Cruella: um filme regado a moda, dálmatas e rock n’ roll!

Foto da personagem Cruella, que tem os cabelos curtos encaracolados divididos ao meio entre as cores preto e branco, usando uma máscara preta, batom e vestido vermelhos em um baile de gala, onde olha para alguém que está fora da imagem com ar de deboche.

Cruella *****
Pôster do filme Cruella, que tem o nome da atriz que interpreta a personagem título, Emma Stone, no topo, fundo dividido com as cores preto e branco, como os cabelos que ela apresenta na foto que ocupa toda a imagem. A personagem também usa batom vermelho vibrante e roupa preta elegante, segurando oma bengala apoiada nas costas com as duas mãos. O título também aparece em vermelho, à sua frente. Elenco: Emma Stone, Emma Thompson, Joel Fry, Paul Walter Hauser, Emily Beecham, Jamie Demetriou, Joey Akubeze, John McCrea, Kirby Howell-Baptiste, Mark Strong, Kayvan Novak
Direção: Craig Gillespie
Gênero: Aventura, Comédia
Duração: 134 min
Ano: 2021
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Inteligente, criativa e determinada, Estella quer fazer um nome para si através de seus designs e acaba chamando a atenção da Baronesa Von Hellman. Entretanto, o relacionamento delas desencadeia um curso de eventos e revelações que fazem com que Estella abrace seu lado rebelde e se torne a Cruella, uma pessoa má, elegante e voltada para a vingança.” Fonte: Filmow.

Comentários: A jovem Estella perdeu a mãe ainda muito nova, tendo que aprender a se virar nas ruas de Londres ao lado dos amigos que fez ali e a aceitaram mesmo com o cabelo incomum, dividido exatamente ao meio nas cores preto e branco, que ela aprende a disfarçar tingindo de ruivo. Entre um “trabalho” e outro, ela sabe que seu sonho MESMO é trabalhar para a Condessa, um ícone da moda britânica que anda sempre acompanhada de seus dálmatas de estimação e é, para ela, uma inspiração. Aos poucos, porém, a jovem percebe que aquele meio no qual almeja tanto entrar pode ser mais ingrato do que pensava e decide então mostrar o lado dissimulado e caótico que tem dentro de si, soltando sua criatividade num plano de vingança pessoal que a transforma nesse ícone muito maior que imaginou ser um dia: Cruella!

Lançado em maio desse ano no acesso premium pago à parte da plataforma Disney+ e agora finalmente liberado para todos os assinantes do streaming, o longa é protagonizado por Emma Stone, que nos faz amar uma vilã imperdoável, ao lado de Emma Tompson, que dá vida a alguém ainda pior e sua genialidade impede o objetivo de nos fazer odiá-la. Em Cruella, a Disney reinventou uma personagem antiga, tão estilosa quanto cruel, e levou direto para o cenário londrino da década de 1970, dando a ela visual de roqueirinha maravilhoso acompanhado de trilha sonora 100% à altura. O ritmo do filme não é dos melhores, fica um pouco lento em diversas partes, mas ao contrário de A Bela e a Fera, onde essa característica atrapalha o acompanhamento da história, as músicas bem selecionadas e humor inteligente ajudam a manter a atenção ao longos dos vários pequenos clímax.

Foto da personagem Cruella olhando diretamente para a câmera com seus olhos azuis e olhar dissimulado. Ela está em um ambiente que parece uma redação de revista ou jornal, bem iluminado, e o close mostra apenas a parte de cima da sua roupa de couro preto pesada, os cabelos curtos metade da cor preta e a outra metade branca e o rosto, onde usa um batom vermelho vibrante.
Cruella: Imagem via The New York Times.

O fato de ser uma nova história, porém, não faz com que o filme não seja atrativo para fãs das animações e live actions de 101 Dálmatas lançadas anteriormente – muito pelo contrário! Sua música tema, “Cruella DeVill”, também ganhou outra história e está presente em toda a trama, em ritmo novo que combina totalmente com o resto das músicas (todas parte integrante da minha playlist do dia a dia, gente). As personagens novas, humanas e caninas, são bem trabalhadas e as “velhas” ganharam visual e personalidades repaginados que fazem muito mais sentido. Um exemplo disso é o fato de que a amizade com essa vilã por parte da Anita não fazia sentido NENHUM na minha cabeça quando assistia ao desenho, desde criança, e agora elas ganharam motivos para essa relação, até na cena entre créditos que é a coisa mais fofa do mundo e precisa ser vista…

Leia também: Resenha do live action A Dama e o Vagabundo, que lançou exclusivamente no Disney+.

Veja bem, não é que tiraram a essência surtada da protagonista, disposta a qualquer loucura para chegar onde deseja. Ela tem isso, e consegue ser um tanto quanto má também. Mas, sinceramente, em pleno 2021 eu não quero ver um filme sobre uma mulher que sequestra filhotinhos para fazer um casaco de pele, né? Não faz SENTIDO esse plot atualmente, e não é por isso que o potencial dela de viver uma nova narrativa devia ser desperdiçado, dessa vez abordando problemáticas da indústria da moda, entre outras. Essas releituras dos clássicos não vieram “justificar” suas ações do passado, mas para dar a eles um olhar mais contemporâneo e inspirador. As animações continuam existindo pra quem gosta, e os live actions passam a existir pra quem quer curti-los também. E dessa vez, assim como na maioria dos lançados até agora, eu curti DEMAIS!

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A Dama e o Vagabundo

A Dama e o Vagabundo

A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp) *****
A Dama e o Vagabundo Elenco: Tessa Thompson, Justin Theroux, Kiersey Clemons, Thomas Mann, Janelle Monáe, Adrian Martinez, Arturo Castro, Ashley Jensen, Benedict Wong Bull, Marie Burke, Matt Mercurio, Yvette Nicole Brown
Direção: Charlie Bean
Gênero: Romance
Duração: 104 min
Ano: 2019
Classificação: 10 Anos
Sinopse: “A história de amor entre a Lady (Tessa Thompson), uma cocker spaniel mimada, e um vira-lata chamado Vagabundo (Justin Theroux), que salva a cadelinha do perigo de vagar sozinha perdida pelas ruas.” Fonte: Filmow.

Comentários: Adaptado da animação de mesmo nome lançada em 1955, A Dama e o Vagabundo é o primeiro nessa nova geração de live actions Disney produzido exclusivamente para plataforma de streaming da empresa, Disney+, prevista para estrear no Brasil em novembro de 2020 e já no ar em alguns países. Nele, Lady é o centro das atenções de sua família desde que Jim Querido a deu de presente para sua esposa, Querida, que são chamados pela cocker spaniel assim porque é como os escuta falar. Após o nascimento de Lulu, primeira filha do casal, ela começa a notar mudanças na rotina na casa e conhece um vira latas conhecido como Vagabundo, que tenta mostrar a ela que o mundo é muito maior que as cercas de sua vizinhança e que a vida nas ruas é melhor, apesar da instabilidade e o risco iminente de ser pego pela carrocinha.

O filme é muito fiel à animação no quesito visual e enredo, com algumas diferenças pontuais sem perder a essência da história. Por se tratar de um longa para “televisão” (nesse caso streaming, mas ainda assim uma mídia que não foi lançada nos cinemas) fiquei surpresa com o capricho da produção de um modo geral, os cenários são bonitos, atuações/dublagem impecáveis e computação gráfica dos animais caprichada em quase todas as cenas, são poucas as que ficaram artificiais. Uma grande reclamação do público em relação a “O Rei Leão” foi que as emoções das personagens se assemelhavam às reais do reino animal, e não de humanos como nos desenhos, e esse filme, por usar cachorros de verdade como parte do elenco, também é assim, o que para mim é uma vantagem. Na verdade acho muito problemático essa dificuldade que as pessoas têm de identificar sentimentos que não sejam humanos, como se esses fossem superiores. Talvez seja hora de mudar o próprio pensamento, e não as produções que tendem pro realismo…

Leia também: Aladdin, resenha do live action lançado pela Disney nos cinemas em maio de 2019.

A Dama e o Vagabundo
A Dama e o Vagabundo | Imagem via Collider

Apesar da fidelidade, os mais nostálgicos podem se incomodar com modificações pontuais. Algumas sutis, como a troca de gênero do bebê e de Joca, um dos melhores amigos de Lady (nessa versão, Jackline), outras mais inclusivas em mudanças de etnias, e em pontos necessários, para que a adição de 30 minutos de uma versão para a outra funcione de forma fluida. Nesse quesito “adaptação” a única coisa que senti falta realmente foi a exploração das características de cada raça, que no desenho aparece a todo momento causando cenas de humor e emoção. Não atrapalha, é só um detalhe, mas que foi bastante minimizado, infelizmente, porque era bem real.

Ainda no que diz respeito às diferenças, uma que poderia acontecer de forma maravilhosa, mas que infelizmente a Disney não soube aproveitar e deixou a situação ainda pior, foi a cena da canção dos siameses. Apesar de não dar raça a eles, o que foi bem legal, ao invés de suavizar a suposta rivalidade entre cães e gatos fizeram o contrário, os felinos foram retratados de forma ainda pior! É uma pena, porque o longa tem uma mensagem super forte de incentivo à adoção de animais de rua, tendo inclusive um recadinho nos créditos finais… Parte do elenco encontrado em abrigos, curiosidade que foi largamente divulgada justamente para mostrar a necessidade de resgatar animais domésticos sem raça definida, mas reforçando a ideia de que gatos são os malvados da história… Apesar do filme ter me emocionado muito em diversos momentos, principalmente porque AMO o original, fiquei bem chateada com isso.

E já que falamos de música… Num filme Disney tem como NÃO falar de música? Os outros números estão todos presentes, lindos como sempre! Kiersey Clemons, intérprete da Querida, tem uma voz linda quando canta a canção de ninar, que achei que seria minha maior decepção do filme ao ser alterada, mas à medida que o final foi chegando eles “corrigiram” de forma tão linda que o coração ficou até mais quentinho. O clássico “Bella Notte”, minha cena favorita(!), ficou mega romântica e emocionante, mas o grande destaque dessa versão nesse aspecto é “He’s a Tramp”, tema de Peg e seus amigos do canil. Se o resto já não tivesse lindo por si só esse pedacinho já valeria toda a experiência, ficou incrível!

Trailer:

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Aladdin

Aladdin

Aladdin *****
Aladdin Elenco: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Scott, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen, Amer Chadha-Patel, Amir Boutrous, Bern Collaco, Joey Ansah, Numan Acar
Direção: Guy Ritchie
Gênero: Fantasia, Musical, Romance, Comédia
Duração: 128 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: “Um jovem humilde descobre uma lâmpada mágica, com um gênio que pode lhe conceder desejos. Agora o rapaz quer conquistar a moça por quem se apaixonou, mas o que ele não sabe é que a jovem é uma princesa que está prestes a se noivar. Agora, com a ajuda do Gênio (Will Smith), ele tenta se passar por um príncipe e para conquistar o amor da moça e a confiança de seu pai.” Fonte: Filmow.

Comentários: E temos mais um clássico entrando pra lista de adaptações em live action da Disney e, olha, se é pra falar de remake falaremos MESMO de Aladdin porque está absolutamente impecável! Quem ficou com pé atrás por causa dos trailers vai se surpreender com o visual colorido, vibrante e riquíssimo em detalhes que o longa apresenta. E se A Bela e a Fera pecou pela fidelidade ao original, sem conseguir adaptar bem o roteiro e tornando o enredo arrastado, esse acertou em cheio nesse ponto! É extremamente parecido com a animação, mesmas cenas, falas e tramas, mas com adicionais bem distribuídos e pertinentes, mantendo o ritmo e principalmente o clima da cultura árabe em ambiente fantástico.

O elenco protagonista foi, também, um grande acerto por parte da Disney. Mena Massoud e Naomi Scott estão lindos nos papéis de Aladdin e Jasmine, funcionando não só individualmente, mas também como casal. Ele tem essa cara de garoto sofrido, porém gentil, o “diamante bruto” requisitado pela Caverna dos Tesouros. Já ela é LINDA e forte, de todas as princesas até agora reencenadas a mais carismática, sem dúvidas! Eles deram a ela um pouco mais de poder que na outra versão, como forma de empodera-la sem tirar o foco do enredo. Por outro lado o grande defeito dele é JUSTAMENTE o antagonista, Jafar. Um dos maiores vilões do estúdio, com imagem e imponência de dar medo, caracterizado como um galã de voz fraca e presença fraquíssima em tela. É até difícil comprar a ideia de que aquele é o grande gênio do mal, você nem teme que ele possa vencer no final. Inicialmente pensei que poderia ser problema da dublagem, mas revendo os trailers vi que não, é assim com áudio original também.

Aladdin
Aladdin: imagem via SpicyPulp

E já que falamos de dublagem, bom, essa é digna de um tópico especial porque é perfeita, sem outra palavra pra descrever. Com exceção do Jafar, todos têm vozes que parecem a da animação e ainda assim combinam com os atores. Mas o Gênio… Ah, o esse merece ser enaltecido individualmente. Will Smith não só está maravilhoso na pele desse icônico “compassa” como também deu à versão brasileira um toque ainda mais especial. Em 1992 ele ficou marcado por gerações na voz de Robin Williams, enquanto em terras tupiniquins foi dublado na época por Márcio Simões, que por um acaso é justamente o principal dublador do próprio Will Smith! Sendo assim, aqui no Brasil ele tem exatamente a mesma voz da animação, o que deixou tudo ainda mais gostoso de se ouvir (e querer cantar junto, claro)!

Por fim, o ponto alto de qualquer clássico Disney, temos as músicas da trilha sonora original que arrancam lágrimas de emoção em qualquer fã chorão. “Noites da Arábia” abre o filme e, pra mim, foi de forma um pouco inesperada, então senti todo o impacto de surpresa, causando brilho no olhar instantâneo. O número principal, “Um Mundo Ideal”, também é maravilhoso, digno da magnitude que devia ter. E pras fãs da princesa, uma ótima surpresa: ela ganhou sua própria canção no maior estilo “girl power” para finalmente ter uma voz mais ativa na própria história. De toda essa geração de live actions que estamos vivendo, Aladdin é, provavelmente, o melhor deles do quesito fidelidade, adequação e fotografia até agora (apesar de meu favorito continuar sendo Christopher Robin). Agora é contar os dias para “O Rei Leão” que sai em julho, e eu como grande fã dele, sendo o primeiro filme que assisti no cinema na vida, estou animadíssima – e adorando o fato de que voltei a estudar e tenho uma carteira de estudante agora, pra tornar essas experiências mais baratas e fáceis de serem vividas!

Trailer:

O Sol Também é Uma Estrela - 16 de maio nos cinemas

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Dumbo

Dumbo

Dumbo *****
Dumbo Elenco: Colin Farrell, Danny DeVito, Eva Green, Michael Keaton, Nico Parker, Alan Arkin J., Deobia Oparei, Douglas Reith Sotheby, Joseph Gatt, Lars Eidinger, Michael Buffer, Roshan Seth, Sandy Martin, Sharon Rooney
Direção: Tim Burton
Gênero: Fantasia
Duração: 135 min
Ano: 2019
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Holt Farrier (Colin Farrell) é uma ex-estrela de circo que retorna da guerra e encontra seu mundo virado de cabeça para baixo. O circo em que trabalhava está passando por grandes dificuldades, e ele fica encarregado de cuidar de um elefante recém-nascido, cujas orelhas gigantes fazem dele motivo de piada. No entanto, os filhos de Holt descobrem que o pequeno elefante é capaz de uma façanha enorme.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A história do bebê elefante com orelhas anormalmente grandes, lançada em forma de animação pela Disney em 1941, está de volta aos cinemas em live action! Quando foi anunciado que essa nova versão de Dumbo seria dirigida por Tim Burton eu fiquei MUITO desanimada… Sou apaixonada pelo personagem desde que comprei a Byul Dumbo, um dos xodós entre minhas bonecas, faço até coleção de objetos dele, mas o HORROR de Alice No País das Maravilhas do mesmo diretor (cuja continuação nem assisti) causou o sentimento que ele tava vindo aí pra estragar mais um clássico. Meses atrás, porém, quando saiu o primeiro trailer, percebi que ia pagar língua com muito orgulho e amor, porque só pela prévia os olhos brilhavam de encantamento e lágrimas… Bom, aqui estou, admitindo meu erro e dando os parabéns porque o longa ficou, de fato, lindo, e dessa vez não só visualmente.

O enredo começa quando Holt Farrier volta da guerra para o Circo dos Irmãos Medici, onde vive sua família e ele trabalhava antes de ser convocado. Com a decadência do circo, em decorrência da falta de interesse do público, sua atração com cavalos não existe mais e ele passa a ser responsável pelos elefantes, entre eles a Sra. Jumbo, recém comprada, que está prestes a ter um filhote. Após o nascimento de Dumbo as crianças Farrier percebem que sua anomalia o torna capaz de voar, tornando-o a principal atração do circo. O objetivo? Trazer de volta sua mãe, que foi levada dali após se enfurecer com o uso de seu bebê. Esse destaque, porém, consegue alcançar muito mais que os olhares do público, levantando o interesse do sr. Vandemere, um “mestre” da diversão…

Dumbo
Dumbo: imagem via CTV News

Enquanto a animação foca no desenvolvimento do personagem título, em busca do estrelato para que possa se reunir com a sra. Jumbo, o live action divide esse plot com a busca dos Farrier em retomar sua vida em família após a ida do pai à guerra e a morte da mãe. Vários dos humanos carregam papéis importantes, não só eles, e o Dumbo acabou ficando quase secundário, mas ainda assim sendo o ponto chave de todos os acontecimentos. Essas mudanças no roteiro são não só positivas, mas também necessárias. Um dos maiores problemas de A Bela e a Fera, por exemplo, foi a fidelidade extrema ao desenho, que deixou o ritmo lento por falta de ações para preencher a diferença significativa da duração de um pra outro. Dumbo não peca nesse quesito: diversas mensagens contra o abuso de animais no entretenimento, empoderamento feminino e, claro, importância da família (seja consanguíneo ou não), torna uma fantasia em algo quase crível, e consegue homenagear seu antecessor com louvor ainda assim.

Ícones como a cegonha, o trem Casey Jr e, o mais importante deles, o rato Timóteo, estão presentes de forma adaptada. Também temos a presença de cenas clássicas, como o número em que Dumbo se apresenta como o “bombeiro” no circo e a mais memorável de todas, as enormes “bolas de sabão” em forma de elefante que dançam para o personagem, que traumatizaram várias crianças ao longo dos anos e apareceram ali, quando a gente menos esperava, e fizeram justiça total ao original. E tá pra nascer crianção mais FOFA no ramo da computação gráfica do que esse elefantinho! Dá vontade de levar pra casa, dar carinho, proteger de todos os abusos do mundo! O olhar dele é encantador, e jeitinho idem. É uma criaturinha que contrasta com o tom sóbrio característico do Tim Burton, e ao mesmo texto o complementa, como se tudo ai fosse criado em torno dele mas também já funcionasse independente de sua existência.

A fotografia é MARAVILHOSA, junto à trilha sonora extremamente sentimental com destaque para o clássico “Baby Mine”, a canção de ninar que faz suspirar (e chorar!) até os corações mais durões. Os outros personagens também são fantásticos… Michael Keaton está de volta ao universo Burton de forma que, mesmo que o visual seja completamente diferente, me soou como uma sátira crítica ao próprio Walt Disney. Já a pequena Nico Parker, no papel de Millie Farrier, ainda não “chegou lá” no quesito atuação, mas ainda assim nos dá aquele exemplo clássico da importância da representatividade ao interpreta ruma garotinha que quer ser cientista. Existe um momento em que ela “interage” com uma de suas inspirações que é uma das cenas mais simples, e ainda assim importantes de todas. Tem a possibilidade de agradar os fãs que forem dispostos a ver uma adaptação, e não cópia, e também àqueles que estão entrando pro “fã clube” do personagem agora, e melhor: com um final ainda mais bonito que o anterior!

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Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível

Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível

Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin) *****
Elenco: Ewan McGregor, Hayley Atwell, Bronte Carmichael, Mark Gatiss, Jim Cummings, Nick Mohammed, Brad Garrett, Peter Capaldi, Sophie Okonedo, Toby Jones
Direção: Marc Forster
Gênero: Fantasia
Duração: 103 min
Ano: 2018
Classificação: Livre
Sinopse: “Christopher Robin já não é mais aquele jovem garoto que adorava embarcar em aventuras ao lado de Ursinho Pooh e outros adoráveis animais no Bosque dos 100 Acres. Agora um homem de negócios, ele cresceu e perdeu o rumo de sua vida, mas seus amigos de infância decidem embarcar no mundo real para ajudá-lo a se lembrar que aquele amável e divertido menino ainda existe em algum lugar.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Durante sua infância, Christopher Robin passou vários momentos divertidos ao lado dos seus amigos no Bosque dos Cem Acres, mas com sua partida para o colégio interno teve que se despedir dessas tardes de aventuras. Os anos se passam e, já adulto, ele segue com o tradicional ciclo da vida com o qual todos estavam acostumados: casamento, alguns anos servindo na guerra e a prerrogativa de passar o resto dos seus dias dentro de um escritório se dedicando ao trabalho. E quando sua família vai passar um fim de semana na casa de campo, enquanto ele fica preso em Londres trabalhando, acaba recebendo a visita inesperada de um velho amigo no qual sequer acreditava mais: o Ursinho Pooh.

Pooh saiu em busca de ajuda para encontrar todos os seus amigos, que sumiram misteriosamente num suposto ataque de Efalante. Depois de enfim reunir Tigrão, Leitão, Ió, Coelho, Corujão, Can e Guru e sentir uma dose do que era a magia de estar ao lado deles, Christopher precisa voltar ao “mundo real” e apresentar as propostas de trabalho requisitadas por seu chefe, mesmo que para isso tenha que decepcionar novamente as pessoas com quem mais se importa. É hora, então, dos animais do Bosque partirem em sua própria “expodição” para salvá-lo de vez.

Leia também: Cinderela, resenha do live action baseado em um dos maiores clássicos Disney.

Num filme lúdico de enredo extremamente simples, a Disney resgatou um grupo de personagens já aclamado por várias gerações para protagonizar essa história inédita, e não economizou na emoção ao fazer isso! Ewan McGregor, após estar BRILHANTE no papel de Lumiere na versão live action de A Bela e a Fera, é Christopher Robin adulto, um homem que segue sua vida de forma tão cinza quanto a Londres pós 1ª Guerra onde vive com a esposa, Evelyn, e Madaline, filha do casal. Em meio à crise familiar e profissional, a chegada de Pooh o faz lembrar de como as coisas podem ser coloridas mesmo sem deixar as responsabilidades de lado, já que ele tem como tarefa cortar gastos do departamento onde trabalha sem precisar demitir os colegas.

Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível
Imagem via Flickering Myth

A versão “bicho de pelúcia” dos personagens do Bosque ficou MUITO BONITINHA! Eles têm aspecto surrado, até um pouco arcaico, e ainda assim são reconhecíveis se comparados aos originais animados, bem como as personalidades características, principalmente o “quarteto” principal formado por Pooh, Tigrão, Leitão e Ió. É muito louco porque depois do estudo realizado pela CMJA, que relacionada cada um deles a um transtorno mental, fica impossível dissociá-los disso e perceber o quanto faz sentido (me identifico cada vez mais com meu eterno favorito, Leitão, e sua ansiedade)… Um pouco triste, claro, mas ao mesmo tempo divertido, causando cenas de humor melancólico e MUITA REFLEXÃO quando as “frases de efeito” tão presentes no livro de A. A. Milne surgem justamente nesses momentos, de forma despretensiosa e sempre impactante.

Pooh: “Que dia é hoje?”
Christopher Robin: “Hoje!”
Pooh: “Meu dia favorito!”

O começo do filme, confesso, é um pouco lento, mas à medida que trama se desenvolve você se acostuma com esse ritmo e percebe que faz parte da atmosfera da história. A fotografia, por sua vez, é maravilhosa, são tons soturnos sem deixar nenhum aspecto sombrio ou mesmo muito deprimente. É divertido para crianças, tocante para adultos e vice e versa, entretenimento para todas as idades. A mensagem principal, de não levar as coisas tão a sério e curtir a vida, é passada com delicadeza, pois até o final soluciona os problemas sem atitudes extremas – e dá um tapa na cara do momento atual de crises trabalhistas vividas aqui nas terras tupiniquins. Vale pena inclusive assistir os créditos finais, que contém uma das músicas dos desenhos animados tematizando “cenas extras” dos personagens secundários. Lindo, lindo, lindo de fazer o cinema todo literalmente aplaudir no final (sério!), Disney acertou em cheio nessa!

Trailer:

Mentes Sombrias: 16 de agosto nos cinemas!

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