Antologia Beijo

Aparelho Kindle ligado na capa do livro Beijo, de vários autores. A capa é toda branca, com o sombreado de duas bocas se beijando e o título em letra refinada em cima. Acima está o nome da organizadora e abaixo a logo da editora. A foto também contém um batom vermelho de embalagem branca à direita e um copo deitado com balas de gelatina compridas também vermelhas dentro. O fundo é composto de papéis de três texturas diferentes: vermelha com corações brancos, listrado de preto e branco e branco com bolinhas pretas e marcas de bocas vermelhas.

Beijo (Antologia) *****
Capa do livro Beijo, de vários autores. A capa é toda branca, com o sombreado de duas bocas se beijando e o título em letra refinada em cima. Acima está o nome da organizadora e abaixo a logo da editora. Organização: Marianna Roman | Autores: Dielson Luz, Felipe Sanches, Kaline Bogard, Luly Lage, Nina Guerra, N S Fittz e Vanessa Oliveira.
Gênero: Romance, Crônica, Poesia
Ano: 2021
Número de páginas: 105p.
Editora: Grupo Editorial Quimera
Sinopse: “BEIJO
Beijo soprado
Beijo molhado
Beijo roubado
Beijo apaixonado

Beijo com medo
Beijo bem cedo
Beijo em segredo
Beijo de arremedo

Beijo comprido
Beijo bandido
Beijo fingido
Beijo escondido

Beijo de engodo
Beijo com remodo
Beijo que explodo
Beijo num todo

Beijo de veludo
Beijo sortudo
Beijo com conteúdo
Beijo… Sobretudo!”
(fonte)

Comentários: De 1781 a 2020, entre casais hétero e homo afetivos, nas suas relações que duram anos e as que nem sabemos quanto tempo vão durar, vividas por personagens com nomes repetidos e sem nome nenhum, que têm seus momentos contadas por meio de crônicas e poemas… A Antologia Beijo foi um dos lançamentos de Dia dos Namorados do Grupo Editorial Quimera, a primeira do selo exclusivamente digital nelas. Com organização de Marianna Roman e textos não só seus, mas também de outros sete escritores, esse livro fala da manifestação de carinho mais gostosa que existe no mundo, ele, o beijo! Alguns bastante planejados, outros quase inesperados, de amor e paixão e desejo e até curiosidade. Beijos pedidos, roubados e que acontecem tão naturalmente que nem dá pra saber de quem partiu primeiro. Muitos beijos e beijos bons!

“Uma suave inclinada para frente e lá estava o precioso e inacreditável beijo cinematográfico. Ou ao menos foi assim que pareceu tanto na mente dos dois, quanto da ansiosa plateia.”

Aparelho Kindle ligado na capa do livro Beijo, de vários autores. A capa é toda branca, com o sombreado de duas bocas se beijando e o título em letra refinada em cima. Acima está o nome da organizadora e abaixo a logo da editora. A foto também contém um batom vermelho de embalagem branca abaixo e um copo deitado com balas de gelatina compridas também vermelhas dentro à direita. O fundo é composto de papéis de três texturas diferentes: vermelha com corações brancos, listrado de preto e branco e branco com bolinhas pretas e marcas de bocas vermelhas.
Capa

As histórias são todas diferentes, vindas desde adolescentes descobrindo o que estão fazendo até monstros que se sentem amaldiçoados por ser quem são, se passando em diferentes épocas e lugares, mostrando o ponto de vista de pessoas também heterogêneas que se propuseram a celebrar o amor. De verdade, não consigo escolher minha favorita entre elas. O sorriso de expectativa pelo que estava para acontecer ficou no meu rosto quase o tempo todo enquanto a leitura rolava e quando acabou, ao abrir a página final de agradecimento, levei um susto, fluiu tão bem que dava pra continuar lendo muitas outras. E sabe o mais louco dessa história? Eu nem saberia que esse livro LINDO existe se não tivesse trombado com o edital de envio de textos dele e decidido participar! Conheci outros trabalhos que tinham o mesmo ponto de partida, mas que seguiram para estações diferentes, igualmente envolventes.

Os dois caíram na gargalhada, e estavam a soluçar de tanto rir. Sentados lado a lado na cama quando (…) estufou o peito como quem busca coragem para algo muito importante e o beijou.

O trabalho gráfico da editora está belíssimo, seria injusto falar do e-book sem menciona-lo. Eu nunca tinha visto uma antologia digital autografada e tiveram até esse cuidado, digitalizando as assinaturas e colocando numa página dedicada a isso. É tão especial, né, saber que foi pensado com tanto carinho quanto o que está presente nas narrativas, é como se fosse um beijinho deles em quem lê. Também existem páginas de respiro cheias de marcas de beijos vermelhos (a louca do batom vermelho pira com isso!) e, em cada história, um código do Spotify para acessar sua trilha sonora, que contribui pro clima que elas propõe. O livro em si tem uma playlist geral de músicas beijoqueiras, pra quem quer continuar na vibe mesmo depois de acabar – ou até apertar o play na hora que for fazer como as personagens e beijar bastante, por que não? Hahahaha!

Aparelho Kindle ligado na página de autógrafos do livro, que conta com assinatura dos autores das oito crônicas poesias da publicação.. O aparelho está inserido no mesmo cenário das outras fotos.
Página com autógrafo de todos os autores.

Falando agora como autora, e não leitora, preciso enaltecer minha “Maresia”, que saiu de supetão e carrega um monte de lembranças boas na sua criação. Quando vi o edital ela veio direto na minha cabeça, pronta, tão fácil que parecia até errado, mas era sinal de que tava tudo certo. Ela é mais ou menos baseada em fatos reais, não vou mentir, mas ainda assim grande parte do enredo é composto de ficção. Quando já tinha começado, quase acabando, decidi que queria deixar a coisa mais aberta do que estava: mantive o gênero da narradora explícito, mas dei um jeito de, em momento algum, deixar claro o da pessoa com quem ela se relaciona. Sendo assim os beijos dos quais me referi podem ter sido com quem os leitores quiserem, na cidade litorânea que desejarem, enquanto eu, daqui, sei exatamente com quem e onde foram – ou quase…

“Meus braços agarraram seu corpo com força e o movimento foi recíproco, senti uma mão entrelaçada nos meus cabelos enquanto as minhas buscavam segurar seu pescoço, encontrando encaixes cada vez melhores onde parecia não ter como melhorar.”

Aparelho Kindle ligado na página 57 do livro, primeira da crônica Maresia, de Luly Lage. Abaixo do título e do nome da autora há um código para ouvir a música tema no aplicativo Spotify e, em seguida, a história começa. O aparelho está inserido no mesmo cenário das outras fotos.
Primeiro página da minha crônica.

Para conhecer o trabalho do Grupo Editorial Quimera vocês podem acessar o site da editora, Instagram, Twitter e Facebook. O e-book pode ser comprado diretamente na loja deles, com instruções de como enviar para o Kindle na página do produto. Se quiser conhecer sobre o trabalho de cada autor individualmente, é só segui-los também nos perfis @mariannaromanoficial), @autor_dielson.luz), @felipe.sanches.397, @kalinebogard, @lulylage, @ninaguerraa e @nsfittz.

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o décimo terceiro, referente a 2016, o ano de onde veio minha inspiração para “Maresia”.

Antologia Beijo | Dia 13 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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De Volta aos Quinze – Bruna Vieira

Livro De Volta aos Quinze, da autora Bruna Vieira, com a capa voltada para cima, com um desenho de uma mulher sentada num banco escuro, de costas para o espectador com os cabelos ruivos esvoaçantes. Ela parece estar em uma praça arborizada, e a ilustração tem tons leves. Acima, o nome da autora seguido do título. O livro está sobre uma coberta de cor escura, próxima à cor usada no título, e ao seu lado há um balde de pipocas doces coloridas, derramadas levemente sobre a capa.

De Volta aos Quinze (Meu Primeiro Blog # 1) *****
Capa do livro De Volta aos Quinze, da autora Bruna Vieira, com um desenho de uma mulher sentada num banco escuro, de costas para o espectador, os cabelos ruivos esvoaçantes. Ela parece estar em uma praça arborizada, e a ilustração tem tons leves. Acima, o nome da autora seguido do título. Autor: Bruna Vieira
Gênero: Juvenil, Romance
Ano: 2013
Número de páginas: 224p.
Editora: Editora Gutenberg
ISBN: 9788582350799
Sinopse: “O que você faria se pudesse voltar no tempo? Será que, ao fazer escolhas diferentes, você conseguiria mudar sua vida para melhor?
Anita tem 30 anos, e sua vida é muito diferente do que ela sonhou para si. Um dia, ao reencontrar seu primeiro blog, escrito quando tinha 15 anos, algo inusitado acontece, e tudo ao seu redor se transforma de repente. Com cabeça de adulto e corpo de adolescente, ela se vê novamente vivendo as aventuras de uma das épocas mais intensas da vida de qualquer pessoa: o ensino médio. Ao procurar modificar acontecimentos, ela começa a perceber que as consequências de suas atitudes nem sempre são como ela imagina, o que pode ser bem complicado. Em meio a amores impossíveis, amizades desfeitas e atritos familiares, Anita tentará escrever seu próprio final feliz em uma página misteriosa na internet.”
(fonte)

Comentários: Em outubro de 2013, fui ao lançamento de De Volta aos Quinze, primeiro romance da blogueira Bruna Vieira, para conhecer a autora, participar de um bate papo com ela e, claro, pegar o autógrafo. Esse livro foi o presente de natal que uma amiga me deu naquele ano, e assim que me entregou oficialmente dois meses depois do evento tentei ler pela primeira vez, mas não consegui. Achei que as coisas que estavam me incomodando eram implicância da minha parte, então deixei de lado pra terminar depois. Agora, muitos anos depois, resolvi recomeçar como parte do Desafio Zera Estante que eu e outra amiga, a Nana, criamos juntas ano passado, já que uma das propostas era ler algo escrito por uma mulher. A conclusão final é que a Luly de 23 anos, mesmo tão mais nova que a de hoje, já tinha razão.

“Quando você escolhe seu futuro, o presente inevitavelmente vira o passado. Boa escolha.”

De Volta aos Quinze conta a história da Anita, uma mulher de 30 anos que tem a vida muito distante do que imaginou pra si mesma: seu emprego a deixa cada dia mais desmotivada, a vida amorosa é inexistente, não tem uma relação lá muito boa com a família e nem se sente satisfeita com a própria aparência. A única coisa que realmente deu certo pra ela foi o fato de que mora na cidade dos seus sonhos, São Paulo, depois de sair do interior de Minas, onde nasceu e cresceu. Em meio a uma grande confusão no casamento da sua irmã, onde todos acham que ela enlouqueceu de vez e só seu melhor amigo, Henrique, fica do seu lado, ela recebe por e-mail o link do primeiro blog que teve quando adolescente e se vê magicamente transportada para aquela época, uma enorme surpresa.

Balde de pipocas doces doloridas à esquerda, ao lado do livro De Volta aos Quinze fechado com a capa frontal virada para cima. Em baixo, parcialmente sobre o livro, há um fona de ouvido no modelo headphone rosa, e todos os elementos estão sobre uma coberta propositalmente levemente bagunçada rosa também.

Numa vibe meio “De Repente 30” ao contrário, esse livro tem uma premissa interessante juntando o mundo dos blogs, no qual a Bruna está inserida desde nova, com a viagem no tempo, tendo como diferencial o fato de que a protagonista vai e volta mais de uma vez, então sua jornada pelo passado é dividida em partes, cada uma com sua consequência no futuro/presente. A execução, porém, não deu certo. Sei que a ideia era fazer dessa história um reflexo da dela, com a ida do interior para a capital, gatinha preta de companhia, itens favoritos da personagem e outros detalhes que não posso falar, mas não foi escrita na época mais adequada da sua vida. Ela tinha 19 anos quando o livro foi lançado e tentou criar uma mulher muito mais velha, que acabou tendo essa mentalidade quase adolescente e, com isso, se tornou uma completa idiota!

“Acho que quando duas pessoas se relacionam por tanto tempo, uma acaba deixando muito de si na outra, principalmente quando elas estão apaixonadas. O amor é a único coisa que consegue atingir nossa alma plenamente.”

Sério, em vários momentos me incomodei com defeitos da Anita, como egoísmo, falta de personalidade definida, ideal de “vida boa” fora da realidade, obsessão repentina por algo que ela nem percebia até então e total inconsequência em relação aos seus atos, mas percebi que tudo isso pode ser resumido na imaturidade. Ela não é uma mulher de 30 fracassada por não ter conquistado o que queria, cá entre nós isso é extremamente comum e estou nesse contexto de vida, mas porque tem mentalidade 20, e olhe lá! Eu ficaria até pé atrás em resenhar esse livro, acho meio chato falar mal assim, mas como ouvi a própria autora se criticando num podcast meses atrás, acho que posso me dar ao direito de concordar. Fica difícil engolir e até persistir na história, senti isso na primeira tentativa e dez vezes mais nessa segunda.

Livro De Volta Aos Quinze aberto na folha de rosto, onde está impresso seu título. Abaixo, à mão, há uma dedicatória com autógrafo da autora que diz 'Para Luly com amor e carinho de Bruna Vieira'. Existem alguma pipocas coloridas jgadas sobre essa página, com o balde cheio delas ao lado aparecendo parcialmente no topo da foto, e os headphones cor de rosa também estão ali, sobre a folha e a capa aberta do livro.

Foi engraçado, em dado momento ela diz que Personagem X é maduro “até demais”, sendo que ela que é o contrário, sabe? Até ri nessa parte. Além disso achei algumas contradições pontuais, como uma caixa que era considerada leve e na página seguinte é descrita como pesada, coisas que numa publicação independente sempre deixo passar, mas em livros como esse, publicados por editora grande, não acho aceitável. A leitura, porém, é bem fluída, ótima para o público adolescente para o qual é destinada, e o final em aberto causa uma vontade ENORME de ler a continuação, apesar dos pontos negativos. Estou doida pra sair a série adaptada nele na Netflix, além de ser uma produção nacional com elenco de peso sinto que tem potencial para “corrigir” essas questões, muito justificadas pelo contexto em que foi publicado, e dar a essa história o potencial que tem de entretenimento gostoso.

“Quando você descobre que alguém te ama, tudo o que essa pessoa faz parece ser para chamar sua atenção. Quando você descobre que alguém te amou, tudo o que você faz é para chamar a atenção dessa pessoa.”

Tirando esse romance em específico, que considero ter sido lançado numa fase ainda crua da autora, costumo gostar bastante da escrita da Bruna Vieira. Hoje ela tem 27 anos e 10 livros publicados, entre coletâneas, quadrinhos e mais um romance, o segundo da série Meu Primeiro Blog (o terceiro, que fecha a trilogia, ainda não saiu). Ela explodiu na internet com o blog Depois dos Quinze, que criou para desabafar sobre uma desilusão amorosa, e ainda faz bastante sucesso não parando por aí, postando seu conteúdo não só no blog e nas plataformas de mídias sociais dele, como Instagram, Twitter, podcast e canal no YouTube, mas também no Instagram e Twitter pessoais. Além disso, participa do podcast Perdidas no Recreio, em parceria com Nath Araújo e Giovanna Grigio, já foi colunista da Revista Capricho e segue pela internet, contando histórias enquanto escreve a dela, nas palavras da própria!

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o décimo, referente a 2013. O livro foi a minha escolha para o mês de Outubro no Desafio Zera Estante 2020.

De Volta aos Quinze | Dia 10 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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Inferno Astral – Vitor diCastro

Inferno Astral: foto do livro sobre papéis de cores variadas de estampas diferentes (estrelas, corações e listras). Embaixo dele, ainda sobre o papel, há um conjunto de flags para marcar livros de várias cores e um ímã de geladeira com uma ilustração remetente ao signo de Câncer, onda a menina tem as pontas das tranças em forma de pinças de caranguejo e qualidades do signo escritas ao seu redor.

Inferno Astral – Os signos estão de deboche comigo! *****
Inferno Astral: capa do livro que tem a bandeira do orgulho LGBTQIA+ no topo com o nome do autor, um círculo no centro com o título, o símbolo dos 12 signos e uma ilustração do casal protagonista, e chamas em baixo com os três animais de estimação dos mesmos acima da logo da editora. Autor: Vitor diCastro
Gênero: Romance
Ano: 2020
Número de páginas: 224p.
Editora: Outro Planeta
ISBN: 9786555351576
Sinopse: “Lucas é ariano. Bom, isso já diz muita coisa, né? Mas vamos lá, um pouco mais de informação. Lucas é apresentador de um programa de TV de muito sucesso. Nele, recebe convidados e adora falar de assuntos polêmicos. O público enlouquece quando ele começa a debochar dos entrevistados (que nem sempre ficam muito felizes com isso…). Em um dos programas, Lucas resolve debochar de uma astróloga, Dandara. Acontece que ela não é uma astróloga comum e, como punição, joga uma maldição no apresentador: pelos próximos doze dias, daquele até o dia do aniversário de Lucas, ele despertará com as piores características de cada um dos signos. Se não conseguir se tornar uma pessoa empática até lá, o ciclo da maldição se repetirá para sempre. Como se não bastasse, Lucas é um cara superconsumista e agora tem uma dívida milionária pra pagar a um agiota misterioso. O prazo máximo para o pagamento, adivinhem: dali a doze dias.” (fonte)

Comentários: Lucas é uma pessoa absolutamente intragável. Apresentador do programa de televisão Dazonze, ele trata seus convidados diários de maneira pior ainda que as pessoas próximas com quem convive diariamente, se é que isso é possível, e sequer coloca culpa no seu temido signo, Áries, uma vez que não acredita “nessa coisa” de signos. Durante seu inferno astral, faltando 12 dias para completar 30 anos e com um agiota anônimo na sua cola o ameaçando caso não pague sua dívida milionária após um empréstimo muito mal planejado, ele recebe a astróloga Dandara para uma entrevista, lidando com ela com o deboche e descaso de sempre. Ela, porém, não deixa a situação por isso mesmo e, com um peteleco em seu piercing no nariz, o amaldiçoa a passar os próximos dias sentindo na pele os 12 signos do zodíaco, como uma punição por sua extrema falta de empatia.

Inferno Astral: foto do livro sobre papéis de cores variadas de estampas diferentes (estrelas, corações e listras). Embaixo dele, ainda sobre o papel, há um conjunto de flags para marcar livros de várias cores e um ímã de geladeira com uma ilustração remetente ao signo de Câncer, onda a menina tem as pontas das tranças em forma de pinças de caranguejo e qualidades do signo escritas ao seu redor.

“Só queria te dizer que, se vocês não acreditam em signos, é melhor fechar esse livro agora mesmo. Eu não acreditava também, até que tive que viver na pele cada um dos doze signos, aí vi que eles são bem reais.”

Inferno Astral é o primeiro livro do YouTuber Vitor diCastro, do canal Deboche Astral que conta, hoje, com mais de um 1,5 milhões de inscritos, além de outros trabalhos para veículos na internet e canais de televisão. Eu gosto bastante do conteúdo dele porque sinto que é um jeito divertido de rir de si mesmo, sempre me identifico, mas não considero a maioria dos vídeos como sendo sobre ASTROLOGIA, que é uma forma de crença e autoconhecimento, e sim sobre SIGNOS, lidando os com estereótipos de cada um. São coisas diferentes, e tudo bem! O livro tem essa mesma vibe, você escuta a voz dele o tempo todo enquanto lê como se estivesse assistindo, a história é interessante para quem gosta do assunto ou não, mas teve execução realmente falha…Se fosse uma publicação independente eu poderia relevar, mas tendo uma equipe de edição por trás é impossível desconsiderar.

Inferno Astral: livro aberto na capa do capítulo 6, do Signo de Câncer, onde as páginas são pretas e a impressão branca, com a constelação do signo em baixo do título. Ao fundo, papéis coloridos e estampas variadas e, na frente, um ímã de geladeira do signo com uma ilustração de menina e características positivas do mesmo escritas ao seu redor.

Como pontos positivos temos a história, um jeito criativo de falar dos estereótipos de cada signo, com momentos engraçados e sem essa coisa de “signo bom ou ruim”. Fiquei meio pé atrás porque o autor é muito abertamente averso aos signos de Capricórnio e Aquário (que, coincidentemente, são meu Ascendente e Lua!), mas essa antipatia não está na narrativa, muito pelo contrário, os únicos momentos da história em que consegui gostar do Lucas foi quando estava “encarnado” neles. Ele em si é muito mala, mesmo, mas não considero isso um defeito porque é o objetivo: vê-lo melhorar pelo menos um pouquinho, com uma carga de defeitos que faz com que a gente ame odiá-lo. Além disso, traz muita representatividade em praticamente todas as personagens de maneira super natural, levantando questões pessoais de fazer parte de uma minoria mas sem tornar aquilo a única característica das pessoas em questão.

“Isso de se colocar no lugar do outro me fez pensar que eu passei tempo demais querendo ser o centro de tudo, sabe? Talvez agora eu queira focar em coisas mais importantes que ter roupas de marca e festas de arromba, entende?”

A linguagem é leve, claramente voltada para o público jovem LGBTQIA+, o que é incrível, mas na maior parte do tempo pesa tanto nesse uso de memes que fica cansativo, deixa de ser nossa forma natural de usa-los e se transforma num tsunami, a todo momento, às vezes mais de um na mesma sentença… Perdeu a graça rapidinho, passei vários capítulos sem conseguir rir e só melhorou nos que citei acima, justamente por serem signos mais “sérios” onde ficou mais espaçado. A parte do “suspense” também não se sustenta, o vilão misterioso fica bem claro desde a metade da história e o clímax, onde os “mocinhos” vão enfrenta-lo, é bem sem noção e forçado. Além disso, percebi em alguns erros, como uma personagem que está na cena e some, chega mas não consta na lista de quem “vai embora”. Até reli essa parte pra garantir que não me enganei.

Inferno Astral: capa traseira, com foto do autor usando um casaco da bandeira do orgulho LGBTQIA+ em fundo listrado, com pequena sinopse abaixo. Os outros elementos decorativos e fundo das fotos anteriores se repetem ao redor do livro.

Mas o pior de tudo pra mim, de verdade, foi o fato de que o ANIVERSÁRIO DO PROTAGONISTA NÃO É DENTRO DO SOL EM ÁRIES! O signo dele está errado! Cheguei a fazer uma simulação de mapa astral de dezessete de março levando em consideração alguns anos diferentes ao redor de 1990, trinta anos antes do livro ser publicado, usando o meio dia como horário de referência, mas realmente, em todos o Sol consta em Peixes. Não entendo como isso foi possível em um livro sobre o assunto, sinceramente. O projeto gráfico é todo belíssimo, a é capa alegre e divertida como uma comédia pede, o início de cada capítulo tem pegada mística com as constelações e fundo preto, além dos símbolos de cada signo nos intervalos da narrativa, que adoro, mas não sei se compensa os tropeços…

Vitor diCastro tem 31 anos e mora em São Paulo/SP. Se tornou popular na internet principalmente ao abordar temas relacionados a homofobia nos perfis do Quebrando o Tabu, onde enfim se mostra confortável com sua sexualidade após ter passado até por sessões na psicóloga na infância em uma tentativa de ser “mais menino”. Ele pode ser encontrado não só no canal e perfil do Instagram do Deboche Astral, mas também seus perfis pessoais @vitordicastro no Instagram e Twitter. Como um bom representante do Sol em Câncer fica muito claro o uso de inspiração de sua própria vida no núcleo familiar do protagonista de Inferno Astral, o que ajuda bastante a quem o acompanha a ter empatia pelo mesmo até quando está no seu pior (e fez derreter meu coração igualmente canceriano)!

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Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei – Adriel Christian

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto na capa do livro onde se lê o título sobre formas geométricas que formam um envelope através do contraste de tons de cinza. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei *****
Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei: capa do livro, dividida geometricamente nas cores azul, amarelo e branco, de forma que lembre uma carta, onde consta o título, saindo de um envelope, que tem o nome do autor escrito na parte de baixo. Autor: Adriel Christian
Gênero: LGBTQIA+
Ano: 2021
Número de páginas: 41p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08RZ9B484
Sinopse: “Amores: quantos você já teve? Dois, três… Dezenas? Independente da quantidade, cada pessoa que passa por nossa vida deixa marcas. Algumas são bem dolorosas, outras nos trazem sorrisos. Infelizmente, não tenho sorte na hora de escolher por quem me apaixonar. Na verdade, nem escolho! A porta do coração fica aberta para qualquer um entrar (e me machucar). ‘Para todos os crushes que um dia odiei’ é um grito a mim mesmo de que, apesar da decepção, há males que vêm para o bem.” (fonte)

Comentários: Todo mundo já se apaixonou um dia, né? Seja aquele amorzinho platônico que vai ser sempre saudade gostosa, amorzão avassalador que vem com saudade doída ou mesmo amores que não dão saudade nenhuma, o fim da paixão é um desafio generalizado. Nesse Livro, Adriel Christian fala sobre cada um dos seus “crushes” que um dia amou e depois odiou, mas aprendeu a superar, um por um, à medida que os anos foram passando. São 8 cartas destinadas a 8 caras diferentes, além de uma que é quase para ele mesmo, onde fala sobre o que aprendeu na montanha russa de emoções de viveu entre 2012 e 2019.

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto na capa do livro onde se lê o título sobre formas geométricas que formam um envelope através do contraste de tons de cinza. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

“O amor não pede licença para entrar, não bate os pés no tapete da porta, tampouco pergunta se tem alguém em casa. Ele só aparece e dane-se a gente.”

Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei passa por todas as fases possíveis do pós-romance, como tristeza, amargura, raiva, revolta, acusação, reflexão, alívio, aceitação. Ele conta como os conheceu, se envolveu, percebeu que estava apaixonado, acabou se afundando em ilusões até, enfim, se ver livre de cada um deles. É, como ele mesmo diz, um grito para provar a si mesmo que tudo aquilo é passado, que ele consegue pesar quem teve sua parcela de culpa no presente e, por que não(?), que existe um longo futuro pela frente. Se ele vai ser promissor só dá pra saber vivendo, mas uma coisa é sempre líquida e certa: todo romance chega ao fim! Em vida ou não, experiências e sensações uma hora acabam, e não é justo com nós mesmos não aceitar essa realidade e nos sentir fracassados quando acontece, porque não somos.

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto em página do livro onde se lê o título 'Ah, o amor' e uma introdução do autor sobre a proposta do mesmo. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

“Ninguém entrou na minha vida de forma obrigada. Todos tiveram espaço para entrar, sentar no sofá e desfrutar dos meus sentimentos e fragilidades.”

É muito revigorante ver como seu “tom de voz” muda à medida que as histórias avançam, permitindo a si mesmo abrir mão da parcela de sentimentos que o fizeram mal. Além disso o livro tem, no início de cada capítulo-carta, uma indicação do que ouvir, te permitindo embarcar ainda mais no interior do autor ao ouvir as músicas que ele relaciona aos crushes não mais odiados. Cá entre nós, livro com trilha sonora é sempre bom demais, né? Essa é cheia de pops e da sensação de que não tem desilusão amorosa que não seja curada por uma boa dose de tempo (e, vamos ser sinceras aqui, novas doses de amor)!

Leia também: o que eu penso antes de dormir – Augusto Alvarenga, resenha do livro mais recente do autor Augusto Alvarenga.

Adriel Christian mora em Araguaína, no Tocantins, trabalha com mídias sociais e tem três contos publicados de forma Independente na Amazon, além de duas participações em antologias, que vocês podem conhecer no Instagram, Twitter e no blog Não me Venha Com Desculpa. Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei está disponível como e-book na loja Kindle da Amazon por R$5,99 e aluguel de graça para usuários Kindle Unlimited. Ele é também autor de um dos depoimentos que contam na quarta capa da versão impressa de “Wish You Were Here: um romance musical”, meu livro, mas isso não tá no currículo, não, só mesmo aqui dentro do coração!

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o que eu penso antes de dormir – Augusto Alvarenga

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolate em frente a aparelho Kindle com a folha de rosto do livro na tela, constituída de várias palavras e rabiscos desconexos. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

o que eu penso antes de dormir *****
o que eu penso antes de dormir: capa do livro, lisa, em tom neutro, com o título ao centro alinhado à esquerda e nome do autor na lateral inferior esquerda. Autor: Augusto Alvarenga
Gênero: Poesia, coletânea, jovem adulto
Ano: 2020
Número de páginas: 81p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08R991FCD
Sinopse: “‘você não pode amar uma porta – use-a para ir embora’. ‘o que eu penso antes de dormir’ é um compilado de textos: poemas, crônicas, frases e pensamentos de um processo de cura e amadurecimento no último ano. retrata a crueza das emoções, das relações e da jornada por dias melhores.” (fonte)

Comentários: Não é fácil ver alguém que a gente gosta doendo… Nessa breve coletânea de poemas e desabafos, Augusto Alvarenga conta o que vem pensando antes de dormir no último ano, conta o que EU penso toda hora nessa cabeça preocupada que martela sem fim, provavelmente conta o que você andou pensando por aí também. Ele fala de começo que lembra fim e fim que lembra recomeço, sincero e sensível e rápido, mas profundo e fundo. Os primeiros versos são sofridos, magoam, te fazem remoer, bate aquela pena, muita tristeza, dor, mesmo. Não, não é fácil ver ninguém doendo e nem lembrar que a gente dói também. Já os últimos versos lembram bem os primeiros, mas com vontade de dar passos pra frente sem esquecer nem por um minuto as marcas que você deixou quando deu os que ficaram para trás. E eu amei!

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando um aparelho Kindle com a capa do livro na tela, lisa, em tom neutro, com o título ao centro alinhado à esquerda e nome do autor na lateral inferior esquerda. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral e caneca contendo bebida achocolatada.

“quem vai ser o próximo e como ele vai me
deixar
em pe
____da
_____ços”

o que eu penso antes de dormir é uma narrativa de não-ficção contínua dividida em poemas, reflexões, mini contos e pensamentos jogados, às vezes em versos tradicionais, outras em diagramação personalizada para passar sua mensagem pessoal e muito íntima. Nele o autor conversa com alguém, um alguém específico claramente, mas sem ignorar a presença de quem lê, deixando que a gente entre no que não é da nossa conta pra tornar parte da nossa vida. A leitura é MUITO rápida, mesmo, você finaliza em questão de 10 minutos, contados pelo próprio Kindle, mas que demora muito mais do isso para ser digerida, pensada, sentida. Ele usa as palavras lindamente, mostrando cada vez mais o amadurecimento da sua escrita em todos os sentidos, principalmente no que diz respeito à temática e estrutura. Apesar de curto, ele entrega um livrão.

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolatada atrás de um aparelho Kindle com uma página do livro na tela, o primeiro verso do poema está em destaque, marcado pela leitora no próprio aparelho. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

“eu quero estar presente.
e quero ser marcado.
quero saber das lembranças como elas aconteceram
não quando você as inventa até elas só serem histórias,
sabe?”

Por fim, é impossível falar dos livros do Guto (vou abandonar as formalidade aqui) sem falar do visual e diagramação impecáveis, principalmente se tratando de uma publicação independente. Ele tem uma equipe por trás que faz um trabalho TÃO primoroso que você estende o tempo de leitura parando para admirar. Páginas inteiras em que o visual complementa uma simples frase, transformando poucas palavras em arte, ilustrações jogadinhas aqui e ali, até o perfil de autor do final é delicado, simples demais, e ainda assim você sente a preocupação em deixar condinzente com o resto. É óbvio que o livro não é feito SÓ disso, mas no caso dele as duas coisas se complementam com tanta força que deixar de apontar uma delas desvaloriza sua existência. Lindo, de ler e de ver.

o que eu penso antes de dormir: mão de pele clara segurando uma caneca contendo bebida achocolatada atrás de um aparelho Kindle com uma página do livro na tela, contendo o código Spotify da playlist do mesmo. O e-book está apoiado em pernas cruzadas, usando calça de estampa geométrica, e ao fundo um tecido de tema floral.

Leia também: fica por aqui: Uma história de Vento Ventania, resenha do livro publicado pelo Augusto como e-book e em versão física como parte da conscientização do Setembro Amarelo.

Augusto Alvarenga é mineiro de João Monlevade, mora em Belo Horizonte, graduado em Cinema e Audiovisual e publicou seu primeiro livro, “Um Amor, Um Café e Nova York”, em 2014. Hoje tem vários volumes publicados, incluindo participações em antologias, que vocês podem conhecer no Instagram @instaguto, Twitter @tuiteguto e perfil de autor Skoob. o que eu penso antes de dormir está disponível como e-book na loja Kindle da Amazon por R$6,00 e aluguel de graça para usuários Kindle Unlimited. A playlist do livro pode ser acessada no Spotify.

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