Remember Universitário: 4 ou 5 anos que passam voando

Foto de Luly Lage de blusa preta, calça jeans e um capelo na cabeça, segurando uma rosa vermelha e um canudo de formatura. Seu rosto está sorridente, a pele é clara e os longos cabelos escuros. Atrás há uma parede cinza escura onde estão encostadas três bandeiras de pé, a do estado de Minas Gerais, do Brasil e, oculta pela figura principal, uma branca com o brasão da Universidade Federal de Minas Gerais.

Quando criei a tag “Remember Universitário” aqui no blog 9 anos atrás, com o objetivo de relembrar meu processo como universitária em contagem regressiva para a formatura, eu tinha em mente publicar, no dia da defesa do meu TCC, um post intitulado 4 ou 5 anos que passam voando para expressar como estava me sentindo naquele dia. Nem era pra ser o último, não necessariamente, mas o mais marcante entre vários que seriam escritos, o momento em que a gente “bate o martelo” oficializando o fim da jornada. Ironicamente eu estava 100% errada porque nada disso que eu descrevi agora aconteceu de fato.

Ou talvez devo dizer que nada do que eu planejei para minha jornada acadêmica aconteceu de fato! Fiz vestibular para Design Gráfico, acabei entrando no curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis. Ingressei na faculdade com o intuito de passar apenas dois anos e enfim mudar pro design, acabei amando e decidindo ficar. Uma vez que ficaria, pensei que as áreas que mais me interessariam seriam a restauração de pintura e escultura, acabei só trabalhando com papel, apaixonada por ele e seguindo todo mundo caminho nisso, quase do início e até o fim. Jurei que não atrasaria nada e formaria em 4 anos contadinhos no calendário, na metade já sabia que pra fazer estágio e todas as disciplinas que queria teria que estender pra 5 sem nem exitar. Aceitei que formaria no fim de 2012, e não de 2011, mas uma greve veio e adiou ainda mais.

Até aqui, porém, tudo bem, os males vieram pra tornar a coisa melhor. Teve matéria trancada que saiu bem feita com uma dose extra de maturidade nas costas, volta pro segundo estágio no lugar favorito de se trabalhar bem naquele momento que não poderia fazer se já estivesse formada, amizades com a turma que veio depois da minha que contribuíram loucamente pro crescimento mútuo, por aí vai. O TCC também entrou no pacote dos caminhos em que a gente entra sem querer e sai melhor que entrou… Todo um plano de me aprofundar na parte química da restauração de documentos indo por água abaixo pra dar lugar a uma gravura duplamente histórica que me dava a chance de ter como orientadora a professora com a qual tinha mais memória afetiva no curso, pô! Que último ano dos sonhos é esse, Luly? Não pode ser real!

Mesmo com a greve, o trabalho foi finalizado, véspera de natal e a gente lá, restaurando sem parar. Tive uma alergia BIZARRA no meio do caminho, fiz minha viagem de campo com a orientadora toda vermelha, mas foi gostoso e nem um engarrafamento de horas na volta estragou nosso clima. Preciso confessar que a defesa foi meio bosta, ainda bem que não escrevi o post da época porque ia extravasar uma boa dose de revolta aqui, mas agora, visto de longe, nem isso importa mais. A colação foi pura emoção, aplaudida de pé por todo mundo, até os primeiros meses de formada seguiram no sucesso total com clientes e algumas oportunidades em vista. Passei num concurso no ano seguinte pra dar aula na minha área, mais um sonho sendo realizado, e foi nesse ponto que a coisa começou a desandar.

Nem vou me aprofundar no que rolou, não, porque o foco aqui é a faculdade em si e tô passando super o carro nas frentes dos bois. A questão é que, por muito tempo, achei que tinha jogado fora aqueles 4 ou 5 anos de vida fora estudando algo que eu amava, mas não teria participação nos bons frutos que surgissem na minha vida. Meu grande mantra “conhecimento não ocupa lugar no espaço”, onde afirmo que todo aprendizado vale a pena, parecia uma grande balela sem sentido até pra mim mesma. Mas, cara, como eu estava enganada! Acho que exercer o que a gente já sabe fazer fica tão natural que acaba se tornando banal, né? E eu estava ali, aplicando o que minha formação me ensinou, tanto no trabalho em uma área nada a ver quanto no pessoal, até em presentes que produzia pras pessoas.

Com o tempo isso ficou ainda mais forte, retomando minha jornada acadêmica nas artes mesmo fora da restauração (ó o Vênus em Arte aí que não me deixa mentir), mas pensando bem sinto que foi forte o tempo todo. Foram 5 anos que sim, passaram VOANDO, mas ainda estão 100% vivos na minha mente mesmo que já tenham acabado há quase uma década – e só fui perceber isso agora. Cinco anos transformaram uma adolescente com carinha de criança em adulta, por dentro e por fora. É até risível pensar que um marco de início de vida pra mim significava fechamento, mas quem sou eu me julgar alguém que era há tanto tempo atrás, né? O que importa é que agora eu sei que, na verdade, conhecimento ocupa espaço sim, muito espaço: ele PREENCHE a gente de um jeito nada mais consegue.

Que bom que permiti que a conservação-restauração me preenchesse também, em definitivo, sem ter como tira-la de mim não importa pra onde eu vá. E melhor ainda que criei esse Remember Universitário, que não saiu como planejado, mas não vai me deixar esquecer disso justamente podendo sempre relembrar!

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o nono, referente a 2012.

Remember Universitário: 4 ou 5 anos que passam voando | Dia 09 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

Esse é o quinto (e último) post de uma série nostálgica sobre meus 5 anos como universitária, que acabaram em março de 2013. De lá pra cá muita coisa aconteceu fora da área de conservação-restauração por aqui, mas outras dentro dela também, então vale a pena relembrar o quão foi bom o trajeto. Todos os posts podem ser lidos na tag Remember Universitário.

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Livros amarelados: Por que isso acontece? Como evitar? Dá pra reverter?

Livros amarelados: por que isso acontece? O que fazer para evitar? Tem como reverter? Textos sobre um quadrado branco, ao fundo, em preto e branco, uma pilha de livros não identificados um sobre o outro.

Depois de muita revolta com informações equivocadas sobre cuidados com livros que vi rodando pela internet, principalmente entre pessoas que produzem conteúdo literário no Instagram, Youtube e Twitter, resolvi que era hora de falar sobre isso eu mesma, porém com o embasamento científico de quem é realmente conservadora-restauradora com formação focada em bens em papel. Eu sei que as pessoas não têm má intenção ao compartilhar suas experiências no assunto, às vezes até pesquisam sobre e só visam ajudar os outros, mas quando alguém faz isso usando expressões como “conservação” e “restauração” acabam propagando que esses processos se resumem a isso, o que não é verdade porque várias dessas práticas podem, a curto ou longo prazo, até mesmo piorar a situação a acelerar o processo de deterioração deles.

E começando pelo que sinto que mais incomoda as pessoas, principalmente por acontecer com maior frequência com publicações de algumas editoras específicas, vamos falar hoje sobre livros que vão ficando amarelos com o tempo. Vou confessar que eu, pessoalmente, sou uma leitora e restauradora discípula, de forma bem leve, de John Ruskin que vê o processo de deterioração como algo natural que faz parte da história e materialidade das coisas, mas a partir do momento que a função fica comprometida por isso começa a ser realmente um problema pra mim… O amarelado em si impede um livro de exercer seu papel? Não! Mas pra outras pessoas que se importam com o visual sim, então vamos entender por que isso acontece, aprender como evitar ao máximo e conversar sobre o que pode ou não ser feito para reverter.

Por que meus livros ficam amarelados com o tempo?

Não podemos esquecer que o papel é feito de celulose, ou seja, é matéria orgânica! Assim como acontece a gente, a celulose sofre oxidação com o passar do tempo pelo simples fato de estar em contato com o oxigênio. E o componente associado à celulose que faz parte da parede celular dela e causa esse amarelamento com o tempo é uma macromolécula chamada lignina. É ela que dá o tom amarronzado da madeira e também que a torna forte e resistente, mantendo árvores fortes e em pé por anos e anos. À medida que vai oxidando, a lignina do papel vai apresentando esses tons mais escuros que tendem para o amarelo ou mesmo marrom. Sendo assim, quanto mais lignina tem um papel, mais rápido fica amarelo. Ela é o problema, mas muito necessária!

Psiu! Pres’tenção! Apesar da oxidação ser natural e não apresentar realmente danos à nossa saúde, alterações de cor de aspecto mais duvidoso, associadas a manchas de umidade, em relevo ou com tons que tendem para o esverdeado podem ser, na verdade, sinal de fungo ou outros micro-organismos! Tome cuidado ao maneja-los porque aí sim trazer problemas!

Existem outras formas de tonar um papel resistente sem isso, mas são processos que encarecem o produto final, é claro. É por isso que materiais como papel jornal, que precisa ter baixo custo e ainda assim boa resistência, ficam amarelos tão rápido! Não tem nada a ver com a editora, o fato de ser matéria prima nacional ou má qualidade, é só um processo químico natural como qualquer outro! Inclusive, abaixo, fica a prova de que livros importados também ficam amarelos: nela estão minhas duas edições do livro “O Amor é a Cura”, do Elton John, que chegaram aqui mais ou menos da mesma época. A britânica (Love Is The Cure) ganhei da Elton John AIDS Foundation no fim de 2012 está com o corte todo amarelo, enquanto a brasileira da Amarilys, ganhada na mesma época em um amigo oculto, segue branquinha como se estivesse nova.

Foto vista de cima dos livros, onde Love Is The Cure apresenta corte oxidado e O Amor É A Cura ainda está branco.

Como evitar ou reverter essa situação?

A melhor maneira de evitar que seus livros fiquem com as páginas amarelas com o tempo é a prevenção. Claro, não tem como você evitar que ele entre em contato com o oxigênio em si, mas alguns agravantes podem ser destacados, a maioria deles de ação irreversível. A luz e o calor são os piores, por isso mantenha seus livros sempre longe do Sol, em local arejado, onde eles possam “respirar”. Se você não tiver onde armazena-los longe de janelas é interessante colocar pelo menos algum pano cobrindo essa luz nos horários onde é mais forte, o Sol realmente é um grande inimigo da preservação de livros. Até a maneira de organizar a estante é importante, tentando deixar um espaço mínimo entre eles e de distância do fundo, para que o ar circule ali.

Ao contrário do que muita gente pensa, guardar os livros em sacos ou filme plástico não é legal, porque abafa e aumenta o calor e pode causar microclima do jeitinho que fungos e bactérias gostam, principalmente em locais muito úmidos. Também torna mais difícil ver se tem algo de errado acontecendo, ataques de traças e afins. Para manter os livros longe da poeira, que pode contribuir pra oxidação, o ideal é limpa-los com pano seco, pincel e/ou trincha macia, sem produtos molhados ou com cheiro. O mesmo vale pra estante, principalmente se for de madeira! Se tiver alguma sujeira mais resistente é legal ralar um pouquinho de borracha branca e passar no lugar, mas cuidado com as regiões de tinta porque pode acabar apagando junto. Por fim, se possível, é bom não deixa-los onde tem muita umidade, mesmo sendo algo mais difícil de controlar.

Posso lixar ou pintar o corte dos livros?

E agora vamos pra parte mais sensível do post, que é onde surgiu toda minha revolta com o compartilhamento de informações equivocadas sobre o assunto… Virou um costume forte lixar os cortes de livros que ficam amarelados com o objetivo de mantê-los com aparência renovada e limpa, mas chamar isso de conservação ou mesmo restauração é um erro muito grande, porque pode fazer muito mal! Com a lixa acaba acontecendo quebra na fibra do papel, nesse caso em todo o corte, fazendo com que seja mais fácil acontecer acidentes ao folear, deixar cair e afins, aumentando a possibilidade de rasgos. Além disso não impede que a oxidação continue acontecendo, então o problema vira uma reação em cadeia. Alguns restauradores o fazem, sim, mas com muito mais técnica e experiência que um leigo. Eu, particularmente, não gosto e não uso a lixa pra esse fim.

Pintar os cortes também é problemático, uma vez que apenas tampa o lugar e sequer tira a parte oxidada! Dependendo da composição da tinta que você usa pode acontecer reação química e estragar o papel, com o mesmo problema citado anteriormente da quebra da fibra, e ainda atrair mais sujeira, sendo mais difícil de limpar. Melhor não, né? E mesmo se for feito é importante saber dos riscos que você está assumindo e, claro, não chamar das expressões citadas antes, que se referem a processos que devem ser feitos com conhecimento científico prévio. Acima de tudo é importante aceitar que eu, vocês e os livros, todos oxidamos! Faz parte do lindo processo de envelhecer e o conteúdo que existe ali dentro – tanto pra eles quanto pra pessoas – é o que realmente importa, mais que a carcaça!

Conteúdo em vídeo

Para mais conteúdos sobre esse assunto vocês podem acessar a categoria Conservação-Restauração aqui no blog ou a playlist Preservação de Livros no meu canal do YouTube. Em ambos os lugares vocês encontram mais relatos sobre o curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG!

Esse post faz parte do Especial 17 Anos de Sweet Luly, que serão completos em 26 de junho de 2021, onde estou escrevendo um texto para cada ano de vida do blog. Esse é o quinto, referente a 2008, ano em que entrei na faculdade!

Livros amarelados | Dia 04 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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Vídeo-Tag: Minha Faculdade – Conservação e Restauração

Sempre, sempre, SEMPRE que o fato de que sou formada em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis surge por aqui em algum post alguém comenta sobre isso, muitas vezes pedindo para eu falar mais sobre o assunto, por mais que eu já tenha falado várias vezes. Eu não só gosto como também entendo perfeitamente essa demanda, já que é um curso… “Incomum”! Até pouco tempo sequer existia como graduação, minha turma foi a primeira do país, antes só tinha pós ou técnico. Aliás se parar pra pensar muita gente nem raciocina que a profissão conservador-restaurador existe, inconscientemente a gente assume que esse trabalho é feito por artistas, arquitetos, museólogos ou o que mais for, e muitas vezes é mesmo (mas isso é assunto pra outro momento). Sendo assim cá estou para responder à tag Minha Faculdade e mostrar um pouquinho dessa delícia que foram os cinco anos que passei na UFMG.

Perguntas:
01. Qual seu curso de graduação?
02. Quantos períodos ele tem? E em qual você esta?
03. Porque você escolheu esse curso?
04. Antes de escolher esse curso você pesquisou sobre o mercado de trabalho e o piso salarial?
05. Como foi seu primeiro dia de aula? Tem dicas para os calouros?
06. Sobre seu TCC, já começou a fazer? Qual tema pretende abordar?
07. Você se considera uma boa aluna(o)?
08. Você esta 100% satisfeita com o curso que escolheu?
09. O seu curso tem algum material especifico que não tem em outros cursos? (ex: estetoscópio e calculadora cientifica.)
10. Na sua faculdade teve trote? Se sim como foi?
11. Seu curso tem muita matemática?
12. Geralmente nas faculdades existem o “ciclo natural de desistência” a turma começa com 70 alunos e permanecem só 20. Isso aconteceu na sua faculdade?
13. Quais dicas você daria para quem esta querendo começar a fazer o mesmo curso que você?
14. Já ficou em DP? Possui algum método diferente de estudo?
15. Faça um resumo básico do seu curso pra quem estiver interesse em fazê-lo.

Para quem quiser ler mais sobre o curso, seja em posts específicos sobre o assunto ou narrando alguma(s) das experiências que vivi nele, aqui no blog eu tenho a categoria Conservação e Restauração, você acham MUITA coisa nela!

BEDA2016

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Remember Universitário: 20 horas semanais…

Logo no início do curso, talvez por sermos a primeira turma, começou uma temporada de demanda de estágios intensa na faculdade. De cara eu resolvi que tentaria de tudo e no primeiro deles eu já mandei meu currículo que não tinha absolutamente nada. Aliás a turma inteira mandou, mas só metade conseguiu: graças à turma dividida na disciplina de fotografia alguns ficaram sem disponibilidade e eu, com meu nome começado com “L”, fazia parte desse grupo. Mas tudo bem, eu tava tranquila porque ainda viriam outras chances.

Só que o tempo foi passando e os gostos “restaurativos” foram sendo definidos em mim. As ofertas de estágio pipocavam pra todo lado, mas meu currículo foi sendo enviado cada vez menos… Eu queria e precisava de dinheiro, sim, mas não queria que fosse de qualquer jeito: eu tava DOIDA pra trabalhar com restauração de papel!

Foi aí que uma das minhas colegas me ligou um dia. Ela fazia estágio no Arquivo Público Mineiro e tinha uma vaga aberta por lá. Eu ganharia um dinheirinho, que pra mim era uma quantia incrível, e em troca eu dedicaria a eles nada mais, nada menos do que 20 horas semanais de trabalho enquanto não estivesse em aula. Troca justa, contrato assinado, já saí pedindo o cartão de crédito do vovô emprestado e comprei uma câmera parceladinha em 6 vezes. Agora eu tinha meu próprio dinheiro que eu fazia render tanto que hoje me surpreendo, porque sei o que é ganhar mais do que o dobro daquilo e não durar quase nada.

Minha função? Tratar fichas no Photoshop. Simples assim. Eu virava as que estavam de lado ou de cabeça pra baixo e escurecia as que estavam muito claras e não dava pra ler. Eu sei que parece pouco, mas ALGUÉM tinha que fazer. Assim que acabei meu desejo se realizou mais rápido do que eu esperava: eu fui pro laboratório de restauração! Durei uma semana até que me mandaram de volta pra digitalização porque precisavam de gente no banco de dados das fichas que eu tinha tratado: o projeto Hélio Gravatá era o que estava em vigor por lá e tinha que dar certo. Eu até pensei em sair, mas eu gostava tanto de lá… Dei tudo de mim no Hélio Gravatá, me diverti à beça e quando acabou fui recompensada voltando pro laboratório. Paciência vale a pena.

Fiquei um ano no APM. Quando meu contrato venceu tive que sair: eles não tinham como renovar. Foi triste, chorei bastante e depois disso fiquei quase um ano parada. Eu queria estar livre caso eles precisassem de mim. Mas aí o tempo foi passando e no ano seguinte, quando eu já estava no 7º período, veio uma chance de estágio no Cecor. O trabalho era a restauração de um missal do século XVII e eu fui aceita por causa da minha, digamos, experiência. Foi incrível, trabalhamos muito e eu ainda fiquei amiga da Marina, que hoje é uma pessoa cujo telefone fica até na discagem rápida do meu celular, hahaha.

Por que? Bom, até de “compassas” nós já fomos chamadas. Depois que o trabalho do missal acabou ficamos um tempinho de folga até que o APM abriu vagas para um mega projeto e adivinha: duas delas era pra restauração. E lá fomos nós… E se no Cecor a perfeição era ideal, lá no Arquivo é a agilidade… Tratamento em massa, que eu adoro! E a maior mudança é que não eram mais 20 horas semanais: são mais! E como consequência, mais dinheiro. Até agora, depois de formadas, já pudemos trabalhar juntas de novo, o que foi ótimo.

Por um lado é ruim porque quando olham para meu currículo eu SÓ tenho experiência profissional na área de papel. Aliás, seria ruim, mas na verdade é bom porque é isso que eu quero fazer. Nosso contrato terminou em abril desse ano, mas foi naquele lugar que eu comecei e lá terminou minha vida de estagiária. Minha dica para quem tá na faculdade agora é essa: faça estágios! Só assim as pessoas sabem que você existe, só assim você fará realmente seus contatos.

Aliás, muitos me perguntam e eis a resposta: por esse motivo fiquei um ano a mais na faculdade… Dedicar aos estágios tomou meu tempo e eu, burrinha, não pedi os créditos que tinha direito, mas foi bom, valeu a pena, e eu não vejo a hora de viver restaurando papel até o fim da vida. Não que eu tenha estado parada desde então porque já tive trabalhos pra fazer, mas trabalho é trabalho e emprego é emprego, e meu desejo para o fim de 2013 e 2014 é um, dessa vez gastando 40 horas semanais.

20 Horas Semanais

Esse post é o quarto de uma série de posts nostálgicos sobre meus 5 anos como universitária. Esses 5 anos acabaram em março e só Deus sabe o que vai acontecer daqui pra frente. Então vale a pena lembrar, porque é com o fim que a gente vê de verdade como era bom o início, como foi bom o trajeto!!
Todos os posts aqui.

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Cantiga por Luciana

Eu não sei REALMENTE quem é o autor da música, mas sei que conheço ela na voz da Evinha (que, por sua vez, quanhou o IV FIC com ela) desde que, sei lá, me entendo por gente. E eu até gosto da música, acho a letra fofinha e bem sentimental, realmente o tipo de coisa que faz minha mãe se emocionar cada vez que escuta e pensa em mim… Afinal mesmo não tendo favoritismo entre eu e minha irmã (e não tem MESMO) eu acho que 1º filho é sempre assim, né? Só de pensar em cada conquistinha já abre a boca, afinal eu fui o primeiro “bebê” dela.
– Quando eu me apresento pras pessoas raramente é como “Luciana”. Se é algo profissional ou acadêmico, claro, falo todas as sete letrinhas juntinhas sem nem pensar. Mas se o local é informal não: eu sou Luly mesmo. SEMPRE. Não que eu não goste do meu nome – eu amo -, mas é que eu me afeiçoei a esse apelido de tal forma que, não sei, eu me sinto mais Luly do que Luciana a muitos anos. E desde neném eu era assim… Quando eu aprendi a falar e me perguntavam como eu me chamava a resposta era sempre “É Lulu!”. “Lulu” era meu nome e ponto final! Ainda é em meio familiar e nas amizades mais antigas… Inclusive agora o Henrique, meu primo de 1 ano e meio, aprendeu que eu sou a “Lhu-lu” e repete isso cada vez que me vê. Imagina se ele tivesse que me chamar de “Lhu-xi-anha”? Ah, não, é muita letra!!
Assim como as pessoas do meu cotidiano… Se me chamam pelo nome já acho que tô levando uma bronca! Eu tenho AMIGOS (amigos mesmo, não conhecidos e nem colegas) que demoraram pra descobrir meu nome de verdade. E quando vão me apresentar para outras pessoas já falam “Essa é a Luly” e eu morro de alegria. Não que eu o esconda. E nem deveria esconder, porque olha que coisa mais linda que surgiu por causa dele, voltando à tal da “Cantiga por Luciana”:

“Manhã no peito de um cantor
cansado de esperar só.
Foi tanto tempo que nem sei
das tardes tão vazias por onde andei.

Luciana, Luciana,
sorriso de menina dos olhos de mar…
Luciana, Luciana
abrace essa cantiga por onde passar.

Nasceu na paz de um beija-flor,
em verso, em voz de amor,
já desponta, aos olhos da manhã,
pedaços de uma vida que abriu-se em flor…”

O que eu NUNCA IA IMAGINAR é que até a Sandy (sim, irmã do Júnior) já cantou essa música… E fui descobrir da maneira mais linda do mundo!! Porque eu escrevi essa baboseira toda aí em cima só pra mostrar pra vocês o presente (lindo) que meu padrinho fez pra mim de formatura, que me dá vontade de chorar milhões de vezes… Olha aí:

Obrigada, padrinho!! Obrigada também todo mundo que o ajudou a fazer esse vídeo escondido de mim BEM DO MEU LADO e todas as pessoas das fotos que foram me ver!! Amei…

ps.: o nome do curso é “Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis”, mas o que são duas palavrinhas fora de lugar perto de tanto amor puro??

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