De Volta aos Quinze – Bruna Vieira

Livro De Volta aos Quinze, da autora Bruna Vieira, com a capa voltada para cima, com um desenho de uma mulher sentada num banco escuro, de costas para o espectador com os cabelos ruivos esvoaçantes. Ela parece estar em uma praça arborizada, e a ilustração tem tons leves. Acima, o nome da autora seguido do título. O livro está sobre uma coberta de cor escura, próxima à cor usada no título, e ao seu lado há um balde de pipocas doces coloridas, derramadas levemente sobre a capa.

De Volta aos Quinze (Meu Primeiro Blog # 1) *****
Capa do livro De Volta aos Quinze, da autora Bruna Vieira, com um desenho de uma mulher sentada num banco escuro, de costas para o espectador, os cabelos ruivos esvoaçantes. Ela parece estar em uma praça arborizada, e a ilustração tem tons leves. Acima, o nome da autora seguido do título. Autor: Bruna Vieira
Gênero: Juvenil, Romance
Ano: 2013
Número de páginas: 224p.
Editora: Editora Gutenberg
ISBN: 9788582350799
Sinopse: “O que você faria se pudesse voltar no tempo? Será que, ao fazer escolhas diferentes, você conseguiria mudar sua vida para melhor?
Anita tem 30 anos, e sua vida é muito diferente do que ela sonhou para si. Um dia, ao reencontrar seu primeiro blog, escrito quando tinha 15 anos, algo inusitado acontece, e tudo ao seu redor se transforma de repente. Com cabeça de adulto e corpo de adolescente, ela se vê novamente vivendo as aventuras de uma das épocas mais intensas da vida de qualquer pessoa: o ensino médio. Ao procurar modificar acontecimentos, ela começa a perceber que as consequências de suas atitudes nem sempre são como ela imagina, o que pode ser bem complicado. Em meio a amores impossíveis, amizades desfeitas e atritos familiares, Anita tentará escrever seu próprio final feliz em uma página misteriosa na internet.”
(fonte)

Comentários: Em outubro de 2013, fui ao lançamento de De Volta aos Quinze, primeiro romance da blogueira Bruna Vieira, para conhecer a autora, participar de um bate papo com ela e, claro, pegar o autógrafo. Esse livro foi o presente de natal que uma amiga me deu naquele ano, e assim que me entregou oficialmente dois meses depois do evento tentei ler pela primeira vez, mas não consegui. Achei que as coisas que estavam me incomodando eram implicância da minha parte, então deixei de lado pra terminar depois. Agora, muitos anos depois, resolvi recomeçar como parte do Desafio Zera Estante que eu e outra amiga, a Nana, criamos juntas ano passado, já que uma das propostas era ler algo escrito por uma mulher. A conclusão final é que a Luly de 23 anos, mesmo tão mais nova que a de hoje, já tinha razão.

“Quando você escolhe seu futuro, o presente inevitavelmente vira o passado. Boa escolha.”

De Volta aos Quinze conta a história da Anita, uma mulher de 30 anos que tem a vida muito distante do que imaginou pra si mesma: seu emprego a deixa cada dia mais desmotivada, a vida amorosa é inexistente, não tem uma relação lá muito boa com a família e nem se sente satisfeita com a própria aparência. A única coisa que realmente deu certo pra ela foi o fato de que mora na cidade dos seus sonhos, São Paulo, depois de sair do interior de Minas, onde nasceu e cresceu. Em meio a uma grande confusão no casamento da sua irmã, onde todos acham que ela enlouqueceu de vez e só seu melhor amigo, Henrique, fica do seu lado, ela recebe por e-mail o link do primeiro blog que teve quando adolescente e se vê magicamente transportada para aquela época, uma enorme surpresa.

Balde de pipocas doces doloridas à esquerda, ao lado do livro De Volta aos Quinze fechado com a capa frontal virada para cima. Em baixo, parcialmente sobre o livro, há um fona de ouvido no modelo headphone rosa, e todos os elementos estão sobre uma coberta propositalmente levemente bagunçada rosa também.

Numa vibe meio “De Repente 30” ao contrário, esse livro tem uma premissa interessante juntando o mundo dos blogs, no qual a Bruna está inserida desde nova, com a viagem no tempo, tendo como diferencial o fato de que a protagonista vai e volta mais de uma vez, então sua jornada pelo passado é dividida em partes, cada uma com sua consequência no futuro/presente. A execução, porém, não deu certo. Sei que a ideia era fazer dessa história um reflexo da dela, com a ida do interior para a capital, gatinha preta de companhia, itens favoritos da personagem e outros detalhes que não posso falar, mas não foi escrita na época mais adequada da sua vida. Ela tinha 19 anos quando o livro foi lançado e tentou criar uma mulher muito mais velha, que acabou tendo essa mentalidade quase adolescente e, com isso, se tornou uma completa idiota!

“Acho que quando duas pessoas se relacionam por tanto tempo, uma acaba deixando muito de si na outra, principalmente quando elas estão apaixonadas. O amor é a único coisa que consegue atingir nossa alma plenamente.”

Sério, em vários momentos me incomodei com defeitos da Anita, como egoísmo, falta de personalidade definida, ideal de “vida boa” fora da realidade, obsessão repentina por algo que ela nem percebia até então e total inconsequência em relação aos seus atos, mas percebi que tudo isso pode ser resumido na imaturidade. Ela não é uma mulher de 30 fracassada por não ter conquistado o que queria, cá entre nós isso é extremamente comum e estou nesse contexto de vida, mas porque tem mentalidade 20, e olhe lá! Eu ficaria até pé atrás em resenhar esse livro, acho meio chato falar mal assim, mas como ouvi a própria autora se criticando num podcast meses atrás, acho que posso me dar ao direito de concordar. Fica difícil engolir e até persistir na história, senti isso na primeira tentativa e dez vezes mais nessa segunda.

Livro De Volta Aos Quinze aberto na folha de rosto, onde está impresso seu título. Abaixo, à mão, há uma dedicatória com autógrafo da autora que diz 'Para Luly com amor e carinho de Bruna Vieira'. Existem alguma pipocas coloridas jgadas sobre essa página, com o balde cheio delas ao lado aparecendo parcialmente no topo da foto, e os headphones cor de rosa também estão ali, sobre a folha e a capa aberta do livro.

Foi engraçado, em dado momento ela diz que Personagem X é maduro “até demais”, sendo que ela que é o contrário, sabe? Até ri nessa parte. Além disso achei algumas contradições pontuais, como uma caixa que era considerada leve e na página seguinte é descrita como pesada, coisas que numa publicação independente sempre deixo passar, mas em livros como esse, publicados por editora grande, não acho aceitável. A leitura, porém, é bem fluída, ótima para o público adolescente para o qual é destinada, e o final em aberto causa uma vontade ENORME de ler a continuação, apesar dos pontos negativos. Estou doida pra sair a série adaptada nele na Netflix, além de ser uma produção nacional com elenco de peso sinto que tem potencial para “corrigir” essas questões, muito justificadas pelo contexto em que foi publicado, e dar a essa história o potencial que tem de entretenimento gostoso.

“Quando você descobre que alguém te ama, tudo o que essa pessoa faz parece ser para chamar sua atenção. Quando você descobre que alguém te amou, tudo o que você faz é para chamar a atenção dessa pessoa.”

Tirando esse romance em específico, que considero ter sido lançado numa fase ainda crua da autora, costumo gostar bastante da escrita da Bruna Vieira. Hoje ela tem 27 anos e 10 livros publicados, entre coletâneas, quadrinhos e mais um romance, o segundo da série Meu Primeiro Blog (o terceiro, que fecha a trilogia, ainda não saiu). Ela explodiu na internet com o blog Depois dos Quinze, que criou para desabafar sobre uma desilusão amorosa, e ainda faz bastante sucesso não parando por aí, postando seu conteúdo não só no blog e nas plataformas de mídias sociais dele, como Instagram, Twitter, podcast e canal no YouTube, mas também no Instagram e Twitter pessoais. Além disso, participa do podcast Perdidas no Recreio, em parceria com Nath Araújo e Giovanna Grigio, já foi colunista da Revista Capricho e segue pela internet, contando histórias enquanto escreve a dela, nas palavras da própria!

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o décimo, referente a 2013. O livro foi a minha escolha para o mês de Outubro no Desafio Zera Estante 2020.

De Volta aos Quinze | Dia 10 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

Continue Reading

Por Que Amamos Ler? – Brian Bristol

Por que amamos ler?

Por que amamos Ler? Grandes escritores tentam explicar nosso fascínio pela leitura (Why We Read?) *****
Por Que Amamos Ler? Autoria: Brian Bristol | Tradução: Thereza Christina Rocque da Motta
Gênero: Coletânea
Ano: 2008
Número de páginas: 104p.
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978.859.956.056-3
Sinopse: “Após herdar de sua avó inúmeras caixas com cadernos de anotações, coleção de frases, cópias de poemas e recortes que tinham vital importância para ela, o autor, ainda na infância, teve despertado o prazer pela leitura. E começou a colecionar citações específicas sobre livros por volta dos 16 anos, inspirado na famosa frase de Cícero ‘um quarto sem livros é como um corpo sem alma’.
O resultado dessa paixão pessoal é o livro Por que amamos ler?, que inclui textos escritos pelos maiores pensadores de todos os tempos. É simplesmente um compêndio de comentários sobre livros feitos por quem é ou foi um apaixonados pela leitura. Serve para nos lembrar do modo com que os livros nos humanizam, nos aproximam, faz aflorar o que temos de melhor; faz nos lembrar que livros causam impacto e que a leitura é importante.”
(fonte)

Comentários: Um presente que ganhei há alguns anos, comecei a ler e, com a correria que tomou conta da minha vida logo em seguida, nunca terminei (apesar de estar marcado como “Já Li” no Skoob)… Mas que casou perfeitamente com o agora quando, ao propor um desafio literário junto com uma amiga para “desencalhar” leituras que já temos em casa, precisei de um livro curto, como ele é. Por que Amamos Ler? é uma coletânea de citações sobre leitura por Brian Bristol, que conheceu o conceito ao herdar da avó sua coleção de recortes sobre Geraldine Ferrar, cantora de ópera. Algum tempo depois, aos 16 anos, aderiu ao conceito tendo a temática desse livro como foco, já que sua vida era completamente tomada pela leitura. A seleção vai desde publicações originais em pergaminhos até e-books Kindle, trazendo muita identificação ou não a quem consome.

Por que amamos ler?

“Alguns livros devem ser experimentados, outros, engolidos, e alguns mastigados e digeridos.” – Sir Francis Bacon (1561-1626)
Por que amamos ler?
Páginas 28 e 29
“Um grande livro livro nos lega inúmeras experiências e nos deixa totalmente exaustos no final. Viemos muitas vidas enquanto o lemos” – William Styron (1925-2006)

E essa é a graça de ler um livro assim: achar exatamente onde você se identifica e de quem discorda completamente. Não importa o quanto gostamos de ler, é impossível amar qualquer leitura, assim como é impossível se identificar com todos os leitores que existem, ainda que alguns deles sejam grandes pensadores. É o tipo de livro legal de ter em casa e deixar cheio de post its nas suas breves (pouco mais de) 100 páginas, pra sempre voltar às citações favoritas e que quer incorporar pra vida. Elas estão divididas em treze assuntos, ou “capítulos” para quem preferir chamar assim: Uso, Mau Uso, Clássicos, Leal Oposição, Ironia, Herança, Os Grandes, Amigos, Lúdico, Didático, Bibliotecas, Leitores e Escritores. Todas são creditadas, incluindo com ano de nascimento e morte da pessoa que a escreveu, e ao final existe um apêndice que explica, em ordem alfabética, quem era a pessoa em questão. De políticos norte americanos como Abraham Lincoln a romancistas brasileiras como Clarice Lispector.

Por que amamos ler?
Página 90
“Os livros são os portadores da civilização. Sem os livros, a história se cala, a literatura emburrece, o pensamento e a pesquisa se interrompem. Eles são as máquinas da mudança, as janelas do mundo, os faróis em meio ao mar do tempo. ” – Barbara Tuchman (1912-1989)

Por que amamos ler?

“O prazer da leitura dobra quando se vive com alguém que compartilha os mesmos livros.” – Katherine Mansfield (1888-1980)

Além de ser essa fonte gigante de boas citações, o livro é também visualmente ABSOLUTAMENTE LINDO! A capa é legal, mas nem um pouco digna da beleza que a gente encontra lá dentro… Todas as páginas são amareladas, com fundo imitando pergaminho e páginas antigas, com as bordas decoradas com arabescos e na maioria esmagadora delas existe a reprodução de grandes obras de arte que complementam visualmente os textos, é uma combinação perfeita estética e historicamente, provando como essas duas coisas caminham juntas. Bem no início, entre o Sumário e a Introdução, existe o crédito delas, pra quem quiser buscar mais a fundo e, apesar de serem de movimentos artísticos e terem temáticas diferentes, elas têm como ponto em comum a referência à leitura, nos mais variados lugares e apresentada das mais diversas formas… Bem como é a vida de quem lê, mesmo, no fim das contas.

Leia também: Nunca precisei de artista, uma reflexão sobre a importância de todas as artes na nossa vida.

Esse livro foi a minha escolha para o mês de Junho no Desafio Zera Estante, onde a proposta da vez é ler um livro curto. Participe do desafio também com livros que você tem em casa e estão “agarrados”, esperando para ser lidos, a duração desse ano é de junho a dezembro!

Continue Reading