Por Que Amamos Ler? – Brian Bristol

Por que amamos ler?

Por que amamos Ler? Grandes escritores tentam explicar nosso fascínio pela leitura (Why We Read?) *****
Por Que Amamos Ler? Autoria: Brian Bristol | Tradução: Thereza Christina Rocque da Motta
Gênero: Coletânea
Ano: 2008
Número de páginas: 104p.
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978.859.956.056-3
Sinopse: “Após herdar de sua avó inúmeras caixas com cadernos de anotações, coleção de frases, cópias de poemas e recortes que tinham vital importância para ela, o autor, ainda na infância, teve despertado o prazer pela leitura. E começou a colecionar citações específicas sobre livros por volta dos 16 anos, inspirado na famosa frase de Cícero ‘um quarto sem livros é como um corpo sem alma’.
O resultado dessa paixão pessoal é o livro Por que amamos ler?, que inclui textos escritos pelos maiores pensadores de todos os tempos. É simplesmente um compêndio de comentários sobre livros feitos por quem é ou foi um apaixonados pela leitura. Serve para nos lembrar do modo com que os livros nos humanizam, nos aproximam, faz aflorar o que temos de melhor; faz nos lembrar que livros causam impacto e que a leitura é importante.”
(fonte)

Comentários: Um presente que ganhei há alguns anos, comecei a ler e, com a correria que tomou conta da minha vida logo em seguida, nunca terminei (apesar de estar marcado como “Já Li” no Skoob)… Mas que casou perfeitamente com o agora quando, ao propor um desafio literário junto com uma amiga para “desencalhar” leituras que já temos em casa, precisei de um livro curto, como ele é. Por que Amamos Ler? é uma coletânea de citações sobre leitura por Brian Bristol, que conheceu o conceito ao herdar da avó sua coleção de recortes sobre Geraldine Ferrar, cantora de ópera. Algum tempo depois, aos 16 anos, aderiu ao conceito tendo a temática desse livro como foco, já que sua vida era completamente tomada pela leitura. A seleção vai desde publicações originais em pergaminhos até e-books Kindle, trazendo muita identificação ou não a quem consome.

Por que amamos ler?

“Alguns livros devem ser experimentados, outros, engolidos, e alguns mastigados e digeridos.” – Sir Francis Bacon (1561-1626)
Por que amamos ler?
Páginas 28 e 29
“Um grande livro livro nos lega inúmeras experiências e nos deixa totalmente exaustos no final. Viemos muitas vidas enquanto o lemos” – William Styron (1925-2006)

E essa é a graça de ler um livro assim: achar exatamente onde você se identifica e de quem discorda completamente. Não importa o quanto gostamos de ler, é impossível amar qualquer leitura, assim como é impossível se identificar com todos os leitores que existem, ainda que alguns deles sejam grandes pensadores. É o tipo de livro legal de ter em casa e deixar cheio de post its nas suas breves (pouco mais de) 100 páginas, pra sempre voltar às citações favoritas e que quer incorporar pra vida. Elas estão divididas em treze assuntos, ou “capítulos” para quem preferir chamar assim: Uso, Mau Uso, Clássicos, Leal Oposição, Ironia, Herança, Os Grandes, Amigos, Lúdico, Didático, Bibliotecas, Leitores e Escritores. Todas são creditadas, incluindo com ano de nascimento e morte da pessoa que a escreveu, e ao final existe um apêndice que explica, em ordem alfabética, quem era a pessoa em questão. De políticos norte americanos como Abraham Lincoln a romancistas brasileiras como Clarice Lispector.

Por que amamos ler?
Página 90
“Os livros são os portadores da civilização. Sem os livros, a história se cala, a literatura emburrece, o pensamento e a pesquisa se interrompem. Eles são as máquinas da mudança, as janelas do mundo, os faróis em meio ao mar do tempo. ” – Barbara Tuchman (1912-1989)

Por que amamos ler?

“O prazer da leitura dobra quando se vive com alguém que compartilha os mesmos livros.” – Katherine Mansfield (1888-1980)

Além de ser essa fonte gigante de boas citações, o livro é também visualmente ABSOLUTAMENTE LINDO! A capa é legal, mas nem um pouco digna da beleza que a gente encontra lá dentro… Todas as páginas são amareladas, com fundo imitando pergaminho e páginas antigas, com as bordas decoradas com arabescos e na maioria esmagadora delas existe a reprodução de grandes obras de arte que complementam visualmente os textos, é uma combinação perfeita estética e historicamente, provando como essas duas coisas caminham juntas. Bem no início, entre o Sumário e a Introdução, existe o crédito delas, pra quem quiser buscar mais a fundo e, apesar de serem de movimentos artísticos e terem temáticas diferentes, elas têm como ponto em comum a referência à leitura, nos mais variados lugares e apresentada das mais diversas formas… Bem como é a vida de quem lê, mesmo, no fim das contas.

Leia também: Nunca precisei de artista, uma reflexão sobre a importância de todas as artes na nossa vida.

Esse livro foi a minha escolha para o mês de Junho no Desafio Zera Estante, onde a proposta da vez é ler um livro curto. Participe do desafio também com livros que você tem em casa e estão “agarrados”, esperando para ser lidos, a duração desse ano é de junho a dezembro!

Continue Reading

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

Desde que comecei minha pós em Ensino de Artes venho refletido muito sobre como ser uma educadora da história da arte e produtora de conteúdo para internet precisam, para mim, caminhar juntos, atuando em sala de aula ou não. É um desperdício não aproveitar minha voz para unir as duas coisas, seja num canal sobre mulheres artistas, o Vênus em Arte, nas redes sociais ou principalmente aqui, nesse blog, que quero que tenha isso como tema há muitos anos e, até pouco tempo, não consegui realmente colocar em prática. Antes tarde do que nunca, né? E como a vida é deveras corrida, nem todo mundo tem tempo realmente pra se dedicar ao assunto – apesar de MUITA gente querer de verdade – vamos começar de maneira fácil e acessível na telinha do celular? Fiquem aí com a indicação de 5 aplicativos para baixar se você adora História da Arte ou, quem sabe, tem vontade de adorar e não teve a chance até hoje, com funções variadas para cada um curtir do seu jeito!

Google Arts & Culture

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

O maior aplicativo relativo ao assunto bombou alguns anos atrás com a “art selfie”, onde te mostrava com que obra você se parece a partir de uma foto tirada na hora, mas na verdade ele é muito, muito mais que isso. O Google Arts & Culture contém informações sobre artistas e obras, todos bem completos, versão virtual de museus do mundo todo, fotos das obras em alta qualidade e artigos em constante atualização. Eu uso muito para minha pesquisa inicial das artistas sobre as quais falo no Vênus em Arte, antes da pesquisa aprofundada, e pra escolher algumas das obras delas que irei usar para ilustrar os vídeos. O acesso é pela Conta Google, que todo mundo tem (né?), então todos dados ficarão ali, salvos, pra voltar a acessar sempre que quiser. Se é um leigo querendo começar a aprofundar no assunto ou profissional já atuante, não importa, uma opção indispensável!

Baixe agora: Google Play | App Store

Daily Art

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

Se você quer incorporar arte no seu dia a dia o Daily Art é uma excelente opção! Todos os dias, num horário definido por você, ele envia uma notificação com uma obra de arte aleatória sobre um artistas variados. Do clássico ao contemporâneo, te manda a imagem, autoria e até mesmo informações sobre a mesma. É possível também favoritar as que mais gostar, marcar como “Não visto” para olhar com mais calma depois e até compartilhar com os amigos. Ele é gratuito, mas possui também a versão paga que dá acesso ao acervo completo.

Baixe agora: Google Play | App Store

Smartify

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

Conhecido como o “Shazam das artes visuais”, o smARTfy faz com obras o mesmo que esse similar faz com músicas: detecta seu título e autoria quando posicionadas em frente à câmera. Tá andando por aí, viu uma pintura X que adora e deu branco pra saber de quem se trata? É só abrir o app e escanear que te responde! Ele tem um banco de dados bem completo de grandes nomes e é possível também ver o acervo de cada artista, além das informações mais relevantes sobre eles. Você também pode conectar sua conta e ir favoritando os que mais gostar, pra ficar de fácil acesso sempre que precisar!

Baixe agora: Google Play | App Store

Arte Quiz

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

Hora de testar todos os conhecimentos que você adquiriu até agora, aprender com os possíveis erros que serão cometidos e, de quebra, se divertir no processo! O Arte Quiz em Português é exatamente o que o nome diz: um joguinho de perguntas e respostas, alguns múltipla escolha e outros de “forme a palavra”, sobre a história da arte de um modo geral. São questões sobre as obras, artistas e movimentos mais conhecidos do mundo onde seu objetivo é conseguir 150 pontos para “graduar-se” nele. O legal é que após responder cada uma, seja sua resposta a certa ou não, eles te dão uma curiosidade sobre o que foi visto, pra transmitir um conhecimento básico, mesmo, em meio ao desafio.

Baixe agora: Google Play | App Store

ArtistA

5 aplicativos pra quem adora História da Arte

De todos os apps citados esse é o único que não ensina nada realmente, é meramente para entretenimento. O ArtistA é um editor basicão de fotos que aplica sobre elas efeitos que remetem a algumas técnicas de materiais específicos e períodos da história da arte. Infelizmente ele segue a linha do Instagram de dar nomes de cidades para os efeitos, ao invés de realmente apostar nos movimentos aos quais cada um se refere, mas dependendo da foto é possível conseguir resultados BEM bacanas para deixar suas publicações diferentes aqui e ali, de vez em quando.

Baixe agora: Google Play | App Store

Ei! Você reparou que alguns prints dos apps desse post são referentes à artistas Laura Knight e Mary Cassatt? Elas são duas das mulheres impressionistas que aderiram a esse movimentos artístico mesmo ele sendo tão dominado por homens na viradas dos séculos XIX e XX! O impressionismo é meu movimento favorito e, por isso, a série de vídeos mais importante do Vênus em Arte até hoje. Quer aprender mais sobre suas características e algumas das várias mulheres que fizeram parte? É só acessar a playlist referente a ele no canal e se maravilhar com tantas histórias incríveis!

Continue Reading

Os Textos Que Desisti de Enviar

Os Textos Que Desisti de Enviar

Os Textos Que Desisti de Enviar *****
Os Textos Que Desisti de Enviar Autora: Vanessa Pérola
Gênero: Crônica
Ano: 2019
Número de páginas: 100p.
Editora: Publicação Independente (Amazon)
ISBN: B07VCCHKBJ
Sinopse: “No dia dos namorados meu namorado terminou comigo. E depois de tudo o que passamos, eu fiquei devastada. Não deu tempo de entregar as cartas que eu tinha escrito para comemorar quatro anos de namoro. Então resolvi arquivá-las. No lugar delas, comecei a escrever sobre o término e o que ele causou no meu coração. Encontrei o caminho da liberdade.

Este é um livro sobre relacionamentos, sobre como os términos machucam e a ausência sufoca. Mas também é um livro sobre como pensar no aconteceu sem sentir dor, entender que não tem volta e sobre rir novamente. É pra extravasar na felicidade e rabiscar papéis escrevendo aquilo que rasga a pele.Se você está enfrentando um término doloroso, faça desse livro seu amigo. Escreva a partir dessas histórias, as suas histórias. Porque mesmo que não tenha a intenção de expor, vai ter tirado um peso das suas costas, porque escrever é se libertar.

Em ‘Os textos que desisti de enviar’, Vanessa Pérola narra em 32 textos, entre crônicas e desabafos, histórias que relatam a dor da ausência, o poder do autoconhecimento e a beleza do ajustamento das emoções.” (fonte)

Comentários: É muito fácil eu me identificar quando encontro blogueiras nacionais que também autoras independentes porque, afinal de contas, sou uma delas. Por mais que seja alguém diferente no modo de se expressar, crenças e vivência, não tem jeito, nós temos aquele elo em comum que não consigo deixar de considerar. Por isso ler Os textos que desisti de enviar, da baiana Vanessa Pérola, foi uma experiência muito especial! Essa coletânea de contos publicada por ela, também nascida em 1990, está disponível como ebook na Amazon por R$5,99, ou de graça para assinantes Kindle Unlimited, que foi onde o li.

Os Textos Que Desisti de Enviar

Após um término de namoro traumático, bem ali no clima do Dia dos Namorados, Vanessa sentiu que todos os anos que passou com o (agora ex) namorado tinham sido irrelevantes pra ele. Tendo que jogar no esquecimento a carta que queria entrega-lo nessa data comemorativa ela decidiu, então, escrever novos textos narrando seus sentimentos diante dessa nova vida de solteira, que começam na negação até, com o passar do tempo, atingir a aceitação.

As 32 crônicas são divididas em três partes: Noite, Amanhecer e Dia. A primeira é triste, pesada, sobre sentimentos cheios de infelicidade e provavelmente difícil de ser lida por pessoas que passam por algo parecido. Não é fácil ver outra pessoa sofrer, ainda mais sabendo que é uma não-ficção. Mas o maravilhoso da vida é que tudo passa, né, gente? Nas duas partes seguintes vemos sua recuperação gradual até, enfim, dar uma aula de amor próprio como um modo de permitir que todos os outros amores venham. E é aí que você sente alívio enorme, como se fosse uma amiga passando pelo mesmo, aquela que você mal espera pela hora de ver sorrir com os olhos de novo. E ela sorri!

Os Textos Que Desisti de Enviar

O principal “problema” do livro coloco entre aspas porque acho bem justificável por ser uma publicação independente: as falhas de revisão. Nada muito grave, mas aqui e ali achamos uma repetição desnecessária de palavras e esse tipo de coisa que é muito difícil detectar e corrigir quando você já está revisando já completamente afundada na sua própria história e acostumada com ela. Se tivesse uma editora por trás eu reclamaria, mas julgo aceitável em casos assim. Se você não pensa como eu, porém, talvez se incomode em alguns momentos.

Também tenho, e confesso, certa dificuldade de me identificar com discursos muito religiosos com o da Vanessa, mas é mais pela diferença de realidade, mesmo. Hora nenhuma isso se transforma em defeito no texto, principalmente porque o livro é sobre a vida da autora, então precisa tê-la jogada dentro dele, perderia o sentido se ela cortasse a própria essência e religião é um aspecto importante da vida dela. Precisa estar lá e cabe a quem não tem a mesma crença aceitar.

“Porque não existe essa de amar o outro se não há uma gota de amor por nós mesmos. Como podemos doar aquilo que não temos? Esse é o clichê mais real que existe.”

Os Textos Que Desisti de Enviar

Por outro lado AMEI a diagramação, com ilustrações lindas de flores em cada uma das partes, e os trechos de música que precedem cada texto. Sempre serei a favor de sugestão de trilhas sonoras quando se trata de literatura, sendo as músicas sugeridas dentro da minha zona de conforto ou não. Ela tem até uma playlist do livro no Spotify que é ótima de ouvir durante a leitura. Foi mais um momento de identificação, já que eu coloquei um QR Code pra playlist de “Wish You Were Here” antes mesmo da dedicatória…

Leia também: Minha experiência na Amazon KDP, com dicas pra quem também quer publicar seu ebook de forma independente na loja Kindle, desde a edição digitaç até o pedido de cópias físicas do autor!

Vanessa Pérola tem 29 anos, estudou psicologia e mora na Bahia. Para ler outros textos da autora é só acessar o blog Vanessa Pérola, sobre amor, ser mulher e preta, auto ajuda e vários outros temas que dizem respeito à sua experiência pessoal. Vocês podem encontrá-la também no Twitter, Instagram e, nessa mesma rede, num perfil sobre cabelos cacheados que tem quase 60 mil seguidores, o Cacheadas in Love. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Abril no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é uma autora independente. Leia também a resenha do título de Março (poesia), A Princesa Salva a Si Mesma Nesse Livro!

Continue Reading

#TBTCultural: Mostra “Raiz”, de Ai Weiwei

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

A “coisa” que mais me faz falta nesse momento de isolamento é poder visitar museus. Essa saudade me fez pensar, primeiramente, no quanto preciso fazer isso com ainda mais frequência e principalmente no material que tenho aqui guardado de exposições que visitei e acabei não compartilhando no blog por achar que, com o passar do tempo ao sair de cartaz, aquilo acabou se tornando “inútil” de ser postado. E foi nesse ponto em que me enganei. Diante da ausência de novas manifestações culturais presenciais VÁRIAS instituições estão usando suas redes sociais para relembrar a arte que já passou por elas e foi vendo isso que, alguns dias atrás, fiz o mesmo ao adicionar fotos de obras do Basquiat ao meu post sobre a Barbie lançada inspirada no artista. Mas por que parar por aí? Por que não lançar um #TBTCultural das que passaram por mim também? Não tem motivo, tem NECESSIDADE! E PRECISO começar, sem sombra de dúvidas, pela Mostra que mais amei ver no Centro Cultural Banco do Brasil BH até hoje: “Raiz”, do artista chinês Ai Weiwei.

Psiu! Prest’enção! #TBT é uma hashtag usada nas redes sociais como uma abreviação de “throwback thursday”, em tradução livre “retrospectiva de quinta-feira”, destinando esse dia da semana para a postagem de fotos e fatos já passados, seja esse passado referente a anos ou mesmo, se a pessoa enxergar assim, apenas alguns dias.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
“Tudo é arte. Tudo é política.” – Ai Weiwei

Nascido em Pequim em 1957, Ai Weiwei é um artistas plástico e ativista chinês que aborda na sua produção artística questões políticas-sociais e sua luta por direitos humanos já lhe causou prisão domiciliar seguida da destruição de seu estúdio na China há 10 anos atrás. Uma das temáticas mais abordadas por ele é a de pessoas refugiadas e ilegais nos países onde vivem, situações que julga como reflexos de barreiras imaginárias não só territoriais, mas à nossa inteligência. Também é possível ver uma crítica forte ao consumo em massa no seu trabalho, ou seja, basicamente uma pessoa que eu poderia passar horas aplaudindo sem sequer sentir as mãos doer. Como não posso, vou enaltecer um pouquinho das obras que tive o privilégio de ver.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Obras de Juazeiro do Norte (2018)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Obras de Juazeiro do Norte (2018)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Duas Figuras (2018)

Nos últimos anos ele realizou um trabalho grande também na América Latina, incluindo o Brasil, em meio às suas discussões sobre refugiados chineses nesses países. O período resultou em algumas das peças presentes na exposição, como o conjunto “Obras de Juazeiro do Norte”, esculturas de madeira realizadas em parceria com artesãos dessa cidade do estado do Ceará, todas bem condizente com sua temática no geral. Ele produziu também uma instalação que expressa sentimentos que teve em terras tupiniquins causados pelo calor do povo brasileiro, em todos os sentidos: cores, cordialidade e sensualidade, “Duas Figuras”. Para quem entrava no CCBB BH pelas portas da frente era uma das primeiras a ser vista, numa sala lateral do hall.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Cofre de Lua (2008)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
“A linguagem da comunicação sempre precisará ser renovada.” – Ai Weiwei

A gama de materiais e técnicas utilizadas no trabalho é grande. Desde os mais “tradicionais”, como madeira e desenhos, até sementes, fotografias, áudio e vídeo. Um dos destaques da Mostra eram as frases do artistas impressas nas paredes brancas, todas de cunho político-social. O dia que fui à mostra, em especial, foi MUITO impactante e melancólico porque, dentro do Uber ao sair de lá, recebi a notícia do incêndio ocorrido na Catedral de Notre-Dame, cenário do meu filme favorito e um sonho turístico de infância ainda não realizado (que agora não sei quando poderei fazer isso). Parece que toda a tocante discussão mental (e verbal também, com minha irmã que estava comigo) sobre arte e história causada pelas citações ficou ainda mais pesada, intensa e significativa.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
O Animal Que Parece A Lhama Mas Na Verdade É Alpaca (e eu!)

Outra coisa belíssima são os papéis de parede dele, que decoravam algumas salas, todos com o mesmo tom ativista do resto de seu trabalho. Frases como “Ninguém é ilegal” acompanham desenhos de refugiados no preto e branco de um enquanto o outro, mais alegre e dourado (com toques de discussão sobre a super comunicação virtual), acabou se tornando cenário do post do look do dia que veio aqui pro blog na época. Não tinha NADA A VER o visual de um em relação ao outro, a iluminação do museu não contribui em nada, mas ficou belíssimo mesmo assim. Não é todo dia que temos Ai Weiwei ilustrando nossas produções, né?

Mostra Raiz, de Ai Weiwei
He Xie (2011)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
“Eu não diria que eu me tornei mais radical. Eu Nasci radical.” / “Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos.” – Ai Weiwei
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Barca: A Lei da Jornada (2017)
Mostra Raiz, de Ai Weiwei
Bicicletas Forever (2015)

As obras mais impactantes eram também as maiores. “Barca” estava localizada no pátio interno do CCBB, uma instalação gigantesca representando refugiados dentro de um bote bem ali, do lado de quem usufruía dos caríssimos cafés do lugar. Já a fachada contava com a interativa “Bicicletas Forever” com mais de mil bicicletas da marca Forever, a mais popular na China, como uma crítica à sociedade de consumo em massa. Por estar localizada no exterior, cada dia em uma entrada do local, foi provavelmente a obra mais vista pelas pessoas, TODO MUNDO QUE SIGO e mora em Belo Horizonte posou ali do lado em algum momento no feed do meu Instagram – e ainda bem!

“Raiz” recebeu 235 mil visitantes em 57 dias (fonte) e foi, até então, a segunda mostra mais visitada do Centro Cultural Banco do Brasil BH, se tornando a terceira logo em seguida com o sucesso de público “Dreamworks: Uma Jornada do Esboço à Tela” que, se vocês aprovarem essa nova ideia aí nos comentários, vai ser nosso próximo #TBTCultural. Para ver mais do trabalho de Ai Weiwei vocês pode segui-lo no @aiww tanto via Instagram quanto Twitter.

Continue Reading

LISTENING TO: Emiliana Prado

LISTENING TO: Emiliana Prado

Você entra na clínica odontológica e encontra uma dentista simpática, séria e compenetrada em seu trabalho, pronta pra te atender como clínica geral ou mesmo fazer uma tão sonhada harmonização facial… Quem diria que debaixo de máscaras, jalecos, toucas, luvas e muito terror para algumas pessoas existem composições musicais sobre nossa existência, maternidade e amor, não é mesmo? Pois é assim que a saúde encontra a arte na vida de Emiliana Prado, natural de Divinópolis que hoje mora na capital mineira e tem na música seu refúgio.

LISTENING TO: Emiliana Prado

Quando a gente fala em “refúgio” muitas vezes pensamos em fugir do que é ruim, pesado e triste, mas para a Emiliana é uma palavra mais abrangente. Ela compõe não só como forma de amenizar ansiedade, especialmente nesse momento da pandemia em que estamos fechados e cheios de incerteza, mas também expressar suas alegrias, entre elas a filha Luana, que já inspirou uma de suas músicas que deve ganhar um clipe em breve.

Anos atrás, ao ingressar na Babaya Casa de Canto, Emiliana conheceu Leandro Aguiar e Luciano Mafra, para quem mostrou as composições e logo recebeu incentivo para grava-las. Demorou um pouco, mas finamente saiu! Agora ela segue usando seu tempo livre, seja em quarentena ou enquanto se recuperava de uma cirurgia ano passado que a deixou um mês em casa, para se dedicar a essa paixão que a acompanha desde sempre.

Leia também: LISTENING TO: Laura d’Ávila, sobre a participante do The Voice Kids 2017 que também estudou na Babaya Casa de Canto e segue cantando até hoje!

Clipe: Milagre da Vida

Nas palavras da própria, que compôs letra e melodia, uma música sobre como “a vida é preciosa”. “Milagre da Vida” foi gravada no Leandro Aguiar Estúdio, com Renata Cabral no vocal principal e uma série de outros artistas contribuindo no instrumental. O clipe da canção está disponível no YouTube com cenas INCRÍVEIS de vários pontos de Minas Gerais, misturando belezas naturais com pontos turísticos arquitetônicos dos mais variados pelo estado afora…

Mais Informações:

Quer conhecer mais da Emiliana? Ela não possui redes sociais destinadas à carreira musical, mas divulga seu trabalho no perfil pessoal do Facebook. “Milagre da Vida” faz parte de uma série de oito músicas que serão postadas no YouTube no canal Luciano Mafra.

Continue Reading