Bem-Vindo ao Clã Nicolau – Renata Borges

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Bem Ben-Vindo ao Clã Nicolau *****
Bem-Vindo ao Clã Nicolau: capa do livro cuja ilustração personagem principal feminina em destaque, de olhos fechados e cabelos para cima, formando um céu estrelado onde se lê o título. Em suas mãos está um globo de neve que contém uma pequena cidade invernal e um jovem casal tentando segurar as mãos um do outro na frente. Em baixo da ilustra consta o nome da autora. Autora: Renata Borges
Gênero: Romance
Ano: 2020
Número de páginas: 158p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08PC9S1WY
Sinopse: “Quanto tempo um amor pode esperar? Um ano, dois… ou quem sabe nove?
Claire sabe que conheceu o amor de sua vida. Não interessa que todos falem que ela é jovem demais ou que as longas cartas que ela troca há nove anos com Ben, não são mais que um passatempo.”
(fonte)

Comentários: Claire e Ben se conheceram no natal de 2008 e, como todo romance avassalador adolescente, se apaixonaram à primeira vista. Ela tão nova já ajudando no trabalho da família, a Pousada do Clã Nicolau, ele ainda sem saber NADA sobre como lidar com os sentimentos que estão nascendo ali. Nove anos se passaram e a história sobreviveu através de cartas e mais cartas de amor até que na mesma época em 2017 ela, agora a mais velha de 9 irmãs e formada em Administração, responsável oficialmente pela gerência do local, recebe uma carta um tanto quanto animadora depois de um longo tempo de silêncio. É aí que os dois nos levam por uma jornada entre passado e presente para conhecer essa história de amorzinho digna de filme gostoso e levinho de natal, daqueles que a gente gosta SIM e não esconde!

“Esse é aquele momento que nos beijamos e quase nos esquecemos que nossas irmãs histéricas estão no mesmo ambiente que nós dois. A cada beijo, eu quero permanecer mais tempo colado a ela e não preciso nem mencionar todos os efeitos que ela tem em meu corpo em combustão de hormônio adolescente.”

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Situado em ambientação própria da autora, a ilha de Porto Novo, em clima clássico de Natal característico do frio Distrito Leste, daqueles em que a paisagem é fria, a natureza toma conta de boa parte de seu território e o calor humano reina… “Bem Ben-vindo ao Clã Nicolau” é literalmente um comitê de entrada no universo literário da blogueira, escritora, autora das fotos literárias mais lindas do mundo e amiga Re(nata) Borges, a Retipatia. Como toda oferta de boas vindas ao aconchego, ela te deixa confortável, “em casa”, com a presença das personagens e ambiente que criou. Se você conseguir terminar as páginas da noveleta sem desejar uma boa caneca de chocolate quente, sinceramente, não curtiu da maneira que devia. Dá muita vontade de passar as festas de fim de ano na pousada do clã Nicolau e curtir um dos chalés que eles oferecem por lá.

“(…) há nove anos, quando eu o conheci, existiam poltronas vermelhas com tapetes esverdeados que davam a ideia de que era Natal o ano todo. Bem, na verdade, no clã Nicolau é quase isso mesmo, Natal o ano todo.”

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

Talvez seja por toda essa magia do “visual” da história, talvez porque conheço a autora há muitos anos por causa do amor em comum por bonecas, mas foi assim que imaginei todo mundo ali: Pullips animadas em stop motion me apresentando a esse romance que aquece o coração da mesma forma que a bebida favorita da protagonista aquece seu corpo. Ao mesmo tempo vira e mexe rola aquele “solavanco” de realidade em lembrar que tudo se passa num lugar fictício, sim, mas que faz parte do nosso mundo real! Dessa forma podemos ouvir as músicas que eles escutam, conhecer os filmes dos quais eles falam e saber mais ou menos como estava nossa própria vida nos momentos que são ali vividos. É super o tipo de livro para ler com o Spotify do lado para pesquisar e curtir a trilha sonora enquanto ela acontece!

Leia também: O Espírito Natalino, resenha desse breve e emocionante conto de natal de Júlia Cancian.

Bem-Vindo ao Clã Nicolau: foto do aparelho Kindle com a tela ligada onde a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, envelopes de papel brancos e cor-de-rosa, e ao redor bolas de natal rosa em tamanhos variados, uma xícara de chocolate quente e um prato contando um papai noel de chocolate.

“Acho que as músicas são assim, nos afetam conforme nosso estado de espírito.”

Falando de forma bem pessoal, a Rê é a pessoa mais exigente que conheço, com tudo, mas em especial com o próprio trabalho (capricorniana, né mores?). A história do clã Nicolau não é diferente, muito bem escrita e fluída, usa frases bem estruturadas e, ainda assim, sem rodeios desnecessários: você entende as coisas, absorve, visualiza, sente. Consegui me identificar TANTO com a Claire que sorri, tremi e chorei junto com ela sempre que pertinente, dava vontade de pegar na sua mão, seja como adolescente ou adulta, e viver seus altos e baixos lado a lado. É tão gostoso ver uma mulher bacana assim num livro de romance, né? Que sabe oscilar entre a força e a fragilidade nos momentos em que precisa delas, como a gente tem que ser na vida real, mesmo, 50% princesa da neve de conto de fada, 50% heroína com as rédeas da própria vida!

Renata Borges é brasileira, mora em Belo Horizonte, graduada em Direito pela PUC Minas. Hoje ela trabalha como escritora, escrevendo sobre livros nas redes sociais e no blog Retipatia e suas próprias histórias de ficção, como essa que está disponível como ebook Kindle na Amazon por R$1,99 e aluguel de graça para usuários Unlimited. Para conhece-la melhor vocês podem seguir o @retipatia Twitter e Instagram, onde ela cria MUITO conteúdo literário e tem também o projeto @gentilezaliteraria, além de organizar também oficinas para quem quer manter um bookstagram de qualidade e mais gentil. Agora ela tá também caminhando com seu canal do Youtube, cuja qualidade é à altura de todo o resto que produz.

Espero que todos tenham vivido um Feliz Natal nesse 2020 tão estranho, com leituras de aquecer o coração pra quem é dos livros, filmes e séries cheios de “ha-ha-ha” para quem é dos audiovisuais, pessoas queridas por perto ainda que distantes e com a mesa farta daquilo o que gosta. Que o próximo Natal seja mais leve e, literalmente, vacinado!

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O Espírito Natalino – Júlia Cancian

O Espírito Natalino: foto do aparelho Kindle com a tela ligada em que a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, galhos de uma árvora de natal branca com enfeites rosa choque variados.

O Espírito Natalino *****
O Espírito Natalino: Capa do livro de fundo liso, pequenos enfeites de natal no topo, seguida do título da obra. Ao centro, dois suéters de temática natalina estão lado a lado, como um casal, e na parte inferior consta o nome da autora. Autora: Júlia Cancian
Gênero: Conto, fantasia
Ano: 2020
Número de páginas: 32p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08P61G158
Sinopse: “Énastros e Berenice se conheceram em uma noite de natal, no vigésimo segundo aniversário dele. No entanto, naquele minúsculo apartamento também vivia um outro alguém. Berenice só não contava que esse amigo fosse um tanto quanto… Incomum. Um conto em que o personagem principal não é humano e tem que lidar com uma grande perda.” (fonte)

Comentários: Você já imaginou como é a vida de um Espírito Natalino? Visualize só a ideia de ser querido por todos, esperado o ano inteiro, trazer sensações maravilhosas a tantos amantes dessa data especial e não poder curtir realmente isso com nenhuma dessas pessoas… Essa é a vida do protagonista desse conto de fim de ano de Júlia Cancian: ele não pode ser visto, ouvido ou mesmo verdadeiramente sentido pelos humanos com quem convive todos os dias. Fica apenas vagando pelo planeta, fazendo parte dele como pode até, enfim, conhecer e começar a estabelecer um certo contato com Énastros, um jovem escritor também nascido no natal de história triste e igualmente solitário. Quando Berenice, uma moça pela qual o rapaz se apaixona quase instantaneamente, aparece na vida dos dois, a história tem tudo para ter o mais feliz dos finais.

O Espírito Natalino: foto do aparelho Kindle com a tela ligada em que a capa do livro aparece em destaque. Ao fundo, galhos de uma árvore de natal branca com enfeites rosa choque variados.

Um conto carregado de sentimento e, ainda assim, com a leveza que esse fim de ano tão tenso que estamos vivendo pede, O Espírito Natalino nos faz desejar muito poder sentir a presença de “Lino”, narrador personagem que, na história, é o responsável por nos fazer amar tanto essa época do ano. Ao longo das páginas, vemos sua ligação com Énastros crescendo, e também a dos dois com Berenice e seu pudim delicioso. Uma história simples, e ainda assim bem trabalhada em detalhes bonitos, como a escolha dos nomes e enaltecimento do estado natal da autora, que aproveita a deixa para falar um pouco da cultura do mesmo ao narrar as viagens desse ser especial. Juro, fiquei imaginando como seria fazer um curta metragem de animação dele, daqueles em que as personagens não falam, mas te fazem chorar (e muito!) tanto ao longo do enredo quanto no final melancólico.

“O amor não é sobre religião, caso você esteja pensando nisso neste momento (…). O amor é sobre pessoas, é sobre o outro, é sobre o que eu posso fazer para diminuir a dor do meu próximo.”

Aliás, falando em final, ele me pegou 100% de surpresa! Eu imaginava que os acontecimentos que estavam sendo narrados se desencadeariam em situações completamente diferentes, rotineiras, até que de repente veio um grande impacto que me deixou paralisada por um segundo antes de continuar. Como alguém que escreve (e adora um bom draminha), fiquei imaginando como foi para a autora chegar ali, se ela pensou em outros caminhos, mas ao mesmo tempo que o coração fica pequenininho, dá pra entender a direção pela qual optou. Meio “a vida é assim”, sabe? Mas sendo em bons ou maus momentos, “Lino” segue como alguém que dá vontade de abraçar e ajudar a seguir com sua vida imortal (já que, como ele mesmo disse várias vezes, ser um Espírito não o torna um fantasma). Livro totalmente recomendado para aquela leiturinha rápida antes do dormir que vai te ajudar a sonhar em paz!

Leia também: O Conto de Natal, uma pequena história natalina publicada aqui no blog!

Júlia Cancian é brasileira nascida e moradora do Espírito Santo, graduanda em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Espírito Santo. Aos 18 anos (quaaase 19), ela já tem dois contos publicados na Amazon Kindle, disponíveis para compra ou de graça para assinantes Kindle Unlimited: O Espírito Natalino e Todas as Luas de Júpter, que conta em primeira pessoa a história de uma mulher transtorno dissociativo de identidade (TDI). Para conhece-la melhor vocês podem seguir no Instagram @juliahcancian ou Twitter @itsazriel.

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Então é natal… E o que o blog fez?

Então é natal...

Eis que mais uma vez começa John Lennon a perguntar “Então é Natal… E o que você fez?”¹ para todos os lados e, é, eu não sei muito bem se sei responder a essa pergunta esse ano. A primeira coisa que vem à cabeça, aquela automática que a Luly Negativa insiste em acreditar, é “Nada!”, mas FELIZMENTE a Luly Positiva vem logo desmentir isso. (Essa é a especialidade dela, são inimigas mortais.) Porque na minha vida “aqui fora” eu passei muito tempo sem progredir ou regredir, mas também sem parar um segundo! Digamos que foi uma dança do caranguejo, de um lado pro outro, onde muita coisa deu errado (e põe “muita” nisso), mas tantas outras deram certo… Decidi um novo rumo a ser tomado na minha vida, organizei o evento que era meu sonho (foi maravilhoso!), comecei aprender a ficar calada quando é melhor e a falar sem pudores quando necessário, e pretendo melhorar nisso.

Mas aqui no blog esse foi, definitivamente, o melhor de todos os anos!

Então é natal...

O Sweet Luly completou 14 anos no ar em junho, e fez jus ao fato de que esse é meu número favorito! Junto com minha lojinha, eu consegui fazer dele uma fonte de renda que não só se mantém no ar (que sempre foi meu objetivo), mas também começou a me trazer alguns bons lucros. Recebi coisas incríveis de marcas incríveis, conheci outros blogs e, consequentemente seus respectivos blogueiros, que entraram pra ficar na lista de queridinhos, finalmente coloquei meu Midia Kit no ar. No canal do Youtube só tive 4 meses de constância, mas minha edição melhorou muito e consegui não só definir novos rumos que quero dar pra ele em 2019, como também tive alguns que foram ao ar nesse tema e me encheram muito de orgulho. E, provavelmente minha parte favorita, através de ações de divulgação e pré estreia de filmes para as quais fui convidada (e outras idas ao cinema pagas com meus amados Dotz), escrevi posts sobre filme que chegaram no meu ideal de qualidade! Esse assunto se tornou muito frequente aqui e meus olhos se enchem de amor quando, nos comentários, aparece alguém dizendo que gostou, que tá excelente, que mal pode esperar pela próxima ou pelo minha opinião em outro filme específico. Isso fez com que eu me apaixonasse tanto por resenhar a sétima arte que pretendo aumentar ainda mais esse fluxo daqui pra frente.

Quem diria, a menina que uns anos atrás postava um único parágrafo sobre o filme que viu, tecendo apenas comentários vazios… Crescimento é tudo, né?

E já que na sétima tá indo tudo de vento em polpa, é hora de investir nas outras artes, não é mesmo? Minha meta de vida de estudar (e, se tudo der certo, ENSINAR) História da Arte fez reacender em mim o amor por arte plásticas que sempre tive, tanto que me fez ter essa área como a única na qual me vejo realmente trabalhando, seja restaurando ou o que mais vier. Eu quero, quero muito, produzir bons textos sobre arte pra cá, apresentando artistas, estilos, técnicas, exposições e tudo mais o que eu puder. Já comecei, beeem devagarzinho, a fazer isso nos Stories do meu Instagram, e receptividade foi enorme (yey!), então espero que aqui, no meu lugar favorito no mundo, seja assim também. Alguns outros, maiores, estou guardando pra transformar em publicações acadêmicas, mas nem só de textos sérios a gente vive, e na minha vida, confesso, quanto mais informal, mais “conversinha” for, melhor. Ah, como a Luly de 10 anos atrás ficaria orgulhosa se visse isso acontecer, porque já era uma vontade, só faltou a maturidade pra fazer acontecer. De certa forma, ainda bem!

(Mas fica só como meta pós-virada mesmo, depois do Natal, porque estamos em pleno BLOGMAS, pela segunda vez e como sempre atrasada, hahahaha!)

Esse texto é resultado do Desafio Surpresa United Blogs, onde formos perguntadas qual eram as três principais metas para o blog em 2019. Após responder, fomos desafiadas a fazer um post falando sobre uma ou mais delas, e minha terceira foi “Escrever posts bons sobre arte”!

¹ John Lennon & Yoko Ono. Happy Xmas (War Is Over). Nova York: Apple Records, 1971. Single.

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Elton John no comercial de natal da John Lewis

Elton John no comercial de natal da John Lewis

Se você espera pelas propagandas de natal de qualquer outra empresa, é porque não conhece as da John Lewis & Partners. Essa loja de departamento britânica, fundada no século XIX, é famosa pelos seus e todos os anos o lançamento causa grande alvoroço, porque a espera é sempre muito grande e a satisfação garantida. E em 2018 eles resolveram ter como estrela principal do momento ninguém mais, ninguém menos, do que Elton John!

Sempre que é lançado algum anúncio grande sobre ele, recebo uma enxurrada de mensagens vindas de amigos e parentes porque sou MUITO fã do homem, mas nada se comparou a isso até hoje. Acho que o vídeo entrou numa corrente que foi enviada pra MUITA gente, porque na hora que acordei essa manhã tinham MUITAS mensagens iguais falando disso: de como a propaganda desse ano era lindo, mas sem citar a razão. Fiquei encucada com o motivo pelo qual tinha recebido tantos de uma vez, mas foi só dar o primeiro play que entendi tudo, perfeitamente. Não só tem a presença como é um comercial extremamente sensível e emocionante.

A mensagem de 2018 é sobre o poder de um presente, como ele pode ser muito mais que um item físico e influenciar completamente nossas vidas. Começando com o cantor e pianista hoje, sentado em seu piano na época do natal, tocando o maior de seus sucessos, Your Song. O vídeo faz então uma retrospectiva de algumas das incontáveis vezes que a música foi tocada por ele até chegar em sua gravação, em 1970… Logo em seguida vemos sua versão adolescente, animando uma festa em família para, enfim, fechar com lágrimas nos olhos dos expectadores de sua versão criança recebendo o mesmo piano, numa época onde não se via esse tipo de incentivo destinado aos garotos de sua idade. Uma maneira linda de contar uma história real, que começou justamente por causa de um “simples item material”

O timing da presença de Elton John não poderia ser mais oportuno, pois é um momento importante de sua carreira: no início desse ano foi anunciada sua última turnê mundial, ou seja, uma aposentadoria oficial no que diz respeito aos shows. Seu argumento para isso é que precisa aproveitar melhor sua família, principalmente os filhos Zachary (nascido no natal de 2010) e Elijah (2013), uma vez que ele já é uma pessoa idosa com duas crianças em casa para criar. Além disso um filme sobre sua carreira, “Rocket Man”, será lançado pela Paramount no primeiro semestre de 2019, com Taron Egerton no papel principal (cantando!). Nem preciso dizer que estou contando os dias pra esse lançamento, né?

E se parar pra pensar… Todos nós temos aquele presente que mudou algum aspecto da nossa essência, não é mesmo? Eu sempre conto a história de como ganhar “Harry Potter e a Pedra Filosofal” da minha madrinha, no natal de 2000, foi extremamente decepcionante, uma vez que eu não gostava de ler… Então, ao longo do ano seguinte, acabei me apaixonando pela história, me tornando não só uma grande de fã (com alguns momentos controversos, claro), mas também adquirindo gosto pela leitura, da qual não sou mais tão próxima mas que já foi meu principal hobby. Fora as incontáveis e incríveis pessoas que a série trouxe na minha vida nesses anos! Esse, entre VÁRIOS OUTROS, foi e é mais do que um objeto pra mim. E você? Qual presente de natal foi pra você o que o primeiro Harry Potter é pra mim e o primeiro piano de parede é para sir Elton John?

Elton John no comercial de natal da John Lewis
Imagem via Digital Spy

Psiu! Quer saber mais sobre o Elton John? Na tag dedicada a ele aqui no Sweet Luly tem vários posts legais sobre os shows que já fui, produtos que tenho, curiosidades, lançamentos e muito-muito mais. É só entrar e se perder na leitura!

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindewald 15 de novembro, nos cinemas

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O Conto de Natal

O Conto de Natal

O Conto de Natal

A campainha tocou pela terceira vez em menos de meia hora lá em baixo. Eu estava com o rosto quase grudado no espelho, segurando meus cílios postiços emplastados de cola, esperando ela secar, então só dei uma olhada pro lado, como se pudesse enxergar através das paredes, e voltei a atenção para meu reflexo quase imediatamente. Enquanto posicionava tudo no lugar ouvi risadas, seguidas de um grito que não soube identificar se era de raiva ou alegria. Só sabia que a voz que o produziu era de uma criança. Laurinha, com certeza. Fiquei feliz em saber que ela tinha chegado… Por ser a neta mais nova não importava se era natal ou outra data qualquer: vovó só sentia que a festa tinha começado quando aquele rostinho sorridente cruzava a porta de entrada.

Enquanto retocava o delineador do olho esquerdo, a porta do meu quarto abriu abruptamente e ela entrou, com a voz muito chorosa. Logo depois vinha Diego, com um sorriso de vitória no rosto que só podia significar que havia tirado a menina do sério. Ele tinha seis anos quando ela nasceu, “tirando” seu posto de caçula e gerando muitos ciúmes. Desde então um de seus objetivos de vida era causar nela o maior número de lágrimas possível.

– Lola… – ela dizia as palavras entre soluços forçados – Lola, diz pra ele que é o Papai Noel de verdade!

Guardei minha bolsa de maquiagem virando os olhos pra situação. Não era POSSÍVEL que um garoto que se gabava diariamente de ter entrado na adolescência e até já “perdido o BV” estava implicando com uma criança por causa de PAPAI NOEL! Olhei para ele colocando as mãos na cintura, o que o fez começar a pronunciar as desculpas esfarrapadas ensaiadas:

– Eu não falei que ele NÃO EXISTE, só disse que aquele lá não é o de verdade…

– É SIM! – Ela gritou se colocando de pé em cima da minha cama, então corri não só pra amenizar a briga como também para tirar aqueles pés calçados de cima do meu lençol recém trocado.

Nem era preciso explicações sobre a qual Papai Noel eles se referiam. Algum dos prédios vizinhos tinham pendurado um em tamanho natural na manhã anterior. Vovó e eu ficamos observando muito agoniadas com medo de o moço que estava fazendo isso cair de lá de cima, e ao mesmo tempo adoramos a notícia justamente porque sabíamos que nossa pequenina ia vibrar vê-lo ali. Dei uma última olhada no espelho e saí do quarto arrastando os dois junto, segurando o pulso de Diego com uma força que indicava “Pára com isso!” e tranquilizando nossa priminha, dizendo que ele estava apenas tentando irritá-la e que o “bom velhinho” já estava ali sim senhorita, esperando para presenteá-la com a Barbie Sereia que havia pedido.

Eu mudei para a casa dos meus avós cinco anos atrás, pra fazer faculdade. Meus pais moram em Ipatinga, a uns 200 km de Belo Horizonte, vim pra cá quando passei no vestibular. Minha ideia inicial (e muito iludida) era procurar um lugar só meu assim que me formasse, o que aconteceu no meio do ano, mas os três meses de desemprego e o salário baixo que recebia ao finalmente conseguir um trabalho não me permitiam sequer pensar nisso. Sem contar que meus avós estavam começando a ficar bem velhinhos, sempre precisando de alguém para levá-los ao médico, pegar algo no alto do armário e correr para comprar qualquer coisa no supermercado, então minha presença acabou sendo útil… Agora a intenção de ir embora é quase zero!

Por esse motivo eu acabo convivendo muito mais com o resto da família do que qualquer um deles entre si. Ao longo da semana meus tios e primos vêm aqui algumas vezes, para buscar correspondências, ver como estão as coisas ou mesmo “bater ponto” e não se arrepender de estar ausente daqui um tempo, quando os dois já não estiverem vivos. É bem fácil perceber quais se encaixam no último grupo. Enfim… Essa noite eu pretendia estar pronta antes de todo mundo chegar, mas fiquei no quintal com vovó batendo papo sobre nada, então já tinha muita gente quando desci as escadas, cada um colocando o que tinha levado na mesa. Meus pais e meu irmão tinham chegado na casa do meu padrinho bem cedo, mas eles esperaram para ir todos juntos. Estavam lá mais dois casais de tios, pais de Laurinha e Diego, além do irmão mais velho dela, Gabriel, que nasceu exatamente um mês antes de mim. Nós dois passamos a infância inteira esperando por férias e feriados para encontrar quando eu vinha pra cá, para poder brincar juntos. Somos meio que melhores amigos.

– Olha quem tá aqui! Feliz natal, Coisinha! – Meu irmão me tirou do chão ao me abraçar. Depois dele ouvir outras sete vozes repetindo “Feliz Natal, Lola” em menos de um minuto.

Quando Diego era bebê e não conseguia pronunciar “Aurora” direito, me chamava apenas de “Lóla”. Assim que me via cruzando a porta balançava seus bracinhos gorduchos gritando “Lóla! Lóla! Lóla!” com muita empolgação. Logo depois tia Clarinha, mãe dele, me presenteou com uma jaqueta onde havia a personagem Lola Bunny, dos Looney Tunes, estampada nas costas. Desde então a família inteira só me chama assim. Eu me irritava no início, sempre gostei de ter um nome que não dava muita brecha para apelidos, mas quando Laurinha nasceu foi uma das primeiras palavras que aprendeu a falar, logo depois de “mamã” e “cacágu” (que significava “água”), e passei a gostar, apesar de nunca deixar essa mania sair da família e passar para os meus amigos.

O resto do pessoal chegou na hora seguinte. Nos últimos dois natais tinha um sentimento de “Será que é o último?” no ar, todos temiam que um dos nossos avós fosse morrer a qualquer momento, então ninguém abria mão daquela noite. Bom, na verdade uma pessoa abriu dessa vez: tio Jojo. Ele tinha “saído do armário” (finalmente!) nove meses atrás ao apresentar o namorado pra todo mundo. Bastou uma única e longa conversa comigo para vovó aceitar, mas meu avô e dois dos tios ainda se recusavam a olhar na cara dele. Agora ele só vinha quando não tinha mais ninguém por lá (vovô se fechava na sala de televisão até ele ir embora) e sabe-se lá onde estava fazendo sua ceia… Eu sentia saudades e ódio de todo o resto só de pensar nisso!

Olhando ao redor da mesa, todo mundo sentado espremidinho em cadeiras e bancos improvisados, me vinha nos peito uma mistura de alegria e hipocrisia. Eu estava feliz em ter papai, mamãe e Augusto, meu irmão, ali comigo. Vovó também, já que ela é minha pessoa favorita no mundo, e eu até amava o vovô, mas o culpava de não ter meu tio mais querido ali. Gosto dos meus primos, uns mais que outros, e algumas tias. Mas todos os meus outros tios (e uma prima mais distante) eram nada além de parentes pra mim. Me dava raiva ouvir de longe os comentários machistas e preconceituosos que eram camuflados na conversa aqui e ali. Minha vontade era bater boca contra aquela babaquice toda, mas foquei na presença de Laura em meu colo, com seu prato encostadinho no meu me contando várias novidades infantis enquanto nossos braços lutavam para conseguir comer ao mesmo tempo.

Nós temos algumas tradiçõezinhas pra data, seguidas todos os anos. Todo mundo senta pra comer às 22h, em ponto, e quando faltam 15 minutos para meia noite rola uma oração e um “Parabéns pra você” para o “Menino Jesus”. Já faz anos que não sigo religiões, mas não me importo em continuar fazendo isso. Vovô então faz um discurso e assim que o relógio bate a meia noite corremos para a árvore para trocar presentes, independente se tiver terminado ou não… Na verdade o combinado é esse, mas ele sempre consegue dizer tudo a tempo, provavelmente de propósito. Dessa vez, porém, assim que a oração terminou, ele saiu alegando que precisava ir ao banheiro e pediu que a gente continuasse na sua ausência por causa das crianças. Na hora do discurso passamos a palavra para vovó, mas ela não sabia o que dizer e pediu ao meu pai que fizesse isso. Ele, por sua vez, jogou a bola pra minha mãe, que conseguiu até se emocionar com o que disse – e alfinetar cada um dos responsáveis por não sermos mais uma família completa. Alguns, eu entre eles, fizeram questão de aplaudir quando ela terminou exatamente quando devia terminar

Foi quando começamos a ouvir fogos de artifício sendo jogados ao céu do lado de fora. Laurinha largou minha mão, correndo desesperada, e abriu a cortina, com a boca aberta de excitação. Fomos assistir também e, quando parei ao seu lado, ela disse para mim, sorrindo:

– É o Papai Noel!

Passamos cinco minutos admirando o show pirotécnico que acontecia ali, até ouvir a porta dos fundos bater. Quando olhamos para trás a árvore de natal estava bem mais cheia do que antes. Fomos correndo conferir o que tinha sido deixado , gritando uns aos outros para que cada presente chegasse ao seu dono o mais rápido possível. Acho que ninguém além de mim reparou quando vovô entrou de mansinho com as chaves na mão e parou apoiado em meu ombro, para receber um pacote com seu nome que estava na minha mão. De fato, e apesar de tudo, um bom velhinho tinha trazido para cada um de nós um pouquinho mais da magia do natal.

E assim termina o Blogmas 2017: com um começo! Na série “Contos de Aurora” vou mostrar pra vocês a trajetória dessa nova personagem ao longo de algumas datas importante do ano. Em alguns momentos irei improvisar, em outros já sei exatamente o que fazer. O destino dela? Só o tempo dirá! Feliz natal!

Blogmas 2017

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