Harry Potter e a Visão Negativa do Feminino

Foto da personagem Dolores Umbridge, da série Harry Potter, em uma cena do quinto filme da saga em que está sentada mexendo o chá presente em uma xícara colocada à mesa na sua frente. A personagem olha para longe, em direção a alguém, e mantém um sorriso supostamente gentil no rosto. Tudo ao seu redor, como paredes e suas roupas, é na cor rosa e existem delicados pratinhos dedorativos de gatinho fixados atrás de si.

Antes de começar esse texto eu queria deixar muito claro que ele me dói. Sério mesmo. Sou fã de Harry Potter há 20 anos e algumas coisas que vou dizer aqui me incomodam desde então, mas não é fácil dize-las. Não por ser uma problematização daquelas 100% “classe média sofre”, até gosto de problematizar o banal, mas por ser mais uma exposição do quanto meu pensamento é muito divergente da pessoa que, até algum tempo atrás, era minha maior ídola. Claro, isso que será listado aqui não é NADA perto da transfobia escancarada (e digo até ORGULHOSA) de J.K. Rowling, mas mais uma questão de gênero nela que me seguro pra não falar sobre há tempos e decidi que não vou segurar mais… Não consigo deixar de achar uma visão meio bosta também, sabe? Como tantas outras, ainda piores, que doem ainda mais.

Lembro quando li “Harry Potter e a Pedra Filosofal” pela primeira vez, aos 10/11 anos, e adorei a Hermione de cara. Não era tão estudiosa quanto, mas sabe aquela amiga chatinha do grupo que interrompia a brincadeira pra lembrar que tinha um trabalho ainda a ser feito e repreendia quando todo mundo estava prestes a pisar um pezinho fora da linha? Essa amiga era eu! E aí li um livro com uma menina FODA com a qual me identificava, que apesar de ir se mostrando bem mente fechada (o que nunca achei legal) também era SUPER sensível e se deixava emocionar. Não é à toa que ela é minha personagem favorita até hoje, né? Lembro inclusive que naquele primeiro livro ela usa um robe rosa em uma cena específica e meus olhos até brilharam, porque é minha cor favorita e parecia mais uma coisa em comum…

Mas não era. À medida que os livros iam avançando minha cor favorita foi cada vez mais associada ao negativo na história que tanto amava. Alunos que correm pra não pegar tampões de ouvido naquele tom, um vestido de Baile de Inverno usado pela menina mais insuportável da escola até chegar, é claro, na professora com cara de sapa que tem tudo rosa, peludinho e fofo pra esconder ser o mais puro suco de tudo o que há de PODRE na sociedade. Umbridge é um estereótipo ambulante do conservadorismo preconceituoso e esdrúxulo do qual o mundo não consegue se livrar, mas também do que se espera visualmente de uma mulher na sociedade que ainda está presa aos padrões de gênero. E por mais que seja uma crítica pertinente (olha nossa ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos provando isso), começa a ficar chata quando vira constância.

Veja bem, eu vou ser a primeira pessoa a se levantar pra reivindicar contra estereótipos de gênero e a favor de uma pessoa não precisar aderir e se identificar com nenhum deles, mas estarei com a outra mão levantada também pra dar apoio em que GOSTA e QUER ser assim (desde que, claro e sempre, não exija isso do outro). Inclusive, já disse, minha cor favorita é rosa e já tive muita gente me olhando torto por isso, e pela coleção de bonecas e laços nos cabelos e tudo mais. E sendo bem sincera me parece que a J.K. Rowling seria super uma dessas pessoas, sim. Sempre que uma mulher aparece performando o que hoje vemos como feminilidade na série Harry Potter isso é um sinal de que ela é fraca, fútil, boba ou pior: má. E não é só a Umbridge, não.

Parvati Patil e Lilá Brown, tão cruéis com Hermione em diversos momentos, têm costume de destilar essa crueldade enquanto estão se arrumando, admirando sua beleza na colher. Fleur Delacour, única campeã menina do Torneio Tribruxo e tão linda que as pessoas param pra olhar, não conseguiu terminar duas de suas três tarefas e foi quem teve a pior performance na competição enquanto se preocupava com o próprio peso nessa época e em como a cunhada ficaria “horrível” em uma cor específica em seu casamento por ser ruiva depois. Tia Petúnia, que virou as costas pra irmã por não ser como ela, veste vestidos salmão nos jantares do marido e tem flores estampadas em diversos lugares de sua casa. Até Queenie, que poderia ser uma super personagem em “Animais Fantásticos” destaca-se pela sensualidade e delicadeza, mas se mostra rasa, inconsequente e manipulável mesmo sendo capaz de ler mentes.

É claro que a “masculinização” (entre aspas) exagerada dessas mulheres também é retratada como ruim, tendo a terrível tia Guida barba assim como o irmão e a pavorosa Rita Skeeter sendo uma combinação dos dois, com biotipo que soa masculino mas caracterização que é o ápice do feminino, sempre com cabelos cacheados, unhas pintadas e cores exuberantes. Nem vou entrar nessa agora porque passaria muita raiva citando a dissertação MONSTRUOSA que a J.K. publicou defendendo a própria transfobia usando pautas seríssimas ao faze-lo. Não é dia de me aprofundar em tal desserviço. É dia de pensar em como é maravilhoso ver pessoas marginalizadas sendo representadas como heroínas, claro, mas outras acabaram sendo jogadas do outro lado, e eu pessoalmente não consigo deixar de ver isso como reflexo do machismo, que associa tudo o que tem minimamente a ver com a mulher, mesmo que puramente socialmente, como inferior, sempre!

E a própria autora sofreu esse machismo, ela mesma já contou que a decepção dos pais por ter uma primeira filha fez com que fosse tratada como o “menino” da família, vestindo azul enquanto sua irmã usava rosa, e aí muita coisa já parece começar a ser explicada aqui nesse ponto. Também não vou ignorar as mulheres incríveis que temos nas histórias de Harry Potter e seu “universo expandido” assumindo fortes papéis de mãe, amiga, professora, ativista, presidenta, atleta, gênia, até mesmo a maior das vilãs… Mas chega de só conseguir enaltecê-las se tiver outras ao seu redor pra rebaixar, né? Chega de ver o que é associado a nós como negativo, quero que possa ser bem visto quando usado por pessoas de QUALQUER gênero, sexualidade, visual e, sim, caráter. Dá pra ser “feminina” (oh as aspas aí de novo), até sem ser menina, e ser incrível demais.

Pra cada Dolores Umbridge que nos faz virar os olhos temos muitas e muitas Elle Woods do outro lado, lutando pra tirar essas ideias retrógradas do foco e fazer disso aqui um planeta melhor!

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o oitavo, referente a 2011, ano em que o último filme da série Harry Potter foi lançado e eu comecei a fazer parte do Potter Club BH.

Harry Potter e a Visão Negativa de Tudo Que é Feminino | Dia 08 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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Animais Fantásticos e os Perigos dos Discursos Autoritários

Animais Fantásticos: o perigo de discursos autoritários!

Quando foi anunciado o título do segundo filme da nova série do mundo mágico de J.K. Rowling, Animais Fantásticos: os Crimes de Grindewald, que estreia essa quinta feira 15, decidi que não o assistiria no cinema ou pagaria por ele em qualquer lugar. Ver um ator com (mais de um!) histórico de agressão interpretando o papel título já era difícil, mas nem de longe o pior: o posicionamento de toda a equipe em relação a isso, inclusive da própria JK que sofreu agressão doméstica, me fez bater esse martelo. Eu não queria, de modo algum, compactuar com aquilo, mas semana passada recebi via e-mail um ingresso para que o Sweet Luly estivesse na pré-estreia de convidados dia 12, e me vi obrigada a repensar o assunto. Eu não podia recusar isso ao meu blog, poderia excluí-lo de futuras oportunidades. Pensei, é claro, em passar o ingresso adiante, mas minha cabeça deu um estalo ao lembrar de uma cena que já havia sido divulgada, e vi que eu poderia SIM assistir a esse filme, trazendo algo de positivo para ele ao produzir conteúdo sobre. Não e jamais uma resenha: o boicote permanece, nesse aspecto. É falando sobre política e como o contexto do mundo mágico na década de 20 se repete hoje no NOSSO mundo incluindo, é claro, aqui, nas terras tupiniquins.

Pode parecer coincidência, ou que estamos “vendo o que não existe”, mas qualquer um que conheça Joanne Rowling sabe que é mentira. Pondo todas as ressalvas que tenho à minha “ex maior ídola” à parte, não podemos negar, essa mulher respira ativismo, incluindo político! Seu perfil no Twitter contém mais críticas a Donald Trump do que material sobre Harry Potter, e com razão… Política, ao contrário do que somos ensinados a acreditar, não é somente o que nos leva a uma zona eleitoral a cada dois anos, ela REGE NOSSA VIDA! Tudo o que somos, fazemos e pensamos é político. O que acontece fora do país nesse aspecto nos atinge. O que acontece dentro? Mais ainda! E sabendo disso não há como negar que Gellert Grindelwald, esse velho novo vilão, não poderia ser nada mais que uma metáfora à onda neo fascista que está crescendo para todo lado.

Animais Fantásticos: o perigo de discursos autoritários!
Imagem via Pipoca Combo

Quando se trata de bruxo das trevas, estamos acostumados com a soberania mimada de Lord Voldemort e sua necessidade de atingir objetivos megalomaníacos “na marra”. Tom Servolo Riddle é um reflexo dos dois homens que seu nome homenageia: preconceituoso, arrogante, carregando aquele ar superior mesmo que não tenha nada e o esfregando na cara dos outros. Um mestiço com ideias puro-sangue, homem genial que comete erro atrás de erro em nome de sua obsessão com uma simples criança. Aquele que tem seus seguidores fanáticos por causa do discurso excludente, sim, mas que também se esforça para consegui-los à força: tortura, domina mente, mata, chantageia. A verdade é que por mais estrategista que ele seja, lhe faltam as famosas “papas na língua”.

Mas não em Grindewald: esse é seu maior poder. Ele é extremamente inteligente, sim, mas sequer precisaria disso, pois consegue conquistar seus “minions” de forma ainda mais perigosa, transformando falácias exatamente no que as pessoas precisam ouvir. Sabe quando você diz que é contra pena de morte e alguém automaticamente assume que está defendendo bandidos no lugar das vítimas? O papel de Grindewald é esse, inverter a visão de bem e mal em nome “do bem maior”, seu lema que já nos era conhecido nos livro de Harry Potter. Ouvi-lo dizer que não odeia aqueles que claramente julga inferiores nos faz quase esperar que essa frase seja finalizada com “tenho até amigos que são!”, como tanto ouvimos aqui e ali. Ele trata os que estão ao seu lado como “irmãos e irmãs”, ora, estamos todos em busca do mesmo objetivo, mas lá no fundo, todos sabemos, não espera de forma alguma ser visto como igual por eles, e sim como quem os lidera.

Grindewald não suja as mãos. Não em público! Ele permite que a violência exista e a pratica, claro, mas sempre com algum propósito, seja ele superar “inimigos” ou incitar ainda mais violência que vai fazê-lo parecer o verdadeiro inocente, no fim das contas. É desonesto, mas acredita tão fortemente que tem direito a essa desonestidade que todos os que são seduzidos por ele passam a acreditar também. Fala meias verdades e as mais velhas mentiras, e é aplaudido por aqueles que as compram, porque sabe como, onde e com quem falá-las. Sua asserção se assemelha tanto a de tantos outros antes e depois dele na história “trouxa” que é assustador ver como a vida imita a arte, inclusive no momento em que o nazismo foi protagonista da Segunda Guerra Mundial, que coincidentemente ou não (só descobriremos ao final dos cinco filmes) teve seu fim exatamente no mesmo ano em que, já sabemos, ele foi derrotado por Alvo Dumbledore… Ele, que é o “outro lado da moeda”, tão persuasivo quanto, mas que sabe decidir entre o que é certo e o que é fácil.

Leia também: Animais Fantásticos e Onde Habitam, resenha do primeiro filme da série pelo qual, por sinal, sou apaixonada!

A verdade é que a presença de Johnny Depp foi uma das coisas que menos me incomodou em cena, apesar de incomodar “a alma”, foi um dos raríssimos momentos em que olhei para uma atuação dele feita nos últimos 20 anos e achei aceitável. O segundo “Animais Fantásticos” é, porém, desserviço a uma história sensacional ao tentar enfiar o fan service na nossa “goela abaixo”. O que sobra em bons efeitos e atuações, falta em direção e roteiro a ponto de ser difícil de ser visto por causa do primeiro e cansativo (no sentido de forçar algo sem necessidade) pelo segundo. Mas, nesse momento, é o que menos importa. O discurso que é feito nas cenas finais do longa, e todas as atitudes tomadas antes (e depois, nos próximos três filmes que virão) por quem o faz são um alerta extremamente pertinente para os perigos que o autoritarismo nos traz e como ele pode ser sedutor onde menos se espera. Faz quem já está ciente disso se revoltar com a realidade da situação tão absurda, e quem não está ciente, quem sabe, abrir os olhos, antes que seja ainda mais tarde demais.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindewald 15 de novembro, nos cinemas

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Animais Fantásticos e Onde Habitam

É claro, óbvio e evidente que eu não ia deixar de escrever sobre o resultado da experiência maravilhosa pela qual esperamos por três anos de assistir o vulgo *Harry Potter e os Bicho* por aqui… A pré estréia de Animais Fantásticos e Onde Habitam aconteceu aqui no Brasil na virada do dia 16 para o dia 17 e entre as 19h de um e 3h do outro eu assisti ao filme duas vezes seguidas… Estou ENCANTADA! Gravei dois vídeos sobre ele, um sem spoilers e outro com, e agora deixo aqui também meu registro em forma de texto desse acontecimento tão especial na vida de todos os fãs da obra de J.K. Rowling!

Animais Fantásticos e Onde Habitam, via Filmow

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts And Where To Find Them) *****
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol, Colin Farrell, Ezra Miller, Carmen Ejogo, Jon Voight, Ron Perlman, Samantha Morton
Direção: David Yates
Gênero: Fantasia
Duração: 127 min
Ano: 2016
Classificação: 12 anos
Sinopse: “O excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte americana que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Absolutamente GENIAL! Eu sei que sou suspeita, sei que sou fã, mas também sei que não tem como não dar todo o crédito que essa obra merece! Estou cavando minha própria cova aqui nesse momento e dizendo com toda certeza que, como filme, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é melhor do que a série Harry Potter! Rowling conseguiu brilhantemente preservar a essência do livro didático de mesmo nome enquanto apresenta seu seu autor, o MAGNÍFICO Newt Scamander, e tudo isso no fundo é uma grande desculpa para contar a história de personagens e acontecimentos já conhecidos pelos seus fãs, que nós vamos acompanhar avidamente até essa série acabar ao final dos cinco filmes.

Newt é um “herói”, por falta de uma palavra melhor, completamente diferente do que estamos acostumados. Tímido e introvertido, sem jeito nenhum para lidar com seres humanos, ele se transforma COMPLETAMENTE quando está ao lado das criaturas mágicas que cria dentro de sua maleta encantada, dá pra ver claramente o quanto ele ama cada um deles e se dedica em mostrar para todos os motivos desse amor. E é por causa de uma das criaturas que esse britânico vai parar em Nova York durante a década de 20, onde um encontro com o divertido não-maj (maneira americana de se referir a um “trouxa”) Jacob e a auror Tina (e, consequentemente, sua adorável irmã Queenie) mudam completamente o rumo dessa viagem, feita numa hora que não podia ser menos oportuna. A cidade está sendo tomada por ataques que despertam o sentimento anti-bruxo em um grupo sensacionalista liderado pela opressiva mãe de Creedence, um garoto que claramente tem problemas psicológicos fortíssimos. Ainda no núcleo principal, estudando esses ataques e com suspeitas fortes do que supostamente está por trás daquilo temos o chefe da segurança da MACUSA – Congresso Mágico dos Estados Unidos da América, Percival Graves. O humor fica por conta da chance que temos de conhecer VÁRIOS dos protegidos de Newt, alguns que já citados nos livros de Harry Potter, como os muito fofos Tronquilhos e Pelúcio, outros estão no livro AFEOH, além de outros que serão de extrema relevância na história, como o Thunderbird, que é inclusive o símbolo de uma das Casas da escola de magia americana, Ilvermorny. Somos também apresentados a forças mágicas – muito sinistras – nunca antes vistas, que dão um toque sombrio ao enredo. Isso tudo retratado em torno da melhor parte de tudo que é FINALMENTE ver a dinâmica maravilhosa da vida de um bruxo adulto, que pode aparatar quando bem entender e usar todos os feitiços do mundo, o que causa uma nostalgia enorme já que os dois primeiros a serem executados são justamente velhos familiares vistos em “A Pedra Filosofal”. As lembranças dos filmes “anteriores” são intensificadas também pela trilha sonora, que mistura as notas clássicas antigas com outras novas e músicas tipicamente americanas da década retratada.

O elenco é MARAVILHOSO, com uma única exceção que, felizmente, não conseguiu atrapalhar a história (ainda). Eddie Redmayne e Scamander parecem ter sido feitos um para o outro, definitivamente foi meu personagem favorito, e olha que estava difícil escolher um só dentro do quarteto protagonista mais carismático que já vi. Toda a parte técnica é impecável, a versão 3D/IMAX tem efeitos de encantar qualquer um que gosta desse tipo de mídia sem ser o principal, o roteiro se sustenta lindamente sem isso mas também compensa o ingresso mais caro, se for o caso. A maleta do Newt é incrível, não só por causa das criaturas mas também pelo ambiente em si, dá pra perceber que eles estão em um local fechado e até meio improvisado, porém com simulações dos mais diversos ecossistemas tão bem feitos que só magia mesmo poderia proporcionar algo igual, e é ela mesma que proporciona. Essa cena é a MELHOR DE TODAS, dá vontade que não acabe nunca, que seja infinita. Outro momento super impactante é o grande clímax final da história, sobre o qual não dá pra falar nada porque precisa ser visto, eu sinceramente não esperava por aquilo.

Minha única decepção, tirando o ator queridinho das pessoas que INFELIZMENTE foi confirmado na série, foi a presidenta da MACUSA, Seraphina Picquery. Pelos trailers achei que ela seria uma imagem feminina MUITO forte, uma vez que estar em um cargo alto assim na época sendo mulher e negra é algo a se levar muito em conta, mas não aconteceu. Ao mesmo tempo não foi necessário porque Tina e Queenie deram conta do recado, elas são super fortes e à frente do seu tempo de maneiras diferentes e relevantes, dá vontade de ser uma mistura das duas! Enfim, vale a pena para quem já gosta desse universo, porque é claramente o público alvo, mas é bom o suficiente para encantar até quem não gosta. E agora vamos esperar os próximos porque tem MUITA coisa para se descobrir ainda: será que veremos outras escolas de magia? Ainda temos a segregação total com os não-majs nos EUA? Até que ponto as forças que conhecemos agora estavam presentes em personagens antigos? E o que aconteceu com personagens que supostamente estão “fora da história”? Continuaremos vendo Newt e seus “bichinhos”? Só o tempo vai nos mostrar, enquanto isso ‘bora teorizar e especular!

Vídeo SEM spoilers: A versão com spoilers tá AQUI, OH!

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Harry Potter and the Cursed Child

Harry Potter and the Cursed Child

Harry Potter and the Cursed Child Parts I & II (Special Rehearsal Edition) *****
Autor: J.K. Rowling, Jack Thorne, John Tiffany
Gênero: Roteiro, Fantasia
Ano: 2016
Número de páginas: 320p.
Editora: Scholastic
Sinopse: “Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é muito fácil agora, já que ele é um funcionário cheio de trabalho no Ministério da Magia, um marido e pai de três crianças na idade escolar. Enquanto Harry luta com um passado que se recusa a ficar onde pertence, seu filho mais novo, Alvo, precisa lidar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. Enquanto passado e presente começam uma sinistra fusão, pai e filho aprendem uma verdade desconfortável, pois a escuridão vem de lugares inesperados” (fonte)

Comentários: Desde que “Relíquias da Morte” foi lançado os fãs de Harry Potter torcem pela chegada do oitavo livro, e desde então eu torço pelo contrário. Não que eu ache que J. K. Rowling não teria a capacidade de fazer algo que faz jus à obra como um todo porque se tem alguém que sabe escrever e sabe sobre o mundo que criou essa pessoa é ela, mas porque sempre achei que tudo precisa de um fim na vida, e se tava tudo tão perfeito PRA QUE mexer no que está quieto, não é mesmo? Ao mesmo tempo eu esperava que saíssem mais livros extras como “Hogwarts, uma história” e comemorei muito quando ela resolveu explorar personagens diferentes do passado como Newt Scamander em “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (que tá chegando!), então quando foi anunciada a peça “Harry Potter and the Cursed Child”, que contaria uma história mais ou menos focada no filho do Harry, fiquei COMPLETAMENTE BIPOLAR. Por um lado eu ainda estava com uns dez mil pés atrás com isso de saber mais sobre o futuro dos personagens, mas por outro… Ai, gente, é Harry Potter, né, não tinha como eu ficar triste em saber disso, principalmente quando chegou a notícia de que um livro com o roteiro da peça seria publicado, meu coraçãozinho pulou emocionado contra minha vontade. E aí que a versão em inglês saiu, teve lançamento e tudo mais (que aqui em Belo Horizonte foi mediado pelo Potter Club, arrasamos) e eu finalmente tinha o “oitavo livro” nas minhas mãos. E uma vez que tava feito eu tinha que vir aqui contar pra vocês como foi essa experiência maravilhosa.

Harry Potter and the Cursed Child

Antes de mais nada, não se preocupem, eu não vou dar spoilers, sei que vocês não gostam e seria MUITA sacanagem, já que a edição em português só sai mesmo dia 31 de outubro, só vou contar algumas impressões gerais que tive e nem considero isso uma “resenha”. Bom, de cara a experiência é totalmente diferente daquela que tivemos tantos anos atrás, lendo os sete livros porque sequer se trata de um romance, é a versão transcrita do roteiro da peça MESMO, não tem como comparar. Aliás só o fato de ser algo feito para o teatro torna tudo muito novo, porque produzir uma obra para os palcos e para o cinema, por exemplo, também não é a mesma coisa, então quando alguém vem me falando que achou tudo muito surreal, muito forçado e etc eu já nem absorvo, porque o objetivo é esse mesmo, é ter a dramaticidade que a coisa pede, simples assim. Outro ponto muito importante é o fato de que não foi a J. K. que escreveu o livro e essa diferença para mim foi a mais violenta de todas, não dá para esperar que seja no nível dela. E nem pode, né, mais um vez: não é prosa, não é pra ser igual, etc. Como eu já tinha isso tudo em mente desde o início consegui gostar BASTANTE da obra de uma forma geral e avaliei tudo baseado nisso aí, e não comparativamente.

Para quem está completamente por fora, um resumo geral: a história se passa a partir do epílogo de Relíquias da Morte, os clássicos “19 Anos Depois”. Nela Alvo Potter, Rosa Granger-Weasley e Scorpio Malfoy estão, os três, indo para Hogwarts e envolta deles existe uma carga enorme de expectativas, uma vez que as pessoas esperam que sigam os passos de seus pais tanto para o bem, quanto para o mal. Ao mesmo tempo no Ministério da Magia começa a rolar uma confusão graças à possibilidade de um Vira-Tempo ter sobrevivido ao longo dos anos e pior: ele é diferente dos outros, portanto os resultados do seu uso podem são imprevisíveis, deixando Harry e Hermione bem alarmados (parênteses para dizer que, assim como os filmes, essa peça deixa o Rony de lado em alguns momentos, o que acho uma injustiça sem tamanho). A partir daí brigas familiares, viagens no tempo, encontros de geração e revelações MUITO loucas constroem o resto da história, que sai completamente do que estamos acostumados, contrariando inclusive algumas coisas que foram ditas antes, mas sempre bem sustentada de forma a prender o expectados (e agora leitor) até o final. No fim das contas eu sequer considero Cursed Child uma continuação, para mim é como se fosse parte do Universo Expandido de Harry Potter, e nesse ponto é perfeito porque trata os leitores, as personagens e a autora com bastante respeito na maior parte do tempo. Se você é fã não pode deixar de ler e, se possível, assistir à peça, que imagino que seja uma experiência MARAVILHOSA, se eu pudesse já estava em Londres vivendo isso a muito tempo…

Harry Potter and the Cursed Child

BEDA2016

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Top 5: Os melhores livros de 2014

Hello, hello, minha gente, hoje tem vídeo! Tem muitos meses que eu não gravo nada, o que matou minha meta de um vídeo por mês, mas ano novo existe é pra isso, vou ver se consigo dessa vez, né… Enfim, hoje vim mostrar logo meu Top 5 Livros Favoritos de 2014 antes que fique tarde demais. Na verdade eu roubei master e são 10 livros (e acabei citando mais ou menos outros dois no final), mas consegui dividir num Top 5 e é o que importa! ‘Bora assistir e POR FAVOR me contem se vocês já leram um ou mais deles, se gostaram e quais foram seus livros favoritos do ano passado porque eu quero ver se leio 2 por mês esse ano e preciso de sugestões!
Aliás, pra quem não sabe, hoje é Dia do Leitor, então não poderia postar isso em data melhor, né? Feliz dia para todos os leitores (fanáticos ou não) aqui presentes!


Pra comemorar o ano novo se inscrevam lá no canal!

Top 5: Livros de 2014

Top 5: Livros de 2014

Top 5: Livros de 2014

Top 5: Livros de 2014

Espero que vocês tenham gostado do vídeo e MUITO OBRIGADA pelos comentários no post passado, gente, sério, amei de verdade! Vou responder todos com mais carinho ainda do que o normal.

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