Por Lugares Incríveis

Por Lugares Incríveis

Por Lugares Incríveis (All The Bright Places) *****
Por Lugares Incríveis Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandra Shipp, Felix Mallard, Keegan-Michael Key, Luke Wilson, Virginia Gardner, Alex Haydon, Kelli O’Hara, Lamar Johnson, Nicole Forester DemiP, Sara Katrenich, Sofia Hasmik
Direção: Brett Haley
Gênero: Romance, Drama
Duração: 108 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Quando Theodore Finch conhece Violet Markey em circunstâncias nada usuais, uma amizade única surge entre os dois. Cada um com seus próprios traumas e sofrimentos, eles se juntam para fazer um trabalho de geografia e acabam descobrindo muito mais do que os lugares incríveis no estado onde moram: a vontade de salvar um ao outro e continuar vivendo.” Fonte: Filmow.

Comentários: Violet Markey se sente à beira de um abismo. No aniversário de 19 anos de sua irmã, o primeiro depois do acidente que resultou na sua morte, ela se vê parada mesma ponte onde a tragédia aconteceu. Se teria pulado ou não, ela não teria como saber, porque foi interrompida por Theodore “Aberração” Finch, um colega de escola do qual seus amigos fazem questão de manter distância. Claramente interessado no que pode tê-la levado a esse ponto extremo, o garoto se oferece como parceiro num trabalho de geografia onde eles precisam andar pelo estado de Indiana e descobrir maravilhas escondidas por lá. Ela exita, mas acaba tendo que ceder, e desse projeto acaba nascendo uma amizade (e, mais tarde, romance) completamente inusitada. Finch então tenta mostrar a Violet que ela precisa voltar pro mundo, enquanto ele próprio lida com as próprias crises.

Adaptado do livro de mesmo nome de Jennifer Niven, publicado no Brasil pela Editora Seguinte, e roteirizado pela própria autora e Liz Hannah, Por Lugares Incríveis é uma produção Netflix que chegou ao serviço de streaming essa sexta feira, dia 28. Um alerta sobre transtornos mentais sustentado por um romance adolescente de pano de fundo, ele irresponsavelmente não contém aviso de gatilho, mas devia. A classificação indicativa se refere, exclusivamente, ao peso da narrativa, que consegue ser bonita sem apelar para a romantização dessas doenças. Apesar de rápido, um daqueles filmes onde muita coisa acontece em pouco tempo de tela, o expectador consegue ver o crescimento da relação entre as personagens, traços da sua personalidade e, claro, receber o impacto de vários momentos de drama, intensificados com uma trilha sonora que casa perfeitamente com cada uma das cenas.

Por Lugares Incríveis
Imagem via Daily Motion

O casal protagonista é, talvez e mais ainda do que o roteiro, o melhor de todos os aspectos. Elle Fanning passa os sentimentos de “Ultravioleta” de forma tão melancólica, tão triste e perdida, que você consegue perceber que aquela garota de rostinho tão delicado está, no momento, carregando mais peso do que consegue suportar após sua perda. É uma vontade quase pessoal vê-la superando a ausência de Eleonor, sua irmã, para voltar a ter o brilho que em algum momento esteve ali. Justice Smith, protagonista da série The Get Down também lançada pela plataforma, mais uma vez mostrou ao que veio ao transmitir a “montanha russa” de sentimentos de Finch o interpretando, hora sorridente e brincalhão e logo em seguida quase fora de si, como se fosse duas pessoas diferentes. O elenco de apoio é também formado de vários artistas maravilhosos, que junto com o visual rústico e intimista de Indiana conseguem captar o expectador para emocionar.

Leia também: Por Lugares Incríveis, resenha do romance no qual esse filme é adaptado.

É claro que, como grande fã do livro,não posso deixar de destacar minha satisfação em relação ao longa também como uma adaptação. As mudanças e cortes, sempre necessários para se adequar à mídia, foram bem pensados de forma que o foco é ver a mensagem da história sendo passada, mais do que agradar preciosistas. Mesclando alguns personagens, deixando outros de lado para destacar os que foram colocados, reorganizando a ordem das andanças pra que as mais significativas tivessem importância. E se o livro te dá vontade de conhecer tudo na vida real, nossa, o apelo visual contribui horrores pra isso. Fiquei até me imaginando nos lugares, agora que sei exatamente como são. Acho que deve ser interessante pra quem ler depois de assistir, porque as diferenças vão se destacar de maneira surpreendente, enquanto pra quem faz o contrário, como eu, esses elementos trazem sensação enorme de carinho. As principais frases de efeito também estão lá, e ainda bem porque a Jennifer escreve lindamente!

Porém, senti falta de ver aprofundamento ao expor o quadro mental do Finch, já que a bipolaridade e tendência suicida não ficam claras e deu a impressão de que ele tem “só” depressão e usa humor para combatê-lo, reforçada pelos problemas familiares. É um olhar com maior possibilidade de identificação por parte de quem assiste, então funcionou, mas uma perda ainda assim no que diz respeito à discussão levanta. Existe também um projeto pessoal da Violet, não relacionado diretamente ao relacionamento deles, que seria interessante ver mencionado, mas talvez eu me importe mais com isso porque é o ponto principal em que temos em comum, não afeta o enredo. Fora isso, pessoalmente, achei bastante satisfatório! Ao final, antes dos créditos, consta o link de um site com contato para canais de ajuda em todo o mundo, inclusive o Brasil, pra reforçar a ideia principal que realmente importa: existem lugares incríveis. Você não está sozinho. Tente buscar ajuda!

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A Cinco Passos de Você

A Cinco Passos de Você

A Cinco Passos de Você (Five Feet Apart) *****
A Cinco Passos de Você Elenco: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias, Kimberly Hebert Gregory, Parminder Nagra, Claire Forlani, Ariana Guerra, Cynthia Evans, Gary Weeks, Jim Gleason, Trina LaFargue Mya
Direção: Justin Baldoni
Gênero: Romance, Drama
Duração: 135 min
Ano: 2019
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Stella Grant (Haley Lu Richardson) tem quase dezessete anos de idade, vive conectada ao seu laptop e ama seus melhores amigos. Mas ao contrário da maioria das adolescentes, ela passa grande parte do seu tempo vivendo em um hospital como paciente com fibrose cística. Sua vida é cheia de rotinas, limites e autocontrole – tudo isso é testado quando ela encontra um paciente incrivelmente charmoso chamado Will Newman (Cole Sprouse).” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Stella é uma adolescente que passa boa parte de sua vida internada no hospital graças à fibrose cística com a qual lida desde que nasceu. Enquanto espera pela oportunidade de receber uma doação de pulmões, que pode estender sua estimativa de vida em até cinco anos, ela compartilha o que vive em um canal do YouTube e trabalha em aplicativos que ajudam outros pacientes a organizar o próprio tratamento, condizendo com sua personalidade organizadora compulsiva. Um dia ela conhece Will Newman, que insiste em não levar seu tratamento a sério por não ter esperanças de viver muito tempo, uma vez que possui um quadro que o retira a fila de transplantes. Ela resolve, então, que irão se tratar juntos, para que ele não seja mais negligente com a saúde… Mas só tem um problema: eles não podem ficar a menos que 6 passos um do outro, ou de qualquer outro paciente da mesma ala, tornando impossível que se toquem ou mesmo se aproximem, o que torna o interesse mútuo que sentem extremamente perigoso…

Mais um romance adolescente adaptado de livro de mesmo nome, “A Cinco Passos de Você” tem tudo que o gênero pede: a menina responsável cheia de vontade de viver, o cara com ar rebelde que no fundo é sensível, o amigo (gay) sempre disposto a ajudá-la a superar os problemas e correr atrás desse novo relacionamento, a enfermeira amiga que mantém os pés de todos no chão… Mas, ainda assim, eu não diria de forma algum que é previsível ou “bobo”… Existem dois acontecimentos grandes que formam o clímax, e tanto eles quanto o final seguiram de forma que foi um pouco inesperada pra mim, o que é bem legal e nem sempre presente. É um enredo muito sensível, não só por tratar de relações humanas, mas principalmente pela maneira como as trata e expõe. A “cena da piscina”, muito usada nas fotos de divulgação, é a melhor de todas, tamanha é sua delicadeza.

A Cinco Passos de Você
A Cinco Passos de Você: imagem via The Hollywood Reporter

A princípio o ritmo do longa é um pouco lento e o romance dos dois difícil de ser “comprado”, parece meio forçado de onde realmente saiu o interesse dela por ele, mas à medida que o relacionamento se desenvolve a gente consegue achar bonitinho e “torcer pra dar certo”… E aí vem a necessidade da distância física, que causa sentimentos conflitantes em quem está assistindo: ao mesmo tempo que quer ver os dois se tocando, até num simples abraço, sabe os perigos que isso teria e morre de medo de acontecer em algum momento, mesmo que sem querer. Era aquela “angústia” típica do drama o tempo todo, tanto nessa relação romântica como nas cenas em Stella interage com seu melhor amigo, Poe, que por si só é um personagem bastante carismático e um dos que mais arranca lágrimas, sorrisos e reflexões do expectador – e isso é ótimo!.

Falando da parte “técnica”, a fotografia é LINDA DEMAIS! Cenas belíssimas sem muito firula, afinal o “cenário” do filme é um hospital! Os quartos dos pacientes são cheios de detalhes, sem forçar, passa a personalidade de cada um com esse ar de que pode ou não ser temporário. As cenas de romance são bem bonitas nesse sentido, também, com atuações que condizem com o nível de qualidade. Eu tenho um pouco de “antipatia” do Cole Sprouse por vários motivos, mas esse sentimento não se estendeu para o personagem hora nenhuma, não atrapalhou em nada. Por fim, claro, as “frases de efeito” que são naturais, parte do diálogo, mas ainda assim te atingem bem no fundinho do coração do início ao fim. Fica o recado de que pior do que morrer é realmente não viver, mensagem bem frequente em histórias do gênero mas, ainda assim, sempre pertinente de relembrar…

Leia também: Cinderela Pop, resenha do filme baseado na reinvenção de um clássica conto de fadas pela Paula Pimenta.

Trailer:

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Com Amor, Simon: representatividade, identificação, emoção!

Com Amor, Simon

Com Amor, Simon

Com Amor, Simon (Love, Simon) *****
Elenco: Nick Robinson, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Jorge Lendeborg Jr., Keiynan Lonsdale, Logan Mille, Jennifer Garner, Josh Duhamel, Alex Sgambati, Clark Moore, Colton Haynes, Mackenzie Lintz, Miles Heizer, Natasha Rothwell, Talitha Bateman, Tony Hale, Tyler Chase
Direção: Greg Berlanti
Gênero: Drama, Romance
Duração: 109 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Aos 17 anos, Simon Spier aparenta levar uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: não revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de classe, anônimo, na internet.” Fonte: Google (sinopse e pôster).

Comentários: Simon Spier é um adolescente com a vida bem comum. Ele sai com seus amigos, ajuda o pai a fazer um presente de aniversário de casamento para a mãe, vai à escola, coloca fotos de viagens e ícones dos filmes que gosta no mural que tem na parede do seu quarto. Porém ele tem um segredo, o maior de todos , que não quer mais precisar guardar, mas também não sabe como revelar a todos. Simon é gay. Nesse contexto ele descobre que um colega anônimo, Blue, vive a mesma coisa e resolve se comunicar com ele, também anonimamente, via e-mail, sob no nome de Jacques. Só que alguém acaba descobrindo o contato entre os dois e revelando a todos seus colegas o forçando a “sair do armário” antes que estivesse pronto pra isso.

Baseado no livro “Simon vs. a Agenda Homosapiens” de Becky Albertalli, o filme “Com Amor, Simon” é uma história adolescente que traz algo que ainda está a falta nas grandes produções de cinema norte americanas: um romance gay leve! É claro que ele tem questões com a sua sexualidade, e claro que elas são mais complexas do que seriam se fosse hétero, mas ainda assim não é o tipo de filme que te deixa cheio de agonia ou traz lágrimas de tristeza. As lágrimas sim, claro, o tempo inteiro, mas a grande maioria delas de emoção e alegria. Eu fui à pré-estreia há quase um mês, junto com alguns outros convidados, e desde então estou pensando em como expressar tudo o que queria dizer sobre ele… Sendo assim resolvi descrevê-lo em três palavras e desenvolver essa “resenha” a partir delas: representatividade, identificação e emoção!

Psiu! Prestenção! O conteúdo principal desse post está em forma de “fala” num vídeo postado no meu canal do YouTube. Se você estiver afim de ler, é só continuar aí em baixo! Mas se tiver mais interessado em ouvir corre lá pra conferir!

Representatividade

O tema principal por si só já é representativo, né? Afinal fala sobre as dificuldades de viver o amor de forma leve por parte da comunidade LGBT! Simon é um jovem imaginativo que expõe várias situações que mostram essas grandes diferenças, como por exemplo o fato de ele precisar contar à toda a população que é gay, enquanto seus amigos não precisam fazer o mesmo já que a heterossexualidade já é esperada e não causa nenhum tipo de reação forte ao ser manifestada. Também mostra as diferenças de personalidade que as pessoas podem apresentar e que isso é ok. Simon é “discreto”, ninguém desconfia da sua sexualidade, enquanto seu colega de sala Ethan, já assumido, é o esteriótipo no jeito de vestir, agir e falar… E TÁ TUDO BEM! Os dois merecem igual respeito e direito de ser quem são e quem querem ser! Quem não entende isso é que está infinitamente errado…

O filme também tem vários personagens negros, eles são maioria entre os amigos mais próximos do protagonista sem o clássico “garoto negro metido a engraçadão” e “menina negra exclusivamente gostosa”. Não, todos eles têm personalidades variadas como a de qualquer ser humano. Aliás, outro ponto legal, isso é bem presente no filme todo. Eles não são super populares e nem super excluídos, apenas… Adolescentes! Claro que tem o cara babaca meio ned e tudo mais, mas até ele tem mais de um lado, não é só uma coisa o tempo todo.

Com Amor, Simon
Foto do The Playlist

Identificação

É claro que o filme em como principal objetivo abraçar jovens gays para que se aceitem, mas acaba também trazendo o reconhecimento de si próprio pra quem não está nesse grupo. Eu sou mais de dez anos mais velha que Simon, estamos em momentos da vida muito diferentes, e ainda assim consegui me identificar com ele… Principalmente nas suas conversas com Blue, onde ele nunca sabia o que digitar e pirava com qual poderia ser a resposta para o que tinha escrito… Em um momento uma amiga que estava ao meu lado falou “Podia ser ‘Com amor, Luly’ né!” porque sou bem assim… Também consegui sentir bem no fundinho do peito o aperto que foi o diálogo dele com sua melhor amiga de infância quando ela questiona o porquê de ele não ter contado a ela, já que o mesmo aconteceu comigo e um dos meus amigos mais antigos. Desde que ele me contou que era gay eu sentia uma certa tristeza por ter demorado tanto, como se houvesse a possibilidade da minha reação ser negativa, mas a fala dos dois ali se encaixou tão bem na minha vida que me veio um grande alívio, além da maior quantidade de lágrimas da noite.

Foi muito bacana estar numa sessão “especial”, com bate papo e tudo mais, porque tinha MUITA gente ali que levou os pais, que logo em seguida deram seus depoimentos sobre o que tinham visto. Fiquei imaginando como eles se sentiram vendo os pais do Simon descobrindo o filho e sua reação… Principalmente a mãe, interpretada por Jennifer Garner que está inda como sempre! Tenho um amigo que resolveu se revelar para sua família quando saiu do cinema, confiram a resenha super emocionante que ele escreveu também! Pra mostrar a força que um enredo aparentemente tão simples traz em nossas vidas…

Leia também: Garoto Encontra Garoto, resenha de um romance gay por David Levithan

Emoção

“Todo mundo merece uma grande história de amor” é o lema escolhido pela Fox par a divulgação, e não podia ser mais certeiro. Com Amor, Simon fala não só do amor romântico, mesmo que esse seja seu foco, mas também de amor fraterno! De como ele pode ser imperfeito às vezes, mas ainda assim nos ajudar a vencer as diversas fases difíceis da vida e, claro, a própria falta de amor. É pra trazer emoção pra pessoas de todas as idades, todos os gêneros, porque consegue passar o sentimento de um garoto e levar direto para o espectador. É pra quem a tem a mente aberta curtir do começo ao fim e quem tá precisando abrir ter o “empurrãozinho” que faltava pra isso acontecer!

E você aí, é de BH e ficou querendo ver o filme? Estou com dois pares de ingressos para dar aos leitores do blog que quiserem conhecer a história de Simon também! Os dois primeiros que disserem “Eu quero, Luly!” aí nos comentários e puderem pegar diretamente comigo no Centro da cidade entre quinta feira e sábado, ou na Fnac do BH Shopping dia 22, levam! Não esqueça de deixar alguma forma de contato pra gente combinar, hein Eles são válidos para ser usados de segunda à quarta, enquanto estiver em cartaz.

Trailer:

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As Sufragistas

As Sufragistas

As Sufragistas (Suffragette) *****
Elenco: Carey Mulligan, Helena Bonham Carter, Meryl Streep, Brendan Gleeson, Anne-Marie Duff, Ben Whishaw, Romola Garai, Samuel West, Natalie Press, Geoff Bell, Adrian Schiller, Amanda Lawrence, Lisa Dillon, Clive Wood, Lee Nicholas Harris, Richard Banks
Direção: Sarah Gavron
Gênero: Drama, História
Duração: 106 min
Ano: 2015
Sinopse: “O início da luta do movimento feminista e os métodos incomuns de batalha. Mulheres que enfrentaram seus limites pela causa e desafiaram o Estado extremamente opressor. A história é baseada em fatos reais.” (fonte)

Comentários: Quando eu vi o primeiro trailer de As Sufragistas, meses atrás, fiquei alucinada, doida, maluca para assistir, minha ansiedade foi perigosamente nas alturas e mal podia esperar. A temática é uma que me atrai muito e o elenco idem, porque eu AMO a Meryl Streep (já sabia que veria pouco dela, como uma coadjuvante, mas ainda assim) e estava doida para ver Carey Mulligan como protagonista, uma vez que eu a conheço através de um papel bem menor em “Orgulho e Preconceito”. Só que aí o filme estreou e eu fui olhar nos cinemas afora e NÃO ESTAVA PASSANDO! Sério, a divulgação estava a mil, mas eram pouquíssimas salas em pouquíssimos lugares, li na internet e estava assim em todos os estados, reclamação geral. Felizmente, depois de quase desistir, consegui tirar um dia num momento ideal com um grupo de amigas que também estavam curiosas e fomos lá. Olha, tinha uma chance alta de decepção tamanha era a expectativa, mas felizmente não foi o que aconteceu.

Maud trabalha numa lavanderia desde nova, já possuindo um alto cargo para sua idade, e vive com o marido, que trabalha no mesmo local, e o filho pequeno. Ela não tinha interesse nenhum pela causa d’as Sufragistas, que manifestam em nome do seu direito ao voto, até ser inserida no meio por uma de suas colegas de trabalho. A partir daí ela tenta fugir, tenta desistir e tenta negar, mas acaba se tornando uma delas, sendo forçada a abrir mão de sua família, uma vez que ela se torna “uma vergonha” para o marido, de seu trabalho e até mesmo de seu “status” de cidadã de bem. Gostei muito de como a história se desenvolve junto com o interesse dela pelo que estava acontecendo: no início é lento, porque ela ainda está conhecendo, e de repente lá está ela completamente envolvida, fazendo denúncias e intervindo em absurdos, e é aí que o ritmo acelera e começa a tudo acontecer de uma vez.

O que vi de negativo foram alguns problemas técnicos, como a câmera ficar tremendo MUITO nas cenas de batalhas e tumulto, de forma que ficava até meio confuso de se entender, e a iluminação que é bem ruim nas cenas noturnas, mas desse segundo eu gostei porque dá aquela sensação de insegurança que a personagem são somente sente, mas também vive. Ótima atuação de Carey Mulligan como protagonista e, pasmem, Helena Boham Carter também está incrível, fazia tempos eu não a via em um papel em que ela pôde ser a personagem em si ao invés de algum “mais do mesmo” meio louquinho que é o que ela faz. Aliás TODAS as atrizes que interpretam as manifestantes foram ótimas, você sente e chora por cada uma delas, como não podia ser diferente. Mesmo Meryl Streep como Emmeline Pankhurst, que aparece por três minutos, consegue trazer algumas das várias citações maravilhosas ao filme e mostrar a relevância de sua personagem na história, mas sem deixar de destacar cada uma daquelas que lutaram ao lado dela e que eram tão importante quanto.

“We don’t want to be lawbreakers, we want to be lawmakers.” – Emmeline Pankhurst

É impressionante em como a gente fica com o impacto do que está vendo, se orgulha do que mudou e, claro, sente o peso absurdo do que não mudou. Por um lado dá pra pensar “Meu Deus, essa situação absurda tem SÓ cem anos!” e por outro reflete “Uau, já fazem cem anos e quanta coisa continua igual…”. Nos créditos finais aparece uma lista de vários países com a data em que o voto foi liberado para mulheres e é chocante pensar que em alguns lugares isso ainda é discutido (ou nem ao menos cogitado). “Apanha do marido, mas também, ela provoca”, “Controle sua mulher”, “Fica quietinha, assim, você sabe que eu gosto” são só algumas quase frases (porque não são exatamente essas) soltas do filme que passam quase sem que a gente perceba, mas que ainda existem mulheres que são obrigadas a ouvir nessas situações, mesmo após todos esses anos…

Trailer:

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Agora e Sempre

Now and Then Agora e Sempre (Now and Then) *****
Elenco: Christina Ricci, Rosie O’Donnell, Thora Birch, Melanie Griffith, Gaby Hoffmann, Demi Moore, Ashleigh Aston Moore, Rita Wilson, Devon Sawa, Cloris Leachman, Lolita Davidovich, Janeane Garofalo, Bonnie Hunt, Hank Azaria, Rumer Willis, Walter Sparrow, Brendan Fraser
Direção: Lesli Linka Glatter
Gênero: Drama
Duração: 110min
Ano: 1995
Sinopse: “Depois de vinte e cinco anos, quatro amigas de infância que tiveram rumos diferentes na vida se reencontram quando uma delas, Chrissy Williams (Rita Wilson), vai ter um bebê. Uma delas é Roberta Martin (Rosie O’Donnell), sua ginecologista, e as outras que chegam na cidade são Tina Tercyll (Melanie Griffith), que se tornou uma famosa atriz, e Samantha Albertson (Demi Moore), que é uma conhecida escritora. Juntas elas recordam as férias de 1970, quando tinham apenas doze anos e viveram as primeiras emoções do início da adolescência.”
Comentários: Eu sei que soa ridículo eu ficar dando 5 estrelas para todos os filmes que avalio aqui, mas fazer o que?? Se não gosto do filme não tenho vontade de postar e se gosto é pra valer. Não dá pra dar uma nota menor pra esse, simples assim!!
Acho que a palavra ideal para caracteriza-lo é “imprevisível”. Porque pra começar quando vi a capa do filme pensei que se tratava de mães e filhas porque as atrizes que interpretam a versão jovem das quatro protagonistas são A CARA das que interpretam a versão adulta. Mas aí logo de início já mostra que não, que são as mesmas pessoas e tudo ficou bem.
Aí eu passei o tempo todo sem saber qual seria o foco: o suspense, os dramas familiares, os romances… Não sabia se uma das meninas ia virar a protagonista, se ia acontecer um “BAM” pra fazer com que elas se separassem, só realmente quando foi chegando no final que entendi que o sentido do filme era óbvio, tava logo ali: a amizade delas.
O que eu sempre reparo, porque é algo que gosto, é a trilha sonora. E nesse caso além de ser cheia de músicas ótimas, elas não tocam só pra deixar tudo mais bonitinho, fazem parte do filme mesmo, os personagens também escutam e cantam aquelas músicas e isso torna mais legal ainda a presença das mesmas. Pena que o dvd seja difícil de achar… Eu achei em uma única loja a mesma versão do que usei para assistir, com audio e legenda somente em inglês. Mas vale muito a pena, é lindo!!
Teve uma cena, uma única, que achei meio pesada, em que as meninas fumam. Eu não deixaria minha filha adolescente fazendo uma cena assim, mas pelo menos mostrou o quanto algumas ficaram desconfortáveis e a única que gostou cresceu e fumava maços por dia. Mas não se enganem, crianças, fumar não te torna uma Demi Moore da vida…
Melhores Cenas: Essa parte é impossível escrever sem spoiler, mas vamos lá… Eu ADORO a Christina Ricci (percebe-se aqui) e então as cenas principais dela eram minhas favoritas, e as mais lindas de todo o filme são quando a Roberta e o Scott se beijam, é muito fofo e engraçado. E depois ele para de “zuar” as quatro, e ela para de ter vergonha do próprio corpo, muito bonitinho. Aliás depois eu fui “descobrir” que ele fez Gasparzinho junto com ela no mesmo ano, interpretando o Gasparzinho vivo, então muito bem, Devon Sawa, você beijou uma das atrizes mais caras da época duas vezes no mesmo ano.
O final obviamente também é lindo. A cena da casinha da árvore, elas sentadinhas apertadinhas jogando “Verdade ou Desafio”. Amor puro!!
Trailer:

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