Cruella: um filme regado a moda, dálmatas e rock n’ roll!

Foto da personagem Cruella, que tem os cabelos curtos encaracolados divididos ao meio entre as cores preto e branco, usando uma máscara preta, batom e vestido vermelhos em um baile de gala, onde olha para alguém que está fora da imagem com ar de deboche.

Cruella *****
Pôster do filme Cruella, que tem o nome da atriz que interpreta a personagem título, Emma Stone, no topo, fundo dividido com as cores preto e branco, como os cabelos que ela apresenta na foto que ocupa toda a imagem. A personagem também usa batom vermelho vibrante e roupa preta elegante, segurando oma bengala apoiada nas costas com as duas mãos. O título também aparece em vermelho, à sua frente. Elenco: Emma Stone, Emma Thompson, Joel Fry, Paul Walter Hauser, Emily Beecham, Jamie Demetriou, Joey Akubeze, John McCrea, Kirby Howell-Baptiste, Mark Strong, Kayvan Novak
Direção: Craig Gillespie
Gênero: Aventura, Comédia
Duração: 134 min
Ano: 2021
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Inteligente, criativa e determinada, Estella quer fazer um nome para si através de seus designs e acaba chamando a atenção da Baronesa Von Hellman. Entretanto, o relacionamento delas desencadeia um curso de eventos e revelações que fazem com que Estella abrace seu lado rebelde e se torne a Cruella, uma pessoa má, elegante e voltada para a vingança.” Fonte: Filmow.

Comentários: A jovem Estella perdeu a mãe ainda muito nova, tendo que aprender a se virar nas ruas de Londres ao lado dos amigos que fez ali e a aceitaram mesmo com o cabelo incomum, dividido exatamente ao meio nas cores preto e branco, que ela aprende a disfarçar tingindo de ruivo. Entre um “trabalho” e outro, ela sabe que seu sonho MESMO é trabalhar para a Condessa, um ícone da moda britânica que anda sempre acompanhada de seus dálmatas de estimação e é, para ela, uma inspiração. Aos poucos, porém, a jovem percebe que aquele meio no qual almeja tanto entrar pode ser mais ingrato do que pensava e decide então mostrar o lado dissimulado e caótico que tem dentro de si, soltando sua criatividade num plano de vingança pessoal que a transforma nesse ícone muito maior que imaginou ser um dia: Cruella!

Lançado em maio desse ano no acesso premium pago à parte da plataforma Disney+ e agora finalmente liberado para todos os assinantes do streaming, o longa é protagonizado por Emma Stone, que nos faz amar uma vilã imperdoável, ao lado de Emma Tompson, que dá vida a alguém ainda pior e sua genialidade impede o objetivo de nos fazer odiá-la. Em Cruella, a Disney reinventou uma personagem antiga, tão estilosa quanto cruel, e levou direto para o cenário londrino da década de 1970, dando a ela visual de roqueirinha maravilhoso acompanhado de trilha sonora 100% à altura. O ritmo do filme não é dos melhores, fica um pouco lento em diversas partes, mas ao contrário de A Bela e a Fera, onde essa característica atrapalha o acompanhamento da história, as músicas bem selecionadas e humor inteligente ajudam a manter a atenção ao longos dos vários pequenos clímax.

Foto da personagem Cruella olhando diretamente para a câmera com seus olhos azuis e olhar dissimulado. Ela está em um ambiente que parece uma redação de revista ou jornal, bem iluminado, e o close mostra apenas a parte de cima da sua roupa de couro preto pesada, os cabelos curtos metade da cor preta e a outra metade branca e o rosto, onde usa um batom vermelho vibrante.
Cruella: Imagem via The New York Times.

O fato de ser uma nova história, porém, não faz com que o filme não seja atrativo para fãs das animações e live actions de 101 Dálmatas lançadas anteriormente – muito pelo contrário! Sua música tema, “Cruella DeVill”, também ganhou outra história e está presente em toda a trama, em ritmo novo que combina totalmente com o resto das músicas (todas parte integrante da minha playlist do dia a dia, gente). As personagens novas, humanas e caninas, são bem trabalhadas e as “velhas” ganharam visual e personalidades repaginados que fazem muito mais sentido. Um exemplo disso é o fato de que a amizade com essa vilã por parte da Anita não fazia sentido NENHUM na minha cabeça quando assistia ao desenho, desde criança, e agora elas ganharam motivos para essa relação, até na cena entre créditos que é a coisa mais fofa do mundo e precisa ser vista…

Leia também: Resenha do live action A Dama e o Vagabundo, que lançou exclusivamente no Disney+.

Veja bem, não é que tiraram a essência surtada da protagonista, disposta a qualquer loucura para chegar onde deseja. Ela tem isso, e consegue ser um tanto quanto má também. Mas, sinceramente, em pleno 2021 eu não quero ver um filme sobre uma mulher que sequestra filhotinhos para fazer um casaco de pele, né? Não faz SENTIDO esse plot atualmente, e não é por isso que o potencial dela de viver uma nova narrativa devia ser desperdiçado, dessa vez abordando problemáticas da indústria da moda, entre outras. Essas releituras dos clássicos não vieram “justificar” suas ações do passado, mas para dar a eles um olhar mais contemporâneo e inspirador. As animações continuam existindo pra quem gosta, e os live actions passam a existir pra quem quer curti-los também. E dessa vez, assim como na maioria dos lançados até agora, eu curti DEMAIS!

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Soul

Soul: Imagem do personagem Joe Gardner, um homem adulto negro, usando um chapéu sentado em frente a uma piano de causa. O personagem é um desenho de animação.

Soul *****
Soul: poster do filmes onde o título se encontra no alto, ao fundo, sendo a letra O um grande círculo luminoso de onde sai uma escada em forma de teclas de piano. Nos degraus de baixo se encontra Joa, protagonista da história, e seu gato. Sobre a letra L está Joe em sua forma de alma e a aprendiz 22, também na mesma forma. Elenco: Jamie Foxx, Tina Fey, Angela Bassett, Phylicia Rashad, Ahmir-Khalib, Alice Braga, Daveed Diggs, Graham Norton, June Squibb, Rachel House, Richard Ayoade,Wes Studi (dublagem original)
Direção: Pete Docter
Gênero: Animação
Duração: 100 min
Ano: 2020
Classificação: Livre
Sinopse: “Joe Gardner é um professor de música de ensino fundamental desanimado por não conseguir alcançar seu sonho de tocar no lendário clube de jazz The Blue Note, em Nova York. Quando um acidente o transporta para fora do seu corpo, fazendo com que ele exista em outra realidade na forma de sua alma, ele se vê forçado a embarcar em uma aventura ao lado da alma de uma criança que ainda está aprendendo sobre si, para aprender o que é necessário para retomar sua vida.” Fonte: Filmow.

Comentários: Vencedor do Oscar de Melhor Filme de Animação e Melhor Trilha Sonora no Oscar 2021, além de ter sido indicado também para Melhor Som, Soul foi o lançamento lançamento da Pixar para o segundo semestre de 2020, com estreia na plataforma Disney+ no Natal. Seu protagonista é Joe Gardner, um professor de música que sempre sonhou ser pianista profissional de jazz. No dia que o músico tem sua grande chance de “chegar lá”, porém, sofre um acidente e morre, sendo encaminhado para uma “existência posterior”. Se recusando a perder o auge de sua vida, Joe tenta encontrar um modo de retornar à Terra, e é através de 22, uma alma ainda não nascida que se recusa a encarnar, que ele enxerga sua chance, tentando ajuda-la a se encontrar enquanto, na verdade, só quer voltar para seu corpo e as maravilhas que o aguardariam nele.

Através do típico “jeitinho Pixar” de encantar crianças e adultos ao mesmo tempo com temática densas apresentadas de forma divertida, o longa fala de vida, morte e do nosso suposto “propósito” no trajeto entre as duas, tudo isso com referências culturais e históricas e uma trilha sonora que é, definitivamente, seu ponto alto. Depois de ter passado um tempo estudando o Renascimento do Harlem ano passado, fiquei feliz em assistir um filme sobre jazz com um protagonista negro em cenário contemporâneo, quase 100 anos depois do auge do movimento, mostrando o quanto esse estilo segue ligado à população afro-americana e valorizando essa ligação. Por outro lado, não consigo deixar de problematizar que mais uma vez, assim como Tiana em “A Princesa e o Sapo”, ele passa a maior parte do tempo fora desse corpo representativo, mesmo que sua imagem esteja presente, reduzindo levemente esse protagonismo, infelizmente.

Soul: Imagem dos personagens 11 e Joe em forma de alma, duas criaturas de cor clara azulada. Atrás deles há um display com vários tipos de comida e Joe oferece uma fatia de pizza a 22, sorridente, que o olha de forma descrente.
Soul: Imagem via What’s After the Credits.

Depois da trilha sonora e dessa relação da mesma com uma minoria que ainda está ganhando espaço na cultura pop, outro destaque é o carisma das personagens. 22 é uma mistura da travessura e inocência infantil com o “peso” da maturidade, de forma difícil de explicar, mas identificável em vários pontos, o que junto com seu visual “fofinho” acaba gerando muita empatia do público em relação à mesma, que já ganhou seu próprio curta metragem no serviço de streaming. O próprio Joe causa esse afeto como personagem, fazendo com que a gente torça MUITO por ele, o tempo todo, querendo voltar pro início e impedir sua morte, pra começo do conversa. O núcleo secundário também é fascinante, principalmente os amigos e familiares dele na Terra, bem mais gostosos de acompanhar do que a parte no “Além”, que achei meio maçante, apesar das mensagens bacanas que passa.

Leia também: Resenha do filme Os 7 de Chicago.

Em resumo, o filme tinha “a faca e o queijo na mão” para ser genial, mas, como ponto negativo, faltou coragem por parte dos roteiristas de fazer um final um pouquinho mais ousado, tirando o estigma da morte como fracasso como fizeram em outras produções do estúdio. Por outro lado, ele não ultrapassa a linha tênue entre a positividade saudável e a tóxica, repensando nosso modo de buscar objetivos sem forçar um “papo de coach” que mais atrapalha do que ajuda. Eu resumiria esse recado não com palavras minhas palavras, mas com as de John Lennon: “vida é o que acontece com você enquanto está ocupado fazendo outros planos”¹. Nem sempre temos a chance de aprender isso ainda aqui e, depois, não tem como voltar, então que vivamos o agora não sem planos, mas também além deles.

Trailer:

¹ John Lennon. Beautiful Boy (Darling Boy). Double Fantasy. Nova York: The Hit Factory, 1980. Faixa 7, Lado A.

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Lookbook: Miska, muska, Mickey Mouse!

Lookbook: Miska, muska, Mickey Mouse!

ALÔ 2020! O ano novo já não é tão novo assim, duas semanas já se passaram mas é a primeira vez que dou as caras aqui na década de 20, então primeiramente vou desejar aqui pra todo mundo que seja o mais maravilhoso possível e “segundamente” aproveito pra mostrar o meu look da virada, que passei aqui mesmo dentro de casa comendo uma massa gostosona e tomando Coca Cola com uma parte das pessoas que considero família (pois eu não tinha nem dois reais pra esfregar um no outro, quiçá sair de casa)!

Eu gosto muito de passar o Réveillon de roupa nova, não importo muito com cor ou formalidade, sendo novidade já me basta. Aí algumas semanas antes do natal vi o anúncio de uma calça LINDA da Marisa, cintura alta cheia de rostinhos do Mickey, e mandei no grupo aqui de casa pra mamãe e Daninha verem. Quando chegou a noite de natal o que encontrei dentro de um saco de presente? Um “De: Mamãe Noel, Para: Lulynha” contendo não só ela como também uma blusa branca do personagem, funcionando juntas sem ficar exagerado e obviamente também separadas, coisa mais linda! E aí, pronto, já nem precisei pensar muito, sabia o que estaria usando quando 2020 chegasse em forma de fogos barulhentos, abraços sorridentes, ligações de queridos e carinho na gata pra ela não se assustar!

Lookbook: Miska, muska, Mickey Mouse!
Blusa Mickey Mouse: Marisa + Disney | Jeans Mickey Mouse: Marisa + Disney | Óculos vermelhos: Ray-ban | Sapatos azuis: Beira Rio

Usei os sapatos do Baile de Inverno do Potter Club, que já marcou vários outros momentos da minha vida, inclusive o lançamento do meu próprio livro. Não uso muito salto nem pra sair, que dirá pra ficar em casa, né, mas esse sapato faz parte de um ritual de ano novo que me apresentaram no anterior e resolvi repetir nesse, com outras metas e objetivos. Eu não sou cética e nem mega crente nessas coisas, apenas gosto de colocar em prática, mesmo. Ah, ficar “arrumadinha” não ia fazer mal também, né? Ele é azul escuro, bem fechado, um tom mega neutro que funcionava com o resto do conjunto e, vejam que coincidência(!), também foi comprado na Marisa. Podia ser um look todo patrocinado, mas infelizmente não era, hahahahaha.

Lookbook: Miska, muska, Mickey Mouse!

E agora é aquele momento sinceridade que acontece com certa frequência nesses posts de look: essas fotos não foram tiradas na virada de verdade. Eu pretendia dar uma saída no dia primeiro pra isso, aproveitar um cenário bonitinho na praça aqui perto, mas choveu e não deu pra colocar o plano em prática. Sendo assim as peças ficaram aqui, dobradinhas em cima da minha cadeira, esperando por uma oportunidade, até que no sábado seguinte fui modelo no curso de maquiagem da L’Oreal que minha amiga Julys Costa está fazendo e percebi que a hora tinha chegado porque ela arrasou DEMAIS. Dessa vez, porém, o cenário era TEMPESTADE, então fotografei dentro de casa, mesmo. Mas sei lá, acabei gostando, ficaram bonitinhas, e é só! Feliz 2020 pra todo mundo, que seja MÁGICO!

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Frozen II

Frozen II

Frozen II *****
Frozen II Elenco: Idina Menzel, Kristen Bell, Jonathan Groff, Josh Gad, Alfred Molina, Evan Rachel Wood, Jason Ritter, Martha Plimpton, Rachel Matthews, Santino Fontana, Sterling K. Brown
Direção: Chris Buck, Jennifer Lee
Gênero: Animação
Duração: 103 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: Anna, Elsa, Kristoff e Olaf se aventuram nas profundezas da floresta para descobrir a verdade por trás de um antigo mistério do reino.” Fonte: Filmow.

Comentários: Depois do sucesso estrondoso de “Frozen: Uma Aventura Congelante”, lançado 6 anos atrás, a Disney resolveu apostar em uma continuação como seu destaque da virada de ano em 2019/2020. A história das irmãs órfãs Rainha Elsa e Princesa Anna de Arandelle, após enfim aprender a controlar os poderes de gelo da primogênita que quase colocaram tudo a perder quando foi coroada, continua, dessa vez numa jornada em busca da paz entre seu reino e o da floresta presente em seus arredores, dois povos antes tão amigos que se separaram após uma inexplicável batalha presenciada por seu falecido pai ainda quando adolescente. O que impulsiona essa viagem, ao lado dos inseparáveis companheiros Kristoff, Olaf e Sven, porém, é um chamado musical que apenas Elsa consegue escutar, provando a ela que existe mais por trás desse velho “conto de ninar” do que elas imaginam…

Apesar de AMAR o primeiro e ter um carinho muito grande por ele, preciso admitir que o sucesso não condiz com a qualidade em si. Frozen apresenta vários furos no roteiro e aparições desnecessárias, o que faz muito sentido uma vez que originalmente estava planejado para contar uma história bem diferente da que foi lançada. Ainda assim o carisma dessas irmãs que são o amor verdadeiro uma da outra e dos seus amigos, que funcionam como alívio cômico em diversos níveis diferentes, conquistou o mundo a ponto de conseguir duas continuações em curta metragem e agora, enfim, um longa. Esse, por sua vez, não só corrige os erros passados como também traz uma nova trama tão envolvente e deliciosa que passa de forma fluida e, quando pertinente, bastante divertida.

O aspecto principal do filme, a relação em constante reconstrução de Elsa e Anna, permanece sendo o ponto forte. As duas se unem em busca do seu passado, como forma de garantir o futuro, mas também abrem mão uma da outra quando necessário. Ambas mantém suas personalidades, mas claramente cresceram bastante desde que nos foram apresentadas e esse crescimento é ainda maior do início para o final dessa nova aventura. Eu adoro analisa-las de acordo com seus signos solares, uma vez que a Disney divulgou suas datas de nascimento como sendo nos solstícios de inverno e verão do hemisfério norte, respectivamente. Elsa é toda de capricórnio (faz aniversário hoje!) e Anna tão canceriana que parece até que os roteiristas levaram isso em consideração ao construí-las. São signos opostos complementares como as duas, cada uma é MUITO brilhante ao seu modo e especiais quando juntas, mais uma vez. Um foco belíssimo que, felizmente, permanece.

Frozen II
Elsa e Bruni em Frozen II | Imagem via Star Tribune

Um novo grupo de personagens coadjuvantes é apresentado com os moradora da floresta, nenhum deles se destaca mais que o “elenco” original, mas todos têm sua função na história, não tem nada “jogado” como foi o Duque de Weselton no primeiro, que não trouxe nenhum propósito além de risadinhas fracas. Somos apresentados também aos espíritos dos quatro elementos da natureza enquanto elas descobrem a possibilidade de um quinto espírito, e é nesse momento que Bruni, uma salamandra super fofinha que representa o fogo, capta os corações da platéia. A escolha da iconografia dos espíritos e da ação de cada um é super pertinente e, eu diria, foge um pouco do clichê que se forma na nossa mente quando pensamos no assunto. Escolha certeira e, claro, mil possibilidades para merchandising.

Gostei muito do desenvolvimento do Olaf nessa continuação porque, mesmo sendo um grande queridinho do público, era uma personagem com a qual eu não simpatizava muito, como alívio cômico o Sven me atraía mais. Dessa vez ele não só diverte como também levanta questões e curiosidades que, de fato, influenciam na trama, mas sem perder seu lado engraçadinho. Assisti à versão dublada e a voz do Fábio Porchat é o grande destaque nela, combina perfeitamente! Inclusive, se você gosta dele, não deixe de ficar até o final para uma cena pós créditos singela, mas que vale a espera. Os demais “secundários principais” permanecem com a mesma relevância de sempre, nem ganho, nem perda.

Por outro lado as músicas tema não têm a força da trilha sonora anterior! O hit “Into The Unknown” não chega nem perto do intenso “Let It Go” e mesmo que os números sejam sensíveis, com o visual super bonito, você não sai do cinema com nada “grudado” na cabeça. Talvez para os pais sejam uma vantagem, mas se tratando de um musical foi levemente decepcionante. Já no que diz respeito à versão brasileira, as dublagens são maravilhosas com a triste exceção da Elsa, que infelizmente não consegue ter a qualidade vocal e personalidade da Idina Menzel… Ainda assim vale a pena pelas demais personagens, com suas piadas pertinentes e algumas lágrimas de alegria pelo final digníssimo carregado de emoção. Eu simplesmente amei o desfecho e, agora que o assisti, não consigo pensar em nada melhor!

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A Dama e o Vagabundo

A Dama e o Vagabundo

A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp) *****
A Dama e o Vagabundo Elenco: Tessa Thompson, Justin Theroux, Kiersey Clemons, Thomas Mann, Janelle Monáe, Adrian Martinez, Arturo Castro, Ashley Jensen, Benedict Wong Bull, Marie Burke, Matt Mercurio, Yvette Nicole Brown
Direção: Charlie Bean
Gênero: Romance
Duração: 104 min
Ano: 2019
Classificação: 10 Anos
Sinopse: “A história de amor entre a Lady (Tessa Thompson), uma cocker spaniel mimada, e um vira-lata chamado Vagabundo (Justin Theroux), que salva a cadelinha do perigo de vagar sozinha perdida pelas ruas.” Fonte: Filmow.

Comentários: Adaptado da animação de mesmo nome lançada em 1955, A Dama e o Vagabundo é o primeiro nessa nova geração de live actions Disney produzido exclusivamente para plataforma de streaming da empresa, Disney+, prevista para estrear no Brasil em novembro de 2020 e já no ar em alguns países. Nele, Lady é o centro das atenções de sua família desde que Jim Querido a deu de presente para sua esposa, Querida, que são chamados pela cocker spaniel assim porque é como os escuta falar. Após o nascimento de Lulu, primeira filha do casal, ela começa a notar mudanças na rotina na casa e conhece um vira latas conhecido como Vagabundo, que tenta mostrar a ela que o mundo é muito maior que as cercas de sua vizinhança e que a vida nas ruas é melhor, apesar da instabilidade e o risco iminente de ser pego pela carrocinha.

O filme é muito fiel à animação no quesito visual e enredo, com algumas diferenças pontuais sem perder a essência da história. Por se tratar de um longa para “televisão” (nesse caso streaming, mas ainda assim uma mídia que não foi lançada nos cinemas) fiquei surpresa com o capricho da produção de um modo geral, os cenários são bonitos, atuações/dublagem impecáveis e computação gráfica dos animais caprichada em quase todas as cenas, são poucas as que ficaram artificiais. Uma grande reclamação do público em relação a “O Rei Leão” foi que as emoções das personagens se assemelhavam às reais do reino animal, e não de humanos como nos desenhos, e esse filme, por usar cachorros de verdade como parte do elenco, também é assim, o que para mim é uma vantagem. Na verdade acho muito problemático essa dificuldade que as pessoas têm de identificar sentimentos que não sejam humanos, como se esses fossem superiores. Talvez seja hora de mudar o próprio pensamento, e não as produções que tendem pro realismo…

Leia também: Aladdin, resenha do live action lançado pela Disney nos cinemas em maio de 2019.

A Dama e o Vagabundo
A Dama e o Vagabundo | Imagem via Collider

Apesar da fidelidade, os mais nostálgicos podem se incomodar com modificações pontuais. Algumas sutis, como a troca de gênero do bebê e de Joca, um dos melhores amigos de Lady (nessa versão, Jackline), outras mais inclusivas em mudanças de etnias, e em pontos necessários, para que a adição de 30 minutos de uma versão para a outra funcione de forma fluida. Nesse quesito “adaptação” a única coisa que senti falta realmente foi a exploração das características de cada raça, que no desenho aparece a todo momento causando cenas de humor e emoção. Não atrapalha, é só um detalhe, mas que foi bastante minimizado, infelizmente, porque era bem real.

Ainda no que diz respeito às diferenças, uma que poderia acontecer de forma maravilhosa, mas que infelizmente a Disney não soube aproveitar e deixou a situação ainda pior, foi a cena da canção dos siameses. Apesar de não dar raça a eles, o que foi bem legal, ao invés de suavizar a suposta rivalidade entre cães e gatos fizeram o contrário, os felinos foram retratados de forma ainda pior! É uma pena, porque o longa tem uma mensagem super forte de incentivo à adoção de animais de rua, tendo inclusive um recadinho nos créditos finais… Parte do elenco encontrado em abrigos, curiosidade que foi largamente divulgada justamente para mostrar a necessidade de resgatar animais domésticos sem raça definida, mas reforçando a ideia de que gatos são os malvados da história… Apesar do filme ter me emocionado muito em diversos momentos, principalmente porque AMO o original, fiquei bem chateada com isso.

E já que falamos de música… Num filme Disney tem como NÃO falar de música? Os outros números estão todos presentes, lindos como sempre! Kiersey Clemons, intérprete da Querida, tem uma voz linda quando canta a canção de ninar, que achei que seria minha maior decepção do filme ao ser alterada, mas à medida que o final foi chegando eles “corrigiram” de forma tão linda que o coração ficou até mais quentinho. O clássico “Bella Notte”, minha cena favorita(!), ficou mega romântica e emocionante, mas o grande destaque dessa versão nesse aspecto é “He’s a Tramp”, tema de Peg e seus amigos do canil. Se o resto já não tivesse lindo por si só esse pedacinho já valeria toda a experiência, ficou incrível!

Trailer:

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