Eu não dei conta (mas ainda posso chegar lá!)

Foto da boneca Joanne, uma Byul Eris, de rosto grande e redondo e boca fazendo biquinho, com grandes olhos verdes, óculos de armação marrom e cabelos ruivos. Ela esta vestindo uma jardineira e sua mão está erguida, em saudação ao expectador.

Nesses (quase) 18 anos de(sse) blog, não dei conta de publicar posts em apenas dois meses, dois maios, em 2005 e 2013. O primeiro sei que foi época de recuperação parcial do 1º ano do colégio, período puxado, e fica justificado porque eu provavelmente tava lá, estudando que nem louca. O segundo, ironicamente, foi o contrário: pós formatura e fim do último estágio, antes de ser contratada pelos 2 clientes que tive naquele semestre, os primeiros da vida, entrei num limbo, num período de não ter muito o que fazer e ficar totalmente desesperada com isso… Afinal tinha acabado de me tornar bacharela num curso de artes, sabia que o que estava ali pela frente não seria nada fácil. Depois voltei aqui, feliz da vida, contando sobre meus dias sem me importar de verdade com essa ausência, só blogando com a boa e velha leveza de sempre.

Mas NUNCA, em momento algum, eu pulei dois seguidos e cheguei a ficar 3 meses sem postar aqui, que é o que completo hoje.

Tô tentando ficar de boa com isso, mas não consigo. Nem é uma questão de me pressionar, me obrigar a ser constante, de saber que a ausência diminui minha relevância, pipipi, popopo. Já passei dessa fase! Eu tento me pressionar é porque GOSTO de ser constante. Gosto, AMO, produzir conteúdo, aqui e no Vênus em Arte e em todos esses lugares nos quais, por conta do fato de que infelizmente não nasci rica e preciso dedicar muito tempo de vida buscando formas de ganhar dinheiro, estou sempre muito mais ausente do que gostaria. E quando levantei hoje e percebi que nunca consegui terminar os posts que comecei nesse meio tempo, e pretendia publicar com datas retroativas apenas para não deixar esses meses passar em branco, entendi que era hora de deixar essa ausência registrada, porque ela é parte do momento que estou vivendo. E cá estou!

Mais do que meu veículo favorito de produção de conteúdo, esse blog está aqui para registrar minha vida. Foi pra isso que ele nasceu, é pra isso que ele mais me é útil, quando sento diante dos meus Arquivos e simplesmente clico num link antigo qualquer, só pra relembrar aquela Luly do passado e seu mundinho que acho, obviamente, delicioso. Fingir pra Luly do futuro que eu estava aqui, deixando esses registros pra ela também, seria uma mentira, e eu não quero mentir porque sei que, lá na frente, vou acreditar no que eu mesma escrevi com a mesma intensidade que acredito no que foi escrito lá atrás. Nem é uma questão de NUNCA mentir pra NENHUMA pessoa nessa vida, não. Eu faço isso, sim. Mas pra mim, nossa, não quero fazer mais.

Então resolvi ser sincera, comigo e com o blog, e com vocês também: nesses últimos 90 dias eu não dei conta!

Foto da boneca Joanne referente ao trecho Eu não dei conta do texto, vista à partir da parte de cima da sua cabeça, de forma que são visíveis os olhos e óculos na parte de baixo e o corpo segue em direção ao topo da foto. Ela segura uma caneca de chocolate quente, com um coelho de pelúcia rosa ao lado.

Ia fazer uma grande comemoração de 100 anos da Semana de Arte Moderna de 22 em janeiro e fevereiro, mas não dei conta. Ia lançar cadernos incríveis no Expresso Rosa, cujas capas estão impressas há tempos e me custaram um momento MUITO TENSO em que fiquei presa em um lugar bizarro quase sem conseguir voltar pra casa, mas não dei conta. Ia fazer 6 posts por mês, contadinhos no planner, aqui no blog, mas não dei conta. Ia manter meu quarto arrumado e me maquiar por completo de formas diferentes três vezes na semana, mas não dei conta. Ia ser uma aluna exemplar no curso de Expografia do CEFART pra honrar o nome que construí por lá, mas não dei conta. Ia até voltar a estudar LIBRAS porque meio que já esqueci tudo o que aprendi, mas não – dei – conta. É isto!

Por outro lado dei conta de tanta coisa que fica até difícil citar. Lidei com meu quarto sendo alagado DUAS VEZES, graças a um telhado que supostamente foi arrumado na primeira, mas a segunda provou que não. Consegui, numa surpresa maravilhosa da vida que jogou isso diretinho aqui no meu colo, meu primeiro emprego de carteira assinada, que obviamente toma grande parte do meu dia e já explica a bagunça da minha rotina que preciso organizar. Lancei uma newsletter, a “Hello, hello, pessoal!”, um lugar onde mensalmente vou dar uma desabafada sobre algo que me aflige e receber os desabafos de quem lê em troca. Até comecei o tal especial sobre Modernismo Brasileiro e tava ficando muito bom, e é bom nesse nível que ainda vou terminar. Porque eu não dei conta, mas vou chegar lá!

Ante-ontem, depois de sair de um evento do governo do Estado pro qual fui convidada lá no Palácio das Artes (porque sim, essa blogueira que vos fala foi notada pela maior instituição cultural de Minas Gerais), liguei pro meu pai pra papear e contei que, mais cedo naquele dia, tive minha primeira aula de francês com Amayi, minha amiga quase desde que o blog nasceu. Ele então ficou em silêncio por um segundo, perguntei se LEMBRA dela (vai que, né?) e ele disse “Claro que lembro, a Amayi eu sei quem é, o que eu não sei é que tempo é esse que você acha que tem pra fazer mais coisa na sua vida!”. Eu ri, porque sei que ele tá certo, que faço muito mais coisas do que consigo desde que me entendo por gente, aos apertos e tropeços, nem perfeito, nem de qualquer jeito, mas faço.

Mas essa sou eu e, por mais do que já tenha entendido que não consigo abraçar o mundo com as pernas, pelo menos uma parte dele vou continuar tentando segurar, sim!

Foto da boneca Joanne referente ao trecho Mas ainda posso chegar lá do texto, agora vista na posição normal, recostada no fundo rosa lendo um caderno d ecapa da mesma cor, com o chocolate quente no colo. Ao seu lado há outros cadernos, um urso de pelúcia e um espelho de mão rosa.

Fotos do meu perfil @lulydolls no Instagram.

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O Sorriso de Mona Lisa, Katherine Watson e eu

Julia Roberts como Katherine Watson em ''O Sorriso de Mona Lisa''.

No carnaval de 2018 tive alguns momentos meio brocoxô em meio à alegria e folia, por vários motivos diferentes. O primeiro deles, ouso dizer, ainda era o reflexo dos transtornos mentais que tinha acumulado no ano anterior, alguns com os quais já convivia há um tempo, outros que nem tanto, fora fatores que surgiram no próprio momento. Em resumo, era a antítese em pessoa, hora fazendo maquiagens temáticas empolgadíssima, hora me enroscando deitadinha na minha cama no escuro tão melancólico quanto a minha alma estava. E aí, nesse segundo cenário, zapeando pela Netflix afora, dei de cara com um filme assistido bem por alto quando mais nova, mas não sabia se tinha realmente absorvido: O Sorriso de Mona Lisa. Foi nesse dia que Katherine Watson mudou de vez a minha vida.

Mas antes, pra quem não conhece, trago contexto! O Sorriso de Mona Lisa é um filme de 2003 protagonizado pela maravilhosa Julia Roberts no papel da professora de história da arte Katherine Watson, que sai da Califórnia para dar aulas em uma das principais faculdades para moças do país, conhecida pelo perfil conservador, quase um local onde as alunas ricas frequentam enquanto esperam pelo seu casamento. Em meio à década de 1950, Katherine é considerada subversiva por ter visões progressistas, principalmente em relação ao papel da mulher na sociedade, e ao passar isso para suas alunas, apresentando a elas arte além dos padrões e as incentivando a enxergar a própria vida dessa forma, acaba pisando no calo não só de algumas delas, mas também de outras pessoas ao seu redor.

Julia Roberts como Katherine Watson em ''O Sorriso de Mona Lisa''.
Julia Roberts como Katherine Watson em “O Sorriso de Mona Lisa”, imagem via Microsoft.

Sabe aquela máxima do “O que você quer ser quando crescer?”, tão comum quando a gente é criança? Fazia muito tempo que eu não tinha uma resposta pra isso tão clara na minha mente. A maneira como ela dá a volta por cima em cada humilhação, o domínio da própria disciplina além dos padrões exigidos pela universidade, a enorme fé no que faz e, principalmente, como toca a vida das meninas em aspectos ainda maiores que o acadêmico. Em diversos momentos é acusada de hipocrisia e a primeira vez que assisti, há tanto tempo e muito mais crua que sou hoje, até concordei, mas agora não, agora consigo dar razão em cada atitude. Hipócrita é o meio em que está inserida e, oh, quase 70 anos se passaram aqui na vida real desde aquele contexto, muita coisa mudou, mas muitas outras continuam exatamente iguais. Pena!

Alguns meses antes desse click, estive perto de participar do processo seletivo de uma pós graduação de ensino de artes incrível, mas deixei passar… O arrependimento veio FORTE depois disso! Como não dá pra chorar sobre leite derramado, passei pouco tempo remoendo esse passado e rapidinho foquei em abraçar o futuro. Entre abraçar e viver não foi tão instantâneo, mas foi rolando. O passo mais importante, a decisão pelo caminho, foi dado, era hora de botar o pé na estrada. Agora, relembrando tudo o que rolou, foi muito mais na base dos tropeços e quedas do que de levantes. No meio da madrugada pós aniversário, puff, a decisão de estudar mulheres artistas. Uma ligação de propaganda que atendi sem querer, alá, um mundo de pós EAD que poderia cursar. Em dado momento até o mestrado que tanto reneguei se tornou possibilidade nessa cabecinha. Que loucura…

Katherine e suas alunas Giselle Levy (Maggie Gyllenhaal) e Joan Brandwyn (Julia Stiles).
Katherine e suas alunas Giselle Levy (Maggie Gyllenhaal) e Joan Brandwyn (Julia Stiles), imagem via Empire Online.

Quando criei o Vênus em Arte, um canal para ensinar história da arte através das mulheres artistas, hoje também podcast, era só um jeito de me forçar a produzir sobre o assunto como forma de estímulo, pra não deixar a chama apagar. Com o tempo ele foi me dominando, virou conteúdo aqui, nas redes sociais, brincadeiras que causam interação e engajamento nos Stories e, ai, o céu é o limite. Não cheguei a pisar numa sala de aula, o plano original, mas ensinei e principalmente aprendi tanta arte além do que os livros vinham me mostrando até então que, de vez em quando, já me sinto a Katherine Watson contemporânea. Talvez seja pretensão da minha parte, eu sei. Mas na vida tem espaço até pra isso, pra ser a primeira admiradora da sua jornada pessoal. Ajuda a colecionar outras admirações por aí.

Esse se tornou o maior dos meus “filmes confortos” desde então, busco por ele sempre que preciso lembrar como é estar bem. Agora uma breve ironia é o fato de que minha cena favorita sequer conta com a presença dessa personagem amada, tão fabulosa que precisa ser mencionada, aula de sororidade quando a gente nem sabia o que significava essa palavra. Em dado momento, frustrada com a vida, uma das alunas tenta descontar isso na outra, a ofendendo através das próprias dores. A colega, sabendo do que está acontecendo, tenta fugir sem rebater, e quando é confrontada diretamente retribui com um abraço de consolo. Falar aqui não vai descrever realmente sua força, mas é reflexo indireto do que foi plantado na sala de aula, que as incentivou muito além do ensino de artes. Eu sei, é mais pretensioso ainda sonhar com esse fazer diferença… Mas quem sabe um dia?

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o décimo quinto, referente a 2018.

O Sorriso de Mona Lisa, Katherine Watson e eu | Dia 15 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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Minha relação com a maquiagem

Foto de Luly Lage aos 3 anos, vestindo um macacão curto e marias-chiquinhas nos cabelos, segurando um estojo de maquiagem infantil na mão direita. Ao redor da foto, que é analógica, foram colocados itens de maquiagem já de adulta, todos em tons de rosa e vermelho, formando uma moldura.

Não sei precisar exatamente quando comecei a gostar de maquiagem, mas existe uma foto minha já aos 3 anos (acima) segurando um daqueles estojinhos de maquiagem infantil, sobre os quais hoje não sei se tenho opinião formada, e mais do que isso, tenho memórias dessa época, quando minha tia trabalhava com estética e tinha estojos gigantes com todas as cores possíveis na sala onde atendia. Ela me ensinou, bem superficialmente e só pra eu achar que sabia como fazer, que devia passar o tom de sombra mais escuro em baixo e mais claro em cima, é claro que provavelmente ficava pavoroso, mas eu me achava. Um pouco depois, lá pros 6, 7 anos, descobri que minha mãe tinha um batom vermelho em cima da pia do banheiro e às vezes, quando ela não estava em casa, subia ali pra passar, achava que ficava bonito demais – e ainda acho.

Minha primeira maquiagem não infantil foi justamente um batom vermelho da Avon, sabor morango de uma linha da Angélica que a marca tinha no início dos anos 2000. Eu era muito tímida e jamais usava na escola ou na frente dos meus amigos, mas dentro de casa era o tempo inteiro. Tinha também um potinho de glitter, que nem sei se era adequado para tal, pra passar nos olhos nas apresentações do coral e festinhas, logo quando rolou o boom dos gloss em roll on e NOSSA, era indispensável! Meus sabores eram menta e limão, tive vários desses dois, retocava horrores enquanto jogava Maquiagem Virtual da Barbie, meu jogo favorito da época por motivos óbvios de temática e personagem. A Barbie era um ícone pra mim e nunca fui desses crianças que rabiscavam as bonecas porque já as achava impecáveis, não conseguia estraga-las, fazia só no digital, mesmo…

Passei a maior parte da adolescência querendo aprender a usar maquiagem, com alguns itens na caixa destinada a isso e sem muita coragem de me aventurar. No último ano do colégio, com o vestibular batendo na porta, eu queria muito alguma cosa pra me distrair no momentos de descontração durante a semana, tendo ainda internet discada que reduzia meu tempo de blog e MSN aos fins de semana e feriado. Foi quando encontrei um MUNDO de produtos da minha mãe que ela nunca usava, porque não liga tanto pra isso, guardado no armário do banheiro. Sério, a maioria estava nova, esperando por mim. Descobri que maquiagem era algo muito maior que sombra-blush-batom, aprendi o que gostava e o que ainda não sabia, acordava mais cedo pra ir pra escola parecendo uma versão baixinha da Barbie (olha ela aqui de novo). Nesse ponto, pronto, estava APAIXONADA!

Em 2019, já na faculdade, eu sabia muita coisa de forma amadora, mas queria mais, então fiz meu primeiro curso de auto maquiagem da vida. Ele era bem curtinho, mas virou posts aqui no blog (um sobre rosto, outro sobre olhos) e muitas informações na minha cabeça. Redescobri o que me agradava e acima de tudo que continuaria assim, mudando de gosto quando preciso. Em seguida ganhei no Top Comentaristas do Mês do Just Lia uma sombra solta roxa, incrível, e como não sabia usar recorri ao YouTube, que já estava se tornando um amigo na hora dos penteados. As YouTubers de maquiagem foram um mundo que se abriu diante dos meus olhos e mais uma vez fiquei encantada por uma nova coisa dentro do velho encanto. Dois anos depois comprei meu primeiro batom caro, o M.A.C. Red, e aí batons vermelhos se tornaram, pra sempre, minha marca registrada!

Desde então ensaiei aqui e ali trazer esse amor pra produção de conteúdo, algumas deram certo e renderam bons frutos, mas algo em mim relutava em levar adiante. Várias vezes nos últimos anos, ao aparecer maquiada em algum lugar ou mesmo maquiar alguma amiga, ouvi “Por que você não vira maquiadora?” e nem eu mesma sabia a resposta, até que me peguei admirando um paleta que ganhei de presente um dia e finalmente entendi. Todas as coisas que gosto na vida viraram trabalho pra mim em algum momento, de forma ampla ou pontual, e por mais que eu seja 100% aquele tipo de pessoa que visa trabalhar com o que gosta, parecia que ia me “tirar” o último dos prazeres, sabe? Claro, posso pagar língua em relação a isso semana que vem, e se for o caso, faço, mas por hora prefiro manter o encantamento não só ao usar, mas mesmo quando tiro um tempinho pra OLHAR pra elas, tamanho é meu carinho por cada produto, querendo um o outro a mais, mas sempre satisfeita com todos!

Mesa de maquiagem composta por uma caixa azul marinho maior, onde há vários itens variados colocados desorganizadamente em cestas de plástico, uma caixa menor com paletas de sombra, uma cestinha maior com uma caneca de pincéis e itens variados e uma necessaire pequena, onde se vê mais maquiagens.
Meu cantinho de maquiagem, esperando pelo dia em que teremos uma penteadeira nesse quarto para ficar oficialmente completo.

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o sexto, referente a 2009.

Minha relação com a maquiagem | Dia 06 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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A aliança de prata

Foto de um buquê de margaridas, grande e pequenas, rodeadas de folhas verdes em um cesto de palha que não aprece direito na imagem. Ao fundo, um céu claro com muitas nuvens brancas.

Meu tempo de vida foi inversamente proporcional à minha importância naquela data especial. Antes do meu “nascimento” eu era apenas um monte de flores jogadas, mas quando a fita foi adicionada ao redor dos caules surgi oficialmente como um buquê de casamento. Eu sabia que seria uma das estrelas daquela noite onde uma aliança tão forte seria oficializada, que estaria na mão da noiva ao entrar e todos os olhos estariam em mim, ainda que indiretamente. Sabia que, depois, seria muito disputado por outras pessoas que também queriam viver aquele momento de alegria. Depois de uns dias estaria seco, cabisbaixo, e provavelmente iria para o lixo, no melhor cenário teria algum pedacinho guardado dentro de um livro, mas tudo bem. Minha missão era, pra mim, o que mais importava, e eu estava feliz em ser a escolha de Pilar Prates.no dia em que disse “Sim” para Jonathan Mesquita.

Enquanto Pilar caminhava pelo tapete vermelho, ele a olhava muito sorridente, com ar de quem estava se segurando para não chorar. Lembrei de uma amiga dela falando minutos antes, quando se preparava pra entrar antes dela, que ele era “o maior chorão”. Não consegui ver o momento exato em que se encontraram porque meu ponto de vista nem sempre é privilegiado, mas ser entregue à amiga em questão me deu visão total da breve cerimônia. Algumas pessoas riam, outras secavam lágrimas em lenços brancos idênticos. O casal se olhava de tempos em tempos, com muito carinho. O celebrante se atrapalhou por um instante com seu discurso pronto sobre alianças de ouro, sendo que todo mundo ali dentro sabia que cada um daqueles dedos anelares usava, há muito tempo, uma aliança de prata, a dela com um coração vazado, que deixou as fotos do noivado com um toque ainda mais especial.

A saída foi marcada por confetes jogados no ar e tumulto em direção ao salão onde a festa aconteceu. Apareci em fotos antes de ser momentaneamente esquecido para que não atrapalhasse danças, discursos e cumprimentos. De repente, antes que estivesse pronto para meu grande momento, Pilar me pegou de novo, subindo no palco. No microfone chamou TODAS as pessoas solteiras, mulheres ou não, para absorver um pouquinho da sorte que ela teve através do meu toque mágico. “Um… Dois… Três… Ainda não!”, ela brincou com a plateia eufórica feita de braços estendidos no ar. Meu frio na barriga era o maior de todos eles. Então ela olhou pra mim e sorriu, pedindo “Por favor” antes de, sem a típica contagem prévia, me lançar ao ar. Quase todo mundo foi pego de surpresa, exceto um par de mãos que nunca tinha sido recolhido após os arremessos de enganação.

Cecília me olhou sem acreditar. A noiva virou em nossa direção, ansiosa, e gritou com muita empolgação correndo para a amiga vencedora. As duas se abraçaram, me sacudindo no alto, como se eu fosse o maior dos troféus. Não faço ideia de qual foi a história que fez com que existisse uma torcida tão forte ali, mas cumpri meu papel de levar a ela o começo de um final feliz. A festa seguiu e terminou, levando os pombinhos para sua nova casa e eu para a minha, uma diferente da deles. Apesar dos esforços de Cecília para que eu continue em pé e cheio de vida, me sinto murchar a cada minuto, esperando pelo meu fim, que felizmente não chegou antes que eu pudesse assisti-la recebendo a caixinha contendo sua própria aliança, vinda de um lugar chamado Lojas Rubi, essa de ouro, para a alegria do celebrante que a mencionaria dentro de alguns meses.

Foto de duas mãos unidas sobre uma mesa onde há um fio de pérolas. A de baixo, masculina, usa uma grossa aliança de prata e de cima, feminina, com modelo semelhante, que tem um coração vazado, e unhas pintadas com um esmalte claro, ambos no dedo anelar.
Modelo de aliança Amare Love via Lojas Rubi.

Psiu! Prest’enção! Esse post é uma publicidade das Lojas Rubi. Você pode conhecer os produtos no site da loja e em redes sociais como Facebook, Instagram e canal no YouTube.

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Mas isso é arte? Ah, até eu faço!

Mas isso é arte? Ah, até eu faço! Imagem ilustrativa com exemplos de obras de alguns artistas cujo trabalho foi relativizado por seguidores do meu Instagram em fevereiro de 2021.

Em situações normais, fora desse contexto da pandemia, eu sou super a amiga de ir ao museu. Posso ser a de balada (bem pouquinho), a de cinema, de ficar á toa, de várias coisas, mas a de museu acho que é um papel que desempenho melhor. Eu AMO ir a museus, gosto de ver arte, produzo conteúdo sobre… Chego lá com informações sobre o teor da exposição, observando como cada obra foi colocada, faço meus registros em foto e vídeo sem deixar de apreciar o que tô vendo. Fora que, no que diz respeito ao conhecimento formal, entendo do assunto, então posso ser fonte de informação, mas sem ser a chatona que transforma o rolê em palestra, sei brincar e sei falar sério, simultaneamente. Cara, que saudades de PODER receber um convite desses…

Estudar determinado assunto não te isenta de desgostar de algo dentro dele, claro, mas ajuda bastante a enxergar com olhar menos tendencioso. Eu sei que qualquer coisa que tem a intenção (ou às vezes nem isso!) de ser uma manifestação artística tem seu valor, sabe? É LÓGICO que existe algo aqui ou ali que pessoalmente acho “feio” (cofcofRomeroBrittocof), mas é muito raro, de verdade, porque o que existe por trás daquela peça tem uma carga tão maior pra mim, em mil sentidos, que não consigo deixar de ver beleza, esteticamente falando, mesmo, nela. E, no meu papel de companhia de quem não compartilha dessa visão, acabo ouvindo coisas que vão além da preferência estética e não dá pra deixar de rebater: o questionar se algumas coisas são arte de fato ou a afirmação de que aquilo é tão insignificante que qualquer pessoa poderia ter feito.

E assim, rebato!

“Mas… Isso é arte?”

Sim, isso é arte! Você gostando ou não, é arte. Na verdade, dependendo de quem é você e de qual é a arte, ela foi feita pra você não gostar. E ainda assim é arte.

O conceito de arte por si só é variável e muda constantemente conforme muda a sociedade, sendo um reflexo da mesma. Pode ser expressão e decoração, quando se pensa nela de forma imediata, mas também emoção, ciência, registro histórico, percepção e até manifestação acidental. Um utensílio de cozinha, algo que foi corriqueiro na vida de sociedade X o Y, de repente pode estar no museu sendo exaltado dessa forma. E, ao mesmo tempo, existem as manifestações artísticas propositais que não seguem o que se muitas pessoas entendem como “arte”, baseando-se num modelo clássico e padrões de beleza que estão há muito obsoletos e ignoram a subjetividade da própria ideia da beleza. A humanidade mudou desde Botticelli, o ideal do belo vem se tornando cada vez mais amplo e o modo de produzir todos os tipos de artes se transformam também. Ainda bem!

Por exemplo, a pintura-retrato que expressa o que o artista vê (ou uma versão idealizada disso) era a maneira encontrada de deixar sua marca fisicamente para gerações posteriores e mais tarde, com a popularização da fotografia, passamos a ter outro jeito de fazer isso. É natural que o conceito venha se sobressaindo ao visual e, principalmente, ao que soa como “real” na nossa mente. Além disso, esses conceitos e questionamentos sempre estiveram presentes na arte, não só na contemporânea como muitos acreditam. Ao estudar sua história percebemos que um movimento artístico contesta o que estava em alta antes dele, trazendo novas reflexões àqueles que se expressavam através dela e, com sorte, aos que consumiam. Apesar de existir uma quebra maior à medida que o final da era moderna foi se aproximando, sempre esteve presente e sempre incomodava aqueles que se recusavam a evoluir.

Não é como esses que queremos ser, né?

“Ah, isso aí até eu faço!”

Bom… Então faz! Se é assim vai lá e faz!

Veja bem, é claro que na vida o conhecimento e as oportunidades dependem de DIVERSOS fatores que precisam ser levados em conta… A infinidade de privilégios que podem determinar o destino de alguém não pode ser ignorada, né? Mas, ainda assim, uma coisa que não deixa de ser verdade é que a produção artística de alguém NUNCA depende apenas de “talento”. Na verdade o que as pessoas chamam de talento é resultado de muito estudo, esforço, investimento, horas e horas se dedicando à atividade em questão. Aptidões mais voltadas para uma área que pra outra? É, temos. Mas não em definitivo. Habilidade e criatividade são coisas que podem ser ensinadas e aprendidas. Acima de tudo elas podem ser treinadas diariamente, de hora em hora, sem parar, resultando, é claro, num produto cada vez mais satisfatório. Ou, pelo menos, assim a gente espera.

Sendo assim, é claro que QUALQUER produção artística poderia, de fato, ser feita por QUALQUER um de nós. Eu acredito nisso. Porém elas são feitas pelas pessoas que, seja por aptidão, oportunidade e/ou esforço absurdo, fizeram. Então não é nada legal menosprezar o trabalho de alguém falando que você, um leigo no assunto, dá conta de fazer igual. Você não fez e, mesmo se fizer, NÃO VAI SER IGUAL! A história que vai existir por trás de um ou de outro vai ser diferente, simples assim. Qualquer um poderia ter pintado O Grito de Edvard Munch ou conduzir as pesquisas sobre radioatividade de Marie Curie, mas não foi esse “qualquer um” que o fez. Foram eles, e você tem direito TOTAL de gostar ou discordar da qualidade desses trabalhos. Mas o trabalho é deles, e fim!

Leia também: Nunca precisei de artista.

Por fim, vou fechar com a fala de uma das personagens que mais gosto na vida, a professora Katherine Watson de “O Sorriso de Mona Lisa”, que foi muito importante nessa minha trajetória como arte-educadora nos últimos anos (e sobre a qual quero escrever um post inteirinho, ainda). Em determinada cena em que suas alunas desdenham de Jackson Pollock ela diz: “Façam-me um favor. Façam um favor a vocês mesmas. Parem de falar e olhem. Vocês não precisam escrever um artigo. Vocês nem precisam gostar. Vocês PRECISAM, porém, considera-la.” Recomendo que apliquem em todo o tipo de arte visual que forem consumir, cada vez mais!

Mas isso é arte? Ah, até eu faço! Imagem ilustrativa com exemplos de obras de alguns artistas cujo trabalho foi relativizado por seguidores do meu Instagram em fevereiro de 2021.
Obras presentes na imagem: A New Day, de Romero Britto; Sem Título (1984), de Jean-Michel Basquiat; Número 17A (1948), de Jackson Pollock; Roda de Bicicleta (1913), de Marcel Duchamp e Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral.
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