7 mulheres do Pós-Impressionismo que precisamos conhecer!

7 mulheres do Pós-Impressionismo que você precisa conhecer: foto de Luly Lage sorrindo, vestindo uma camiseta preta, cercada de quatro obras criadas por mulheres pós-impressionistas, com o nome do movimento artístico escrito em baixo.

Quando pensamos em movimentos artísticos, normalmente vem em nossa mente conjuntos de obras que possuem características e meios de produção semelhantes, tentando se opor ao movimento anterior. Depois de uma quebra brusca nesse ciclo da história da arte ocidental através do Impressionismo, no fim do século XIX, artistas passaram a adotar cada vez mais posicionamento vanguardista, buscando estilo próprio condizente com suas necessidades ao se expressar. Com a última grande exposição impressionista em 1886, surgiu na França e espalhou-se pela Europa e outros países que a tinham como referência o Pós-Impressionismo, um conjunto de artistas que pintavam de formas diversas e ainda tinham pensamentos semelhantes ao movimento anterior, visando a quebra com a arte realista, romântica e clássica, sem limitar-se, porém, a retratar os efeitos da luz no momento que pretendiam retratar, passando até a usar contornos bem fortes e tornando-se cada vez mais mal vistos pela academia.

O contexto histórico no qual o pós-impressionismo estava inserido era o de uma sociedade bastante industrial. Um grande marco dessa época foi a Torre Eifell, que celebrava os 100 anos da Revolução Francesa em 1889 e consistia num monumento gigante feito de metal que demonstrava o quanto a estética preferida pelas pessoas vinha se transformando. Os principais artistas desse momento são Gaugin, Cézanne (dois grandes nomes do impressionismo) e Van Gogh, além do boêmio Henri de Toulouse-Lautrec, que com seus cartazes de cabarés foi um dos responsáveis pelo surgimento do design gráfico, dando à arte papel não apenas erudita e decorativo, mas também aplicado no cotidiano. Por mais que elas não estejam tão presentes em livros de história da arte quanto seus colegas, várias mulheres podem ser destacadas como fortes representantes do período, e eu selecionei 7 entre as mais notáveis para apresentar aqui hoje!

01) Suzanne Valadon:

Três obras de Suzanne Valadon, todas retratando figuras femininas em diferentes cenários, com sua foto em preto e branco abaixo seguida do nome e anos de nascimento (1865) e morte (1938).

Marie-Clémentine foi “rebatizada” como Suzanne Valadon por Toulouse-Lautrec, para quem modelou e com o qual viveu um romance. Foi modelo também de Renoir, inclusive em uma de suas principais obras, “Dança em Bougival”. Suzanne era filha de uma lavadeira em Montmartre, onde abandonou a escola para exercer vários trabalhos até juntar-se ao circo como acrobata. Lá conheceu artistas modernistas de grande nome na França, tornando-se modelo deles e, enfim, passando a desenhar e pintar observando-os fazendo o mesmo, recebendo muita influências do Simbolismo e do Pós-Impressionismo. Após casar-se em 1896, passou a viver como artista em tempo integral. Foi a primeira mulher na Sociedade Nacional de Belas Artes, sendo considerada uma grande transgressora e nome importante nos estudos de artes feministas. Morreu aos 72 anos e, como homenagem, teve seu nome dado a uma cratera no planeta Vênus, comumente ligado ao amor e à feminilidade.

Obras em destaque: Auto retrato (1898), O Quarto Azul (1923) e Nus (1919). Aprenda mais sobre a Suzanne!

02) Vanessa Bell:

exemplo de três obras de vanessa Bell, a primeira um retrato, a segunda uma pintura abstrata e o terceiro representando várias pessoas em tons sóbrios. Abaixo, sua foto (em preto e branco ) e nome, seguido dos anos 1879 e 1961, de nascimento e morte, respectivamente!

Irmã mais velha da escritora Virginia Woolf, Vanessa Bell sofreu, assim como ela, abusos dos meio-irmãos durante a juventude, que causou a fragilidade mental de Virginia e fez com que ela vendesse a casa onde viviam depois da morte dos pais, mudando para Bloombury, onde as duas fundaram, junto com seus maridos e outros amigos, o Grupo Bloomsbury de artistas e escritores que rejeitava os hábitos burgueses da sociedade vitoriana. Casou-se com Clive Bell, com quem tinha um relacionamento aberto, sendo o colega Duncan Grant seu principal namorado e companheiro de trabalho, com quem dividiu projetos notórios. Teve dois filhos com Clive e uma filha com Duncan, que foi criada pelo marido como se fosse dele. É responsável por alguns retratos mais conhecidos da irmã e do conjunto de cinquenta pratos intitulado “Serviço de Jantar das Mulheres Famosas”, onde ela e Duncan retrataram mulheres influentes em diversas áreas.

Obras em destaque: Auto-retrato (1915), Nu Com Papoulas (1916) e O Clube da Memória (1943). Aprenda mais sobre a Vanessa!

03) Anna Boch:

Trio de pinturas de tons suaves de Anna Boch, em tons pastéis que vão do sóbrio na primeira a cores frias na última). Sua foto está em tons de sépia e os anos correspondente ao nascimento e morte são 1848 e 1936.

Você já ouviu falar que Van Gogh vendeu apenas uma obra de arte em vida? “O Vinhedo Vermelho” foi comprado por Anna Boch, que era uma pintora e patrona de artes belga que migrava entre o impressionismo e pós-impressionismo, usando muito das técnicas de pontilhismo em suas obras. Mais do que suas pinturas, precisamos falar também do trabalho que fazia ao ajudar amigos modernistas da época, não só o mencionado anteriormente mas também Gaugin, para quem organizou um leilão beneficente. Anna abriu também uma casa onde artistas progressistas podiam produzir seus trabalhos e, em seu testamento, doou o dinheiro que tinha e o que foi arrecadado com a venda de seus quadros foi destinado à aposentadoria desses colegas, garantindo que não ficassem desamparados após não conseguir mais produzir. Seu desejo foi realizado quando morreu, aos 88 anos, mas teve algumas pinturas também doadas para museus.

Obras em destaque: Um Buquê de Cravos (cerca de 1910), Mulher lendo em um Aglomerado de Rododendros e Retorno da Missa Pelas Dunas. Aprenda mais sobre a Anna!

04) Emily Carr:

Obras de Emily Carr que possuem cores fortes e temas que vão da ícone indígena a um auto-retrato. Abaixo, sua foto em preto e branco é seguida do nome e dos anos de nascimento (1871) e morte (1945).

Nascida na costa do Pacífico canadense, Emily Carr é nome de diversas escolas e uma universidade de artes em seu país. Estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas manteve como temática principal os povos indígenas do Canadá, pintado-os e escrevendo livros sobre eles no fim de sua vida. O principal deles, Klee Wyck (“a Risonha”), tinha como título o nome adotado que recebeu nas vilas de tribos com as quais convivia. Durante a década de 1920 conheceu o Grupo dos Sete, artistas modernistas canadenses de maior relevância que, apesar de não integra-la ao grupo, considerava como parte deles, chamando-a de “A Mãe das Artes Modernas”. Após três ataques do coração e um derrame, abandonou definitivamente a pintura para dedicar-se à escrita e morreu de um quarto ataque, aos 73 anos. No mesmo ano, ganhou um doutorado honorário da Universidade de British Columbia, sua província natal.

Obras em destaque: Guyasdoms D’Sonoqua (cerca de 1930), Acima do Gravel Pit (1937) e Auto-Retrato (entre 1938 e 1939). Aprenda mais sobre a Emily!

Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

05) Gwen John:

Obras pertencentes ao pós-impressionismo de Gwen John, sendo elas uma freira, um gato e uma mulher carregando um gato, todas em tons leves. Abaixo, um auto retrato da artista com vestido de cor forte e os anos 1876 e 1939, quando nasceu e faleceu, em seguida ao seu nome.

Gwen John nasceu no País de Gales e se mudou para Londres em 1895, ao ingressar na Slade Schooll of Fine Arts, uma das poucas instituições de Belas Artes que aceitava mulheres no Reino Unido, junto com seu irmão Augustus, que teve direito de entrar antes dela, apesar de ser mais novo. Começou a expor oficialmente em 1900 e três anos depois foi para a França com sua amiga e modelo Dorelia McNeill. Lá, começou a modelar para Rodin, o principal artista francês da época, com quem teve um longo relacionamento. Bissexual, era conhecida por ser muito intensa em suas relações. Com o tempo, conseguiu um patrono que a permitiu viver apenas de suas pinturas. Apesar de conhecer muitos artistas influentes, era muito tímida, focando sua produção em temáticas católicas, tornando-se fervorosa na religião com o tempo. No fim da vida, viveu sozinha com seus gatos até morrer aos 63 anos.

Obras em destaque: Mère Poussepin (A Freira, 1915), Gato (entre 1904 e 1908) e Jovem Mulher Segurando Um Gato Preto (entre 1920 e 1925). Aprenda mais sobre a Gwen!

06) Nutzi Acontz

Representando o pós-impressionismo na Romênia, as obras exemplo de Nutzi Acontz t~em cores fortes e linhas bem definidas, representando duas paisagens nas extremidades da imagem e uma imagem de natureza morta no centro. Sua foto, abaixo, está em preto e branco, seguida do nome, ano de nascimento (1894) e de morte (1957).

Nutzi Acontz era romena, fruto de uma linhagem armênia da Moldávia, país da Europa oriental que faz fronteira com a Ucrânia e a Romênia, onde nasceu em novembro de 1891. Quando tinha por volta de vinte anos, estudou na Escola de Belas Artes de Iasi, trabalhando como professora de desenho em seguida à sua formatura. Só conseguiu se manter como artista, com suas pinturas, após se mudar para Bucareste, onde retratava paisagens e elementos da natureza com forte dualidade de estilos: em alguns momentos com linhas densas, bem definidas, e cores igualmente intensas; em outros de forma tão leve e sutil que as obras parecem quase não ter cores. Foi lá que faleceu, aos 63 anos, em 1957.

Obras em destaque: Rua Dojubran, Natureza Morta com Fruta e Café Mamute. Aprenda mais sobre a Nutzi!

07) Sylvia Pankhurst:

Exemplos de obras de Sylvia Pankhurst, sendo a primeira uma pintura retratando uma operária de fábrica, a segunda um broche do movimento Sufragista e a terceira um desenho de uma mulher com linhas leves). Na foto, abaixo, Sylvia aparece com o rosto apoiado nas mãos, em preto e branco, e ao lado dele está seu nome e os anos 1882 e 1960, de nascimento e morte respectivamente.

Um parágrafo só não é suficiente para definir Sylvia Pankhurst, que fica por último não por ser menos revelante, mas sim por ter tantas atividades que marcam sua história de forma mais forte que a arte que isso se torna só um adendo dela. Filha de Emmeline Pankhurst, uma das fundadoras do movimento sufragista britânico, Sylvia participou ativamente da causa da mãe, sendo responsável por cartazes pedindo o voto feminino, pinturas retratando as operárias de fábricas e o broche que era dado ás companheiras que eram presas, quando soltas. Em dado momento, rompeu com o grupo por ser contra os esforços da I Guerra Mundial, que elas apoiavam, criando sua própria organização e alinhando seu pensamento político cada vez mais à esquerda. Foi ativista política socialista e humanitária até o fim da vida, que aconteceu quando lutava pela libertação dos etíopes dominados pela Itália, na própria Etiópia.

Obras em destaque: Em Uma Fábrica de Algodão em Glasgow Cuidando de Um par de belas Armações (1907), Broche Holloway (após 1902) e Retrato de Uma Jovem Mulher (cerca de 1909). Aprenda mais sobre a Sylvia!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do pós-impressionismo?

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina na história da arte! A série sobre as mulheres do Pós-Impressionismo “terminou” no início desse ano, mas não definitivamente, já que continuará sendo alimentada sempre que possível ou pertinente. Para conhecer mais sobre o movimento e várias outras artistas que fizeram parte dele, inclusive de outros países, vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

10 Mulheres Impressionistas

Você já se deparou, zapeando pela internet ou museus, com obras de arte onde a paisagem parece borrada, as formas são meio incertas e as tintas escolhidas pra representar parecem ser um monte de borrãozinhos coloridos que, por um mero acaso, foram uma imagem? Se sim tem uma grande chance de ter conhecido uma pintura impressionista! O impressionismo foi um movimento que marcou a história da arte, principalmente na França, no final do século XIX, caminhando para o início do XX, e tinha como objetivo a quebra do ciclo de estilos que tinha acontecido até então… Nele os artistas, em sua maioria com foco em ambientes externos, retratavam o momento exato que estavam vivendo ou criando, explorando luz e sombra para dar sensação de “agora” e apostando em formas não definidas pra dar a quem aprecia impressão de movimento, como se tudo aquilo pudesse se desmanchar em um segundo.

O “grupinho” dos principais impressionistas era composto de Manet, Monet, Renoir, Degas, Gaugin, Cézanne e Pissaro… Fica parecendo que realmente só homens faziam parte, né? E, se você analisar os principais livros de história da arte são eles que serão mencionados. Mas pipocando por Paris e depois, consequentemente, por diversos lugares do mundo, as mulheres do impressionismo estavam ali, firmes e fortes, lutando contra esse imenso sexismo que fazia (e ainda faz) parte das artes, produzindo obras tão incríveis quanto as deles. E essas mulheres PRECISAM ser conhecidas.

Quando comecei a estudar (in)visibilidade feminina nas artes as impressionistas foram “caindo no meu colo” muito rápido, antes mesmo que essa pesquisa tomasse forma de verdade. Não sei se por coincidência ou se pelo fato de que esse SEMPRE foi meu movimento artístico favorito, desde que estudei pela primeira vez ainda no colégio, quando nem pensava que um dia estudaria para me tornar professora no assunto também. De repente minha pesquisa acadêmica tinha essas pintoras (e uma escultora) como foco. Ainda pesquiso, produzo conteúdo e amo conhecer todas as outras, mas quem vai pro Lattes, de verdade, são elas. Então hoje apresento a vocês a seleção mais difícil que já tive que fazer na vida com 10 mulheres do impressionismo que merecem ser conhecidas e apreciadas.

01) Mary Cassatt:

10 Mulheres do Impressionismo: Mary Cassatt

Provavelmente a principal entre as “damas do impressionismo”, Mary Cassatt era americana, mas viveu a maior parte da sua carreira artística na França, o berço do movimento. Sua família era de classe média alta e a mãe valorizava muito a educação de meninas, o que deu a ela acesso a viagens e estudo desde novinha, mas não impediu seu pai de ser contra sua carreira. Após muita frustração por não se encaixar na arte clássica e se recusar terminantemente a ter um patrono, ela foi convidada por Degas, de quem era amiga, a conhecer os impressionistas e aderiu ao movimento focando trabalhos em mulheres e crianças, tendo 11 obras na Grande Exibição Impressionista de 1879. Continuou pintando por muito tempo, mesmo diagnosticada com reumatismo, diabetes, neuralgia e catarata, essa última responsável pela cegueira que, enfim, a forçou se aposentar. Morreu aos 83 anos em Le Mesnil-Théribus, França.

Obras em destaque: Auto retrato (1880), Chá das Cinco (1880) e Jovem Mãe Costurando (1900). Aprenda mais sobre a Mary!

02) Berthe Morisot:

10 Mulheres do Impressionismo: Berthe Morisot

O nome feminino mais comumente citado em livros de história da arte sobre impressionismo, Berthe Morisot nasceu em uma comuna francesa onde era comum que meninas estudassem arte. Uma vez que sua família se mudou para Paris, começou a trabalhar como copista até assumir essa função no Museu do Louvre. Tornou-se amiga de Manet e casou com seu irmão, Eugene, com quem teve uma filha chamada Julie, amizade essa que resultou em troca de influências, sendo responsável por introduzi-lo no Impressionismo e ressentindo fortemente as críticas e falas sexistas do mesmo. No Salão de Paris de 1873, que teve grande representação do movimento, foi considerada a autora dos melhores trabalhos pelo Le Figaro. Sua família foi a principal temática retratada por ela nos quadros que pintou até morrer, aos 54 anos de pneumonia, enquanto cuidava de Julie que havia contraído essa doença.

Obras em destaque: A Irmã da Artista na Janela (1869), A Mãe e a Irmã da Artista (entre 1869 e 1870) e Milharal (cerca de 1975). Aprenda mais sobre a Berthe!

03) Marie Bracquemond:

10 Mulheres do Impressionismo: Marie Bracquemond

Nascida de um casamento arranjado, Marie Quivoron teve aulas de pintura com o pintor e restaurador Vassort e aos 16 anos já tinha um quadro exposto no Salão de Paris. Trabalhou com Jean Auguste Ingres mas, frustrada com a simplicidades dos trabalhos que ele lhe passava, resolveu trabalhar com encomendas e chegou a ser copista do Louvre. Lá conheceu não só o movimento impressionista, do qual era parte e forte defensora, como também Félix Bracquemond, com quem se casou e teve um filho no ano seguinte. Trabalhavam juntos no ateliê onde ele era diretor, mas Félix não gostava de seu estilo, não aceitava suas sugestões e escondia seus trabalhos, fazendo com que ela abandonasse as obras autorais e passasse a trabalhar pontualmente com encomendas. Morreu aos 75 anos, em Paris, mas sua produção artística não é tão vasta quanto essa idade permitiria graças à falta de incentivo doméstica.

Obras em destaque: Mulher com uma Sombrinha (1880), Sob a Lâmpada (1877) e A Irmã e o Filho da Artista no Jardim em Sevres (1890). Aprenda mais sobre a Marie!

04) Eva Gonzalès:

Mulheres do Impressionismo: Eva Gonzalès

Eva Gonzalès nasceu em Paris, França, filha de um escritor espanhol, o que permitiu que convivesse com artitas desde nova. Começou a pintar aos 16 anos enquanto aluna de Charles Chaplin e aos 19 já era pupila de Manet, sendo também uma das responsáveis por apresenta-lo ao movimento impressionista, e assim como o mestre não tinha muito o costume de expor suas obras. Casou-se aos 30 anos com o impressor Henri Guérard e 4 anos depois, ao dar a luz ao primeiro e único filho do casal, faleceu muito jovem, uma semana após seu mestre, o que não permitiu que tivesse muita notoriedade em sua época. Ainda assim produziu uma quantidade enorme de obras, entre pinturas e desenhos. Sua irmã, Jeanne Guérard-Gonzalès, também pintora impressionista (porém menos ativa no trabalho), se casou com Guérard após sua morte e os dois criaram, juntos, o filho do casal.

Obras em destaque: Retrato de Jeanne Gonzalès (antes de 1883), Despertar da Manhã (1876) e O Coque (entre 1865 e 1870). Aprenda mais sobre a Eva!

Você sabia? O impressionismo não pregava tantas regras em relação a materiais e temáticas, mas ainda assim a maioria dos pintores adeptos ao movimento costumavam pintar paisagens. As mulheres, por sua vez, nem sempre conseguiam seguir essa tendência por não ter acesso ao ar livre como eles tinham, por isso vemos ambientes domésticos e familiares como tema das obras da maioria delas: era um retrato da realidade em que estavam inseridas.

05) Louise Abbéma:

10 Mulheres do Impressionismo: Louise Abbéma

Louise Abbéma, uma francesa cuja família sempre conviveu com a comunidade artística local de sua cidade natal. Mudou-se para Paris ao começar a pintar aos 20 anos, onde teve aula com professores particulares. Retratava artistas da Comédie Française e foi retratista oficial da atriz Sarah Bernhardt, com quem manteve anos de relacionamento romântico e amizade, sendo sua principal modelo. Adepta ao ideal da “Nova Mulher” e do movimento feminista que crescia na Europa, renegava o papel tradicional da mulher na sociedade de sua época, se vestindo de forma andrógena e retratando assim as mulheres em seus quadros. Além de pintora era escritora, contribuiu com artigos para o Diário de Belas Artes. Morreu em 10 de julho de 1927, aos 73 anos em Paris, e pintou até o final de sua vida.

Obras em destaque: Jeanne Samary (1879), Manhã de Abril (1894) e Sarah Bernhardt (antes de 1927). Aprenda mais sobre a Louise!

06) Camille Claudel:

10 Mulheres do Impressionismo: Camille Claudel

Um das histórias mais tristes da arte moderna, Camille Claudel era uma escultora francesa, estudante da Academia Colarossi. Foi aluna e amante de Rodin, a quem sua história é fortemente atrelada pelo relacionamento conturbado, acusações de roubo de obra e sabotagem por parte dela e que teve seu fim após um aborto espontâneo. Considerada a “Berthe Morisot da escultura”, produzia obras em tamanhos gigantes e materiais pesados, sendo chamada de “gênio” pelo compositor Debussy, com quem namorou. Após a morte do pai, sua família cortou seu patrocínio e ela não conseguia outros por ser mulher, foi diagnosticada com esquizofrenia, destruindo suas próprias obras ocasionalmente até, enfim, ser mandada para o hospício. Ficou lá por 30 anos, quase sem receber visitas, mesmo que os médicos tenham dado alta e a imprensa acusasse seu irmão, o poeta Paul Claudel, de ocultar um gênio. Produziu mesmo internada e ali morreu, aos 78 anos.

Obras em destaque: Perseu e a Górgona (1905), Mulher Agachada (entre 1884 e 85) e A Valsa (1883). Aprenda mais sobre a Camille!

07) Anna Ancher:

10 Mulheres do Impressionismo: Anna Ancker

Parte de um grupo chamado “Pintores de Skagen” composto por escandinavos que se reuniam na pousada de seus pais para pintar, Anna Brøndum estudou arte em Copenhague antes de voltar para sua cidade natal e casar com o também artista Michael Ancker. Juntos os dois produziam e consumiam muita arte, de diversos tipos, mantendo viagens de campo e visita a exposições fora da Dinamarca mesmo depois do nascimento de sua única filha. Sua região era muito procurada por impressionistas por se tratar de belas paisagens naturais, tornando o local atrativo também para realistas e naturalistas, que produziam todos juntos. A pousada foi transformada em museu e assim ficou por 20 anos, entre 1908 e 28. Anna morreu aos 75 anos e Helga, sua filha, converteu a casa onde viviam no Museu Michael e Anna Ancker, que hoje é uma fundação de mesmo nome.

Obras em destaque: Retrato da Mãe da Artista (1913), Ceifeiros (1905) e Interior com a Filha da Pintora Helga Costurando (cerca de 1890). Aprenda mais sobre a Anna!

08) Nadežda Petrovic:

10 Mulheres do Impressionismo: Nadezda Petrovic

Heroína de guerra nascida na Sérvia, filha de professores e educada em uma escola só para mulheres, Nadežda Petrovic ganhou uma bolsa de estudos do Ministério da Educação sérvio para estudar arte em Munique. Retornou ao seu país em 1900 onde consumiu arte, estudou línguas e realizou sua primeira exposição solo, além de ajudar a organizar 1ª Exposição de Arte Iugoslava. Também deu aula em uma instituição de curso superior exclusivamente feminina. Nos anos seguintes fundou uma organização humanitária de mulheres para ajudar sérvios controlados pelo Império Otomano, perdeu ambos os pais, passou a produzir pinturas também com referências fauvistas e se tornou enfermeira nas Guerras dos Balcãs, onde recebeu medalha. Morreu de febre tifoide em Vajevo, aos 41 anos, e mais tarde seu rosto ilustrou a nota de 200 dinares sérvios.

Obras em destaque: Auto retrato de Nadežda Petrovic (1907), Hospital de Vajevo (1915) e Ksenija Atanasijevic (1912). Aprenda mais sobre a Nadežda!

09) Amy Katherine Browning:

10 Mulheres do Impressionismo: Amy Katherine Browning

A britânica Amy Katherine Browning (ou “Brownie”) entrou na Royal College of Arts aos 18 anos e, mesmo demorando um pouco para terminar o curso por problemas familiares, conseguiu destaque relativamente gratificante nesse período. Ao se formar conheceu Sylvia Pankhust, filha da grande líder do movimento sufragista feminista na Inglaterra. As duas então passaram a organizar exibições em prol da União Social e Política das Mulheres, movimento que lutava pelo voto feminino, enquanto ela ensinava artes ainda que continuasse produzindo (chegando a ganhar medalha de prata em um Salão de Paris) e ilustrava para o jornal de cunho feminista da amiga. Juntas criaram uma campanha para arrecadar dinheiro e conseguir emprego para mulheres vítimas da I Guerra Mundial. Após seu casamento com Thomas Dugdale e o fim da guerra voltou a produzir, retratando bastante as mulheres proletárias, além de paisagens e até mesmo nus femininos. Morreu aos 96 anos.

Obras em destaque: Na Janela, Trabalhadoras da Fábrica de Chapéu e Sombra da Limeira (1913) Aprenda mais sobre a Amy!

Leia também: As Sufragistas, resenha do filme baseado em fatos da luta pelo voto feminino na Inglaterra, de forma romantizada.

10) Georgina de Albuquerque:

Mulheres do Impressionismo: Georgina de Albuquerque

Georgina de Albuquerque, brasileira nascida em Taubaté, aos 19 anos foi para o Rio estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Lá conheceu seu marido, Lucílio de Albuquerque, com quem passou 5 anos na França estudando arte na Escola Nacional Superior de Belas Artes. Ainda em solo francês foi apresentada ao movimento impressionista e teve seus dois filhos. De volta ao Brasil, foi pioneira em vários aspectos como artista mulher. Sua obra prima, Sessão do Conselho de Estado, foi a primeira pintura histórica feita por mulher no país, colocando a Imperatriz Leopoldina como figura principal de um quadro sobre a independência do Brasil, ensinou na ENBA e, mais tarde, foi a primeira diretora de lá. Também deu aula de desenho na UFDF e transformou sua casa no bairro Laranjeiras no Museu Lucílio de Albuquerque. Muitas de suas obras estão expostas no Rio, principalmente no Museu Nacional de Belas Artes.

Obras em destaque: Roceiras (1930 – Museu Nacional de Belas Artes/RJ), Sessão do Conselho de Estado (1922 Museu Histórico Nacional/RJ) e No Cafezal (1926 – Pinacoteca/SP) Aprenda mais sobre a Georgina!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do impressionismo?

Esse post faz parte do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube que visa a visibilidade feminina na história da arte! A série sobre as mulheres do Impressionismo foi a primeira e mais importante do canal, tendo “terminado” em maio mas também sem fim, já que continuará sendo alimentada sempre que possível. Para conhecer mais sobre o movimento e várias outras artistas que fizeram parte dele, inclusive de outros países e continentes, vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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