A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Suzanne Collins

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: Instrumento de cordas pequeno e marrom à esquerda da imagem, ao lado do livro resenhado. Ao fundo, uma camiseta preta com o símbolo da saga Jogos Vorazes, um pedaço de papel arco-íris em um canto e um marador de livro da saga Jogos Vorazes ao lado.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Uma história da série Jogos Vorazes (The Ballad of Songbirds and Snakes)*****
A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: capa do livro verde escura com um alvo alternando entre a cor do fundo e um tom mais claro. Ao centro, um tordo dourado olha pra cima montado em um galho onde há uma cobra da mesma cor. O título encontra-se em cima da imagem e abaixo o nome da autora. Autor: Suzanne Collins
Gênero: Distopia
Ano: 2020
Número de páginas: 576p.
Editora: Rocco Jovens Leitores
ISBN: 9786556670058
Sinopse: “É a manhã do dia da colheita que iniciará a décima edição dos Jogos Vorazes. Na Capital, o jovem de dezoito anos Coriolanus Snow se prepara para sua oportunidade de glória como um mentor dos Jogos. A outrora importante casa Snow passa por tempos difíceis e o destino dela depende da pequena chance de Coriolanus ser capaz de encantar, enganar e manipular seus colegas estudantes para conseguir mentorar o tributo vencedor. A sorte não está a favor dele. A ele foi dada a tarefa humilhante de mentorar a garota tributo do Distrito 12, o pior dos piores. Os destinos dos dois estão agora interligados – toda escolha que Coriolanus fizer pode significar sucesso ou fracasso, triunfo ou ruína. Na arena, a batalha será mortal. Fora da arena, Coriolanus começa a se apegar à já condenada garota tributo… E deverá pesar a necessidade de seguir as regras e o desejo de sobreviver custe o que custar.” (fonte)

Comentários: Para os fãs da trilogia Jogos Vorazes, Coriolanius Snow é o déspota presidente de Panem, uma nação distópica localizada onde hoje é a América do Norte, que condena anualmente duas crianças de cada um dos seus doze distritos a esse reality show onde elas devem se matar para que reste apenas um vencedor. Na 74ª edição dos Jogos uma heroína surgiu ameaçando sua soberania, mas e se voltarmos várias décadas no tempo, na 10ª edição… Quem era Coriolanius então? Aos 18 anos, ele já apresentava sinais de ser tão venenoso quanto sabemos ser capaz ou foi apenas corrompido pelo tempo? Como chegou na sua busca violenta ao poder apresentada em “A Esperança”? Em A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, publicado dez anos depois do lançamento da saga no Brasil, Suzanne Collins traz muitas respostas e tantas outras perguntas através de um incrível romance prólogo!

Instrumento de cordas pequeno e marrom à esquerda da imagem, ao lado do livro resenhado. Ao fundo, uma camiseta preta com o símbolo da saga Jogos Vorazes, um pedaço de papel arco-íris em um canto e um marador de livro da saga Jogos Vorazes ao lado.

Apesar de me considerar fã da trilogia original e de ficar empolgada com o lançamento desse livro ano passado, eu não tinha nenhuma expectativa real para ele. A premissa já sabia: nessa história o jovem Snow é mentor do tributo feminino do Distrito 12, o mais miserável deles e casa da nossa Katniss Everdeen, sendo até foi mencionada superficialmente pela própria no primeiro livro. Não sabemos, porém, mais nada sobre Lucy Gray ou até mesmo sobre ele nesse momento da vida. É uma Panem diferente, com problemas diferentes, personagens diferentes e até mesmo um protagonista diferente do antagonista que ele foi depois. Ainda assim, sabendo do teor da trama, do título super curioso e até do fato de que a publicação é um calhamaço de mais de 500 páginas, me joguei nela com total neutralidade. Talvez por isso achei tão MARAVILHOSO, ou pelo simples fato de que é, mesmo.

“As pessoas tinham memória curta. Elas precisavam andar em volta dos destroços, pegar cupons de racionamento de alimentação e assistir aos Jogos Vorazes para que a guerra permanecesse viva na mente.”

A construção do Snow (que não consigo chamar pelo primeiro nome de jeito nenhum) é, pra mim, o ponto mais positivo de todos. Entre dois clichês que não gosto muito, o “ditador mirim” que sempre foi assim e o rapaz completamente inocente que é corrompido de supetão, o caminho escolhido foi um terceiro e ideal. Um adolescente já ambicioso, disposto a tudo para chegar onde quer e superar a decadência na qual sua família foi jogada, mas longe de um assassino frio e cruel. A essência está lá, em pensamentos eugenistas e sentimento de superioridade, mas existe, ainda, algum grau de humanidade dentro dele também, capaz de sentir carinho, empatia e até amor por algumas pessoas. Ele me soou real, como qualquer pessoa que conhecemos quando nova e encontramos anos depois, alguém que mudou com o tempo, mas tinha pedacinhos do que se tornou lá atrás.

Página inicial da primeira parte do livro, onde se lê 'Parte 1 - O Mentor', como elementor quadrados ao redor dando sensação de pixels. O Instrumento está levemente em cima do canto superior da página.

Outro aspecto maravilhoso, que já era uma característica dos outros livros (e destaquei no desafio sobre eles respondido muitos anos atrás) é o fato que a escrita da Suzanne é muito, muito, muuuuuuuuuito envolvente. Nesse ela criou uma versão ainda mais cruel dos Jogos, sem todo o glamour que passou a ter com o tempo, o que significa ver os tributos tratados com uma desumanidade tão grande que chega a dar enjoo, fora todo o cenário de guerra ainda recente em diversos elementos. Entretanto, mesmo nos momentos mais indigestos, é IMPOSSÍVEL conseguir parar de ler até acabar! Eu o peguei justamente por ser longo, estava sem saber o que ler e escolhi algo que achei que duraria mais tempo pra poder pensar no que engatar em seguida, mas em menos de dois dias já tinha acabado. Ela é genial, a gente até esquece de respirar, às vezes!

“Vocês não têm o direito de fazer pessoas passarem fome, de puni-las sem motivo. Não têm direito de tirar a vida e a liberdade delas. Essas são coisas com as quais todo mundo nasce e não são suas para serem tiradas assim. Vencer uma guerra não lhes dá esse direito.”

A história é dividida em três partes: O Mentor, O Prêmio e O Pacificador, narrados na terceiro pessoa do passado. É interessante porque os Jogos Vorazes são mostrados de fora pela primeira vez, já que o protagonista não está na arena, e ocupam o “meio” da história, de forma que o clímax não acontece ali dentro. Somos apresentados a novidades que essa edição tem em relação às anteriores, que nos levam ao formato que já conhecemos, e novas personagens muito bem trabalhadas, principalmente Sejanus Plinth, que traz mensagens maravilhosas e é uma voz de esperança em meio a tanto horror, e a própria Lucy, tão complexa e cheia de camadas que fica difícil ser lida do começo ao fim, ainda mais tendo a visão deturpada do Snow sobre tudo – e ela principalmente – para te enganar. A gente passa o livro tentando ver além do que ele vê.

Visão lateral do livro, com o instrumento ao fundo e o marcador em baixo.

No quesito “fan service”, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes também é um prato cheio. Logo de cara reencontramos uma coadjuvante super querida, que surpreende por ter uma proximidade familiar com o protagonista e explica muito do que demonstra sentir por ele anos depois, além de alguns nomes que soam como de antepassados de outros conhecidos. A jornada pela cultura do Distrito 12, então, é muito gostosa, relembrando as principais músicas que emocionam por terem sido importantes pra Katniss e surpreendendo ao entender definitivamente sua origem. Aliás, falando em Katniss, ela não ficou esquecida, não! Sessenta anos antes do seu nascimento nossa Garota Em Chamas é homenageada lindamente sem nenhuma forçação de barra. Realmente, um grande prólogo à altura do enredo principal, não vejo a hora de assistir ao filme também!

“Rosas são vermelhas, violetas, como o mar.
Os pássaros sabem que sempre vou te amar.
Sabem que vou te amar, ah, sempre vou te amar.
Os pássaros sabem que sempre vou te amar.”

Se eu tiver realmente que destacar um lado negativo, e novamente falando de forma muito pessoal, acho que eu queria um final um pouquinho mais fechado em alguns pontos. [INÍCIO DA ÁREA DE SPOILER] Entendo que uma não finalização da trajetória da Lucy Gray é pura poesia, faz apologia à música dela, mas continuo querendo saber o que aconteceu. Fora isso, o final é impecável, muito louco presenciar o primeiro envenenamento direto desse grande vilão sabendo que tantos outros estavam por vir. [/FIM DA ÁREA DE SPOILER] Tirando esse detalhezinho, não tenho do que reclamar. Mais uma vez você se engana em alguns pontos, quase acreditando ler uma história de amor (e quaaase torcendo por ela), mas no fundo está cara a cara com uma trama política complexa e aterrorizantemente próxima da nossa realidade.

Citação da música 'A Árvore Forca' presente no livro, com o marcador comemorativo dos 10 anos de Jogos Vorazes em baixo.

Suzanne Collins tem 58 anos e nasceu em Hartford, Estados Unidos. Depois de se formar em Teatro e Telecomunicações em Indiana, trabalhou como roteirista em programas infantis da Nickelodeon, até lançar “Jogos Vorazes” em 2008, seguido de “Em Chamas” em 2009 e “A Esperança” em 2010, que foram adaptados para o cinema entre 2012 e 2015 com jennifer Lawrence no papel de Katniss e Donald Sutherland interpretando Snow. Ela chegou a publicar outros livros não relacionados à saga nesse meio tempo, alguns deles disponíveis no Brasil, até retomar a esse universo tão premiado e aclamado agora, em 2020, em “A Cantigas dos Pássaros e das Serpentes”. É possível conhecer sua obra mais afundo no site oficial, suzannecollinsbooks.com (em inglês).

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A Arte de Ser Normal

A Arte de Ser Normal

A Arte de Ser Normal (The Art of Being Normal) *****
Autor: Lisa Williamson
Gênero: Drama
Ano: 2015
Número de páginas: 384p.
Editora: Rocco
Sinopse: “David Piper tem 14 anos e um desejo: ‘Quero ser uma menina’. Mas este é um segredo que ele compartilha apenas com Essie e Felix, seus únicos amigos, pelo menos até a chegada de Leo Danton à escola Parque Éden. Apesar de muito diferentes e cada um guardando um segredo próprio, David e Leo iniciam uma profunda amizade, que é a base do elogiado romance de estreia da atriz e escritora britânica Lisa Williamson. Com diálogos engraçados e relatando situações cotidianas na vida de adolescentes, a autora consegue abordar a delicada e muito atual questão da identidade de gênero de maneira leve e nada apelativa, numa narrativa que conquista o leitor da primeira à última linha.” (fonte)

Comentários: Falei um pouquinho sobre esse livro no meu vídeo de livros favoritos de 2015 e prometi que ainda faria resenha dos que ainda não tinha feito na época que gravei, então cá estou cumprindo promessas!
“A Arte de Ser Normal” tem como tema principal a questão de identidade de gênero em adolescentes, mais especificamente de um garoto chamado David. Ele, que se descreve como “uma garota heterossexual presa no corpo de um garoto”, tem 14 anos e sofre bullying na escola desde criança por ter respondido a pergunta “O que você quer ser quando crescer” com a simples frase “Quero ser uma garota”. Desde essa época, porém, David não divide esse sentimento com mais ninguém além de seus dois melhores amigos porque sabe que dificilmente será aceito não só por seus colegas, mas também pela família e toda a sociedade.
E é quando Leo muda para a escola dele. Leo é um pouco mais velho e é uma pessoa extremamente tensa que deixa que espalhem os boatos que foi expulso da antiga escola apenas para manter as pessoas afastadas. Porém ao presenciar uma cena de humilhação contra David no horário do almoço ele resolve intervir, e é quando os dois começam a se tornar amigos, passando a dividir um com o outro os dramas de suas vidas.
(Esses parênteses são só pra contar que os dois têm nomes que eu AMO de paixão, então isso é mais um plus para a história pra mim, inclusive um deles está no meu livro que eu juro que vai ser publicado, gente, ‘guenta a mão aí.)

É até difícil enumerar os pontos positivos porque a história é maravilhosa. A identidade de gênero é um assunto que vem sendo muito discuto, mas ainda não é compreendido pelas pessoas. A gente escuta muito que alguém “resolveu virar mulher” e expressões do tipo, mas na verdade não é que um home resolveu virar mulher ou a contrário: ele ou ela já nasceu daquele jeito e não aguenta mais ficar preso em seu “corpo errado”. É difícil assimilar isso quando você não vive, claro, mas acho que abrindo a mente um pouquinho fica tudo compreendido.
As narrações do David são altamente tocantes, para que a gente consiga entender mesmo o que se passa dentro da sua cabecinha. Existem cenas de PARTIR O CORAÇÃO, em que ele fala como se sente em relação a algumas partes de seu corpo, quando ele começa a se maquiar para no meio do caminho porque se sente mal e principalmente as cenas em que ele vai vendo sua irmã mais nova virando adolescente, comprando o primeiro sutiã e ficando menstruada. Nessas ele fica duplamente mal porque sabe que deveria estar feliz por ela, mas só o que consegue sentir é que nunca vai passar por aquelas experiências tão corriqueiras mas ainda assim marcantes na vida de uma garota. Dá vontade de entrar no livro e dar um abraço apertado nele, porque é uma fofura de pessoa!
E eu não posso deixar de falar do Leo, é claro, que é outro que precisa de muito colo na vida. Ele é o lado “misterioso” do livro, e mesmo que dê para perceber facilmente alguns de seus problemas nós vamos o conhecendo mais e mais a partir do momento em que ele começa a se abrir e, nossa, algumas revelações sobre a história de vida dele e de sua família são chocantes e bem mais pesadas.

O ponto negativo do livro é o fato de estar na primeira pessoa do presente porque eu ODEIO. Sei que é para dar a sensação de que você está ali no momento, na cabeça daqueles adolescentes, sem saber o que vem em seguida, mas não consigo me acostumar, fico irritada com aquilo porque sinto como se fosse uma jogada de marketing de jornal, que põe a manchete assim para atrair a curiosidade do leitor como se ele estivesse “lendo ao vivo”. Mas isso, claro, é implicância minha, tenho certeza que se foi usado é para ser a favor da história.
Eu vi algumas pessoas reclamando também do final meio “conto de fadas” que o livro tem em alguns aspectos porque isso raramente acontece, mas eu não vejo nada de errado, gosto do enredo realista mas prefiro muito mais quando ele tem um final feliz, ou pelo menos com a esperança de a felicidade vir em breve.

No início eu achava a capa bem clichê e até feia, mas depois que li comecei a me afeiçoar a ela por inteiro: as cores, os significados, passei a achar a simplicidade algo muito positivo! Sei lá, agora gosto bastante, eu peguei emprestado de um amigo mas é um que ficaria feliz em ter na minha estante.

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“Animais Fantásticos e Onde Habitam” irá se tornar filme!

Estou aqui vibrando de amor e emoção do fundo do meu coração para dar umas das melhores notícias que qualquer fã de Harry Potter poderia receber. Juro que eu não pretendia publicar dois posts sobre HP assim, um seguido do outro, mas não é minha culpa que J.K. Rowling e a Warner se uniram novamente para nossa alegria.
Saiu ontem em todos os jornais, todos os sites de notícias e todas as redes sociais… O livro “Animais Fantásticos e Onde Habitam” irá se tornar um filme!!!
Mas começaremos do começo pra situar quem não conhece a história.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” faz parte da lista de material de Hogwarts do Harry em “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e é de autoria de um senhor chamado Newt Scamander. Inicialmente era só isso, um livro fictício que fazia parte da história de um outro livro, até que em 2001 ele foi publicado para o “mundo trouxa” pela Comic Relief. J.K. Rowling escreveu aquelas palavras em nome de Newt e os comentários em nome de Alvo Dumbledore e toda a renda arrecadada foi e é doada para ajudar as populações mais pobres do mundo. Esse não foi o único, existe também um livro da biblioteca de Hogwarts nesse formato, o “Quadribol Através dos Séculos”.
Essa edição “trouxa” de Animais Fantásticos é tão fantástica quanto seu título. É uma réplica do livro escolar usado pelo próprio Harry, com comentários e rabiscos feito por ninguém menos do que ele, Rony e Hermione. Ele é bem finiinho, tem menos de 70 páginas, mas é uma delícia de ler! Gente, significa estar lendo um livro usado em aulas de Hogwarts com registros dos três protagonistas da saga. Quem ainda não tem e é fã da saga pode providenciar assim que der, é item indispensável!

animfantondehab
via Instagram

E agora sobre o filme em si. Lógico que ainda vai demorar bastante, lógico que nossa euforia vai ter que ser contida por um longo tempo, mas a própria J.K. Rowling anunciou a grande notícia para os fãs. A Warner a convidou para escrever o roteiro da adaptação do livro para filme porque somente ela conseguiria fazer tal feito. Não é um livro de história, não é uma narrativa: é um livro didático! Como fazer um filme inspirado em algo assim?
Ao que parece, J.K. vai usar como protagonista o próprio autor do livro, Newt Scamander. Ela disse que sempre teve em mente fatos sobre a vida dele e, apesar de ser uma personagem MEGA fora da história, é alguém de quem gosta muito. A prova disso é que ela casou o neto dele com uma das suas favoritas: Luna Lovegood!! Algumas pessoas não sabem disso porque ela divulgou depois fora da história, mas segundo ela o garoto é um naturalista e os dois tiveram gêmeos algum tempo depois do resto de seus colegas já terem filhos.
Essa notícia caiu assim nas nossas vidas de repente, o filme ainda está ganhando um roteiro e sóóó depois vai passar a existir finalmente. Mas já é motivo para os Potterhead começarem a comemorar e, quem sabe, um incentivo para outros projetos como esse. Eu adoraria ver “Os Contos de Beedle, o bardo” virando filme e “Hogwarts, uma história” (finalmente) sendo publicado como um livro em sua versão trouxa. Vamos esperar pra ver, né, cheios de ansiedade!

Pra fechar… Essa notícia merece uma dancinha comemorativa especial interpretada por um membro da família. Comemora aí, Luna!

lovegooddance

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