Let Them All Talk: ritmo lento regado a citações incríveis

Cena do filme Let Them All Talk onde as personagens estão centadas à mesa em um restaurante bem iluminado, sendo elas Susan (Dianne Wiest) e Roberta (Candice Bergen) à esquerda e Alice (Meryl Streep) e Tyler (Lucas Hedges) de frente para elas, à direita. As três mulheres são idosas e têm cabelos brancos, enquanto o rapaz é um jovem de cabelos escuros.

Let Them All Talk *****
Pôster do filme Let Them All Talk em que Alice, interpretada por Meryl Streep, está apoiada em uma porta branca, com uma mão sobre a boca. Ela tem cabelos brancos, usa óculos de grau de armação escura e roupa de frio também escura. O título e créditos do filme estão acima da sua cabeça, onde há um degradê de cor turquesa, lembrando o cor do oceano. Elenco: Meryl Streep, Lucas Hedges, Candice Bergen, Dianne Wiest, Gemma Chan, John Douglas Thompson, Dan Algrant
Direção: Steven Soderbergh
Gênero: Drama
Duração: 113 min
Ano: 2020
Classificação:
Sinopse: “Uma escritora de sucesso (Meryl Streep) embarca em uma viagem com antigos amigos em um cruzeiro, buscando uma boa dose de diversão e também a cura para algumas feridas do passado. Metido a garanhão, seu sobrinho (Lucas Hedge) a acompanha com o objetivo de conquistar a maior quantidade de mulheres possível, mas chegando lá ele acaba se apaixonando por uma jovem agente literária (Gemma Chan).” Fonte: Filmow.

Comentários: Alice Hughes é uma escritora estadunidense de sucesso que está prestes a receber mais um prêmio, dessa vez na Inglaterra, mas não gosta de andar de avião e, por isso, decide não ir. Sua agente, uma fã do seu maior best seller que deseja muito vê-la publicando a continuação, consegue para elas vagas em um navio que faz o trajeto, pensando que assim conseguirá persuadi-la. Alice decide levar junto seu sobrinho Tyler, por quem tem imenso e recíproco carinho, e duas amigas de faculdade com as quais acabou perdendo contato e pretende se reconectar: Susan, uma senhora gentil que gosta de fazer diferença na vida das pessoas através de seu trabalho, e Roberta, cuja vida financeira está bastante frustante. No trajeto, entre tentativas e falhas de todas as partes, eles encontram à bordo outro escritor famoso e um misterioso homem que é visto sempre no mesmo ambiente que a protagonista…

“Eu acho que atração é a força que move o universo, na verdade… É como a gravidade ou a força magnética. Aquilo que faz as borboletas-monarcas voarem pelo mundo.”

Let Them All Talk foi a primeira coisa que assisti na HBO Max, que estreou no Brasil mês passado com um vasto catálogo. Um original da plataforma, esse filme me atraiu por ter como personagem principal minha queridinha suprema Meryl Streep no papel de uma escritora, mas apertei o play sem nenhuma outra informação sobre, apenas me deixando levar. De cara, é claro, o elenco chama MUITA atenção por ter nomes de peso do entretenimento norte-americano, no papel de pessoas tão diferentes e profundas que me deixou surpresa. Esperei pelos esteriótipos clássicos de grupos de amigas como “a inteligente”, “a solteirona”, “a boazinha”, etc, mas não, elas são mais complexas que isso e mesmo num espaço de tempo tão curto é possível conhecer gradativamente sua história, o que as levou onde estão e, principalmente, a causa do afastamento daquela amizade antiga, que não parece ter sido natural.

Foto de uma cena de Let Them All Talk onde as personagens Tyler e Alice, ele usando terno escuro e camisa de cor clara enquanto ela usa uma roupa completamente escura, encostados no parapeito de uma varanda do navio em que estão viajando. Os dois estão lado a lado, de frente para a câmera, olhando um para o outro, e ao fundo é possível ver um pouco do andar debaixo do navio e o oceano à sua frente.
Let Them All Talk: Imagem via Vulture.

É muito importante destacar para quem pretende assisti-lo que ele tem desenvolvimento bastante lento, como optar por atravessar o oceano pela água ao invés de fazer isso pelo ar. Para quem busca momentos de ação, grandes clímax empolgantes ou mesmo dramas profundos pode ser frustrante. Existe carga sentimental, pitadas de humor, descobertas interessantes, tudo, mas em doses homeopáticas de forma que torna o longa entediante para algumas pessoas. Por outro lado ele é visualmente tão bonito, tecnicamente tão bem conduzido e tem falas que, mesmo cotidianas, são tão intensas que é um prato cheio digno de ser degustado. A busca dessa mulher pela reinserção das pessoas que já foram importantes pra ela na sua vida, que a gente não consegue entender a princípio de onde realmente vem mas torce pra acontecer, é íntima demais, e o final que chega para ela, definitivamente, surpreendente.

Leia também: Resenha do filme Do Jeito Que Elas Querem, comédia também protagonizada por um grupo de atrizes veteranas premiadas.

O filme fica ainda mais fascinante quando você pesquisa sobre o contexto em que foi gravado, dois anos atrás. Imagina um diretor de cinema levando três atrizes premiadíssimas, fora o resto da equipe, à bordo do Queen Mary II, um navio que faz travessia de um continente a outro pelo Atlântico, e filma ali, deixando inclusive que essas pessoas improvisem as falas no meio do caminho? Pois essa foi produção de Let Them All Talk! Entre o desenvolvimento da história, inclusive, eles colocaram algumas cenas do dia a dia da tripulação, pra realmente te colocar “no clima” do cruzeiro, como pequenos respiros na narrativa, que é guiado por uma trilha sonora tão, tão gostosa que não dá vontade de parar de ouvir. É, o ritmo pode não agradar aos mais afobados, mas o conjunto da obra, pra mim, foi sensacional.

Trailer:

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