7 mulheres do Pós-Impressionismo que precisamos conhecer!

7 mulheres do Pós-Impressionismo que você precisa conhecer: foto de Luly Lage sorrindo, vestindo uma camiseta preta, cercada de quatro obras criadas por mulheres pós-impressionistas, com o nome do movimento artístico escrito em baixo.

Quando pensamos em movimentos artísticos, normalmente vem em nossa mente conjuntos de obras que possuem características e meios de produção semelhantes, tentando se opor ao movimento anterior. Depois de uma quebra brusca nesse ciclo da história da arte ocidental através do Impressionismo, no fim do século XIX, artistas passaram a adotar cada vez mais posicionamento vanguardista, buscando estilo próprio condizente com suas necessidades ao se expressar. Com a última grande exposição impressionista em 1886, surgiu na França e espalhou-se pela Europa e outros países que a tinham como referência o Pós-Impressionismo, um conjunto de artistas que pintavam de formas diversas e ainda tinham pensamentos semelhantes ao movimento anterior, visando a quebra com a arte realista, romântica e clássica, sem limitar-se, porém, a retratar os efeitos da luz no momento que pretendiam retratar, passando até a usar contornos bem fortes e tornando-se cada vez mais mal vistos pela academia.

O contexto histórico no qual o pós-impressionismo estava inserido era o de uma sociedade bastante industrial. Um grande marco dessa época foi a Torre Eifell, que celebrava os 100 anos da Revolução Francesa em 1889 e consistia num monumento gigante feito de metal que demonstrava o quanto a estética preferida pelas pessoas vinha se transformando. Os principais artistas desse momento são Gaugin, Cézanne (dois grandes nomes do impressionismo) e Van Gogh, além do boêmio Henri de Toulouse-Lautrec, que com seus cartazes de cabarés foi um dos responsáveis pelo surgimento do design gráfico, dando à arte papel não apenas erudita e decorativo, mas também aplicado no cotidiano. Por mais que elas não estejam tão presentes em livros de história da arte quanto seus colegas, várias mulheres podem ser destacadas como fortes representantes do período, e eu selecionei 7 entre as mais notáveis para apresentar aqui hoje!

01) Suzanne Valadon:

Três obras de Suzanne Valadon, todas retratando figuras femininas em diferentes cenários, com sua foto em preto e branco abaixo seguida do nome e anos de nascimento (1865) e morte (1938).

Marie-Clémentine foi “rebatizada” como Suzanne Valadon por Toulouse-Lautrec, para quem modelou e com o qual viveu um romance. Foi modelo também de Renoir, inclusive em uma de suas principais obras, “Dança em Bougival”. Suzanne era filha de uma lavadeira em Montmartre, onde abandonou a escola para exercer vários trabalhos até juntar-se ao circo como acrobata. Lá conheceu artistas modernistas de grande nome na França, tornando-se modelo deles e, enfim, passando a desenhar e pintar observando-os fazendo o mesmo, recebendo muita influências do Simbolismo e do Pós-Impressionismo. Após casar-se em 1896, passou a viver como artista em tempo integral. Foi a primeira mulher na Sociedade Nacional de Belas Artes, sendo considerada uma grande transgressora e nome importante nos estudos de artes feministas. Morreu aos 72 anos e, como homenagem, teve seu nome dado a uma cratera no planeta Vênus, comumente ligado ao amor e à feminilidade.

Obras em destaque: Auto retrato (1898), O Quarto Azul (1923) e Nus (1919). Aprenda mais sobre a Suzanne!

02) Vanessa Bell:

exemplo de três obras de vanessa Bell, a primeira um retrato, a segunda uma pintura abstrata e o terceiro representando várias pessoas em tons sóbrios. Abaixo, sua foto (em preto e branco ) e nome, seguido dos anos 1879 e 1961, de nascimento e morte, respectivamente!

Irmã mais velha da escritora Virginia Woolf, Vanessa Bell sofreu, assim como ela, abusos dos meio-irmãos durante a juventude, que causou a fragilidade mental de Virginia e fez com que ela vendesse a casa onde viviam depois da morte dos pais, mudando para Bloombury, onde as duas fundaram, junto com seus maridos e outros amigos, o Grupo Bloomsbury de artistas e escritores que rejeitava os hábitos burgueses da sociedade vitoriana. Casou-se com Clive Bell, com quem tinha um relacionamento aberto, sendo o colega Duncan Grant seu principal namorado e companheiro de trabalho, com quem dividiu projetos notórios. Teve dois filhos com Clive e uma filha com Duncan, que foi criada pelo marido como se fosse dele. É responsável por alguns retratos mais conhecidos da irmã e do conjunto de cinquenta pratos intitulado “Serviço de Jantar das Mulheres Famosas”, onde ela e Duncan retrataram mulheres influentes em diversas áreas.

Obras em destaque: Auto-retrato (1915), Nu Com Papoulas (1916) e O Clube da Memória (1943). Aprenda mais sobre a Vanessa!

03) Anna Boch:

Trio de pinturas de tons suaves de Anna Boch, em tons pastéis que vão do sóbrio na primeira a cores frias na última). Sua foto está em tons de sépia e os anos correspondente ao nascimento e morte são 1848 e 1936.

Você já ouviu falar que Van Gogh vendeu apenas uma obra de arte em vida? “O Vinhedo Vermelho” foi comprado por Anna Boch, que era uma pintora e patrona de artes belga que migrava entre o impressionismo e pós-impressionismo, usando muito das técnicas de pontilhismo em suas obras. Mais do que suas pinturas, precisamos falar também do trabalho que fazia ao ajudar amigos modernistas da época, não só o mencionado anteriormente mas também Gaugin, para quem organizou um leilão beneficente. Anna abriu também uma casa onde artistas progressistas podiam produzir seus trabalhos e, em seu testamento, doou o dinheiro que tinha e o que foi arrecadado com a venda de seus quadros foi destinado à aposentadoria desses colegas, garantindo que não ficassem desamparados após não conseguir mais produzir. Seu desejo foi realizado quando morreu, aos 88 anos, mas teve algumas pinturas também doadas para museus.

Obras em destaque: Um Buquê de Cravos (cerca de 1910), Mulher lendo em um Aglomerado de Rododendros e Retorno da Missa Pelas Dunas. Aprenda mais sobre a Anna!

04) Emily Carr:

Obras de Emily Carr que possuem cores fortes e temas que vão da ícone indígena a um auto-retrato. Abaixo, sua foto em preto e branco é seguida do nome e dos anos de nascimento (1871) e morte (1945).

Nascida na costa do Pacífico canadense, Emily Carr é nome de diversas escolas e uma universidade de artes em seu país. Estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas manteve como temática principal os povos indígenas do Canadá, pintado-os e escrevendo livros sobre eles no fim de sua vida. O principal deles, Klee Wyck (“a Risonha”), tinha como título o nome adotado que recebeu nas vilas de tribos com as quais convivia. Durante a década de 1920 conheceu o Grupo dos Sete, artistas modernistas canadenses de maior relevância que, apesar de não integra-la ao grupo, considerava como parte deles, chamando-a de “A Mãe das Artes Modernas”. Após três ataques do coração e um derrame, abandonou definitivamente a pintura para dedicar-se à escrita e morreu de um quarto ataque, aos 73 anos. No mesmo ano, ganhou um doutorado honorário da Universidade de British Columbia, sua província natal.

Obras em destaque: Guyasdoms D’Sonoqua (cerca de 1930), Acima do Gravel Pit (1937) e Auto-Retrato (entre 1938 e 1939). Aprenda mais sobre a Emily!

Leia também: 10 mulheres do Impressionismo que você precisa conhecer!

05) Gwen John:

Obras pertencentes ao pós-impressionismo de Gwen John, sendo elas uma freira, um gato e uma mulher carregando um gato, todas em tons leves. Abaixo, um auto retrato da artista com vestido de cor forte e os anos 1876 e 1939, quando nasceu e faleceu, em seguida ao seu nome.

Gwen John nasceu no País de Gales e se mudou para Londres em 1895, ao ingressar na Slade Schooll of Fine Arts, uma das poucas instituições de Belas Artes que aceitava mulheres no Reino Unido, junto com seu irmão Augustus, que teve direito de entrar antes dela, apesar de ser mais novo. Começou a expor oficialmente em 1900 e três anos depois foi para a França com sua amiga e modelo Dorelia McNeill. Lá, começou a modelar para Rodin, o principal artista francês da época, com quem teve um longo relacionamento. Bissexual, era conhecida por ser muito intensa em suas relações. Com o tempo, conseguiu um patrono que a permitiu viver apenas de suas pinturas. Apesar de conhecer muitos artistas influentes, era muito tímida, focando sua produção em temáticas católicas, tornando-se fervorosa na religião com o tempo. No fim da vida, viveu sozinha com seus gatos até morrer aos 63 anos.

Obras em destaque: Mère Poussepin (A Freira, 1915), Gato (entre 1904 e 1908) e Jovem Mulher Segurando Um Gato Preto (entre 1920 e 1925). Aprenda mais sobre a Gwen!

06) Nutzi Acontz

Representando o pós-impressionismo na Romênia, as obras exemplo de Nutzi Acontz t~em cores fortes e linhas bem definidas, representando duas paisagens nas extremidades da imagem e uma imagem de natureza morta no centro. Sua foto, abaixo, está em preto e branco, seguida do nome, ano de nascimento (1894) e de morte (1957).

Nutzi Acontz era romena, fruto de uma linhagem armênia da Moldávia, país da Europa oriental que faz fronteira com a Ucrânia e a Romênia, onde nasceu em novembro de 1891. Quando tinha por volta de vinte anos, estudou na Escola de Belas Artes de Iasi, trabalhando como professora de desenho em seguida à sua formatura. Só conseguiu se manter como artista, com suas pinturas, após se mudar para Bucareste, onde retratava paisagens e elementos da natureza com forte dualidade de estilos: em alguns momentos com linhas densas, bem definidas, e cores igualmente intensas; em outros de forma tão leve e sutil que as obras parecem quase não ter cores. Foi lá que faleceu, aos 63 anos, em 1957.

Obras em destaque: Rua Dojubran, Natureza Morta com Fruta e Café Mamute. Aprenda mais sobre a Nutzi!

07) Sylvia Pankhurst:

Exemplos de obras de Sylvia Pankhurst, sendo a primeira uma pintura retratando uma operária de fábrica, a segunda um broche do movimento Sufragista e a terceira um desenho de uma mulher com linhas leves). Na foto, abaixo, Sylvia aparece com o rosto apoiado nas mãos, em preto e branco, e ao lado dele está seu nome e os anos 1882 e 1960, de nascimento e morte respectivamente.

Um parágrafo só não é suficiente para definir Sylvia Pankhurst, que fica por último não por ser menos revelante, mas sim por ter tantas atividades que marcam sua história de forma mais forte que a arte que isso se torna só um adendo dela. Filha de Emmeline Pankhurst, uma das fundadoras do movimento sufragista britânico, Sylvia participou ativamente da causa da mãe, sendo responsável por cartazes pedindo o voto feminino, pinturas retratando as operárias de fábricas e o broche que era dado ás companheiras que eram presas, quando soltas. Em dado momento, rompeu com o grupo por ser contra os esforços da I Guerra Mundial, que elas apoiavam, criando sua própria organização e alinhando seu pensamento político cada vez mais à esquerda. Foi ativista política socialista e humanitária até o fim da vida, que aconteceu quando lutava pela libertação dos etíopes dominados pela Itália, na própria Etiópia.

Obras em destaque: Em Uma Fábrica de Algodão em Glasgow Cuidando de Um par de belas Armações (1907), Broche Holloway (após 1902) e Retrato de Uma Jovem Mulher (cerca de 1909). Aprenda mais sobre a Sylvia!

Quer conhecer mais sobre as mulheres do pós-impressionismo?

Esse post faz parte também do projeto Vênus em Arte, um canal no Youtube e podcast que traz visibilidade feminina na história da arte! A série sobre as mulheres do Pós-Impressionismo “terminou” no início desse ano, mas não definitivamente, já que continuará sendo alimentada sempre que possível ou pertinente. Para conhecer mais sobre o movimento e várias outras artistas que fizeram parte dele, inclusive de outros países, vocês podem acessar a playlist sobre o assunto por lá!

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6 Comments

  1. Adorei esse post, mesmo não sento o período o meu favorito nas artes. Das que citou conhecia apenas três delas. A irmã de Virginia Woolf, eu conheci durante a pesquisa feita a respeito da escritora inglesa. Pankhurst eu conheci ao pesquisar a respeito do movimento sufragista, na época da faculdade. E Anna Boch que me foi apresentada por uma amiga artista plástica.
    As outras nunca tinha ouvido e já quero saber mais. Eu adoro saber mulheres que tiveram participações importantes no universo das artes porque, às vezes, parece ser um lugar que não pertence a nós e é muito importante mostrar o contrário…

  2. Outro dia comentei no post sobre a Yara Tupynambá que gostava muito de artes plásticas, mas tinha pouco conhecimento. E nesse post isso fica evidente de novo, porque não conheço nada sobre obras impressionistas; assim não é de surpreender que não conheça nenhum dos nomes citados. Então seu post já me pegou não só pelo tema mas pela introdução onde você contextualiza o assunto, muito útil para quem gosta mas quase não conhece, como eu. Todas as obras apresentadas são incríveis mas, apenas visualmente falando, me chamou mais a atenção os trabalhos da Emily Carr. Vou deixar esse post nos meu favoritos para depois pesquisar com calma sobre cada uma dessas artistas.

  3. Olá Luly, que interessante esse post, eu não conhecia nenhuma dessas artistas e foi legal poder conhecer. Sou bem leiga com arte então não sei de muita coisa haha
    acho muito importante mesmo esse trabalho de exaltar sim o trabalho de mulheres, que ficam sempre escondido atrás de artistas homens, o que é bem triste a mulher não ter o mesmo espaço.

  4. Lembro que na época da escola eu amava o impressionismo, mas nada sei sobre o pós-impressionismo! Adorei as suas indicações de artistas, vou com certeza buscar conhecer mais de seus trabalhos <3

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