Inferno Astral – Vitor diCastro

Inferno Astral: foto do livro sobre papéis de cores variadas de estampas diferentes (estrelas, corações e listras). Embaixo dele, ainda sobre o papel, há um conjunto de flags para marcar livros de várias cores e um ímã de geladeira com uma ilustração remetente ao signo de Câncer, onda a menina tem as pontas das tranças em forma de pinças de caranguejo e qualidades do signo escritas ao seu redor.

Inferno Astral – Os signos estão de deboche comigo! *****
Inferno Astral: capa do livro que tem a bandeira do orgulho LGBTQIA+ no topo com o nome do autor, um círculo no centro com o título, o símbolo dos 12 signos e uma ilustração do casal protagonista, e chamas em baixo com os três animais de estimação dos mesmos acima da logo da editora. Autor: Vitor diCastro
Gênero: Romance
Ano: 2020
Número de páginas: 224p.
Editora: Outro Planeta
ISBN: 9786555351576
Sinopse: “Lucas é ariano. Bom, isso já diz muita coisa, né? Mas vamos lá, um pouco mais de informação. Lucas é apresentador de um programa de TV de muito sucesso. Nele, recebe convidados e adora falar de assuntos polêmicos. O público enlouquece quando ele começa a debochar dos entrevistados (que nem sempre ficam muito felizes com isso…). Em um dos programas, Lucas resolve debochar de uma astróloga, Dandara. Acontece que ela não é uma astróloga comum e, como punição, joga uma maldição no apresentador: pelos próximos doze dias, daquele até o dia do aniversário de Lucas, ele despertará com as piores características de cada um dos signos. Se não conseguir se tornar uma pessoa empática até lá, o ciclo da maldição se repetirá para sempre. Como se não bastasse, Lucas é um cara superconsumista e agora tem uma dívida milionária pra pagar a um agiota misterioso. O prazo máximo para o pagamento, adivinhem: dali a doze dias.” (fonte)

Comentários: Lucas é uma pessoa absolutamente intragável. Apresentador do programa de televisão Dazonze, ele trata seus convidados diários de maneira pior ainda que as pessoas próximas com quem convive diariamente, se é que isso é possível, e sequer coloca culpa no seu temido signo, Áries, uma vez que não acredita “nessa coisa” de signos. Durante seu inferno astral, faltando 12 dias para completar 30 anos e com um agiota anônimo na sua cola o ameaçando caso não pague sua dívida milionária após um empréstimo muito mal planejado, ele recebe a astróloga Dandara para uma entrevista, lidando com ela com o deboche e descaso de sempre. Ela, porém, não deixa a situação por isso mesmo e, com um peteleco em seu piercing no nariz, o amaldiçoa a passar os próximos dias sentindo na pele os 12 signos do zodíaco, como uma punição por sua extrema falta de empatia.

Inferno Astral: foto do livro sobre papéis de cores variadas de estampas diferentes (estrelas, corações e listras). Embaixo dele, ainda sobre o papel, há um conjunto de flags para marcar livros de várias cores e um ímã de geladeira com uma ilustração remetente ao signo de Câncer, onda a menina tem as pontas das tranças em forma de pinças de caranguejo e qualidades do signo escritas ao seu redor.

“Só queria te dizer que, se vocês não acreditam em signos, é melhor fechar esse livro agora mesmo. Eu não acreditava também, até que tive que viver na pele cada um dos doze signos, aí vi que eles são bem reais.”

Inferno Astral é o primeiro livro do YouTuber Vitor diCastro, do canal Deboche Astral que conta, hoje, com mais de um 1,5 milhões de inscritos, além de outros trabalhos para veículos na internet e canais de televisão. Eu gosto bastante do conteúdo dele porque sinto que é um jeito divertido de rir de si mesmo, sempre me identifico, mas não considero a maioria dos vídeos como sendo sobre ASTROLOGIA, que é uma forma de crença e autoconhecimento, e sim sobre SIGNOS, lidando os com estereótipos de cada um. São coisas diferentes, e tudo bem! O livro tem essa mesma vibe, você escuta a voz dele o tempo todo enquanto lê como se estivesse assistindo, a história é interessante para quem gosta do assunto ou não, mas teve execução realmente falha…Se fosse uma publicação independente eu poderia relevar, mas tendo uma equipe de edição por trás é impossível desconsiderar.

Inferno Astral: livro aberto na capa do capítulo 6, do Signo de Câncer, onde as páginas são pretas e a impressão branca, com a constelação do signo em baixo do título. Ao fundo, papéis coloridos e estampas variadas e, na frente, um ímã de geladeira do signo com uma ilustração de menina e características positivas do mesmo escritas ao seu redor.

Como pontos positivos temos a história, um jeito criativo de falar dos estereótipos de cada signo, com momentos engraçados e sem essa coisa de “signo bom ou ruim”. Fiquei meio pé atrás porque o autor é muito abertamente averso aos signos de Capricórnio e Aquário (que, coincidentemente, são meu Ascendente e Lua!), mas essa antipatia não está na narrativa, muito pelo contrário, os únicos momentos da história em que consegui gostar do Lucas foi quando estava “encarnado” neles. Ele em si é muito mala, mesmo, mas não considero isso um defeito porque é o objetivo: vê-lo melhorar pelo menos um pouquinho, com uma carga de defeitos que faz com que a gente ame odiá-lo. Além disso, traz muita representatividade em praticamente todas as personagens de maneira super natural, levantando questões pessoais de fazer parte de uma minoria mas sem tornar aquilo a única característica das pessoas em questão.

“Isso de se colocar no lugar do outro me fez pensar que eu passei tempo demais querendo ser o centro de tudo, sabe? Talvez agora eu queira focar em coisas mais importantes que ter roupas de marca e festas de arromba, entende?”

A linguagem é leve, claramente voltada para o público jovem LGBTQIA+, o que é incrível, mas na maior parte do tempo pesa tanto nesse uso de memes que fica cansativo, deixa de ser nossa forma natural de usa-los e se transforma num tsunami, a todo momento, às vezes mais de um na mesma sentença… Perdeu a graça rapidinho, passei vários capítulos sem conseguir rir e só melhorou nos que citei acima, justamente por serem signos mais “sérios” onde ficou mais espaçado. A parte do “suspense” também não se sustenta, o vilão misterioso fica bem claro desde a metade da história e o clímax, onde os “mocinhos” vão enfrenta-lo, é bem sem noção e forçado. Além disso, percebi em alguns erros, como uma personagem que está na cena e some, chega mas não consta na lista de quem “vai embora”. Até reli essa parte pra garantir que não me enganei.

Inferno Astral: capa traseira, com foto do autor usando um casaco da bandeira do orgulho LGBTQIA+ em fundo listrado, com pequena sinopse abaixo. Os outros elementos decorativos e fundo das fotos anteriores se repetem ao redor do livro.

Mas o pior de tudo pra mim, de verdade, foi o fato de que o ANIVERSÁRIO DO PROTAGONISTA NÃO É DENTRO DO SOL EM ÁRIES! O signo dele está errado! Cheguei a fazer uma simulação de mapa astral de dezessete de março levando em consideração alguns anos diferentes ao redor de 1990, trinta anos antes do livro ser publicado, usando o meio dia como horário de referência, mas realmente, em todos o Sol consta em Peixes. Não entendo como isso foi possível em um livro sobre o assunto, sinceramente. O projeto gráfico é todo belíssimo, a é capa alegre e divertida como uma comédia pede, o início de cada capítulo tem pegada mística com as constelações e fundo preto, além dos símbolos de cada signo nos intervalos da narrativa, que adoro, mas não sei se compensa os tropeços…

Vitor diCastro tem 31 anos e mora em São Paulo/SP. Se tornou popular na internet principalmente ao abordar temas relacionados a homofobia nos perfis do Quebrando o Tabu, onde enfim se mostra confortável com sua sexualidade após ter passado até por sessões na psicóloga na infância em uma tentativa de ser “mais menino”. Ele pode ser encontrado não só no canal e perfil do Instagram do Deboche Astral, mas também seus perfis pessoais @vitordicastro no Instagram e Twitter. Como um bom representante do Sol em Câncer fica muito claro o uso de inspiração de sua própria vida no núcleo familiar do protagonista de Inferno Astral, o que ajuda bastante a quem o acompanha a ter empatia pelo mesmo até quando está no seu pior (e fez derreter meu coração igualmente canceriano)!

Continue Reading

Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei – Adriel Christian

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto na capa do livro onde se lê o título sobre formas geométricas que formam um envelope através do contraste de tons de cinza. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei *****
Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei: capa do livro, dividida geometricamente nas cores azul, amarelo e branco, de forma que lembre uma carta, onde consta o título, saindo de um envelope, que tem o nome do autor escrito na parte de baixo. Autor: Adriel Christian
Gênero: LGBTQIA+
Ano: 2021
Número de páginas: 41p.
Editora: Publicação Independente
ISBN: B08RZ9B484
Sinopse: “Amores: quantos você já teve? Dois, três… Dezenas? Independente da quantidade, cada pessoa que passa por nossa vida deixa marcas. Algumas são bem dolorosas, outras nos trazem sorrisos. Infelizmente, não tenho sorte na hora de escolher por quem me apaixonar. Na verdade, nem escolho! A porta do coração fica aberta para qualquer um entrar (e me machucar). ‘Para todos os crushes que um dia odiei’ é um grito a mim mesmo de que, apesar da decepção, há males que vêm para o bem.” (fonte)

Comentários: Todo mundo já se apaixonou um dia, né? Seja aquele amorzinho platônico que vai ser sempre saudade gostosa, amorzão avassalador que vem com saudade doída ou mesmo amores que não dão saudade nenhuma, o fim da paixão é um desafio generalizado. Nesse Livro, Adriel Christian fala sobre cada um dos seus “crushes” que um dia amou e depois odiou, mas aprendeu a superar, um por um, à medida que os anos foram passando. São 8 cartas destinadas a 8 caras diferentes, além de uma que é quase para ele mesmo, onde fala sobre o que aprendeu na montanha russa de emoções de viveu entre 2012 e 2019.

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto na capa do livro onde se lê o título sobre formas geométricas que formam um envelope através do contraste de tons de cinza. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

“O amor não pede licença para entrar, não bate os pés no tapete da porta, tampouco pergunta se tem alguém em casa. Ele só aparece e dane-se a gente.”

Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei passa por todas as fases possíveis do pós-romance, como tristeza, amargura, raiva, revolta, acusação, reflexão, alívio, aceitação. Ele conta como os conheceu, se envolveu, percebeu que estava apaixonado, acabou se afundando em ilusões até, enfim, se ver livre de cada um deles. É, como ele mesmo diz, um grito para provar a si mesmo que tudo aquilo é passado, que ele consegue pesar quem teve sua parcela de culpa no presente e, por que não(?), que existe um longo futuro pela frente. Se ele vai ser promissor só dá pra saber vivendo, mas uma coisa é sempre líquida e certa: todo romance chega ao fim! Em vida ou não, experiências e sensações uma hora acabam, e não é justo com nós mesmos não aceitar essa realidade e nos sentir fracassados quando acontece, porque não somos.

Para Todos os Crushes Que um Dia Odiei: aparelho Kindle ligado aberto em página do livro onde se lê o título 'Ah, o amor' e uma introdução do autor sobre a proposta do mesmo. Atrás, envelopes coloridos, tecidos com estampas de coração e um CD saindo de uma capa floral compõe o fundo da foto.

“Ninguém entrou na minha vida de forma obrigada. Todos tiveram espaço para entrar, sentar no sofá e desfrutar dos meus sentimentos e fragilidades.”

É muito revigorante ver como seu “tom de voz” muda à medida que as histórias avançam, permitindo a si mesmo abrir mão da parcela de sentimentos que o fizeram mal. Além disso o livro tem, no início de cada capítulo-carta, uma indicação do que ouvir, te permitindo embarcar ainda mais no interior do autor ao ouvir as músicas que ele relaciona aos crushes não mais odiados. Cá entre nós, livro com trilha sonora é sempre bom demais, né? Essa é cheia de pops e da sensação de que não tem desilusão amorosa que não seja curada por uma boa dose de tempo (e, vamos ser sinceras aqui, novas doses de amor)!

Leia também: o que eu penso antes de dormir – Augusto Alvarenga, resenha do livro mais recente do autor Augusto Alvarenga.

Adriel Christian mora em Araguaína, no Tocantins, trabalha com mídias sociais e tem três contos publicados de forma Independente na Amazon, além de duas participações em antologias, que vocês podem conhecer no Instagram, Twitter e no blog Não me Venha Com Desculpa. Para Todos os Crushes Que Um Dia Odiei está disponível como e-book na loja Kindle da Amazon por R$5,99 e aluguel de graça para usuários Kindle Unlimited. Ele é também autor de um dos depoimentos que contam na quarta capa da versão impressa de “Wish You Were Here: um romance musical”, meu livro, mas isso não tá no currículo, não, só mesmo aqui dentro do coração!

Continue Reading

Creatable World: as bonecas de gênero neutro da Mattel

Creatable World: as bonecas de gênero neutro da Mattel

A Mattel tem investido bastante na inclusão dos seus brinquedos nos últimos anos. Desde que o projeto “A Boneca Evolui” trouxe novos corpos, tons de pele/olhos, modelagem de rosto e textura de cabelos para sua linha Barbie Fashionistas (eu tenho até uma mini-Luly de corpinho Petite!) essa tentativa permanece em alta. Ao longo do tempo expandiram para maior diversidade também nos Kens até chegar na “turma” de 2019 com deficientes físicas que vêm em cadeiras de rodas ou com perna metálica, todas muitos legais. Essa semana, porém, foram além disso e anunciaram as bonecas Creatable World, o kit de gênero neutro com mais variedade para crianças se identificarem ao brincar!

“O Creatable World ™ oferece às crianças uma tela em branco para criar seus próprios personagens. Troque cabelos compridos por cabelos curtos – adicione uma saia, calça ou ambos. Você decide! Misture e combine, troque ou compartilhe.” (traduzido livremente do site da Mattel)

Creatable World: as bonecas de gênero neutro da Mattel
Imagem via Forbes

Em uma caixa de acessórios recomendada para idades 6+, crianças e colecionadores terão acesso a uma boneca de aproximadamente 30cm (11 inches) com corpinho articulado, feição completamente neutra, cabelos bem curtinhos e uma opção de peruca na mesma textura e cor para torná-los longos. As bonecas vestem conjunto de camiseta e shorts básicos e vêm com uma quantidade incrível de acessórios, TODOS sem gênero, para criar combinações e looks diferentes, entre opções de camisetas, calças, saias, sapatos, bolsa, chapéu e até óculos. Eles prometem mais de 100 looks com apenas um set, e combinando com outras as possibilidades são ainda maiores.

Inicialmente foram lançados 6 tipos de conjuntos diferentes, três com pele clara e outros três com pele escura. O mais legal deles o negro mais escuro com cabelos de tranças, ficaram LINDOS demais! As perucas compridas não ficam 100% naturais na cabeça, é possível ver claramente a marca do plástico da divisória, mas se você “fingir” que se trata de uma tiara de cabelo fica ainda mais estiloso. Se eu fosse escolher um deles para mim com certeza seria o de pele branca e cabelos pretos lisinhos, tem até a franja igual à minha, gente, e os óculos são de grau! Muito perfeitos, com roupa bem bacanas, inclusive já quero pra turbinar a coleção, principalmente porque são todas articuladas, com detalhes simples mas bem feitos e bonitos.

Creatable World: as bonecas de gênero neutro da Mattel
Kit com cabelos pretos e lisos

A linha Creatable World veio ao conhecimento do público oficialmente através do canal My Froggy Stuff, que tem como temática lançamentos de brinquedos, bonecas e DIY quase diários para elas. No vídeo a Froggy mostrou que recebeu todas as opções e testou variações possíveis não só com uma caixa, mas também entre elas. É muito legal pensar que meninas e meninos não precisam mais ter corpo de formato específico, tom de pele padrão ou cabelos loiros para se ver nos seus brinquedos, né? Aos poucos, e na medida “permitida” pelas mais diversas limitações do capitalismo, essas pessoas estão sendo representadas até quando não enquadram em algum gênero definido, ou mesmo fluindo por mais de um!

Leia também: Todos, Nenhum: Simplesmente Humano, um livro que trata sobre adolescentes de gênero fluido através da identificação da personagem principal com essa realidade.

As bonecas já estão sendo vendidas por U$29,99 na Amazon, Wallmart e Target. Fiz uma simulação no primeiro site para saber quanto ficaria importar direto com eles e, somando frete, cotação do dólar e todos os impostos cobrados, deu quase 400 reais… Meio salgado, né? O jeito é esperar chegar no Brasil, o que provavelmente vai acontecer ainda que demore um pouco, pra ver virão com um valor mais acessível. Até lá podemos admirá-las não só o site da empresa como também no Instagram oficial da linha, @creatableworld, que já conta com quase 7mil seguidores!

Continue Reading

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania *****
fica por aqui: Uma história de Vento Ventania Autor: Augusto Alvarenga
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto
Ano: 2018
Número de páginas: 98p.
Editora: P.S.: Edições
ISBN: 978.658.077.703-7
Sinopse: “O fim do caminho às vezes é um recomeço. É assim que a vida surpreende Murilo. Prestes a abrir mão de si mesmo, ele se sente desamparado e lidando com problemas que parecem pesados demais para continuar carregando. No topo de uma ponte, ele está no ponto emocional mais baixo que poderia alcançar, quando a rotina de Leandro resolve desviar o rumo e colocar os dois no mesmo trilho. Percebendo a importância de ser presente, Leandro resolve mostrar caminhos alternativos para qualquer destino, tentando despertar em Murilo a esperança de dias melhores, possibilidades e a certeza de uma ajuda brilhante em qualquer céu nublado.” (fonte – capa e sinopse)

“Talvez eu me sinta quase sempre assim, cercado por coisas demais e sem conseguir chegar a um lugar onde eu me sinta bem.”

Comentários: Cinco anos atrás, na véspera do segunda turno das eleições presidenciais, Augusto Alvarenga lançou seu primeiro livro, “Um Amor, Um Café e Nova York”. Foi nesse dia que eu conquistei o coração da “mamãe Alvarenga” por ter chorado HORRORES da hora que vi a foto dele na orelha do livro até o abraço compartilhado após o autógrafo recebido (tem foto aqui!). No ano seguinte, lançamento da continuação, mais lágrimas. Mas, sabe, é difícil não chorar quando você tem o sonho de publicar um livro – agora enfim realizado – e vê um amigo com o mesmo sonho conseguindo isso, principalmente uma completa manteiga derretida como eu!

Um spin off do próximo lançamento do autor, previsto para o ano que vem, fica por aqui se passa na ilha fictícia de Vento Ventania, onde Murilo vive. Aluno da UFVV – Universidade Federal de Vento Ventania, o rapaz sofre de depressão há muitos anos e está prestes a desistir da própria vida quando Leandro, aluno de outro curso na mesma faculdade que sequer conhece, cruza seu caminho, o impedindo de fazer isso sem nem saber o quão certeiro foi o momento em que a vida os colocou no mesmo local, na mesma hora. Os dois iniciam então, meio sem perceber, uma breve jornada rumo ao entendimento da luta contra suicídio através da descoberta do Setembro Amarelo.

De acordo com o Guto, a ideia veio no final de agosto de 2018, quando uma notícia de suicídio ocorrido no Viaduto Santa Tereza, aqui em Belo Horizonte, parou a cidade, literalmente, uma vez que tanto o trânsito da região central quanto a linha de metrô foram comprometidos. Ele ficou pensando, então, sobre o assunto e, vendo o mês de prevenção contra a prática se aproximar, resolveu reescrever aquela história do seu jeito, com outras pessoas, mas dando a ela o final não trágico que merecia ter. O conto foi publicado como ebook na Amazon no mês seguinte, propositalmente, e agora ganhou sua versão física, levemente estendida, mais uma vez como parte desse alerta. O título não se refere apenas a Murilo, e sim a toda pessoa que, por causa de transtornos mentais, cogita ou já cogitou desistir.

Como alguém que o acompanha desde o começo, ou mesmo antes disso, é IMPOSSÍVEL deixar de destacar o quanto sua escrita amadureceu. É claro, meia década se passou desde o primeiro romance publicado, o amadurecimento é esperado, mas nesse caso foi positivamente gritante. A ´trama não é nada leve, mas flui de maneira gostosa, tem seus momentos que soam como poesia, mas sempre de fácil entendimento. É crível, pode estar acontecendo agora mesmo. Apesar da narrativa curta, em 90 páginas, as personagens têm personalidade e falam sobre seus gostos e costume casualmente, como em uma conversa qualquer que temos no nosso cotidiano, mesmo.

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Como aspecto “negativo”, se podemos dizer assim, tem fato de que o enredo é tão rápido que a gente sente falta de um desfecho mais elaborado. Ele termina causando MUITA curiosidade no que aconteceu dali pra frente, mas isso na verdade não importa, porque a mensagem principal é passada: você não está sozinho, você pode conseguir apoio. Ele não romantiza hora nenhuma a depressão, mas aponta, através dessa dupla fictícia, onde é possível ao leitor ter ajuda contra esse e outros transtornos mentais na vida real, seja para si próprio ou para alguém próximo que precisa.

“Eu não sei quando começou. É muito difícil saber… Ela vem devagar. Ela vai te anulando aos poucos.”

Um aspecto maravilhoso e maior diferencial de todos os livros do autor é, definitivamente, a diagramação. O livro é todo lindo, desde a arte da capa até páginas de troca de mensagem, informações nas bordas e um detalhe pequeno, mas que deixa ainda mais tocante: a diferenciação das duas narrações através de ícones de nuvem, nublado para Murilo e com o Sol saindo para Leandro. Faz todo sentido dentro do contexto! Ele também tem uma playlist no Spotify fácil de achar, só buscar pelo título, com todas as músicas que fazer parte do percurso, direta ou indiretamente. Os detalhes são todos em preto e amarelo, pra destacar bem o fato de ser uma publicação focada numa campanha que tem essa última como cor característica, apenas com um roxo aqui e outro ali criando contraste lindo típico da união de tons complementares…

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Conheça mais do Augusto no Instagram @instaguto, Twitter @tuiteguto e perfil de autor Skoob. Você pode adquirir o “fica por aqui” como eBook na Amazon Kindle e na versão física direto com o autor. Ele também já publicou, além da trilogia “Um Amor, Um Café e Nova York”, os romances “1 + 1: A Matemática do Amor” junto com Vinicius Grossos, “As Luzes Mais Brilhantes”, e participou de duas antologias com outros escritores. Que venha o próximo!

Continue Reading

Eu Te Darei o Sol

Eu Te Darei o Sol

Eu Te Darei o Sol: O amor é apenas a metade da história (I’ll Give You the Sun) *****
Eu Te Darei o Sol Autor: Jandy Nelson
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto, Romance
Ano: 2015
Número de páginas: 384p.
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-858-16-3646-7
Sinopse: “Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.
Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.”
(fonte – capa e sinopse)

“Lixo espacial. (…) O céu está sempre despencando. Sempre. Você vai ver. As pessoas não têm ideia.”

Comentários: Fazia muito tempo que eu não sentava e lia um livro de ficção novo, talvez o último tenha sido mais ou menos dois anos atrás. Mais tempo ainda tinha que lia um livro que me deixava completamente apaixonada. Sabe quando você não quer se desgrudar da história nos trechos de alegria, tem vontade de jogar tudo longe nos de raiva e sente um alívio GIGANTESCO quando aquele momento tão esperado enfim acontece, como se fosse com você? Sabe quando suas próprias lembranças são despertadas nos pontos mais cruciais da história? Foi isso que senti lendo Eu Te Darei o Sol. Um presente de aniversário que ganhei de uma amiga em 2017, mas que felizmente não li na época. Porque aquele foi o ano em que eu “morri”, simplesmente não vivi, e não conseguiria aproveitar a grandeza dele como aproveitei agora – nesse agora específico, então, mais que nunca!

Eu Te Darei o Sol

O livro trata do ponto de vista de um casal de irmãos gêmeos em momentos distintos da vida dos dois, antes e depois de uma tragédia que mudou tudo na vida deles. Noah é apresentado aos 13/14 anos, descobrindo sua sexualidade, explorando uma sonhada carreira de pintor que pode começar de vez na escola de artes onde tanto anseia estudar. Já Jude narra sua vida aos 16, quando ela e o irmão já não têm a conexão que tiveram durante toda sua vida após competir por uma vaga nessa mesma escola, onde ela pretende estudar escultura, e pela atenção das pessoas mais importantes de suas vidas: seus pais e alguns garotos deveras interessante. Mentiras, boicotes e muita dor passam a ser parte da vida deles, tornando a distância inevitável e a reaproximação um sonho quase distante…

“Encontrar sua alma gêmea é como entrar numa casa onde você já esteve – você vai reconhecer a mobília, os quadros na parede, os livros nas prateleiras, as coisas nas gavetas: você é capaz de se localizar no escuro, se precisar.”

O fato de a história tratar de dois artistas é uma peculiaridade a mais que deixa esse conjunto ainda mais interessante. Para quem entende de arte é maravilhoso pegar as referências e saber exatamente do que eles estão falando naquele momento, e quem não entende provavelmente vai correr pro Google e, enfim, entender. Um pinta, a outra esculpe, então é arte variada para se explorar e aprender. Tudo isso misturado com questões ainda mais profundas: homossexualidade, espiritualidade, traição, até mesmo hipocondria. O que mais gostei foi o modo como, ao se afastar, os dois protagonistas simplesmente trocam de personalidade, de modo que você vê um no outro tão claramente que isso só pode significar que estão compensando essa ausência. Por mais que seus estímulos venham do amor romântico, uma coisa é clara: o Sol que ilumina a história, que é dado e compartilhado, é o amor de irmãos!

Eu Te Darei o Sol

Jandy Nelson tem uma escrita de tirar o chapéu e se curvar em seguida. Ela cria uma extensa poesia de quase 400 páginas disfarçada de romance jovem adulto que, apesar de ser protagonizado por adolescentes, é tão denso que mexe com a cabeça de qualquer um. A princípio pensei que a narrativa de Jude ia atrapalhar a de Noah, por dar alguns “spoilers” do que aconteceu três ou dois anos depois do que ele está contando, mas isso não acontece. Os dois se complementam. Quando o capítulo de um acaba você lamenta, pensando que é impossível que o que vem a seguir desperte tanto sua curiosidade quanto, mas essa sensação vai se repetindo sucessivamente até o livro acabar. Senti tanto ÓDIO da Jude, de o sangue talhar, que achei que jamais poderia perdoá-la, não importa o que viesse a acontecer, para em seguida ter vontade de abraça-la e tirar todo o peso do mundo de suas costas. Noah me fez rir, recordar, chorar, sentir medo e alívio, cada hora uma coisa e tudo ao mesmo tempo. Duas personagens complexas, humanas, controversas, maravilhosas! Seus pares românticos também são incríveis e têm suas vidas cruzadas às deles de forma inacreditável e, ao mesmo tempo, crível, seja lá como isso é possível.

“Vamos lá, o que é ruim para o coração é bom para a arte. A horrível ironia da nossa vida como artistas.”

Foi muito gostoso para mim, como autora recém publicada, ser apresentada a essa escrita justamente nesse momento. Me inspirou a seguir em frente, a produzir mais, a ousar sem medo de me expor ao máximo, em colocar no papel o que na verdade é simples, mas parece rebuscado. Porque esse livro é assim. Eu Te Darei O Sol é uma obra que faço questão de emprestar a quem quiser ler, que agradeço por ter sido presenteado com, que encheu meu coração de esperança ao descobrir que tem uma chance de ser adaptado para filme pela Warner (fonte). Me fez cantar mentalmente ‘Dia Branco”, de Geraldo Azevedo, o tempo todo, quase como se fosse sua trilha sonora oficial. Me deixou morrendo de vontade de ler “O Céu Está Em Todo Lugar”, da mesma autora e também publicado no Brasil pela Novo Conceito com uma capa bem semelhante, o que faz deles quase um “time”.

Continue Reading