Aqui foi o começo de tudo

Capa da revista W.I.T.C.H. de fevereiro de 2003, onde uma das personagens, Will, tem sobre sua mão um objeto mágico que fazia parte da história. Abaixo, entre as reportagens anunciadas, se lê 'Descubra o blog: o diário da internet'.

Em 2002, quando eu tinha uns 11, 12 anos, todas as minhas amigas tinham internet em casa, menos eu. Na época o IG era o provedor gratuito mais popular entre elas, e com isso teve uma grande onda de criação de sites no domínio HpG deles. Eram páginas onde colocavam informações e imagens copiadas de outros lugares, com anúncios de produtos que não vendiam, só porque todo mundo fazia igual, mesmo. Eu também queria ter um, não pra copiar coisas das internet, mas pra colocar tudo que sabia sobre Harry Potter e, quem sabe, convencer as pessoas a ler também, sei lá, acho que a produção de conteúdo já tava doida pra nascer aqui dentro. E nesse contexto de desejar horrores algo que eu não poderia ter li, numa revista W.I.T.C.H., sobre blogs pela primeira vez. Foi aqui, nesse ponto da história, o começo de tudo.

Talvez por ser “certinha” demais, talvez por ter um tio analista de sistemas que já falava sobre comportamento on line, mas o que elas tinham não era o bastante pra mim. Nem culpo as meninas, não, eram crianças brincando de se tornar adolescentes, só curtindo a fase e a tendência do momento, tá tudo bem. Mas quando li sobre os blogs, sobre a possibilidade de ter um espaço que se assemelhava a um diário (algo que sempre mantive) onde eu poderia me expressar do meu jeito, puts… Parecia bom demais pra ser verdade. Ainda assim eu não tinha como criar um, o computador lá de casa casa era mais pro trabalho dos meus pais, eles já me deixavam jogar nele, era bom demais pra ser verdade e, novamente, não tinha internet. No meu aniversário de 13 anos, porém, tudo mudou.

A gente tinha mudado pra Belo Horizonte há poucos meses e tava sem computador NENHUM, então ganhei um já usado, mas aos meus olhos tão precioso que merecia aquele espacinho do quarto só pra ele. Uma das primeiras coisas que fiz, antes de ter internet (o que demorou uns três meses), foi abrir o Power Point, que era uma ferramenta que eu sabia usar relativamente bem, e criar meu primeiro blog ali. Eu sei, ok, não era um blog de verdade, mas foi meu primeiro ainda assim. Minha novas amigas da nova cidade me passavam imagens usando disquetes, um monte de gifs da Hello Kitty e do Garfield, e ficava eu, felizinha, decorando meu falso bloguinho com eles fingindo pra mim mesma estar realizada. Mas não estava. Eu queria um blog de verdade, e quando instalamos um discador da Click 21, que também era gratuita, corri pra cria-lo!

Blig, Blogger Brasil, Weblogger, não sabia qual opção era melhor. Pra mudar o “fundo” tinham códigos HTML, coisa que nunca tinha ouvido falar. Fiquei sabendo que o site da Dakotinha, a marca de sapatos, tinha uma ferramenta de criação de blogs bem simples e resolvi apostar, criando lá meu segundo primeiro blog. Esse sim, tinha um endereço, área de comentários, troca de ideias, era muito legal. Mas as meninas normalmente usavam só pra copiar e colar mais gifs, então entrei na onda, melhor isso do que nada, né? Mandei o link pra uma amiga da outra cidade por SMS e ela respondeu com o dela, no Blogger (o antigo, da Globo!) e, gente, tudo muito diferente! Tinha o tal template tirado de um tal template shop. ela escrevia seu dia a dia com área legal pra perfil onde dava pra colocar até música e calendário. Eu queria um DAQUELE JEITO!

Pesquisei HORRORES até descobrir como funcionava. Criei conta em todas as plataformas existentes e, no chute, escolhi o Weblogger como opção ideal. Nele, criei meu terceiro primeiro blog, o “Mione Pink”, que depois virou “Legally Elle Woods” (ai, eu tinha TREZE ANOS, dá um desconto, vai?), um espaço que me ensinou a ser blogueira de verdade. Aprendi tanto nessa fase! Trocava de template como quem troca de roupa, criava meus próprios gifs, fui caminhando até pra criar os templates em si. Tive outros primeiros blogs nesses outros sites, vários comunitários com um monte de gente, o desejado blog pra falar de Harry Potter e um pra cada coisa que gostava. Vivi começo atrás de começo nesse processo, minha vida se resumia a isso: escola durante a semana, blogs aos sábados após as 14h e domingo o dia inteiro… Só quem viveu a internet discada entende.

O resto da história, vocês já sabem… Cansada de pular de um endereço pro outro e conhecendo o mundo das “blogueiras patty”, que eram felizes sendo elas mesmas e mostrando que eu podia ser também, decidi que não teria outro “primeiro blog”: teria o MEU BLOG, ponto final. E foi assim que nasceu, nos primeiros 33 minutos de 26 de junho de 2004, o Sweet Luly. Nem vou me alongar aqui sobre como tudo mudou de lá pra cá, não é o foco… Só sei que sempre vou guardar essa revista W.I.T.C.H. que me deu o pontapé. Esse mês o blog completa 17 anos e ao longo de junho farei posts bem variados que tenham a ver com cada ano que ele passou no ar, começando por esse, que representa o próprio 2004, contando a mini Ilíada que me trouxe nessa linda Odisseia de estar aqui!

Aqui foi o começo de tudo | Dia 01 do Sweet Luly Especial 17 anos: posts dedicados a cada ano de vida do blog ao longo de junho de 2021!

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3 Comments

  1. Que peripécias! Digna de uma seguidora de Harry Potter, que fiz questão de comprar para as minhas filhas por entender que as estimulavam a ler. Como leitor habitual desde garoto, sempre as incentivei a ler e por livros à disposição. Quando os computadores se tornaram mais baratos, comecei a usá-los mais frequentemente e as meninas puderam desenvolver o conhecimento que hoje apresentam. A diferença é que você estabeleceu como foco chegar onde chegou. Bravo, Luly!

  2. Eu também criei meu blog porque vi a ideia em uma revista (Capricho) e achei demais! Lembro que no primeiro MESMO eu copiava as notícias da própria revista pra postar por lá, hahahaha!

    Amei saber da criação do seu blog, inclusive do primeiríssimo feito no PowerPoint. Seria muito legal se tivesse imagens dele, hahaha.

    Feliz 17 anos de blog! ??

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