Exposição Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira

Exposição Yara Tupynambá - 70 Anos de Carreira: foto de Luly Lage, uma mulher de pele clara e cabelos pintados de rosa com a raiz escura, usando óculos de grau e máscara protetora, em frente a um quadro da artista de temática botânica, com folhas verdes, galhos finos de árvores e fundo azul.

Eu realmente considero um privilégio viver na mesma época que Yara Tupynambá, por diversos motivos. A importância dela na história da arte brasileira, em especial na arte mineira, é medida não só pela produção de obras em diversos suportes, mas também formação de outros artistas, uma vez que foi professora em importantes cursos de nível superior em Artes Visuais. Quando fiquei sabendo da exposição Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira, que chegou ao CCBB BH no dia 24 de fevereiro, peguei ingresso para o primeiro horário do primeiro dia, precisava conferir e produzir conteúdo sobre. Foi a única vez que fui a uma instituição cultural durante a pandemia e não me arrependo: são 74 obras, entre quadros, gravuras e painéis, representando flora e cultura de Minas Gerais, celebrando não só a vida e o trabalho dela, mas também do lugar onde nasceu e ainda vive.

Veja pedacinhos dessa exposição também no vídeo publicado no Instagram Reels!

Eu tenho uma relação muito pessoal e afetiva com a Yara, vai além da admiração como artista. Em 2012, quando eu fazia meu TCC, onde restaurarei uma gravura do Padre Viegas (provavelmente a primeira gravação feita no Brasil!), descobri que ela tinha feito a reimpressão que estava restaurando quando era professora da EBA UFMG enquanto pesquisava a história da obra. Mandei então alguns e-mails até, enfim, chegar no endereço pessoal dela, que me respondeu muito solícita sobre o trabalho e me ajudou a detectar muitas das causas de degradação que tinham levado a essa necessidade da restauração. Quando terminei, ela foi adicionada aos meus agradecimentos porque foi super importante no processo e me tornei bem fã. Com razão, né? Pra quem tem interesse nesse tipo de trabalho, ou mesmo curiosidade, o arquivo em PDF do TCC completo está disponível no meu perfil do Academia.

Sala 01:

Essa exposição está dividida em quatro salas, sendo as três primeiras no térreo do prédio, logo à direita da entrada principal. A sala de abertura já apresenta, de cara, um dos painéis da artista, obra de grande porte e cores fortes, entre verde, marrom e pitadas de pontos claros nos detalhes. Essas cores estão presentes em todo esse ambiente inicial, retratando matas, árvores e águas das margens do Rio Doce. É um conjunto bem uniforme, parece uma grande série de quadros, mas suas datas variam muito entre os últimos dez anos, mais ou menos, então a produção em si parece ter sido relativamente espaçada. Confesso que, de todas, foi a que “menos amei” (porque amei tudo, na verdade), mas causa um primeiro impacto muito belo, de verdade.

Psiu! Pres’tenção! Todos os exemplos de pinturas mostrados nesse post possuem a mesma técnica e suporte: acrílica sobre tela. Os anos de criação, porém, são variados e foram descritos nas legendas das imagens, ao lado dos títulos.

Quadro de Yara Tupynambá em primeiro plano, com painel da artista quase inteiramente visto ao fundo, ambos retratando matas com árvores finas de madeira clara e muito verde em volta.
Árvores Brancas (2012) e Floresta do Vale do Rio Doce (2014).
Três quadros da artista, um dois primeiro plano com lagoas em destaque na paisagem e outro ao fundo, bem semelhante à foto anterior.
Lagoa com Nenúfares (2019), Lagoa do Rio Doce (2017) e Floresta do Vale do Rio Doce (2017).

Sala 02:

A sala seguinte tem cores suaves retratando ambientes abertos que passam a ideia de serem mais leves. Acho que, de todas, foi a minha favorita! Achei interessante porque nem todas elas são cenários em si, algumas tinham flores e outros tipos de plantas meio “jogados” formando a composição, e ainda assim passam a mensagem de retratar algo real e visível. O grande destaque dessas representações é a Serra do Cipó, um destino turístico natural localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte conhecido por suas cachoeiras, que estão presentes lado a lado da vegetação também característica. Ao contrário do espaço anterior, e assim como os seguintes, elas são diferentes entre si, mas é possível detectar alguns conjuntos que representam pequenas unidades particulares, a expografia arrasou em organizar a disposição para que isso ficasse muito perceptível ao público visitante.

Quadro retratando árvores de galhos secos em meio a pedras claroas e algumas flores secas caídas ao redor.
Velócias Gigante (2013).
Dois quadros de yara Tupynambá d emédio porte, o primeiro, ao fundo, com cenário da flora  em tons verdes e vivos à margem de uma cachoeira com uma faixa no centro mostrando o que parece ser o mesmo local em período de seca; e o segundo retratando três flores em ambiente fechado com fundo escuro.
Perto da Cachoeira (2015) e Três Flores na Serra do Cipó (2004).
Quadros em fundo de cor clara retratando diversos tipos de flores coloridas espalhadas na tela.
Flores na Serra do Cipó III (2011) e Flores na Serra do Cipó (2011).

Sala 03:

O último cômodo do andar térreo também retrata pontos relevantes de Belo Horizonte e região, como parque municipais e o Inhotim, museu de arte contemporânea em Brumadinho que tem paisagismo assinado por Burle Marx. Em um meio termo do que foi visto anteriormente, os quadros têm tons e características semelhantes, mas não retratam uma unidade propriamente dita. Como moradora da capital mineira foi o lugar onde mais me senti em casa, por mais que eu já tenha estado nos cenários anteriores esses são os mais próximos, onde estive várias vezes. Isso me mostra muito a força de vistar mostras e exposições que trazem paisagens locais, valorizando realmente o nosso lar e o fazer artístico dele, mesmo. Muito incrível poder ver isso, seja presencial ou virtual, que é o mais acessível nesse momento.

Quadros retratando cenários variados, sendo o primeiro um conjunto de árvores de galhos finos e folhas escuras, o seguno uma planta imponente nascendo em frente a um muro antigo de azulejos e o terceiro uma lagos em um parque, com vegetação ao seu redor e barcos estacionados à beira da água.
Árvores à Luz do Dia (2018), A Velha Parede Esquecida (2018) e Parcos no Parque (2020).
Duas pinturas com cores semelhantes (verde em diversos tons, terrosas e vermelho), a primeira retratando um cenário vegetal urbano onde á uma lagoa com barco, pessoas caminhando ao fundo e um possível coreto de praça; e o segundo em local parecido, com uma menina vestindo vestindo roupa de cor quente em destaque na frente segurando dois balões coloridos.
Árvores e Barcos (2017) e A Menina dos Balões (2017).

Sala 04:

A última sala fica localizada no 2º andar do CCBB, contendo obras da coleção particular da artista que o público não tem acesso. Ali contém desde homenagens a Monet, ao pintar seus jardins na França há mais de trinta anos, à vista da sua janela durante a pandemia, com trabalhos de 2020 e até 2021! Em entrevistas ela já disse que sua rotina em isolamento social não mudou muito, passa basicamente o tempo todo no ateliê produzindo, e aí está o resultado dessa produção, que ocupa 70 anos dos (quase) 90 que tem de vida a serem completados ano que vem. Escondidinho, num dos cantos de obras voltadas pra parede, existe um quarteto que não são pinturas e tenho a impressão que eram desenhos, mas agora não tenho certeza e já peço desculpas por essa gafe. O importante é que é belíssimo, como todo o resto.

Três quadros, dois em destaque em cores claras retratando flores brancas e roxas variadas e um ao fundo, entre eles, que tem como imagem principal uma casa cercada de diversos tipos de plantas, árvores e flores, ao seu redor.
O Jardim Secreto I (2015), A Casa de Monet (1989) e Íris e Spatifilus do Jardim (2020).
Quatro obras da sala da coleção particular de Yara Tupynambá em ângulos onde não é possível ver muitos detalhes, todas com temática principal de flores e folhas, e uma em destaque, retratando a casa (descrita na foto anterior).
Spatifilus no Fim da Tarde (2010), Strelitzia no Jardim (2020), A Casa de Monet (1898) e A Janela do Atelier (2021).
Quadro com moldura em primeiro plano, com um grande vaso onde estão folhas e flores e um menor na frente, que parece conter frutas redondas. Ao fundo, um quadro em cores complementares aparece pela metade, retratando várias folhas coloridas em fundo verde.
Vaso de Flores em Pote Chinês (2000) e Sol Poente e Folhas Vermelhas (2020).

Leia também: Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura, sobre a mostra que também está aberta no CCBB BH.

Sobre a artista:

Yara Tupynambá nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 2 de abril de 1932. É artista plástica, tendo estudado com o próprio Guignard, e atuou como professora e diretora da Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG e professora da Escola Guignard da UEMG. Ao longo de sua vida profissional, participou de diversas Bienais e Salões de Arte Moderna, ganhou prêmios de vários tipos de materiais do seu trabalho multiartístico, uma vez que é não somente pintora mas também muralista, gravadora e desenhista. Em 1987, criou o Instituto Yara Tupynambá, ainda na ativa, promovendo atividades de incentivo cultural, incluindo a conservação-restauração de bens, e de educação artística e em outras áreas, como gastronomia, moda, turismo e meio ambiente. Vocês podem segui-la no Instagram nos perfis @yaratupynambaoficial e @instituto.yaratupynamba.

Dados gerais e vídeo:

Yara Tupynambá – 70 Anos de Carreira está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte, supostamente, até 20 de maio de 2021. O CCBB, porém, se encontra fechado como medida de proteção ao COVID-19, sem previsão de reabertura, conforme definido pela Prefeitura de BH. Enquanto estava aberto, a bilheteria da instituição não estava funcionando e os ingressos gratuitos eram retirados pela internet, com obrigatoriedade do uso de máscara de proteção dentro das dependências, medição de temperatura na entrada, distância entre visitantes determinada por sinalização presente no chão e dispensadores de álcool em gel em todos os andares do prédio. É possível fazer o tour virtual pela exposição no site do Instituto Yara Tupynambá em yaratupynamba.org.br/ccbb (e tem uma prévia dele lá nos Reels do meu Instagram!).

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina na história da arte! Sempre que pertinente, falo sobre as mulheres de exposições que frequento por lá, além do conteúdo principal ensinando sobre movimentos artísticos através das artistas que faziam parte deles. Abaixo, um vídeo falando sobre a experiência com pequenas tomadas dentro das galerias.

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Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura

Conjunto de obras cinéticas de Abraham Palatnik expostas em um tablado no CCBB BH. O ambiente tem fundo neutro e as seis obras estão sobre pequenos tablados individuais de mesma cor, sendo compostas de esferas, cubos e outras formas maciças irregulares coloridas, presas em fios fixos ou não, permitindo movimento natural a algumas delas.

Ano passado, no dia 9 de maio, o artista modernista brasileiro Abraham Palatnik faleceu aos 92 anos, vítima do COVID-19 (também conhecido como vírus Corona), no Rio de Janeiro. Grande nome na arte construtivista e abstrata aqui no Brasil, ele é a maior referência nacional em Obras Cinéticas e Aparelhos Cromáticos, onde explora forma, cores e luzes através da união da arte com a tecnologia, criando verdadeiras máquinas embutidas dentro do que parecem inocentes objetos lúdicos. Seu trabalho já rodou grandes centros culturais brasileiros, como o MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, e internacionais, e agora está no CCBB BH – Centro Cultural Branco do Brasil de Belo Horizonte com a mostra “A Reinvenção da Pintura”.

Veja pedacinhos dessa mostra em movimento no vídeo publicado no Instagram Reels!

Painel de Abraham Palatnik composto de linhas de diversas cores e espessuras formando, ao mesmo tempo, zig-zags e ondas, causando ilusão de ótica ao expectador.
Painel de abertura da exposição.

Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura é uma amostra grátis, literalmente, de toda uma trajetória multi- artística. Ela começa com obras bastante tradicionais, pinturas e desenhos do início da carreira, com traços delimitados retratando natureza morta, paisagens e, logo na primeira sala, um auto retrato do artista. Para o que não sabem nada sobre a história dele, pode rolar uma primeira impressão bem diferente do que espera pela frente, mas que é importante estar ali, contando sua história. Quem gosta de realmente se informar sobre o que está visitando está bem servido, porque além da linha do tempo de sua vida os dizeres nas paredes dão várias informações, além dos QR codes que levam ao link do folder digital, uma vez que não há distribuição de folders impressos como medida de prevenção nesse período de pandemia.

A variedade da sua produção, porém, começa a aparecer bem rapidinho à medida que novas salas vão sendo exploradas. Há uma simulação do seu ambiente de trabalho, objetos de design criados em meados do séculos XX compõe um cenário com tipos diferentes de mesas e assentos, criações lúdicas que poderiam facilmente ser usadas como brinquedos e uma aparição dos seus famosos Aparelhos Cinecromáticos, onde luzes coloridas se embaçam e movimentam atrás de uma tela. É envolvente ver como ele construiu algo assim cinquenta anos atrás (o que estava lá é datado de 1969), o industrial disfarçado de puramente estético com um toque orgânico. Foi uma pena pra mim não conseguir registrar, o ambiente é escuro pras luzes se destacarem e, por isso, nenhuma foto ou vídeo passa a real mensagem do que é visto. Mas garanto: lindo, lindo, lindo!

Autorretrato de Abraham Palatnik, que cuja imagem olha diretamente para o expectador com o rosto levemente virado. As cores do quadros se apresentam em grandes blocos disformes ao retratar um homem de pele clara, cabelos escuros e óculos de armação fina. Ele veste uma camisa em tons terrosos e a obra possui moldura de cor clara com detalhes ornamentações delicados.
Autorretrato (1945) – óleo sobre tela
Cenário com simulação do ambiente de trabalho do artista, com vários objetos que faziam parte da sua produção organizados de forma desordenada: papéis, tintas, esferas coloridas, cabos elétricos, ferramentas e circuitos generalizados. Há também uma máscara de proteção contra gases e dez fotos da oficina real do mesmo fixadas na parede alinhadas, como quadros decorativos.
Simulação do ateliê e oficina do artista
Móveis projetados por Abraham Palatnik: mesa de centro baixa, detangular, feita de madeira escura com tampo decorado em tons outonais formando objetos geométricos, mesa de jantar de metal com tampo colorido em tom forte acompanhada de quatro cadeiras de metal escuro com estofado claro, mesas de apoio de metal fino e escuro (uma alta, da altura da mesa de jantar, e a outra baixa, como a mesa de centro) com tampos decorados geometricamente, quadro minimalista de fundo claro com duas formas retangulares (uma escura a a outra, menos, em tom médio semelhante ao da moldura) e pequeno assento estofado em tom neutro, cortado pela moldura da foto.
Trabalho como designer de móveis
Pintura em vidro, que cria relevo em relação ao fundo de cor neutra, com fundo em degradê neutro e imagens abstratas de cores alegras no sempre, podendo representar barcos a vela (pela interpretação da visitante).
Pintura em vidro
Objeto lúdico criado pelo artista, representando um jogo de damas com tabuleiro simples e peças em resina em dois tons diferentes, representando times, e formatos circulares e quadrados dentro dessas cores.
Quadrado perfeito (1962) – madeira (tabuleiro) e resina (peças).

Objetos Cinéticos

Objeto cinético de fundo triangular, com formas circulares planas e maciças coloridas fixadas em cabos retos e ondulares, permitindo movimento determinado pelo artista, não perceptível na imagem, que é estática.
Objeto cinético (1990 – 1992) – madeira, fórmica, metal, tinta acrílica e circuito elétrico. Veja um exemplo em movimento no Instagram!

Agora falando de sua revolução particular de obras tridimensionais, e não somente na pintura que é plana, os Objetos Cinéticos são o destaque da mostra. Os aparelhos são motorizados, coloridos e muito fascinantes, parecem aqueles brinquedos que vemos tradicionalmente nas salas de espera de consultórios pediátricos, mas em escala maior e feitos para admirar, não brincar. Alguns estão fixados na parede, outros enchem a sala realmente como esculturas, você demora para entender que o movimento é mecânico e não eólico e não quer mais sair depois. Poderia ser um material didático fofo, mas é mistura belíssima de áreas que parecem ser opostas, como as artes e exatas, mas que podem se complementar, claramente! Pra deixar a coisa ainda mais legal, existe dentro de um vidro protetor alguns dos projetos dessas obras, com esboços e cálculos originais em papéis já envelhecidos, mas muito bem preservados.

Dois esboços visuais e matemáticos de objetos cinéticos criados pelo artista, onde se vê o planejamento da disposição de cabos e forma geométricas, além de algumas cores a serem usadas, acompanhado dos cálculos que permitiam seu funcionamento. Ambos estão dispostos em bases sem cor e seu papel apresenta aspecto amarelado, indicando oxidação causada pelo tempo.
Esboços e cálculos para objetos cinéticos, originais do artista.

Variedade de materiais e ilusões de ótica

Pinturas planas que apresentam efeito de ilusão de ótica de relevo, a primeira (menor) com predominância de tons quentes e a segunda com predominância de tons frios.
Duas obras Sem título (a segunda de 1984) em acrílica sobre tela

A partir daí, a exploração do orgânicos está presente em todas as obras da visita, seja na impressão passada a quem está as galerias ou mesmo na exploração do material em si, criando quadros de Jacarandá onde não há pintura, usando as cores da própria madeira ao representa-la. Ele também explora ripas de tela e cordas para criar algumas composições em tinta acrílica com bordas elevadas em formas compridas e curvas, metal para que suas linhas em onda e picos tenham brilho próprio e até cria relevos reais, super geográficos, cortando e montando papel cartão. O efeito visual é não só maravilhoso, mas quase difícil de entender, dá super vontade de “botar a mão” mesmo, sabe? Meu lado conservadora-restauradora grita, o apaixonada por artes ignora e segue no desejo (eu uso luvas, juro)!

Quadro feito de ripas de madeira organizados em baixo e alto relevos, pintados  de forma que a tinta ajude no efeito de ondas e picos formado na tela.
Sem título (1978) – óleo sobre ripas de madeira
Quadro em metal dourado, cortado de forma que haja variações na cor do mesmo ao formar onda e picos pontudos. A obra está fixada em moldura de madeira com um vidro na  frente.
Sem título (1979) – metal cortado.
Obra feita em cartão cortado, de cor clara, com seus pedaços formando relevos orgânicos tanto no plano horizontal quanto no vertical, fixada em moldura também de cor clara.
Sem título (1981) – cartão cortado.

Série W

Sala da exposição da mostra Abraham Palatnik - A Reinvenção da Pintura com chão de taco e parede em tom neutro, onde se vê quatro quadros na parede lateral (três em tons quentes, um em cores neutras) e um na parede do fundo (cores quentes). No chão é possível ver marcações brancas em frente de cada obra, determinando a distância segura que o expectador deve ficar das mesmas.
Ambiente da exposição com quadros em acrílica sobre ripas de tela (1 e 2) e madeira (3, 4 e 5): 1) T-21 (2004), 3) W-140 (2006) 4) W-141 (2006) e 5) W-222 (2008).

Por fim, a série W, que vem de “wood” (madeira, em inglês) cria mais uma vez quadros com baixo e alto relevos que formam linhas em onda e picos, mas dessa vez usando ripas de madeira cortadas a laser e pintadas em diversos tons diferentes. Pessoalmente, a cada nova obra que eu via, ganhava uma favorita para substituir a anterior. No fim das contas, todas merecem o favoritismo mesmo! O efeito é diferente visto de frente ou de ângulos laterais, pede que quem está vendo fique um tempo admirando enquanto se move tentando entender como foi criada a composição e onde começa e termina o uso da cor ou da posição das ripas em si. A tinta acrílica deixa a cor super intensa e ele usa, inclusive, tintas metálicas em alguns casos.

Quadro colorido, em diversas cores e tipos de tons, onde o uso de linhas de diferentes espessuras formando ondas e picos possibilitam efeitos de ilusão de ótica.
Acrícila sobre ripas de madeira.
Quadro em tons terrosos e metálicos, onde o uso de linhas de diferentes espessuras formando ondas e picos possibilitam efeitos de ilusão de ótica.
Acrícila sobre ripas de madeira.
Sala da exposição com chão de taco e parede em tom neutro, onde se vê dois quadros na parede à esquerda (um em tons quentes e outra em tons frios) e um na parede da direita (tons quentes). As obras usam mistura de cor e uso de ondas e picos para criar efeito de ilusão de ótica. No chão é possível ver marcações brancas em frente de cada obra, determinando a distância segura que o expectador deve ficar das mesmas.
Ambiente da exposição.

Leia também: #TBTCultural: Mostra “Raiz”, de Ai Weiwei

Sobre o artista:

Foto de Abraham Palatnik em que o artista se olhando para um de suas obras, que está sobre uma mesa, um quadro feito de largas linhas de muitas cores diferentes, frias e quentes. Nela, ela aparenta ser idoso, com cabelos brancos e rosto enrugado, veste camisa de cor clara, calça preta e óculos de grau. Atrás dele é possível ver uma parte de seu ateliê, com quadros nas duas paredes brancas, alguns materiais artísticos (como tintas e pincéis) em uma mesa de apoio ao seu lado e uma porta de madeira com vidro ao fundo. Os m´veis, que também estão presentes em outra mesa de apoio e uma estante, possuem tons escuros de madeira.
Foto do artista Abraham Palatnik durante a execução de um trabalho em alta resolução presente na entrada da exposição.

Abraham Palatnik nasceu em 19 de fevereiro de 1928, em Natal, Rio Grande do Norte. Seus pais eram judeus russos e se mudaram para Israel quando ele tinha 4 anos, onde estudou pintura, desenho, física e mecânica e produziu suas primeiras pinturas. Ao retornar ao Brasil aos 20 anos, foi morar no Rio de Janeiro, onde fez parte do Grupo Frente, de grande nome no movimento construtivista e nas artes plásticas nacionais. Começou a criar suas obras cinéticas e cinecromáticas, unindo suas áreas de estudo e interesse, a partir do final da década de 1940, após um período sem produzir, sendo pioneiro nessas tecnologias. Depois disso, ao explorar novas séries onde usufruía de outros meios de produzir sensações através de relevos de cor, passou a expor dentro e fora do Rio, cada vez mais. Suas obras rodaram os principais museus de arte moderna do mundo, como o MoMA, em Nova York.

Dados gerais:

Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura está em cartaz no Centro Cultural banco do Brasil, em Belo Horizonte, de 03 de fevereiro a 19 de abril de 2021. O CCBB se encontra na Praça da Liberdade, 450, aberto de quarta a segunda, das 10 às 22h. Como medida de proteção contra o COVID-19, a bilheteria da instituição não está funcionando e os ingressos gratuitos devem ser retirados no site eventim.com.br com tolerância de 15 minutos após o horário selecionado. É obrigatório o uso de máscara de proteção dentro das dependências do museu, além da medição de temperatura na entrada e distância entre visitantes determinada por sinalização presente no chão. o Serviço de guarda volumes está suspenso e não é permitida entrada com mochilas e malas, apenas bolsas de porte menor. A instituição disponibiliza dispensadores de álcool em gel em todos os andares do prédio.

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#TBTCultural: Dreamworks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Já pensou em poder visitar os bastidores da produção de filmes de uma das maiores empresas de cinema de animação do mundo? No Centro Cultural Banco do Brasil BH isso foi possível através da Dreamworks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela, mostra espetacular que ficou em cartaz entre maio e julho de 2019 e que estou finalmente trazendo pra vocês em mais um #TBTCultural do Sweet Luly. Eu aposto que, se você gosta desse gênero, tem um queridinho entre eles (me conta nos comentários qual)! Até abril de 2020 foram 38 longas lançados no cinema e 1 exclusivo para vídeo, além de outros 9 em desenvolvimento, 11 especiais para TV, 34 séries e 22 curta metragens, premiados com 3 Oscars e 1 Globo de Ouro na categoria Melhor Filme de Animação.

O conjunto de obras e informações era muito variado e riquíssimo, mas não registrei tanto quanto podia porque fui focada em descobrir as mulheres que o compunham para produzir um vídeo pro Vênus em Arte, meu canal sobre (in)visibilidade feminina na história da arte. Dessa forma pequei um pouco em captar tipos diferentes de mídias representando todas as franquias, mas até que o montante final do material deu para passar a mensagem direitinho… Por isso resolvi fazer esse post de forma um pouco diferente do que estou acostumada, separando em tópicos que passam (e ilustram) a maior parte possível da magia que era estar ali.

A entrada:

A divulgação da mostra destacou bastante as estátuas de gesso, algumas em “tamanho natural”, das personagens, principalmente de Madagascar, e eram elas que estavam bem ali, na primeira sala. A montagem desse ambiente era incrível, com as caixas de transporte dos animais endereçadas a Belo Horizonte, uma delas até com código de barra, e o girafa Melman com a cabeça para fora, pronto para te recepcionar. No chão pegadas de pinguins te guiam ao ambiente seguinte, cheio de vídeos de processo de produção de desenho, e à próxima, onde as obras enfim começam.

Esse início é cheio de maquetes de personagens, pequenas esculturas sem acabamento em pintura da anatomia deles, em vários filmes. É MUITO legal ver mas dificílimo de fotografar, então ficarei devendo… A iluminação das salas era bem leve, para não danificar os objetos expostos, e essas mini esculturas especificamente não têm muito contraste em imagem, o que dificulta ainda mais. Uma coisa lindíssima que aparece logo de cara, por outro lado, são máscaras das personagens de Madagascar, um dos grandes destaques da mostra ao lado de Como Treinar Seu Dragão, Kung Fu Panda e, em menor escala, Shrek, feitas pela artista Shannon Jeffries, penduradas bem no alto de uma parede. Fiquei apaixonada por elas.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Melman GIGANTE, de Madagascar, na entrada da exposição.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Pinguins de Madagascar.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Máscara da Glória, de Madagascar.

Artes conceituais enquadradas:

Além de telas com vídeos de animadores, diretores e outros profissionais envolvidos nas produções, as paredes eram tomadas por quadros de artes conceituais dos filmes. Algumas lisas, dando maior destaque para as obras, outras estampadas de forma a compor um visual temático, mas agradando fãs não só dos mais populares, mas também de menor destaque como O Caminho para El Dorado e A História de Uma Abelha. Nessa categoria senti muita falta de uma quantidade maior de arte de Formiguinhaz, “filho” primogênito da empresa que deu o pontapé para toda a tecnologia usada por eles desde a década de 90 até hoje… Mas acho que sou saudosista, mesmo!

Mais uma vez Madagascar DOMINOU a cena, com uma parede linda cheia de pôsteres de circo com os animais protagonistas, mas tinha, sim, pintura e desenho para fãs de TODAS as obras. Minha favoritas estavam em um mostruário diagonal, quase deitado, onde trabalhos da Priscilla Wong de Trolls estavam agrupados… Eles têm várias camadas, dando sensação de “filme 3D”, compostos de diversos materiais como algodão, pedrinhas e outros tipos de textura que combinam perfeitamente com a vibe do filme. Se você ainda não assistiu vale muito a pena, vi no cinema e fiz uma resenha dele aqui no blog, é maravilhoso e me espantei por ter pouquíssimo destaque, já que suas cores vibrantes e estreia recente têm potencial pra render mais conteúdo, além da trilha sonora impecável que é um dos pontos fortes da Dreamworks.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Artes de Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Artes de Fuga das Galinhas.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Arte com textura de Trolls.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Artes de Bee Movie – A História de uma Abelha.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Parede de posteres do circo, de Madagascar (foi onde tirei minha foto de look da exposição!)

Maquetes:

Voltando às maquetes, não só as personagens estavam presentes com sua “mini versões”, mas também cenários, ambientes e até mesmo cenas do filme, foi minha parte favorita pois eram MARAVILHOSOS! A franquia que mais gosto da produtora é Shrek, acompanho desde o primeiro, então ver a Casa do Pântano, Castelo e Vila de Tão, Tão Distante em milhões de detalhes bem na minha frente me deu vontade de poder trazer pra casa (a louca das miniaturas chegou). O nível de perfeição também envolve texturas e materiais diferentes, além de pintura primorosa, fiel de verdade ao que se vê na tela. Obras de arte em todos os sentidos da expressão!

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Maquete de Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Maquete da Casa no Pântano de Shrek.

Leia também: Shrek: Para Sempre, resenha (bem pobrinha e meia boca) do filme.

Animação:

Um dos objetivos de “Uma Jornada do Esboço à Tela” era a imersão de quem visitava aos bastidores do cinema de animação, o que inclui transformar todo mundo em “projetos” de animadores, também. Através de computadores espalhados pelas salas as pessoas podiam testar efeitos de água, expressões faciais em personagens e até decidir os tons e quantidade de alguns elementos em cenas selecionadas. No hall do CCBB, bem na primeira sala à esquerda, o “mergulho” era ainda maior com telas em branco para criar a sua desenhando e animando de verdade, usando recursos básicos. Os educadores ao redor auxiliavam quem tivesse dificuldade e controlavam o tempo de cada grupo, para não acumular gente na porta nos dias de maior público. Confesso que não entendi muito bem como funcionava, mas brinquei mesmo assim porque não ia deixar passar, né?

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Brincando de animadora: Daninha se divertindo com Soluço, de Como Treinar Seu Dragão.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Brincando de animadora: cena dos fogos de artifício de Os Croods.

Ambiente:

Paredes em cores vibrantes ou tomadas por estampas e artes, fones de ouvido com trilhas sonoras tocando, citações acompanhadas de informação em diversos tipos de impressão e até mesmo a projeção de uma grande mesa de trabalho da criação de storyboards quando você menos espera… Essa não era uma exposição “tradicional”, onde se vê apenas obra rotulada, e sim um presente para quem gosta de animação e até mesmo quer trabalhar na área! O local ficou lindíssimo e conseguiu dar a um prédio histórico visual contemporâneo desse tipo de arte ultra tecnológica.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Citação de Shrek (1) impressa na parede.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Simulação de mesa de trabalho dos animadores.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Diferença da quantidade de Storyboards de um filme pro outro, da esquerda pra direita: As Aventuras de Peabody & Sherman (2014), Os Sem-Floresta (2006), Como Treinar Seu Dragão (2010), Kung Fu Panda (2008) e Shrek (2001).
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Uma restauradora/educadora de artes exibindo orgulhosamente mais um guia de exposição pra sua coleção em frente a uma parede bonita com iluminação BEM duvidosa (inclusive joguei vários desses guias fora porque não dava, era muita porcaria acumulada).

Pátio do museu:

Por fim, pra quem ia ao Pátio do CCBB – e quem tá acostumado a frequentá-lo SEMPRE vai, porque as exposições continuam ali -, tinha mais lindezas esperando. Sobrevoando o ambiente estava o próprio Banguela, que era possível ser visto de dois ângulos: de frente/cima logo na entrada lateral, onde eram retirados os ingressos (gratuitos) e por baixo, sobre as cabeças de quem visitava. Se isso não fosse suficiente era possível também ficar EM CIMA DELE num simulador 180° de como é o vôo nas costas do Fúria da Noite, raça de dragão da qual esse queridinho faz parte. Essa atração era muito maravilhosa porque o vôo começava numa página em branco e ia evoluindo, desde os rascunhos até chegar no resultado final da animação. Difícil até saber pra que lado olhar.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Banguela sobrevoando o pátio: vista de cima
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Banguela sobrevoando o pátio: vista de baixo
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Alguns personagens de Madasgacar e Shrek, em qualidade bem inferior, recebendo a clientela na porta de um dos cafés do museu.
Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela
Mais pinguins de Madagascar, dessa vez na entrada principal do CCBB BH

As mulheres da Dreamworks:

Como já dito, meu registro dessa exposição foi focado principalmente nas artistas mulheres que a compõe, inclusive com uma quantidade de vídeos gravados por lá bem significativa. Esse material virou conteúdo para o Vênus em Arte enquanto a mostra ainda estava em cartaz, não só falando um pouco da trajetória de cada artista e as relacionando com as obras que vi, mas também chamando as pessoas para visita-la. Se você ficou com mais vontade ainda de curtir isso tudo (e ainda não cansou do meu blá-blá-blá), o vídeo está aí em baixo, onde é possível ter uma breve visão do simulador de voo, já que fotos não eram suficiente para explica-lo:

DreamWorks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela foi recorde de público do Centro Cultural Banco do Brasil em Belo Horizonte: meio milhão de visitas em dois meses de duração! Nos primeiros fins de semana a fila para retirar ingresso dava volta no quarteirão onde o prédio se encontra, parte do Circuito Cultural Praça da Liberdade, e recebia tanto grupos com crianças quanto apenas adultos apaixonados pelos filmes (oi!). A curadoria foi feita pelo Australian Centre for the Moving Image em colaboração com a própria empresa, e já passou também pelos CCBBs de outras capitais brasileiras. Uma daquelas mostras que você se orgulha muito de ter ido porque foi, de fato, imperdível.

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#TBTCultural: Mostra “Raiz”, de Ai Weiwei

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

A “coisa” que mais me faz falta nesse momento de isolamento é poder visitar museus. Essa saudade me fez pensar, primeiramente, no quanto preciso fazer isso com ainda mais frequência e principalmente no material que tenho aqui guardado de exposições que visitei e acabei não compartilhando no blog por achar que, com o passar do tempo ao sair de cartaz, aquilo acabou se tornando “inútil” de ser postado. E foi nesse ponto em que me enganei. Diante da ausência de novas manifestações culturais presenciais VÁRIAS instituições estão usando suas redes sociais para relembrar a arte que já passou por elas e foi vendo isso que, alguns dias atrás, fiz o mesmo ao adicionar fotos de obras do Basquiat ao meu post sobre a Barbie lançada inspirada no artista. Mas por que parar por aí? Por que não lançar um #TBTCultural das que passaram por mim também? Não tem motivo, tem NECESSIDADE! E PRECISO começar, sem sombra de dúvidas, pela Mostra que mais amei ver no Centro Cultural Banco do Brasil BH até hoje: “Raiz”, do artista chinês Ai Weiwei.

Psiu! Prest’enção! #TBT é uma hashtag usada nas redes sociais como uma abreviação de “throwback thursday”, em tradução livre “retrospectiva de quinta-feira”, destinando esse dia da semana para a postagem de fotos e fatos já passados, seja esse passado referente a anos ou mesmo, se a pessoa enxergar assim, apenas alguns dias.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
“Tudo é arte. Tudo é política.” – Ai Weiwei

Nascido em Pequim em 1957, Ai Weiwei é um artistas plástico e ativista chinês que aborda na sua produção artística questões políticas-sociais e sua luta por direitos humanos já lhe causou prisão domiciliar seguida da destruição de seu estúdio na China há 10 anos atrás. Uma das temáticas mais abordadas por ele é a de pessoas refugiadas e ilegais nos países onde vivem, situações que julga como reflexos de barreiras imaginárias não só territoriais, mas à nossa inteligência. Também é possível ver uma crítica forte ao consumo em massa no seu trabalho, ou seja, basicamente uma pessoa que eu poderia passar horas aplaudindo sem sequer sentir as mãos doer. Como não posso, vou enaltecer um pouquinho das obras que tive o privilégio de ver.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Obras de Juazeiro do Norte (2018)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Obras de Juazeiro do Norte (2018)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Duas Figuras (2018)

Nos últimos anos ele realizou um trabalho grande também na América Latina, incluindo o Brasil, em meio às suas discussões sobre refugiados chineses nesses países. O período resultou em algumas das peças presentes na exposição, como o conjunto “Obras de Juazeiro do Norte”, esculturas de madeira realizadas em parceria com artesãos dessa cidade do estado do Ceará, todas bem condizente com sua temática no geral. Ele produziu também uma instalação que expressa sentimentos que teve em terras tupiniquins causados pelo calor do povo brasileiro, em todos os sentidos: cores, cordialidade e sensualidade, “Duas Figuras”. Para quem entrava no CCBB BH pelas portas da frente era uma das primeiras a ser vista, numa sala lateral do hall.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Cofre de Lua (2008)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
“A linguagem da comunicação sempre precisará ser renovada.” – Ai Weiwei

A gama de materiais e técnicas utilizadas no trabalho é grande. Desde os mais “tradicionais”, como madeira e desenhos, até sementes, fotografias, áudio e vídeo. Um dos destaques da Mostra eram as frases do artistas impressas nas paredes brancas, todas de cunho político-social. O dia que fui à mostra, em especial, foi MUITO impactante e melancólico porque, dentro do Uber ao sair de lá, recebi a notícia do incêndio ocorrido na Catedral de Notre-Dame, cenário do meu filme favorito e um sonho turístico de infância ainda não realizado (que agora não sei quando poderei fazer isso). Parece que toda a tocante discussão mental (e verbal também, com minha irmã que estava comigo) sobre arte e história causada pelas citações ficou ainda mais pesada, intensa e significativa.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
O Animal Que Parece A Lhama Mas Na Verdade É Alpaca (e eu!)

Outra coisa belíssima são os papéis de parede dele, que decoravam algumas salas, todos com o mesmo tom ativista do resto de seu trabalho. Frases como “Ninguém é ilegal” acompanham desenhos de refugiados no preto e branco de um enquanto o outro, mais alegre e dourado (com toques de discussão sobre a super comunicação virtual), acabou se tornando cenário do post do look do dia que veio aqui pro blog na época. Não tinha NADA A VER o visual de um em relação ao outro, a iluminação do museu não contribui em nada, mas ficou belíssimo mesmo assim. Não é todo dia que temos Ai Weiwei ilustrando nossas produções, né?

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
He Xie (2011)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
“Eu não diria que eu me tornei mais radical. Eu Nasci radical.” / “Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos.” – Ai Weiwei
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Barca: A Lei da Jornada (2017)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Bicicletas Forever (2015)

As obras mais impactantes eram também as maiores. “Barca” estava localizada no pátio interno do CCBB, uma instalação gigantesca representando refugiados dentro de um bote bem ali, do lado de quem usufruía dos caríssimos cafés do lugar. Já a fachada contava com a interativa “Bicicletas Forever” com mais de mil bicicletas da marca Forever, a mais popular na China, como uma crítica à sociedade de consumo em massa. Por estar localizada no exterior, cada dia em uma entrada do local, foi provavelmente a obra mais vista pelas pessoas, TODO MUNDO QUE SIGO e mora em Belo Horizonte posou ali do lado em algum momento no feed do meu Instagram – e ainda bem!

“Raiz” recebeu 235 mil visitantes em 57 dias (fonte) e foi, até então, a segunda mostra mais visitada do Centro Cultural Banco do Brasil BH, se tornando a terceira logo em seguida com o sucesso de público “Dreamworks: Uma Jornada do Esboço à Tela” que, se vocês aprovarem essa nova ideia aí nos comentários, vai ser nosso próximo #TBTCultural. Para ver mais do trabalho de Ai Weiwei vocês pode segui-lo no @aiww tanto via Instagram quanto Twitter.

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Barbie Jean-Michel Basquiat

Barbie Jean-Michel Basquiat

Corpo articulado, cabelo trançado dividido em quatro rabos de cavalo, roupa com corte de alfaiataria completamente tomada por pinturas principalmente em tons primários, mas sem qualquer limitação de cor, sombra azul vibrante e, claro, uma coroa na cabeça. A união entre dois gigantes da cultura estadunidense resultou em uma das bonecas mais maravilhosas já lançadas pela Mattel, a Barbie Jean-Michel Basquiat, em tributo ao grafiteiro neo-expressionista cujo trabalho tomou Nova York na década de 80 com seus múltiplos tipos de arte urbana e expressão de poesia gráfica. Ela é absolutamente linda, digníssima com traços afroamericanos e coberta da cabeça aos pés com várias obras do artistas no terno, calça, camisa e até na gravata, fechando o look com botas vermelhas e cinto longo contendo dizeres do próprio.

Apesar de seguir as redes sociais da Barbie, acabei deixando essa boneca passar batida no meu feed quando lançada por volta de um mês atrás, a ponto de já estar esgotada em diversas lojas. Ainda assim achei que seria pertinente mostrá-la quando finalmente a vi no Instagram da My Froggy Stuff, que tem um canal no YouTube INCRÍVEL sobre bonecas onde posta unboxing, tutoriais de Faça Você Mesmo e afins. Ela tem uma vasta coleção de bonecas negras e fez um vídeo MARAVILHOSO mostrando todos os detalhes dessa que recebeu da própria Mattel, comparando outras bonecas que cabem nas roupas e ensinando a fazer uma mini galeria de arte. Foi aí que percebi o quanto ela é perfeita, as fotos mostram o melhor mas é tanta informação, como o próprio artista pede, que é preciso uma vida pra analisar tudo.

Barbie Jean-Michel Basquiat
Imagens retiradas da loja oficial da Mattel

Jean-Michel Basquiat nasceu em dezembro de 1960 e começou a grafitar aos 17 anos, apesar de já apresentar afinidade com arte antes mesmo disso. Seu primeiro projeto ficou conhecido como SAMO (de “same old shit“, ou “sempre a mesma merda”). Após largar os estudos às vésperas de se formar e ganhar mais notoriedade no Times Square Show de 1980, sua trabalho carregado de crítica social e traços propositalmente primitivos foi migrando das ruas pras galerias, a ponto de ser um grande amigo e colaborador do ícone da popart Andy Warhol no final de sua muito curta vida. Morreu aos 27 anos, já tendo começado a fazer exposições internacionais, de overdose causada por um coquetel de drogas conhecido como “speedball” (combinação de cocaína e heroína). A homenagem é belíssima e também completamente merecida, tendo obras dele decorando a caixa da boneca, que vem com Certificado de Autenticidade e pertence à linha Gold Label e é destinada a colecionadores adultos.

Barbie Jean-Michel Basquiat

Barbie Jean-Michel Basquiat

Em setembro de 2018 eu tive o prazer de visitar uma exposição com as obras do Basquiat pertencentes à Coleção Mugrabi, do colecionador de arte de mesmo nome, que estava em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil BH. Elas ficaram lá por pouco mais de dois meses junto com ambientação temática e, claro, dados sobre a vida do artista, além de possibilidade de interação digital com algumas delas. Com certeza essa está no Top 5 Favoritas entre as mostras que vi por lá e, apesar de na época não ter planejado produzir conteúdo sobre (estava atarefadíssima com o Baile de Inverno do Potter Club BH) cheguei a tirar algumas fotos e, por que não(?), acho pertinente compartilhar agora pra vocês terem um gostinho de como foi e identificar o estilo expresso pela Mattel:

Jean-Michel Basquiat no CCBB BH
“Acredite ou não, eu realmente sei desenhar. Mas eu tento lutar contra isso usualmente.”

Jean-Michel Basquiat no CCBB BH

Jean-Michel Basquiat no CCBB BH

Jean-Michel Basquiat no CCBB BH

Como foi um dos raros momentos em que não cogitei trazer o que vi pro blog, tirei só umas fotos para guardar minhas favoritas e sequer anotei títulos. Normalmente minha cabeça “escreve” posts mentalmente enquanto estou assistindo, ouvindo ou vivendo algo de modo geral e nesse dia, talvez por já estar cheia de coisas dentro dela, não aconteceu, mas ainda assim acho que deu pra sentir um pouquinho da emoção de estar cara a cara com a obra de um nome desse porte. É muito diferente do que muita gente espera encontrar em museus e bem característico, mesmo quem não conhece entende um pouco sobre a história de vida dele. É aparentemente simples, mas consegue passar a mensagem, que é o mais importante. (Nossa, gente, saudades de pisar num museu que vocês não fazem ideia, hahaha!)

Apesar de estar praticamente esgotada em diversos lugares a loja oficial da Mattel sugere um valor de U$50,00, o que com a famosa lei da oferta e da procura não favorece quem quer comprar as unidades que ainda estão no mercado, porque está sendo vendida por mais do que o dobro disso… Com frete, taxa de importação, IOF e cotação do dólar achei melhor nem calcular quanto ficaria em reais, vai ficar aqui no desejo guardada no coração e na minha wishlist do site.

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