mary Poppins ganha uma nova edição, com ilustrações do estilista Ronaldo Fraga, tradução do escritor Joca Reiners Terron e posfácio da professora de literatura inglesa da USP Sandra Vasconcelos. Depois de desenhadas por Fraga, como verdadeiros croquis de moda, os desenhos foram bordados à mão em tecido e fotografados em estúdio. O leitor vai, finalmente, descobrir a história de Mary Poppins, a babá mágica que chega inesperadamente para cuidar das crianças Banks e lhes abre os olhos para os mistérios e as maravilhas que nos cercam, todos os dias.” (fonte)

Comentários: Mais uma babá abandonou a casa da família Banks, deixando as outras empregadas da casa e a mãe das crianças desesperadas sem saber quem cuidaria de Jane, Michael e dos gêmeos, John e Bárbara. O sr. Banks, como de costume, deixou a cargo da esposa resolver isso e rumou em direção ao banco onde trabalha. Foi nesse contexto que o Vento Leste – literalmente – carregou Mary Poppins, uma babá nada convencional (e pra lá de encantada) para a porta do Número Dezessete da rua Cherry Tree Lane. Os dias seguintes dessa família foram, então, marcados pela presença da jovem, com sua personalidade forte e métodos fabulosos de resolver as coisas, deixando as crianças sem entender como tudo seria possível ser real.

Mary Poppins

A australiana P. L. Travers, autora dos seis livros da série Mary Poppins, dizia que não escrevia para crianças (1), mas essas obras que giram em torno de sua personagem mais famosa ficou marcada como um dos clássicos da literatura infantil a ponto de ser transformada em filme musical dos Estúdios Disney em 1964, tendo Julie Andrews no papel da protagonista e Emily Blunt na sequência de 2018. Muitos conhecem a história por causa dessa primeira adaptação, inclusive, e apesar de suas diversas diferenças o primeiro livro tem semelhanças pontuais, sendo também capaz de encantar pessoas de todas as idades.

Muitos podem julgar Mary Poppins pela sua grosseria, afinal na época da publicação era essencial que uma babá fosse dócil e submissa, e ela não é nada disso. Com respostas diretas, habilidades extraordinárias e conclusão para todas as questões, ela ensina sobre seu mundo não só a Jane e Michael, mas também a quem lê o livro. A escrita se refere ao início do século do passado, mas é fácil de ser entendida e flui MUITO BEM, com frases impactantes em diversos pontos. Demorei anos para enfim me render a ela porque tinha medo de quebrar todo o carinho que tenho em relação ao filme, mas a experiência foi tão maravilhosa que minha vontade mesmo é continuar lendo os outros volumes para conhecer mais aventuras mirabolantes assim. [SPOILER] Ver o Vento Oeste levá-la embora foi lindamente melancólico, mesmo já sabendo que isso aconteceria. [/SPOILER]

Mary Poppins

“(…) pode ser que comer e ser comido seja a mesma coisa, afinal. Minha sabedoria me diz que é muito provável que sim. Somos todos feitos da mesma matéria, lembre-se, nós da Selva, vocês da Cidade. A mesma substância nos compõe, a árvore logo acima, a pedra debaixo de nós, a feiura, a beleza. Somos um só, todos rumando para o mesmo final. Lembre-se disso, mesmo quando você não se lembrar mais de mim, minha criança.” (página 152)

Mary Poppins

É impossível ler Mary Poppins na edição especial da extinta Cosac Naify, que encerrou suas atividades em 2015, e focar só na história ao falar dela porque, sinceramente, é uma obra de arte à parte. Eles lançaram duas versões: uma com a capa rosa com pequenas ilustrações de barco de papel, nuvens e estrelas, e outra ainda mais rara conde a estampa rosa estava em uma luva em formato da maleta da Mary e, por dentro, uma capa exclusiva marrom, simulando a roupa dela. A lombada tem costura aparente, também visível por dentro, com o título do livro impresso direto nas páginas entre as linhas. Ele mede aproximadamente 28 x 18cm, tem 190 páginas e mesmo elas são em papel especial, com gramatura 100g/m². Hoje em dia é quase impossível achar exemplares à venda e, quando acha, o preço é exorbitante, mas vale MUITO o que custa, de verdade.

O mais lindo dessa edição, porém, são as ilustrações pelo estilista mineiro multipremiado Ronaldo Fraga. Após fazer as ilustrações, que conseguem ser lúdicas ainda que monocromáticas, elas foram bordadas pela (também) mineira Stella Guimarães e sua equipe, deixando propositalmente fios soltos que compõe o visual das cenas, dando ideia de movimento. Por fim, esses bordados foram digitalizados e adicionados à publicação. O resultado é MUITO único e especial, torna a leitura ainda mais prazerosa em ver a combinação de um cenário britânico com artes brasileiras. O livro conta também com tradução de Joca Reiners Terron e posfácio incrível de Sandra Guardini T. Vasconcelos, que sugere algumas leituras para conhecer mais a fundo sobre P. L. Travers. Im-pe-cá-vel!

Mary Poppins

Leia também: Walt nos Bastidores de Mary Poppins, resenha do filme com Emma Tompson e Tom Hanks baseado na época em que Walt Disney comprou os direitos para produzir o filme de Mary Poppins.

Esse livro foi a minha escolha para o mês de Maio no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é ler uma ficção científica ou fantasia. Leia também a resenha do título de Abril (autora independente), Os Textos Que Desisti de Enviar!

Continue Reading

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks) *****
Walt nos bastidores de Mary Poppins
Elenco: Emma Thompson, Tom Hanks, Colin Farrell, Paul Giamatti, Jason Schwartzman, B.J. Novak, Michelle Arthur, Bradley Whitford, Kathy Baker, Melanie Deanne Moore, Ruth Wilson, Ronan Vibert, Rachel Griffiths, Andy McPhee
Direção: John Lee Hancock
Gênero: Biografia
Duração: 125 min
Ano: 2013
Sinopse: “Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks) é um filme baseado em fatos reais, que mostra como foi a produção do clássico Mary Poppins (1964). A trama acompanha como foi a batalha entre Walt Disney (Tom Hanks) e a escritora australiana Pamela Lyndon Travers (Emma Thompson), que durou 14 anos, onde Walt tentou de todas as maneiras persuadir a famosa escritora a vender os direitos da adaptação para os cinemas de Mary Poppins, que teve oito livros publicados. Depois de muito tentar, Walt conseguiu os direitos para a adaptação, mas Travers odiou o resultado final do filme e proibiu Walt a fazer qualquer tipo de sequências.” (fonte)

Comentários: Meu Deus do céu que filme LIN-DO! Lindo, lindo, lindo, chorei durante todas as duas horas de duração dele! No dia em que li que Walt nos Bastidores de Mary Poppins, em inglês “Saving Mr. Banks”, estava sendo produzido comecei a esperar ansiosamente pelo lançamento e fui logo na estreia porque eu tinha que ver se corresponderia a todas as minhas expectativas. Foi maravilhoso sair de lá sem um pingo de decepção, é muito bonito mesmo!

O longa conta a história da produção do filme “Mary Poppins”, da Disney, a partir do momento em que a autora P. L. Travers sai da Inglaterra para ir para os EUA decidir de vez se daria ou não à Walt Disney Productions os direitos para que o filme fosse feito. Em paralelo vai mostrando a infância da autora em flashbacks bem bonitos e tristes que aos poucos explicam bastante alguns aspectos da história. E aí enquanto Walt Disney e seus funcionários tentam de tudo que é jeito agrada-la pra conseguir os direitos sem tirar do filme a “magia Disney”, ela vai se mostrando uma moça durona, mas com sentimentos e traumas como qualquer outro ser humano.

É legal ver esse filme porque mostra bastante as coisas pelo ponto de vista da “Pam” Travers, que não quer que sua obra seja retratada de forma diferente do que é, e Emma Thompson consegue passar isso lindamente como em tudo o que faz. Sério, o mundo do cinema seria um local mais maravilhoso ainda se tivéssemos mais Emmas Thompsons nesse planeta, a mulher é perfeita numa escala superior. Mas aí vem a questão do “outro lado da moeda”, de quem está fazendo o filme e, nem preciso dizer, mesmo com o foco da história sobre ela e a atriz maravilhosa com sotaque e tudo, era pra esse outro lado que eu “torcia” porque Walt Disney é Walt Disney e fim de papo!

Tom Hanks está memorável no papel do Walt. Eu sorri em todas as cenas em que ele aparecia e a cada implicância dela com os planejamentos do filme não tinha como ter raiva daquela pessoa. Por mais que eu tente ver o lado da autora vendo sua obra sendo transformada naquela coisa “Disneyca” toda, de músicas, animais que dançam e “Supercalifragilisticexpialidocious” era impossível esquecer que é essa a visão de mundo que gosto, não a de mundo real, acho o filme incrível e se a Disney quisesse fazer isso com qualquer livro que posso ou não vir a lançar nessa minha vida eu deixaria porque sou tiete com força e não disfarço.

A cena que mais gostei foi a em que os dois vão à Disneyland juntos. Imagina ir naquele lugar com aquele homem? Tá na categoria “sonhos que nunca vão se realizar”. Chorei porque tocou “A Dream Is a Wish Your Heart Makes” toda linda no carrossel… Gostei muito também quando ela FINALMENTE APROVA UMA MÚSICA que eles escrevem e, claro, o final do filme que é lindo. Inclusive o título em português não faz sentido nenhum, mas em inglês consegue resumir toda a história e aquele momento em especial. Mas nada me emocionou mais do que quando Disney fala “That mouse, he’s family.” (“Aquele rato, ele é minha família”), ao comparar a importância do Mickey pra ela com a da Mary pra ela. Arrepiei até o último fio de cabelo.

Pra quem já assistiu “Mary Poppins” e gosta vale muito a pena. Pra quem não assistiu vale também, mas assiste antes porque talvez não vá fazer tanto sentido. E pra quem não gosta não deixo recado nenhum porque não gostar daquele filme não entra na minha cabeça…

Continue Reading