Let Them All Talk: ritmo lento regado a citações incríveis

Cena do filme Let Them All Talk onde as personagens estão centadas à mesa em um restaurante bem iluminado, sendo elas Susan (Dianne Wiest) e Roberta (Candice Bergen) à esquerda e Alice (Meryl Streep) e Tyler (Lucas Hedges) de frente para elas, à direita. As três mulheres são idosas e têm cabelos brancos, enquanto o rapaz é um jovem de cabelos escuros.

Let Them All Talk *****
Pôster do filme Let Them All Talk em que Alice, interpretada por Meryl Streep, está apoiada em uma porta branca, com uma mão sobre a boca. Ela tem cabelos brancos, usa óculos de grau de armação escura e roupa de frio também escura. O título e créditos do filme estão acima da sua cabeça, onde há um degradê de cor turquesa, lembrando o cor do oceano. Elenco: Meryl Streep, Lucas Hedges, Candice Bergen, Dianne Wiest, Gemma Chan, John Douglas Thompson, Dan Algrant
Direção: Steven Soderbergh
Gênero: Drama
Duração: 113 min
Ano: 2020
Classificação:
Sinopse: “Uma escritora de sucesso (Meryl Streep) embarca em uma viagem com antigos amigos em um cruzeiro, buscando uma boa dose de diversão e também a cura para algumas feridas do passado. Metido a garanhão, seu sobrinho (Lucas Hedge) a acompanha com o objetivo de conquistar a maior quantidade de mulheres possível, mas chegando lá ele acaba se apaixonando por uma jovem agente literária (Gemma Chan).” Fonte: Filmow.

Comentários: Alice Hughes é uma escritora estadunidense de sucesso que está prestes a receber mais um prêmio, dessa vez na Inglaterra, mas não gosta de andar de avião e, por isso, decide não ir. Sua agente, uma fã do seu maior best seller que deseja muito vê-la publicando a continuação, consegue para elas vagas em um navio que faz o trajeto, pensando que assim conseguirá persuadi-la. Alice decide levar junto seu sobrinho Tyler, por quem tem imenso e recíproco carinho, e duas amigas de faculdade com as quais acabou perdendo contato e pretende se reconectar: Susan, uma senhora gentil que gosta de fazer diferença na vida das pessoas através de seu trabalho, e Roberta, cuja vida financeira está bastante frustante. No trajeto, entre tentativas e falhas de todas as partes, eles encontram à bordo outro escritor famoso e um misterioso homem que é visto sempre no mesmo ambiente que a protagonista…

“Eu acho que atração é a força que move o universo, na verdade… É como a gravidade ou a força magnética. Aquilo que faz as borboletas-monarcas voarem pelo mundo.”

Let Them All Talk foi a primeira coisa que assisti na HBO Max, que estreou no Brasil mês passado com um vasto catálogo. Um original da plataforma, esse filme me atraiu por ter como personagem principal minha queridinha suprema Meryl Streep no papel de uma escritora, mas apertei o play sem nenhuma outra informação sobre, apenas me deixando levar. De cara, é claro, o elenco chama MUITA atenção por ter nomes de peso do entretenimento norte-americano, no papel de pessoas tão diferentes e profundas que me deixou surpresa. Esperei pelos esteriótipos clássicos de grupos de amigas como “a inteligente”, “a solteirona”, “a boazinha”, etc, mas não, elas são mais complexas que isso e mesmo num espaço de tempo tão curto é possível conhecer gradativamente sua história, o que as levou onde estão e, principalmente, a causa do afastamento daquela amizade antiga, que não parece ter sido natural.

Foto de uma cena de Let Them All Talk onde as personagens Tyler e Alice, ele usando terno escuro e camisa de cor clara enquanto ela usa uma roupa completamente escura, encostados no parapeito de uma varanda do navio em que estão viajando. Os dois estão lado a lado, de frente para a câmera, olhando um para o outro, e ao fundo é possível ver um pouco do andar debaixo do navio e o oceano à sua frente.
Let Them All Talk: Imagem via Vulture.

É muito importante destacar para quem pretende assisti-lo que ele tem desenvolvimento bastante lento, como optar por atravessar o oceano pela água ao invés de fazer isso pelo ar. Para quem busca momentos de ação, grandes clímax empolgantes ou mesmo dramas profundos pode ser frustrante. Existe carga sentimental, pitadas de humor, descobertas interessantes, tudo, mas em doses homeopáticas de forma que torna o longa entediante para algumas pessoas. Por outro lado ele é visualmente tão bonito, tecnicamente tão bem conduzido e tem falas que, mesmo cotidianas, são tão intensas que é um prato cheio digno de ser degustado. A busca dessa mulher pela reinserção das pessoas que já foram importantes pra ela na sua vida, que a gente não consegue entender a princípio de onde realmente vem mas torce pra acontecer, é íntima demais, e o final que chega para ela, definitivamente, surpreendente.

Leia também: Resenha do filme Do Jeito Que Elas Querem, comédia também protagonizada por um grupo de atrizes veteranas premiadas.

O filme fica ainda mais fascinante quando você pesquisa sobre o contexto em que foi gravado, dois anos atrás. Imagina um diretor de cinema levando três atrizes premiadíssimas, fora o resto da equipe, à bordo do Queen Mary II, um navio que faz travessia de um continente a outro pelo Atlântico, e filma ali, deixando inclusive que essas pessoas improvisem as falas no meio do caminho? Pois essa foi produção de Let Them All Talk! Entre o desenvolvimento da história, inclusive, eles colocaram algumas cenas do dia a dia da tripulação, pra realmente te colocar “no clima” do cruzeiro, como pequenos respiros na narrativa, que é guiado por uma trilha sonora tão, tão gostosa que não dá vontade de parar de ouvir. É, o ritmo pode não agradar aos mais afobados, mas o conjunto da obra, pra mim, foi sensacional.

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A Voz Suprema do Blues

A Voz Suprema do Blues: cena do filme em que Viola Davis, interpretando a cantora Ma Rainey, se encontra ao centro, com uma mão levantada e a outra na cintura, usando um vestido típico da década de 20 em tom neutro de aspecto elegante está posicionada em frente a um microfone, cantando. No canto esquerdo da imagem o ator Chadwick Boseman interpreta Leve, tocando um instrumento de sopro enquanto veste terno de risca de giz. Ao fundo estão outros músicos da banda do filme, todos homens negros. O grupo está dentro de uma sala de cores neutras, apagadas, com grandes cortinas cobrindo as janelas.

A Voz Suprema do Blues (Ma Rainey’s Black Bottom) *****
A Voz Suprema do Blues: Poster do filme em que o título em inglês (Ma Rainey's Black Bottom) está no topo e os créditos na parte inferior. Como imagens principais estão os astros Chadwick Boseman e Viola Davis, ele tocando um instrumento e ela posando, ambos vestindo trajes da cor azul marinho típicos da década de 1920 e com ar de luxo. Elenco: Chadwick Boseman, Viola Davis, Colman Domingo, Glynn Turman, Michael Potts, Taylour Paige, Dusan Brown, Jeremy Shamos
Direção: George C. Wolfe
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 94 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Ma Rainey (Viola Davis) é a ‘Rainha do Blues’. Ela faz um disco em um estúdio em Chicago, em 1927, mas as tensões fervem entre ela, seu agente, o produtor e seus colegas de banda.” Fonte: Filmow.

Comentários: Adaptado na peça de 1984 “Ma Rainey’s Black Bottom”, seu título em inglês, A Voz Suprema do Blues é um drama centrado na gravação de um dos álbuns da cantora de blues norte-americana Ma Rainey, quando o trompetista Levee demonstra grande ambição de entrar na indústria da música de forma mais ativa, através de suas próprias composições, provocando o resto da banda composta por homens negros de diferentes idades. A duração do filme é relativamente curta para um longa metragem e tem cenário bem limitado, se passando quase todo em apenas um dia, mas o primor da produção, atuações excelentes e temáticas relevantes rendeu cinco indicações à premiação do Oscar que acontece nesse domingo, dia 25, sendo elas Melhor Ator (Chadwick Boseman, em indicação póstuma), Melhor Atriz (Viola Davis), Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Figurino. (Atualizado: foi VENCEDOR das duas últimas!)

Mas antes… Senta que lá vem história! Gertrude “Ma” Rainey era conhecida como “A Mãe do Blues” por ser uma das principais cantoras de blues afro-americanas na década de 1920, uma das primeira mulheres a gravar álbuns do gênero. Sua carreira começou na Georgia, onde alegava ter nascido e faleceu, mas migrou para o norte, quando gravou diversos álbuns com a Paramount, em Chicago. Foi casada com Will “Pa” Rainey, também artista, o que deu origem ao seu nome de palco, e era conhecida não só pelo pioneirismo na área em relação ao seu gênero e cor e grande dinamismo performático, mas também estilo de vida controverso sexualmente, com seus casos com pessoas de ambos os sexos, e socialmente, ao se vestir com roupas tradicionalmente masculinas, atitudes consideradas radicais à época.

Apesar de falar da gravação de um álbum real por uma artista real, a trama que gira em torno de Levee, último papel de Boseman, é fictícia. Ele por si só é uma figura BEM interessante, um daqueles personagens profundos que te fazem sentir um pouco de incômodo pelas atitudes, mas tendo isso justificado logo em seguida ao conhecer um pouco mais de sua vida dramática carregada de cicatrizes, físicas e psicológicas. Um jovem que acredita no próprio trabalho em uma época onde negros sequer tinham direitos civis nos Estados Unidos, e apesar de ter estilo diferente da chefe na arte que eles compartilham é clara sua admiração por ela, que consegue ditar ordem até para os homens brancos com os quais trabalha. Essa dupla de protagonistas, lado a lado com um pequeno grupo de coadjuvantes tão incríveis quanto, é, de todos os pontos positivos, o mais admirável. Todos im-pe-cá-veis!

A Voz suprema do Blues: cena do filme em que Chadwick Boseman se encontra em primeiro plano, deitado sobre um banco com a cabeça apoiada em uma melta, e os outros membros da banda do filme estão ao fundo, olhando pra ele, ao lado de seus instrumentos. O quarteto se encontra em uma sala de parede de tijolos expostos e piso de paralelepípedos, com apenas uma pequena janela ao fundo de onde vem a iluminação e toda o ambiente tem tons neutros evidentes, dando detaque para o dourado dos instrumentos de sopro e o amarelo do sapato do protagonista.
A Voz Suprema do Blues: Imagem via Poltrona Nerd.

O roteiro é super forte, levanta muitas questões ativistas relevantes até hoje, complementado parte técnica que não deixa a desejar com sonoplastia excelente, fotografia belíssima e um figurinos característico da década de 1920 bem trabalhado. O visual do filme tem tons sóbrios, até mesmo o céu de verão em Chicago é pálido, quase branco, o que torna os ambientes fechados onde a história se desenvolve abafados, meio claustrofóbicos, mostrando o lado não tão glamouroso da indústria da música na prática. Uma vez que se trata de teatro adaptado para filme, as falas são rebuscadas e longas, combinadas ao sotaque sulista das personagens que intensifica essa característica. Para algumas pessoas imagino que isso seja um incômodo, principalmente nos pontos onde beira o musicado, tornando a pouca duração levemente arrastada. Não me atrapalha, achei que os desfechos surpreendentes fizeram valer a pena, mas entendo quem não gosta muito desse aspecto.

Leia também: 5 artistas (negras) do Renascimento do Harlem que você precisa conhecer!

Pessoalmente esse filme tinha grande apelo para mim porque gira em torno de um assunto que estudo desde o ano passado, o Renascimento do Harlem, conhecido como Novo Movimento Negro, que aconteceu bem nesse período. Apesar de a história não se passar nesse bairro Nova York, o “centro” do movimento, toda a discussão da emancipação cultural e intelectual afro-americana que girava em torno dele era a mesma no país inteiro, e a Ma Rainey era um das suas vozes, no sentido literal e figurado. Acho muito importante continuar falando sobre ele sempre para que a história dessas pessoas não se perca. Além disso, assisti depois e recomendo demais os dois documentários da própria Netflix sobre, Chadwick Boseman: Para Sempre, uma homenagem bem bonita ao ator, e A Voz Suprema do Blues: Bastidores, com mais informações a respeito do que aconteceu de verdade e sa produção em si, valem a pena!

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Por Lugares Incríveis

Por Lugares Incríveis

Por Lugares Incríveis (All The Bright Places) *****
Por Lugares Incríveis Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandra Shipp, Felix Mallard, Keegan-Michael Key, Luke Wilson, Virginia Gardner, Alex Haydon, Kelli O’Hara, Lamar Johnson, Nicole Forester DemiP, Sara Katrenich, Sofia Hasmik
Direção: Brett Haley
Gênero: Romance, Drama
Duração: 108 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Quando Theodore Finch conhece Violet Markey em circunstâncias nada usuais, uma amizade única surge entre os dois. Cada um com seus próprios traumas e sofrimentos, eles se juntam para fazer um trabalho de geografia e acabam descobrindo muito mais do que os lugares incríveis no estado onde moram: a vontade de salvar um ao outro e continuar vivendo.” Fonte: Filmow.

Comentários: Violet Markey se sente à beira de um abismo. No aniversário de 19 anos de sua irmã, o primeiro depois do acidente que resultou na sua morte, ela se vê parada mesma ponte onde a tragédia aconteceu. Se teria pulado ou não, ela não teria como saber, porque foi interrompida por Theodore “Aberração” Finch, um colega de escola do qual seus amigos fazem questão de manter distância. Claramente interessado no que pode tê-la levado a esse ponto extremo, o garoto se oferece como parceiro num trabalho de geografia onde eles precisam andar pelo estado de Indiana e descobrir maravilhas escondidas por lá. Ela exita, mas acaba tendo que ceder, e desse projeto acaba nascendo uma amizade (e, mais tarde, romance) completamente inusitada. Finch então tenta mostrar a Violet que ela precisa voltar pro mundo, enquanto ele próprio lida com as próprias crises.

Adaptado do livro de mesmo nome de Jennifer Niven, publicado no Brasil pela Editora Seguinte, e roteirizado pela própria autora e Liz Hannah, Por Lugares Incríveis é uma produção Netflix que chegou ao serviço de streaming essa sexta feira, dia 28. Um alerta sobre transtornos mentais sustentado por um romance adolescente de pano de fundo, ele irresponsavelmente não contém aviso de gatilho, mas devia. A classificação indicativa se refere, exclusivamente, ao peso da narrativa, que consegue ser bonita sem apelar para a romantização dessas doenças. Apesar de rápido, um daqueles filmes onde muita coisa acontece em pouco tempo de tela, o expectador consegue ver o crescimento da relação entre as personagens, traços da sua personalidade e, claro, receber o impacto de vários momentos de drama, intensificados com uma trilha sonora que casa perfeitamente com cada uma das cenas.

Por Lugares Incríveis
Imagem via Daily Motion

O casal protagonista é, talvez e mais ainda do que o roteiro, o melhor de todos os aspectos. Elle Fanning passa os sentimentos de “Ultravioleta” de forma tão melancólica, tão triste e perdida, que você consegue perceber que aquela garota de rostinho tão delicado está, no momento, carregando mais peso do que consegue suportar após sua perda. É uma vontade quase pessoal vê-la superando a ausência de Eleonor, sua irmã, para voltar a ter o brilho que em algum momento esteve ali. Justice Smith, protagonista da série The Get Down também lançada pela plataforma, mais uma vez mostrou ao que veio ao transmitir a “montanha russa” de sentimentos de Finch o interpretando, hora sorridente e brincalhão e logo em seguida quase fora de si, como se fosse duas pessoas diferentes. O elenco de apoio é também formado de vários artistas maravilhosos, que junto com o visual rústico e intimista de Indiana conseguem captar o expectador para emocionar.

Leia também: Por Lugares Incríveis, resenha do romance no qual esse filme é adaptado.

É claro que, como grande fã do livro,não posso deixar de destacar minha satisfação em relação ao longa também como uma adaptação. As mudanças e cortes, sempre necessários para se adequar à mídia, foram bem pensados de forma que o foco é ver a mensagem da história sendo passada, mais do que agradar preciosistas. Mesclando alguns personagens, deixando outros de lado para destacar os que foram colocados, reorganizando a ordem das andanças pra que as mais significativas tivessem importância. E se o livro te dá vontade de conhecer tudo na vida real, nossa, o apelo visual contribui horrores pra isso. Fiquei até me imaginando nos lugares, agora que sei exatamente como são. Acho que deve ser interessante pra quem ler depois de assistir, porque as diferenças vão se destacar de maneira surpreendente, enquanto pra quem faz o contrário, como eu, esses elementos trazem sensação enorme de carinho. As principais frases de efeito também estão lá, e ainda bem porque a Jennifer escreve lindamente!

Porém, senti falta de ver aprofundamento ao expor o quadro mental do Finch, já que a bipolaridade e tendência suicida não ficam claras e deu a impressão de que ele tem “só” depressão e usa humor para combatê-lo, reforçada pelos problemas familiares. É um olhar com maior possibilidade de identificação por parte de quem assiste, então funcionou, mas uma perda ainda assim no que diz respeito à discussão levanta. Existe também um projeto pessoal da Violet, não relacionado diretamente ao relacionamento deles, que seria interessante ver mencionado, mas talvez eu me importe mais com isso porque é o ponto principal em que temos em comum, não afeta o enredo. Fora isso, pessoalmente, achei bastante satisfatório! Ao final, antes dos créditos, consta o link de um site com contato para canais de ajuda em todo o mundo, inclusive o Brasil, pra reforçar a ideia principal que realmente importa: existem lugares incríveis. Você não está sozinho. Tente buscar ajuda!

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A Cinco Passos de Você

A Cinco Passos de Você

A Cinco Passos de Você (Five Feet Apart) *****
A Cinco Passos de Você Elenco: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias, Kimberly Hebert Gregory, Parminder Nagra, Claire Forlani, Ariana Guerra, Cynthia Evans, Gary Weeks, Jim Gleason, Trina LaFargue Mya
Direção: Justin Baldoni
Gênero: Romance, Drama
Duração: 135 min
Ano: 2019
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Stella Grant (Haley Lu Richardson) tem quase dezessete anos de idade, vive conectada ao seu laptop e ama seus melhores amigos. Mas ao contrário da maioria das adolescentes, ela passa grande parte do seu tempo vivendo em um hospital como paciente com fibrose cística. Sua vida é cheia de rotinas, limites e autocontrole – tudo isso é testado quando ela encontra um paciente incrivelmente charmoso chamado Will Newman (Cole Sprouse).” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Stella é uma adolescente que passa boa parte de sua vida internada no hospital graças à fibrose cística com a qual lida desde que nasceu. Enquanto espera pela oportunidade de receber uma doação de pulmões, que pode estender sua estimativa de vida em até cinco anos, ela compartilha o que vive em um canal do YouTube e trabalha em aplicativos que ajudam outros pacientes a organizar o próprio tratamento, condizendo com sua personalidade organizadora compulsiva. Um dia ela conhece Will Newman, que insiste em não levar seu tratamento a sério por não ter esperanças de viver muito tempo, uma vez que possui um quadro que o retira a fila de transplantes. Ela resolve, então, que irão se tratar juntos, para que ele não seja mais negligente com a saúde… Mas só tem um problema: eles não podem ficar a menos que 6 passos um do outro, ou de qualquer outro paciente da mesma ala, tornando impossível que se toquem ou mesmo se aproximem, o que torna o interesse mútuo que sentem extremamente perigoso…

Mais um romance adolescente adaptado de livro de mesmo nome, “A Cinco Passos de Você” tem tudo que o gênero pede: a menina responsável cheia de vontade de viver, o cara com ar rebelde que no fundo é sensível, o amigo (gay) sempre disposto a ajudá-la a superar os problemas e correr atrás desse novo relacionamento, a enfermeira amiga que mantém os pés de todos no chão… Mas, ainda assim, eu não diria de forma algum que é previsível ou “bobo”… Existem dois acontecimentos grandes que formam o clímax, e tanto eles quanto o final seguiram de forma que foi um pouco inesperada pra mim, o que é bem legal e nem sempre presente. É um enredo muito sensível, não só por tratar de relações humanas, mas principalmente pela maneira como as trata e expõe. A “cena da piscina”, muito usada nas fotos de divulgação, é a melhor de todas, tamanha é sua delicadeza.

A Cinco Passos de Você
A Cinco Passos de Você: imagem via The Hollywood Reporter

A princípio o ritmo do longa é um pouco lento e o romance dos dois difícil de ser “comprado”, parece meio forçado de onde realmente saiu o interesse dela por ele, mas à medida que o relacionamento se desenvolve a gente consegue achar bonitinho e “torcer pra dar certo”… E aí vem a necessidade da distância física, que causa sentimentos conflitantes em quem está assistindo: ao mesmo tempo que quer ver os dois se tocando, até num simples abraço, sabe os perigos que isso teria e morre de medo de acontecer em algum momento, mesmo que sem querer. Era aquela “angústia” típica do drama o tempo todo, tanto nessa relação romântica como nas cenas em Stella interage com seu melhor amigo, Poe, que por si só é um personagem bastante carismático e um dos que mais arranca lágrimas, sorrisos e reflexões do expectador – e isso é ótimo!.

Falando da parte “técnica”, a fotografia é LINDA DEMAIS! Cenas belíssimas sem muito firula, afinal o “cenário” do filme é um hospital! Os quartos dos pacientes são cheios de detalhes, sem forçar, passa a personalidade de cada um com esse ar de que pode ou não ser temporário. As cenas de romance são bem bonitas nesse sentido, também, com atuações que condizem com o nível de qualidade. Eu tenho um pouco de “antipatia” do Cole Sprouse por vários motivos, mas esse sentimento não se estendeu para o personagem hora nenhuma, não atrapalhou em nada. Por fim, claro, as “frases de efeito” que são naturais, parte do diálogo, mas ainda assim te atingem bem no fundinho do coração do início ao fim. Fica o recado de que pior do que morrer é realmente não viver, mensagem bem frequente em histórias do gênero mas, ainda assim, sempre pertinente de relembrar…

Leia também: Cinderela Pop, resenha do filme baseado na reinvenção de um clássica conto de fadas pela Paula Pimenta.

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Com Amor, Simon: representatividade, identificação, emoção!

Com Amor, Simon

Com Amor, Simon

Com Amor, Simon (Love, Simon) *****
Elenco: Nick Robinson, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Jorge Lendeborg Jr., Keiynan Lonsdale, Logan Mille, Jennifer Garner, Josh Duhamel, Alex Sgambati, Clark Moore, Colton Haynes, Mackenzie Lintz, Miles Heizer, Natasha Rothwell, Talitha Bateman, Tony Hale, Tyler Chase
Direção: Greg Berlanti
Gênero: Drama, Romance
Duração: 109 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Aos 17 anos, Simon Spier aparenta levar uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: não revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de classe, anônimo, na internet.” Fonte: Google (sinopse e pôster).

Comentários: Simon Spier é um adolescente com a vida bem comum. Ele sai com seus amigos, ajuda o pai a fazer um presente de aniversário de casamento para a mãe, vai à escola, coloca fotos de viagens e ícones dos filmes que gosta no mural que tem na parede do seu quarto. Porém ele tem um segredo, o maior de todos , que não quer mais precisar guardar, mas também não sabe como revelar a todos. Simon é gay. Nesse contexto ele descobre que um colega anônimo, Blue, vive a mesma coisa e resolve se comunicar com ele, também anonimamente, via e-mail, sob no nome de Jacques. Só que alguém acaba descobrindo o contato entre os dois e revelando a todos seus colegas o forçando a “sair do armário” antes que estivesse pronto pra isso.

Baseado no livro “Simon vs. a Agenda Homosapiens” de Becky Albertalli, o filme “Com Amor, Simon” é uma história adolescente que traz algo que ainda está a falta nas grandes produções de cinema norte americanas: um romance gay leve! É claro que ele tem questões com a sua sexualidade, e claro que elas são mais complexas do que seriam se fosse hétero, mas ainda assim não é o tipo de filme que te deixa cheio de agonia ou traz lágrimas de tristeza. As lágrimas sim, claro, o tempo inteiro, mas a grande maioria delas de emoção e alegria. Eu fui à pré-estreia há quase um mês, junto com alguns outros convidados, e desde então estou pensando em como expressar tudo o que queria dizer sobre ele… Sendo assim resolvi descrevê-lo em três palavras e desenvolver essa “resenha” a partir delas: representatividade, identificação e emoção!

Psiu! Prestenção! O conteúdo principal desse post está em forma de “fala” num vídeo postado no meu canal do YouTube. Se você estiver afim de ler, é só continuar aí em baixo! Mas se tiver mais interessado em ouvir corre lá pra conferir!

Representatividade

O tema principal por si só já é representativo, né? Afinal fala sobre as dificuldades de viver o amor de forma leve por parte da comunidade LGBT! Simon é um jovem imaginativo que expõe várias situações que mostram essas grandes diferenças, como por exemplo o fato de ele precisar contar à toda a população que é gay, enquanto seus amigos não precisam fazer o mesmo já que a heterossexualidade já é esperada e não causa nenhum tipo de reação forte ao ser manifestada. Também mostra as diferenças de personalidade que as pessoas podem apresentar e que isso é ok. Simon é “discreto”, ninguém desconfia da sua sexualidade, enquanto seu colega de sala Ethan, já assumido, é o esteriótipo no jeito de vestir, agir e falar… E TÁ TUDO BEM! Os dois merecem igual respeito e direito de ser quem são e quem querem ser! Quem não entende isso é que está infinitamente errado…

O filme também tem vários personagens negros, eles são maioria entre os amigos mais próximos do protagonista sem o clássico “garoto negro metido a engraçadão” e “menina negra exclusivamente gostosa”. Não, todos eles têm personalidades variadas como a de qualquer ser humano. Aliás, outro ponto legal, isso é bem presente no filme todo. Eles não são super populares e nem super excluídos, apenas… Adolescentes! Claro que tem o cara babaca meio ned e tudo mais, mas até ele tem mais de um lado, não é só uma coisa o tempo todo.

Com Amor, Simon
Foto do The Playlist

Identificação

É claro que o filme em como principal objetivo abraçar jovens gays para que se aceitem, mas acaba também trazendo o reconhecimento de si próprio pra quem não está nesse grupo. Eu sou mais de dez anos mais velha que Simon, estamos em momentos da vida muito diferentes, e ainda assim consegui me identificar com ele… Principalmente nas suas conversas com Blue, onde ele nunca sabia o que digitar e pirava com qual poderia ser a resposta para o que tinha escrito… Em um momento uma amiga que estava ao meu lado falou “Podia ser ‘Com amor, Luly’ né!” porque sou bem assim… Também consegui sentir bem no fundinho do peito o aperto que foi o diálogo dele com sua melhor amiga de infância quando ela questiona o porquê de ele não ter contado a ela, já que o mesmo aconteceu comigo e um dos meus amigos mais antigos. Desde que ele me contou que era gay eu sentia uma certa tristeza por ter demorado tanto, como se houvesse a possibilidade da minha reação ser negativa, mas a fala dos dois ali se encaixou tão bem na minha vida que me veio um grande alívio, além da maior quantidade de lágrimas da noite.

Foi muito bacana estar numa sessão “especial”, com bate papo e tudo mais, porque tinha MUITA gente ali que levou os pais, que logo em seguida deram seus depoimentos sobre o que tinham visto. Fiquei imaginando como eles se sentiram vendo os pais do Simon descobrindo o filho e sua reação… Principalmente a mãe, interpretada por Jennifer Garner que está inda como sempre! Tenho um amigo que resolveu se revelar para sua família quando saiu do cinema, confiram a resenha super emocionante que ele escreveu também! Pra mostrar a força que um enredo aparentemente tão simples traz em nossas vidas…

Leia também: Garoto Encontra Garoto, resenha de um romance gay por David Levithan

Emoção

“Todo mundo merece uma grande história de amor” é o lema escolhido pela Fox par a divulgação, e não podia ser mais certeiro. Com Amor, Simon fala não só do amor romântico, mesmo que esse seja seu foco, mas também de amor fraterno! De como ele pode ser imperfeito às vezes, mas ainda assim nos ajudar a vencer as diversas fases difíceis da vida e, claro, a própria falta de amor. É pra trazer emoção pra pessoas de todas as idades, todos os gêneros, porque consegue passar o sentimento de um garoto e levar direto para o espectador. É pra quem a tem a mente aberta curtir do começo ao fim e quem tá precisando abrir ter o “empurrãozinho” que faltava pra isso acontecer!

E você aí, é de BH e ficou querendo ver o filme? Estou com dois pares de ingressos para dar aos leitores do blog que quiserem conhecer a história de Simon também! Os dois primeiros que disserem “Eu quero, Luly!” aí nos comentários e puderem pegar diretamente comigo no Centro da cidade entre quinta feira e sábado, ou na Fnac do BH Shopping dia 22, levam! Não esqueça de deixar alguma forma de contato pra gente combinar, hein Eles são válidos para ser usados de segunda à quarta, enquanto estiver em cartaz.

Trailer:

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