Wishlist 3×3: Roupas esportivas estilosas da Wayrates

Roupas esportivas estilosas da Wayrates: exemplos de roupas esportivas com temática voltada para elementos do rock, quatro T-shirts e uma camiseta longa.

Eu tenho visto um volume muito grande de pessoas começando a se exercitar de alguma forma em casa depois que começou a pandemia. Acho que é porque, sem sair de casa, a gente começou a se movimentar menos e PRECISA dessa forçadinha para não acabar caindo no sedentarismo, independente de ter esse costume antes ou não. Fora que, vamos falar a verdade aqui, um pouquinho de endorfina para amenizar essa tristeza toda que é inevitável sentir não faz mal nenhum, né? E como exercício físico pede roupas apropriadas, estou aqui com mais uma wishlist, dessa vez de peças da Wayrates, que tem roupas esportivas de todos os tipos, desde coisas básicas, de ginástica, até roupas táticas que são mais resistentes e destinadas a práticas pesadas, incluindo opções estilozinhas e bonitinhas que permitem o corpo respirar durante a atividade.

I’ve been seeing a larger number of people beginning to do some kind of exercise at home after the pandemic began. I think it’s because, without leaving home, we started to move less and NEED this to avoid falling into sedentary lifestyle, regardless of having this habit before or not. Besides, let’s talk the truth here, a little bit of endorphins to ease this sadness that is inevitable to feel doesn’t hurt, right? And as physical exercise calls for appropriate outfit, here I am with another wish list, this time from Wayrates, which have sports clothes of all kinds, from basic gymnastics stuff to tactical clothing that are more resistant and intended for intense practices, including stilish and cute options that allow the body to breathe during activity.

Roupas esportivas estilosas da Wayrates: exemplos de roupas esportivas casuais com temática de rock e caveiras, quatro T-shirts e uma camiseta larga com outra justa por baixo.
Camiseta feminina com estampa de flores com caveira | T-shirt de manga curta com estampa retro moda feminina | Camiseta feminina casual estampada de duas peças | Camiseta feminina AC/DC impressa de manga curta | Camiseta feminina com estampa Metallica

Uma vibe que eu gosto super em roupas pra tudo na vida é essa coisa meio rockeirinha, seja puxando pras bandas que escuto ou elementos clássicos que combinem, como caveiras, é claro. E lá tem MUITAS nesse estilo! Acho bem legal isso porque acho super tenso isso de sustentar o look “gótica suave” no calor, com um monte de roupa preta no armário, mas como essas são destinadas a evitar o suor provavelmente ajudam bastante no processo… Dá pra usar não só como roupa de ginástica, mas também no dia a dia do nosso calor tropical. Amo porque tem as opções rock-fofinho também, com elementos coloridos e florais aqui e ali, é basicamente ver minhas duas personalidades juntas em uma peça só!

A vibe that I really like to wear in everything in my life is this rocker thing, whether with the bands I listen to or classic elements who match, like skulls, of course. And there are MANY options in this style there! I think it’s really cool because it’s hard to support the “soft gothic” look in the heat, with a lot of black clothes in the closet, but as these are meant to prevent sweat they probably help a lot in the process… You can use them as gym clothes, but also in our tropical heat’s day by day. I love it ’cause has “sweet rock” options too, with colorful and floral elements here and there, it’s basically seeing my two personalities together in one piece!

Roupas esportivas estilosas da Wayrates: uma camiseta, duas t-shirts e uma camisa de botões de temáticas variadas apropriadas para exercícios físicos.
Top longo feminino casual estampado | Camiseta feminina com estampa de gato respirável | Camiseta feminina tática de cor sólida | T-shirt tática de secagem rápida para senhora

Ainda pensando em elementos que acho legais, outros grandes queridinhos dos meus looks: cores escuras, gatinhos preto (em homenagem à Arwen) e um toque cor-de-rosa que é minha cor favorita! Também adoro camisetas com esse detalhe de amarrar na frente, lembro que quando criança era meu sonho ter uma e demorei anos até isso acontecer! Na Wayrates tem muita roupa com modelagens e destalhes fora do que se espera do estilo, então dá pra expressar bastante sua personalidade além delas. E, é claro, coloquei exemplos femininos na minha wish list, mas eles também vendem camisetas masculinas e outros tipos de peças de roupa, como calças e até acessórios. De verdade, essa listagem aqui é toda com opções que eu amaria vestir em diversos contextos, são muito lindas!

Still thinking about elements that I think are cool to put on my looks: dark colors, black kittens (because of Arwen!) and a pink touch, it’s my favourite colour! I also love t-shirts with this tying on the front detail, I remember that as a child it was my dream to have one and it took me years until that happened! At Wayrates there are lots of clothing with modeling outside of what is expected from the style, so you can express your personality a lot with them. And, of course, I put women’s examples on my wish list, but they also sell shirts for men and other types of clothing, such as pants and even accessories. Really, this list is full with options that I would love to wear in different contexts, they are very beautiful!

Psiu! Prest’enção! Esse post é uma publicidade da Wayrates e todas as imagens de produtos aqui presentes foram tiradas do site da loja em março de 2021.

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Mas isso é arte? Ah, até eu faço!

Mas isso é arte? Ah, até eu faço! Imagem ilustrativa com exemplos de obras de alguns artistas cujo trabalho foi relativizado por seguidores do meu Instagram em fevereiro de 2021.

Em situações normais, fora desse contexto da pandemia, eu sou super a amiga de ir ao museu. Posso ser a de balada (bem pouquinho), a de cinema, de ficar á toa, de várias coisas, mas a de museu acho que é um papel que desempenho melhor. Eu AMO ir a museus, gosto de ver arte, produzo conteúdo sobre… Chego lá com informações sobre o teor da exposição, observando como cada obra foi colocada, faço meus registros em foto e vídeo sem deixar de apreciar o que tô vendo. Fora que, no que diz respeito ao conhecimento formal, entendo do assunto, então posso ser fonte de informação, mas sem ser a chatona que transforma o rolê em palestra, sei brincar e sei falar sério, simultaneamente. Cara, que saudades de PODER receber um convite desses…

Estudar determinado assunto não te isenta de desgostar de algo dentro dele, claro, mas ajuda bastante a enxergar com olhar menos tendencioso. Eu sei que qualquer coisa que tem a intenção (ou às vezes nem isso!) de ser uma manifestação artística tem seu valor, sabe? É LÓGICO que existe algo aqui ou ali que pessoalmente acho “feio” (cofcofRomeroBrittocof), mas é muito raro, de verdade, porque o que existe por trás daquela peça tem uma carga tão maior pra mim, em mil sentidos, que não consigo deixar de ver beleza, esteticamente falando, mesmo, nela. E, no meu papel de companhia de quem não compartilha dessa visão, acabo ouvindo coisas que vão além da preferência estética e não dá pra deixar de rebater: o questionar se algumas coisas são arte de fato ou a afirmação de que aquilo é tão insignificante que qualquer pessoa poderia ter feito.

E assim, rebato!

“Mas… Isso é arte?”

Sim, isso é arte! Você gostando ou não, é arte. Na verdade, dependendo de quem é você e de qual é a arte, ela foi feita pra você não gostar. E ainda assim é arte.

O conceito de arte por si só é variável e muda constantemente conforme muda a sociedade, sendo um reflexo da mesma. Pode ser expressão e decoração, quando se pensa nela de forma imediata, mas também emoção, ciência, registro histórico, percepção e até manifestação acidental. Um utensílio de cozinha, algo que foi corriqueiro na vida de sociedade X o Y, de repente pode estar no museu sendo exaltado dessa forma. E, ao mesmo tempo, existem as manifestações artísticas propositais que não seguem o que se muitas pessoas entendem como “arte”, baseando-se num modelo clássico e padrões de beleza que estão há muito obsoletos e ignoram a subjetividade da própria ideia da beleza. A humanidade mudou desde Botticelli, o ideal do belo vem se tornando cada vez mais amplo e o modo de produzir todos os tipos de artes se transformam também. Ainda bem!

Por exemplo, a pintura-retrato que expressa o que o artista vê (ou uma versão idealizada disso) era a maneira encontrada de deixar sua marca fisicamente para gerações posteriores e mais tarde, com a popularização da fotografia, passamos a ter outro jeito de fazer isso. É natural que o conceito venha se sobressaindo ao visual e, principalmente, ao que soa como “real” na nossa mente. Além disso, esses conceitos e questionamentos sempre estiveram presentes na arte, não só na contemporânea como muitos acreditam. Ao estudar sua história percebemos que um movimento artístico contesta o que estava em alta antes dele, trazendo novas reflexões àqueles que se expressavam através dela e, com sorte, aos que consumiam. Apesar de existir uma quebra maior à medida que o final da era moderna foi se aproximando, sempre esteve presente e sempre incomodava aqueles que se recusavam a evoluir.

Não é como esses que queremos ser, né?

“Ah, isso aí até eu faço!”

Bom… Então faz! Se é assim vai lá e faz!

Veja bem, é claro que na vida o conhecimento e as oportunidades dependem de DIVERSOS fatores que precisam ser levados em conta… A infinidade de privilégios que podem determinar o destino de alguém não pode ser ignorada, né? Mas, ainda assim, uma coisa que não deixa de ser verdade é que a produção artística de alguém NUNCA depende apenas de “talento”. Na verdade o que as pessoas chamam de talento é resultado de muito estudo, esforço, investimento, horas e horas se dedicando à atividade em questão. Aptidões mais voltadas para uma área que pra outra? É, temos. Mas não em definitivo. Habilidade e criatividade são coisas que podem ser ensinadas e aprendidas. Acima de tudo elas podem ser treinadas diariamente, de hora em hora, sem parar, resultando, é claro, num produto cada vez mais satisfatório. Ou, pelo menos, assim a gente espera.

Sendo assim, é claro que QUALQUER produção artística poderia, de fato, ser feita por QUALQUER um de nós. Eu acredito nisso. Porém elas são feitas pelas pessoas que, seja por aptidão, oportunidade e/ou esforço absurdo, fizeram. Então não é nada legal menosprezar o trabalho de alguém falando que você, um leigo no assunto, dá conta de fazer igual. Você não fez e, mesmo se fizer, NÃO VAI SER IGUAL! A história que vai existir por trás de um ou de outro vai ser diferente, simples assim. Qualquer um poderia ter pintado O Grito de Edvard Munch ou conduzir as pesquisas sobre radioatividade de Marie Curie, mas não foi esse “qualquer um” que o fez. Foram eles, e você tem direito TOTAL de gostar ou discordar da qualidade desses trabalhos. Mas o trabalho é deles, e fim!

Leia também: Nunca precisei de artista.

Por fim, vou fechar com a fala de uma das personagens que mais gosto na vida, a professora Katherine Watson de “O Sorriso de Mona Lisa”, que foi muito importante nessa minha trajetória como arte-educadora nos últimos anos (e sobre a qual quero escrever um post inteirinho, ainda). Em determinada cena em que suas alunas desdenham de Jackson Pollock ela diz: “Façam-me um favor. Façam um favor a vocês mesmas. Parem de falar e olhem. Vocês não precisam escrever um artigo. Vocês nem precisam gostar. Vocês PRECISAM, porém, considera-la.” Recomendo que apliquem em todo o tipo de arte visual que forem consumir, cada vez mais!

Mas isso é arte? Ah, até eu faço! Imagem ilustrativa com exemplos de obras de alguns artistas cujo trabalho foi relativizado por seguidores do meu Instagram em fevereiro de 2021.
Obras presentes na imagem: A New Day, de Romero Britto; Sem Título (1984), de Jean-Michel Basquiat; Número 17A (1948), de Jackson Pollock; Roda de Bicicleta (1913), de Marcel Duchamp e Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral.
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O resgate de memória

O resgate de memória: foto de Luly Lage aos 17 anos, de costas, de forma onde só é possível ver os cabelos loiros e cacheados e um pedaço da blusa clara. Ela está apoiada na mão direita olhando para a tela do computador, que exibe em primeiro plano o blog Sweet Luly com o visual que tinha na época.

No final de fevereiro o Facebook me lembrou que fazia 13 anos desde meu primeiro dia de aula na UFMG, minha reação imediata foi correr nos arquivos aqui do blog, que já existia desde muito antes disso, e ler o post que fiz na época, contando como foi. Minha memória é muito boa, consigo lembrar de tudo com detalhes, mas faço isso com o olhar que tenho hoje das coisas, sabe? Não era isso que eu queria! Queria saber o que aquela outra pessoa que eu era estava pensando, sentindo, vivendo! Queria aquele ponto de vista porque, no fim das contas, é ele que importa e que vai me dar uma visão real do que aconteceu. Então lá fui eu, mergulhar em mim mesma, com os erros de digitação, plakinha comemorativa feita exatamente pra esse momento e a ilusão de que o auge da maturidade tinha chegado.

Esse resgate da memória é a melhor parte de ter o blog ao meu lado por quase 17 anos. Tento ser modesta e fingir que não, mas tenho um orgulho danado de estar aqui há tanto tempo no mesmo “lugar”. Quando vejo alguém comemorando o aniversário do próprio blog fico me segurando pra não soltar “O MEU FAZ 17 EM JUNHO, ACREDITA?” porque, cá entre nós, é um saco celebrar algo e outra pessoa vir contando vantagem em cima disso… Tento evitar e às vezes até consigo, mas internamente feliz em também persistir num amor que faz parte da minha história, mas mais do que isso feliz em ter essa história contada por mim mesma, pra ler e ser lida por quem quiser. Se dependesse de mim estaria no mesmo blog desde a criação do primeiro, alguns meses antes, só pra esse arquivo ser ainda mais vasto…

Mas aí eu me pergunto: será que tô deixando a possibilidade do meu eu futuro ter essa mesma experiência em relação a quem sou no presente? Porque é claro que, com o tempo, as coisas por aqui foram mudando, deixou de ser só sobre mim e passou a ser sobre as coisas que estão ao meu redor. Tenho alguns textos autorais sobre sentimentos vividos (a série Inclusive, Saudades, por exemplo, é feita de um turbilhão deles) mas ainda assim… Não é a mesma coisa. Quero realmente registro real, pessoal, do sério e do bobo, do íntimo e do público. E tô perdendo, porque nem nas minhas redes sociais isso acontece mais, com minha preguiça de fazer vlogs semanais (preciso voltar!), introdução de conteúdo ao Instagram e dominação de indignação política na linha do tempo do Twitter.

De verdade, não acho que nenhuma dessas coisas seja ruim, e todas elas compõe a minha vida, sim. AMO produzir conteúdo e queria, de verdade, poder me dedicar exclusivamente a isso quando o assunto é meios de pagar as contas. Hoje entendo que meu maior sonho sempre foi, sempre vai ser, trabalhar com o que crio na internet, não vou parar de fazer em nenhum lugar, nem mesmo aqui. Ainda mais agora, que cheguei no ponto de entender qual conteúdo realmente me faz bem e tem qualidade de verdade pra quem consome… Mas por que não intercalar isso com o pessoal? Contar como foi publicar meu primeiro livro, escrever minha monografia de pós graduação, viver numa fucking PANDEMIA MUNDIAL, coisas que marcaram os últimos anos e que estou deixando passar sem motivo algum, porque vontade de escrever sobre, cara, eu tenho e de sobra. Só falta por em prática.

Então, em meio a essa Nova Era de me fazer feliz com os conteúdo que crio, vou me permitir mesclar com a Velha Era paralela através do resgate da minha possibilidade de resgatar a memória de hoje no futuro. Não sei quando, onde ou como, e talvez esse post já seja tudo isso, mas sei que VOU. Enquanto, sempre, fizer sentido pra mim, seguirei assim, mantendo esse blog como o que sempre foi, um blog pessoal, mas agora (também) sobre todas as artes que meu cérebro processa em forma de posts enquanto consumo, um vício adquirido em todo esse tempo do qual não quero me reabilitar.

O resgate de memória: foto de Luly Lage aos 17 anos, de costas, de forma onde só é possível ver os cabelos loiros e cacheados e um pedaço da blusa clara. Ela está apoiada na mão direita olhando para a tela do computador, que exibe em primeiro plano o blog Sweet Luly com o visual que tinha na época.
Resgatando, inclusive, a memória fotográfica: essa sou eu, no início de 2008 logo depois de começar a faculdade, aos 17 anos, navegando nesse mesmo blog que em breve completa a mesma idade. Sabe como é, né? Mudaram as estações…
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Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura

Conjunto de obras cinéticas de Abraham Palatnik expostas em um tablado no CCBB BH. O ambiente tem fundo neutro e as seis obras estão sobre pequenos tablados individuais de mesma cor, sendo compostas de esferas, cubos e outras formas maciças irregulares coloridas, presas em fios fixos ou não, permitindo movimento natural a algumas delas.

Ano passado, no dia 9 de maio, o artista modernista brasileiro Abraham Palatnik faleceu aos 92 anos, vítima do COVID-19 (também conhecido como vírus Corona), no Rio de Janeiro. Grande nome na arte construtivista e abstrata aqui no Brasil, ele é a maior referência nacional em Obras Cinéticas e Aparelhos Cromáticos, onde explora forma, cores e luzes através da união da arte com a tecnologia, criando verdadeiras máquinas embutidas dentro do que parecem inocentes objetos lúdicos. Seu trabalho já rodou grandes centros culturais brasileiros, como o MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, e internacionais, e agora está no CCBB BH – Centro Cultural Branco do Brasil de Belo Horizonte com a mostra “A Reinvenção da Pintura”.

Veja pedacinhos dessa mostra em movimento no vídeo publicado no Instagram Reels!

Painel de Abraham Palatnik composto de linhas de diversas cores e espessuras formando, ao mesmo tempo, zig-zags e ondas, causando ilusão de ótica ao expectador.
Painel de abertura da exposição.

Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura é uma amostra grátis, literalmente, de toda uma trajetória multi- artística. Ela começa com obras bastante tradicionais, pinturas e desenhos do início da carreira, com traços delimitados retratando natureza morta, paisagens e, logo na primeira sala, um auto retrato do artista. Para o que não sabem nada sobre a história dele, pode rolar uma primeira impressão bem diferente do que espera pela frente, mas que é importante estar ali, contando sua história. Quem gosta de realmente se informar sobre o que está visitando está bem servido, porque além da linha do tempo de sua vida os dizeres nas paredes dão várias informações, além dos QR codes que levam ao link do folder digital, uma vez que não há distribuição de folders impressos como medida de prevenção nesse período de pandemia.

A variedade da sua produção, porém, começa a aparecer bem rapidinho à medida que novas salas vão sendo exploradas. Há uma simulação do seu ambiente de trabalho, objetos de design criados em meados do séculos XX compõe um cenário com tipos diferentes de mesas e assentos, criações lúdicas que poderiam facilmente ser usadas como brinquedos e uma aparição dos seus famosos Aparelhos Cinecromáticos, onde luzes coloridas se embaçam e movimentam atrás de uma tela. É envolvente ver como ele construiu algo assim cinquenta anos atrás (o que estava lá é datado de 1969), o industrial disfarçado de puramente estético com um toque orgânico. Foi uma pena pra mim não conseguir registrar, o ambiente é escuro pras luzes se destacarem e, por isso, nenhuma foto ou vídeo passa a real mensagem do que é visto. Mas garanto: lindo, lindo, lindo!

Autorretrato de Abraham Palatnik, que cuja imagem olha diretamente para o expectador com o rosto levemente virado. As cores do quadros se apresentam em grandes blocos disformes ao retratar um homem de pele clara, cabelos escuros e óculos de armação fina. Ele veste uma camisa em tons terrosos e a obra possui moldura de cor clara com detalhes ornamentações delicados.
Autorretrato (1945) – óleo sobre tela
Cenário com simulação do ambiente de trabalho do artista, com vários objetos que faziam parte da sua produção organizados de forma desordenada: papéis, tintas, esferas coloridas, cabos elétricos, ferramentas e circuitos generalizados. Há também uma máscara de proteção contra gases e dez fotos da oficina real do mesmo fixadas na parede alinhadas, como quadros decorativos.
Simulação do ateliê e oficina do artista
Móveis projetados por Abraham Palatnik: mesa de centro baixa, detangular, feita de madeira escura com tampo decorado em tons outonais formando objetos geométricos, mesa de jantar de metal com tampo colorido em tom forte acompanhada de quatro cadeiras de metal escuro com estofado claro, mesas de apoio de metal fino e escuro (uma alta, da altura da mesa de jantar, e a outra baixa, como a mesa de centro) com tampos decorados geometricamente, quadro minimalista de fundo claro com duas formas retangulares (uma escura a a outra, menos, em tom médio semelhante ao da moldura) e pequeno assento estofado em tom neutro, cortado pela moldura da foto.
Trabalho como designer de móveis
Pintura em vidro, que cria relevo em relação ao fundo de cor neutra, com fundo em degradê neutro e imagens abstratas de cores alegras no sempre, podendo representar barcos a vela (pela interpretação da visitante).
Pintura em vidro
Objeto lúdico criado pelo artista, representando um jogo de damas com tabuleiro simples e peças em resina em dois tons diferentes, representando times, e formatos circulares e quadrados dentro dessas cores.
Quadrado perfeito (1962) – madeira (tabuleiro) e resina (peças).

Objetos Cinéticos

Objeto cinético de fundo triangular, com formas circulares planas e maciças coloridas fixadas em cabos retos e ondulares, permitindo movimento determinado pelo artista, não perceptível na imagem, que é estática.
Objeto cinético (1990 – 1992) – madeira, fórmica, metal, tinta acrílica e circuito elétrico. Veja um exemplo em movimento no Instagram!

Agora falando de sua revolução particular de obras tridimensionais, e não somente na pintura que é plana, os Objetos Cinéticos são o destaque da mostra. Os aparelhos são motorizados, coloridos e muito fascinantes, parecem aqueles brinquedos que vemos tradicionalmente nas salas de espera de consultórios pediátricos, mas em escala maior e feitos para admirar, não brincar. Alguns estão fixados na parede, outros enchem a sala realmente como esculturas, você demora para entender que o movimento é mecânico e não eólico e não quer mais sair depois. Poderia ser um material didático fofo, mas é mistura belíssima de áreas que parecem ser opostas, como as artes e exatas, mas que podem se complementar, claramente! Pra deixar a coisa ainda mais legal, existe dentro de um vidro protetor alguns dos projetos dessas obras, com esboços e cálculos originais em papéis já envelhecidos, mas muito bem preservados.

Dois esboços visuais e matemáticos de objetos cinéticos criados pelo artista, onde se vê o planejamento da disposição de cabos e forma geométricas, além de algumas cores a serem usadas, acompanhado dos cálculos que permitiam seu funcionamento. Ambos estão dispostos em bases sem cor e seu papel apresenta aspecto amarelado, indicando oxidação causada pelo tempo.
Esboços e cálculos para objetos cinéticos, originais do artista.

Variedade de materiais e ilusões de ótica

Pinturas planas que apresentam efeito de ilusão de ótica de relevo, a primeira (menor) com predominância de tons quentes e a segunda com predominância de tons frios.
Duas obras Sem título (a segunda de 1984) em acrílica sobre tela

A partir daí, a exploração do orgânicos está presente em todas as obras da visita, seja na impressão passada a quem está as galerias ou mesmo na exploração do material em si, criando quadros de Jacarandá onde não há pintura, usando as cores da própria madeira ao representa-la. Ele também explora ripas de tela e cordas para criar algumas composições em tinta acrílica com bordas elevadas em formas compridas e curvas, metal para que suas linhas em onda e picos tenham brilho próprio e até cria relevos reais, super geográficos, cortando e montando papel cartão. O efeito visual é não só maravilhoso, mas quase difícil de entender, dá super vontade de “botar a mão” mesmo, sabe? Meu lado conservadora-restauradora grita, o apaixonada por artes ignora e segue no desejo (eu uso luvas, juro)!

Quadro feito de ripas de madeira organizados em baixo e alto relevos, pintados  de forma que a tinta ajude no efeito de ondas e picos formado na tela.
Sem título (1978) – óleo sobre ripas de madeira
Quadro em metal dourado, cortado de forma que haja variações na cor do mesmo ao formar onda e picos pontudos. A obra está fixada em moldura de madeira com um vidro na  frente.
Sem título (1979) – metal cortado.
Obra feita em cartão cortado, de cor clara, com seus pedaços formando relevos orgânicos tanto no plano horizontal quanto no vertical, fixada em moldura também de cor clara.
Sem título (1981) – cartão cortado.

Série W

Sala da exposição da mostra Abraham Palatnik - A Reinvenção da Pintura com chão de taco e parede em tom neutro, onde se vê quatro quadros na parede lateral (três em tons quentes, um em cores neutras) e um na parede do fundo (cores quentes). No chão é possível ver marcações brancas em frente de cada obra, determinando a distância segura que o expectador deve ficar das mesmas.
Ambiente da exposição com quadros em acrílica sobre ripas de tela (1 e 2) e madeira (3, 4 e 5): 1) T-21 (2004), 3) W-140 (2006) 4) W-141 (2006) e 5) W-222 (2008).

Por fim, a série W, que vem de “wood” (madeira, em inglês) cria mais uma vez quadros com baixo e alto relevos que formam linhas em onda e picos, mas dessa vez usando ripas de madeira cortadas a laser e pintadas em diversos tons diferentes. Pessoalmente, a cada nova obra que eu via, ganhava uma favorita para substituir a anterior. No fim das contas, todas merecem o favoritismo mesmo! O efeito é diferente visto de frente ou de ângulos laterais, pede que quem está vendo fique um tempo admirando enquanto se move tentando entender como foi criada a composição e onde começa e termina o uso da cor ou da posição das ripas em si. A tinta acrílica deixa a cor super intensa e ele usa, inclusive, tintas metálicas em alguns casos.

Quadro colorido, em diversas cores e tipos de tons, onde o uso de linhas de diferentes espessuras formando ondas e picos possibilitam efeitos de ilusão de ótica.
Acrícila sobre ripas de madeira.
Quadro em tons terrosos e metálicos, onde o uso de linhas de diferentes espessuras formando ondas e picos possibilitam efeitos de ilusão de ótica.
Acrícila sobre ripas de madeira.
Sala da exposição com chão de taco e parede em tom neutro, onde se vê dois quadros na parede à esquerda (um em tons quentes e outra em tons frios) e um na parede da direita (tons quentes). As obras usam mistura de cor e uso de ondas e picos para criar efeito de ilusão de ótica. No chão é possível ver marcações brancas em frente de cada obra, determinando a distância segura que o expectador deve ficar das mesmas.
Ambiente da exposição.

Leia também: #TBTCultural: Mostra “Raiz”, de Ai Weiwei

Sobre o artista:

Foto de Abraham Palatnik em que o artista se olhando para um de suas obras, que está sobre uma mesa, um quadro feito de largas linhas de muitas cores diferentes, frias e quentes. Nela, ela aparenta ser idoso, com cabelos brancos e rosto enrugado, veste camisa de cor clara, calça preta e óculos de grau. Atrás dele é possível ver uma parte de seu ateliê, com quadros nas duas paredes brancas, alguns materiais artísticos (como tintas e pincéis) em uma mesa de apoio ao seu lado e uma porta de madeira com vidro ao fundo. Os m´veis, que também estão presentes em outra mesa de apoio e uma estante, possuem tons escuros de madeira.
Foto do artista Abraham Palatnik durante a execução de um trabalho em alta resolução presente na entrada da exposição.

Abraham Palatnik nasceu em 19 de fevereiro de 1928, em Natal, Rio Grande do Norte. Seus pais eram judeus russos e se mudaram para Israel quando ele tinha 4 anos, onde estudou pintura, desenho, física e mecânica e produziu suas primeiras pinturas. Ao retornar ao Brasil aos 20 anos, foi morar no Rio de Janeiro, onde fez parte do Grupo Frente, de grande nome no movimento construtivista e nas artes plásticas nacionais. Começou a criar suas obras cinéticas e cinecromáticas, unindo suas áreas de estudo e interesse, a partir do final da década de 1940, após um período sem produzir, sendo pioneiro nessas tecnologias. Depois disso, ao explorar novas séries onde usufruía de outros meios de produzir sensações através de relevos de cor, passou a expor dentro e fora do Rio, cada vez mais. Suas obras rodaram os principais museus de arte moderna do mundo, como o MoMA, em Nova York.

Dados gerais:

Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura está em cartaz no Centro Cultural banco do Brasil, em Belo Horizonte, de 03 de fevereiro a 19 de abril de 2021. O CCBB se encontra na Praça da Liberdade, 450, aberto de quarta a segunda, das 10 às 22h. Como medida de proteção contra o COVID-19, a bilheteria da instituição não está funcionando e os ingressos gratuitos devem ser retirados no site eventim.com.br com tolerância de 15 minutos após o horário selecionado. É obrigatório o uso de máscara de proteção dentro das dependências do museu, além da medição de temperatura na entrada e distância entre visitantes determinada por sinalização presente no chão. o Serviço de guarda volumes está suspenso e não é permitida entrada com mochilas e malas, apenas bolsas de porte menor. A instituição disponibiliza dispensadores de álcool em gel em todos os andares do prédio.

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Malcolm & Marie

Malcolm & Marie: imagem em preto e branco do casal protagonista do filme em que Marie se deita sobre Malcolm, que está recostado em um sofá, com os rostos próximos e olhos quase fechados, como se estivessem prestes a se beijar.

Malcolm & Marie *****
Malcolm & Marie: poster do filme em preto e branco onde há uma imagem do casal protagonista recortada, com foco em seus rostos que olham um para o outro, e o título na frente. Em baixo se lê a chamada INSANO AMOR, a logo da Netflix e créditos do filme, em cima os nomes dos atores que interpretam as personagens. Elenco: John David Washington, Zendaya
Direção: Sam Levinson
Gênero: Drama
Duração: 106 min
Ano: 2021
Classificação: 16 anos
Sinopse: “O cineasta Malcolm (Washington) e sua namorada Marie (Zendaya) voltam para casa, após a festa de lançamento de um filme, para aguardar o iminente sucesso de crítica e financeiro. A noite de repente toma outro rumo quando revelações sobre o relacionamento começam a surgir, testando a força do amor do casal.” Fonte: Filmow.

Comentários: Após o lançamento do seu mais recente filme, Malcolm e sua namorada Marie voltam para casa com climas completamente diferentes, uma vez que ele está claramente animado celebrando a grande vitória da noite e ela apresenta olhar e comportamento que demonstram estado de espírito oposto ao dele. Enquanto vão conversando, às vezes em diálogos, outras em monólogos, sobre os acontecimentos do evento, uma série de mágoas e ressentimentos vão sendo colocados para fora em meio às pontuais declarações positivas e trocas de carinho madrugada afora, permitindo que quem os assiste entre profundamente na suas frustrações sem tomar partido na discussão, uma vez que ambos parecem fazer igualmente mal um ao outro, apesar dos sentimento genuíno que compartilham.

Lançado hoje pela Netflix com direção de Sam Levinson e elenco que se resume a apenas o casal protagonista, interpretado por John David Washington e Zendaya, Malcolm & Marie é um filme em preto e branco de temática contemporânea que se passa em apenas uma noite dentro da casa do casal, que é toda de vidro, no permitindo observa-los tanto quando a câmera nos coloca do lado de dentre dentro quanto quando permanece ao seu redor. A fotografia é belíssima, mesmo que seja uma casa de gente rica comum, sem muitos detalhes, como se fosse possível estar presente na vida deles intimamente e, ao mesmo tempo, ir descobrindo que existem cicatrizes tão profundas naquela relação que ninguém conseguiria vê-las de fora, uma vez que nem os dois parecem saber que aquilo tudo está ali até, enfim, verbalizar.

Malcolm & Marie: imagem em preto e branco do casal protagonista do filme onde ambos estão em um ambiente aberto, sentados em cadeiras de jardim com uma mesa entre eles. Marie veste apenas calcinha e uma camiseta e está soprando a fumaça do cigarro que está em sua mão, fora do enquadramento da imagem, enquanto Malcolm olho para suas mãos, que está juntas e levantadas em frente ao seu peito.
Malcolm & Marie: Imagem via Geek Tyrant

É impossível negar que os dois se amam, mas isso não torna o relacionamento saudável. Ambos precisam trabalhar questões fortes, tanto de si mesmos quanto a dois, e machucar o outro é uma ferramenta poderosa muito utilizada, mas que sempre sai pela culatra porque faz mal pra todos os lados. Achei a oscilação entre o ataque e o carinho MUITO real, completamente possível de acontecer em qualquer convívio próximo de qualquer família, mas não consegui tomar partidos porque, realmente, o fator tóxico ali, que corrói a convivência apesar do desejo de estar junto, é mútuo. Em alguns momentos em que destila seu machismo você tem vontade de mandar o Malcolm calar a boca, em outros de fazer o mesmo com a Marie, e eles mesmo não conseguem expor isso sempre se rendendo ao mesmo ciclo de escapes pessoais, como música, bebida, cigarro e tentativas de realizar tarefas corriqueiras, cada um ao seu modo.

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O ponto mais alto de todos, depois das atuações absoluta e inquestionavelmente impecáveis, é a trilha sonora, que não serve somente para dar às cenas o tom que o diretor deseja passar, mas também fala pelas personagens tudo aquilo que elas não conseguem dizer. Em cenário de amargura tão profunda, que podia ser corrigida com palavras simples como “obrigado” e “desculpa”, mas que só chegam quando já é tarde demais, a relação é pesada e apesar do filme não ser muito longo, com pouco mais de uma hora e meia de duração, você chega ao final exausto, como se tivesse vivido a noite junto com os dois, mas o cansaço é puramente mental pela dificuldade de ver a insistência em se machucar tão explícita em tela.

Particularmente acho que tem potencial para não ser tão amado por quem não sabe o que esperar, graças aos textos muito compridos e convívio saturado das poucas pessoas que vemos em tela, sempre no mesmo ambiente bicromático, mas me afetou de forma que acho ser exatamente o objetivo do longa, que foi cumprido. Por fim, fica aqui a curiosidade de que não é só o elenco que é pequeno, mas toda a produção foi reduzida para que fosse iniciado e lançado nesse último ano, durante a quarentena, sendo inteiramente gravado em apenas duas semanas no início da pandemia, quando as medidas de proteção estavam no auge. Podia ter dado bem errado, mas felizmente foi o contrário e o resultado é impactante!

Trailer:

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